25/11/2015

Uma rapidinha para isto não definhar de vez

Queria só dizer aos Srs. Guedes, Tavares e Serrão que ontem, mais uma vez, o Sporting foi beneficiado pelas arbitragens. O andor verde andou à solta pelo Dragão, foi nítido. E que foi por isso, e só por isso, que o eloquente futebol de Lotapeg que tem encantado a Europa não assegurou um lugar na próxima fase da Champions (mas está para breve: só falta ganhar em Londres ao Chelsea, onde já ganharam Crystal Palace e Southampton; vai ser um passeio para o futebol de sonho que ontem se viu no Porto).

PS: Quem já teve Queiroz, Camacho e Benitez, pode perfeitamente contratar Lotapeg (cabe direitinho no perfil). Ainda mais sabendo que só não ganha porque, até na Champions, tem os árbitros todos contra ele. Mas vai ter um problema - tem que contratar mais 2 ou 3 médios sem criatividade, o Real não os tem em número suficiente para fazer um meio-campo a 3 só com tipos a guardar a posição.

05/10/2015

Afinal de contas...

Parece que o que faltava mesmo era um médio que soubesse posicionar-se e tivesse critério na saída de bola.

Isto só pode significar uma coisa: ando a aprender com os experts!

28/09/2015

Muito rapidamente porque a vida anda difícil

Há um ponto pelo qual gostaria de começar porque depois do discurso de ontem começo a achar que tenho que ser cuidadoso nas opiniões: nunca irei criticar BC pela contratação de JJ. Já disse, na altura, o que tinha a dizer sobre o tema. Foi uma opção compreensível, considerando todas as circunstâncias. Diria mais: era uma opção que a maioria dos sportinguistas tomaria, se estivesse no lugar de BC. Por isso, nada de ver fantasmas nas palavras que se seguem: não há intenções obscuras, apenas a constatação de que o que se viu até agora foi curto.

O Sporting no Bessa jogou muito pouco. A produção ofensiva é fraca, há jogadores que não aparecem nas jogadas (Ruiz, depois Teo) e o tão afamado jogo interior de JJ não se vê. Os jogadores, regra geral, optam pelo cruzamento em busca de Slimani, As combinações são em número reduzido (uma das poucas foi anulada por fora-de-jogo inexistente de João Pereira, mas como foi a única tentativa digna desse nome na primeira parte, convém ter o pudor de não ir por aí).

Defensivamente foi melhor mas convenhamos que este Boavista não vinha para testar essa evolução: nem tentou. Espero que William vá regressando aos poucos e assuma o seu lugar quando estiver em condições. O mesmo se diga de Ewerton. Com estes dois, subiremos um patamar. Até lá, continuo a pensar que o discurso de JJ foi excessivo no pós-Supertaça. Teria sido mais prudente dizer "para este jogo o discurso tinha que ser de ambição, estamos a evoluir bem, mas há muito trabalho pela frente". Repito o que aliás já disse aqui há pouco tempo: espero que o discurso para dentro seja esse mesmo.

Quanto à arbitragem, já sei que me vão cair em cima, mas o único ponto em que BC tem claramente razão é no anti-jogo. Mas convém lembrar que esse mesmo anti-jogo já nos deu jeito em Arouca (Aveiro...) e Moreira de Cónegos, só não deu jeito no Sábado. Todos fazem, todos os grandes sofrem com isso. De duas uma: ou se juntam os três, tomam uma posição conjunta e tentam pressionar no sentido de que, com 3 minutos pelas substituições, as perdas de tempo confiram o direito a pelo menos 2 minutos adicionais de descontos, em qualquer jogo onde isto se passe; ou continuam calados, a rir-se uns dos outros fim-de-semana sim, fim-de-semana não, e têm que levar com isto de vez em quando. Tão simples quanto isto.

No resto, não me lixem: o empurrão do Slimani claramente impede o Vinícius de disputar o lance; e a mão do mesmo Vinícius é claramente casual, aliás o braço até está bem próximo do corpo (diferente do lance do jogador do Rio Ave, há 15 dias, em que a posição do braço é negligente - um dia tratarei de explicar isto com pormenor).

No meio disto tudo, Carrillo. Se alguém me explicar o que ganhamos com isto, agradeço. Acham mesmo que Carrillo fica "desvalorizado" por não jogar? E como é isso compatível com a tese de que já tem contrato assinado? E o balneário (os colegas, os amigos, os que percebem que a equipa se ressente), como reage? Enfim, não consigo mesmo ver uma só vantagem nesta situação.

Há condições para disputar o título? Sim. O FCP já empatou duas vezes, uma delas em Moreira de Cónegos, onde ninguém esperava. O Benfica já perdeu duas vezes, uma delas a jogar "em casa" com o Arouca. E nós, o que fazemos? O habitual tiro nos pés. Como dizia noutro dia um amigo, temos que acrescentar algo ao nosso lema. Não me lembro da sugestão dele, mas autofagia talvez não fosse má ideia. Porque isto vai dos Rochas com os Futres, aos Bettencourts com os Moutinhos, até aos Brunos com os Carrillos.

No meio disto tudo, uma vida profissional completamente viradas do avesso tem-me impedido de ir a Alvalade. Espero conseguir lá estar no dia das eleições. Mas começo a achar que a noite eleitoral vai ser mais emocionante...

17/09/2015

Até quando?

Vamos continuar sem perceber que, neste sistema de jogo, este meio-campo não funciona?

Digo-o desde o primeiro dia: a recuperação defensiva tem muito trabalho pela frente; estes dois jogadores não dão garantias a jogar neste sistema. O melhor de Aquilani foi a 3. O melhor de Adrien foi à frente de William.

Quando tivermos William, dupla com Joao Mario. Talvez funcione.

14/09/2015

Vitória no "campo dos Arcos"

1. Apesar de não ter visto o mesmo jogo que JJ, acho que o Sporting ganhou bem. Não acho que a 1ª parte tenha sido brilhante, nem me parece que o problema na 2ª tenha sido apenas o flanco esquerdo. Na 1ª o Rio Ave ficou meio aturdido com o golo cedo e arriscou pouco; e na 2ª acho que a zona central estava com alguns dos problemas que já aqui identifiquei desde o 1º jogo: apesar de me parecer que conseguimos encurtar o espaço entre MC e defesa, continuo a achar que as intervenções ofensivas dos dois voluntariosos elementos do meio-campo são permanentes riscos para a equipa (Adrien mais do que Aquilani). Já aqui expliquei a minha posição mas repito: não se trata de um tema de qualidade mas de rotina de posição; William (além da qualidade) sabe temporizar, esperar o timing do passe e ler o jogo e a equipa; no fundo, sabe quando é que um passe em zona central pode comprometer. É urgente o seu regresso.

2. Daí que, não percebendo 1% do que JJ percebe de futebol, arrisque dizer que a substituição de João Mário tenha aparentemente falhado não apenas porque não melhorou o flanco esquerdo, mas também porque nada corrigiu na zona central. E quando Mané entrou para a esquerda, as melhorias foram de facto visíveis, mas não apenas pelo apoio de Mané a Jefferson: essencialmente porque João Mário foi desviado para o centro.

3. Ainda assim, e como disse, o Sporting ganhou bem. E até podia ter marcado mais. Pelo menos dois dos quatro lances a acabar o jogo são golos quase certos. Têm que ser golo em ocasiões futuras.

4. Ganhou bem porque de facto as oportunidades foram muitas. Mas considerando que as falhou, convém perceber que podia nem sequer ter ganho. As oportunidades do Rio Ave, pelo menos duas delas, são inacreditáveis (e já nem falo do 100º golo sofrido nos últimos anos com entrada direta para o anedotário). O jovem holandês a entrar pela área em 1x1 ou o Pedro Moreira a cabecear entre os centrais são lances que não consigo perceber. Ou melhor: não consigo perceber o clima de excitação com o momento atual do nosso futebol quando vejo lances destes. Ou quando vejo o último lance do jogo em que tudo fizemos, desde João Pereira a Jefferson, para dar mais um lance de perigo ao adversário (abençoado Naldo que não alinhou na parvoíce coletiva).

5. Dito isto eu acho que o discurso de JJ para dentro só pode ser diferente. JJ quer alimentar a chama do "verdadeiro candidato" e percebeu, ao longo dos últimos 6 anos, que um ambiente positivo também ajuda: os adeptos apoiam, a imprensa dá uma mãozinha (aqui JJ vai perceber que não é bem igual, mas deixemos isso por enquanto), os pontos vão somando e ele, JJ, vai trabalhando. Há muito por fazer e creio que ele o sabe. Ainda assim, não precisa de ser tão afirmativo. Podia ter dito "boa primeira parte" e chegava bem. Depois, chegava ao balneário e explicava que levar bolas no poste em lances daqueles já não acontece nem nos torneios All-Stars.

6. Gostei do Naldo, talvez influenciado por esse último lance, gostei do Patrício e gostei do Slimani. Mas decorei o minuto 78, em que o Slimani fez precisamente aquilo que tinha já feito no jogo com o Crystal Palace, lembram-se? Recebe, temporiza, conduz, tudo perfeito, timing, espera, espetáculo!, passe executado ao nível dos distritas. Uma pena... Mas continuo slimanista, atenção! É um monstro a trabalhar durante os 90 minutos.

7. Não percebo a histeria com a arbitragem. O lance do golo é 1 palmo e o jogador está na outra ponta do campo (já para não dizer que, no início da jogada, é um lance com uma importância do mesmo nível que o lançamento lateral do João Pereira, tão comentado pelos chorões profissionais que pegam em lances da treta e depois ainda gostam de chamar calimeros aos outros...). No do Slimani, convenhamos, não há nada ali que mereça grande discussão.

8. Agora, ganhar ao Lokomotiv. Uma equipa russa, sempre difícil. Mas este jogo é decisivo. Um must win, se queremos passar.

07/09/2015

Seleção sem futebol

Sei que o tema interessa a poucos mas como já disse várias vezes eu gosto da seleção nacional. Não espero pelos grandes torneios para ver os jogos, vejo os apuramentos e até os amigáveis. Acompanho as convocatórias, gosto que jogadores do Sporting vão à seleção e quando possível vejo ao vivo. Com limites, apesar de tudo. Não me recordo de ter pago bilhete para ver um amigável da seleção, esses vejo na TV. Mas acompanho sempre.

Na 6ª feira tinha uma agenda complicada e não consegui ver o jogo com a França. Quando cheguei a casa, vi o resumo e depois recorri às gravações automáticas para ir espreitando alguns momentos do jogo. Só posso dizer que foi mau demais para ser verdade. O adversário era a França, é certo, mas a França recentemente até com a Albânia perdeu. E perder não é desculpa para o futebol (?) apresentado.

Realço o que já disse aqui em junho deste ano: Fernando Santos mudou, para muito melhor, o critério para as convocatórias. Ver Vieirinha e Cedric, ver José Fonte e Paulo Oliveira, ver Adrien e Danilo (já ia mesmo estando no Marítimo) mostra que vai quem está melhor, o que é essencial. Mas em termos de futebol, ainda não fez um jogo convicente.

