27/02/2015

Um bom jogo

Foi um bom jogo.

Na primeira parte, o Sporting demorou a forçar mas quando forçou criou 3/4 lances de perigo e uma verdadeira oportunidade de golo (João Mário para Tanaka), não convertida por um misto de nabice e azar.

Entrou na segunda parte como lhe competia, fez o jogo que tinha que fazer, mas faltou alguma objetividade. Em vários lances ficou a nítida sensação de que o jogador com a bola queria sempre encontrar um outro (ainda) melhor posicionado para rematar. É difícil fazer uma equipa chegar a um ponto em que os jogadores sabem em 90% das ocasiões quais as situações em que devem assumir o lance ou entregar a bola. Ou então, afinal de contas, os "experts" têm mesmo razão quando enfatizam que a tomada de decisão é o que distingue os bons dos muito bons...

O que sei é que gostei do jogo que o Sporting fez entre os 30 e os 70 minutos. Apanhámos um Benaglio inspirado (confesso que depositava algumas esperanças nas limitações que este GR por vezes demonstra) e não tivemos Carrillo e Nani no seu nível máximo. Tivemos Cedric (bem-vindo de volta!), João Mário e William próximos disso, mas não chegou.

Depois há algumas limitações. Tanaka, por exemplo. Uns acham que é uma nulidade, outros muito útil, eu acho simplesmente que é um jogador razoável e não me choca nada que esteja no plantel e vá jogando, mas dificilmente a titular e sozinho na frente. Mais do que o lance no poste, que já descrevi acima, o lance em que se isola demonstra que, efetivamente, está uns furos abaixo daquele "matador" de que precisamos.

De qualquer forma, a jogar assim, acredito num final de época positivo.

PS: Não querendo tirar mérito ao FCP, não deixa de ser curioso que fomos eliminados, na Liga Europa, por um adversário bastante mais forte do que qualquer um que o FCP tenha apanhado na Champions este ano. Depois venham dizer-me que a sorte nos sorteios não quer dizer nada...

24/02/2015

Os grandes golos do Sporting


Houve uma altura, neste blog, em que eu escrevia para o Gorbyn e o Zatopek, mais meia dúzia de amigos e familiares. Às tantas, nessa fase, o Gorbyn começou a "exigir" que eu incluísse fotos nos meus posts. De preferência, fotos tiradas durante os jogos, por mim próprio. Como bom info-excluído, raramente o fiz. Mas perante a insistência do Gorbyn, lá comecei a colocar umas fotos. A primeira, de uma dinamarquesa, no seguimento de um Dinamarca-Portugal em que, para não variar, levámos no focinho. Depois adotei esse hábito e andei em busca de meninas de todas as nacionalidades que se deparavam pelo caminho da seleção ou do Sporting: alemãs, checas, húngaras, bósnias...

Ao ver o golo de Nani no passado Domingo, lembrei-me deste post. Um daqueles que ninguém leu, tirando o Gorbyn, o Zatopek e os tais amigos e familiares. E lembrei-me porque nesse post escrevi que o golo de Nani no 6-2 à Bósnia de 2011 foi dos mais belos golos que já vi ao vivo. Pois bem: este, de Domingo, entra diretamente para essa galeria.

Que obra-prima esta de Nani. O ajeitar de cabeça, decisivo, feito (creio) ainda sem pensar o que podia seguir-se. Aquele milésimo de segundo em que ele pensa "a bola está a cair mesmo bem, será que...". A coragem (e a arrogância!) do remate, dali, do meio da rua. Com o pé esquerdo, nem sequer o seu melhor. A curva da bola, perfeita, transformada em linha reta (no conceito matemático) para a baliza. E a rede, uma rede ansiosa por receber a bola, não toda a rede mas aquela parte da rede, raramente tocada, e destinada apenas a dois tipos de artistas: os que sabem muito bem o que querem e os que não sabem bem como fizeram - Nani claramente no primeiro grupo.

Isto leva-me a outro tema. Não vale a pena discutir factos, eles estão lá, gravados na história, esculpidos em pedra para que ninguém os apague. E em pedra estão gravados os títulos que outros conquistaram, nacionais e europeus, bem como estes 30 anos que levo a acompanhar futebol, com apenas 2 campeonatos, 4 Taças e 6 Supertaças. Mas vale a pena discutir se algum dos nossos adversários deu ao futebol português tantos momentos como os de Balakov (contra o Vitória, em Setúbal), como os de Cherbakov (contra o Beira-Mar, em Alvalade), como os de Nani. A arte, meus caros, a arte é nossa. Não é um facto, é a minha opinião. Mas começa também a ficar esculpida, pelo menos na memória.

Aliás, o Sporting deu um contributo precioso para a arte neste fim-de-semana e não foi só em Alvalade. Foi também em Portimão. Quem não viu o golo do Dramé, sugiro que veja. E que perceba que aquele golo, na minha opinião, só poderia ser marcado com aquela camisola e nenhuma outra.

