19/08/2015

CSKA e as palavras do companheiro de blog

Nas inúmeras discussões sobre bola mantidas desde a fundação do blog, eu e o Gorbyn acabávamos inevitavelmente por confrontar argumentos sobre Jorge Jesus: eu invariavelmente defendia JJ, o Gorbyn invariavelmente tinha falhas a apontar.

Ontem senti na pele os argumentos do Gorbyn e a permanente insistência (em inúmeros textos neste blog) no MC a 3 em jogos mais exigentes. Ontem, lembrei-me desses posts. E creio que o Sporting, para passar, terá que encarar o jogo da 2ª mão com um MC a 3.

Efetivamente, por muito bem que o Sporting tenha jogado ontem, foi um jogo de permanente sobressalto, até à entrada de Aquilani. Com a entrada do italiano, o controlo do jogo foi logo outro.

Para a Liga Portuguesa, aquele meio-campo a 2 pode chegar na maioria dos jogos. E se tudo correr bem e a evolução continuar a acontecer, permitirá atingir vitórias na maioria dos jogos. Para a Europa, a conversa é outra. Pode estar aqui, aliás, a explicação das sucessivas campanhas menos conseguidas por JJ na Champions. Efetivamente, há um balanço ofensivo que permite estar várias vezes perto do golo (sucessivos lances perigosos, com muita gente na área ou lá perto; em particular, Slimani falhou um golo inacreditável, ainda com 1-0); mas há uma tremenda exposição ao risco. No Benfica do ano passado, não era tão visível, essencialmente porque um trabalho de 6 anos não é bem igual a 2 meses de trabalho, e vão-se corrigindo e acertando posicionamentos. Neste Sporting, ainda com muito para crescer, ontem foi (demasiado) visível.

A prioridade é obviamente o campeonato, o que implica, como escrevi ontem, "perceber que para decidir campeonatos em clássicos, é preciso, primeiro, ganhar (...) jogos [como o de Aveiro, com o Tondela]". E uma estratégia de pressão alta, sufoco do adversário e colocação de vários homens perto da área adversária, aproxima-nos da vitória nesses jogos. Nada a opor, portanto.

Mas há equipas tão boas ou melhores do que a nossa, como a de ontem (pode não ter sido melhor em campo, mas como coletivo é superior). Com essas, convém ter algumas cautelas e não entregar o meio-campo de bandeja. Ontem, ganhámos o jogo essencialmente porque o conseguimos controlar com a entrada de Aquilani. E, depois disso, com o jogo controlado e já com o CSKA "contente" com o 1-1, o risco final já fez todo o sentido (mas antes disso, convém lembrar, já Doumbia tinha aparecido isolado na cara de Patrício, falhando o chapéu...).

A pressão alta é extraordinária, mas as boas equipas têm jogadores e recursos que permitem ultrapassá-la. E uma vez ultrapassada, vejo o nosso MC demasiado exposto. Ontem sofremos o golo porque um deles não estava lá (foi ele a perder a bola, numa zona, aliás, aparentemente inofensiva). Depois, foi uma auto-estrada até à baliza.

Obviamente que estamos em vantagem e estando em vantagem temos boas possibilidades de passar. Mas será muito mais difícil se o jogo for parecido com o de ontem. Se conseguirmos ter o jogo controlado, as nossas hipóteses aumentam.

Quanto a apreciações individuais, destaque positivo para Patrício (uma vez mais), João Mário (até rebentar), Bryan Ruiz (idem), Carrillo (era mesmo preciso chegar o JJ para me darem razão? não estava na cara?...) e (apesar de tudo) Slimani - falhou um golo feito, mas inventou outro (com Carrillo). Ah, e Aquilani - entrou muito bem e acho que deve ser titular na Rússia, com Adrien e João Mário (sairia Teo e faríamos um 4x3x3 clássico).

Pela negativa, vi um João Pereira muito atrapalhado com Musa, um Teo muitas vezes alheado do jogo e um Adrien a falhar demasiados passes em zonas recuadas. Com o posicionamento de ontem, o CSKA recuperava a bola e quando não conseguia lançar em profundidada, fazia um compasso de espera; na Rússia, bolas perdidas ali vão ser lances de perigo. Atenção...

Agora, focar no Paços de Ferreira. Com MC a 2. Tentar marcar cedo, insistir no controlo do jogo e do resultado. Depois, fazer entrar Aquilani e controlar o jogo em vantagem. Para ir treinando...

4 comentários:

  1. Koba,

    a questão do 433x442 é válida embora me pareça que no jogo de ontem ela não teria grande influência em muitos dos lances de perigo. A bola saia do Eremenko (quase sempre) a sobrevoar o meio-campo e a defesa para ir direitinha para a extrema direita ter com Musa. Seria assim que se obteria o golo deles. Bastava que alguém se encarregasse de bloquear os lançamentos do finlandês à nascença, o que obrigaria a uma atenção e articulação quase perfeitas. Isto porque depois da bola sair dos pés, "já foste".

    Abraço

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    1. LdA

      O tema é que a bola saiu do defesa para o Eremenko e do Eremenko para o Doumbia sem que alguém estivesse sequer próximo. João Mário não estava (perdeu a bola) e não tinha cobertura. Adrien não aproximou o suficiente de Eremenko para, pelo menos, o impedir de executar rápido. E no lance do Doumbia na 2ª parte a bola vem redondinha do meio-campo, não foi um charuto.

      Mas percebo o que está a dizer. Agora, independentemente dos lances de perigo, não ficou com a permanente sensação de que a bola podia entrar indistintamente numa ou noutra baliza a qualquer momento? Eu fiquei. E só sosseguei a alma quando o Aquilani entrou.

      Um abraço

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    2. Koba,

      foi precisamente isso que não gostei. Preferia uma equipa mais equilibrada, a gerir melhor os diversos momentos de jogo do que uma equipa partida e muitas vezes à mercê do adversário. Essa referência é feita no post, já vimos isto noutro lado qualquer com o mesmo protagonista...

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  2. Revejo-me em muito do post e nas palavras de Leão e MMS.

    O início da 2ª parte foi, para mim, assustador (mais do que os 20m finais da 1ª, onde houve um domínio absoluto do CSKA). O jogo estava partido aos 50 minutos da 1ª mão!!!! Não pode ser. Entendi que JJ queria marcar rapidamente o 2-1 para se colocar mais confortável no jogo. Mas esse foi um período de muitas perdas de bola e situações de 1x1, como a que deu origem ao amarelo a J. Pereira.
    Falta, como vocês dizem, saber controlar melhor o jogo, circular mais. Depois, na frente, houve muita bola na área mas que o físico (Ruiz e Teo) e a capacidade técnica (Slimani) não deixaram que se criasse mais perigo.
    A calma do nosso futebol e risco efectivo no ataque só apareceu com as substituições. E deu resultado.

    Sei que estão convertidos ao Slimanismo, algo que eu entendo. Mas, para mim, um ponta de lança do Sporting tem de ser mais que aquilo. Se desse para jogar 12, para mim era titular. Já com 11... E preocupa-me a ausência de Montero (deve fazer treinos horríveis). Talvez jogue já no sábado.

    um abraço a todos

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