Ganhou à Itália e à Argentina? Enfim, podemos muito bem estar perante uma das piores Itálias da história, basta lembrar que foi colocada no pote 2 no apuramento para o Mundial e ganhou com dificuldade a Malta na semana passada. Quanto à Argentina, é outro fenómeno de bons jogadores e péssimo futebol. Hoje em dia, futebol a sério, em seleções, tem a Alemanha, tem a Bélgica, ainda vai tendo a Espanha, e pouco mais (a própria França não jogou grande coisa, embora tenha sido muito melhor que nós). Daí que os as Islândias e as Áustrias tenham apuramentos garantidos e os Gales e as Albânias estejam lá muito perto. A qualidade caiu muito, os países médios, com estratégias mais seguras, acabam por aguentar os "grandes".

Portugal tem o melhor jogador europeu da atualidade, tem uma defesa experiente (basta não inventar: Coentrão a DE!), no meio-campo jogadores muito promissores (William e João Mário, por exemplo), tem ainda jogadores como Nani ou Danny e como reserva e uma seleção sub-21 que esteve na final do Euro da categoria (Bernardo Silva até já tem lugar indiscutível na seleção A). Falta o que já vai faltando desde os anos 80: um PL. Que não será Eder, mas enfim...

Fernando Santos até pode ter pouco tempo para trabalhar. Mas pouco tempo é o que têm todos. Ele que use o sistema com que tentou começar, sem PL fixo, mas com os intérpretes certos. Para o meio-campo, tem William (Danilo), Moutinho (Adrien/Pizzi/Tiago), Nani (João Mário), Bernardo Silva (João Mário). Nos jogos mais durinhos, tem ainda Tiago, um jogador experiente. Contra equipas mais físicas, poderia jogar André Gomes. No ataque há poucas opções, mas há CR. Monte a equipa em função dele e ponha os criativos a jogar.

Assim, como estamos agora... vamos ao Euro, provavelmente. Mas voltamos rapidamente para casa.

31/08/2015

Notas soltas

1. Ganhámos em Coimbra num jogo que começou bem, continuou melhor e teve tremideira devido a um penalty que qualquer curso de árbitros devia ensinar a não assinalar. Esqueçam os 50 ângulos na TV, há uns em que parece, outros em que se vê que afinal não. Como o árbitro não tem ângulos de TV, deve basear-se, em caso de dúvida, no básico "trajetória da bola". No lance do penalty que assinala contra o Sporting, a trajetória da bola indicia que o Adrien chegou lá primeiro; no lance do penalty sobre Slimani a trajetória indicia que Slimani poderia ter prosseguido se não fosse derrubado. O árbitro decidiu sempre ao contrário.

2. Jorge Jesus foi expulso do banco e BC saiu com ele. Esteve bem, BC. Também bem, JJ, no final, a desmistificar a ideia da campanha (que por muito que custe aos sportinguistas só jogaria contra nós).

3. Adrien voltou a revelar dificuldades na posição 6. A meu ver, continuamos a dar muito espaço naquele meio-campo. O sistema vai ser este, pelo que já não discuto isso. Um 6, ali, dava muito jeito... William, despacha-te lá!

4. Slimani a demonstrar que fiz bem em aderir ao slimanismo. Grande assistência de Carrillo. Teo algo desinspirado, grande entrada (e bom jogo) de Mané. Bons pormenores de João Mário, como habitualmente, mas muita displicência num lance em que tinha o GR em queda e a baliza escancarada.

5. Esgaio melhor que João Pereira. Fala-se de Schelotto, mas só se sairem Rosell e Labyad. Tanta gente para despachar e é destes dois que depende a entrada de Schelotto? Mas o Rosell ganha alguma fortuna?...

6. Wilson no Braga, André Martins supostamente de saída. Não percebo como na mesma temporada saem Wallyson, Rosell, Martins (ainda que seja por empréstimo). E o Viola?

7. A menos que a diferença na oferta salarial seja um disparate, não consigo mesmo entender como é que o tal do Ansaldi prefere assinar pelo Genoa rejeitando Benfica e Porto. Não me entendam mal: se fosse eu, preferiria assinar pelo Rebordosa a custo 0 ou mesmo pelo famoso Ibis pagando para jogar, do que assinar por Benfica ou Porto. Mas um profissional de futebol que não seja maluco pelo Sporting, enfim...

8. Seria bonito o Nagatomo assinar pelo Benfica. O Tanaka precisa de estar com alguém que não lhe faça uma vénia parva de cada vez que o vê.

9. Fazem-se os últimos negócios. Normalmente são os clubes ingleses a enfiar barretes caros no dia 31 de agosto, desta feita os alemães estão a tomar o gosto à coisa. O Wolfsburg parece decidido a discutir o título com o Bayern e então toca de lá ir buscar um central que não serve para o Guardiola. Vão longe...

10. No futebol português, poucos reforços de última hora. Um deles, o filho do Rivaldo. Faz bem o Boavista, vale sempre a pena apostar nos genes. Quem não se lembra daquela ocasião em que o Estrela da Amadora achou um disparate estar a contratar o irmão do Assis... só porque era irmão do Assis? Pois é, o puto acabou por não se dar mal na vida.

Atualização: isto está escrito no record online: Leicester City está a negociar atransferência de André Carrillo. O peruano está no último ano de contrato com o Sportinge o clube da Premier League estará na disposição de desembolsar 11 milhões de euros pelo jogador, segundo dá conta a TVI.

Um erro tremendo ter deixado este processo de renovação chegar onde chegou...

28/08/2015

Liga Europa

Pode não ser uma prioridade aos olhos da maioria dos adeptos, mas convém não esquecer a prestação de 12/13, num grupo que eu diria que foi o mais fácil de sempre (para nós, Sporting). Mas o annus horribilis que então vivemos resolveu também passar pela fase de grupos da Liga Europa e ficámos atrás de Genk, Basel e Videoton. Isto foi obviamente desprestigiante. O Sporting tem que fazer uma boa fase de grupos na Liga Europa. Não terá armas para ganhar a competição, mas o prestígio do clube não pode sofrer outro abalo como esse.

Mas a verdade é que o lote de equipas da Liga Europa deste ano é bastante forte. Basta pensar que em teoria se pode formar o seguinte grupo: Dortmund, Liverpool, Monaco, Partizan. Já vi o FCP ter grupos mais fracos na Champions (basta lembrar o do ano passado). Dava jeito, por isso, um pouco de sorte no sorteio que se vai realizar daqui a pouco.

No Pote 2, as equipas são de nível médio/alto; o AZ Alkmaar, o PAOK e o APOEL parecem-me as menos fortes. O tema das viagens longas sinceramente não me convence: prefiro ir ao Chipre defrontar o APOEL do que ir à bela Florença jogar com a Fiorentina.

No Pote 3, seria de evitar Monaco, Fenerbahce, Bordeaux, Lokomotiv, Krasnodar e Augsburg (nunca nos demos bem com russos e alemães...). Legia ou Lech Poznan seriam os ideiais.

No Pote 4, diria que o Partizan será o único verdadeiramente a evitar. Como já disse, considero o tema das viagens longas uma tanga (vá, uma semi-tanga), mas ainda assim, e porque sempre nos demos bem com holandeses e dinamarqueses, Groningen ou Midtjylland.

Há um ponto aqui muito, mas muito importante: já convenci a minha mulher a seguir o exemplo do ano passado (fomos a Londres, com amigos, ver o Chelsea-Sporting). Convém por isso que calhe pelo menos uma equipa de uma cidade minimamente atrativa. Um grupo com APOEL, Krasnodar e Asteras Tripolis, desportivamente interessante, seria para mim um desastre.

Por isso mesmo, estou disposto a levar com um Liverpool ou com um Monaco, desde que os restantes dois estejam ao alcance. Mas Istambul, Varsóvia ou mesmo Bordéus são também destinos interessantes. Vejamos o que o destino nos reserva!

Atualização:

1. Estamos no Grupo H.
2. Já não vou a Liverpool nem a Glasgow... olha, Istambul! (Besiktas)
3. Lokomotiv, um dos que queria evitar.
4. Skenderbeu da Albânia!!!

27/08/2015

O que faltou?

Passando por cima de temas como o "controlo da profundidade" (era essencial com este adversário, mas não percebo o suficiente da poda para explicar o que poderia ter sido feito melhor) faltou, essencialmente, tarimba/experiência, creio que algum pulmão, lucidez, também um pouco de sorte e arbitragens menos inclinadas.

Faltou tarimba/experiência, para aguentar o impacto daquele primeiro golo aos trambolhões (e que golo mais estúpido...). A equipa abanou. Fez lembrar aqueles adversários que vêm a Alvalade com a "lição estudada" (em joaquimritês), sofrem um golo e vão por ali abaixo. Faltou um verdadeiro líder em campo que segurasse as pontas e transmitisse à equipa aquilo que era evidente mas não parecia para quem estivesse a ver o jogo: ainda estávamos em vantagem, o adversário tinha que correr atrás do resultado e, mesmo que conseguisse um golo, apenas empataria a eliminatória. A equipa tremeu não por ficar em desvantagem, mas apenas pela eventualidade de ficar mais perto disso.

Faltou algum pulmão, creio. Ao contrário do que se poderia pensar, JJ não foi sobranceiro e percebeu que o MC precisava de ser reforçado. A 1ª parte, mesmo que em alguns momentos se tenham corrido alguns riscos desnecessários, foi bem controlada. A segunda parte pode ter sido apenas condicionada pelo golo logo a abrir (e desculpem o comentário ao melhor estilo "conversa de café" mas... que falta tão desnecessária do Paulo Oliveira) mas pode também ter faltado pulmão para impor o futebol de posse de bola no MC adversário que foi posto em prática na 1ª parte (pareceu-me evidente em Ruiz e João Mário, por exemplo). Se na 1ª parte cheguei a pensar que estávamos com as linhas muito subidas, na 2ª o recuo foi excessivo. Foi um recuo mental, essencialmente; mas pergunto-me se não faltou também energia.

Faltou lucidez a alguns jogadores (a bola "queimava" nos pés) e também a JJ. A equipa precisava de refrescar (Ruiz, Aquilani, João Mário...) e JJ já confessou que quis esperar pelo prolongamento. Sinceramente, nesse momento desejei novamente um JJ "mais JJ", que tentasse impedir o prolongamento. Foi cauteloso e nem percebo muito bem porquê: um jogador que entre aos 70 minutos, por exemplo, vai fazer 50 minutos de jogo, o que não é seguramente muito exigente, mesmo atendendo ao momento da época. Parecia evidente que o CSKA nos queria levar para aí, aproveitando-se do maior ritmo e de um estilo de jogo que encaixaria que nem uma luva no prolongamento de ontem. Mas enfim, aqui não vou estar a crucificar JJ - é daquelas em que poderia ser preso por ter cão ou por não ter. Creio que as substituições de justificavam (quanto mais não fosse para transmitir algum tipo de mensagem à equipa), mas o jogo estava perdido antes disso...

Faltou sorte, sim, também faltou. Aquele 1º golo, para além da disparatada geral, tem um ressalto no braço de Doumbia (e neste lance eu não considero que haja qualquer intenção de jogar com o braço, foi um mero ressalto) que cai precisamente para o único sítio onde não poderia cair. E o 1º golo, já o disse acima, mudou tudo.

