12/01/2016

Final da 1ª volta: de duas, uma

Esta 1ª volta demonstra que, na Liga Portuguesa, e salvo raríssimas exceções (e já nem enquadro aqui o Braga, que está um nível acima dos demais), só os autocarros tiram pontos. Os que fazem o louvável esforço de tentar jogar "de igual para igual" têm sido atropelados. Aconteceu ao Setúbal, com Sporting e Benfica. Aconteceu ao Nacional, ainda ontem.

Com isto, temos o seguinte: um Benfica que passou 3 meses em sobressalto está a 4 pontos da liderança com o melhor calendário de entre os candidatos; um Porto que não acreditava no seu próprio treinador, está também a essa distância.

Claro que se tratam de clubes com uma estaleca diferente do Sporting, o Porto em particular. Recordo o último campeonato conquistado por Vítor Pereira, em que o Porto andou sempre atrás mas manteve sempre a distância que ainda alimentava a esperança do título (creio que seria impensável com este Sporting dos últimos 10/12 anos). A "gestão de danos" no Porto e no Benfica é completamente diferente da que se faz em Alvalade, por regra. O impacto psicológico da perda de pontos quando já se vai atrás é completamente diferente: no Sporting, os braços normalmente viriam abaixo; no Benfica sempre foi um pouco melhor, mas confesso que me surpreende como conseguiram aguentar ter estado a 7 pontos e ter conseguido diminuir o fosso depois de visitas a Guimarães e Nacional; no Porto, mesmo com Couceiros e Lopeteguis, a verdade é que vão aguentando sempre até às últimas jornadas.

O próximo mês, não sendo naturalmente decisivo, vai deixar indicações importantíssimas uanto ao comportamento dos três:

- no Sporting, as receções a Tondela, Académica e Rio Ave (recordo que são estes os jogos em que o Sporting tem sentido mais dificuldade) indicarão se efetivamente o Sporting consegue desbloquear autocarros (pelo meio, uma difícil deslocação a Paços de Ferreira, mas antevejo, apesar de tudo, um jogo em que o Paços não usará o autocarro);

- no Porto, a escolha do treinador. O calendário é acessível até à Luz e jogos com Dortmund, ainda mais se o treinador contratado for Conceição (único jogo de grau de dificuldade médio é a deslocação a Guimarães, mas se lhes ficarem com o treinador creio que o caminho fica facilitado);

- no Benfica (que, reconheça-se, tem sido o que tem ultrapassado os autocarros com resultados mais convincentes), três deslocações até receber o Porto e defrontar o Zenit. Tenho dito desde o início que este mês de Janeiro e a fase das eliminatórias da Champions vão ser decisivos para o Benfica. Não acredito que Vitória consiga manter o Benfica na corrida nessa fase. Mas também não acreditava que depois de ser enxovalhado com o Sporting em casa e pouco depois perder também para a Taça os adeptos não lhe saltassem em cima (três derrotas com o Sporting na mesma época é demais para qualquer benfiquista...). E a verdade é que se aguentou. Mérito dele, sim senhor, mas convém não esquecer a ajudinha comunicacional dada nos últimos tempos por Jorge Jesus que, num erro de palmatória (basta pensar o quão bem estava a funcionar com Lotapeg), atacou fortemente um treinador fragilizado pelos próprios adeptos. Hoje o que vemos nos OCS e nos blogs são declarações de apoio em lugar dos anteriores pedidos de imediata substituição. E agora é tarde para rever esta estratégia,

Aliás, quanto ao Benfica, atendendo ao que foi o último mês, devo dizer que vejo duas hipóteses:

- ou o Benfica, ao contrário do que diz JJ, de facto tem "estrutura" e voltou àquela fase em que seja quem for o treinador, e sejam quem forem os jogadores, é sempre o Benfica (obviamente que o "seja quem for" tem limites, mas para que percebam a ideia é um pouco equivalente ao Porto anos 90).

- ou o Rui Vitória é de facto melhor treinador do que tinha demonstrado até agorano seu percurso.

Uma coisa é certa: se o Benfica no próximo mês mantiver esta distância, ou não se afastar muito, vai correr até ao fim. Nem digo se se aproximar: aí, face ao calendário, passa mesmo a ser o principal favorito. Ao contrário do que a lógica poderia indicar, o que demonstra(ria) que, no futebol, a lógica não é mesmo muito mais do que uma batata...

2 comentários:

  1. Só um reparo, pois o MMS parece querer adivinhar a queda do Sporting.

    O Sporting iniciou esta tripla jornada do início de Janeiro 1 ponto atrás do líder e neste momento é ele o líder do campeonato com 4 pontos de avanço.

    Depois da força demonstrada pelo Sporting neste período, acha mesmo que há falta de estaleca em Alvalade?

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    1. Sporting até morrer,

      Creio que percebeu mal o que quis dizer (ou admito que não tenha sido claro na ideia que quis passar).

      Não digo que o Sporting não tenha estaleca para lutar pelo título, bem pelo contrário - tem-na demonstrado de forma clara. E não baixou os braços quando ficou para trás. Também em 99/2000 andámos bastante tempo atrás e só passámos o FCP no confronto direto.

      O tema da estaleca diz respeito à diferença pontual: agora estávamos a 1 ponto, em 99/2000 creio que a 2 pontos. Mas a história demonstra-nos que quando o Sporting está a 5, 6, 7 pontos (como o Benfica já esteve este ano, por exemplo), o campeonato acaba aí porque quem não está habituado a andar na luta, sente (psicologicamente) de forma muito mais dura os embates dos tropeções (que acontecem a todos).

      Acho que "este" Sporting, fosse com que treinador fosse, dificilmente conseguiria o que conseguiu Vitor Pereira no Porto em 2012/2013, ou seja, manter a equipa a ganhar todos os jogos até ao fim, dependendo de terceiros e alimentado na esperança de que o adversário perderia pontos algures. Mesmo para o Benfica seria difícil não desmotivar (veja-se o ano anterior: mal o Benfica foi ultrapassado veio por ali abaixo, e o Porto ainda perdeu pontos estúpidos nesse campeonato depois do "decisivo" clássico).

      Quanto ao Sporting, não acho que vá cair. Mas se os adversários continuarem à tona até à fase das deslocações mais complicadas, aí assim vamos ter que demonstrar muita estaleca...

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