05/01/2015

O que reter, desta vez?


1. Os adeptos do Sporting (ou do Benfica, ou do Porto) não são parvos. Percebem as coisas. Mas adoram o seu clube. E, como tal, muitas vezes fazem mais pela estabilidade do clube do que os comentadores, paineleiros e mesmo dirigentes. Na minha opinião, a maioria dos adeptos do Sporting acredita que José Eduardo falou autorizado/mandatado/avalizado pela direção (nenhum adepto com quem falei no estádio acredita noutra coisa). Mas prefere olhar para o lado, atacar o alvo visível (daí a foto) e manter o caminho que tinha sido traçado pelo presidente na tarde do jogo. Quem sai queimado desta história, por agora, é José Eduardo. Os restantes intervenientes sobreviverão, ou não, em função do tempo e dos resultados. E por aqui me fico quanto à "crise" - tinha prometido a mim mesmo deixar estes temas para outros fóruns que não este blog e é o que tentarei fazer (nomeadamente se a partir de agora os temas forem geridos com inteligência).

2. Carrillo está cada vez mais jogador. Cresceu brutalmente este ano. Com Marco Silva, sim, e (creio) com Nani. Tem que ser mais objetivo na finalização - tem dois lances em que é isolado e complica o lance. Mas está um jogador de equipa. Com Carrillo de um lado,  Nani do outro e Montero no centro, mais João Mário nas costas, não vejo porque devamos temer o ciclo sem Slimani (que até fez um bom jogo no Sábado, talvez o melhor que lhe vi fazer em Alvalade, ainda que tenha dominado as primeiras bolas que lhe chegaram com a mesma habilidade de um poste de eletricidade).

3. Estando longe de ser um expert em futebol, não concordo quando se fala de "estabilidade defensiva". O Estoril teve várias situações de igualdade numérica na segunda parte, em saídas rápidas. E estávamos a ganhar 2-0. Não deram nada porque os executantes adversários não estavam inspirados. Medir só pelas oportunidades de golo pode criar a ideia, falaciosa, de que estivemos muito bem defensivamente. A meu ver, não estivemos. Dou um exemplo "dos livros": recordo-me de duas ou três situações em que estavam dois jogadores do Estoril contra os nossos dois centrais, ou seja, os dois laterais subidos e William ultrapassado. A rever.

4. William faz um passe genial (que Carrillo desperdiça) mas contei-lhe, pelo menos 4 passes falhados que podiam ter originado jogadas de perigo. Ainda bem que temos um trinco que quer, pode e sabe sair a jogar. Mas com mais segurança. sff...

5. Fico muito contente por ver Adrien marcar um golão. Mas fico mais contente por vê-lo a inventar menos e a perder menos bolas parvas. Ainda assim, um lance à Maradona mesmo à minha frente...

6. Marco bem na substituição de Mané, estava a sair-lhe tudo mal e o estádio começava a ficar impaciente. É preciso saber gerir o plantel, a equipa e o jogo. Mas é essencial saber gerir Alvalade, essa casa de esquizfrénicos que quer apostar na formação para em dia de jogo assobiar putos e pedir jogadores experientes. Somos assim, Marco começa a perceber a cultura da casa.

7. Isto não é política, é futebol: BC tem que sair do banco. Aplaudi a sua ida para o banco no ano passado. Agora, deixou de fazer sentido. Havia adeptos descontentes com BC no final do jogo, expressando o seu descontentamento enquanto BC aplaudia os adeptos... no  meio dos jogadores. Pode chegar o dia (espero que não chegue, claro) em que os adeptos querem manifestar-se sobre o presidente e, para o fazer, terão que "implicar" os jogadores nessa manifestação. Agora que se percebeu o papel de cada um, recomendo a tribuna. Vivamente.

10 comentários:

  1. Koba, apenas uma achega sobre o ultimo ponto: Concordo que sim, mas a questao maior e' a altura certa para o fazer, com toda a poeira ainda a pousar, passar agora para a tribuna poderia ser uma mudanca demasiado vistosa e que levasse a novas teorias de conspiracao e negociatas. Para mim o ideal teria sido no inicio da epoca; como nao aconteceu dificilmente havera altura melhor que nao apenas no inicio da proxima.
    Abraco

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    1. M. é um bom ponto. Teria que ser dado mais algum tempo e esperar a poeira pousar. Mas logo que seja oportuno, parece-me essencial.
      Abraço

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  2. O Leonardo Jardim já veio desmintir quem insuava que o BdC interferia ou dava palpites mais desmentiu que houvesse má relação entre os dois.

    Dou crédito mais que suficiente ao Marco Silva para pensar que também não admitiria qualquer interferência. Ainda ontem Rui Brás da Silva uma dos seus mais fervorosos adeptos (relações públicas?) veio garantir que tal seria impensável.

    Assim pergunto porquê? Por meia dúzia de adeptos na central que mandam umas bocas? Quando for para ser contestado certamente o será, esteja no banco ou na tribuna.

    E sim sair agora apenas servia apenas para mais episódios.

    P.S. Mais um grande jogo do Paulo Oliveira!

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    1. Nada tem a ver com intromissões, nunca vi BC intrometer-se durante os jogos (nem com LJ nem com MS). Agora, no final dos jogos, no meio dos jogadores, parece-me que expõe os jogadores (que nada têm a ver com estes filmes) a cenas desnecessárias. Houve vários adeptos que aplaudiam os jogadores e diziam que, naquele momento, não queriam aplaudir o presidente, depois dos acontecimentos das últimas semanas. Viraram costas e saíram...