Quanto ao jogo propriamente dito: creio que todos viram como a equipa beneficiou do recuo do André Martins. O critério no passe melhorou enormidades e o jogo do Sporting foi muito mais paciente. Verdade que só se criaram 3 lances de perigo, mas um deles foi a melhor jogada que o Sporting fez nos últimos 4 ou 5 jogos, Só possível porque houve paciência. E quanto às "transições", apenas uma, num lance absurdo em que a equipa ficou totalmente desposicionada (e, meus caros, obviamente que o árbitro foi um... aham... mas, caramba, quando é que vamos começar a perceber que nós estamos sujeitos a parvoíces destas?). Na segunda parte, há o golo, mais 2 ou 3 oportunidades, depois a obra-prima, e por fim o controlo total.

Foi raro ver um cruzamento à balda (mas ainda saíram alguns), foi raro ver a equipa perder a paciência. E é assim mesmo que deve ser, ainda que nas bancadas alguns palermas assobiem (e assobiaram o próprio Nani, agora digam-me lá se merecemos receber "prendas" como as que ele deu no Domingo?). Até o Miguel Lopes esteve razoável, pese embora dois lances absurdos na segunda parte em que tentou jogar de primeira e causou dificuldades à equipa (Cantinho, concordas?).

Não foi fantástico, mas foi o melhor que vimos em quase 2 meses. Sem Cedric e sem Adrien, mas sem Montero e sem Carrillo. Irrelevante: a ideia de jogo (esta tem direitos de autor: Império) estava certa.

20/02/2015

10 comentários muito breves

1. Não consegui ver o jogo, só agora vi o resumo.

2. Já se sabia que o Wolfsburg é mais forte e é mais equipa. Disse aqui que eram 50/50 mas não os conhecia bem. E Schurrle veio definitivamente desequilibrar a balança, é um jogador que faz a diferença.

3. O resultado não nos arruma definitivamente, mas convenhamos que vai ser extremamente difícil dar a volta.

4. Temos que ter paciência com alguns jogadores, mesmo aqueles que pensamos que já tiveram muitas oportunidades (Carrillo, Montero).

5. Temos que contar com o desperdício de 2/3 oportunidades claras por jogo, já o sabemos.

6. Tenho uma teoria para o 1º golo mas teria que ter visto o jogo para a desenvolver. Parece-me que o jogador que conduz a bola não foi pressionado por ninguém porque não era suposto. Só pode. Mas um treinador não tem que estar a dizer tudo, quem está lá dentro tem que perceber o jogo.

7. Temos poucas soluções, mas há alternativas. Não querendo entrar na conversa fácil, parece que há jogadores que jogam sempre, independentemente do rendimento. Não percebo.

8. Não vi no resumo os lances de arbitragem de que se fala. Mas temos que ser justos nestas análises. Claro que o jogo seria diferente se houvesse um penalty (convertido) aos 45m. Não obstante, a segunda parte foi o que foi e ainda estava 0-0. Não tem nada a ver com Gelsenkirchen, em que o lance decidiu o jogo; nem seria o mesmo ter um penalty contra inexistente aos 45m. Não ter um penalty a favor, supostamente, não deveria mudar nada. Convém perceber isto.

9. O problema não é Montero. O problema é que quem tem Montero não pode jogar assim. A jogar assim, um AV com as características de Montero não vai de facto ter grande rendimento.

10. Mais do que bater o Gil Vicente, a exibição tem que ser convincente. A equipa não pode vir abaixo desta forma e entrar em ciclos negativos.

16/02/2015

As sombras de Marco (e de Patrício)

Péssimo jogo no Sábado a partir dos 20/25 minutos. Muito mau, a fazer lembrar o pior Jardim. Com uma desvantagem: o Jardim sabia fazer isto com um mínimo de eficácia; o Marco, isto, claramente, faz muito mal. Nem percebo, sinceramente, o que se passou pela cabeça do Marco no Sábado.

Desde logo, porque ao contrário do que diz o Marco, o Sporting não entrou mal, entrou bem. OK, podia jogar mais rápido; ok, podia ser mais objetivo; ok, podia envolver mais gente nas jogadas pelo centro. Mas o Sporting estava com a atitude correta perante o jogo: pressão sobre o Belenenses (que não saiu do meio-campo durante 20 minutos), jogadas (ou pelo menos tentativas) com cabeça, tronco e membros (e paciência), reação imediata à perda da bola, enfim, estava ali a faltar desfazer as cerimónias na hora de arriscar um último passe ou o remate mas tudo indiciava um domínio claro do jogo.

Só o facto de o Marco ter dito que não gostou disto e ter pretendido mudar de filosofia (em vez de corrigir/melhorar) seria suficiente para me assustar. Quando a isto juntamos as substituições ao intervalo (ou seja, o "como" quis mudar), ficamos definitivamente a perguntar-nos: "quem é que perpetrou o sequestro do Marco e colocou no lugar dele aquele rapaz que foi ao Restelo comandar a equipa?".

