04/01/2016

O reencontro com o Zatopek

1. Quis o destino que reencontrasse o meu companheiro de blog Zatopek em Alvalade, no passado Sábado. Andava por ali, pelo sector dos cativos e lugares de leão, com o seu ar bem-disposto de sempre, cachecol do Porto bem visível, como se estivesse em pleno Dragão. Tanto quanto sei, não teve nenhum problema mesmo sendo claramente minoritário naquela bancada. Ainda bem que assim é. Fico contente por perceber que, em Alvalade, é possível a um adepto do Porto assistir a um jogo no meio de milhares de adeptos do Sporting, perfeitamente identificado, sem que algo de estúpido aconteça.

2. Ao intervalo o Zatopek estava pessimista, e com razão. O Porto já perdia mas, mais do que isso, jogava muito pouco. Ou posse inconsequente ou bolas longas em Brahimi. Este último lá conseguia invariavelmente livrar-se de dois, por vezes três, adversários, partindo da ala para o meio. Mas depois deparava-se com um deserto: ou Corona do outro lado a kms de distância; ou Aboubakar preso entre os nossos centrais; ou uma série de jogadores presos cá atrás e sem grande capacidade para desequilibrar. Quando Danilo apareceu e cometeu a proeza de não estragar, o Porto criou o único lance perigoso em todo o jogo. Continuo a achar que falta ousadia e criatividade ao meio-campo do Porto. Há quem entenda que Brahimi devia jogar no meio, com Tello e Corona nas alas. Nem seria preciso tanto. Bastaria deixar Ruben Neves como trinco, jogar com André André a 8 (e nem sou dos que acham o jogador fabuloso, mas considero-o competente) e Evandro mais adiantado. O facto de não haver outros para jogar nestas posições (Herrera continua a pagar a fatura do que custou e parece que Imbula não conta...) já não será responsabilidade de Lopetegui (ou apenas dele).

3. O Sporting fez um jogo competente. Coletivamente a equipa esteve invariavelmente bem. Destaques inidividuais: Patrício fez bem a mancha a Aboubakar e com exceção de uma bola fácil que largou esteve sempre seguro; Naldo fez o primeiro grande jogo desde que representa o Sporting; João Mário esteve em todo o lado; Ruiz perdeu algumas bolas por excesso de adorno, mas a grande maioria das suas intervenções fazia progredir a equipa; Slimani resolveu o jogo (embora não se possa falhar aquele lance por volta do minuto 64...).

4. Pela negativa, William estava nitidamente sem ritmo (perdeu vários duelos em velocidade); e Matheus parecia algo tímido, talvez devido à importância do jogo. Coletivamente, apenas uma nota: Jefferson defende "como mandam os experts", com o poste como referência quando a bola está no flanco contrário. Quando Corona alargava, ficava com espaço para receber, controlar e avançar para o meio, e a equipa demorava a bascular. Jefferson nunca perdeu o duelo individual mas se o perdesse... Admito que a disponibilidade física de William possa ter condicionado, mas é um aspeto a rever.

5. Parece que efetivamente temos o coletivo mais forte de Portugal. Mas enquanto os outros tiverem Brahimis e Gaitáns não fico sossegado. Além de que perdemos com o União e recordo pelo menos 4 jogos que só desbloqueámos nos últimos minutos. O Sporting para ser campeão tem que ser dominador e incisivo nesses jogos. Temo mais esses do que outros.

6. Agora, ganhar em Setúbal na quarta-feira e continuar o trajeto. Parece-me claro que JJ queria Ruiz ali, onde jogou no Sábado, e que a contratação de Bruno César não vem despromover Matheus nem tirar espaço a Gelson - JJ quer Ruiz com Slimani, quando não haja Slimani com Teo ou com Montero, mantendo-se como opções para as alas João Mário, Gelson, Matheus e, agora, Bruno César. Marvin vem para rodar com Jefferson, Schelotto é que ainda não percebi se implica o empréstimo de Esgaio.

Sem comentários:

Enviar um comentário