24/02/2015

Os grandes golos do Sporting


Houve uma altura, neste blog, em que eu escrevia para o Gorbyn e o Zatopek, mais meia dúzia de amigos e familiares. Às tantas, nessa fase, o Gorbyn começou a "exigir" que eu incluísse fotos nos meus posts. De preferência, fotos tiradas durante os jogos, por mim próprio. Como bom info-excluído, raramente o fiz. Mas perante a insistência do Gorbyn, lá comecei a colocar umas fotos. A primeira, de uma dinamarquesa, no seguimento de um Dinamarca-Portugal em que, para não variar, levámos no focinho. Depois adotei esse hábito e andei em busca de meninas de todas as nacionalidades que se deparavam pelo caminho da seleção ou do Sporting: alemãs, checas, húngaras, bósnias...

Ao ver o golo de Nani no passado Domingo, lembrei-me deste post. Um daqueles que ninguém leu, tirando o Gorbyn, o Zatopek e os tais amigos e familiares. E lembrei-me porque nesse post escrevi que o golo de Nani no 6-2 à Bósnia de 2011 foi dos mais belos golos que já vi ao vivo. Pois bem: este, de Domingo, entra diretamente para essa galeria.

Que obra-prima esta de Nani. O ajeitar de cabeça, decisivo, feito (creio) ainda sem pensar o que podia seguir-se. Aquele milésimo de segundo em que ele pensa "a bola está a cair mesmo bem, será que...". A coragem (e a arrogância!) do remate, dali, do meio da rua. Com o pé esquerdo, nem sequer o seu melhor. A curva da bola, perfeita, transformada em linha reta (no conceito matemático) para a baliza. E a rede, uma rede ansiosa por receber a bola, não toda a rede mas aquela parte da rede, raramente tocada, e destinada apenas a dois tipos de artistas: os que sabem muito bem o que querem e os que não sabem bem como fizeram - Nani claramente no primeiro grupo.

Isto leva-me a outro tema. Não vale a pena discutir factos, eles estão lá, gravados na história, esculpidos em pedra para que ninguém os apague. E em pedra estão gravados os títulos que outros conquistaram, nacionais e europeus, bem como estes 30 anos que levo a acompanhar futebol, com apenas 2 campeonatos, 4 Taças e 6 Supertaças. Mas vale a pena discutir se algum dos nossos adversários deu ao futebol português tantos momentos como os de Balakov (contra o Vitória, em Setúbal), como os de Cherbakov (contra o Beira-Mar, em Alvalade), como os de Nani. A arte, meus caros, a arte é nossa. Não é um facto, é a minha opinião. Mas começa também a ficar esculpida, pelo menos na memória.

Aliás, o Sporting deu um contributo precioso para a arte neste fim-de-semana e não foi só em Alvalade. Foi também em Portimão. Quem não viu o golo do Dramé, sugiro que veja. E que perceba que aquele golo, na minha opinião, só poderia ser marcado com aquela camisola e nenhuma outra.

Quanto ao jogo propriamente dito: creio que todos viram como a equipa beneficiou do recuo do André Martins. O critério no passe melhorou enormidades e o jogo do Sporting foi muito mais paciente. Verdade que só se criaram 3 lances de perigo, mas um deles foi a melhor jogada que o Sporting fez nos últimos 4 ou 5 jogos, Só possível porque houve paciência. E quanto às "transições", apenas uma, num lance absurdo em que a equipa ficou totalmente desposicionada (e, meus caros, obviamente que o árbitro foi um... aham... mas, caramba, quando é que vamos começar a perceber que nós estamos sujeitos a parvoíces destas?). Na segunda parte, há o golo, mais 2 ou 3 oportunidades, depois a obra-prima, e por fim o controlo total.

