10/11/2014

O que os compromissos profissionais permitem

1. Grande jogo com o Schalke, domínio total no futebol jogado, foram 4 podiam ter sido 7 ou 8 mas a defender desta maneira e com estes protagonistas podemos sofrer um golo de qualquer equipa, a qualquer altura. Admito até que o sistema funcione com outros protagonistas que "leiam" melhor o jogo. Com estes protagonistas, tudo pode acontecer a qualquer momento.

2. Primeira parte muito fraca com o Paços, segunda parte razoável a voltar aos tempos do "podíamos ficar aqui mais 2 horas e a bola não entrava".

3. Com o Schalke, Patrício salvou o 2-2, mas consentiu o 0-1, com o Paços pouco mais podia fazer . Cedric não acerta um cruzamento. A concorrência fez bem a Jefferson. Paulo Oliveira, Maurício e Sarr é um trio que pode chegar para aguentar alguns jogos mas insuficiente para disputar títulos (recordar a velha máxima, se calhar um pouco treta: ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos). William alterna entre o mau e o razoável, só fez um bom jogo este ano (no Dragão). Adrien falha 50% dos passes, mas quando recua e joga em dueto rende muito mais (os experts que expliquem). João Mário tem sido dos melhores, a par de Nani. Carrillo intermitente. Mané não merecia ter saído da equipa, fez um bom jogo com o Schalke. Slimani ontem provou a quem duvidava porque deve ser Montero, e não ele, o titular.

4. Depois de sei lá quantas contratações e 10 milhões gastos, chegamos a Novembro e não temos um único central que convença e uma alternativa a Adrien (Slavchev pelos vistos nem conta, Martins pelos vistos não é 8 aos olhos do treinador). No ataque temos 3 extremos de qualidade que podem alternar, já Tanaka pouco conta para o treinador. Uma série de supostas opções para a equipa A a jogar na equipa B; e uma série de jogadores atreinar com a equipa B que duvido seriamente que não tivessem lugar no plantel da equipa A (penso nos casos de Tobias e mesmo do Esgaio ou até do Ryan Gauld). É muito bonito por o treinador de fora dos processos de contratações para não fazer o plantel depender das ideias de uma pessoa que está de passagem; mas enquanto essa pessoa está de passagem, o resultado é o que temos. Bruno/Inácio: entre o 8 e o 80 há uma catrefada de números, escolham um e deixem-se de radicalismos que prejudicam o trabalho do treinador.

05/11/2014

Ainda é possível

Hoje vai ser mesmo tipo telegrama (embora nem saiba bem o que isso é) só para não falhar mais um jogo mas o trabalho não tem dado para mais.

- Jogamos pouco, muito pouco ou quase nada;
- o Talisca é o maior! Pronto, está feita justiça depois de tudo o que tenho dito. Mas continuo a dizer, e hoje surpreendentemente até Jesus disse o mesmo, impressionante como o homem não pára de resolver e impressionante como dá tão pouco à equipa e tem tão pouca influência no jogo (fez praticamente metade dos passes do Enzo). Mesmo assim, esta noite foi o jogo em que mais o gostei de ver. O potencial é enorme e é óbvio que vai melhorar;

- Maxi é o melhor jogador do Benfica desta primeira fase da época. Regularidade incrível;
- grande Luisão;
- Júlio César foi o guarda-redes de equipa grande que o Benfica tanto precisa;
- André Almeida a defesa esquerdo é, no mínimo, sofrível. Devia a jogar a trinco mas face às opções para o lado esquerdo da defesa, até eu percebo que jogue naquela posição;
- Enzo e Gaitán de nível Champions;
- quase que ouvi no 3º anel o Samaris a soluçar que gostava era de jogar a 8;
- onde o anda o Salvio que decidia quase sempre bem?
- Derley tem que ser o titular na frente.
- o Jesus pensava que estava a jogar contra o Rio Ave quando decidiu jogar só com o Enzo e o Talisca no meio.Teve a sorte do jogo porque o Mónaco estava a dominar o meio-campo e o jogo;
- os árbitros de baliza são uns palhaços. Como se viu no jogo do Sporting na Alemanha, como se viu no jogo do Benfica na Alemanha, como hoje num canto óbvio a dois metros de um deles e no lance de Jardel em que há falta clara sobre o brasileiro e depois, não marcando a falta, há penalty ainda mais claro dele. Marcou canto. Ridículo.

Precisamos de um super jogo para ganhar na Rússia, mas até o empate pode chegar. O Sílvio, Amorim, Fejsa e Ola John que recuperem rápido. Estão a fazer muita falta!

