30/12/2014

Escrever direito por linhas tortas

Assumo claramente que estou muito desiludido com as últimas intervenções de BC e tudo o que causaram. Seja qual for a verdade dos factos, a instabilidade deste final de ano (ainda que seja apenas mediática, o que muito duvido) veio de dentro para fora. Mesmo admitindo que tudo o que se diz por aí sobre Marco Silva tem um fundo de verdade, fazer passar a mensagem (ou permitir que ela passasse) foi um erro tremendo. O blackout é absurdo por isso mesmo: não foram os OCS que criaram o problema que o Sporting vive atualmente, foi o próprio Sporting.

Isso não me impede de dizer que o que ontem se fez naquela Taça muito engraçada já devia ter sido feito há muito tempo. Como bem sabe quem me leu nos últimos anos, há muito defendo que esta competição deveria destinar-se a jogadores menos utilizados e jogadores da equipa B. Devia ser uma opção assumida pelo clube, independentemente dos dolos não intencionais da vida. Devia, aliás, ser uma opção de todos os clubes, em particular os grandes. O Benfica fê-lo no ano passado - e tinha um plantel tão forte que acabou a conquistar a competição. A meu ver, fê-lo, pela primeira e única vez, da forma como o deveria ter feito sempre: jogando (também) com os menos utilizados.

Boeck, Esgaio, Geraldes, Tobias, Sarr, Rosell, Slavchev, Gauld, Podence, Heldon, Tanaka. Podiam também jogar muitos outros, como Wallyson, Dramé e Sakho que depois entraram, ou Iuri Medeiros, ou Cissé ou Fokobo. O essencial é dar uma oportunidade competitiva a quem tem menos ritmo e a estrutura considera ter potencial.

Foi uma opção de BC. A meu ver, os motivos não foram os certos - a opção deveria ser estrutural e não conjuntural. Mas a opção é dele. E graças a essa opção, escreveu-se direito por linhas tortas.

PS: Com um golo adversário aos 5 minutos de jogo, viu-se que as coisas são bem mais difíceis, não é Rui Vitória? Mesmo contra um misto de BB e jogadores nunca antes utilizados... Jogar assim 30 jornadas em 34 não é para todos. Isto para os que defendem Rui Vitória como uma boa opção para substituir Marco Silva, o tal que "não ganha aos pequenos"...

PS2: Que não se interprete este post na lógica do "uma no cravo, outra na ferradura". Não retiro uma vírgula ao que escrevi e comentei no post anterior. O que está mal é para apontar; o que é bem feito (ainda que pelas razões erradas) é para salientar também. Parece-me normalíssimo.


29/12/2014

Especulações que fazem (?) sentido

O que me faz sentido face às ocorrências dos últimos dias (mas não deixa de ser especulação, não tenho qualquer inside info):

1. Bruno de Carvalho decidiu despedir Marco Silva. As razões, desconheço. Desconhecemos, (quase) todos nós. Resultados, declarações, divergências, aposta nos BB, temas de empresários, não sei.

2. A opinião pública reagiu mal. Os principais apoiantes de BC dividiram-se, mesmo os mais fervorosos. Os opositores aproveitaram a ocasião para assinalar que BC seria o responsável pelo que corresse mal este ano. [há uma coisa em que BC é seguramente responsável: o seu discurso fomenta a divisão entre "apoiantes de BC" e "opositores de BC" - nunca corrigiu esta "detalhe" e temo que um dia pague caro por isso]

3. BC, assim, aguardou. Guardou a decisão até à última (leia-se: não quis despedir Marco antes do Natal, o que seria "politicamente" mal interpretado). Provavelmente para manter o sigilo, manteve a decisão com um núcleo restrito de confiança (Vieira, Quintela, eventualmente Inácio).