Faltaram, nos dois jogos, arbitragens menos inclinadas. Quanto ao 1º jogo, já muitos disseram tudo o que se passou. Quanto ao jogo de ontem... nunca vamos conseguir saber se o fiscal-de-linha viu de facto a bola sobrevoar a linha. Mas uma coisa vê-se nas imagens - após a marcação do canto, o fiscal-de-linha vem para dentro e não levanta a bandeirola. Tê-la-á levantado quando a bola entrou? Depois temos o critério disciplinar: duas cotoveladas dos russos, amarelo; uma entrada dura de João Mário, vermelho.

No demais, recomendo vivamente os dois fantásticos posts do Cantinho do Morais sobre os jogos da 1ª mão e da 2ª mão. Espreitem aqui e aqui. Gostava, mesmo muito, de ter o sentido de humor do Cantinho nestes momentos. Não tenho. Estou simplesmente aborrecido. Com "F" grande.

24/08/2015

Muito a melhorar

Este vai ser longo, preparem-se...

Tentei escrever este post sem ler primeiro outros escritos sobre o jogo de Sábado, com o Paços de Ferreira. Mas a verdade é que não resisti. E o que li vai "obrigar-me" a fazer uma coisa que reconhecidamente não é o meu forte: armar-me em "expert".

Os experts são aqueles tipos que percebem infinitamente mais de futebol do que o comum dos mortais, entre os quais me incluo (nos comuns dos mortais, entenda-se!). Do "futebol-processos", como lhe chama um amigo meu. Às vezes, como já disse em  tempos, falta-lhes (conscientemente, diga-se, porque não se querem meter por aí) a parte do "futebol-manobras". Que também é importante mas agora nem vem ao caso.

Normalmente, aprendo com os experts. Eles costumam ver o que eu não vi e analisar aquilo que eu nem sequer percebi que aconteceu. Recordo-me de ler no Lateral Esquerdo uma análise a um golo que o Sporting sofreu (creio que com o FCP, em casa) em que o autor do texto concluía que o mau posicionamento defensivo de Slimani, ainda no MC adversário, tinha permitido o desequilíbrio que acabou por conduzir ao golo. As imagens demonstravam-no de uma forma clara e eu, no estádio, nem sequer tinha percebido que Slimani pudesse estar envolvido na jogada. Nestes momentos, ficamos com a noção de que o futebol é muito mais do que ver se o Montero é melhor do que o Teo Gutierrez (eu até acho que é, mas o jogo no Sábado foi miserável...); a análise de cada um dos movimentos de um e de outro (e do que esses movimentos oferecem à equipa) é o fator decisivo nas escolha do treinador. E os experts conseguem ver isso. Eu não.

Neste início de época, independentemente das "manobras" (já lá vamos...), tenho visto algumas coisas que, por muito disparatadas que pareçam, parecem indiciar que há muito trabalho por fazer no Sporting. E ainda não as vi analisadas por ninguém. Já as tinha referido, en passant, no jogo com o CSKA. Mas no campeonato, pensei eu, 80% dos adversários não tem qualidade para nos fazer aquilo. Enganei-me.

Como não sei (não sei mesmo...) fazer aquelas sucessões de imagens que sustentam uma análise decente, vou tentar fazer em texto. Não fica tão bonito, mas espero que ao menos fique claro. E começo por explicar o contexto do que vou dizer:

1. Por razões que já expliquei, vi 2 jogos (oficiais) completos do Sporting: o jogo com o CSKA e o jogo com o Paços. Da pré-época, vi o Sporting com o Ajax Cape Town e com o Crystal Palace. Com exceção deste último jogo, vivi os restantes em sobressalto. Mesmo com os esforçados sul-africanos, a sensação que ficou era a de que havia demasiado espaço para o adversário jogar.

2. Os relatos que recebi dos jogos com Benfica e Roma davam-me a ideia contrária: domínio do jogo e imposição do nosso futebol; jogos controlados quando a equipa estava em vantagem. E, do que vi com o Tondela, não me pareceu que o Patrício tivesse sequer passado por um momento de mínimo perigo, com exceção do golo (repito: já lá vamos às manobras!).

3. O que vi, então, que me preocupou nos últimos dois jogos?

a) Dois laterais deixados à sua sorte, com reduzido apoio dos extremos (sendo que nenhum dos laterais ganhou fama pelas suas capacidades defensivas...);

b) Um meio-campo a dar demasiado espaço ao adversário, sempre com tempo para executar;

c) Espaço entre o meio-campo e a defesa (mesmo que os sectores estejam aparentemente próximos e a defesa esteja subida, com o CSKA e o Paços houve sempre este espaço para receber);

d) Incapacidade para baixar o ritmo do jogo, mesmo em vantagem;

e) Inúmeras saídas de bola com passes de risco, alguns com perda de bola.

As causas poderão ser muitas que eu não consiga identificar, mas do que eu vejo o problema está no meio-campo. Este sistema de JJ é excelente para o campeonato nacional porque asfixia os adversários logo na saída da bola. Mas quando a bola ultrapassa essa primeira linha de pressão ou quando é perdida ainda numa fase "precoce" de construção (tem acontecido muitas vezes, mas já lá vou), depende de um 6 posicional que ocupe aquele espaço, saiba onde estar e o que fazer. O 8 de JJ, já o sabemos, é um box-to-box que corre riscos porque se envolve ofensivamente. O 6 tem que fazer as coberturas e, no sistema de JJ, "ocupar" uma imensidão de espaço.

Jesualdo Ferreira disse-o há tempos na SportTV - o grande obreiro do primeiro título de JJ não foi Aimar, nem Di Maria, nem Ramires, nem sequer a dupla Cardozo-Saviola: foi Javi Garcia, que parava todas as transições adversárias. Eu nem era fã de Javi (ou de Fejsa) mas este papel é essencial (muito mais bonito, ainda que talvez menos eficaz, quando feito por Matic).

Ora, Adrien (ensinaram os experts) nunca foi um jogador com grande aptidão para as coberturas defensivas. Aquilani chegou agora e tanto quanto sei nunca foi 6.

Por outro lado, quer Adrien quer Aquilani correm demasiados riscos nos momentos de saída de bola. Querem jogar rápido, muitas vezes de primeira, mas poderão não ter aquela sagacidade (que a experiência a 6 certamente traz) de saber decidir quando é que a bola tem que sair rápido, quando é que o jogo tem que pausar, quando é que não há outra hipótese que não seja lateralizar. Claro que podemos exclusivamente por a responsabilidade na execução - no fundo, pensar que havia sempre excelentes opções mas Adrien e/ou Aquilani executam mal. Honestamente, não acredito nisso. Mesmo que Adrien cometa de facto esse erro algumas vezes, tem estado em demasiadas situações deste género, considerando a qualidade que tem.

Ora, sem esse verdadeiro 6, o Sporting treme por todos os lados. Claro que tivemos azar - William seria perfeito e lesionou-se. Mas (desculpem a teimosia) Rosell faria melhor este papel do que Adrien e até Aquilani. Defensivamente, saberia onde estar; ofensivamente, poderia nem conseguir sair a jogar como Adrien ou Aquilani mas seguramente não falharia tantos passes na saída de bola e daria à equipa, quando precisasse, uma posse equilibrada e momentos de pausa. Eu também acho, olhando para os nomes, que aparentemente há boas opções no meio-campo; mas quando vejo os últimos dois jogos e (acho que) percebo o sistema de jogo, pergunto-me o que fazem Rosell na lista de dispensas e Martins em vias de ser emprestado ao Belém (!!!). Os dois jogadores que o Sporting TEM e que poderiam trazer à equipa aquilo que neste momento a equipa NÃO TEM.

Aquilani, a 3, esteve impecável. A 2 não gostei, sinceramente - foi um perigo a sair a jogar e permitiu que o Paços criasse vários lances no nosso meio-campo, mesmo saindo a jogar. Pode ser que melhore com o tempo - é aliás essa a minha esperança, acabou de chegar.

Mas o tema é mais abrangente - não gostei do comportamento defensivo da equipa. Ao contrário do que disse JJ, o Paços foi perigosíssimo em Alvalade. Aos 30 segundos, podia estar a ganhar (mas aí, enfim, num lançamento "à Maxi" - já vi que se tornou moda). Antes do golo, teve duas situações de 1x0 com o GR (numa salvou Patrício, noutra João Pereira ainda veio a tempo). Quantas teve o Sporting? O golo parecia inevitável, tanto o espaço dado ao Paços, com o Sporting em vantagem, recorde-se.

Em conclusão, de duas uma: ou o sistema vai demorar mais a "assimilar" do que nos venderam (o que até seria normal); ou os intérpretes terão que ser outros.

Isto é o que me preocupa mais. A sensação, permanente, de que podemos sofrer um golo (mesmo que exista também a sensação de que podemos marcar a qualquer momento).

Mas não é só. É que apesar de tudo isto, mais Patrício menos Patrício, mais meio-campo menos meio-campo, desde o jogo com o Ajax Cape Town só vi o Sporting sofrer 2 golos:

- Um deles, em fora-de-jogo, com a mão, resultante de uma falta que era ao contrário;
- O outro resultante de um penalty que só existiu na cabeça do árbitro.

E o seguinte momento sublime: aos 90+2, o Sporting troca a bola. Tinham sido dados 3 minutos de descontos, recordo. O jogador do Paços faz falta. O árbitro apita. A equipa do Sporting sobe para o último livre. O árbitro não deixa marcar a falta e apita para o fim do jogo. Ora, a falta, como sabemos, é penalizada com um livre direto. É a única consequência (não disciplinar) que pune a equipa que fez a falta. Se um jogador faz uma falta aos 90+2 e fica ali a discutir com o árbitro um bocadinho, sabendo que depois disso acaba o jogo, a falta compensa. Sai, portanto, sem punição. Isto é de uma estupidez tal que me custa a acreditar que seja só estupidez...

Mas não, não vou dar o discurso de que temos que estar preparados para isto. Para isto, não. Uma coisa é não marcarem um penalty a nosso favor e fazermos queixa disso. Isso acho ridículo, uma equipa como o Sporting não pode justificar um resultado com o facto de, num lance ofensivo, o árbitro ter errado. Tem que criar 10/12/14 lances por jogo, se o árbitro errar num, tem que ter armas para resolver o problema (se errar em 5, como já aconteceu, façamos o barulho possível). Não depende dos árbitros transformar o 0 em 1, depende de nós. Outra bem distinta é inventarem um penalty contra nós. Aí estamos definitivamente a transformar o 0 em 1...

Isto não invalida que tenhamos que preparar os jogos muito melhor. Porque a jogar assim estamos sujeitos a sofrer lances de perigo sucessivos, mesmo que os árbitros não estejam para aí virados. E se só percebermos o que está mal quando se acabarem as desculpas... vamos chegar tarde.

19/08/2015

CSKA e as palavras do companheiro de blog

Nas inúmeras discussões sobre bola mantidas desde a fundação do blog, eu e o Gorbyn acabávamos inevitavelmente por confrontar argumentos sobre Jorge Jesus: eu invariavelmente defendia JJ, o Gorbyn invariavelmente tinha falhas a apontar.