      Admito que no futuro imediato houvesse mais a perder do que a ganhar. Mas, no lugar dele, começaria a preparar o terreno para a tribuna.

      O Paulo Oliveira tem estado bem mas vejo-o demasiadas vezes no desarme 1x1 (onde felizmente é forte). O problema não é só dele, mas estamos a expor-nos demasiado a lances desses, a meu ver. Gostava de ver uma defesa mais serena, a jogar em antecipação. Porque em 1x1 um dia alguém vai passar...

      Entretanto esqueci-me de referir no post que o Maurício, ainda na 1ª parte, tentou mandar um tipo do Estoril para o hospital. Felizmente acertou-lhe mal. Se lhe acertasse bem, além de mandar um tipo para o estaleiro, levava vermelho... Espero que o Tobias Figueiredo continue a convencer na Taça da Liga.

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  3. Koba,

    1. (vou passar este)
    2. Claramente. Carrillo está muito bem. E ajudou bastante Cédric, principalmente perante aquele que é, para mim, o melhor jogador do Estoril, Kuca (e depois quando este saiu, perante Seba, outro de quem gosto).
    Nani, William, J. Mário, Montero, Carrillo, Mané (e André Martins): a bola é nossa e o futebol também. Os últimos 20 minutos foram bons também por isso.
    3. Alguém que tenha visto o mesmo que eu. Muito jogo entre o nosso 6 e os centrais. Se o Tozé fosse um Olíver ou Gaitan e poderia ter sido algo muito, muito amargo.
    4. Vou ficar pelas recuperações de bola.
    5. A cerca de 25m do fim começou a agarrar a perna. Correr estava difícil e começou o inventanço. Nem devia ter batido o penalty, visto que estava lesionado. Mas a 3ª substituição estava guardada para o 2º amarelo a Nani.
    6. Nada a acrescentar.
    7. Também comentei isso com um amigo. "Dar espaço". Somente isso. Não tinha como ser mal interpretado.

    um abraço

    ps: o pau que o Maurício dá (acho que ainda estava 0-0 ou foi logo a seguir ao 1-0) é de alguém que não interessa. Depois ficamos supreendidos com a expulsão como a que acontece contra o Schalke. Aquilo não fez sentido..

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    1. Deu jeito a substituição do Kuca mas o Couceiro não podia adivinhar que íamos gerir o jogo daquela forma após o 2-0 (e em boa verdade na segunda parte o Kuca não se viu). Acho que é um bom jogador, assim como o Sebá. Não gostei do Anderson (que esteve para vir para nós, supostamente) e achei que os centrais do Estoril, qualquer deles, tinham muitas dificuldades quando pressionados (dizia-se que o Yohan Tavares seria boa opção para nós, fiquei com dúvidas). O Kléber sim, é bom jogador, mas nem vale a pensa pensar nisso!

      "Nani, William, J. Mário, Montero, Carrillo, Mané (e André Martins): a bola é nossa e o futebol também. Os últimos 20 minutos foram bons também por isso." É isto. Mas convém assegurar que lá atrás há coberturas e laterais disciplinados. No Sábado foi uma borga...

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    2. Couceiro foi amigo, pois andou a tirar os melhores (Tozé tb saiu).
      Não desgostei do Anderson (errou no 1º golo, é certo) que só começou a fraquejar quando entrou J. Mário, que lhe retirou muita liberdade.
      O Kléber surpreendeu-me. Que físico, que elevação. Ganhou todos os lances ao Maurício. É impressionante como o Porto tem Kléber e Ghilas e não precisa deles. Já nós... Se já davam jeito com Slimani e Montero, agora sem Slimani...
      Concordo com a questão da borga (não com a borga mas com o que dizes). No entanto, vi que a equipa soltou-se, estava satisfeita. Estavam(os) a precisar disso. Podia ter corrido mal.

      abraço

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  4. https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203533379838748&set=a.1165312256611.2023829.1342038626&type=1&theater

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    1. António, acredite que percebo melhor do que ninguém o wishful thinking. Perante alguns sinais relativamente evidentes de que certas opções estavam a ser tomadas, eu próprio quis interpretar da melhor forma e ignorar o que saía na imprensa.

      Mas cheguei a um ponto em que não chega que vão ver jogos da B juntos, é preciso que passe algum tempo e que esta equipa mostre estabilidade. De duas uma: ou os resultados correm bem e isso facilita a vida a todos; ou correm mal e essa estrutura tem que se aguentar. Obviamente desejo que corram bem e tenham todos a vida facilitada.

      Foi demasiado sério o que se passou. Não foi só especulação da imprensa: houve uma pessoa, avalizada pelo presidente do Sporting como sendo uma das duas que valia a pena ouvir, que fez um ataque (não há outra palavra) duríssimo ao caráter e à dignidade profissional do treinador do Sporting. Durante quase duas semanas, o Sporting ficou em silêncio com o pretexto de um blackout. Mesmo quando o presidente falou, não se demarcou claramente das acusações nem defendeu o treinador do Sporting, apenas disse que JE não falou mandatado pela direção.

      O MS aceitou e ainda bem. Mas, pela minha parte, entendo que há valores que não podemos deixar de hierarquizar. A defesa do caráter de um profissional da minha equipa prevaleceria sempre sobre qualquer opção estratégica de comunicação. Sempre.

      Isto deixa feridas profundas que só o tempo dirá se podem, ou não, cicatrizar.

      Mas, enfim, com isto não quero abalar o seu otimismo. Apenas explicar porque não o partilho.

      Um abraço

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