01/02/2017

A verdade sobre Spalvis

Não vi este tema cabalmente esclarecido em lado nenhum, por isso mesmo acho que tenho o dever de "defender" o jogador do Sporting Lukas Spalvis.

O Belenenses devolveu Spalvis ao Sporting tendo sido alegado, em comunicado do próprio Sporting, "razões de prudência" que têm tido as mais diversas interpretações nos habituais "amigos" que temos pelos jornais: não agradou à equipa técnica do Belém, não está bem fisicamente, até recuperou da lesão mas vai demorar a ficar em forma, etc., etc., etc.

Ora bem: nada disto é verdade e a explicação para o regresso de Spalvis é muito simples. Aliás, convém referir que o Belenenses estava muito satisfeito com o rendimento de Spalvis nos treinos. E apenas hesitou relativamente à sua inscrição por motivos puramente regulamentares. E convém dizer que as razões de prudência (as verdadeiras) são compreensíveis, como tentarei explicar.

Comecemos, então, pelo princípio.

Durante o mês de Janeiro, o Sporting comunicou ao Belenenses que pretendia o regresso de João Palhinha, o que acabou por acontecer. Nessa altura, não sei se por iniciativa do Sporting ou do Belenenses, foi proposto (e acertado) o empréstimo de Spalvis ao Belenenses. Se não estou em erro, apareceram até fotos do jogador a realizar os habituais exames médicos.

Mas entretanto surgiu um problema: o regulamento da Liga apenas permite três empréstimos de um clube a outro clube:

Artigo 78º, n.º 2 do Regulamento de Competições

"O clube cedente não pode ceder temporariamente mais do que três jogadores a um clube da mesma competição."

Naturalmente que o espírito desta regra é o de impedir que mais do que três jogadores do clube A sejam simultaneamente emprestados ao clube B e não possam, por via também dos regulamentos (n.º 3 do art. 78º), atuar nos jogos em que o clube A defronte o clube B. Quem não se recorda dos "gloriosos" tempos em que o FCP ia a Leça defrontar o Leça B, enquanto que os demais tinham que levar com o Leça A, recheadinho de jovens promessas do FCP (Ricardo Carvalho foi um deles).

Mas a literalidade da regra não é suficientemente clara para que esta possa ser a única interpretação (mesmo que a mim me pareça que é a mais razoável). Da forma como a regra está escrita, poderia perfeitamente ser interpretado que, mesmo com a devolução de Palhinha, o empréstimo de Spalvis violaria esta regra do Regulamento de Competições (recordo que o Sporting além de Palhinha emprestou Uri Rosell e Domingos Duarte).

Se assim se considerasse, seria o Belenenses o único prejudicado, na medida em que a punição pela utilização de Spalvis seria derrota mais perda de pontos (art. 78º, agora do Regulamento Disciplinar) nos jogos em que Spalvis viesse a participar.

Ora, o Belenenses (legitimamente) ponderou se valia a pena utilizar o jogador e correr o risco de, no final da época, andar a discutir este tema com os clubes que descessem de divisão; ou se (lá está) seria mais prudente devolver o jogador ao Sporting, para não correr riscos devido à interpretação de uma regra.

Admito que tanto o Sporting como o Belenenses não pretendessem que isto viesse a público até ontem, para não dar ideias aos adversários do Belenenses caso o Belém tivesse arriscado ficar com o jogador. Mas a partir do momento em que está encerrado o período de transferências, e Spalvis foi devolvido ao Sporting, acho que o jogador, que não tem culpa nenhuma, deve ser protegido.

Deve portanto ficar claro que o Belenenses queria ficar com Spalvis. E que as razões por que não ficou estão estritamente relacionadas com prudência na interpretação dos regulamentos. Nada relacionado com a forma do jogador ou a lesão que o afetou. Que fique claro.