19/01/2016

Quem é, agora, o principal candidato?

Face à posição na Liga, o Sporting. Mantém uma vantagem de 2 pontos e recebe o rival direto em casa. Num cenário em que ambos fazem todos os pontos em disputa contra não-candidatos e o Sporting bate o Benfica em casa, até pode perder no Dragão. Mantém o problema dos autocarros. Detesto ser o Zandinga das horas más, mas tal como antecipei este ciclo é decisivo para o Sporting: até ao jogo com o Nacional (mesma jornada do Benfica-Porto), o Sporting pode perfeitamente fazer todos os pontos em disputa, mas estará perante adversários e circunstâncias que lhe têm sido difíceis de ultrapassar. Se fizer esses pontos, creio que se manterá na frente aconteça o que acontecer porque o mesmo ciclo de jogos, no Benfica, pode importar a perda de alguns pontos. E quanto ao clássico, será a última oportunidade para o FCP se manter na corrida (e noto que se o FCP perder aí a corrida, perde também, com grande probabilidade, o acesso direto à Champions) pelo que não acredito que o Benfica ganhe (mas enfim, vamos ver o que faz Peseiro no FCP).

Face ao calendário, o Benfica, como tinha dito aqui no último post. O futebol de Rui Vitória continua sem convencer, mas o Benfica já fez as deslocações onde é teoricamente maior a probabilidade de perda de pontos. Claro que tem sido com Aroucas, Moreirenses, Boavistas, Uniões e Tondelas que os candidatos têm perdido pontos. Não obstante, o Benfica continua a ter grandes jogadores no seu 11, que vão resolvendo os jogos. Afastado que foi um jogador que, não sendo de menosprezar face à idade, sempre disse que não tinha lugar no atual Benfica (Gonçalo Guedes - ainda não lhe vi nada que justificasse a euforia à sua volta), e estabilizado o meio-campo, em particular com a entrada de Renato Sanches (primeiro jogador formado na Luz e lançado - na verdadeira aceção da palavra - na equipa principal do Benfica que me impressiona em muitos, muitos anos), a verdade é que o Benfica tem ganho os seus jogos. O que continuo a achar é que, defensivamente, é uma equipa instável e que vai tendo a sorte do jogo principalmente nos jogos em casa, o que não vai durar sempre (como também não era suposto durar para sempre aquela conversa de o Sporting marcar nos últimos minutos, diga-se!).

Quanto ao FCP, depende dos outros dois. Se o Benfica for o que eu espero que seja até finais de Fevereiro, e o Sporting continuar a desperdiçar pontos onde não é suposto, o FCP poderá assistir ao derby de cadeirão, na 25ª jornada. Caso aconteça apenas a primeira, vai depender de um clássico na Luz para se aproximar e renascer; caso aconteça apenas a segunda, vou-me tornar portista por alturas da 22ª jornada. Caso não aconteça nenhuma das duas, está fora. Quanto a Peseiro: sempre foi um treinador preocupado em jogar um futebol de qualidade; mas nunca o vi estabilizar essa qualidade em lado nenhum. Veremos se a famosa estrutura portista é assim tão decisiva.

PS: Críticas públicas a Rui Vitória desde que JJ se pegou com ele? Zero. Não sei quem se lembrou desta estratégia de comunicação que permitiu silenciar os criíticos dos nossos adversários...

PSII: Não retiro uma vírgula do que disse sobre Rui Vitória quando dele se falava para vir para o Sporting. Dou-lhe o mérito de ter conseguido estabilizar um 11 base e de ter evitado a radicalização do discurso, mas aquele futebol não chegaria para o Sporting, como todos sabemos, e tem chegado para o Benfica porque tem tido um Super-Jonas: 18 golos em 18 jogos, sendo que ele, Jonas, não os terá disputado todos (se continuar a este ritmo, e terminar com 36, será preciso recuar até Mário Jardel para vermos números parecidos... acho que isto diz tudo!). Isto dito: se for campeão, cá estarei para lhe reconhecer esse mérito. Mas convenhamos que se este futebol ganhar o campeonato, estaremos perante o campeão de pior qualidade desde Trapattoni (isto não querendo comparar os dois porque apesar de tudo acho que o futebol de Vitória fica uns bons furos acima).