4. A 26.12, BC terá comunicado a decisão a 2 ou 3 opinion makers de confiança (José Eduardo, Eduardo Barroso, eventualmente Paulo Andrade) e restantes membros dos órgãos sociais. A partir daí, seria necessário construir uma imagem de Marco Silva que facilitasse o despedimento.

5. Começa a preparar-se o terreno para o anúncio da decisão. José Eduardo, a 26.12, à tarde, antecipa o conteúdo do seu artigo n'A Bola no dia seguinte. Como em qualquer caso em que se pretende passar uma mensagem subliminar, BC deixa cair, "a talhe de foice", que os únicos representantes do Sporting em que se revê são Eduardo Barroso e, guess what?, José Eduardo.

6. Sucede que, na noite de 26.12, conclui-se que o despedimento não seria possível. Coloco várias hipóteses:
(i) o departamento jurídico concluiu que não existia justa causa [será possível que apenas no dia 26.12 o departamento jurídico tenha dado um parecer final a BC e que este, precipitadamente, tenha começado o processo mediático antes de conclusões jurídicas "seguras"?]
(ii) a decisão, quando comunicada a membros dos órgãos sociais, colocou em causa a estabilidade diretiva [poderia estar em causa a demissão de algum ou alguns dos membros, há muito se ouvem zunzuns sobre algumas pessoas não apreciarem o estilo "one man show" de BC]
(iii) o núcleo duro do plantel opôs-se à decisão [nem seria preciso o núcleo duro: bastaria Nani ameaçar bater com a porta em Janeiro]
(iv) [a mais remota] Marco e BC falaram e entenderam-se.

Mais um capítulo da autofagia. Nisto, BC não é diferente dos seus antecessores: cada vez mais inculca a autofagia como elemento do nosso ADN.


22/12/2014

Alguns momentos a reter

O primeiro momento a reter: Adrien Silva, o valoroso jogador nota 14 que acredita cegamente (qual Paulo Fonseca) que só não tem 18 porque os professores protegem os que têm mais estatuto, recebe uma bola de Rui Patrício à entrada da área. Louva-se a intenção de sair a jogar mas Adrien está pressionado, de costas para o jogo e sem linhas de passe, porque os adversários ocupam o espaço entre Adrien e os colegas posicionados em zonas laterais do campo. O momento pede (exige) novo atraso para Rui Patrício ou algo só ao alcance de um nota 18: (i) um passe para um dos flancos por cima do adversário ou (ii) uma rotação com a bola controlada e sair a jogar. Para nossa sorte, Adrien percebeu que para a segunda possibilidade não tem argumentos; para nosso azar, achou que conseguia fazer a primeira com um passe rasteiro (ou pior: tentou o passe por alto mas saiu-lhe rasteiro). Conclusão: o Nacional recuperou a bola perto da meia-lua da (nossa) grande área. Com qualquer Pardo, Hernâni, Hurtado, para nem falar de Brahimi ou Gaitan, o golo era uma certeza. Ali, acabou com Suk a mandar a bola para fora do estádio.

Segundo e terceiro momentos a reter: Slimani tem duas oportunidades de golo daquelas que um Rondón ou mesmo um Lucas João desejam todo o jogo. Na primeira, o cruzamento sai perfeito da direita (sacado por aquele jogador que os adeptos querem ver no banco para se experimentarem Dramés e outros do género), para as costas da defesa, onde aparece Slimani para (de primeira, OK, mais difícil) escolher o lado da baliza para onde vai rematar. Slimani escolher rematar para perto do poste esquerdo da baliza, sem hipóteses para o GR adversário. Mas para o lado de fora. Na segunda, depois de uma confusão na área a bola aparece redondinha aos pés do argelino (mais uma vez os pés, esses grandes marotos que teimam em aparecer num jogo de football - alguém recomenda um bom dicionário online?), opta por colocar a bola junto à barra, bem no ângulo. No ângulo de saída da bola por cima da baliza, claro.

