23/06/2016

Teimosia 3 - Alma e Coração 3 (com apuramento graças à Albânia e à Turquia)

Começo por dizer que a Albânia e a Turquia facilitaram a vida a Portugal. Sendo terceiros nos respetivos grupos com diferenças de golos negativas (ainda para mais de dois golos), permitiram autênticos passeios a todos os terceiros classificados. A partir daí, qualquer terceiro com diferença de golos nula ou de apenas 1 golo negativo sabia que estava apurado desde que fizesse 3 pontos. Portugal tinha dois empates e as contas eram simples: bastava empatar. Aliás, o empate podia chegar para ser segundo, se a Islândia também empatasse e o nosso número de golos fosse superior (o que aconteceu até aos 90+3 do Islândia-Áustria, quando um islandês deu o golpe de misericórdia nos pobres austríacos, que saem do Euro com derrotas com duas das seleções mais fracas da competição, o que diz muito do seu valor).

O não apuramento dependia, pois, de uma derrota com a Hungria. A acontecer, convém dizer que teria sido tão humilhante quanto a derrota com Marrocos em 86. Mas não aconteceu e agora, à boa moda lusitana, festeja-se o facto de estarmos na parte mais fraca da grelha, como se os resultados até agora indiciassem que limpamos sem problemas as Croácias, as Polónias (das seleções que mais gostei de ver, esta Polónia, grande joga com a Alemanha) e por aí fora. Enfim, somos mesmo assim.

Ontem não pude ver o jogo, por motivos profissionais. Uma reunião marcada por espanhóis insensíveis ao nosso jogo deu-me cabo do esquema. Espanhóis que, diga-se, estão verdadeiramente aterrorizados com a Itália. Era o pior adversário que lhes podia calhar. Dizem eles que os italianos vão querer vingar a tareia da final do Euro 2012. Eu lá lhes disse que que a Itália é sempre a Itália mas em condições normais a Espanha passa. Não ficaram muito otimistas...

Como dizia, não vi o jogo em direto, mas fui acompanhando, incrédulo, a marcha do resultado. Vi-o à noite, com calma, já sem emoção. E reconhecendo eu que obviamente vejo as coisas com lentes verdes, outros verão com lentes vermelhas e outros ainda com lentes azuis, queria dizer que isso pode afetar discussões como Renato vs Adrien, por exemplo, mas há coisas demasiado evidentes que uma lente de qualquer cor permite ver de forma muito clara.

Por isso mesmo, vou deixar de lado que considero que o Adrien devia jogar; que acho que as rotinas defensivas de Cedric serão seguramente superiores às de Vieirinha; que entendo que o Nani podia jogar no meio-campo, na ala esquerda, com o João Mário do lado contrário; que o Rafa devia ser titular ao lado do Ronaldo; que o Quaresma deve de facto entrar no decurso do jogo, para trazer algo diferente à equipa, mas dificilmente pode ser titular.

Agora, é impossível deixar de lado duas coisas que, permitam-me a imodéstia, já aqui escrevi há quase 3 meses:

- uma, que João Moutinho só deve jogar se estiver em forma, porque ao contrário do que nos tentava vender Paulo Bento, há opções para o seu lugar (e agora ainda há mais do que havia quando PB era selecionador). Custa acreditar que João Moutinho seja titular por outra razão que não o seu estatuto no grupo e o seu percurso na seleção. Mas as seleções não podem viver destes fenómenos, porque nestas competições curtas quem facilita num jogo, pode ficar fora (e tão perto que ficámos disso...);

- a segunda, que André Gomes na posição em que está colocado é totalmente inútil à equipa. Eu até poderia aceitar que André Gomes jogasse no lugar de Moutinho (acho que devia jogar o Adrien ou o Renato, mas adiante, aceitaria...). Agora, não vejo nada nada que o recomende para uma "ala", seja em losango ou noutro modelo, ainda para mais quando não me parece em grande forma.

Numa equipa que joga com 4 jogadores naquela zona, ter metade do meio-campo em modo "Taça-de-Portugal-contra-clube-do-CNS", quando do outro lado estão jogadores cheios de alma e coração, a viver o melhor momento das suas vidas, com um público entusiasta e vibrante (confesso: sinto inveja dos adeptos irlandeses e dos húngaros, como senti dos gregos na final do Euro 2004), é meio caminho andado para ter problemas. Se a isso se junta alguma nabice e algum azar (dois golos às três tabelas quase de rajada), podem acontecer resultados como o de ontem.

Sucede que, como todos tínhamos antecipado, Ronaldo fartou-se e resolveu. A exasperante reação ao terceiro golo dos húngaros diz tudo: "****-**, ando eu aqui com isto às costas e estes broncos nem conseguem evitar que a Hungria nos meta 3 batatas". É o que ele pensa, não duvidem. Continuou, como se viu várias vezes na segunda parte, a tentar chutar de todo o lado, estragando algumas jogadas. Mas apareceu, resolveu e até ia mesmo marcado de livre direto, ainda na primeira parte.

Outro destaque: João Mário. Bastou ter Renato em campo, e não Moutinho, para render o que se espera dele. Com este João Mário, com a inteligência de Nani, com um Ronaldo minimamente motivado e focado, com jogadores com energia no meio-campo, acredito que seja possível ganhar à Croácia. Com Moutinho e André Gomes a passar para o lado e para trás, desculpem-me mas não acredito.

PS: Ouvi um pouco do fórum TSF esta manhã. Primeira intervenção, o insuspeito Pedro Marques Lopes, fanático tripeiro. Pensei que fosse trazer à baila o William (para defender o Danilo), mas nem ele teve esse despudor. Limitou-se a dizer que o Moutinho joga a passo e que o André Gomes está fora da posição dele. Enfim, é por demais evidente.

6 comentários:

  1. O André Gomes e o Moutinho têm duas coisas em comum. Ambos pertencem ao catalogo Mendes e ambos são para transferir, logo têm que jogar.

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    1. FCS,
      Essa lógica não faz sentido porque, como dizia o BC a propósito do Labyad, quanto mais jogam, mais desvalorizam. Se continuam a jogar assim, vão ficar onde estão.
      SL

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  2. O colocar na montra às vezes tem esse risco. Mas por norma se é para vender tem que ter exposição.

    Mas além de burrice, que mais pode explicar?

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    1. Teimosia. Meteu uma equipa na cabeça e não muda enquanto um deles não entrar numa ambulância do INEM. É um defeito comum a muitos treinadores.

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  3. ao menos já não há dúvidas que o menino Renato é para jogar.

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    1. Eu preferiria o Adrien pela experiência e rotina com os restantes do meio-campo.

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