31/08/2015

Notas soltas

1. Ganhámos em Coimbra num jogo que começou bem, continuou melhor e teve tremideira devido a um penalty que qualquer curso de árbitros devia ensinar a não assinalar. Esqueçam os 50 ângulos na TV, há uns em que parece, outros em que se vê que afinal não. Como o árbitro não tem ângulos de TV, deve basear-se, em caso de dúvida, no básico "trajetória da bola". No lance do penalty que assinala contra o Sporting, a trajetória da bola indicia que o Adrien chegou lá primeiro; no lance do penalty sobre Slimani a trajetória indicia que Slimani poderia ter prosseguido se não fosse derrubado. O árbitro decidiu sempre ao contrário.

2. Jorge Jesus foi expulso do banco e BC saiu com ele. Esteve bem, BC. Também bem, JJ, no final, a desmistificar a ideia da campanha (que por muito que custe aos sportinguistas só jogaria contra nós).

3. Adrien voltou a revelar dificuldades na posição 6. A meu ver, continuamos a dar muito espaço naquele meio-campo. O sistema vai ser este, pelo que já não discuto isso. Um 6, ali, dava muito jeito... William, despacha-te lá!

4. Slimani a demonstrar que fiz bem em aderir ao slimanismo. Grande assistência de Carrillo. Teo algo desinspirado, grande entrada (e bom jogo) de Mané. Bons pormenores de João Mário, como habitualmente, mas muita displicência num lance em que tinha o GR em queda e a baliza escancarada.

5. Esgaio melhor que João Pereira. Fala-se de Schelotto, mas só se sairem Rosell e Labyad. Tanta gente para despachar e é destes dois que depende a entrada de Schelotto? Mas o Rosell ganha alguma fortuna?...

6. Wilson no Braga, André Martins supostamente de saída. Não percebo como na mesma temporada saem Wallyson, Rosell, Martins (ainda que seja por empréstimo). E o Viola?

7. A menos que a diferença na oferta salarial seja um disparate, não consigo mesmo entender como é que o tal do Ansaldi prefere assinar pelo Genoa rejeitando Benfica e Porto. Não me entendam mal: se fosse eu, preferiria assinar pelo Rebordosa a custo 0 ou mesmo pelo famoso Ibis pagando para jogar, do que assinar por Benfica ou Porto. Mas um profissional de futebol que não seja maluco pelo Sporting, enfim...

8. Seria bonito o Nagatomo assinar pelo Benfica. O Tanaka precisa de estar com alguém que não lhe faça uma vénia parva de cada vez que o vê.

9. Fazem-se os últimos negócios. Normalmente são os clubes ingleses a enfiar barretes caros no dia 31 de agosto, desta feita os alemães estão a tomar o gosto à coisa. O Wolfsburg parece decidido a discutir o título com o Bayern e então toca de lá ir buscar um central que não serve para o Guardiola. Vão longe...

10. No futebol português, poucos reforços de última hora. Um deles, o filho do Rivaldo. Faz bem o Boavista, vale sempre a pena apostar nos genes. Quem não se lembra daquela ocasião em que o Estrela da Amadora achou um disparate estar a contratar o irmão do Assis... só porque era irmão do Assis? Pois é, o puto acabou por não se dar mal na vida.

Atualização: isto está escrito no record online: Leicester City está a negociar atransferência de André Carrillo. O peruano está no último ano de contrato com o Sportinge o clube da Premier League estará na disposição de desembolsar 11 milhões de euros pelo jogador, segundo dá conta a TVI.

Um erro tremendo ter deixado este processo de renovação chegar onde chegou...

28/08/2015

Liga Europa

Pode não ser uma prioridade aos olhos da maioria dos adeptos, mas convém não esquecer a prestação de 12/13, num grupo que eu diria que foi o mais fácil de sempre (para nós, Sporting). Mas o annus horribilis que então vivemos resolveu também passar pela fase de grupos da Liga Europa e ficámos atrás de Genk, Basel e Videoton. Isto foi obviamente desprestigiante. O Sporting tem que fazer uma boa fase de grupos na Liga Europa. Não terá armas para ganhar a competição, mas o prestígio do clube não pode sofrer outro abalo como esse.

Mas a verdade é que o lote de equipas da Liga Europa deste ano é bastante forte. Basta pensar que em teoria se pode formar o seguinte grupo: Dortmund, Liverpool, Monaco, Partizan. Já vi o FCP ter grupos mais fracos na Champions (basta lembrar o do ano passado). Dava jeito, por isso, um pouco de sorte no sorteio que se vai realizar daqui a pouco.

