09/01/2017

Bryan Ruiz

"Até ao final do jogo, vivemos com o coração nas mãos. O Bryan Ruiz teimava em concluir as jogadas em grande estilo. Ou acabava a passar a bola ao guarda-redes, ou tentava um chapéu ou um qualquer centro envolvendo um toque na bola completamente improvável."

Retirado daqui.

É a isto que me refiro quando falo de Bryan Ruiz.

Não me refiro à sua qualidade técnica, que é inegável.

Não me refiro à sua capacidade de segurar a bola, cuja utilidade é inquestionável.

Não me refiro à sua inteligência e visão de jogo, acima da média.

Nem me poderia referir ao papel que desempenha taticamente, onde é dos melhores que temos do meio-campo para a frente.

E nem sequer me refiro ao que os experts designam de "tomada de decisão". A tomada de decisão de Bryan Ruiz (reter ou passar? avançar ou recuar? rematar ou entregar?) é certa na grande maioria das ocasiões.

Refiro-me ao facto de Bryan Ruiz estar numa fase em que invariavelmente complica lances que são simples. Pensem num exemplo retirado do jogo de ontem: Ruiz faz a desmarcação perfeita, controla bem a bola, progride sozinho (porque não tem colegas a acompanhar o lance), ou seja, toma todas as decisões corretas, tudo impecável; quando se aproxima da baliza o defesa fecha dentro e só lhe dá ângulo para o seu pior pé, o direito. A partir daqui, não estando em causa "o que faz", entra a análise do "como faz": um jogador relativamente cego do pé direito, ao invés de optar pela solução mais simples (remate seco) tenta um toque em habilidade (chapéu), quando o GR ainda não foi ao chão e nem sequer está particularmente adiantado. E a bola foi parar ao mesmo local onde iria parar caso a solução simples corresse mal...

Repare-se que é um jogador muito útil à equipa. Ontem a sua entrada permitiu voltar a entrar num jogo que (pasme-se) o Feirense estava a controlar desde o intervalo. Foi fundamental. Mas depois tem estes momentos que, sinceramente, gostaria de atribuir à fase que a equipa atravessa, mas, em boa verdade, não o posso fazer.

BRuiz é um dos paradoxos deste Sporting: se não joga no meio, o coletivo fica mais frágil; se joga no meio, a sua falta de objetividade deixa-nos mais longe do golo. E se pensarmos que no ano passado a fase em que perdemos mais pontos foi com BRuiz atrás do PL (Teo estava a banhos), chegamos rapidamente à conclusão de que ele, a jogar, terá que o fazer numa das alas, ajudando a fechar dentro quando o Sporting não tiver a bola. Mas aí teria que sair Gelson ou Campbell.

Cabe a JJ trabalhar este aspeto. Ou a BRuiz entender que terá sido esse o motivo do seu percurso menos famoso em Inglaterra.

2 comentários:

  1. Concordo com tudo. Também acho que a má fase dele também tem feito com que complique mais os lances.

    Para mim, ele no meio não vai conseguir jogar bem. Pelo menos na maioria dos jogos. Acho que ele tem o mesmo problema do Alan: demora muito tempo a decidir. Se o Alan ainda pode evoluir nesse aspecto (que é essencial), o Bryan já não vai conseguir nesta fase. Também penso que o Bryan não é muito forte a jogar em espaços reduzidos, por isso acho que o meio não é a melhor posição para ele. Pode ser útil para segurar a bola em determinados momentos mas não mais que isso.

    A extremo, tem tudo para ser titular ou uma forte alternativa aos mesmos mas precisa de um lateral que combine com ele, uma vez que não consegue desequilibrar individualmente. É ver o primeiro golo: o Marvin não é capaz de fazer aquilo (apesar de ser uma jogada relativamente simples).

    Cumps

    ResponderEliminar
  2. MMS,

    é apenas uma especulação que não posso sustentar mas por vezes parece-me que o BRuiz está ainda em sofrimento com aquela bola por cima da barra da baliza de Ederson e sempre que vai executar um passe ou remate vê aquelas fracções de segundo passar-lhe à frente e, pronto... A vontade de adornar cada lance acaba por estar relacionada com isso, parece que o jogador sente necessidade de provar a sua qualidade e que "aquilo" foi um mero acidente. Ora isto é um mal comum em miúdos em fase de afirmação e que, enquanto não se libertam dessa pressão, nunca demonstram o seu real valor.

    Especulação ou necessidade de ida ao psicólogo? Bom, talvez a resposta seja mais simples e as razões se encontrem no facto de ser sul-americano.


    ResponderEliminar