30/01/2015

Comunicar por tudo e por nada não é necessariamente bom

O meu pai tem uma superstição durante os jogos: raramente elogia um jogador antes de o jogo acabar. Diz ele que, tradicionalmente, quando comenta para o lado "eh pá, hoje o A está a fazer um grande jogo", no minuto seguinte o A faz um disparate.

Pois bem, parece que isso começa a acontecer com dirigentes. Depois de ontem ter defendido as opções da administração da SAD para a Taça da Liga, hoje deparo-me com dois comunicados, um a responder ao Abel, outro ao Ricardo Costa.

Sinceramente, não consigo compreender.

Será que no Sporting atual basta provocar o presidente, com bocas em que se insinue um estilo "quero, posso e mando" ou se coloque em causa os jogadores contratados, para termos direito a comunicado?

Se assim é, não tarda BC vai-me responder a mim - já critiquei o seu estilo por diversas vezes e já manifestei o meu desagrado quanto à política de contratações do início da época. E na verdade, se me permitem, sou mais importante para o Sporting do que o Ricardo Costa: duvido que o Ricardo Costa seja sócio desde 1990, tenha Lugar de Leão, tenha gamebox e seja acionista da SAD.

E terei os minutos de fama prometidos pelo Andy Warhol.

29/01/2015

Notas rápidas sobre a Taça Lucílio

Só algumas notas rápidas sobre a Taça Lucílio porque me parece que há alguma confusão sobre o tema da utilização de jogadores da equipa B:

1. Não quero tornar o texto muito aborrecido nem estar aqui, como diz o povo, a armar-me aos cucos. Mas acho que faz falta um "back to basics" relativamente à política desportiva dos clubes. Vejamos:

a) a estratégia desportiva é definida pelos órgãos diretivos, no caso do Sporting pela administração da SAD;

b) a administração da SAD, por melhores ou piores motivos, com ou sem fundamentos válidos (para agora pouco importa), decidiu que a participação do Sporting na Taça Lucílio deste ano seria feita com recurso a jogadores da equipa B e, eventualmente, alguns juniores, sem prejuízo do cumprimento dos regulamentos da competição;

c) o treinador, obviamente, tem que respeitar esta opção, que aliás, no caso, até tem contornos políticos com os quais o treinador nada tem a ver;

d) tema totalmente diferente é a definição dos convocados, do 11, do sistema de jogo, do timing de utilização dos reforços, tudo isso são competências puramente técnicas, nas quais a administração não se deve meter.

2. A competição foi encarada de acordo com as diretrizes da administração sem que, até agora, tenha saído um só rumor sobre a discordância da equipa técnica ou dos jogadores do plantel principal (isto num clube que passou o que passou em Dezembro, com tudo escarrapachado nos jornais).

3. A conclusão lógica que daqui se retira é que a SAD (vamos pessoalizar: Bruno de Carvalho), com toda a legitimidade, informou o treinador do Sporting sobre a estratégia desportiva definida para esta competição. E o treinador do Sporting, aparentemente, aceitou a decisão (se tivesse qualquer problema com isso, seguramente já teríamos tido relatos disso mesmo).

4. Não temos que concordar com a estratégia. Há uns anos, revoltei-me quando Filipe Soares Franco, nas vésperas de um jogo decisivo com o Glasgow Rangers, para os 1/4 final da Taça UEFA/Liga Europa (em que estaríamos a 2 jogos de uma final europeia, se ganhássemos), afirmou que "importante era obter o 2º lugar no campeonato". Obviamente isto faz-me muita confusão. Mas a opção é legítima. Errada, mas legítima. Podemos, pois, discutir as opções estratégicas.

5. Isso é, aliás, o que devíamos discutir, e mais vezes. Neste caso, como sabem, até estou de acordo. Mas aceito argumentos em sentido contrário. Os que façam sentido, claro. O que me custa a compreender, e eu sou insuspeito porque tomei uma posição clara quando o Marco Silva esteve com um pé fora de Alvalade, são as teses em que fica implícito que o Marco queria por a carne toda no assador e BC não deixou. Parece-me absurdo porque o comunicado do Sporting a este respeito, feito alto e bom som no ano passado, foi público e até causou bastante polémica. Mas se assim foi, por uma vez, BC tinha toda a razão (repito se assim foi - não acredito que tenha sido).