No Pote 2, as equipas são de nível médio/alto; o AZ Alkmaar, o PAOK e o APOEL parecem-me as menos fortes. O tema das viagens longas sinceramente não me convence: prefiro ir ao Chipre defrontar o APOEL do que ir à bela Florença jogar com a Fiorentina.

No Pote 3, seria de evitar Monaco, Fenerbahce, Bordeaux, Lokomotiv, Krasnodar e Augsburg (nunca nos demos bem com russos e alemães...). Legia ou Lech Poznan seriam os ideiais.

No Pote 4, diria que o Partizan será o único verdadeiramente a evitar. Como já disse, considero o tema das viagens longas uma tanga (vá, uma semi-tanga), mas ainda assim, e porque sempre nos demos bem com holandeses e dinamarqueses, Groningen ou Midtjylland.

Há um ponto aqui muito, mas muito importante: já convenci a minha mulher a seguir o exemplo do ano passado (fomos a Londres, com amigos, ver o Chelsea-Sporting). Convém por isso que calhe pelo menos uma equipa de uma cidade minimamente atrativa. Um grupo com APOEL, Krasnodar e Asteras Tripolis, desportivamente interessante, seria para mim um desastre.

Por isso mesmo, estou disposto a levar com um Liverpool ou com um Monaco, desde que os restantes dois estejam ao alcance. Mas Istambul, Varsóvia ou mesmo Bordéus são também destinos interessantes. Vejamos o que o destino nos reserva!

Atualização:

1. Estamos no Grupo H.
2. Já não vou a Liverpool nem a Glasgow... olha, Istambul! (Besiktas)
3. Lokomotiv, um dos que queria evitar.
4. Skenderbeu da Albânia!!!

27/08/2015

O que faltou?

Passando por cima de temas como o "controlo da profundidade" (era essencial com este adversário, mas não percebo o suficiente da poda para explicar o que poderia ter sido feito melhor) faltou, essencialmente, tarimba/experiência, creio que algum pulmão, lucidez, também um pouco de sorte e arbitragens menos inclinadas.

Faltou tarimba/experiência, para aguentar o impacto daquele primeiro golo aos trambolhões (e que golo mais estúpido...). A equipa abanou. Fez lembrar aqueles adversários que vêm a Alvalade com a "lição estudada" (em joaquimritês), sofrem um golo e vão por ali abaixo. Faltou um verdadeiro líder em campo que segurasse as pontas e transmitisse à equipa aquilo que era evidente mas não parecia para quem estivesse a ver o jogo: ainda estávamos em vantagem, o adversário tinha que correr atrás do resultado e, mesmo que conseguisse um golo, apenas empataria a eliminatória. A equipa tremeu não por ficar em desvantagem, mas apenas pela eventualidade de ficar mais perto disso.

Faltou algum pulmão, creio. Ao contrário do que se poderia pensar, JJ não foi sobranceiro e percebeu que o MC precisava de ser reforçado. A 1ª parte, mesmo que em alguns momentos se tenham corrido alguns riscos desnecessários, foi bem controlada. A segunda parte pode ter sido apenas condicionada pelo golo logo a abrir (e desculpem o comentário ao melhor estilo "conversa de café" mas... que falta tão desnecessária do Paulo Oliveira) mas pode também ter faltado pulmão para impor o futebol de posse de bola no MC adversário que foi posto em prática na 1ª parte (pareceu-me evidente em Ruiz e João Mário, por exemplo). Se na 1ª parte cheguei a pensar que estávamos com as linhas muito subidas, na 2ª o recuo foi excessivo. Foi um recuo mental, essencialmente; mas pergunto-me se não faltou também energia.

Faltou lucidez a alguns jogadores (a bola "queimava" nos pés) e também a JJ. A equipa precisava de refrescar (Ruiz, Aquilani, João Mário...) e JJ já confessou que quis esperar pelo prolongamento. Sinceramente, nesse momento desejei novamente um JJ "mais JJ", que tentasse impedir o prolongamento. Foi cauteloso e nem percebo muito bem porquê: um jogador que entre aos 70 minutos, por exemplo, vai fazer 50 minutos de jogo, o que não é seguramente muito exigente, mesmo atendendo ao momento da época. Parecia evidente que o CSKA nos queria levar para aí, aproveitando-se do maior ritmo e de um estilo de jogo que encaixaria que nem uma luva no prolongamento de ontem. Mas enfim, aqui não vou estar a crucificar JJ - é daquelas em que poderia ser preso por ter cão ou por não ter. Creio que as substituições de justificavam (quanto mais não fosse para transmitir algum tipo de mensagem à equipa), mas o jogo estava perdido antes disso...

