16/12/2014

O melhor 11 da minha vida

Desculpem mas não quero falar do jogo de Domingo. Um regresso tristonho ao início da época que matou, de vez, as aspirações para a conquista do campeonato. O Moreirense fez pela vida e, do que me apercebi pela TV (uma gripalhada das antigas impediu-me de ir ao estádio), nem sequer abusou particularmente do anti-jogo. Não precisou.

Vou apenas destacar dois detalhes que podem ter passado despercebidos. Slimani fez uma jogada decente em todo o desafio (aliás, a melhor jogada que lhe vi fazer desde que chegou ao Sporting) e com isso criou a nossa melhor oportunidade. Carrillo fez um bom jogo, contribuindo quase sempre de forma positiva para o jogo da equipa, mas falhou a melhor oportunidade do jogo. O que fui lendo por aí? Que Carrillo é jogador para entrar na 2ª parte.

A sério, percebam que Carrillo é o jogador em que mais se sente o efeito Nani. Está cada vez mais jogador. Pena que poucos se predisponham a aprender com quem sabe mais do que nós para perceber o que isso é. No meu caso, o blog linkado começou por me irritar; hoje percebo que deve ser frustrante andar na blogosfera a ler chico-espertos (como eu, por exemplo) a escrever disparates e a achar que o futebol, por ser o fenómeno que é, se discute com base na laracha. Podemos fazê-lo, até certo ponto. Mas depois chegam os Shikabalas, os Rabias, os Slavchevs e percebemos que as larachas não chegam. É preciso, por incrível que pareça, saber jogar futebol.

Aprendo mais a lê-los do que a ouvir qualquer comentador da TV. E também poderia falar deste, com quem discuto regularmente (mais por teimosia), quando na realidade  foi quem me iniciou na busca do que é verdadeiramente bom futebol. Mas, infelizmente, resolveu fechar as portas.

Adiante. Resolvi passar à frente do ponto final nas nossas aspirações e eleger o melhor 11 da minha vida. Na realidade, não é bem da minha vida, porque só comecei a ver futebol a partir de 84 ou 85. Até aí, ia à bola porque era giro. E não me lembro de ver jogar Kostov ou Oliveira. Por isso, diria que é o melhor 11 do Sporting nos últimos 30 anos. Quanto a táticas: vou para um 4x4x2 losango para poder aproveitar os que quero.

Ei-lo:

GR: Schmeichel, com menções honrosas para Damas e Patrício (até porque para além destes não houve nenhum que merecesse destaque). Damas pelo símbolo que era e é, Patrício pela determinação com que conquistou a baliza e os adeptos. Mas o melhor foi mesmo Schmeichel, não apenas pela fantástica carga mediática e o contributo que deu para o campeonato de 99/2000, mas também porque, efetivamente, era... o melhor GR, em todos os aspetos (realço que o comparo ao Damas que vi jogar, não ao Damas das décadas de 60 e 70).

DD: uma posição difícil, onde nunca fomos particularmente felizes. Poderia referir Xavier, que fez 90/91 nessa posição com grande rendimento; poderia referir César Prates, que não era particularmente apreciado mas cumpria e foi duas vezes campeão; mas o melhor que vi jogar foi Nelson. Pertenceu a grandes equipas e só conquistou uma Taça, mas era um DD de grande qualidade. Muitas vezes nos esquecemos dele, pelo seu perfil discreto. Mas, se pensarmos bem, não houve melhor. Uma última nota para uma confissão envergonhada: eu gostava do Saber. Podem enxovalhar-me.

DE: Rui Jorge. Pelo que representava em campo e também pelo que fazia com os pés. Poderia não ser um defesa soberbo, mas não me lembro de nenhum melhor do que ele. Menções honrosas creio que apenas duas e ambas com um "apesar de tudo": Insua e Tello.

