31/08/2015

Notas soltas

1. Ganhámos em Coimbra num jogo que começou bem, continuou melhor e teve tremideira devido a um penalty que qualquer curso de árbitros devia ensinar a não assinalar. Esqueçam os 50 ângulos na TV, há uns em que parece, outros em que se vê que afinal não. Como o árbitro não tem ângulos de TV, deve basear-se, em caso de dúvida, no básico "trajetória da bola". No lance do penalty que assinala contra o Sporting, a trajetória da bola indicia que o Adrien chegou lá primeiro; no lance do penalty sobre Slimani a trajetória indicia que Slimani poderia ter prosseguido se não fosse derrubado. O árbitro decidiu sempre ao contrário.

2. Jorge Jesus foi expulso do banco e BC saiu com ele. Esteve bem, BC. Também bem, JJ, no final, a desmistificar a ideia da campanha (que por muito que custe aos sportinguistas só jogaria contra nós).

3. Adrien voltou a revelar dificuldades na posição 6. A meu ver, continuamos a dar muito espaço naquele meio-campo. O sistema vai ser este, pelo que já não discuto isso. Um 6, ali, dava muito jeito... William, despacha-te lá!

4. Slimani a demonstrar que fiz bem em aderir ao slimanismo. Grande assistência de Carrillo. Teo algo desinspirado, grande entrada (e bom jogo) de Mané. Bons pormenores de João Mário, como habitualmente, mas muita displicência num lance em que tinha o GR em queda e a baliza escancarada.

5. Esgaio melhor que João Pereira. Fala-se de Schelotto, mas só se sairem Rosell e Labyad. Tanta gente para despachar e é destes dois que depende a entrada de Schelotto? Mas o Rosell ganha alguma fortuna?...

6. Wilson no Braga, André Martins supostamente de saída. Não percebo como na mesma temporada saem Wallyson, Rosell, Martins (ainda que seja por empréstimo). E o Viola?

7. A menos que a diferença na oferta salarial seja um disparate, não consigo mesmo entender como é que o tal do Ansaldi prefere assinar pelo Genoa rejeitando Benfica e Porto. Não me entendam mal: se fosse eu, preferiria assinar pelo Rebordosa a custo 0 ou mesmo pelo famoso Ibis pagando para jogar, do que assinar por Benfica ou Porto. Mas um profissional de futebol que não seja maluco pelo Sporting, enfim...

8. Seria bonito o Nagatomo assinar pelo Benfica. O Tanaka precisa de estar com alguém que não lhe faça uma vénia parva de cada vez que o vê.

9. Fazem-se os últimos negócios. Normalmente são os clubes ingleses a enfiar barretes caros no dia 31 de agosto, desta feita os alemães estão a tomar o gosto à coisa. O Wolfsburg parece decidido a discutir o título com o Bayern e então toca de lá ir buscar um central que não serve para o Guardiola. Vão longe...

10. No futebol português, poucos reforços de última hora. Um deles, o filho do Rivaldo. Faz bem o Boavista, vale sempre a pena apostar nos genes. Quem não se lembra daquela ocasião em que o Estrela da Amadora achou um disparate estar a contratar o irmão do Assis... só porque era irmão do Assis? Pois é, o puto acabou por não se dar mal na vida.

Atualização: isto está escrito no record online: Leicester City está a negociar atransferência de André Carrillo. O peruano está no último ano de contrato com o Sportinge o clube da Premier League estará na disposição de desembolsar 11 milhões de euros pelo jogador, segundo dá conta a TVI.

Um erro tremendo ter deixado este processo de renovação chegar onde chegou...

13 comentários:

  1. Peço desculpa mas apetece-me voltar a perguntar-lhe, até onde estaria disposto a ir pelo Carrillo?

    Salário e compra do passe? Porque muito provavelmente é esse o verdadeiro problema.

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  2. Acrescentar que pelo que se ouve cada vez mais a vontade do jogador é ficar. São os empresários a dificultar a renovação.