Ontem senti na pele os argumentos do Gorbyn e a permanente insistência (em inúmeros textos neste blog) no MC a 3 em jogos mais exigentes. Ontem, lembrei-me desses posts. E creio que o Sporting, para passar, terá que encarar o jogo da 2ª mão com um MC a 3.

Efetivamente, por muito bem que o Sporting tenha jogado ontem, foi um jogo de permanente sobressalto, até à entrada de Aquilani. Com a entrada do italiano, o controlo do jogo foi logo outro.

Para a Liga Portuguesa, aquele meio-campo a 2 pode chegar na maioria dos jogos. E se tudo correr bem e a evolução continuar a acontecer, permitirá atingir vitórias na maioria dos jogos. Para a Europa, a conversa é outra. Pode estar aqui, aliás, a explicação das sucessivas campanhas menos conseguidas por JJ na Champions. Efetivamente, há um balanço ofensivo que permite estar várias vezes perto do golo (sucessivos lances perigosos, com muita gente na área ou lá perto; em particular, Slimani falhou um golo inacreditável, ainda com 1-0); mas há uma tremenda exposição ao risco. No Benfica do ano passado, não era tão visível, essencialmente porque um trabalho de 6 anos não é bem igual a 2 meses de trabalho, e vão-se corrigindo e acertando posicionamentos. Neste Sporting, ainda com muito para crescer, ontem foi (demasiado) visível.

A prioridade é obviamente o campeonato, o que implica, como escrevi ontem, "perceber que para decidir campeonatos em clássicos, é preciso, primeiro, ganhar (...) jogos [como o de Aveiro, com o Tondela]". E uma estratégia de pressão alta, sufoco do adversário e colocação de vários homens perto da área adversária, aproxima-nos da vitória nesses jogos. Nada a opor, portanto.

Mas há equipas tão boas ou melhores do que a nossa, como a de ontem (pode não ter sido melhor em campo, mas como coletivo é superior). Com essas, convém ter algumas cautelas e não entregar o meio-campo de bandeja. Ontem, ganhámos o jogo essencialmente porque o conseguimos controlar com a entrada de Aquilani. E, depois disso, com o jogo controlado e já com o CSKA "contente" com o 1-1, o risco final já fez todo o sentido (mas antes disso, convém lembrar, já Doumbia tinha aparecido isolado na cara de Patrício, falhando o chapéu...).

A pressão alta é extraordinária, mas as boas equipas têm jogadores e recursos que permitem ultrapassá-la. E uma vez ultrapassada, vejo o nosso MC demasiado exposto. Ontem sofremos o golo porque um deles não estava lá (foi ele a perder a bola, numa zona, aliás, aparentemente inofensiva). Depois, foi uma auto-estrada até à baliza.

Obviamente que estamos em vantagem e estando em vantagem temos boas possibilidades de passar. Mas será muito mais difícil se o jogo for parecido com o de ontem. Se conseguirmos ter o jogo controlado, as nossas hipóteses aumentam.

Quanto a apreciações individuais, destaque positivo para Patrício (uma vez mais), João Mário (até rebentar), Bryan Ruiz (idem), Carrillo (era mesmo preciso chegar o JJ para me darem razão? não estava na cara?...) e (apesar de tudo) Slimani - falhou um golo feito, mas inventou outro (com Carrillo). Ah, e Aquilani - entrou muito bem e acho que deve ser titular na Rússia, com Adrien e João Mário (sairia Teo e faríamos um 4x3x3 clássico).

Pela negativa, vi um João Pereira muito atrapalhado com Musa, um Teo muitas vezes alheado do jogo e um Adrien a falhar demasiados passes em zonas recuadas. Com o posicionamento de ontem, o CSKA recuperava a bola e quando não conseguia lançar em profundidada, fazia um compasso de espera; na Rússia, bolas perdidas ali vão ser lances de perigo. Atenção...

Agora, focar no Paços de Ferreira. Com MC a 2. Tentar marcar cedo, insistir no controlo do jogo e do resultado. Depois, fazer entrar Aquilani e controlar o jogo em vantagem. Para ir treinando...

18/08/2015

De regresso

1. Período de férias na primeira quinzena de Agosto, algo que já não fazia há uns bons 10 anos. Falhei a apresentação (e posteriores movimentações no plantel), fui confrontado com a impossibilidade de ver o jogo da Supertaça (para o qual tinha bilhete...) e consegui igualmente perder o primeiro jogo do campeonato (o meu pai foi atualizando por SMS). Vamos aos comentários.

2. Primeiro, a apresentação do plantel. Foram apresentados:

GR: Patrício, Boeck, Jug
DD: João Pereira, Esgaio
DE: Jefferson, Jonathan;
DC: Ewerton, Paulo Oliveira, Semedo, Naldo, Tobias
MD/MC: William, João Mário, Wallyson, Adrien, André Martins
EXT: Carrillo, Ruiz, Mané, Gelson
AV: Tanaka, Slimani, Montero, Gutierrez

Os 25 que se esperavam, mas com algumas surpresas, em particular Ciani, Rosell, Capel e Labyad.

Ciani nem foi apresentado (saiu para o Espanyol). Trata-se de um caso esquisito: ou alguém não fez o trabalho de casa ou andámos a brincar ao FM, mas com (sem!) dinheiro real ou a história está mal contada. O jogador diz que não houve química com o treinador - pois eu duvido que no atual Sporting este jogador entrasse sem o beneplácito de JJ. Um caso para (não) esquecer, digo eu...

Quanto a Rosell, foi uma surpresa para mim. É um jogador com escola, pensei que fosse aproveitado por JJ. Veremos se a ideia é descartar ou emprestar.

Capel entretanto saiu para o Genoa, hoje mesmo - um abraço para ele mas efetivamente só mesmo JJ poderia tirar algo de um jogador que parecia ter estagnado; e quando nem JJ acredita, pouco há a fazer. Mas não deixo de ficar reconhecido pela dedicação com que encarou o Sporting.

Quanto a Labyad, se poucos acreditam nele e quem o vai querendo são os Vitesses e os Bursaspors, vai ser um problema colocá-lo...

Também ficaram de fora Miguel Lopes (entretanto colocado no Granada), Slavchev (só surpreende os sonhadores que apenas encontre colocação no Chipre), Viola (este não surpreende, veremos para onde vai), Heldon (já no Rio Ave, colocação difícil de entender do ponto de vista "político"), Wilson Eduardo (já esperado) e Iuri Medeiros (precisa do tal empréstimo a um clube com objetivos distintos do Arouca). Até o Shikabala parece ter destino...

Já depois da apresentação, Semedo foi colocado no Vitória de Setúbal (este novo posicionamento "político" já parece permiti-lo) e Wallyson no Nice (não percebo as críticas à cláusula de opção...).

Depois, entrou Aquilani (antecipando possível saída de Adrien? e a lesão de Moutinho poderá mudar os planos?), isto depois de Boateng falhar os testes médicos. Fala-se da possibiliade de Tanaka sair para entrar outro avançado e de sair também Boeck para entrar outro GR. Veremos.

Qutro notas rápidas:
- veremos como se sai João Pereira e se Esgaio é verdadeiramente uma opção consistente;
- Naldo parece confortável no lado esquerdo da dupla de centrais, mas creio que a ideia seria Naldo-Ewerton. O Paulo Oliveira tem estado bem, veremos o que sucede quando o Ewerton regressar. O Tobias é uma boa 4ª opção, mas pergunto-me se quem tentou Ciani não tentará nova abordagem. Se assim for, e havendo equipa B, talvez não fizesse mal ao Tobias um empréstimo.
- no meio-campo a dinâmica tem sido positiva, mesmo sem William. Eu diria que o regresso de William implicará a saída de Adrien do 11, porque João Mário é imprescindível. E ainda temos Aquilani. E Martins. Há opções, lá isso há, resta saber se todas são compatíveis com aquela dinâmica a 2. Para já, tem corrido muito bem.
- no ataque, mesmo que convertido ao slimanismo (roubei a expressão deste texto do LdA), pergunto-me se a melhor dupla não seria Teo-Montero.

3. Supertaça. Só vi o resumo. Estava demasiado longe e sem carro. Um inesperado volte-face ter-me-ia permitido ir ao jogo, mas entretanto o bilhete estava despachado para quem tinha mais certezas do que eu. Adiante. Ganhámos. Ganhámos bem. JJ ganhou, RV perdeu (em toda a linha). As restantes polémicas, de calduços e SMS, são fait-divers pouco relevantes. Assim como é pouco relevante para as restantes provas ganhar a Supertaça. Foi só um jogo, faltam muitos jogos para que se possa dizer que a época correu bem. Para já, o primeiro jogo correu bem, apenas isso. Já agora, oh RV, aquela de dizer na conferência de imprensa "entrámos receosos" depois de o JJ ter dito na flash que o Benfica teve medo do Sporting... não lembra nem ao mais imberbe dos treinadores.

4. Tondela. Acompanhei por SMS, depois vi o resumo. Do que vi no resumo, não achei a exibição tão esmagadora como se dizia. Até pode ter sido, mas o resumo não dá essa ideia. As oportunidades (claras) não foram assim tantas (isto sem prejuízo de merecermos ganhar o jogo - o que aliás sucede em 90% dos jogos deste estilo). Valeu que não vi nada de relevante feito pelo Tondela. O golo do Tondela é um escândalo, desde a marcação da falta até à bola dentro da baliza (mas aquela bola tem que ser do Patrício...); o golo no último suspiro resulta de um lançamento que me parecia mal executado, mas entretanto o Pedro Henriques diz na TVI que basta que o João Pereira esteja a pisar a linha para o lance ser legal. Adiante, o ponto aqui é o seguinte: o João Pereira tem que estar atento porque os árbitros vão estar de olhos nisto! O penalty é indiscutível e o Adrien não tremeu. Mas o Sporting sim, tremeu. Não pode. Repito o que tinha dito antes: não percebo como jogamos (nós e os outros) com todos os adversários e mais alguns na pré-temporada, e esquecemos aqueles que vão representar 80% dos nossos jogos. Parece que estamos melhor preparados para uma Roma ou um Benfica do que para um Tondela. Convém abrir os olhos e perceber que para decididr campeonatos em clássicos, é preciso, primeiro, ganhar estes jogos. Se o fizermos, estaremos perto dos tais 80 pontos que permitem sonhar com o título e aí os clássicos podem servir para alguma coisa. Caso contrário...

5. Rivais. Porto tranquilo, Benfica intranquilo. O esperado: Lotapeg não é tão mau quanto o pintámos no ano passado (lembrar que ficou a 3 pontos, na prática foi o clássico do Dragão a decidir) e tem uma equipa fortíssima (acho que falta ali um grande central e veremos se Aboubakar engata mesmo; e parece-me também que Lotapeg aposta num meio-campo pouco criativo, mas Herrera dará lugar a Evandro, mais tarde ou mais cedo); e não creio que RV seja treinador para o Benfica. Lembrem-se do que escrevi aqui (ninguém sonhava que um dia iria parar ao Benfica, por isso creio que sou insuspeito), há muito tempo que digo que RV não tem perfil para um grande. Mas claro que se o Gaitán ficar, o Lisandro estabilizar ao lado do Luisão e o Jonas continuar a faturar, podem andar lá em cima. E considerando o perfil de RV, podem até passar o grupo da Champions, porque a equipa tem muita qualidade (e isso vai moralizar, a acontecer). Mas duvido que RV seja capaz de ultrapassar todos os Estoris que lhe forem aparecendo pela frente.