Faltou sorte, sim, também faltou. Aquele 1º golo, para além da disparatada geral, tem um ressalto no braço de Doumbia (e neste lance eu não considero que haja qualquer intenção de jogar com o braço, foi um mero ressalto) que cai precisamente para o único sítio onde não poderia cair. E o 1º golo, já o disse acima, mudou tudo.

Faltaram, nos dois jogos, arbitragens menos inclinadas. Quanto ao 1º jogo, já muitos disseram tudo o que se passou. Quanto ao jogo de ontem... nunca vamos conseguir saber se o fiscal-de-linha viu de facto a bola sobrevoar a linha. Mas uma coisa vê-se nas imagens - após a marcação do canto, o fiscal-de-linha vem para dentro e não levanta a bandeirola. Tê-la-á levantado quando a bola entrou? Depois temos o critério disciplinar: duas cotoveladas dos russos, amarelo; uma entrada dura de João Mário, vermelho.

No demais, recomendo vivamente os dois fantásticos posts do Cantinho do Morais sobre os jogos da 1ª mão e da 2ª mão. Espreitem aqui e aqui. Gostava, mesmo muito, de ter o sentido de humor do Cantinho nestes momentos. Não tenho. Estou simplesmente aborrecido. Com "F" grande.

24/08/2015

Muito a melhorar

Este vai ser longo, preparem-se...

Tentei escrever este post sem ler primeiro outros escritos sobre o jogo de Sábado, com o Paços de Ferreira. Mas a verdade é que não resisti. E o que li vai "obrigar-me" a fazer uma coisa que reconhecidamente não é o meu forte: armar-me em "expert".

Os experts são aqueles tipos que percebem infinitamente mais de futebol do que o comum dos mortais, entre os quais me incluo (nos comuns dos mortais, entenda-se!). Do "futebol-processos", como lhe chama um amigo meu. Às vezes, como já disse em  tempos, falta-lhes (conscientemente, diga-se, porque não se querem meter por aí) a parte do "futebol-manobras". Que também é importante mas agora nem vem ao caso.

Normalmente, aprendo com os experts. Eles costumam ver o que eu não vi e analisar aquilo que eu nem sequer percebi que aconteceu. Recordo-me de ler no Lateral Esquerdo uma análise a um golo que o Sporting sofreu (creio que com o FCP, em casa) em que o autor do texto concluía que o mau posicionamento defensivo de Slimani, ainda no MC adversário, tinha permitido o desequilíbrio que acabou por conduzir ao golo. As imagens demonstravam-no de uma forma clara e eu, no estádio, nem sequer tinha percebido que Slimani pudesse estar envolvido na jogada. Nestes momentos, ficamos com a noção de que o futebol é muito mais do que ver se o Montero é melhor do que o Teo Gutierrez (eu até acho que é, mas o jogo no Sábado foi miserável...); a análise de cada um dos movimentos de um e de outro (e do que esses movimentos oferecem à equipa) é o fator decisivo nas escolha do treinador. E os experts conseguem ver isso. Eu não.

Neste início de época, independentemente das "manobras" (já lá vamos...), tenho visto algumas coisas que, por muito disparatadas que pareçam, parecem indiciar que há muito trabalho por fazer no Sporting. E ainda não as vi analisadas por ninguém. Já as tinha referido, en passant, no jogo com o CSKA. Mas no campeonato, pensei eu, 80% dos adversários não tem qualidade para nos fazer aquilo. Enganei-me.

Como não sei (não sei mesmo...) fazer aquelas sucessões de imagens que sustentam uma análise decente, vou tentar fazer em texto. Não fica tão bonito, mas espero que ao menos fique claro. E começo por explicar o contexto do que vou dizer:

1. Por razões que já expliquei, vi 2 jogos (oficiais) completos do Sporting: o jogo com o CSKA e o jogo com o Paços. Da pré-época, vi o Sporting com o Ajax Cape Town e com o Crystal Palace. Com exceção deste último jogo, vivi os restantes em sobressalto. Mesmo com os esforçados sul-africanos, a sensação que ficou era a de que havia demasiado espaço para o adversário jogar.