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  3. MMS,

    nada a acrescentar nos pontos 1 a 4 (inclusive). Adoro pormenor da displicência do J. Mário. Não se pode perder um golo com aquele à vontade (e é isso mesmo que se trata, de um golo perdido).

    5. Que Esgaio é melhor que J. Pereira não pode ser novidade para ninguém. Quanto ao italiano, não conheço, mas custa-me ir buscar alguém que ninguém quer. Não dá mesmo para ir buscar o Pereirinha?

    6. O Martins será muito difícil de engolir. Sei que será uma alegria para muitos, mas para mim não. No Sporting, no meio-campo, só William e J. Mário são melhor que ele (sim, não gosto do Aquilani. Faz passes a pensar que todos os adversários são crianças de 10 anos ou defesas da Académica).

    7. Eu adorava ser titular pelo Porto ou Benfica e jogar contra o Sporting....

    8 a 10. Muito bom...

    Carrillo: as desculpas arranjadas para Bruma, Ilori e Dier não poderão ser usadas neste caso. 3 anos, 3 anos. Não há desculpa. Tenho um feeling que Carrillo e Bruma serão apresentados lado a lado, daqui a 10 meses, no Dragão (e atenção aos negócios Porto-Nice, onde está Wallyson; hoje foi para lá outro, o Ricardo Pereira).

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  4. Cantinho,

    Posso estender-lhe a pergunta?

    Faz-me confusão essa das "desculpas"... até parece que a herança foi leve. Os 3 casos que refere são emblemáticos.

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    1. FCS,

      Só vou acrescentar algo ao que o MMS já referiu (e bem) em baixo.
      Quando a actual direcção tomou posse Carrillo estava a 3 anos e meio de terminar o contrato.
      Quando a actual direcção tomou posse Dier estava a 2 anos e meio de terminar o contrato.
      Quando a actual direcção tomou posse Bruma estava a 2 anos e meio de terminar o contrato.
      Quando a actual direcção tomou posse Ilori estava a 2 anos e meio de terminar o contrato.

      Se, na altura, acho que não se fez tudo (e eu estou de fora) mas reconheço dificuldades (em Bruma e Ilori), acho que com Carrillo não há desculpa. Mas vamos ver.

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  5. FCS,
    Já vou responder à sua pergunta mas antes deixe-me dizer-lhe que há uma outra pergunta a ser respondida: quando é que se tentou renovar com Carrillo?
    Vamos admitir, por hipótese, que efetivamente não se tentou essa renovação ainda numa altura em que muitos diziam que "ele só é bom a sair do banco". Será algo que fará sentido na cabeça dos sportinguistas; mas na minha não. Porque uma coisa são laracheiros como nós, outra bem diferente são responsáveis pelo futebol profissional de um clube desta dimensão. Esses têm (tinham) a obrigação de perceber que o potencial estava lá. A renovação devia ter sido tentada no dia em que Jardim saiu do Sporting, isto depois de ter tirado Carrillo de campo ainda na 1ª parte no último jogo oficial da época, era esse o momento.
    Percebo também que o facto de só termos 50% do passe possa fazer parecer que é uma renovação que não vale a pena. Mas uma vez mais discordo (isto sem sequer referir a possibilidade de comprar uma maior fatia do passe, algo que pode ter sido dificultado por todo o percurso dos últimos anos). Porque é preferível ter 50% de Carrillo do que 100% de Maurício, por exemplo (nem falo de Slavchevs). Maurício a 100% rendeu 3M€, Carrillo a 50% quanto poderá render?
    Isto dito, respondo à sua pergunta: se o Carrillo está a pedir para ganhar mais do que o Teo, o Ruiz e o Aquilani, merece. Não só porque é melhor jogador (comparações são sempre difíceis, nomeadamente quando falamos de posições diferentes) mas essencialmente porque a rentabilidade de Carrillo, mesmo com 50% do passe, provavelmente compensará. Digo-lhe mais: compensará mesmo que ganhe mais do que Adrien e Patrício.
    É um risco? Claro que sim. Carrillo pode nunca receber uma oferta de 20m ou 25m. Mas é daqueles riscos que a meu ver todos compreenderiam.
    Um abraço

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  6. MMS,

    O meu problema não é ficar apenas com 50% do passe do Carrillo, é ao que parece ter a obrigatoriedade de comprar os outros 50% para conseguir a renovação. Daí a pergunta, a que preço? 2, 4, 6, 8 M€?