O quarto momento a reter: o mesmo Adrien Silva, depois de um amarelo bem cedo na partida, e de já ter cometido algumas faltas e falhas, resolve tentar novamente a nota 18, desta feita numa disputa de bola à entrada da área. Com vários colegas próximos do lance, alguns deles de frente para o lance, e perante a improbabilidade de o jogador do Nacional fazer o que fosse rodeado de adversários, Adrien opta por derrubar o oponente, levando o segundo amarelo, oferecendo um semi-penalty ao adversário e, pior, deixando a equipa com 10. Equipa essa que tinha começado o jogo com André Martins no lugar de João Mário, admito eu para ter maior segurança defensiva. O que Marco Silva parece não ver é que a nossa insegurança defensiva tem muito a ver com aquele meio-campo onde um dos elementos parece ausente (felizmente ontem esteve lá, se estivesse ausente como tem estado nem quero imaginar) e o outro demasiado presente, ele e a sua falta de noção do seu próprio valor. William e Martins ou William e Rosell ou Rosell e Martins, não? [nem falo do suposto substituto de Adrien, o grande "reforço" Slavchev]

Quinto momento a reter: perto do minuto 90, Marco Matias isola-se e Rui Patrício salva 2 pontos ao Sporting. Mais 2.

Sexto e último momento a reter: Marco Silva comporta-se como um senhor na conferência de imprensa e dá uma lição ao presidente do Sporting. No nosso clube, felizmente, nem todos utilizam os comunicados para fazer passar mensagens.

PS: Tinha decidido cingir-me apenas ao futebol-futebol e é o que tenho tentado fazer. Mas torna-se difícil quando um treinador tenta fazer o seu trabalho e é constantemente perturbado com parvoíces. Sim, parvoíces, leram bem. Marco Silva tem muito por fazer e escolhas duvidosas, é verdade. Contudo, nunca vamos saber o que seria o seu sistema interpretado por uma defesa que estivesse minimamente ao nível do Sporting. Podia ser igual, podia ser melhor. Pior seguramente não seria. Pior só se um, sei lá, Rabia fizesse parte do plantel. O quê? Faz parte? E foi contratado? E pagou-se por ele? E nem joga na B com regularidade? E quando joga, joga mal? Ah, mas não faz mal porque foi barato... Parece que terei que perguntar a Bruno de Carvalho quanto custaram Maurício e Naby Sarr. Mas quero essas continhas bem feitas, Sr. Presidente.

16/12/2014

O melhor 11 da minha vida

Desculpem mas não quero falar do jogo de Domingo. Um regresso tristonho ao início da época que matou, de vez, as aspirações para a conquista do campeonato. O Moreirense fez pela vida e, do que me apercebi pela TV (uma gripalhada das antigas impediu-me de ir ao estádio), nem sequer abusou particularmente do anti-jogo. Não precisou.

Vou apenas destacar dois detalhes que podem ter passado despercebidos. Slimani fez uma jogada decente em todo o desafio (aliás, a melhor jogada que lhe vi fazer desde que chegou ao Sporting) e com isso criou a nossa melhor oportunidade. Carrillo fez um bom jogo, contribuindo quase sempre de forma positiva para o jogo da equipa, mas falhou a melhor oportunidade do jogo. O que fui lendo por aí? Que Carrillo é jogador para entrar na 2ª parte.

A sério, percebam que Carrillo é o jogador em que mais se sente o efeito Nani. Está cada vez mais jogador. Pena que poucos se predisponham a aprender com quem sabe mais do que nós para perceber o que isso é. No meu caso, o blog linkado começou por me irritar; hoje percebo que deve ser frustrante andar na blogosfera a ler chico-espertos (como eu, por exemplo) a escrever disparates e a achar que o futebol, por ser o fenómeno que é, se discute com base na laracha. Podemos fazê-lo, até certo ponto. Mas depois chegam os Shikabalas, os Rabias, os Slavchevs e percebemos que as larachas não chegam. É preciso, por incrível que pareça, saber jogar futebol.