2. Os relatos que recebi dos jogos com Benfica e Roma davam-me a ideia contrária: domínio do jogo e imposição do nosso futebol; jogos controlados quando a equipa estava em vantagem. E, do que vi com o Tondela, não me pareceu que o Patrício tivesse sequer passado por um momento de mínimo perigo, com exceção do golo (repito: já lá vamos às manobras!).

3. O que vi, então, que me preocupou nos últimos dois jogos?

a) Dois laterais deixados à sua sorte, com reduzido apoio dos extremos (sendo que nenhum dos laterais ganhou fama pelas suas capacidades defensivas...);

b) Um meio-campo a dar demasiado espaço ao adversário, sempre com tempo para executar;

c) Espaço entre o meio-campo e a defesa (mesmo que os sectores estejam aparentemente próximos e a defesa esteja subida, com o CSKA e o Paços houve sempre este espaço para receber);

d) Incapacidade para baixar o ritmo do jogo, mesmo em vantagem;

e) Inúmeras saídas de bola com passes de risco, alguns com perda de bola.

As causas poderão ser muitas que eu não consiga identificar, mas do que eu vejo o problema está no meio-campo. Este sistema de JJ é excelente para o campeonato nacional porque asfixia os adversários logo na saída da bola. Mas quando a bola ultrapassa essa primeira linha de pressão ou quando é perdida ainda numa fase "precoce" de construção (tem acontecido muitas vezes, mas já lá vou), depende de um 6 posicional que ocupe aquele espaço, saiba onde estar e o que fazer. O 8 de JJ, já o sabemos, é um box-to-box que corre riscos porque se envolve ofensivamente. O 6 tem que fazer as coberturas e, no sistema de JJ, "ocupar" uma imensidão de espaço.

Jesualdo Ferreira disse-o há tempos na SportTV - o grande obreiro do primeiro título de JJ não foi Aimar, nem Di Maria, nem Ramires, nem sequer a dupla Cardozo-Saviola: foi Javi Garcia, que parava todas as transições adversárias. Eu nem era fã de Javi (ou de Fejsa) mas este papel é essencial (muito mais bonito, ainda que talvez menos eficaz, quando feito por Matic).

Ora, Adrien (ensinaram os experts) nunca foi um jogador com grande aptidão para as coberturas defensivas. Aquilani chegou agora e tanto quanto sei nunca foi 6.

Por outro lado, quer Adrien quer Aquilani correm demasiados riscos nos momentos de saída de bola. Querem jogar rápido, muitas vezes de primeira, mas poderão não ter aquela sagacidade (que a experiência a 6 certamente traz) de saber decidir quando é que a bola tem que sair rápido, quando é que o jogo tem que pausar, quando é que não há outra hipótese que não seja lateralizar. Claro que podemos exclusivamente por a responsabilidade na execução - no fundo, pensar que havia sempre excelentes opções mas Adrien e/ou Aquilani executam mal. Honestamente, não acredito nisso. Mesmo que Adrien cometa de facto esse erro algumas vezes, tem estado em demasiadas situações deste género, considerando a qualidade que tem.

Ora, sem esse verdadeiro 6, o Sporting treme por todos os lados. Claro que tivemos azar - William seria perfeito e lesionou-se. Mas (desculpem a teimosia) Rosell faria melhor este papel do que Adrien e até Aquilani. Defensivamente, saberia onde estar; ofensivamente, poderia nem conseguir sair a jogar como Adrien ou Aquilani mas seguramente não falharia tantos passes na saída de bola e daria à equipa, quando precisasse, uma posse equilibrada e momentos de pausa. Eu também acho, olhando para os nomes, que aparentemente há boas opções no meio-campo; mas quando vejo os últimos dois jogos e (acho que) percebo o sistema de jogo, pergunto-me o que fazem Rosell na lista de dispensas e Martins em vias de ser emprestado ao Belém (!!!). Os dois jogadores que o Sporting TEM e que poderiam trazer à equipa aquilo que neste momento a equipa NÃO TEM.

Aquilani, a 3, esteve impecável. A 2 não gostei, sinceramente - foi um perigo a sair a jogar e permitiu que o Paços criasse vários lances no nosso meio-campo, mesmo saindo a jogar. Pode ser que melhore com o tempo - é aliás essa a minha esperança, acabou de chegar.