As substituições são incompreensíveis. Notem bem isto: estava a ver o jogo sem som, vi entrar o Tanaka e o Mané e não vi a indicação das substituições no ecrã; eu e o meu primo discutíamos "tirou o Adrien e o Carrillo, que disparate este último", "não, não, vais ver que tirou o João Mário". Nem nos passou pela cabeça que Montero tivesse saído. Não porque estivesse a fazer um grande jogo, de facto não estava (e como podia ter resolvido o jogo se naquele lance na primeira parte tem fintado o GR, eventualmente sacando um penalty e expulsão...); mas porque o jogo parecia pedir que no meio de todas aquelas pernas que rodeavam a área do Belém lá estivessem mais duas nossas. De preferência, duas que soubessem controlar a bola e jogá-la em espaços curtos, porque o tempo e espaço para pensar era reduzido. As combinações entre Tanaka e Montero poderiam ser um caminho para o golo.

A equipa, ao intervalo, ficou pior: entra um jogador que precisa de espaço, que não existia, e outro que procura constantemente servir o apoio, que não estava lá (o que ficou evidente nas duas ocasiões que Tanaka teve para rematar e em que procurou, em ambas, servir colegas de equipa); e saíram dois dos que têm mais qualidade técnica para jogos em que receber, passar, conduzir em espaço curto é a chave do jogo. A leitura de jogo de Marco Silva deixou-me atónito.

A consequência lógica e evidente para todos os que viram o jogo acabou por efetivamente acontecer. Além de entregarmos o meio-campo ao Belenenses (depois disto, Lito jamais deixou William respirar), passámos a conduzir o jogo para as faixas. E, uma vez aí, com o Belém a fazer o que mandam os livros (um no homem, outro na contenção) a bola era perdida em iniciativas individuais infrutíferas ou entregue aos cruzamentos dos laterais (os de Jefferson intercetados pela defesa, os de Cedric, como começa a ser cada vez mais habitual, pelos apanha-bolas).

Isto já li em vários blogs e foruns e é verdade: estávamos a jogar para Slimani mas sem Slimani. E desculpem puxar a brasa à minha sardinha mas disse aqui inúmeras vezes que era má política jogar assim, não apenas porque retira à equipa alternativas de jogo (e logo a mais importante de todas elas) mas também porque quando não há Slimani isto é igual a zero. Posso estar a ser excessivamente duro, mas esta é a verdade: o futebol do Sporting no Restelo, na segunda parte, foi igual a zero. O zero que criticámos no adversário da semana passada (mais conhecido por "visitante") e que foi ironicamente "premiado" da mesma forma - uma chouriçada aos 90+4.

Ainda assim, e esta é a que mais me custa, ainda assim, dizia eu, o Sporting podia ter disputado a vitória no jogo até ao fim. Porque o Belenenses, valha a verdade, embora tenha assumido o controlo do jogo na segunda parte (tentando sair a jogar, o que não fez na primeira), nada fez para assustar. Reparem, o Belém nada fez para assustar. O Belém. Houve quem tivesse feito. Refiro-me a Rui Patrício. Aquele lance no início da segunda parte deixou marcas. Nos adeptos e, pelos vistos, nele próprio.

Rui Patrício é um GR a quem sempre antecipei uma grande carreira, porque tem qualidades fantásticas, a principal das quais, a meu ver, a percentagem altíssima de boas decisões (como joguei muitas vezes a GR atrevo-me a este linguajar, os experts que me perdoem!) nos lances verdadeiramente difíceis para os GR. Já revelava essa capacidade enquanto jovem GR, falhando todavia em alguns aspetos técnicos (facilmente corrigíveis num GR com a sua categoria). Felizmente, Patrício deu "o" salto. É raríssimo vermos Patrício mal batido por estar mal posicionado, por ficar a meio do caminho, por sair quando devia ter ficado ou ficar quando devia ter saído, por tentar defender a bola com a mão errada (o Labreca nestes era pródigo...). E é isto que me deixa estupefacto: Patrício evoluiu para um ponto na sua performance em que raramente falha um lance complicado; mas (para além do jogo com os pés, em que efetivamente é fraco) falha em lances básicos, não sabendo proteger-se dos seus próprios defeitos. Os lances do Restelo são, todos eles, resultado de uma abordagem desleixada em que Patrício não foi capaz de se defender... de si próprio.

Vai-se mantendo este problema. E enquanto se mantiver... corremos o risco inerente a esse defeito do nosso GR e capitão. Saibam os colegas protegê-lo dos seus defeitos e melhores dias virão. Por ora, parece que Patrício assumiu a sua responsabilidade, o que só lhe fica bem porque revela que percebeu o que se passou. Espero que perceba, também, o que está na origem das falhas.

Pelo contrário, parece que Marco Silva não percebeu o que se passou. Se ele próprio não interiorizar o que esteve mal, dificilmente vai melhorar. A minha fé mantém-se mas levou um abanão, confesso. Espero que tenha sido apenas um dia mau, um jogo mau. Mas o discurso final não antecipa nada de bom para as próximas jornadas...

PS: só um comentário à troca de galhardetes entre Vieira e BC. Comunicados de um lado e do outro são dispensáveis, já o sabemos; não resolvem nada, criam conflitoes estéreis e só alimentam picardias desnecessárias entre adeptos. Mas BC insiste em levar as coisas para o nível "diz que disse". Quando o fez, perdeu a (estapafúrdia) "guerra das picardias". Porque baixou o nível. Depois de suspender um black-out para responder a Ricardo Costa e Abel, vem agora falar das conversas de Vieira com o seu motorista. Não consigo acreditar que alguém olhe para esta forma de comunicar e se reveja nisto...

