13/07/2015

Coisas que se dizem - e a responsabilidade inerente às mesmas

Em Maio de 2012 escrevi neste blog que não era (e não sou) apreciador de um certo perfil de jogador em que se enquadra João Pereira.

Não vou reproduzir o texto, porque fui muito duro com João Pereira num momento em que era praticamente certa a sua saída. E nisto, meus amigos, não tenhamos dúvidas: ninguém gosta de criticar duramente os "seus", ainda mais quando o que está em causa não são qualidades futebolísticas mas carácter; agora, se eles entretanto saem ou estão de saída, as palavras chegam mais facilmente ao papel.

Nunca vi nenhum portista escrever que o Paulinho Santos não tinha carácter para representar o FCP. E vi poucos a elogiar o enorme capitão João Pinto quando, num célebre jogo no Restelo, repreendeu o tal do Santos por ter mandado o Bino (por sinal, emprestado pelo FCP, veja-se bem...) para o estaleiro.

Isto dito, e tirando o tal excesso para com o carácter do João Pereira, mantenho a minha opinião. Não gosto de arruaceiros, nunca gostei. Não gosto de Tassottis a cotovelar Luis Enriques. Gosto, mesmo muito, de lembrar a imagem do João Pinto no Restelo. Não gosto dos cobardes que esperam que o árbitro esteja de costas para dar cotoveladas e pisões. Prefiro os Zidanes que, às claras, e fazendo valer o princípio de que "quem não se sente não é filho de boa gente", não pedem licença a ninguém para reagir a quente. Porque a isso todos estamos sujeitos. É humano.

Por isso, a chegada de João Pereira gera-me mixed feelings. Por um lado, na altura defendi que saísse, pelo que já referi acima, e também por entender que teríamos melhor, mais barato e menos problemático (sim, depositava grandes esperanças em Cedric, pelos vistos não me enganei assim tanto); por outro lado, entendo que João Pereira será melhor, mais barato e menos problemático do que Miguel Lopes (noutra perspetiva, desta feita a interna) e espero que venha mais maduro e menos quezilento.

Em que ficamos? Seria fácil eliminar esse post de Maio de 2012 e dizer aqui "bem-vindo de volta, João". Prefiro fazer de outra forma: assumir que posso ter sido demasiado duro nas palavras, mas dizer também que João Pereira, para ficar na minha lista de favoritos, tem que ter um comportamento sério em campo. Repito: sério; não digo exemplar, ou impecável, ou liso. Ninguém lhe exige que seja totó, ele tem direito a reagir a quente de vez em quando (e reconheço que será provocado algumas vezes); e pode até fazer, por uma vez, a título excecional, o que o Acosta acabou por fazer ao Paulinho Santos na final da Taça 99/2000, depois de sei lá quantas provocações (e de um historial que até o Acosta conhecia). Esse merecia que lhe fizessem isso 10 vezes. Não merecia que a direção do Sporting pusesse o JVP a entregar um ramo de flores no jogo de despedida, isso não...

No fundo, e em suma, o João Pereira tem que ser o jogador que sempre foi, beber da sabedoria de JJ para melhorar a sua postura defensiva (que não era famosa, mas enfim, teve os treinadores que teve...) e manter a sua enorme capacidade de desequilibrar ofensivamente. O que não pode fazer é pisar adversários só porque no lance anterior lhe fizeram uma cueca ou mandaram uma boca. E, se assim for, ficarei muito contente com o regresso dele. Apenas isto.

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