Mas o tema é mais abrangente - não gostei do comportamento defensivo da equipa. Ao contrário do que disse JJ, o Paços foi perigosíssimo em Alvalade. Aos 30 segundos, podia estar a ganhar (mas aí, enfim, num lançamento "à Maxi" - já vi que se tornou moda). Antes do golo, teve duas situações de 1x0 com o GR (numa salvou Patrício, noutra João Pereira ainda veio a tempo). Quantas teve o Sporting? O golo parecia inevitável, tanto o espaço dado ao Paços, com o Sporting em vantagem, recorde-se.

Em conclusão, de duas uma: ou o sistema vai demorar mais a "assimilar" do que nos venderam (o que até seria normal); ou os intérpretes terão que ser outros.

Isto é o que me preocupa mais. A sensação, permanente, de que podemos sofrer um golo (mesmo que exista também a sensação de que podemos marcar a qualquer momento).

Mas não é só. É que apesar de tudo isto, mais Patrício menos Patrício, mais meio-campo menos meio-campo, desde o jogo com o Ajax Cape Town só vi o Sporting sofrer 2 golos:

- Um deles, em fora-de-jogo, com a mão, resultante de uma falta que era ao contrário;
- O outro resultante de um penalty que só existiu na cabeça do árbitro.

E o seguinte momento sublime: aos 90+2, o Sporting troca a bola. Tinham sido dados 3 minutos de descontos, recordo. O jogador do Paços faz falta. O árbitro apita. A equipa do Sporting sobe para o último livre. O árbitro não deixa marcar a falta e apita para o fim do jogo. Ora, a falta, como sabemos, é penalizada com um livre direto. É a única consequência (não disciplinar) que pune a equipa que fez a falta. Se um jogador faz uma falta aos 90+2 e fica ali a discutir com o árbitro um bocadinho, sabendo que depois disso acaba o jogo, a falta compensa. Sai, portanto, sem punição. Isto é de uma estupidez tal que me custa a acreditar que seja só estupidez...

Mas não, não vou dar o discurso de que temos que estar preparados para isto. Para isto, não. Uma coisa é não marcarem um penalty a nosso favor e fazermos queixa disso. Isso acho ridículo, uma equipa como o Sporting não pode justificar um resultado com o facto de, num lance ofensivo, o árbitro ter errado. Tem que criar 10/12/14 lances por jogo, se o árbitro errar num, tem que ter armas para resolver o problema (se errar em 5, como já aconteceu, façamos o barulho possível). Não depende dos árbitros transformar o 0 em 1, depende de nós. Outra bem distinta é inventarem um penalty contra nós. Aí estamos definitivamente a transformar o 0 em 1...

Isto não invalida que tenhamos que preparar os jogos muito melhor. Porque a jogar assim estamos sujeitos a sofrer lances de perigo sucessivos, mesmo que os árbitros não estejam para aí virados. E se só percebermos o que está mal quando se acabarem as desculpas... vamos chegar tarde.

19/08/2015

CSKA e as palavras do companheiro de blog

Nas inúmeras discussões sobre bola mantidas desde a fundação do blog, eu e o Gorbyn acabávamos inevitavelmente por confrontar argumentos sobre Jorge Jesus: eu invariavelmente defendia JJ, o Gorbyn invariavelmente tinha falhas a apontar.

Ontem senti na pele os argumentos do Gorbyn e a permanente insistência (em inúmeros textos neste blog) no MC a 3 em jogos mais exigentes. Ontem, lembrei-me desses posts. E creio que o Sporting, para passar, terá que encarar o jogo da 2ª mão com um MC a 3.

Efetivamente, por muito bem que o Sporting tenha jogado ontem, foi um jogo de permanente sobressalto, até à entrada de Aquilani. Com a entrada do italiano, o controlo do jogo foi logo outro.

Para a Liga Portuguesa, aquele meio-campo a 2 pode chegar na maioria dos jogos. E se tudo correr bem e a evolução continuar a acontecer, permitirá atingir vitórias na maioria dos jogos. Para a Europa, a conversa é outra. Pode estar aqui, aliás, a explicação das sucessivas campanhas menos conseguidas por JJ na Champions. Efetivamente, há um balanço ofensivo que permite estar várias vezes perto do golo (sucessivos lances perigosos, com muita gente na área ou lá perto; em particular, Slimani falhou um golo inacreditável, ainda com 1-0); mas há uma tremenda exposição ao risco. No Benfica do ano passado, não era tão visível, essencialmente porque um trabalho de 6 anos não é bem igual a 2 meses de trabalho, e vão-se corrigindo e acertando posicionamentos. Neste Sporting, ainda com muito para crescer, ontem foi (demasiado) visível.