12/01/2016

Final da 1ª volta: de duas, uma

Esta 1ª volta demonstra que, na Liga Portuguesa, e salvo raríssimas exceções (e já nem enquadro aqui o Braga, que está um nível acima dos demais), só os autocarros tiram pontos. Os que fazem o louvável esforço de tentar jogar "de igual para igual" têm sido atropelados. Aconteceu ao Setúbal, com Sporting e Benfica. Aconteceu ao Nacional, ainda ontem.

Com isto, temos o seguinte: um Benfica que passou 3 meses em sobressalto está a 4 pontos da liderança com o melhor calendário de entre os candidatos; um Porto que não acreditava no seu próprio treinador, está também a essa distância.

Claro que se tratam de clubes com uma estaleca diferente do Sporting, o Porto em particular. Recordo o último campeonato conquistado por Vítor Pereira, em que o Porto andou sempre atrás mas manteve sempre a distância que ainda alimentava a esperança do título (creio que seria impensável com este Sporting dos últimos 10/12 anos). A "gestão de danos" no Porto e no Benfica é completamente diferente da que se faz em Alvalade, por regra. O impacto psicológico da perda de pontos quando já se vai atrás é completamente diferente: no Sporting, os braços normalmente viriam abaixo; no Benfica sempre foi um pouco melhor, mas confesso que me surpreende como conseguiram aguentar ter estado a 7 pontos e ter conseguido diminuir o fosso depois de visitas a Guimarães e Nacional; no Porto, mesmo com Couceiros e Lopeteguis, a verdade é que vão aguentando sempre até às últimas jornadas.

O próximo mês, não sendo naturalmente decisivo, vai deixar indicações importantíssimas uanto ao comportamento dos três:

- no Sporting, as receções a Tondela, Académica e Rio Ave (recordo que são estes os jogos em que o Sporting tem sentido mais dificuldade) indicarão se efetivamente o Sporting consegue desbloquear autocarros (pelo meio, uma difícil deslocação a Paços de Ferreira, mas antevejo, apesar de tudo, um jogo em que o Paços não usará o autocarro);

- no Porto, a escolha do treinador. O calendário é acessível até à Luz e jogos com Dortmund, ainda mais se o treinador contratado for Conceição (único jogo de grau de dificuldade médio é a deslocação a Guimarães, mas se lhes ficarem com o treinador creio que o caminho fica facilitado);

- no Benfica (que, reconheça-se, tem sido o que tem ultrapassado os autocarros com resultados mais convincentes), três deslocações até receber o Porto e defrontar o Zenit. Tenho dito desde o início que este mês de Janeiro e a fase das eliminatórias da Champions vão ser decisivos para o Benfica. Não acredito que Vitória consiga manter o Benfica na corrida nessa fase. Mas também não acreditava que depois de ser enxovalhado com o Sporting em casa e pouco depois perder também para a Taça os adeptos não lhe saltassem em cima (três derrotas com o Sporting na mesma época é demais para qualquer benfiquista...). E a verdade é que se aguentou. Mérito dele, sim senhor, mas convém não esquecer a ajudinha comunicacional dada nos últimos tempos por Jorge Jesus que, num erro de palmatória (basta pensar o quão bem estava a funcionar com Lotapeg), atacou fortemente um treinador fragilizado pelos próprios adeptos. Hoje o que vemos nos OCS e nos blogs são declarações de apoio em lugar dos anteriores pedidos de imediata substituição. E agora é tarde para rever esta estratégia,

Aliás, quanto ao Benfica, atendendo ao que foi o último mês, devo dizer que vejo duas hipóteses:

- ou o Benfica, ao contrário do que diz JJ, de facto tem "estrutura" e voltou àquela fase em que seja quem for o treinador, e sejam quem forem os jogadores, é sempre o Benfica (obviamente que o "seja quem for" tem limites, mas para que percebam a ideia é um pouco equivalente ao Porto anos 90).

- ou o Rui Vitória é de facto melhor treinador do que tinha demonstrado até agorano seu percurso.