Benefícios? Não, obrigado!

Qualquer jogo em que o Benfica seja beneficiado, acaba por ser um jogo sobre o qual não tenho grande vontade de escrever. O de hoje não é excepção. Mesmo que o a superioridade, domínio do jogo e número de golos indiciem que os benefícios (penalty do Jardel e primeiro golo do Lima) eram absolutamente desnecessários e que a probabilidade do Benfica mesmo assim vencer o jogo se aproxime dos 100%, contagia sempre negativamente uma vitória do Benfica. Ou seja, o Benfica não precisava mas será mais uma acha para a fogueira que todas as semanas o Porto tenta atear.

Assim, pontos de destaque:
- grande jogo do Benfica que não deu qualquer hipótese ao Setúbal;
- excelente golo do Jardel com um cabeceamento fulminante;
- Pizzi fez um jogão e foi, para mim, o melhor jogador em campo;
- este Ola John a correr assim e com a intensidade evidenciada, tanto a atacar como a defender, por mim pode jogar sempre;
- Salvio fez também um grande jogo e foi acompanhado por um Samaris que está cada vez melhor;
- para quando Sílvio por Eliseu?
- Maxi, também quero do que andas a tomar! 

É continuar a não falhar nesta sequência de jogos que, na teoria, é de menor dificuldade e esperar que a sequência de dificuldade inversa leve o Porto a perder pontos.


13/02/2015

Lista de convocados para amanhã

Patrício, Boeck

Cedric, Paulo Oliveira, Tobias, Jefferson e Sarr

William, Adrien, João Mário, Rosell, André Martins

Nani, Mané, Carrillo, Capel, Tanaka, Montero

Trocamos Maurício por Tobias e Heldon por Nani e sabem o que temos?...

A lista dos convocados para a 1ª jornada.

Nessa altura recordo-me de no pós-jogo muito se ter criticado Marco Silva por não ter levado Esgaio para o banco (recordo que Cedric se lesionou durante o jogo). Entrávamos nessa altura no campo do absurdo - criticar a composição do banco, não em função das opções, mas porque Marco Silva devia prever todos os cenários, sem exceção.

Fazemos uma aposta: se nada se passar com Cedric, ninguém se vai lembrar da lista de convocados.

A tal lógica de "antecipar à 2ª feira"...

09/02/2015

Ver (ou tentar ver) os pontos positivos

1. O primeiro ponto positivo foi o magnífico ambiente no estádio. Um amigo lampião, que foi a Alvalade ver a bola, descrevia o ambiente como sendo "pior do que na Turquia". Já o tinha dito aqui: não gosto do nosso estádio, mas tem uma acústica absolutamente única. Quando todo o estádio apoia a equipa, o ambiente é diabólico.

2. O segundo ponto positivo: ninguém, dos nossos, tremeu. Não tremeu a dupla de centrais, como não tremeu o meio-campo. Os extremos e PL foram anulados, mas também o foram os do Benfica. Tobias, no seu primeiro derby e terceiro ou quarto jogo "a doer", esteve sempre impecável.

3. Terceiro ponto positivo: a segunda parte. Na primeira parte o Sporting nunca conseguiu sair a jogar. A pressão do Benfica era asfixiante, 4 homens a pressionar alto, saída de bola sempre em bola longa, onde os nossos "pini-pons" defrontavam "gigantones". Algumas segundas bolas, mas pouco mais do que isso. Um lance, nessa primeira parte, esquecido por JJ: quando diz que Jonas se isolou e podia ter dado em Lima, esquece-se do lance em que João Mário se isola e, podendo rematar, tenta dar (mal) no meio. Na segunda parte, sem grandes oportunidades, é certo, o Sporting conseguiu jogar, mantendo (e até melhorando, a meu ver) o que já tinha feito na primeira parte: impedir o Benfica de jogar.

4. Quarto ponto positivo: William Carvalho. Quando pode (e quando quer...) é um jogador fabuloso. Não percebo como é possível discutir a melhor exibição de ontem e incluir Jardel ao barulho. Jardel fez um golo no último lance do jogo e isso foi decisivo para o resultado, sem dúvida. Mas a avaliação de uma exibição é feita pelos 90 (94, infelizmente...) minutos. William esteve absolutamente imperial. Com "este" William durante todo o campeonato, seguramente não estávamos a 7 pontos.