Foi raro ver um cruzamento à balda (mas ainda saíram alguns), foi raro ver a equipa perder a paciência. E é assim mesmo que deve ser, ainda que nas bancadas alguns palermas assobiem (e assobiaram o próprio Nani, agora digam-me lá se merecemos receber "prendas" como as que ele deu no Domingo?). Até o Miguel Lopes esteve razoável, pese embora dois lances absurdos na segunda parte em que tentou jogar de primeira e causou dificuldades à equipa (Cantinho, concordas?).

Não foi fantástico, mas foi o melhor que vimos em quase 2 meses. Sem Cedric e sem Adrien, mas sem Montero e sem Carrillo. Irrelevante: a ideia de jogo (esta tem direitos de autor: Império) estava certa.

6 comentários:

  1. Koba,

    a esses golos que falas (e que bem falaste!), eu acrescentava mais 3: dois do Balakov (contra Benfica, em Alvalade e na Luz, este com o fantástico belga a acabar de joelhos dentro da baliza) e um do Caneira (ao Inter);
    Sei que colocar o Caneira ao lado do Nani, Balakov e Cherba é absurdo mas é um golão...
    (e do Rogério na final da UEFA só não entra aí porque todos sabemos o fim dessa história)

    Jogo:
    - claramente; o melhor Sporting desde das 1ªs partes da Taça da Liga;
    - André Martins esteve muito bem na 1ª parte e a jogada da oportunidade do Mané é muito boa; há interpretes para aquilo se repetir mais vezes; o caminho é aquele;
    - melhor circulação (até mais rápida) e muito menos cruzamentos;
    - Miguel Lopes: para mim esteve dois lances muito bons - um cruzamento para Tanaka e uma jogada que ia dando golo do próprio Miguel; esses lances ocorrem já com 2-0 no marcador; de resto, desculpa mas não gosto da personagem (e isso influencia a minha análise, sei disso); vi uma 1ª parte desastrada, vi maus controlos de bola, e esses 2 lances que falas (balões para Patrício e Oliveira) são definidores da sua falta de qualidade. Mas digo-te, por mim, jogava já na 5ª feira, descansando ainda mais o Cédric (que vai ter de correr atrás do Tello e Brahimi no domingo).

    abraço

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    1. Cantinho, todos grandes golos e ainda há muitos mais, incluindo um que não vi, nunca vou ver e quem não viu também não verá: golo do Sousa, contra o Bilbao, em 1986 (quem viu, diz que foi um dos melhores do velhinho Alvalade). O João Rocha cortou relações com a RTP e não há imagens desse jogo. Fui com o meu pai, como sempre. Mas não havendo TV, o estádio estava para lá de cheio. Ainda conseguimos entrar no estádio, mas para as bancadas era impossível. Vi o primeiro, do grande Manel (vénia) aos ombros do meu pai, ali no acesso à bancada dos cativos. Mas o meu pai não me ia aguentar 90 minutos aos ombros dele, desistimos e fomos para casa...

      Concordo que "o caminho é aquele" mas infelizmente os nossos adeptos não têm paciência. O Nani temporiza, assobiam; o Martins joga para trás para voltar a circular, assobiam; 15 minutos finais em posse, sem um único sobressalto, uns assobiam, outros parecem querer gritar olés (parece que não aprendem as lições). Comentava ao intervalo "viram o Martins mais recuado", respondiam "tem é que sair para entrar o Montero". Enfim...

      O Miguel Lopes pode não ser tecnicamente muito dotado, mas vi as tais boas ideias, não cedeu à tentação de despejar. Se o Cedric não se põe fino, não sei não... Mesmo considerando que o Cedric é melhor.

      Abraço

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  2. Mais um post que estabelece correctamente as premissas e conclui da forma errada: se a produção ofensiva e defensiva foi semelhante, por que razão haveria de se preferir uma "ideia de jogo" relativamente à outra (e isto sem conceder que houve duas ideias de jogo colocadas em prática)?

