12/12/2014

Ida a Londres



Fui a Londres ver o Sporting. Aproveitei o fim-de-semana ligado ao feriado, arranquei no Sábado e voltei ontem.

Ainda vi o jogo com o Boavista (resolvido por Carrillo, a quem agradeço ter acabado com a malapata de não ganharmos no meu dia de anos) e confesso que fiquei dividido: boa ou má a escolha de Miguel Lopes? Boa, porque se Esgaio jogasse e se lesionasse ficávamos sem lateral para Chelsea? Má, porque Esgaio foi para Stamford Bridge depois de "adquirir ritmo" em Santa Maria da Feira, Tapadinha, etc.? Esta até podia deixar passar. Mas dificilmente deixo passar o facto de o Esgaio ter sido remetido ao esquecimento depois de até ter começado bem a temporada. Foi chamado para um jogo desta responsabilidade numa altura em que, se bem percebo, nem com a equipa A estava a treinar.

Opções à parte, o Sporting até fez um jogo razoável. Convém aliás começar por dizer que a diferença de qualidade era enorme. O Chelsea está muito bem treinado. Nota-se que há ali trabalho de qualidade, Mourinho parece ter regressado ao bom futebol, depois de alguns traumatizantes anos em Madrid. Na pressão, no envolvimento ofensivo, na capacidade de criar sucessivas (e alternativas) linhas de passe, nota-se o dedo de alguém que quer uma equipa a jogar futebol de qualidade. Não tínhamos hipótese. Mas tentámos assumir o jogo e jogar o que podíamos.

Ainda assim, não deixa de ser verdade que o Sporting se apresentou em Londres com uma equipa sem nível para este tipo de jogo. Faltou Nani e faltou... Montero. O primeiro foi azar, quanto ao segundo... já lá vamos.

Vamos esquecer os esforçados defesas, que fazem o que podem e dão o que têm. Chega de bater no ceguinho: o Sporting precisa de 1 central ou mesmo de 2 centrais. Ponto. Janeiro está a chegar. Aos atuais, nesta fase, só elogios: tendo em conta aquilo que sabem fazer, até considero que se têm excedido.

Do meio-campo para a frente há um problema diferente: Marco Silva (que, repito, trepito e quadrepito, é o meu treinador para os próximos 4 anos) tem outras opções e não as aproveita.

William Carvalho há muito deveria ter perdido o lugar para Rosell.

Adrien é o contrário de um Maurício - enquanto que Maurício vale 12, sabe que vale 12 e faz "das tripas coração" para sacar um 13 no exame final, Adrien será um 14 que acha que vale 18. Moral da história: às vezes estuda pouco para a oral e acaba com 11 ou mesmo 10. Passa porque as alternativas não são fabulosas, mas André Martins parece-me nem sequer entrar nos planos para essa posição e poderia ser uma boa opção. Tal como Rosell, se quisermos manter William Carvalho.

João Mário para mim seria sempre titular, ainda que não esteja na melhor das formas. E se jogarmos com 2 PL, que seja opção no duo do meio-campo, com Rosell, por exemplo.

Carrillo, enfim: quando Nani não joga, é o jogador que todos os colegas procuram. Creio que está tudo dito.

Deixo para o fim os dois mais claros fenómenos que evidenciam a diferença entre a Liga e a Champions: Capel e Slimani. O primeiro é um jogador útil na Liga porque ganha faltas e saca um par de cruzamentos (na Champions, nada disto); o segundo marca golos porque tem algumas qualidades muito úteis mas na Champions, onde o nível é outro, não ajuda a construir uma jogada durante 90 minutos. Contei, na primeira parte, com um amigo que às tantas me ajudou a contar também, o número de intervenções felizes de um e de outro: Capel fez um passe acertado à 4ª intervenção, e foi um passe para trás; Slimani segurou uma bola decentemente à 7ª oportunidade para o efeito. Assim fica difícil. E quando há, no banco, Mané e Montero, mais difícil fica perceber tudo isto.

Enfim, vamos para a Liga Europa onde, olhando aos adversários que se perspetivam e à nossa "sorte" em sorteios, antecipo um confronto com Liverpool, Roma ou Sevilla. Ideias seriam Aalborg, Guingamp ou Young Boys (ainda assim não seria fácil). E temos ainda os meios-termos, como Ajax, PSV, Trabzonspor ou Wolfsburg, em que seria 50/50. Mas claramente um pote muito complicado.