5. Doeu. Doeu muito. Foi dos momentos mais dolorosos que já vivi num estádio de futebol. E vão dois este ano, sendo que o de Coimbra ainda doeu mais (talvez pelos 400kms, ou pelos 40€ do bilhete, ou por ser a pior equipa do campeonato, não sei... sei que ontem o masoquismo me levou a lembrar-me de Coimbra para me sentir ainda pior). Mas a verdade é esta, custa dizê-lo mas tem que ser dito: se temos que passar por aquela tremenda infelicidade num derby como fase de um processo de crescimento, que seja no deste ano. Sei que isto soa horrivelmente, soa mesmo. Ontem mal consegui dormir, revia o lance na minha cabeça a pensar o que podia ter sido diferente e o que podia ter sido evitado. E hoje de manhã, quando pensei "acabou o campeonato", dei comigo também a pensar que, na realidade, ficaríamos a 4 pontos do Benfica, sem mais confrontos diretos para realizar, e tendo um calendário incomparavelmente mais difícil, que inclui uma deslocação ao Dragão. E outras bem difíceis, como Barreiros e Paços de Ferreira (só para dar exemplos de campos onde os rivais perderam). Relançaríamos a luta, o que seria obviamente um enorme aliciante para o resto do campeonato (mais para terceiros do que para nós, em boa verdade), mas as nossas hipóteses seriam escassas. Não me intepretem mal: fiquei de rastos e adorava ter ganho ontem, merecíamos ter ganho ontem. Mas se aquilo que todos comentávamos cá fora à saída do estádio é mesmo verdade ("não soubemos gerir o jogo", "não soubemos atirar-nos para o chão", "não soubemos simular lesões do Patrício", "o Marco não meteu o Sarr ou o Rosell", "somos uma equipa ainda imatura"), isso significa que temos que passar por isto para aprender a lição. Neste sentido, e apenas neste, "ainda bem" que aconteceu neste jogo e não num outro qualquer em que seja decisiva a conquista dos pontos. Estamos mal habituados e para nós um jogo em que podemos reduzir de 7 para 4 a distância é um jogo decisivo. Mas, na verdade, não é. Decisivo foi o Sporting-Porto de 99/2000, ou o Porto-Sporting de 2001/2002 (hoje só falo dos de boa memória, como compreendem). A infelicidade não dura para sempre e a experiência ajuda a evitá-la. Espero que a de ontem sirva para que isot seja gerido de outra forma em jogos em que (espero eu) esteja em causa muito mais do que reduzir uma enorme diferença para o 1º. Basta pensar no adversário de ontem e na época de 2012/2013 para perceberem o que estou a dizer.

6. Excelente arbitragem.

Uma nota final para dizer isto: se os jogos acabassem aos 90 minutos, como antes sucedia, o Sporting teria precisamente os mesmos pontos. Porque se é verdade que teria feito +4 com o jogo de Coimbra e com o de ontem, também é verdade que teria feito apenas 1 nos jogos com Arouca (em casa) e Braga. Não é um "olha, que se lixe". É apenas a constatação de um facto: como muito bem disse o Marco Silva, isto é futebol e aquilo pode acontecer a todos os clubes em todos os jogos. Já nos aconteceu ganhar o acesso a uma final europeia daquela forma; já nos aconteceu empatar na Luz, depois de estar a perder 0-2, nos últimos minutos do jogo; já nos aconteceu de tudo um pouco. É um pouco como o chavão da arbitragem de que, no final, entre pontos ganhos e perdidos, a coisa anda normalmente equilibrada. O que seria diferente, isso sim, seria a campanha na Champions: se aguentássemos os descontos, estaríamos tranquilamente apurados para os 1/8. Mas não podemos esperar desinvestir, jogar com uma defesa com média de 21 ou 22 anos e achar que tudo acontece de um dia para o outro. Não acontece. Leva tempo. E exige paciência.

PS - aos que já tinham lido, desculpem os aditamentos mas tenho mesmo que dizer duas coisas:

(1) acho que é a primeira vez que um clube dá dois passos decisivos rumo ao título graças a lançamentos de linha lateral...

(2) disseram-me agora, e é verdade, que empatámos com o Moreirense nos descontos. Ou seja, se os jogos acabassem aos 90, teríamos menos 1 ponto...

Nos descontos... quem diria?...

Para não irritar ainda mais o meu amigo Koba, assumo já: o Sporting merecia ganhar o jogo. Foi quem mais procurou a vitória, quem teve mais cantos, mais ataques, mais remates e quem, apesar de praticamente não ter criado ocasiões de golo, mais perigo sempre levou à baliza adversária. 

O Benfica fez uma exibição, no mínimo, triste. É o que dá estar habituado a ver em campo jogadores como Matic, Fejsa, Enzo, Gaitán, Siqueira, Rodrigo, Markovic e Garay só para falar na última época. Olhando para o onze deste jogo, meu Deus, classe só mesmo a de Jonas (embora inconsequente) e os grandes jogos de Samaris (que foi traído por aquele corte) e Jardel. No entanto, talento daquele que é por demais evidente, esse nem vê-lo. Depois tinha amigos sportinguistas a enviar mensagens e a perguntar "Como é que esta equipa está na liderança isolada?". Pois, até concordo que é mais fraca do que nos últimos anos mas imaginem o que seria o Sporting sem o Nani e o William para replicar a ausência de Gaitán e a saída do Enzo.