A prioridade é obviamente o campeonato, o que implica, como escrevi ontem, "perceber que para decidir campeonatos em clássicos, é preciso, primeiro, ganhar (...) jogos [como o de Aveiro, com o Tondela]". E uma estratégia de pressão alta, sufoco do adversário e colocação de vários homens perto da área adversária, aproxima-nos da vitória nesses jogos. Nada a opor, portanto.

Mas há equipas tão boas ou melhores do que a nossa, como a de ontem (pode não ter sido melhor em campo, mas como coletivo é superior). Com essas, convém ter algumas cautelas e não entregar o meio-campo de bandeja. Ontem, ganhámos o jogo essencialmente porque o conseguimos controlar com a entrada de Aquilani. E, depois disso, com o jogo controlado e já com o CSKA "contente" com o 1-1, o risco final já fez todo o sentido (mas antes disso, convém lembrar, já Doumbia tinha aparecido isolado na cara de Patrício, falhando o chapéu...).

A pressão alta é extraordinária, mas as boas equipas têm jogadores e recursos que permitem ultrapassá-la. E uma vez ultrapassada, vejo o nosso MC demasiado exposto. Ontem sofremos o golo porque um deles não estava lá (foi ele a perder a bola, numa zona, aliás, aparentemente inofensiva). Depois, foi uma auto-estrada até à baliza.

Obviamente que estamos em vantagem e estando em vantagem temos boas possibilidades de passar. Mas será muito mais difícil se o jogo for parecido com o de ontem. Se conseguirmos ter o jogo controlado, as nossas hipóteses aumentam.

Quanto a apreciações individuais, destaque positivo para Patrício (uma vez mais), João Mário (até rebentar), Bryan Ruiz (idem), Carrillo (era mesmo preciso chegar o JJ para me darem razão? não estava na cara?...) e (apesar de tudo) Slimani - falhou um golo feito, mas inventou outro (com Carrillo). Ah, e Aquilani - entrou muito bem e acho que deve ser titular na Rússia, com Adrien e João Mário (sairia Teo e faríamos um 4x3x3 clássico).

Pela negativa, vi um João Pereira muito atrapalhado com Musa, um Teo muitas vezes alheado do jogo e um Adrien a falhar demasiados passes em zonas recuadas. Com o posicionamento de ontem, o CSKA recuperava a bola e quando não conseguia lançar em profundidada, fazia um compasso de espera; na Rússia, bolas perdidas ali vão ser lances de perigo. Atenção...

Agora, focar no Paços de Ferreira. Com MC a 2. Tentar marcar cedo, insistir no controlo do jogo e do resultado. Depois, fazer entrar Aquilani e controlar o jogo em vantagem. Para ir treinando...

18/08/2015

De regresso

1. Período de férias na primeira quinzena de Agosto, algo que já não fazia há uns bons 10 anos. Falhei a apresentação (e posteriores movimentações no plantel), fui confrontado com a impossibilidade de ver o jogo da Supertaça (para o qual tinha bilhete...) e consegui igualmente perder o primeiro jogo do campeonato (o meu pai foi atualizando por SMS). Vamos aos comentários.

2. Primeiro, a apresentação do plantel. Foram apresentados:

GR: Patrício, Boeck, Jug
DD: João Pereira, Esgaio
DE: Jefferson, Jonathan;
DC: Ewerton, Paulo Oliveira, Semedo, Naldo, Tobias
MD/MC: William, João Mário, Wallyson, Adrien, André Martins
EXT: Carrillo, Ruiz, Mané, Gelson
AV: Tanaka, Slimani, Montero, Gutierrez

Os 25 que se esperavam, mas com algumas surpresas, em particular Ciani, Rosell, Capel e Labyad.

Ciani nem foi apresentado (saiu para o Espanyol). Trata-se de um caso esquisito: ou alguém não fez o trabalho de casa ou andámos a brincar ao FM, mas com (sem!) dinheiro real ou a história está mal contada. O jogador diz que não houve química com o treinador - pois eu duvido que no atual Sporting este jogador entrasse sem o beneplácito de JJ. Um caso para (não) esquecer, digo eu...

Quanto a Rosell, foi uma surpresa para mim. É um jogador com escola, pensei que fosse aproveitado por JJ. Veremos se a ideia é descartar ou emprestar.