DC (x2): creio que nos últimos 30 anos apenas há um indiscutível para qualquer sportinguista - André Cruz. O parceiro poderia ser Naybet (um central com um estilo que eu aprecio bastante), Marco Aurélio (grande classe, mas marcado negativamente por um lance num derby, só mesmo no Sporting se queimam jogadores por lances destes), Luisinho (bons pés, grande experiência) ou, para alguns, Stan Valckx (eu não era um particular apreciador mas merece constar da galeria). Escolho Naybet.

MC (x4): gostaria muito de poder escolher William Carvalho, tivesse ele, este ano, o rendimento da época passada. Mas não tem. Por esse motivo também não posso escolher Vidigal que verdadeiramente apenas fez uma boa época no Sporting, precisamente a de 99/2000. Peixe prometeu mas nunca atingiu um patamar de indiscutível qualidade, assim como Veloso. Douglas tinha pinta, mas jogou numa fase em que era difícil ter grande destaque. Paulo Bento veio numa fase já tardia da carreira. Delfim foi perseguido por lesões. Assim, pensando numa posição mais defensiva, inclino-me para Oceano, pela enorme carreira, pelo grande capitão que foi e por ser um jogador que, não sendo tecnicamente genial, tinha a enorme virtude de saber que o não era. Permitam-me, por isso, um pontapé nos parágrafos iniciais deste texto para incluir um grande símbolo do Sporting. Avançando no terreno, gostaria de incluir Duscher, Nani e Balakov (um box-to-box, um extremo que durante anos jogou em losango e um 10 puro - o treinador que os organizasse como quisesse!). Mas poderia referir aqui, entre muitos outros, Hugo Viana, Pedro Barbosa, novamente Xavier desta feita como meio-campista, um JVP mais recuado, um Izmailov ou um Matias se pensarmos apenas na qualidade técnica dos jogadores.

EXT: Muitos nomes poderiam constar da lista, mas não vou escolher nenhum porque "arrastei" Nani para o 4x4x2 losango. Se excluirmos os que não merecem ser aqui citados por outras razões que não as futeboleiras, viriam logo dois nomes à cabeça: Ronaldo e Quaresma. Mas convenhamos que o primeiro, no Sporting, não teve tempo para figurar neste 11; e o segundo, embora mais marcante, teve uma primeira época impressionante (que, sim, valeu vários títulos) e, a partir daí, nunca evoluiu para o patamar que todos esperávamos. Os demais não mereceriam entrar no 11. Por favor, nem me peçam para falar de Luís Figo...

PL: a posição em que sempre fomos mais fortes. Recordo-me de o FCP e o SLB disputarem campeonatos sem grandes avançados (lembrem-se de Penas, Postigas, McCarthys ou de Vatas, Aíltons e Nunos Gomes). O Sporting sempre dependeu de grandes avançados para fazer boas prestações. Lembro-me de Manuel Fernandes e Jordão, lembro-me de Gomes já em fim de carreira, lembro-me de Acosta, Jardel, JVP ou Liedson. A todos eles associamos os melhores resultados dos últimos 30 anos (o Manel e o Jordão um pouco mais do que 30 anos, mas estes têm um tratamento especial). Aqui, sou um sentimentalão: opto por uma dupla Manuel Fernandes (ídolo de sempre) e Acosta (que deu um gigante contributo para a maior alegria da minha vida desportiva). Mas reconheço que, se pensasse apenas no rendimento, teria que ir para JVP e Jardel...

E ficaria algo como isto: Schmeichel; Nelson, Rui Jorge, Naybet, André Cruz; Oceano, Duscher, Nani, Balakov; Acosta, Manuel Fernandes. Nada mau.

Próximo post: o pior 11 de sempre. Preparem-se para recordar grandes nomes e para o choque geracional entre Rodolfo Rodriguez e Costinha, Renato e Gladstone, Gimenez e Pongolle. Vai fazer faísca!

PS: Ofereço 1.000 Euros a quem acertar, precisamente, no valor que custou Maurício.

12 comentários:

  1. Koba,

    A questão de Mauricio é só com valor de aquisição ou tem que se juntar erros desportivos?