    Uma pequena provocação... está na altura de ultrapassar o esse trauma (Maurício), parecendo que não rendeu mais por exemplo que o Matias. :)

    Cantinho,

    Respondo-lhe de outra forma:

    Com o William não vai haver esses problemas.
    Com o Tobias não vai haver esses problemas.
    Com o João Mário não vai haver esses problemas.
    Com o Mané não vai haver esses problemas.
    Com o Esgaio não vai haver esses problemas.
    Com o Gelson não vai haver esses problemas.
    Com M. Pereira não vai haver esses problemas.

    Ora o que têm estes em comum que não tiveram o Bruma, o Dier e o llori?

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    1. FCS,
      Foi ao ler o seu comentário no "A Norte de Alvalade" que me apercebi que não cheguei a publicaar a minha resposta. Não percebo o que se passou, provavelmente foi distração minha!
      Ora bem, não consigo reproduzir tudo quanto tinha escrito, mas vou tentar que o "espírito" da resposta seja o mesmo: não me parece que exista nenhuma obrigação de comprar 50% do passe; honestamente, e posso estar mal informado, nem sequer ouvi falar disso. Creio que o que existe, e isso é perfeitamente aceitável, é uma opção estratégica de BC no sentido de não "alimentar" jogadores de quem detemos percentagens reduzidas dos passes. Custa a BC, e isso eu percebo muito bem, receber uma proposta de 20m ou 25m e entregar 50% a quem quer que seja, sendo que fomos nós, Sporting, que valorizámos o jogador.
      Ou seja, e em resumo: o que BC não quer é pagar um prémio alto, aumentar exponencialmente o salário, sem qualquer esforço para o efeito do detentor dos restantes 50% e depois, ainda assim, partilhar 50% do lucro. E, repito, eu até percebo. Mas obrigatoriedade contratual não creio que exista. Se existir, o tema é completamente diferente, concordo consigo!
      Isto dito, uma coisa são posições de princípio, outra a realidade. E a realidade é esta: mal ou bem, o Sporting apenas detém 50% do passe do 2º jogador mais valioso do plantel (o primeiro, em termos de valor de "mercado", creio que é indiscutivelmente William Carvalho). O tema é: por muito que custe (e custa, já o disse!) apostar forte para apenas recolher 50% de futura transferência, eu entendo que vale a pena. E digo-lhe mais: pressinto que BC hoje "concorda comigo". A questão é que tomou a decisão de se conformar com a tal partilha de lucro demasiado tarde.
      Faço notar que, como diz o LdA, não tenho os detalhes do contrato. Posso estar a escrever disparates. Mas do que me fui apercebendo, esta leitura parece-me lógica.
      Um abraço

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  7. MMS,

    Respondo-lhe por aqui porque a Norte nem sempre o timing da aprovação é o melhor.

    Então mas assim sendo como explicar as declarações do empresário (Casareto), que para se conseguir a renovação, primeiro o Sporting TEM que chegar a acordo com o Fundo (Zahavi)? Aparentemente a vontade do jogador não basta. Será que estamos apenas só por mais uma fidelidade canina tipo Bruma/Baldé? Não me parece, mas sim a obrigatoriedade de comprar a restante percentagem do passe.

    Outra hipótese é ser apenas conversa para boi dormir e deixar passar o tempo, porque o jogador já está atado a terceiros.

    Também me faz muita confusão que aparentemente a única oferta pelo jogador ser o Moreirense lá do sítio.

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    1. FCS,

      Eu interpreto essas declarações à luz do que escrevi acima: a posição inicial de BC foi a de não renovar com um jogador relativamente a quem detemos apenas 50% do passe. Queria, por isso, antes de renovar, (i) ficar com uma maior fatia do passe ou (ii) assegurar qualquer tipo de acordo para não se ver obrigado a partilhar com o empresário 50% do valor da transferência.