Aprendo mais a lê-los do que a ouvir qualquer comentador da TV. E também poderia falar deste, com quem discuto regularmente (mais por teimosia), quando na realidade  foi quem me iniciou na busca do que é verdadeiramente bom futebol. Mas, infelizmente, resolveu fechar as portas.

Adiante. Resolvi passar à frente do ponto final nas nossas aspirações e eleger o melhor 11 da minha vida. Na realidade, não é bem da minha vida, porque só comecei a ver futebol a partir de 84 ou 85. Até aí, ia à bola porque era giro. E não me lembro de ver jogar Kostov ou Oliveira. Por isso, diria que é o melhor 11 do Sporting nos últimos 30 anos. Quanto a táticas: vou para um 4x4x2 losango para poder aproveitar os que quero.

Ei-lo:

GR: Schmeichel, com menções honrosas para Damas e Patrício (até porque para além destes não houve nenhum que merecesse destaque). Damas pelo símbolo que era e é, Patrício pela determinação com que conquistou a baliza e os adeptos. Mas o melhor foi mesmo Schmeichel, não apenas pela fantástica carga mediática e o contributo que deu para o campeonato de 99/2000, mas também porque, efetivamente, era... o melhor GR, em todos os aspetos (realço que o comparo ao Damas que vi jogar, não ao Damas das décadas de 60 e 70).

DD: uma posição difícil, onde nunca fomos particularmente felizes. Poderia referir Xavier, que fez 90/91 nessa posição com grande rendimento; poderia referir César Prates, que não era particularmente apreciado mas cumpria e foi duas vezes campeão; mas o melhor que vi jogar foi Nelson. Pertenceu a grandes equipas e só conquistou uma Taça, mas era um DD de grande qualidade. Muitas vezes nos esquecemos dele, pelo seu perfil discreto. Mas, se pensarmos bem, não houve melhor. Uma última nota para uma confissão envergonhada: eu gostava do Saber. Podem enxovalhar-me.

DE: Rui Jorge. Pelo que representava em campo e também pelo que fazia com os pés. Poderia não ser um defesa soberbo, mas não me lembro de nenhum melhor do que ele. Menções honrosas creio que apenas duas e ambas com um "apesar de tudo": Insua e Tello.

DC (x2): creio que nos últimos 30 anos apenas há um indiscutível para qualquer sportinguista - André Cruz. O parceiro poderia ser Naybet (um central com um estilo que eu aprecio bastante), Marco Aurélio (grande classe, mas marcado negativamente por um lance num derby, só mesmo no Sporting se queimam jogadores por lances destes), Luisinho (bons pés, grande experiência) ou, para alguns, Stan Valckx (eu não era um particular apreciador mas merece constar da galeria). Escolho Naybet.

MC (x4): gostaria muito de poder escolher William Carvalho, tivesse ele, este ano, o rendimento da época passada. Mas não tem. Por esse motivo também não posso escolher Vidigal que verdadeiramente apenas fez uma boa época no Sporting, precisamente a de 99/2000. Peixe prometeu mas nunca atingiu um patamar de indiscutível qualidade, assim como Veloso. Douglas tinha pinta, mas jogou numa fase em que era difícil ter grande destaque. Paulo Bento veio numa fase já tardia da carreira. Delfim foi perseguido por lesões. Assim, pensando numa posição mais defensiva, inclino-me para Oceano, pela enorme carreira, pelo grande capitão que foi e por ser um jogador que, não sendo tecnicamente genial, tinha a enorme virtude de saber que o não era. Permitam-me, por isso, um pontapé nos parágrafos iniciais deste texto para incluir um grande símbolo do Sporting. Avançando no terreno, gostaria de incluir Duscher, Nani e Balakov (um box-to-box, um extremo que durante anos jogou em losango e um 10 puro - o treinador que os organizasse como quisesse!). Mas poderia referir aqui, entre muitos outros, Hugo Viana, Pedro Barbosa, novamente Xavier desta feita como meio-campista, um JVP mais recuado, um Izmailov ou um Matias se pensarmos apenas na qualidade técnica dos jogadores.