Capel entretanto saiu para o Genoa, hoje mesmo - um abraço para ele mas efetivamente só mesmo JJ poderia tirar algo de um jogador que parecia ter estagnado; e quando nem JJ acredita, pouco há a fazer. Mas não deixo de ficar reconhecido pela dedicação com que encarou o Sporting.

Quanto a Labyad, se poucos acreditam nele e quem o vai querendo são os Vitesses e os Bursaspors, vai ser um problema colocá-lo...

Também ficaram de fora Miguel Lopes (entretanto colocado no Granada), Slavchev (só surpreende os sonhadores que apenas encontre colocação no Chipre), Viola (este não surpreende, veremos para onde vai), Heldon (já no Rio Ave, colocação difícil de entender do ponto de vista "político"), Wilson Eduardo (já esperado) e Iuri Medeiros (precisa do tal empréstimo a um clube com objetivos distintos do Arouca). Até o Shikabala parece ter destino...

Já depois da apresentação, Semedo foi colocado no Vitória de Setúbal (este novo posicionamento "político" já parece permiti-lo) e Wallyson no Nice (não percebo as críticas à cláusula de opção...).

Depois, entrou Aquilani (antecipando possível saída de Adrien? e a lesão de Moutinho poderá mudar os planos?), isto depois de Boateng falhar os testes médicos. Fala-se da possibiliade de Tanaka sair para entrar outro avançado e de sair também Boeck para entrar outro GR. Veremos.

Qutro notas rápidas:
- veremos como se sai João Pereira e se Esgaio é verdadeiramente uma opção consistente;
- Naldo parece confortável no lado esquerdo da dupla de centrais, mas creio que a ideia seria Naldo-Ewerton. O Paulo Oliveira tem estado bem, veremos o que sucede quando o Ewerton regressar. O Tobias é uma boa 4ª opção, mas pergunto-me se quem tentou Ciani não tentará nova abordagem. Se assim for, e havendo equipa B, talvez não fizesse mal ao Tobias um empréstimo.
- no meio-campo a dinâmica tem sido positiva, mesmo sem William. Eu diria que o regresso de William implicará a saída de Adrien do 11, porque João Mário é imprescindível. E ainda temos Aquilani. E Martins. Há opções, lá isso há, resta saber se todas são compatíveis com aquela dinâmica a 2. Para já, tem corrido muito bem.
- no ataque, mesmo que convertido ao slimanismo (roubei a expressão deste texto do LdA), pergunto-me se a melhor dupla não seria Teo-Montero.

3. Supertaça. Só vi o resumo. Estava demasiado longe e sem carro. Um inesperado volte-face ter-me-ia permitido ir ao jogo, mas entretanto o bilhete estava despachado para quem tinha mais certezas do que eu. Adiante. Ganhámos. Ganhámos bem. JJ ganhou, RV perdeu (em toda a linha). As restantes polémicas, de calduços e SMS, são fait-divers pouco relevantes. Assim como é pouco relevante para as restantes provas ganhar a Supertaça. Foi só um jogo, faltam muitos jogos para que se possa dizer que a época correu bem. Para já, o primeiro jogo correu bem, apenas isso. Já agora, oh RV, aquela de dizer na conferência de imprensa "entrámos receosos" depois de o JJ ter dito na flash que o Benfica teve medo do Sporting... não lembra nem ao mais imberbe dos treinadores.

4. Tondela. Acompanhei por SMS, depois vi o resumo. Do que vi no resumo, não achei a exibição tão esmagadora como se dizia. Até pode ter sido, mas o resumo não dá essa ideia. As oportunidades (claras) não foram assim tantas (isto sem prejuízo de merecermos ganhar o jogo - o que aliás sucede em 90% dos jogos deste estilo). Valeu que não vi nada de relevante feito pelo Tondela. O golo do Tondela é um escândalo, desde a marcação da falta até à bola dentro da baliza (mas aquela bola tem que ser do Patrício...); o golo no último suspiro resulta de um lançamento que me parecia mal executado, mas entretanto o Pedro Henriques diz na TVI que basta que o João Pereira esteja a pisar a linha para o lance ser legal. Adiante, o ponto aqui é o seguinte: o João Pereira tem que estar atento porque os árbitros vão estar de olhos nisto! O penalty é indiscutível e o Adrien não tremeu. Mas o Sporting sim, tremeu. Não pode. Repito o que tinha dito antes: não percebo como jogamos (nós e os outros) com todos os adversários e mais alguns na pré-temporada, e esquecemos aqueles que vão representar 80% dos nossos jogos. Parece que estamos melhor preparados para uma Roma ou um Benfica do que para um Tondela. Convém abrir os olhos e perceber que para decididr campeonatos em clássicos, é preciso, primeiro, ganhar estes jogos. Se o fizermos, estaremos perto dos tais 80 pontos que permitem sonhar com o título e aí os clássicos podem servir para alguma coisa. Caso contrário...