05/08/2015

Razões para alarme?

Para alarme talvez não, mas razões para os benfiquistas estarem apreensivos, com certeza que existem…

Em primeiro lugar, não dá para querer um Benfica global, crescimento da marca, mais público a seguir o Benfica e a puxar pelas transmissões televisivas, receitas significativas na pré-época que potencie as contratações e, ao mesmo tempo, uma pré-época ideal, com jogos numa sequência gradual de dificuldade, a temperaturas ideais e com o espaçamento adequado entre jogos. É como querer uma gaja com o rabo da Kardashian e tom de pele clarinho. Lamento, não dá, ou uma coisa ou outra. A escolher, como não sabemos o resultado da segunda opção, é preferível ficar com a primeira e, no caso do Benfica, qualquer um que fosse gestor do clube optaria pelo dinheiro e crescimento da marca pelo que acho que não é tema para discussão.

Em segundo lugar, nos jogos com equipas europeias e com níveis semelhantes de preparação, gostei bastante do que vi. Mesmo considerando que era um PSG de segunda linha, enquanto foi o onze titular a jogar, foi muito interessante. Depois contra a Fiorentina, que inclusivamente venceu o Barcelona e perdeu com o mesmo PSG, também gostei muito do que vi. Equipa muito competitiva, a trocar bem a bola e com um meio campo fortíssimo em que Fejsa varria e Samaris comandava o meio campo. Infelizmente ou felizmente por força dos resultados, não vi os restantes jogos mas também não considero que sejam assim tão importantes considerando as equipas e os locais onde foram disputados.


Então porquê a ansiedade?

1. relativamente ao onze titular, não parece existir ainda um modelo definido e isso é preocupante a poucos dias da Supertaça. Depois do jogo com a Fiorentina, fiquei com ainda mais certezas relativamente à dupla Fejsa/Samaris mas não sei se Rui Vitória tem a mesma percepção. Frente a um Sporting mais confiante e com um Benfica a duvidar da sua capacidade atual, não teria dúvidas em apostar num meio campo com Fejsa, Samaris e Pizzi, ficando Talisca reservado para uma segunda parte. O brasileiro também é uma fonte de preocupações pelo número de vezes que o treinador já o obrigou a jogar junto à linha e que já está mais do que provado que não funciona;

2. a aposta em médios interiores para abrir o corredor a laterais que não têm essas características;

3. o facto de tardarem os reforços para as linhas, especialmente para laterais, e para substituir Lima;

4. as dúvidas relativamente à possibilidade de Jardel e Luisão estarem aptos para domingo.

Mesmo assim, domingo tem que ser um Benfica forte a entrar em campo e, contando com as recuperações, apostaria num:
Júlio César
André Almeida, Luisão, Jardel e Eliseu
Fejsa, Samaris
Carcela, Pizzi e Gaitán

Jonas

27/07/2015

Primeiras impressões

1. Não consegui ver a totalidade do jogo com o Ajax Cape Town e não tive grande vontade de rever os 90 minutos. Tive algum azar, já percebi, porque só comecei a ver no início da segunda parte e dizem por aí que a primeira não foi má. O que vi na segunda parte assustou-me: independentemente dos erros individuais (diria que "normais" e "quase aceitáveis" nesta fase da época) vi debilidades na construção ofensiva que já vinham do passado e uma equipa que dá demasiado espaço a defender.

2. JJ disse, no final desse jogo com o Ajax, que aqueles jogadores (os da defesa) têm menos rotina do que os da primeira parte. Que seja. Mas foram demasiados lances de 1x0 e pelo que vi do resumo não foi apenas na segunda parte. Fiquei, confesso, assustado. Não por desconfiar de JJ, mas por pensar que, afinal, tudo poderia levar muito mais tempo.

3. E, claro, neste momento surgiram-me novamente dúvidas sobre a programação da pré-época: um jogo a feijões (Sporting B), 2 jogos fáceis (Mafra e Atlético), 2 jogos de dificuldade não mais do que média (diria média baixa com o Ajax, média alta com o Crystal Palace), 1 jogo de dificuldade elevada (Roma). Não creio que JJ quisesse programar a época desta forma e ontem mesmo disse que preferia jogar mais um ou dois jogos (mais dois "Palaces" para podermos confirmar o que se viu no segundo jogo - já lá vamos - e depois, sim, a Roma para o Cinco Violinos). Mas não vale a pena agora chover no molhado: foi assim e terá que servir para preparar convenientemente a equipa.

4. Não estava à espera, por tudo o que disse, de um jogo tão conseguido com o Crystal Palace. Reparem que digo "conseguido", não digo "bom". Há muito a fazer e a melhorar. Mas sendo o Crystal Palace naturalmente mais forte do que o Ajax, e depois do que vi no primeiro jogo, a minha expetativa era baixa. Com o Ajax contei 4 lances claros de 1x0. Com o Palace, de que me lembre, apenas 1 (e mais em resultado de trapalhada do que propriamente exploração de espaço nas nossas costas). Claro que houve lances mal defendidos mas é completamente diferente ter 3 ou 4 lances com erros corrigíveis ou ter 4 ou 5 lances de 1x0.

5. Ofensivamente, ainda não foi nada de especial, mas vi o Sporting a assumir claramente o jogo. A execução não está perfeita mas a equipa está com a atitude certa (nada de confusões, não me refiro a "entrega" e outros dichotes à Zé Mota - refiro-me à disposição da equipa no campo).

6. Os destaques individuais vão para Patrício (o melhor nos dois jogos, principalmente no primeiro), Adrien (bem nestas "novas" funções), Ruben Semedo (azarado mas estava a sair-se bem no meio-campo e ainda marcou um golo no primeiro jogo), Gelson (a melhorar mas dá para ver que tem maturidade para estar ali), André Martins (dos melhores no primeiro jogo) e Montero (marcou dois golos e entrou muito bem). Pela negativa, vi João Mário muito em baixo de forma (descanso curto depois da primeira época "a sério" e de um Euro bastante exigente?) e Carrillo algo desconcentrado (resolvam lá a renovação...).

7. Um destaque especial para Slimani: como sabem, acho-o um jogador limitado. Mas desde a final da Taça, em que carregou o ataque da equipa às costas, tenho-o visto com outros olhos. Continuo a achar que tem muitas limitações, mas se tivesse melhor jogo com os pés seria um jogador excecional. É inteligente, dá à equipa o que ela precisa em termos de pressão, tem uma atitude competitiva extraordinária e é fortíssimo fisicamente. Veja-se o segundo golo ontem: estava onde tinha que estar, ganhou fisicamente após o erro do defesa, fez tudo bem na leitura da jogada e dos movimentos dos colegas (isto tudo aos 90 mimutos de jogo) e depois... faz um passe fraquíssimo a que Montero só chega porque nem os defesas do Palace acreditaram que o passe poderia sair tão mal. Em circunstâncias normais, com a época a decorrer, Slimani teria feito tudo bem e "estragado" a jogada no último passe. Que balanço fazer? Como me ensinou um grande amigo que percebe mais disto do que eu, há duas coisas que dificilmente conseguimos "dar" aos jogadores: inteligência e "pezinhos. Slimani é um jogar extremamente útil, dá profundidade à equipa e até faz mais do que se esperaria que fizesse. Mas se o tema é "Slimani vs Mitroglou", com saída pelos 15M€ de que se fala... o argelino que me perdoe (até porque nunca me vou esquecer da final da Taça que protagonizou), mas prefiro Mitroglou.

8. Os reforços: João Pereira não se destacou (até diria que Esgaio pode ganhar o lugar); gostei bastante de Naldo (tranquilo, quase sempre bem, algum azar naquele penatly no primeiro jogo); Ciani teve aquele erro de abordagem no 1º jogo, espero que esse lance não o represente como jogador (e não deixe marcas); gostei muito de Teo - os lances não saíram todos bem, mas gostei das movimentações e da qualidade técnica, acho que é jogador (recordemo-nos como decorreu a primeira pré-época de Montero até ao jogo com a Fiorentina, depois desatou a marcar golos...). Aguardemos agora pelos restantes.

9. Mais reforços? Difícil opinar. Acho que andamos em busca de mais um GR (não é muito normal Boeck não ter tido nem 1 minuto de utilização). Na defesa, os centrais e laterais serão aqueles, fiquei com reservas relativamente a João Pereira mas já o conhecemos e é um jogador que precisa de competição (estes jogos "a brincar" não tiram o melhor dele); no meio-campo ou JJ confia em Rosell e/ou Semedo ou tem que ir ao mercado (já deu para ver que Martins é opção mas não naquela posição); nos extremos, se Ruiz estiver pensado para essa posição, creio que fica assim; no ataque a dúvida é a que já referi: Slimani ou Mitroglou (embora não creia que o grego fique eternamente à espera da nossa decisão).

10. Mais otimista do que 6ª feira, ainda longe de estar confiante. Mas é normal que assim seja. Infelizmente pela primeira vez em muitos anos não vou à apresentação, já estarei a banhos. Em compensação, já tenho bilhete para a Supertaça!

24/07/2015

Reforços e saídas

O Benfica tem estado bastante mais calmo do que os seus rivais nesta pré-época, mesmo tendo sido espicaçado com a saída de Jesus para o Sporting e de Maxi para o Porto. No entanto, mal seria se fosse o contrário. Na realidade, apenas saiu um jogador do onze titular e outro está lesionado (sem data prevista de regresso…). Mesmo assim, diria que o centro do terreno está controlado e que as fragilidades estão nas faixas.

Começando pelo eixo central:


- Guarda-redes: Júlio César é garantia de qualidade. Para suplente, gostava de uma solução que desse mais garantias;
- Centrais: Luisão e Jardel são uma dupla de sucesso e não há que mexer. Preferia César como terceiro central mas Lisandro também não está mal;
- Trinco: Samaris pode voltar a fazer a posição, sobretudo nos jogos em casa, mas preferia que Fejsa assumisse o lugar e Samaris subisse no terreno (e estou a pensar no mesmo para o Cristante). Fejsa tem o problema das lesões, pelo que surgem numa segunda linha André Almeida e João Teixeira. Não me choca;
- Médios: Samaris pode fazer posição e ainda temos Pizzi e Talisca. Falta ver se Taarabt é reforço e se Djuricic mudou o chip;
- Avançados: Lima e Jonas dispensam apresentações. Jonathan ainda é uma incógnita e não considero o Nelson Oliveira. Talvez aqui seja necessário mais um avançado.


Faixas:

- defesa direito: depois da saída de Maxi era ótimo um reforço “à séria” para o seu lugar. Na guerra psicológica seria lindo dizer “pagam um ordenado milionário ao Maxi e estamos ainda melhor”. André Almeida é bom para “secar” adversários mas não tanto para atacar e desequilibrar. Sílvio pode aparecer mas as lesões também são um problema;
- defesa esquerdo: Eliseu e Marçal… Parecem curtos para as ambições do Benfica. Seria necessário um reforço digno desse nome. Acredito que no futebol moderno, os laterais são dos jogadores mais importantes nas movimentações ofensivas pelo que não ignoraria o reforço significativo destas duas posições;
- extremos: com a iminência de Gaitán sair e a lesão de Salvio, sobra o enorme potencial mas constante desilusão de Ola John, a incógnita Carcela e a promessa Guedes. Parece ser igualmente curto em opções e em qualidade para atacar o campeonato.