6. Ainda assim, e pegando no exemplo de Soares Franco acima citado, há uma gigantesca diferença entre menosprezar a eventual conquista de um troféu europeu (cujo prestígio me dispenso de fundamentar), algo que não acontece desde 1964, e menosprezar uma competição completamente descredibilizada pelos sucessivos eventos relacionados com a mesma. Discutir o primeiro tema parece-me muito pertinente; discutir o segundo não é bem a mesma coisa. Esta competição não interessa assim tanto. Ou melhor, interessa para o que interessa: perceber que o Tobias já podia ter oportunidades na equipa A (como teve); que o Tanaka podia jogar mais na equipa A (como sucedeu); que o Gauld poderia beneficiar de uns minutos na equipa A (como beneficiou). E poderia seguir por aqui fora.

Obviamente que ontem, ao ligar a TV, ao minuto 78 ou 79, e ver o marcador em 1-1, não deixei de querer que marcássemos. Ainda que isso implicasse uma meia-final na Luz em que corríamos o risco de o Benfica fazer alinhar o 11 principal. Mas, racionalmente, o que penso, e aquilo em que verdadeiramente acredito, é que, pela primeira vez, o Sporting cumpriu os objetivos desta competição. Provavelmente vai sair da competição mas o mais importante, a meu ver, está assegurado.

PS: Para os que acham que implico com a Taça Lucílio só porque sim, ou porque o Sporting não a ganhou, ou porque perdeu duas finais, ou porque o Benfica tem não sei quantos troféus, digo apenas isto: não me lembro de uma competição, nenhuma mesmo, que em menos de 10 anos tenha dado tanta barraca e tão diversificada. Só para citar alguns casos: o tema do patrocinador; o formato absurdo da 1ª edição; a discussão sobre a distinção entre diferença de golos e goal average; a escandaleira na final da 2ª edição; o tristemente célebre caso das 72 horas; o dolo sem intenção de prejudicar terceiros. Isto, para mim, mata qualquer competição, mesmo que fosse relevante ou, por exemplo, desse acesso a um lugar europeu. Esta tem uma agravante: não interessa a ponta de um chavelho.

26/01/2015

As vitórias sem foto

Os que acompanham o blog há algum tempo sabem que tenho mau perder (e mau empatar). Quando o Sporting não ganha, os posts não têm fotos. Quando o Sporting ganha, lá se arranja uma foto para dar cor ao post.

Mas há vitórias que não merecem foto. A de ontem é uma delas (já o fiz outras vezes no passado). Pelas razões mujto bem expostas pelo texto, que subscrevo na íntegra, do Cantinho do Morais. Leiam porque está lá tudo o que vi e tudo o que pensei durante o jogo (com exceção das superstições do Cantinho, essas são mesmo só dele!).

Junto às notas do texto linkado apenas alguns comentários que reforçam o que aí está dito ou acrescentam, à imagem das superstições, algumas apreciações muito pessoais.

A primeira nota diz respeito aos jogos à tarde. Eu sei que é o melhor horário para as famílias e para quem vem de fora de Lisboa. Mas para os adeptos, como eu, que estão nos setores da Bancada Nascente, na primeira parte não se vê o jogo. Obviamente nem vou discutir que prefiro ter o estádio cheio ainda que tenha 45 minutos com o sol de frente, seria demasiado egoísta. Mas considerando que na segunda parte não houve qualquer problema, se os jogos iniciassem às 17h creio que todos ficariam felizes...

A segunda nota diz respeito ao sistema de jogo. Sou dos que acha bem que o Sporting use, mesmo contra adversários como o de ontem, o sistema habitual. Acho que o Adrien não tem estado bem e poderia jogar ali o André Martins, mas isso são outras histórias. Em regra, creio que se deve usar o sistema em que mais se trabalhou e em que os jogadores estão mais rotinados. Aliás, se os lances de Montero ou Carrillo, ainda nos primeiros 10 minutos do jogo, tivessem sido convertidos em golo, provavelmente nem estaríamos a falar disto. Mas chegados ao intervalo com 0-0, sem oportunidades de golo dignas desse nome durante 35 minutos, contra um adversário que acabou por conseguir bloquear o nosso jogo interior e forçar os cruzamentos para a área (onde invariavelmente apenas estava Montero) e fez uma só jogada de ataque digna desse nome, creio que a segunda parte deve começar com 2 avançados. Marco Silva lá acabou por corrigir, mas fê-lo demasiado tarde. Correu bem, marcámos um golo e ganhámos. Mas podíamos ter marcado uma posição clara no jogo logo ao minuto 46 e não o fizemos.