Uma coisa é certa: se o Benfica no próximo mês mantiver esta distância, ou não se afastar muito, vai correr até ao fim. Nem digo se se aproximar: aí, face ao calendário, passa mesmo a ser o principal favorito. Ao contrário do que a lógica poderia indicar, o que demonstra(ria) que, no futebol, a lógica não é mesmo muito mais do que uma batata...

04/01/2016

O reencontro com o Zatopek

1. Quis o destino que reencontrasse o meu companheiro de blog Zatopek em Alvalade, no passado Sábado. Andava por ali, pelo sector dos cativos e lugares de leão, com o seu ar bem-disposto de sempre, cachecol do Porto bem visível, como se estivesse em pleno Dragão. Tanto quanto sei, não teve nenhum problema mesmo sendo claramente minoritário naquela bancada. Ainda bem que assim é. Fico contente por perceber que, em Alvalade, é possível a um adepto do Porto assistir a um jogo no meio de milhares de adeptos do Sporting, perfeitamente identificado, sem que algo de estúpido aconteça.

2. Ao intervalo o Zatopek estava pessimista, e com razão. O Porto já perdia mas, mais do que isso, jogava muito pouco. Ou posse inconsequente ou bolas longas em Brahimi. Este último lá conseguia invariavelmente livrar-se de dois, por vezes três, adversários, partindo da ala para o meio. Mas depois deparava-se com um deserto: ou Corona do outro lado a kms de distância; ou Aboubakar preso entre os nossos centrais; ou uma série de jogadores presos cá atrás e sem grande capacidade para desequilibrar. Quando Danilo apareceu e cometeu a proeza de não estragar, o Porto criou o único lance perigoso em todo o jogo. Continuo a achar que falta ousadia e criatividade ao meio-campo do Porto. Há quem entenda que Brahimi devia jogar no meio, com Tello e Corona nas alas. Nem seria preciso tanto. Bastaria deixar Ruben Neves como trinco, jogar com André André a 8 (e nem sou dos que acham o jogador fabuloso, mas considero-o competente) e Evandro mais adiantado. O facto de não haver outros para jogar nestas posições (Herrera continua a pagar a fatura do que custou e parece que Imbula não conta...) já não será responsabilidade de Lopetegui (ou apenas dele).

3. O Sporting fez um jogo competente. Coletivamente a equipa esteve invariavelmente bem. Destaques inidividuais: Patrício fez bem a mancha a Aboubakar e com exceção de uma bola fácil que largou esteve sempre seguro; Naldo fez o primeiro grande jogo desde que representa o Sporting; João Mário esteve em todo o lado; Ruiz perdeu algumas bolas por excesso de adorno, mas a grande maioria das suas intervenções fazia progredir a equipa; Slimani resolveu o jogo (embora não se possa falhar aquele lance por volta do minuto 64...).

4. Pela negativa, William estava nitidamente sem ritmo (perdeu vários duelos em velocidade); e Matheus parecia algo tímido, talvez devido à importância do jogo. Coletivamente, apenas uma nota: Jefferson defende "como mandam os experts", com o poste como referência quando a bola está no flanco contrário. Quando Corona alargava, ficava com espaço para receber, controlar e avançar para o meio, e a equipa demorava a bascular. Jefferson nunca perdeu o duelo individual mas se o perdesse... Admito que a disponibilidade física de William possa ter condicionado, mas é um aspeto a rever.

5. Parece que efetivamente temos o coletivo mais forte de Portugal. Mas enquanto os outros tiverem Brahimis e Gaitáns não fico sossegado. Além de que perdemos com o União e recordo pelo menos 4 jogos que só desbloqueámos nos últimos minutos. O Sporting para ser campeão tem que ser dominador e incisivo nesses jogos. Temo mais esses do que outros.

6. Agora, ganhar em Setúbal na quarta-feira e continuar o trajeto. Parece-me claro que JJ queria Ruiz ali, onde jogou no Sábado, e que a contratação de Bruno César não vem despromover Matheus nem tirar espaço a Gelson - JJ quer Ruiz com Slimani, quando não haja Slimani com Teo ou com Montero, mantendo-se como opções para as alas João Mário, Gelson, Matheus e, agora, Bruno César. Marvin vem para rodar com Jefferson, Schelotto é que ainda não percebi se implica o empréstimo de Esgaio.