Tinha dito antes do jogo que acreditava que Jesus iria jogar para não perder e não me enganei. Ainda pensei que voltasse a jogar com Talisca como o homem mais adiantado do meio campo e com mais dois no miolo como fez nas Antas mas ficou apenas por André Almeida a trinco na companhia de Samaris. Se era para jogar apenas com dois, esta foi a melhor solução e já há bastante tempo que pedia a entrada do miúdo para a posição 6. Pena que não possa fazer esta posição e a 5 ao mesmo tempo, porque o Eliseu até faz pena. Parecia um puto de 17 anos atirado para um derby! Como é que é possível?! Prefiro que jogue o Sílvio mesmo com a perna partida! Pelo menos não deve fazer penaltys idiotas como o de Paços de Ferreira.



Para simplificar, os positivos e negativos como se estivéssemos no final do relato da TSF:
+ grande jogo de Samaris, a provar que, como há muito defendo, é muito melhor a 8 do que a trinco;
+ grande Jardel! Um verdadeiro guerreiro, imperial nas alturas e sempre rápido a recuperar. O golo foi a cereja no topo do bolo!
+ Artur. Tentaram a desestabilização com capas de jornais e comentários até do porteiro do prédio mas esteve sempre seguro!
- as alas do Benfica foram absolutamente decepcionantes, da defesa ao ataque. Eliseu mau demais, Ola John péssimo (aposta no Guedes por favor!), Salvio horrível e Maxi sofrível;
- Jesus, porque nunca foi capaz de tirar o Lima para reforçar o meio campo que gritava por SOS desde o início.

O Benfica entra bem posicionado numa fase da época em que não terá o desgaste dos rivais por força dos jogos europeus e em que se seguem jogos de menor dificuldade (na teoria). Até ao jogo com o Porto apenas saliento a recepção ao Braga e a saída ao Rio Ave (ambos em Março) enquanto o Porto e Sporting jogam entre sim e ainda há a deslocação do Porto a Braga. Depois destes dois passos em falso, o Benfica está proibido de voltar a falhar pelo que era de grande importância que regressassem rapidamente Gaitán, Fejsa, Amorim e Sílvio, já para não falar de Júlio César. O onze que se apresentou hoje, simplesmente não chega...



05/02/2015

Um kiwi sumarento


Não me recordo das datas e não as fui pesquisar. Mas lembro-me como se fosse ontem.

Ofereci à minha mulher, no aniversário dela, um fim-de-semana em Londres. Na altura em que fiz a oferta, não conferi o calendário futebolístico (imperdoável, bem sei). Claro que o fim-de-semana coincidiu com o final da Taça...

O meu pai já tinha os bilhetes comprados. Avisei-o na própria semana "Pai, não vou poder ir, apercebi-me agora que é o nosso fim-de-semana em Londres". Foi o meu cunhado (lampião) no meu lugar. Veio de lá maluco com o jogo e com o ambiente, festejou os golos como se de um sportinguista se tratasse. Invejei-o e invejo-o: eu não estava lá.

Acreditem ou não, entretive-me com algo e nem me lembrei do jogo. Até que chego ao hotel para ir buscar a mala e fazer a viagem para Luton e vejo uma mensagem de um amigo meu, lampião, anti-tripeiro doente "muita sorte para vocês, espero que ganhem". A mensagem tinha sido enviada há 2 horas. "Espera lá, esqueci-me do jogo!! Como estará o resultado?".

O meu pai nessa altura não era um expert nos sms... Envio um para o meu amigo "Obrigado, estou em Londres, depois diz-me resultado". Outro para a minha irmã "diz-me o resultado do jogo". E vou a caminho do aeroporto, mas aí já só pensava no jogo. Não só calhou mal o dia como calhou mal a hora. [esta desculpa é esfarrapada, nunca conseguiria convencer a minha mulher a encontrar um local para ver bola em Londres...]

Recebo um SMS. Minha irmã: "ganharam 2-0 com golos do kiwi". Sim, claro que pensei que era ele, o Rodrigo Tiuí (vénia). Mas sou sportinguista de fim do século XX: passa-nos tudo pela cabeça. Tudo. "É mesmo ele? Ou será um daqueles argentinos de 5ª categoria que o FCP lá tem? Será que depois de levarmos golos do Bandeirinha, do Vinha, do Chainho, agora um tipo de que nunca ouvi falar decidiu uma final da Taça? " Tento confirmar com o meu amigo lampião que tinha mandado a mensagem. Não estava a ver o prolongamento mas ia confirmar. Sms para a minha irmã "Não será Tiuí?". Demasiado tempo sem resposta...

Já a entrar no avião ligo ao meu pai. Impossível. Tento a minha irmã, não atende. Último recurso, a minha mãe: "viste o jogo? sabes o resultado?". Não viu, claro que não viu, odeia futebol. "Mas tenta lá ver e diz-me".

Já no avião, a confirmação: ganhámos ao FCP, no Jamor, no prolongamento, com dois golos do Rodrigo Tiuí (vénia). Épico. "À Sporting" anos 50. Para a história.