Uma palavra final para os adeptos: o Sporting "encheu" Londres. Não havia rua, loja, restaurante onde não se vissem os mais bonitos cachecóis que há no mundo. E, já no estádio, os adeptos foram incansáveis no apoio, não parámos um segundo (não que fosse difícil: os adeptos adversários são do mais fraquinho que já vi, mesmo considerando que o jogo para eles era a feijões). Mas atenção: não contem comigo para cânticos relacionados com outros clubes que não o adversário no jogo. Cânticos dedicados ao Benfica num jogo destes revelam um complexo de inferioridade que até nem é verdadeiro. E os insultos a Mourinho, que só teve palavras elogiosas para nós, ainda menos compreendo. Mas nesses percebi rapidamente que éramos muitos a assobiar esse cântico, e que o mesmo durou apenas alguns segundos. Chegará o dia em que também cânticos com a palavra "lampião" lá para o meio serão silenciados quando o Benfica não estiver em campo.

12 comentários:

  1. Olha que o Paulo Oliveira tem mostrado um bom crescimento de qualidade. Portanto eu diria que "só" precisamos de um central.

    Em relação ao William, concordo com o que dizes que já deveria ter perdido a titularidade para Rosell.
    O Adrien também é aquilo que a gente sabe. É um jogador médio/bom, mas não dá mais do que aquilo.

    Em relação a Slimani/Montero, é obvio que o Montero tem que ser sermpre ttular. O problema é que Montero precisa de ter alguém à frente dele a aguentar os centrais, logo, Slimani também tem que ser titular, o que depois limita as nossas outras opções de meio campo.

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    1. Mike, do que tenho visto o Paulo Oliveira anda ali nas dobras a apagar fogos. O tema será até mais coletivo do que individual, mas era suposto termos menos situações em que o central tem que aparecer nas costas a dobrar o outro central ou o lateral. Mas sim, acredito que se possa fazer com um central mais sólido ao lado.

      O Montero em forma, e com Nani, Carrillo e João Mário a acompanhar, segura muitas bolas mesmo sozinho ali no meio e, mais importante, deixa-as-jogáveis para os colegas. Não jogando com 2, como creio que se poderá fazer muitas vezes, eu jogaria só com Montero.

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  2. O que me deixou mal disposto foi ver que a enorme iniciativa de Carrillo no início do jogo foi completamente desperdiçada muito por causa de Capel e Slimani. Aqui culpo Marco Silva inteiramente. Jogar com estes 2 jogadores na Champions é desgostoso quando se tem no banco opções muito melhores...

    Em relação ao Esgaio, acho que até nem fez um mau jogo. No lance do penalty vê-se mesmo a falta de experiência do rapaz. Sentiu a sua falha mas aos poucos foi ganhando confiança. Jonathan teve bastante pior, mas como marcou um golo (bom golo), ninguém fala nisso.

    Cumps,
    RMSCP

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    1. RMSCP, precisamente

      Recordo logo no início do jogo uma grande jogada de Carrillo que termina com um toque absolutamente disparatado de Capel.

      Por muito agradável que seja o nosso futebol e por muito que simpatize com o treinador, não há como fugir da responsabilidade de Marco Silva. Concordo, portanto.

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  3. Koba, antes de mais parabéns.

    Quanto ao resto não acrescento mais nada. Muito boa a comparação das notas do Mauricio e do Adrien.

    Abraço

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    1. Obrigado Leão, recordo inúmeros jogos a 5 de Dezembro ou datas próximas (posso ter celebrado com família/amigos a 4 ou a 6 por dar mais jeito) e não tenho memória de uma só vitória. Recordo em particular um Sporting-Spartak em que fomos varridos (1-3) para fora da Europa. Autor do nosso golo: Milan Purovic...

      Um abraço

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  4. Relativamente ao ambiente nos estádios, os melhores adeptos em Inglaterra são os do Liverpool, ponto. Seja em que estádio for. Os do Chelsea não são nada de especial, embora o jogo com o Sporting não seja o mais adequado para os avaliar, porque para eles a partida não tinha importância. Nos jogos com o Arsenal, ou com o Man United, há muito mais barulho, apesar de não bater o ambiente de Anfield Road.