5. Rivais. Porto tranquilo, Benfica intranquilo. O esperado: Lotapeg não é tão mau quanto o pintámos no ano passado (lembrar que ficou a 3 pontos, na prática foi o clássico do Dragão a decidir) e tem uma equipa fortíssima (acho que falta ali um grande central e veremos se Aboubakar engata mesmo; e parece-me também que Lotapeg aposta num meio-campo pouco criativo, mas Herrera dará lugar a Evandro, mais tarde ou mais cedo); e não creio que RV seja treinador para o Benfica. Lembrem-se do que escrevi aqui (ninguém sonhava que um dia iria parar ao Benfica, por isso creio que sou insuspeito), há muito tempo que digo que RV não tem perfil para um grande. Mas claro que se o Gaitán ficar, o Lisandro estabilizar ao lado do Luisão e o Jonas continuar a faturar, podem andar lá em cima. E considerando o perfil de RV, podem até passar o grupo da Champions, porque a equipa tem muita qualidade (e isso vai moralizar, a acontecer). Mas duvido que RV seja capaz de ultrapassar todos os Estoris que lhe forem aparecendo pela frente.

05/08/2015

Razões para alarme?

Para alarme talvez não, mas razões para os benfiquistas estarem apreensivos, com certeza que existem…

Em primeiro lugar, não dá para querer um Benfica global, crescimento da marca, mais público a seguir o Benfica e a puxar pelas transmissões televisivas, receitas significativas na pré-época que potencie as contratações e, ao mesmo tempo, uma pré-época ideal, com jogos numa sequência gradual de dificuldade, a temperaturas ideais e com o espaçamento adequado entre jogos. É como querer uma gaja com o rabo da Kardashian e tom de pele clarinho. Lamento, não dá, ou uma coisa ou outra. A escolher, como não sabemos o resultado da segunda opção, é preferível ficar com a primeira e, no caso do Benfica, qualquer um que fosse gestor do clube optaria pelo dinheiro e crescimento da marca pelo que acho que não é tema para discussão.

Em segundo lugar, nos jogos com equipas europeias e com níveis semelhantes de preparação, gostei bastante do que vi. Mesmo considerando que era um PSG de segunda linha, enquanto foi o onze titular a jogar, foi muito interessante. Depois contra a Fiorentina, que inclusivamente venceu o Barcelona e perdeu com o mesmo PSG, também gostei muito do que vi. Equipa muito competitiva, a trocar bem a bola e com um meio campo fortíssimo em que Fejsa varria e Samaris comandava o meio campo. Infelizmente ou felizmente por força dos resultados, não vi os restantes jogos mas também não considero que sejam assim tão importantes considerando as equipas e os locais onde foram disputados.


Então porquê a ansiedade?

1. relativamente ao onze titular, não parece existir ainda um modelo definido e isso é preocupante a poucos dias da Supertaça. Depois do jogo com a Fiorentina, fiquei com ainda mais certezas relativamente à dupla Fejsa/Samaris mas não sei se Rui Vitória tem a mesma percepção. Frente a um Sporting mais confiante e com um Benfica a duvidar da sua capacidade atual, não teria dúvidas em apostar num meio campo com Fejsa, Samaris e Pizzi, ficando Talisca reservado para uma segunda parte. O brasileiro também é uma fonte de preocupações pelo número de vezes que o treinador já o obrigou a jogar junto à linha e que já está mais do que provado que não funciona;

2. a aposta em médios interiores para abrir o corredor a laterais que não têm essas características;

3. o facto de tardarem os reforços para as linhas, especialmente para laterais, e para substituir Lima;

4. as dúvidas relativamente à possibilidade de Jardel e Luisão estarem aptos para domingo.

Mesmo assim, domingo tem que ser um Benfica forte a entrar em campo e, contando com as recuperações, apostaria num:
Júlio César
André Almeida, Luisão, Jardel e Eliseu
Fejsa, Samaris
Carcela, Pizzi e Gaitán

Jonas