Chego a casa, youtube (não havia gravações automáticas, como sabem). Começo à procura e lá encontro dois vídeos: um deles, de um adepto que estava na bancada, ambiente de festa após o primeiro golo, filmou o segundo. "Mas aquilo foi uma bicla? Calma lá..."; o segundo, da SIC, com comentários inacreditáveis do Augusto Inácio (perdoo-lhe tudo pelo milagre de 99/2000 - mas nunca esqueci). Mas lá vejo finalmente os dois golos e em condições decentes:
- o primeiro, lindo pelo que tem de inconsciência, sorte, mérito, suspense (a bola a cair lentamente para a baliza...); [a estragar, só mesmo o que parecia ser azia do Inácio, quero acreditar, hoje, que não era isso]
- o segundo, magnífico, o passe mal executado para o Djaló [devia logo ter ido para Rodrigo Tiuí (vénia)], o cruzamento possível de Djaló, o corte mal executado por um defesa do Porto, Nuno aos papés, Rodrigo Tiuí (vénia)... mais uma vez a inconsciência, mas desta vez nada de sorte, só coragem, mérito e tiraço, bicla imperfeita, mas única, mágica, suspensa no ar mas sem qualquer suspense: golão da única forma possível.

Nem Maradona, nem Pelé, nem Ronaldo, nem Messi fariam aquilo, nem pensar. Porque não estariam escondidos atrás dos centrais, tentariam desmarcar-se para receber sozinhos no meio da área o passe de Djaló e marcar aquele golo que os "experts" adoram. Mas isso não teria tido metade de graça. Como não teria tido metade da graça ganhar essa final com golos de Liedson, Derlei ou Djaló. Essa é a Taça "de" Tiuí (vénia). Merece-a. E merece ficar na história.

Eu pela minha parte só lhe digo: obrigado Rodrigo Tiuí (vénia). Para mim, estás na galeria dos grandes.

04/02/2015

Não quero ser acusado de graxista!

A propósito disto, e porque nunca se sabe o que o futuro nos reserva, queria desde já afirmar que:

a) nas consolas, era o que calhava; mas

b) sempre fui mais de BMP/Manager/CM/FM.

Eis os clubes que escolhia:

BMP (Inglaterra, qualquer liga, começava sempre na III mas eu fazia batota...): 

Sheffield Wednesday/Derby County/Wolverhampton/Tottenham

Manager (aquele de 92 ou 93, do campeonato italiano):

Pisa/Napoli/Verona

CM (99/2000, principalmente):

Portugal: Sporting (claro!), Vitória de Guimarães, Farense (o meu 2º clube)

Inglaterra: Middlesbrough (onde descobri o mago Sigporsson), Newcastle, Tottenham

Alemanha: Werder Bremen

Brasil: Vence o Fluminense, com o verde da esperança...

Itália: Napoli, outros só quando jogava a 2 ou a 3 (os cães escolhiam sempre equipões, eu tinha que ir para Juve ou Milan...)

Cheguei a jogar na Grécia, com o PAOK...

FM:

Não queria ganhar fácil...

Portugal: Sporting (claro!), Estoril

Inglaterra: Norwich, Derby County (talvez a minha melhor performance de sempre num primeiro ano, obrigado Olivier Kapo), Middlesbrough, Blackpool

Alemanha: Monchengladbach

França: Saint Etienne

Itália: Palermo, Sassuolo (sim, fui o primeiro a acreditar!), Fiorentina

***

Se um dia for contratado para diretor desportivo de um clube que não os acima listados, já sabem que estou a mentir quando disser "escolhia sempre este clube no FM".

03/02/2015

Arouca, Janeiro e Derby


I. Arouca

Vitória difícil e sofrida, como já se esperava. O timing do empate foi excelente, nem deu para atrair energias negativas. O segundo golo tardou mas lá acabou por surgir. O terceiro não matou o jogo porque o Sporting se deixou levar para um jogo de faltas e faltinhas que foram dando ao Arouca livres atrás de livres. Mas os 3 pontos foram assegurados.

Não achei o jogo assim tão mau. O Sporting entrou forte e fez uma primeira parte em que falhou inúmeras vezes o último passe. Há uma jogada na 1ª parte que é replicada no segundo golo. Simplesmente no lance da 1ª parte não saiu bem o passe a João Mário e Adrien chegou atrasado. Houve vários lances deste género e ainda um remate de Carrillo logo a abrir, um remate de Montero e um cabeceamento de Adrien. Na segunda parte, Adrien e Martins falharam golos cantados e (isso sim preocupante) desperdiçaram-se vários lances de superioridade numérica por más opções no passe ou execuções deficientes. De resto, não tendo sido uma boa exibição, já vi o Sporting jogar bem pior este ano. No Domingo, jogou qb.

Também não percebo, sinceramente, tanta polémica à volta da arbitragem. O penalty assinalado contra o Sporting é daqueles que permite aos comentadores rivais o habitual discurso do "para mim não é, mas tendo em conta os critérios em Portugal, aceito", discurso que adoram fazer. A minha opinião: é um lance bem difícil de julgar. Obviamente que não há intenção de jogar a bola; mas como já aqui discuti em tempos, as instruções para os árbitros vão no sentido de punir não apenas a intenção mas também o comportamento negligente, traduzido, nessas mesmas instruções, como o aumento da volumetria do corpo com a utilização dos braços. Naquele caso, o Tobias não está naquela posição que o defesa prudente (e experiente...) assume (cruzar dos braços atrás das costas), mas de forma alguma está com os braços abertos a aumentar a volumetria. Mas na fração de segundo, pode parecer ao árbitro que o braço está afastado do corpo. Para mim, não é penalty; mas aceito a decisão. Olha, não é que estou a dar a opinião dos comentadores rivais? Com uma diferença: eu faço-o porque acredito nisto, eles fazem porque não lhes dá jeito, nestes momentos, reconhecer que no entender neles não é penalty.