      Sabe o que é curioso? É que, como já disse, eu neste caso entendo a posição de BC, do ponto de vista dos princípios. Porque temos duas situações distintas (pegando num exemplo de um jogador que, quando é contratado, está avaliado em 2M€ e pede um salário anual de 500k num contrato de 5 anos):

      1. Uma coisa é um fundo colocar um jogador, o clube pagar 1M€ + 2.5M€ (salários), o fundo ficar com 50% do passe (ou seja, pagou o restante 1M€ ao clube de origem) e na vigência do contrato (inicial) o jogador ser transferido. Aí, enfim, o fundo colocou o jogador em determinadas condições, o clube aceitou essas condições e ainda aceitou o custo do salário. Se o jogador for transferido por 15M€, os 7.5M€ recebidos compensam com uma margem aceitável.

      2. Outra, bem diferente, é o fundo colocar o jogador, ficar com 50% do passe e o clube renovar o contrato aumentando exponencialmente o salário (de 2.5M€ em 5 anos para, por exemplo, 6M€ para mais 3 anos) e pagando um prémio elevado pela assinatura (imagine 2M€). Uma transferência de 20M€, com partilha a 50%, seria pouco lucrativa para o clube que receberia 10M€ mas no global tinha investido, sozinho, 1+2.5+4+2=9.5 (isto admitindo, a título de exemplo, que o jogador sai ao fim do 2º ano do novo contrato).

      Aí (no plano dos princípios, volto a dizer) faz-me confusão que se mantenha a partilha a 50%. Porquê? Porque o investimento do clube foi muito superior ao que esteve subjacente ao negócio inicial. E o esforco despendido por clube e fundo, depois de assinado o segundo contrato, é claramente desproporcional. Mas as regras e os contratos são para cumprir - e se são estas as regras, vivamos de acordo com elas.

      Então porque defendo, com Carrillo, que se renove, ainda assim? Porque acredito que seja possível transferir Carrillo por valores entre os 25M€ e os 30M€. E acredito também, mesmo estando o Sporting fora da Champions, que essa transferência possa ocorrer já no final deste ano. No exemplo acima (não será muito diferente do caso do Carrillo, mas com números "arredondados"), teríamos investido 1+2.5+2+2= 7.5 e receberíamos, transferindo por 25M€, 12.5M€. Um lucro de 5M€ mesmo considerando os salários pagos (conta que normalmente ninguém faz). Isto mantendo o jogador, beneficiando do seu rendimento e evitando que assine por um rival. Não me parece mau de todo. Claro que podia ser muito melhor mas, para isso, o contrato inicial teria que permitir essa abertura. Se não permite, temos que vier com isso.

      Agora, vai custar, pegar em 10, ou 12 ou 15M€ e entregar a quem pouco ou nada fez para valorizar o jogador...

      SL

      PS: no meio disto tudo é bom não esquecer o seguinte - Carrillo chegou em 2011 e a expetativa era a sua valorização num período de 5 anos. Só ao fim de 2 anos teve um treinador minimamente capaz que, mesmo assim, "desistiu" dele. Só ao fim de 3, com Marco Silva, foi uma aposta firme. Quando pensamos na dicotomia clube vs fundo, é bom não esquecer que o fundo também não está a contar que um clube como o Sporting em 12/13 lute para não descer de divisão...

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  8. * só perante uma fidelidade canina...

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  9. off-topic ou talvez não.

    Arrepiante!

    http://www.reflexaoportista.pt/2015/09/o-catalogo-doyen.html#.VegQaBdGYtU.facebook

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    1. FCS,
      Gostei do texto e do blog, tanto que ontem já o tinha linkado aqui.
      Note o seguinte: aquilo que sempre disse dos fundos é que se coloca nesse tipo de situações quem quer. Repare que às tantas no texto se refere que o Sevilla se fartou e saiu do esquema. Ainda assim, ganhou duas vezes a Liga Europa. O tema não é sair, é sempre possível; é a forma como se sai.
      Um abraço

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