    O Sporting jogou em Alvalade, contra o Gil Vicente, que está em 17.º, cuja metade da equipa chegou em Janeiro e é treinador pelo José Mota. A produção ofensiva do Sporting - se aferida em comparação com o desempenho contra o 6º classificado, fora - foi muito fraca. O Sporting voltou a ir para o intervalo com um resultado desfavorável às suas pretensões e acabou por marcar no primeiro remate que faz na 2ª parte, na sequência de uma bola parada. Até o 2º golo que marca - se não estou em erro, na sequência de um lançamento de linha lateral - é de uma improbabilidade assustadora. O Nani até pode ser o melhor do mundo a chutar daquela forma, com o seu pé esquerdo e àquela distância, a realidade é que a probabilidade daquele remate resultar em golo seria sempre muito baixa. E é um golo que não resulta de uma jogada de futebol, note-se.

    A jogar com esta "ideia de jogo" (qualquer seja) - e nomeadamente com o Tanaka, que é uma nulidade - o Sporting arrisca-se a perder ou empatar mais jogos do que a qualidade comparativa dos seus jogadores determinaria. É caso para dizer que o valor acrescentado do Marco Silva, por comparação ao José Mota, não foi muito elevado. Salvou-se a eficácia nas bolas paradas.

    O único registo interessante do jogo foi a entrada do Ryan Gauld, num claro frete feito às bancadas e máquina de promoção presidencial (o que, em si, é bastante interessante e - isto sim - preocupante para o Marco Silva). O prodígio escocês, que muitos opinadores usaram como arma de arremesso contra o treinador mostrou o que vale actualmente: muito pouco. A rivalizar com o Carlos Eduardo na forma como se consegue esconder no jogo, ter-lhe-ia sido mais útil para a carreira tirar o tempo para ver o João Mário ter de fazer o trabalho a dobrar e a mostrar que o futebol sénior eainda é uma realidade distante para mini-prodígio. E o Iuri, em Arouca, nem do banco saiu.

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    1. Porque uma pode levar-nos a algum sítio e a outra (acredito que) não!

      Além disso ninguém se está a desfazer em elogios, apenas a dizer que foi o melhor que se viu nos últimos jogos. Cito:

      "Verdade que só se criaram 3 lances de perigo, mas um deles foi a melhor jogada que o Sporting fez nos últimos 4 ou 5 jogos". Apenas isto.

      Quanto a probabilidades, são mais elevadas, para golo, as do lance do Mané, ou do Nani (a que o GR defende com os pés), ou do Tanaka (cruzamento da direita e desvio) do que qualquer uma criada pelo Sporting no Restelo (a única com probabilidade relativamente elevada não foi criada por nós). 4 ou 5 lances contra o Gil Vicente é pouco, mas são mais do que os criados com Belenenses, Benfica e Académica e tantos quantos os destes jogos somado ao de Arouca.

      Quanto ao Gauld concordo com a apreciação, duvido que o Marco alinhe em esquemas desses, Aliás, o Gauld nem iria cheirar se o Tanaka não marca aquele golo.

      A grande divergência, parece-me, é que desvalorizas o papel do treinador no que aconteceu no Restelo. Eu também o desvalorizaria. Mas depois de ouvir o que ele disse no fim...

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  3. "Quanto ao jogo propriamente dito: creio que todos viram como a equipa beneficiou do recuo do André Martins. O critério no passe melhorou enormidades e o jogo do Sporting foi muito mais paciente. Verdade que só se criaram 3 lances de perigo, mas um deles foi a melhor jogada que o Sporting fez nos últimos 4 ou 5 jogos, Só possível porque houve paciência."

    Tudo tão certo.

    Mas não, o que nos tem faltado não é jogar futebol. O que nos tem faltado é a torre para levar com um balão do Cédric na cabeça e marcar um golo a cada 4 ou 5 oportunidades.

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    1. Gostei da ironia, Nalitzis

      A lembrar o pinheiro de Paulo Sérgio "Quero um avançado com estatura, falta-nos um pinheiro, com 1,90 metros, que a gente acerte na cabeça dele e a bola vá para a baliza."

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