    Os adeptos do Chelsea habituaram-se a ganhar, habituaram-se a esperar que a equipa resolva os jogos. Além disso, a maioria do público que vai a Stamford Bridge são pessoas da classe média-alta, e esse é um problema que tem sido debatido em Inglaterra, porque muita gente também acha que a diversificação do público que vai ao estádio (baixando o preço dos bilhetes para que mais jovens possam ir regularmente ao futebol, por exemplo) é essencial para que os estádios tenham uma atmosfera mais vibrante.

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    1. Jordão, é mesmo isso, e aliás comentei no post, este jogo não era o melhor para avaliar. Mas já em Alvalade foram discretos, o mesmo se diga dos do City. Em contraponto com os do Bolton e do Middlesbrough (ruidosos todo o jogo).

      Os melhores adeptos que já vi foram os do Legia, a única claque que se fez ouvir em Alvalade durante 90 minutos, mesmo por cima dos nossos cânticos. E continuaram a cantar até poderem sair do estádio. Fantásticos.

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    2. Sim, cá foram completamente discretos. Nunca tinha visto ingleses tão calados num estádio. Mas não se pense que lá o Chelsea desvalorizou o jogo com o Sporting, porque não desvalorizou. Stamford Bridge até teve mais espectadores com o Sporting do que no jogo com Schalke, mas compreende-se que já tendo o primeiro lugar assegurado, o ambiente nunca poderia ser comparável com um embate a doer.

      O estádio do Légia tem um ambiente impressionante. Praticamente todos os adeptos vestem-se com a camisola do clube e todas as bancadas agem como claques. O barulho deve ser infernal!

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  5. Os adeptos do Chelsea não prestam.
    Estive na final de há dois anos em Amesterdão quando jogaram com o Glorioso e estiveram o tempo todo calados, com excepção de quando marcaram aqueles 2 golos indecentes !

    Mas sabem reconhecer a qualidade dos adeptos adversários.
    Prova do que digo é que eles filmaram a nossa claque durante o jogo e puseram no youtube. Acho que merece ser visto, porque o tipo começa a filmar o jogo e vai subindo a câmara até apanhar as bancadas gloriosas:

    http://www.youtube.com/watch?v=XIutLKLJv1E


    depois já vi Liverpool (impressionantes !), Man United (calaram-se de choque quando os eliminámos na Champions de 2005-2006) e Newcastle (impressionantes também que só se calaram com o nosso 3º golo)

    E depois há o Celtic . Maravilhosos:

    http://noparalelo23.blogspot.pt/search?q=celtic

    abç

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  6. Excelente análise Koba... Subscrevo (quase) a 100%.
    A única divergência tem a ver com o Paulo Oliveira, que acho estar a crescer e a mostrar muita qualidade.
    De resto, na mouche!
    Fica a questão... Será que o Marco Silva não está mesmo a ver alguns destes pontos, tão evidentes?
    SL
    Lanterna Verde

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  7. Koba,

    Inveja. É o que tenho a dizer/escrever. Mas não no sentido negativo que esta palavra normalmente traz consigo.
    Inveja porque foste ver o jogo ao lugar mais especial de todos. E só isso deve ter sido brutal.
    Inveja porque depois do jogo não quis escrever muito sobre ele porque tinha tantos alvos que ia ser injusto. Mas tu não foste por aí e escreveste, escrevendo tudo aquilo que eu queria ter escrito, desde da "questão Esgaio", passando pelos centrais, Montero, Capel, Slimani, William, Rossel, Martins e Liga Europa.

    Numa coisa temos de ser realistas, depender deste jogo para passar na Champions era algo que nos deixava praticamente de fora. Mas a imagem deixada em Londres foi fraca. E as opções foram muito questionáveis. Neste jogo o Sporting tinha de rentabilizar ao máximo as poucas posses de bola que teria. E isso faz-se com jogadores de qualidade. Se Marco Silva pensou assim, tudo bem. O mal foi pensar que os homens indicados para o fazer seriam Capel e Slimani. E isso não é reconfortante.

    Mas fica a certeza de se ter um grande plantel. Pois só isso pode explicar como é que se deixa Montero de fora. É porque os outros são melhores que ele. E isso deve-nos deixar descansados...

    ps: não sei ao certo, mas acho que esse jogo com o Spartak ficou 1-2, com um golo de Bueno... Tivemos perder 0-2. Bastava o empate para se ir à Liga Europa mas perdemos. Lembro-me de ver o jogo ao vivo mas posso estar errado no resultado e marcador leonino.
    Purovic... Esse como o Had tinham um grande problema: dificuldades em andar. Pode ser um handicap para quem joga futebol.

    abraço

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