    Por favor não se esqueça de Toni Robaina, Carlos Jorge (MC canhoto brasileiro gordo) e Kmet

    SL

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    1. RRAleixo, detetou muito bem que a questão do Maurício vinha com uma rasteira um pouquinho demagógica...

      Mas nos tempos que vivemos, até passaria despercebida

      SL

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    2. Creio que brazuca era Carlos Miguel.
      Carlos Jorge era um central que veio do Marítimo em 92/93, quando contratámos o "mítico" Pedro Barny.

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    3. Só agora li a correção do Cantinho!

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  2. Bom 11.
    Muito bem lembrado essa do Nelson (que, com Octávio, jogou a defesa-esquerdo, com Luis Miguel na direita). A defesa direito houve 1 que eu gostei muito, mas esteve cá pouco tempo e foi muitas vezes mal aproveitado: Rogério.
    Grande jogador. O Peseiro teve sempre a mania de colocá-lo no meio-campo. Se formos ver a estatística, grande parte das vezes que isso aconteceu, o Sporting sofreu 3 golos. A última vez que isso aconteceu? Numa final da Taça Uefa em Alvalade... (lembro-me de ir para o estádio, ver a equipa titular e ter uma péssima sensação).

    Oceano não. Com significado simbólico sim, pela qualidade, não (aquele jogo com o Inter...) Vidigal ou William.

    Na frente, a dúvida entre Acosta ou... Jardel (nunca vi nada assim). Mas percebo e aceito a escolha de Acosta (que tem um enorme significado e importância para nós).

    Venha de lá o pior: não esquecer Had e Purovic, que tinham dificuldades em andar.
    (Gil Baiano, Balajic, Miguel Lopes, Ronny, Nené, Bruno Caires, Mahon, Kirovski, Hugo, Dimas, Lang, etc - é só escolher).

    RRAleixo,

    não era Carlos Jorge (esse era central, vindo do Marítimo), mas sim Carlos Miguel.

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    1. O Dimas nem era muito mau. Já lá tivemos bem pior.

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    2. Cantinho,

      Este 11 é a prova do que foi a gestão dos últimos não 10, não 20 mas 30 anos. Não é nada fácil fazer um dream-team, há posições (como DD, DE ou MD) em que é verdadeiramente complicado dizer "o craque foi este, indiscutivelmente". Jogadores medianos atrás de jogadores medianos, com treinadores medíocres atrás de treinadores medíocres, tudo, claro, com dirigentes fraquíssimos a coordenar a orquestra. Depois vemos 4 campeonatos em 40 anos e há quem não entenda...

      Agradeço todos os contributos para o pior 11, mas tinha pensado estabelecer um critério: pelo menos uma época a jogar regularmente na equipa principal. Elimina Had, Balajic, Nené, Bruno Caires, Mahon, Kirovsky, Robaina, Carlos Miguel e Kmet. Como elimina, infelizmente para todos os que sabem rir-se de si próprios, craques da dimensão de Missé-Missé, Ivo Damas, Mota e Gladstone (que tinha referido no post mas não vou poder incluir).

      Os restantes são, todos eles, fortes candidatos, sendo que Purovic terá, seguramente, um lugar garantido no 11.

      Quanto ao Dimas, provavelmente ficará mesmo de fora - prefiro um Vinícius ou mesmo um Valtinho adaptado!

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    3. Tiui, Bueno e Krpan? Parece-me um tridente de luxo... :-D

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    4. o Tiuí deu-nos uma Taça contra o FCP com direito a bicla no segundo golo!

      Bueno e Krpan são candidatos mas duvido que cheguem ao 11 - infelizmente, nestes 30 anos, houve candidatos muito fortes (aliás, já tenho a dupla de ataque na cabeça, salvo outras lembranças que agora não me ocorrem: Purovic e Gimenez)

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  3. Não esquecer o Mário Cáceres, o Marcos Paulo, o Kutuzov ou o Ricardo Fernandes.

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  4. Paulo Sousa no meio campo?
    Eu sei que foi só uma época mas....

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