22/07/2015

Rápidas sobre o Sporting e sobre os adversários

1. Carrillo. A melhor notícia da pré-época diz respeito à possível renovação (primeira vez que se admite a possibilidade). Espero que se concretize. E se for uma mera jogada no sentido de por jogador e empresário contra a parede, percebo-a. Havendo a desconfiança de que na realidade a negociação é "para inglês ver", nada como aproximar valores, engolir o sapo e sentar o jogador para assinar. Se não assinar nessas condições, enfim, é porque pouco há a fazer. Resta saber se há 2 anos, quando se dizia que era jogador "que rendia a sair do banco" ou há 1 ano e pouco quando Jardim o retirava de campo antes do intervalo, pedia o mesmo para renovar. Eu diria que não. E diria, também, que é nesses momentos que a "estrutura" tem que antecipar e ver mais do que os blogueiros e comentadores. Por exemplo, convém antecipar, depois de uma época excelente e um Euro sub-21 de grande qualidade, se o contrato de João Mário não será curto daqui a 1 ano.

2. Pré-época. Estranha esta pré-temporada. Um jogo a feijões, 2 jogos fáceis, 2 de nível de dificuldade não mais do que média, 1 jogo de dificuldade elevada. Percebem-se as limitações temporais e, também, a chegada de jogadores a conta-gotas. JJ não quis arriscar defrontar adversários com o trabalho mais avançado sem ter os principais jogadores à disposição, parece-me claro. Quanto à deslocação à África do Sul, vamos lá ter algum realismo: enquanto o Sporting não se destacar a nível nacional e/ou internacional, dificilmente participará nos torneios da moda. Por outro lado, trata-se de um país onde há uma comunidade portuguesa considerável e até uma Academia Sporting. Por fim, provavelmente o valor era sedutor. Idealmente, este convite seria de aceitar numa pré-temporada sem Supertaça, sem pré-eliminatória da Champions e não antecedida de Copas Américas, Gold Cups e Euros sub-21. Mas isso hoje em dia não só é impossível (há sempre uma competição qualquer, para o ano Euro 2016 e depois Jogos Olímpicos) como até nem é desejável: pelo menos na parte da Supertaça, eu quero sempre estar presente (em regra, significa que ganhei o campeonato ou a Taça). A pré-eliminatória dispenso, por razões óbvias. Só uma nota, que se vem repetindo com os 3 grandes: continuo a achar relativamente estranho que nenhum deles se prepare na pré-época para 80% dos jogos que vão ser realizados na próxima época. Claro que é mais atrativo, e sempre útil para aferir de qualidades e limitações, defrontar a Roma, o PSG ou o Valencia. Mas a maioria dos jogos será contra equipas da I Liga preparadas para jogar em transição e ataque rápido (como hoje se diz). Defrontar (pelo menos) um adversário similar far-me-ia sentido.

3. Adversários:

FCP: Está a apostar as fichas todas. Jogadores por 20M€, outros com salários de 5M€, DDs veteranos com salários de estrela (com o prazer acrescido de golpada no Benfica), ainda anda a ver se pesca nos grandes europeus, suplentes por 4M€ (desta feita o prazer é por roubar ao Sporting), dispensas de jogadores (apesar de tudo) emblemáticos, Tirou a pressão de BC e JJ e passou-a para Lotapeg (e para PC? aguardemos). Se o FCP não for campeão, antecipo um desastre de proporções não vistas nos últimos 30 anos por aquelas bandas.

Benfica: A estratégia do silêncio está aparentemente a resultar. Claro que fica mais fácil com estabilidade e uma imprensa amiga. Mas honra lhes seja feita: são bicampeões e estão a conseguir por a pressão toda nos rivais (que ajudaram à festa, claro está), fazendo o papel de candidato pobre, apesar de terem conseguido segurar quase toda a equipa principal que foi campeã e, por exemplo, Carcela ter custado 4M€ (tendo aparentemente por destino o banco de suplentes). Quanto ao treinador, quem me leu no ano passado sabe que não sou apreciador: ao contrário do que fazia o Estoril de Marco Silva (e daí ter gostado da opção desde a primeira hora), o Guimarães de Rui Vitória fazia um jogo de expetativa/erro do adversário que considero incompatível com o que deve fazer um clube grande. Mas aqui há outro ponto: eu vi o Benfica com o PSG e na realidade aquilo era o Benfica do ano passado. Ainda me lembro quando nos tentaram convencer a todos que o Braga de Domingos não era mais do que o aproveitamento do Braga de JJ. Veremos, agora, se as coisas correrem bem a Vitória, se alguém se vai lembrar deste argumento...

Braga: Fez uma boa escolha no treinador (já a devia ter feito no ano passado). Só não digo já que vai andar mais próximos dos primeiros porque vendeu toda a linha da frente e os substitutos são desconhecidos. Mas acredito que vai melhorar.

Outros: as suas performances vão depender, e muito, das eleições na Liga. Leram bem: eleições na Liga. Os votos vão começar a ser angariados com emprestados, à boa moda do futebol português. E esses jogadores vão fazer a diferença, como quase sempre. Alguns já estão posicionados há muito tempo, como o Belenenses. Outros começam a cair para o outro lado, como o Guimarães. Veremos até 31 de agosto para onde caem os excedentários, sendo que o Sporting tem também alguns que tem interesse em colocar (e do ponto de vista desportivo não ficam a perder, em nada, para os outros).

2 comentários:

  1. Não posso deixar de me regozijar com a lucidez de um texto que coloca o Braga entre os adversários.
    Parabéns !

    um abraço

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    1. André, com o Paulo Fonseca, o Braga vai ser adversário de todos, não só do Sporting. Se os avançados contratados forem bons, virás aqui dar-me razão.

      Abraço

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