Tudo isto sabendo que até ao final da janela de transferências, ainda há uma longa distância…


22/07/2015

A vantagem de um ego mais comedido

Se em vez de Rui Vitória fosse um Jorge Jesus que chegasse ao Benfica, teríamos tudo o que estava feito até então atirado ao lixo e o seu sistema tático e modelo de jogo implementados. É uma questão de ego e de ter a ideia que apenas o que pensa e interpreta é que faz sentido. Daí que até tenha dúvidas de que todas a tecnologia que está hoje implementada no futebol do Benfica fosse devidamente aproveitada por Jorge Jesus. Mesmo que os números, estatísticas e indicadores apontassem numa direção, o que ia na sua cabeça é que determinava a solução a implementar. O que analisa e decide é que está certo, quer seja Emerson a titular, passar a dois avançados num jogo que está a ganhar ao Porto ou colocar o Talisca a extremo.


Rui Vitória, com uma base mais teórica por força da sua formação como professor, poderá ser bastante diferente e os primeiros tempos na Luz dão alguns indícios neste sentido. Começou por dizer que ia aproveitar tudo o que estava bem feito. O sistema de jogo do Benfica de Jesus com dois avançados, pelo menos em casa e contra adversários mais fracos, resultava em pleno. Isto quer dizer que para pelo menos 13 dos 15 jogos em casa, não há muito a inventar. A equipa titular que apresentou contra o PSG e jogou toda a primeira parte, suporta esta ideia de que efetivamente aproveitará o que está bem feito.
No entanto, há muito a melhorar. Sobretudo na Champions mas mesmo nos jogos fora de portas que na última época que foram bastante sofríveis e até uma maior competência nos jogos com os grandes. Neste enquadramento, será mais razoável um só avançado e três homens no meio campo? Eu penso que sim. Na segunda parte contra o PSG tivemos a oportunidade de ver Rui Vitória a aproximar-se deste sistema. Primeiro, com Talisca no apoio ao avançado e depois com a saída do brasileiro.

Vamos aguardar por mais alguns jogos para perceber as ideias do novo treinador mas quero acreditar que Rui Vitória terá a capacidade de tirar partido de tudo o que tem à disposição e ser flexível o suficiente para proceder facilmente a alterações sempre que as suas opções não se revelem as mais acertadas. Já seria um enorme passo no caminho do sucesso. O resto, mãozinhas para o Ferrari (sim, estou apenas a olhar para dentro de portas) em curvas perigosas ou ultrapassagens, ainda teremos que ver se tem.

Rápidas sobre o Sporting e sobre os adversários

1. Carrillo. A melhor notícia da pré-época diz respeito à possível renovação (primeira vez que se admite a possibilidade). Espero que se concretize. E se for uma mera jogada no sentido de por jogador e empresário contra a parede, percebo-a. Havendo a desconfiança de que na realidade a negociação é "para inglês ver", nada como aproximar valores, engolir o sapo e sentar o jogador para assinar. Se não assinar nessas condições, enfim, é porque pouco há a fazer. Resta saber se há 2 anos, quando se dizia que era jogador "que rendia a sair do banco" ou há 1 ano e pouco quando Jardim o retirava de campo antes do intervalo, pedia o mesmo para renovar. Eu diria que não. E diria, também, que é nesses momentos que a "estrutura" tem que antecipar e ver mais do que os blogueiros e comentadores. Por exemplo, convém antecipar, depois de uma época excelente e um Euro sub-21 de grande qualidade, se o contrato de João Mário não será curto daqui a 1 ano.

2. Pré-época. Estranha esta pré-temporada. Um jogo a feijões, 2 jogos fáceis, 2 de nível de dificuldade não mais do que média, 1 jogo de dificuldade elevada. Percebem-se as limitações temporais e, também, a chegada de jogadores a conta-gotas. JJ não quis arriscar defrontar adversários com o trabalho mais avançado sem ter os principais jogadores à disposição, parece-me claro. Quanto à deslocação à África do Sul, vamos lá ter algum realismo: enquanto o Sporting não se destacar a nível nacional e/ou internacional, dificilmente participará nos torneios da moda. Por outro lado, trata-se de um país onde há uma comunidade portuguesa considerável e até uma Academia Sporting. Por fim, provavelmente o valor era sedutor. Idealmente, este convite seria de aceitar numa pré-temporada sem Supertaça, sem pré-eliminatória da Champions e não antecedida de Copas Américas, Gold Cups e Euros sub-21. Mas isso hoje em dia não só é impossível (há sempre uma competição qualquer, para o ano Euro 2016 e depois Jogos Olímpicos) como até nem é desejável: pelo menos na parte da Supertaça, eu quero sempre estar presente (em regra, significa que ganhei o campeonato ou a Taça). A pré-eliminatória dispenso, por razões óbvias. Só uma nota, que se vem repetindo com os 3 grandes: continuo a achar relativamente estranho que nenhum deles se prepare na pré-época para 80% dos jogos que vão ser realizados na próxima época. Claro que é mais atrativo, e sempre útil para aferir de qualidades e limitações, defrontar a Roma, o PSG ou o Valencia. Mas a maioria dos jogos será contra equipas da I Liga preparadas para jogar em transição e ataque rápido (como hoje se diz). Defrontar (pelo menos) um adversário similar far-me-ia sentido.

3. Adversários:

FCP: Está a apostar as fichas todas. Jogadores por 20M€, outros com salários de 5M€, DDs veteranos com salários de estrela (com o prazer acrescido de golpada no Benfica), ainda anda a ver se pesca nos grandes europeus, suplentes por 4M€ (desta feita o prazer é por roubar ao Sporting), dispensas de jogadores (apesar de tudo) emblemáticos, Tirou a pressão de BC e JJ e passou-a para Lotapeg (e para PC? aguardemos). Se o FCP não for campeão, antecipo um desastre de proporções não vistas nos últimos 30 anos por aquelas bandas.

Benfica: A estratégia do silêncio está aparentemente a resultar. Claro que fica mais fácil com estabilidade e uma imprensa amiga. Mas honra lhes seja feita: são bicampeões e estão a conseguir por a pressão toda nos rivais (que ajudaram à festa, claro está), fazendo o papel de candidato pobre, apesar de terem conseguido segurar quase toda a equipa principal que foi campeã e, por exemplo, Carcela ter custado 4M€ (tendo aparentemente por destino o banco de suplentes). Quanto ao treinador, quem me leu no ano passado sabe que não sou apreciador: ao contrário do que fazia o Estoril de Marco Silva (e daí ter gostado da opção desde a primeira hora), o Guimarães de Rui Vitória fazia um jogo de expetativa/erro do adversário que considero incompatível com o que deve fazer um clube grande. Mas aqui há outro ponto: eu vi o Benfica com o PSG e na realidade aquilo era o Benfica do ano passado. Ainda me lembro quando nos tentaram convencer a todos que o Braga de Domingos não era mais do que o aproveitamento do Braga de JJ. Veremos, agora, se as coisas correrem bem a Vitória, se alguém se vai lembrar deste argumento...

Braga: Fez uma boa escolha no treinador (já a devia ter feito no ano passado). Só não digo já que vai andar mais próximos dos primeiros porque vendeu toda a linha da frente e os substitutos são desconhecidos. Mas acredito que vai melhorar.

Outros: as suas performances vão depender, e muito, das eleições na Liga. Leram bem: eleições na Liga. Os votos vão começar a ser angariados com emprestados, à boa moda do futebol português. E esses jogadores vão fazer a diferença, como quase sempre. Alguns já estão posicionados há muito tempo, como o Belenenses. Outros começam a cair para o outro lado, como o Guimarães. Veremos até 31 de agosto para onde caem os excedentários, sendo que o Sporting tem também alguns que tem interesse em colocar (e do ponto de vista desportivo não ficam a perder, em nada, para os outros).

20/07/2015

Agora, sim!

Nota prévia: já recebi dois e-mail a perguntar-me o porquê da mudança de "Koba" para "MMS". Não há nenhum motivo. Já tinha pensado nisso há algum tempo e hoje lembrei-me de o fazer. O Koba teve uma origem e teve o seu tempo. Prolongou-se mais por uma questão de tradição do que outra coisa. Nunca teve por objetivo esconder fosse o que fosse, aliás em diversos posts assinei com o nome (e até com o número de sócio). Não há aqui nada de especial que não seja isto: agora, assino com as minhas iniciais, MMS (Miguel Menezes da Silva).

Teofilo Gutierrez foi finalmente apresentado. Confesso que com tantas peripécias já temia o seu desvio para Norte... Ainda bem que chegou, parece-me um jogador de qualidade.

Trata-se do 6º jogador contratado para esta época, depois de Jug, Bryan Ruiz, João Pereira, Naldo e Ciani. Há quem conte 7 e inclua Ewerton mas convém lembrar que já cá estava no ano passado e desde que chegou em Janeiro que se dizia que íamos exercer a opção.

E trata-se do 4º jogador desde que JJ referiu que iríamos contratar 3 a 5 jogadores (Jug já tinha chegado e Ruiz estava a ser negociado, como o próprio JJ assumiu).

Mas este cálculo dos "3 a 5" não contava com as lesões de Ewerton e William. Por isso, creio que vão chegar mais 3 jogadores, num total de 9:

- primeiro chegaram Jug e Ruiz:
- depois virão os 5 a que se referia JJ (dos quais já chegaram 3: João Pereira, Naldo e Gutierrez)
- virão ainda os 2 jogadores para suprir as lesões de William e Ewerton (um deles já chegou - Ciani).

Por outro lado, à medida que forem saindo jogadores, entrarão outros, não tenho dúvidas (JJ quer assegurar que pode efetivamente disputar o título). Por exemplo, parece-me que o Sporting não "larga" Mitroglou porque estará a negociar a saída de Slimani. Mas Mitroglou só entra se sair Slimani. Veremos.

Isto dito, podemos fazer um pré-balanço do plantel:

GR: Patrício, Boeck, Jug (que provavelmente jogará pela equipa B)

DD: creio que será João Pereira e Ricardo Esgaio, Miguel Lopes será emprestado (para um campeonato onde paguem o seu salário, espero), Geraldes foi colocado no Belém (convém ter alguma atenção a estas colocações, o Belém, de que gosto muito, é atualmente um satélite do Benfica...).

DE: não acreditava que Jefferson ficasse, pelos vistos enganei-me. Ficam Jefferson e Jonathan.

DC: esta é mais longa...

Para além de Ewerton e Paulo Oliveira, o Sporting terá também Tobias ou Ruben Semedo (um deles na A, o outro emprestado ou na B) e contratou Naldo e Ciani (este, creio, devido à lesão de Ewerton). 

Quanto a Naldo, o CV não é de facto fantástico, mas poderia lembrar dezenas de exemplos de jogadores que chegaram a grandes com CVs menos impressionantes (desde logo Maicon ou Jardel, isto para não recorrer aos livros de história e relembrar Marco Aurélio). Aguardemos. 