Já o lance do Jonathan, desculpem, mas não é penalty em lado nenhum - o Jonathan corta claramente a bola, depois disso toca no jogador mas só por milagre não o faria, considerando que o adversário não se evapora depois de a bola ser cortada. Repito, em lado nenhum. Ou melhor, em semana nenhuma. Porque o que está em causa nesta discussão, não duvidem, é o timing. Não é penalty, a não ser na jornada que antecede o derby, para criar a ideia de que o Sporting foi beneficiado na última jornada e criar um ambiente de pressão na arbitragem do derby (esquecendo o que aconteceu nas outras 18 jornadas).

II. Janeiro

Resumidamente foi assim:

- Maurício cedido à Lazio, empréstimo com compra no final da época por 2,6M€;
- Ewerton contratado por empréstimo com opção de compra por 1,5M€;
- Esgaio e Cissé emprestados à Académica;
- Iuri e Fokobo emprestados ao Arouca;
- Chaby emprestado ao União da Madeira;
- Wilson Eduardo emprestado ao Den Haag;
- Slavchev emprestado ao Bolton.

Houve outros negócios, envolvendo outros jogadores (Enoh, Gazela, etc) mas estes terão sido os mais relevantes.

Duas notas de destaque:
- o facto de não se terem encontrado soluções "para adepto ver" confere um balanço positivo a esta atuação, sem prejuízo das interrogações quanto à opção Ewerton (ou seja, o "nível zero" estava assumido por todos ou foi uma surpresa?);
- foram colocados jogadores que claramente pareciam estar a pedir outro tipo de oportunidades (Esgaio, Iuri, Chaby), assim como outros que dificilmente serão opção no futuro (Cissé, Fokobo). O PLF alertou-me há uns anos para a preocupação de encontrar para os jogadores emprestados (refiro-me em particular ao primeiro grupo) não o clube certo mas o treinador certo. Olhando para o atual momento da I Liga, pergunto-me: quem seriam os treinadores certos (excluamos aqueles que podem ser, se o derby correr menos bem, os nossos adversários diretos, Braga e Guimarães)? Vejo Paulo Fonseca no Paços e, com boa vontade, Pedro Martins, Lito, Couceiro e Miguel Leal. Com exceção do primeiro, não vejo que os restantes ofereçam muito mais do que o Paulo Sérgio ou o Pedro Emanuel. Mesmo que a traumatizante passagem do Paulo Sérgio pelo Sporting nos leve a considerá-lo abaixo do que ele realmente vale (não é treinador para o Sporting, claro que não - mas não é tão mau quanto o pintam, na minha modesta opinião).

III. Derby

Todos os derbies são para ganhar, mesmo que estejamos no lodo (não estamos! mas estávamos com Vercauteren e até estivemos a ganhar ao intervalo...) e o Benfica no top (não está! mas está uns furos acima em termos de qualidade) e mesmo que já não ganhemos vai para 3 anos (última vitória em abril de 2012, demasiado tempo).

Recordo-me de ganhar derbies com exibições épicas do Djaló, como me recordo de perder derbies em que os melhores em campo foram o Michael Thomas e o Mark Pembridge. Recordo-me de massacrar e "só" ganhar 3-0, como me recordo de massacrar e perder 0-1 no último minuto. Recordo-me de uma equipa de luxo sair vergada da Luz com 0-3 como me recordo de ganhar na Luz na última jornada e roubar um título ao Benfica (curiosidade muitas vezes esquecida: (i) não fosse essa vitória do Sporting, o campeão teria sido o Benfica; (ii) no ano seguinte, o FCP não disputaria a Taça dos Campeões e, logicamente, não teria sido campeão europeu; (iii) eu não teria ouvido uma música que ainda hoje me ecoa nos ouvidos "o Porto é o maioooor" que me começou a formar como anti-portista primário).

Tudo pode acontecer. Há jogadores que neste tipo de jogo se agigantam, outros que sentem a pressão e se escondem. E isto vai acontecer de um lado e do outro. Nos últimos anos, tem dominado o Benfica, claramente, porque o seu coletivo é de tal forma forte que disfarça as tais individualidades que tremem nestes jogos (recorde-se, por exemplo, que aquilo que Artur fez com Carrillo na primeira volta já tinha feito com Jackson Martinez há dois anos).

O que mais temo: as nossas dificuldades para lidar com o contra-ataque do Benfica (não somos propriamente fortes neste aspeto, como se viu com o Rio Ave).

Onde deposito mais esperanças: na capacidade de os nossos extremos, mais Montero, mais João Mário, encontrarem espaços para explorar o setor mais débil do Benfica, o espaço entre Jardel e o lateral esquerdo.