EXT: Muitos nomes poderiam constar da lista, mas não vou escolher nenhum porque "arrastei" Nani para o 4x4x2 losango. Se excluirmos os que não merecem ser aqui citados por outras razões que não as futeboleiras, viriam logo dois nomes à cabeça: Ronaldo e Quaresma. Mas convenhamos que o primeiro, no Sporting, não teve tempo para figurar neste 11; e o segundo, embora mais marcante, teve uma primeira época impressionante (que, sim, valeu vários títulos) e, a partir daí, nunca evoluiu para o patamar que todos esperávamos. Os demais não mereceriam entrar no 11. Por favor, nem me peçam para falar de Luís Figo...

PL: a posição em que sempre fomos mais fortes. Recordo-me de o FCP e o SLB disputarem campeonatos sem grandes avançados (lembrem-se de Penas, Postigas, McCarthys ou de Vatas, Aíltons e Nunos Gomes). O Sporting sempre dependeu de grandes avançados para fazer boas prestações. Lembro-me de Manuel Fernandes e Jordão, lembro-me de Gomes já em fim de carreira, lembro-me de Acosta, Jardel, JVP ou Liedson. A todos eles associamos os melhores resultados dos últimos 30 anos (o Manel e o Jordão um pouco mais do que 30 anos, mas estes têm um tratamento especial). Aqui, sou um sentimentalão: opto por uma dupla Manuel Fernandes (ídolo de sempre) e Acosta (que deu um gigante contributo para a maior alegria da minha vida desportiva). Mas reconheço que, se pensasse apenas no rendimento, teria que ir para JVP e Jardel...

E ficaria algo como isto: Schmeichel; Nelson, Rui Jorge, Naybet, André Cruz; Oceano, Duscher, Nani, Balakov; Acosta, Manuel Fernandes. Nada mau.

Próximo post: o pior 11 de sempre. Preparem-se para recordar grandes nomes e para o choque geracional entre Rodolfo Rodriguez e Costinha, Renato e Gladstone, Gimenez e Pongolle. Vai fazer faísca!

PS: Ofereço 1.000 Euros a quem acertar, precisamente, no valor que custou Maurício.

14/12/2014

Sem euforias

Já não escrevo há algum tempo. Gostava de ter mais tempo para analisar os jogos que o Benfica vem fazendo mas a realidade é que com o trabalho e miúdos, nem sempre consigo. Por isso, aqui vai um resumo bastante sintético:

Os últimos jogo vêm fortalecendo a minha convicção de que, de facto, os onzes definidos por Jesus estão longe de ser aqueles que dariam mais força e competitividade ao Benfica. O caso mais flagrante tem sido aquele que parecia mais difícil defender quando pedia a saída de Talisca do onze inicial quando marcava golos atrás de golos. O jogo da taça e a segunda parte com o Belenenses, bastaram para dissipar algumas dúvidas que até eu tinha (sei que não tenho o dom de estar sempre certo). Por outro lado, o jogo contra o Bayer mostrou que, apesar de eu criticar muito Jesus e de não gostar muito das suas opções, é mesmo um grande treinador. Só um grande treinador conseguia colocar uma equipa de reservas a jogar bastante bem contra um dos melhores plantéis da Alemanha e que só não venceu porque Lima não quis.

O jogo desta noite, foi uma vitória muito, mas mesmo muito importante. Mas não podemos entrar em euforias. Numa noite normal, o Benfica não teria ganho o jogo. Numa noite normal, Jackson tinha marcado pelo menos dois golos. Sendo assim, ainda bem que não foi uma noite normal. Prefiro ganhar e não ser a melhor equipa do que perder e ser a melhor equipa.