Já Ciani é mais difícil de compreender. Um jogador com 31 anos, a ganhar (diz-se) 2M€ brutos, que era suplente do Maurício (sim, esse mesmo) na Lazio e que esteve parado 3 meses com uma lesão (segundo li), é difícil de compreender. Pode ser que nos saia um Phil Babb na rifa, é essa a esperança. 

Naby Sarr foi obviamente dispensado, Rabia é um fenómeno que não tem explicação (a guerra que tivemos o ano passado para o trazer...).

MD/MC: esta também precisa de mais conversa

William, Rosell, Adrien, João Mário, André Martins, Wallyson

Creio que vai chegar mais alguém, dada a lesão de William. Mas, em boa verdade, se analisarmos as opções, há ali qualidade. Eu gosto de Rosell, acho que no ano passado fez uma época cinzenta mas é um jogador com qualidade (vê-se que tem mais para dar). E que poderia ter aqui a sua oportunidade para o demonstrar. 

Por outro lado, esquecendo por um momento os preconceitos com a dimensão física (e eu também já os tive, reconheço), André Martins seria uma opção a ter em conta, num sistema a 2 (que será o adotado dada a impossibilidade de jogar com William).

Aliás, em teoria (e é sempre mais fácil escrever aqui do que encontrar soluções), em vez di Ciani, poder-se-ia ter tentado encontrar um jogador que fizesse as duas posições. Com qualidade e experiência, reconheço que seria difícil. 

Adrien poderia ser uma boa opção para realizar algum encaixe, admitindo que havia quem pagasse os tais 15M€. mas com a lesão de William, parece-me impossível deixá-lo sair.

Chaby deverá ser novamente emprestado.

Quanto a Slavchev e Gauld: só surpreende os que achavam que o Marco Silva implicava com os reforços de BC. Gauld tem potencial mas precisa de minutos (um empréstimo poderia ser boa ideia); quanto a Slavchev não percebo mesmo o que viram nele alguns adeptos que defendiam que ficasse no plantel. Só altura não chega.

EE/ED: Carrillo, Ruiz, Mané, Gelson (parece ter ganho o lugar a Iuri) e... Capel

JJ pelos vistos contava com Labyad para extremo e não avançado. Mas, segundo os relatos, não tem convencido. Aliás, o próprio Capel também não. Creio que está na África do Sul como última oportunidade (que Labyad já não teve, por lesão, ou já não teria de qualquer maneira?).

Creio que o 5º elemento que JJ tinha em mente quando foi à SIC Notícias seria um extremo. Veremos se a surpresa com Gelson e/ou a fezada com Capel (neste momento não é mais do que isso) o fazem mudar de ideias. 

Heldon vai sair (volto a chamar a atenção para as colocações - Rio Ave?), assim como Wilson Eduardo (normal, como já tinha dito), Viola (a percentagem de passe que detemos não o ajuda) e Salomão (fica só por perceber a ideia de renovar contrato há 2 anos...). 

Dramé e Sacko são situações distintas: o primeiro foi um daqueles "tiros" que se aceita e se continuar pela equipa B nada a dizer (pode até ser que um dia se faça um negócio do tipo Lewis Enoh); pelo segundo o Sporting pagou ao Bordeaux. Mais um difícil de compreender e relativamente a quem não vejo muito bem qual será o plano de curto/médio prazo...

AV: Slimani (se sair, creio que entra Mitroglou), Montero, Gutierrez (finalmente!), Tanaka

Creio que Tanaka como 4º AV não deve deixar ninguém chocado. Não acho que fosse de esperar 4 AVs de nível equivalente. O 4º AV tem que ser um Weldon, um Derley ou... um Tanaka. Acho natural. O que também acho é que o Sporting, independentemente de Mitroglou, pode estar à procura de um 4º AV com outras características.

Podemos argumentar que o papel de 4º AV poderia ser de Diego Rubio, pelo que essa busca seria desnecessária. Concordo. Rubio pode eventualmente ser emprestado (tem seguramente mercado em Portugal depois do que fez na II Liga no ano passado), ainda está em fase de beneficiar disso mesmo, mas o 4º AV não tem que ser um Jardel ou um Liedson.

Podemos também argumentar que seria aqui que poderiam caber Labyad e/ou Viola. Isso depende do julgamento técnico de JJ (no caso de Viola foi essa a posição que veio ocupar no 1º ano). Eu por acaso acho que qualquer um dos dois poderia trazer mais do que Tanaka. Mas JJ olhou para eles de outra forma.

Há finalmente o caso de Betinho. Deve ser emprestado mas tem que jogar. Um empréstimo como o que teve ao Vitória de Setúbal não o ajudará em nada.

O que é certo é que comprar um 4º AV, a meu ver, não faz qualquer sentido. Há muitas opções para o lugar em causa.

***

Ficamos com 26 jogadores, ainda podem entrar mais 3. O que significa que, destes 25, alguém vai sair. Eu apostaria que se entrarem os tais 3 (sem sair ninguém), serão um médio defensivo, um extremo e um avançado. Se assim for, sairão André Martins (tenho pena...), Capel (sem comentários...) e Tanaka.

Aguardemos, primeiro, por dia 1. E depois pelo terrível 31 de agosto.

15/07/2015

A recepção a Jesus e Maxi

Como eu gostava que fosse a recepção a:

a) Jesus: um aplauso de reconhecimento pela dedicação e trabalho realizado e depois passava a ser apenas o treinador do Sporting;

b) Maxi: gostava que estivesse a aquecer quando fossem comunicadas as equipas e depois do "2. Maxi Pereira", não haver nada mais do que um silêncio ensurdecedor. Um simples desprezo.


Gorbyn

13/07/2015

Coisas que se dizem - e a responsabilidade inerente às mesmas

Em Maio de 2012 escrevi neste blog que não era (e não sou) apreciador de um certo perfil de jogador em que se enquadra João Pereira.

Não vou reproduzir o texto, porque fui muito duro com João Pereira num momento em que era praticamente certa a sua saída. E nisto, meus amigos, não tenhamos dúvidas: ninguém gosta de criticar duramente os "seus", ainda mais quando o que está em causa não são qualidades futebolísticas mas carácter; agora, se eles entretanto saem ou estão de saída, as palavras chegam mais facilmente ao papel.

Nunca vi nenhum portista escrever que o Paulinho Santos não tinha carácter para representar o FCP. E vi poucos a elogiar o enorme capitão João Pinto quando, num célebre jogo no Restelo, repreendeu o tal do Santos por ter mandado o Bino (por sinal, emprestado pelo FCP, veja-se bem...) para o estaleiro.

Isto dito, e tirando o tal excesso para com o carácter do João Pereira, mantenho a minha opinião. Não gosto de arruaceiros, nunca gostei. Não gosto de Tassottis a cotovelar Luis Enriques. Gosto, mesmo muito, de lembrar a imagem do João Pinto no Restelo. Não gosto dos cobardes que esperam que o árbitro esteja de costas para dar cotoveladas e pisões. Prefiro os Zidanes que, às claras, e fazendo valer o princípio de que "quem não se sente não é filho de boa gente", não pedem licença a ninguém para reagir a quente. Porque a isso todos estamos sujeitos. É humano.

Por isso, a chegada de João Pereira gera-me mixed feelings. Por um lado, na altura defendi que saísse, pelo que já referi acima, e também por entender que teríamos melhor, mais barato e menos problemático (sim, depositava grandes esperanças em Cedric, pelos vistos não me enganei assim tanto); por outro lado, entendo que João Pereira será melhor, mais barato e menos problemático do que Miguel Lopes (noutra perspetiva, desta feita a interna) e espero que venha mais maduro e menos quezilento.

Em que ficamos? Seria fácil eliminar esse post de Maio de 2012 e dizer aqui "bem-vindo de volta, João". Prefiro fazer de outra forma: assumir que posso ter sido demasiado duro nas palavras, mas dizer também que João Pereira, para ficar na minha lista de favoritos, tem que ter um comportamento sério em campo. Repito: sério; não digo exemplar, ou impecável, ou liso. Ninguém lhe exige que seja totó, ele tem direito a reagir a quente de vez em quando (e reconheço que será provocado algumas vezes); e pode até fazer, por uma vez, a título excecional, o que o Acosta acabou por fazer ao Paulinho Santos na final da Taça 99/2000, depois de sei lá quantas provocações (e de um historial que até o Acosta conhecia). Esse merecia que lhe fizessem isso 10 vezes. Não merecia que a direção do Sporting pusesse o JVP a entregar um ramo de flores no jogo de despedida, isso não...

No fundo, e em suma, o João Pereira tem que ser o jogador que sempre foi, beber da sabedoria de JJ para melhorar a sua postura defensiva (que não era famosa, mas enfim, teve os treinadores que teve...) e manter a sua enorme capacidade de desequilibrar ofensivamente. O que não pode fazer é pisar adversários só porque no lance anterior lhe fizeram uma cueca ou mandaram uma boca. E, se assim for, ficarei muito contente com o regresso dele. Apenas isto.

09/07/2015

Um plantel difícil de antecipar (III) - Ataque

No ataque, vivemos um momento de indefinição, tendo em conta o que vai saindo nos jornais e a quantidade de opções existentes no plantel.

Recordo que o Sporting encarou o último ano com Carrillo, Capel, Mané, Heldon (depois Nani), Montero, Slimani e Tanaka.

Destes, saiu Nani. Os restantes até ver estão por lá. Mas a eles devem ser acrescentados os regressados de empréstimos (Viola, Labyad, Iuri, Wilson, Betinho? - Heldon já referi acima), os que se "destacaram" na equipa B (Rubio, Sacko, Gelson - não conto com Cissé porque foi um claro erro de casting e não conto com Dramé porque segundo li já não está a trabalhar com a equipa principal), os que chegam como "reforços" (até agora, apenas Bryan Ruiz) e aqueles de que se fala com alguma insistência (Teo Gutierrez e Wolfswinkel).

Contando apenas com os que têm contrato, temos nada mais nada menos do que 15 jogadores. Sendo 4 os jogadores a ocupar posições no ataque, estamos a falar de 8 jogadores + equipa B (não faz sentido ter mais do que 2 jogadores por posição quando há uma equipa B, podendo eventualmente abrir-se uma exceção para um joker que treine com a equipa A mas jogue na equipa B). Ora, admitindo que o Sporting está no mercado para procurar, pelo menos, mais um (para o plantel principal), e que Bryan Ruiz fará seguramente parte do plantel, estamos a falar de 15 (!) nomes para 6 vagas. Vamos lá, um por um.

1. Carrillo - seria, para mim, a grande prioridade: é essencial renovar com Carrillo. Sei que sou suspeito, já o considero um craque desde o jogo de apresentação de 11/12 com o Valencia. Andámos demasiados anos a perder tempo com conversas de que "só é bom a sair do banco" e "é muito irregular". Não era muito difícil, permitam-me a arrogância, concluir que o problema não estava em quem se sentava ou deixava de se sentar no banco, mas na maioria dos casos no elemento que estava em pé. É essencial perceber que esta aposta num treinador que tem um histórico muito positivo no efetivo melhoramento do rendimento de jogadores deve ter subjacente um raciocínio de aposta naqueles que já estão num patamar de qualidade elevada. Carrillo, não duvidem, é dos que mais poderá beneficiar de JJ. Vai fazer dele o jogador que desde o primeiro dia se antecipou que poderia ser. Não sei quanto pede mas admitindo que estamos em patamares não obscenos, eu poria aqui as minhas fichas.