A terceira nota: o nosso saldo contra aquela que, a meu ver, é indiscutivelmente a pior equipa do campeonato, é de 2-1 em golos. Acabarmos o jogo a sofrer contra esta equipa, que joga menos do que o Vizela ou o Famalicão, não pode mesmo acontecer. A Académica, posso apostar, vai sair goleada da Luz e do Dragão. Porque não tem argumentos para fazer mais do que fez ontem. Aliás, quando ontem me diziam que "o Paulo Sérgio é mesmo um treinador fraco, esta equipa não joga nada", eu apenas respondia que discordava: considerando os jogadores que tem à disposição, acho que o Paulo Sérgio faz milagres. Sofrer apenas um golo em Alvalade e empatar com o Sporting em Coimbra é mais do que bom. Um ponto, apenas, em que o Paulo Sérgio me surpreendeu: deixou no banco aquele que, a meu ver, é o único jogador da Académica com categoria indiscutível para a I Liga, Rui Pedro.

Quarta nota: no ano passado, como bem se recordam, fartei-me de criticar as opções ofensivas do Cedric. Chegava ali à quina da área e bola para o barulho. Sempre desconfiei que ele nem olhava para a área e ontem tive a prova. Num lance, aos 90 minutos, com vantagem mínima e necessidade de preservar a bola, o Cedric faz um cruzamento num momento em que não havia um só jogador do Sporting na área. Nem um. Obviamente, nem olhou. É uma pena que Cedric não consiga, ofensivamente, ganhar lucidez e perceber que os cruzamentos devem ser tirados em circunstâncias muito especiais. Basta olhar para o colega do outro lado do campo e perceber o que estou a dizer.

Notas finais, muito breves:
- Mané começa a ficar afetado com as assobiadelas, já há quem comente em Alvalade que é o novo Djaló. É bom que se comece a pensar na ansiedade que o jogador revela em cada lance e na preservação da sua confiança. Nem todos são Patrícios para aguentar assobiadelas como se nada fosse.
- Um ou dois passes mal conseguidos não apagam a boa exibição de William, para mim o melhor em campo ontem.
- Inacreditável o desrespeito pela equipa do Arouca. Estamos a tratar o jogo como se do Vizela se tratasse. O Arouca só tem 10 golos, é verdade, mas é muito mais equipa do que esta Académica. A Académica não tem Goicoechea, Balliu, David Simão, André Claro, Artur ou Rui Sampaio. Como diz o Cantinho no post citado, porque não poupámos para este jogo? Ou, simplesmente, porque não dividimos o mal entre as aldeias, poupando Nani neste e Jefferson no próximo, por exemplo? E olhando para a big picture, será que os 3 pontos de Arouca são mais importantes do que os 3 pontos do derby?
- O Porto perdeu e o segundo lugar é uma possibilidade. Espero que o Benfica perca também para que se mantenha alguma tensão entre os dois. Se o Benfica ganha, dispara para o título e o FCP passará a concentrar-se no segundo lugar, em que vai tendo vantagem e um jogo em casa (como nós tivemos no ano passado) para arrumar o tema. O Benfica, com o Porto a 6 pontos e o Sporting a 7, não pode gerir as suas contas tão facilmente. Com o Porto a 9 e o Sporting a 10, até pode perder os dois clássicos e é campeão na mesma. É por isso importante que o FCP, que tem melhor equipa e mais experiência, encare o nosso clássico como um jogo em que é proibido perder pontos. Isso pode dar-nos mais possibilidades.

19/01/2015

Assim, sim!

Fazendo uma retrospectiva ao período que se seguiu ao jogo do Porto, não tenho dúvidas que emergiu um Benfica confiante e a ganhar balanço para o pico de forma que as equipas de Jesus atingem nos meses de Janeiro a Março. Mesmo contra o Braga, fez um grande, grande jogo que só foi atraiçoado por este estranho desporto que é o futebol em que nem sempre o melhor, neste caso até o esmagador melhor, ganha. Teve apenas um jogo mal conseguido e, para agravar, com um golo em fora de jogo, em que a descompressão normal após o ciclo de Porto e Braga e motivada também pelas vésperas de Natal. É claro que podia sempre divagar sobre a diferença de qualidade entre os dois plantéis e de que, em caso de necessidade, o Benfica aceleraria e aumentaria a pressão, mas objectivamente foi um erro com influência no resultado. Nos jogos mais recentes, bom futebol, vitórias convincentes (especialmente Guimarães) e muitos e bons golos. 



Se imaginarmos um Benfica, depois da saída do super Enzo a somar às muitas saídas do início da época, a fazer uma má campanha no campeonato, podíamos adivinhar as frases que estariam na boca de todos depois de encerrar esta primeira volta no difícil campo do Marítimo:
- este Júlio César veio para cá para a reforma;
- o Jardel é bom é para o Olhanense;
- o Eliseu nunca foi jogador para o Benfica;
- o Samaris é o flop da época;
- o Talisca ainda não se adaptou ao futebol europeu;
- o Lima é um pé frio;
- o Jonas se fosse bom não teria sido dispensado.
(deixo o Luisão, Maxi, Salvio e Gaitán à margem pois têm qualidade e crédito de sobra)

Pois bem, amanhã será precisamente o contrário. Uma exibição fabulosa na Madeira que se adiciona a outras mais recentes. O mérito vai maioritariamente para Jesus porque desta vez não tem a mesma quantidade de talento a que se habituou nos últimos anos mas consegue uma primeira volta fantástica com apenas um empate e uma derrota, estando há já vários sem sofrer qualquer golo. Esta noite Salvio este em grande, acompanhado por Ola John, Jonas e Samaris. Espero que Gaitán não fique fora muito tempo...