Foi um Benfica que jogou bastante bem na pressão alta, logo à saída para o ataque do Porto, que discutiu muito bem o jogo no meio campo, mas nunca conseguiu impor o seu jogo. De uma forma fria, podemos dar os parabéns a Jesus por ter apostado na estratégia que lhe poderia dar mais dividendo e eles aí estão.

Principais notas:
- Júlio César dá, sem sombra de dúvidas, uma tranquilidade que desde Oblak não existia;
- Almeida fez mais um grande jogo! Espero que Jesus perceba rapidamente que é a melhor solução para a posição 6 enquanto Fejsa não regressa ou não fica em forma;
- Maxi é uma carraça impressionante e Brahimi não fez mais do que alguns bailados sem grandes consequências;
- Jardel é excelente a defender, antecipar e a cortar. Pena que seja tão mau com a bola nos pés e a decidir;
- Samaris, apesar de não ser um 6, este bastante melhor;
- Talisca muito melhor a construir mas quase zero no plano defensivo (e ainda fez o remate que permitiu o segundo golo de Lima);
- Salvio demasiado escondido e pequeno para Alex Sandro;
- Gaitán é de outro campeonato.
- Ola John tira-me a razão quando entra no jogo e parece que está num filme diferente. É demasiado irritante que tanto talento e capacidade física não sejam aproveitados.



O Benfica fica numa excelente posição mas ainda não consigo achar que já seja o favorito. Deverá ter ficado ao mesmo nível do Porto, sobretudo porque Janeiro poderá levar Enzo e não se sabe como regressará Fejsa. O foco no campeonato poderá ser uma mais valia mas ainda há jogos complicados fora de portas e nos jogos complicados o Benfica só se safou esta noite mas continuou sem jogar bem num jogo de elevado grau de dificuldade.  

12/12/2014

Ida a Londres



Fui a Londres ver o Sporting. Aproveitei o fim-de-semana ligado ao feriado, arranquei no Sábado e voltei ontem.

Ainda vi o jogo com o Boavista (resolvido por Carrillo, a quem agradeço ter acabado com a malapata de não ganharmos no meu dia de anos) e confesso que fiquei dividido: boa ou má a escolha de Miguel Lopes? Boa, porque se Esgaio jogasse e se lesionasse ficávamos sem lateral para Chelsea? Má, porque Esgaio foi para Stamford Bridge depois de "adquirir ritmo" em Santa Maria da Feira, Tapadinha, etc.? Esta até podia deixar passar. Mas dificilmente deixo passar o facto de o Esgaio ter sido remetido ao esquecimento depois de até ter começado bem a temporada. Foi chamado para um jogo desta responsabilidade numa altura em que, se bem percebo, nem com a equipa A estava a treinar.

Opções à parte, o Sporting até fez um jogo razoável. Convém aliás começar por dizer que a diferença de qualidade era enorme. O Chelsea está muito bem treinado. Nota-se que há ali trabalho de qualidade, Mourinho parece ter regressado ao bom futebol, depois de alguns traumatizantes anos em Madrid. Na pressão, no envolvimento ofensivo, na capacidade de criar sucessivas (e alternativas) linhas de passe, nota-se o dedo de alguém que quer uma equipa a jogar futebol de qualidade. Não tínhamos hipótese. Mas tentámos assumir o jogo e jogar o que podíamos.

Ainda assim, não deixa de ser verdade que o Sporting se apresentou em Londres com uma equipa sem nível para este tipo de jogo. Faltou Nani e faltou... Montero. O primeiro foi azar, quanto ao segundo... já lá vamos.

Vamos esquecer os esforçados defesas, que fazem o que podem e dão o que têm. Chega de bater no ceguinho: o Sporting precisa de 1 central ou mesmo de 2 centrais. Ponto. Janeiro está a chegar. Aos atuais, nesta fase, só elogios: tendo em conta aquilo que sabem fazer, até considero que se têm excedido.