03/11/2014

Revisitando o passado

Este campeonato está a fazer lembrar, por algumas coincidências, mas motivos diferentes, dois outros campeonatos da nossa história:

- o de 99/2000, em que entrámos periclitantes, mas sem perder, subimos de forma (mais anímica do que outra coisa), perdemos um jogo (em Alverca) quando estávamos num bom momento, eliminámos um rival direto da Taça, no respetivo estádio (na altura Benfica, desta vez foi o FCP, mas o mesmo resultado: 3-1) depois de empatar na Luz (na altura 0-0, desta feita 1-1), vitória sobre o Marítimo por 4-2 depois de vantagem confortável (na altura de 2-0 para 2-2, agora de 3-0 para 3-2) e até a novela do central que na altura só chegou em Janeiro (André Cruz).

- o de 2004/2005, em que o Sporting jogava aquilo que se usa designar como o futebol "mais atrativo" mas tinha uma consistência defensiva muito abaixo do desejável, o que em "dia sim" permitia golear o Boavista, em Alvalade (6-1) e no Bessa (4-0) (e na altura ainda era "o" Boavista), e em "dia não" conduzia a que se fizesse 1 ponto em 6 possíveis com uma equipa do Vitória de Setúbal primeiro liderada por José Couceiro e depois por José Rachão (para nem referir derrota com o Penafiel em casa em plena luta pelo título). Uma ambição futebolística quase ingénua, que também levava a derrotas na Choupana no último segundo depois de, a jogar 10 contra 11, e recuperar de 0-2 para 2-2, tentar ainda assim ganhar o jogo (e desta lembrei-me pelo jogo em Gelsenkirchen em que, sem prejuízo dos erros de arbitragem, o Sporting tem um livre aos 90+2 que podia ter aproveitado para congelar o jogo ali e, ao invés, fez subir os centrais para tentar o 4-3).

Espero que Marco Silva não seja "um" Peseiro. Espero que os próximos jogos demonstrem que estamos mais perto de 99/2000 do que de 2004/2005 (até porque, na altura, o que nos permitiu disputar o título até ao fim foi o fraco nível dos rivais diretos, o que não se repete nesta época). Espero que o central de Janeiro ajude a corrigir os problemas defensivos. Mas, para tudo isto ser verdade, convém que a distância para os lugares da frente não aumente, o que significa que o Sporting tem que aguentar a pedalada, mesmo que não jogue tão bem (e mesmo que ganhe a "Campomaiorenses" com golos marcados por "Vidigais" bem perto do fim do jogo).

O que o Sporting não pode fazer, e fez, é esperar para ver o que o jogo dá. De tudo o que vimos no Sábado, e muito de mau foi visto, o que me fez mais confusão é que o Sporting tenha entrado, contra uma equipa de miúdos que no ano passado jogavam no CNS, a deixar o adversário jogar. E chocou-me, no fim do jogo, que o Marco Silva, que continuo a achar ser um treinador competentíssimo e o homem certo no lugar certo, tenha afirmado que "se não fossem dois erros em bolas paradas, o jogo ia ser resolvido na segunda parte". Ou seja, sem eufemismos que só fazem mal à saúde: o Sporting queria deixar o jogo correr e resolvê-lo na segunda parte; levou duas batatas e nem forças teve para correr atrás do prejuízo. Assim, não há seguramente candidato ao título.

A segunda coisa que me fez mais confusão foi terem sido retirados do jogo 3 dos 4 elementos mais talentosos (só ficou Nani). A perder 2-0, sem Carrillo, sem João Mário e mais tarde sem Montero, o Sporting passou à fase do cruzamento à toa, que como é evidente não dá nada. O Sporting quis, na segunda parte, ver se o sistema Jardim resolvia os problemas. Sejamos honestos: o sistema Jardim resolvia problemas porque era um sistema seguro e que permitia sofrer poucos golos; mas o Sporting, com Jardim, raramente sofria 2 golos; e quando os sofreu, ganhou 1 jogo, e apenas 1, os restantes empatou ou perdeu. Sei que estou a ser simplista, mas é um sistema que previne que isso aconteça, não resolve problemas quando os factos estão consumados. Era indispensável no ano passado ter alguma consistência, mas seria insuficiente para este ano, como sempre se disse.

O caminho: corrigir. Mas corrigir no treino e não com puxões de orelhas em público. Eu, pelo menos, não acho que os jogadores do Sporting tenham entrado em campo a dormir só por acaso. Alguns nem entraram a dormir, entraram a dar o que têm e isso não chega (responsabilidade de quem os contratou); outros entraram a fazer o que o treinador pediu, como o próprio pareceu admitir no fim do jogo (responsabilidade dele, treinador). O presidente e o treinador do Sporting devem evitar o discurso que fica bonito nos jornais e perceber onde é que eles falharam. Sem isso, vamos continuar a acreditar que, "se aquelas duas bolas não tivessem entrado, na segunda parte é que ia ser".

No fundo, que me perdoem os que assim pensam, isto não é mais do que o discurso da avó e do camião...

PS: Admitindo que possa estar a ser influenciado pelos experts, não percebo como é que uma equipa que precisa de ganhar 1 jogo que perde por 2-0, abdica de João Mário e deixa ficar Adrien Silva; e insiste num William que fez a esmagadora maioria dos passes "à queima", deixando os colegas em maus lençóis.