2. Capel - tratava-se, para mim, de um caso perdido. Capel teve no Sporting um percurso semelhante ao que o levou a sair do Sevilla: grande impacto inicial e percurso sempre a descer. Foi pior de época para época, sempre. Mas JJ acredita nele. Fala-se da sua conversão a DE, sinceramente não acredito muito nisso. Onde está, então, a minha esperança? Nisto: com Domingos e Sá Pinto foi dos melhores, com Sá Pinto, Vercauteren e Jesualdo idem (se contarmos apenas o grupo dos "experientes", era basicamente Patrício, Capel e Wolfswinkel, o resto correu muito mal) e depois simplesmente perdeu motivação. Motivado e devidamente enquadrado, pode ser o Capel da 1ª época. E esse tem lugar no plantel.

3. Mané - gosto de Mané, não o considero o "novo Djaló" de que alguns falam, embora naturalmente tenha muito para crescer e aprender. Para mim, tem lugar no plantel.

4. Heldon - acho que o Heldon foi uma razoável opção na 1ª época, em que havia muitas limitações. Como disse na altura, é difícil construir um plantel, com limitações financeiras, em que não haja um ou outro que, na realidade, não teria lugar em condições normais. Há outros setores em que isso ainda se verifica. Mas no ataque, com os nomes que já temos e os que entretanto voltaram ou chegaram, podemos ser mais exigentes. E neste contexto o Heldon não tem lugar. Faria sentido transferi-lo porque o empréstimo, na sua idade, já não faz grande sentido. Eventualmente incluí-lo num negócio com um clube do campeonato nacional, se houver interesse nisso.

5. Montero - como sabem, acho Montero um craque. Por mim, fica indiscutivelmente.

6. Slimani - um jogador muito útil e que fez uma super-final da Taça. Mas, havendo uma boa proposta, eu deixaria sair (admitindo que quem vem aí é efetivamente um PL "de área" e não mais um Ruiz ou Labyad). Há quem entenda que, no esquema de JJ (pensando essencialmente no Benfica do 1º ano), poderia fazer de Cardozo. Eu entendo que Slimani está longe de ter a técnica de Cardozo. Tem outras coisas em que é, até, mais forte (jogo de cabeça, intensidade, pressão). Mas, repito, admitindo que o "reforço" é um PL "de área", eu deixaria Slimani sair.

7. Tanaka - duvido que tenha lugar no plantel. Fez mais, na primeira época, do que todos esperávamos. Aquilo que se pensava ser uma jogada de marketing foi mais do que isso, sem dúvida. Para além da empatia que criou com os adeptos, Tanaka foi titular em diversos jogos, foi uma opção útil mesmo a sair do banco e teve aquele lance inesquecível de Braga (que nunca esquecerei porque foi o primeiro golo que a minha filha festejou comigo, rindo e gritando golo, ainda nem tinha 2 anos - o que obviamente não fez por ver o lance na TV mas por me ver saltar da cadeira, não criemos ilusões!). O apelo sentimental é forte mas, honestamente, não tem lugar.

8. Viola - a esperança que deposito neste jogador tem mais a ver com o facto de ver outros, que percebem mais do que eu, a dizer que é bom jogador. Eu, sinceramente, nunca o vi fazer nada de especial. E adicionalmente tem o problema da percentagem do passe, que é curta para os padrões de BC. Duvido que fique.

9. Labyad - é o ano do "agora ou nunca". Tendo em conta o investimento feito, o potencial que tinha com 18/19 anos, o facto de o termos disputado com Benfica quando JJ treinava o rival (o que demonstra que JJ o aprecia) e a época positiva que realizou no Vitesse (a primeira, segundo o que li, foi sofrível), creio que terá oportunidade. Mas sendo honesto deveria dizer dele o mesmo que disse de Viola: nunca lhe vi nada de fantástico (um golo em Olhão, vá...). Mas vai ter lugar.

10. Iuri - já o disse, creio que um ano de empréstimo a um clube de patamar superior ao Arouca seria o ideal. Em Portugal há poucas opções, essencialmente porque o posicionamento estratégico do Sporting criou uma série de anti-corpos com os clubes de média dimensão. Mas admitindo que seria possível ultrapassar alguns problemas, Vitória de Guimarães, Nacional ou Marítimo seriam boas hipóteses.

11. Wilson - aplica-se-lhe o mesmo que disse de Heldon.

12. Betinho - devia olhar para o exemplo de Filipe Chaby e perceber que, por vezes, um passo atrás pode, mais tarde, significar dois à frente. Precisa de jogar e se, no ano passado, considerou o Sporting B insuficiente para o patamar competitivo que considera necessário, deveria ponderar um candidato à subida na II Liga. Porque um clube menor da I liga dificilmente será proveitoso para as suas características.

13. Rubio - se aceitasse, poderia muito bem ser o joker que acima referi: treinaria com a equipa A, estaria disponível para jogar na B. Do que vi na equipa B, é jogador com qualidade. Falta alguma ratice e ganhar algum pedal. Se houvesse interessados na I Liga, o empréstimo também seria uma boa opção.

14. Sacko - não lhe vi nada de especial, por mim ficaria na equipa B ou seria emprestado.

15. Gelson - tenho um feeling que será este o jogador em que JJ irá apostar. É um mero feeling, mas parece-me o tipo de jogador que JJ aprecia. Neste exercício, estou a contar com ele.

Com isto, ficaríamos com:
EXTREMOS: Carrilllo, Capel, Mané, Gelson
AVANÇADOS: Labyad, Ruiz, Montero e o reforço.

Creio que será por aqui. Há a incógnita Slimani - se ficar, pode significar que há 9 opções para 4 lugares, ou pode significar que já não se conta com Carrillo (sendo Labyad deslocado para a ala), ou que há boas propostas por Montero (ficando Labyad e Ruiz como opções para AV mais recuado e Slimani e o reforço como opções mais fixas). Prefiro o cenário que idealizei ou as 9 opções. As saídas de Carrillo e Montero antes de passarem, pelo menos, 1 ano com JJ, podem ser erros históricos. Vamos evitá-los.

07/07/2015

Um plantel difícil de antecipar (II) - GR, Defesa e Meio-campo

JJ noutro dia deu algumas (poucas) pistas. Falou de 3-5 entradas (creio que está a assumir que não sairá ninguém, deixando margem para mais jogadores em caso de vendas) e da inclusão de 2 jogadores da equipa B (já ouvi de tudo nestes dias na imprensa: Gelson, Wallyson, Palhinha, Ruben Semedo, etc.). Deu também a entender que o modelo de jogo será semelhante ao do Benfica, com 2 AV (um mais fixo outro mais móvel). Ainda assim, difícil pensar num plantel.

Vamos lá tentar nome a nome, com os que temos e aqueles de que se fala (e falou):

Patrício - não acredito que saia para o Atletico Madrid. Considerando qualidades, potencial, idade, etc., o Atletico está bem servido com Oblak. O facto de estar no patamar em que está sendo 4 ou 5 anos mais novo é decisivo. E o Atletico está naquele núcleo de clubes que faz negócios que ninguém percebe, do qual estamos claramente afastados. Creio que Patrício fica.

Boeck - uma incógnita: tanto pode querer sair para jogar, como manter a posição de "reserva moral" (literalmente!). É daqueles jogadores que eu deixaria fazer o que quisesse. Por gratidão.

Nos GR, o tema é simples: saindo Patrício, precisamos de quem dispute a titularidade com Boeck; saindo Boeck, precisamos de quem seja um suplente sólido de Patrício. Creio que o GR esloveno veio para aprender e pelo que fui vendo da equipa B, o Luís Ribeiro está ainda "verdinho" e poderia beneficiar de um empréstimo na I Liga, desde que jogasse.

Miguel Lopes - a transferência está fora de causa, 5M€ para o Porto não passa pela cabeça de ninguém, muito menos na de BC. Ou sai por empréstimo ou acaba por acordar com BC uma redução salarial que lhe permita ficar.

Esgaio - creio que terá lugar garantido no plantel

Jefferson - duvido que fique (entrou em conflito com BC...), mas recordemos que os DE são os calcanhares de Aquiles de JJ, desde a descoberta de Coentrão. Havendo proposta ao nível da de Cedric, sai. Fala-se de Insua: seria muito bem jogado (mas, enfim, trata-se do Atletico - v. acima).

Jonathan - histerias pós-Dragão à parte, sempre foi uma boa alternativa. E vai seguramente aprender muito com JJ.

Paulo Oliveira - não é muito justo que todos os dias se fale de centrais quando fez uma época positiva e um Euro enorme. Mas compreende-se: é um jogador em crescimento e o Sporting, pelos vistos, quer ganhar já. O último nome de que se fala é o de Douglão. Sinceramente, do que me lembro, não me parece jogador para o Sporting. Mas parece certo que teremos um defesa central novo.

Ewerton - vai ficar e muito bem.

Tobias - será o 4º central. Também poderia ser Ruben Semedo. O que não ficar no plantel deve, a meu ver, ser emprestado a um clube da I Liga.

Na defesa, está tudo mais complicado. Muito depende da apreciação de JJ. Creio que o DC é certo. DD e DE dependem das soluções que sejam encontradas para Miguel Lopes e Jefferson.

William - se ficar, será excelente. Se não ficar, terá que ser contratado um MD. Danilo seria uma boa opção, preferiu o FCP (que naturalmente deve pagar mais). JJ deu bem a volta ao tema, falando do futuro, ou seja, Danilo seria a alternativa a William.

Rosell - creio que fica, é um bom jogador.

Adrien - fala-se de uma proposta do Monaco de 10M€. A ser verdade, compreendo que seja transferido. Tem um salário alto e em boa verdade, sendo o MC montado à imagem de JJ, vejo ali uma dupla William/João Mário e Adrien no banco. Pode custar a muitos sportinguistas ver (alguns) desconhecidos do Benfica sair por 15 e Adrien por 10. Mas compreenda-se que o Sporting está, ainda, fora dos grandes mercados. A nossa transferência mais cara continua a ser Nani, há 7 ou 8 anos. Depois disso, tanto Benfica como FCP transferiram vários jogadores por verbas muito superiores. Trabalhemos para estar nesse mercado mas com a noção de que, por ora, 10M€ por Adrien seria normal.

João Mário - indiscutível.

André Martins - depende de JJ. Pode ser uma alternativa para o lugar de João Mário. Comigo ficaria.

Wallyson - pode ser um dos nomes a lançar por JJ e o 5º nome do meio-campo.

No meio-campo, ficando William, e mesmo saindo Adrien, eu não mexeria.

Deixo para post diferente os Extremos e Avançados, onde tudo está muito mais difícil de antecipar (até porque vejo diferentes alternativas no plantel mas vejo também o Sporting à procura de várias opções - e JJ não desmentiu nem Ruiz nem Wolfswinkel).