Do meio-campo para a frente há um problema diferente: Marco Silva (que, repito, trepito e quadrepito, é o meu treinador para os próximos 4 anos) tem outras opções e não as aproveita.

William Carvalho há muito deveria ter perdido o lugar para Rosell.

Adrien é o contrário de um Maurício - enquanto que Maurício vale 12, sabe que vale 12 e faz "das tripas coração" para sacar um 13 no exame final, Adrien será um 14 que acha que vale 18. Moral da história: às vezes estuda pouco para a oral e acaba com 11 ou mesmo 10. Passa porque as alternativas não são fabulosas, mas André Martins parece-me nem sequer entrar nos planos para essa posição e poderia ser uma boa opção. Tal como Rosell, se quisermos manter William Carvalho.

João Mário para mim seria sempre titular, ainda que não esteja na melhor das formas. E se jogarmos com 2 PL, que seja opção no duo do meio-campo, com Rosell, por exemplo.

Carrillo, enfim: quando Nani não joga, é o jogador que todos os colegas procuram. Creio que está tudo dito.

Deixo para o fim os dois mais claros fenómenos que evidenciam a diferença entre a Liga e a Champions: Capel e Slimani. O primeiro é um jogador útil na Liga porque ganha faltas e saca um par de cruzamentos (na Champions, nada disto); o segundo marca golos porque tem algumas qualidades muito úteis mas na Champions, onde o nível é outro, não ajuda a construir uma jogada durante 90 minutos. Contei, na primeira parte, com um amigo que às tantas me ajudou a contar também, o número de intervenções felizes de um e de outro: Capel fez um passe acertado à 4ª intervenção, e foi um passe para trás; Slimani segurou uma bola decentemente à 7ª oportunidade para o efeito. Assim fica difícil. E quando há, no banco, Mané e Montero, mais difícil fica perceber tudo isto.

Enfim, vamos para a Liga Europa onde, olhando aos adversários que se perspetivam e à nossa "sorte" em sorteios, antecipo um confronto com Liverpool, Roma ou Sevilla. Ideias seriam Aalborg, Guingamp ou Young Boys (ainda assim não seria fácil). E temos ainda os meios-termos, como Ajax, PSV, Trabzonspor ou Wolfsburg, em que seria 50/50. Mas claramente um pote muito complicado.

Uma palavra final para os adeptos: o Sporting "encheu" Londres. Não havia rua, loja, restaurante onde não se vissem os mais bonitos cachecóis que há no mundo. E, já no estádio, os adeptos foram incansáveis no apoio, não parámos um segundo (não que fosse difícil: os adeptos adversários são do mais fraquinho que já vi, mesmo considerando que o jogo para eles era a feijões). Mas atenção: não contem comigo para cânticos relacionados com outros clubes que não o adversário no jogo. Cânticos dedicados ao Benfica num jogo destes revelam um complexo de inferioridade que até nem é verdadeiro. E os insultos a Mourinho, que só teve palavras elogiosas para nós, ainda menos compreendo. Mas nesses percebi rapidamente que éramos muitos a assobiar esse cântico, e que o mesmo durou apenas alguns segundos. Chegará o dia em que também cânticos com a palavra "lampião" lá para o meio serão silenciados quando o Benfica não estiver em campo.

01/12/2014

Mandem reabrir o Apito Dourado!

Um árbitro deixou marcar uma falta a meio-campo com dois toques do mesmo jogador. Isto só pode dar origem ao Apito Dourado II. Toda a gente sabe que se o jogador em causa apenas tivesse tocado uma vez na bola, o adversário faria 3 golos de rajada e o resultado seria o inverso.

Isto sim, uma vergonha a que todos temos que estar atentos. Esqueçam os Rufais e os Ronnys, estejam atentos a este tipo de escandaleira, é assim que se condicionam resultados.