17/06/2015

Três notas rápidas quanto à Seleção

A primeira, para referir que obviamente vejo que a seleção continua a não jogar grande coisa. Não seria justo para com Paulo Bento, que tanto critiquei, afirmar aqui "estava-se mesmo a ver que bastava mudar de selecionador e logo ganharíamos à Itália e à Argentina". Não. A seleção, com Fernando Santos, ainda não fez um só jogo convincente. Mesmo na Dinamarca, limitou-se a cumprir os mínimos (o que, com a Dinamarca, pode chegar, como se viu). Tal como sucedia antes, anda às costas de Cristiano Ronaldo. Fernando Santos até tem um sistema de jogo original, mas não me parece que os artistas sejam aqueles. A meu ver, Coentrão é essencial na defesa e o lugar dele no meio-campo pode ser ocupado por um Nani um pouco mais adiantado no terreno (recordo que jogou em posição semelhante no Sporting de... Paulo Bento). Resta saber quem acompanha Ronaldo na frente, neste sistema. Percebo que Quaresma não seja a solução ideal, mas o que vejo, e já o irei reforçar de seguida, é que o selecionador faz o que (aqui sim) Paulo Bento não fazia: procura e experimenta alternativas, muitas vezes onde nós próprios entendemos que elas não existem.

A segunda nota diz precisamente respeito a uma mudança que considero muito importante e que se reflete não só na solidez que a equipa ainda vai revelando (na Arménia menos do que nos restantes jogos), como também na motivação dos jogadores: é que, agora, os jogadores que merecem têm efetivas oportunidades, joguem eles onde jogarem. Já o disse antes e repito-o agora. É uma diferença fundamental para o passado, não apenas por uma questão de pura justiça, mas também porque quem joga está menos acomodado e sabe que, não estando bem no clube ou na seleção, pode perder o lugar. O substituto está mesmo ali, no banco ou na bancada, e não é aquele tipo porreiraço chamado só para preencher quotas, é mesmo um jogador que merece ir à seleção. Parece quase irrelevante, mas não é. Assim, quando vemos Vieirinha a DD, ou José Fonte como 3ª opção para central, ou Adrien (em boa forma tem obviamente lugar nos convocados) a ter oportunidades, ou as estreias de Danilo e Daniel Carriço, e vemos tudo isto como positivo, percebemos que o selecionador não está a dormir e os jogadores também o percebem. Hoje, porventura, seremos incapazes de simular uma convocatória para o Euro 2016, pelas melhores razões.

A terceira nota diz respeito ao apuramento, quase consumado, para o Euro 2016. Como sabem, quando tudo isto começou, revelei grande preocupação com o apuramento. Mesmo que as atuais circunstâncias o facilitassem (2 apurados diretos + 1 no play-off), Portugal tinha não apenas o grupo de apuramento mais equilibrado, como também uma derrota contra uma das seleções teoricamente mais fracas. Por outro lado, sempre o disse, não há pontos garantidos neste grupo, como se viu na Arménia (onde aliás nunca tínhamos ganho). Não há San Marinos nem Liechtensteins nem Gibraltars. Há 4 seleções difíceis, em casa e fora (sim, a Dinamarca é difícil - não é o papão que Paulo Bento pensava que era, mas está regularmente em fases finais). Mas, entretanto, três factores alteraram radicalmente este panorama:
- a vitória na Dinamarca, com muita sorte à mistura;
- a "perda de pontos" de duas seleções num só jogo, o Sérvia-Albânia;
- a miserável campanha da Sérvia a partir daí.

Aliás, acredito que não vamos sequer precisar de pontuar na Sérvia. Se, como será normal, a Dinamarca, jogando em casa, ganhar ou empatar o seu jogo com a Albânia, iremos manter uma vantagem de 4 ou 5 pontos sobre o 3º classificado, jogando ainda em Tirana. Se com esta vantagem acabarmos atrás da Albânia, compro um retrato do Enver Hoxha e penduro no meu quarto, em homenagem à proeza...

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