Esta forma e confiança não pode baixar nos próximos jogos! 

12/01/2015

As cores do dia: vermelho e branco


E só algumas notas muito rápidas: grande jogo em Braga, grande Sporting na segunda parte, grande golo de Tanaka (a lembrar André Cruz), grande fezada minha (ao contrário do que é hábito, estava com um enorme "feeling" que ganhávamos o jogo nos descontos).

05/01/2015

O que reter, desta vez?


1. Os adeptos do Sporting (ou do Benfica, ou do Porto) não são parvos. Percebem as coisas. Mas adoram o seu clube. E, como tal, muitas vezes fazem mais pela estabilidade do clube do que os comentadores, paineleiros e mesmo dirigentes. Na minha opinião, a maioria dos adeptos do Sporting acredita que José Eduardo falou autorizado/mandatado/avalizado pela direção (nenhum adepto com quem falei no estádio acredita noutra coisa). Mas prefere olhar para o lado, atacar o alvo visível (daí a foto) e manter o caminho que tinha sido traçado pelo presidente na tarde do jogo. Quem sai queimado desta história, por agora, é José Eduardo. Os restantes intervenientes sobreviverão, ou não, em função do tempo e dos resultados. E por aqui me fico quanto à "crise" - tinha prometido a mim mesmo deixar estes temas para outros fóruns que não este blog e é o que tentarei fazer (nomeadamente se a partir de agora os temas forem geridos com inteligência).

2. Carrillo está cada vez mais jogador. Cresceu brutalmente este ano. Com Marco Silva, sim, e (creio) com Nani. Tem que ser mais objetivo na finalização - tem dois lances em que é isolado e complica o lance. Mas está um jogador de equipa. Com Carrillo de um lado,  Nani do outro e Montero no centro, mais João Mário nas costas, não vejo porque devamos temer o ciclo sem Slimani (que até fez um bom jogo no Sábado, talvez o melhor que lhe vi fazer em Alvalade, ainda que tenha dominado as primeiras bolas que lhe chegaram com a mesma habilidade de um poste de eletricidade).

3. Estando longe de ser um expert em futebol, não concordo quando se fala de "estabilidade defensiva". O Estoril teve várias situações de igualdade numérica na segunda parte, em saídas rápidas. E estávamos a ganhar 2-0. Não deram nada porque os executantes adversários não estavam inspirados. Medir só pelas oportunidades de golo pode criar a ideia, falaciosa, de que estivemos muito bem defensivamente. A meu ver, não estivemos. Dou um exemplo "dos livros": recordo-me de duas ou três situações em que estavam dois jogadores do Estoril contra os nossos dois centrais, ou seja, os dois laterais subidos e William ultrapassado. A rever.

4. William faz um passe genial (que Carrillo desperdiça) mas contei-lhe, pelo menos 4 passes falhados que podiam ter originado jogadas de perigo. Ainda bem que temos um trinco que quer, pode e sabe sair a jogar. Mas com mais segurança. sff...

5. Fico muito contente por ver Adrien marcar um golão. Mas fico mais contente por vê-lo a inventar menos e a perder menos bolas parvas. Ainda assim, um lance à Maradona mesmo à minha frente...

6. Marco bem na substituição de Mané, estava a sair-lhe tudo mal e o estádio começava a ficar impaciente. É preciso saber gerir o plantel, a equipa e o jogo. Mas é essencial saber gerir Alvalade, essa casa de esquizfrénicos que quer apostar na formação para em dia de jogo assobiar putos e pedir jogadores experientes. Somos assim, Marco começa a perceber a cultura da casa.

7. Isto não é política, é futebol: BC tem que sair do banco. Aplaudi a sua ida para o banco no ano passado. Agora, deixou de fazer sentido. Havia adeptos descontentes com BC no final do jogo, expressando o seu descontentamento enquanto BC aplaudia os adeptos... no  meio dos jogadores. Pode chegar o dia (espero que não chegue, claro) em que os adeptos querem manifestar-se sobre o presidente e, para o fazer, terão que "implicar" os jogadores nessa manifestação. Agora que se percebeu o papel de cada um, recomendo a tribuna. Vivamente.