02/10/2014

Um banho de realidade

Não posso dizer que tenha ficado surpreendido. Nos meus dois últimos posts já tinha afirmado que os sinais de alerta eram mais do que muitos e que as vitórias conseguidas tinham o perigosa vantagem de os esconder. Mais uma vez, jogar contra uma equipa bastante competitiva acabou por colocar em evidência as fragilidades que iam sendo disfarçadas. 

Se no jogo com o Zenit ainda foi possível encobrir com a expulsão e pela excelente reacção (quando os russos também tiraram o pé do acelerador), esta noite, com um pouco de boa vontade, também podemos falar do frango de Júlio César ou do penalty mal assinalado imediatamente depois do golo de Salvio. A verdade é que tudo o resto, o futebol ineficaz, o massacre do Bayer, a ausência de jogadas de perigo, os desempenhos individuais, enfim, tudo o resto foi absolutamente vergonhoso.

Explicações? Podemos começar pela rotatividade imposta por Jesus. Confesso que me surpreendeu que tenha de facto assumido que o campeonato é a prioridade. Se partilho do mesmo objectivo devia gostar desta decisão mas algumas opções foram, no mínimo, discutíveis. Derley por Lima gostei. Ola John não ter entrado no onze não gostei, já que era um ala fresco e com um poder físico mais ao nível dos alemães. Cristante lançado ao onze logo na Champions e a jogar fora, não gostei. André Almeida gostei mas não a lateral. E é aqui que penso que está a questão essencial.

Já tinha aqui pedido André Almeida a trinco uma vez que Samaris (e pelos vistos Cristante) não tem perfil de trinco rápido, focado na recuperação de bola e na eliminação das linhas de passe. Depois à frente pedia-se um meio-campo mais de combate com Samaris e Enzo pois acredito que o grego, apesar de não servir para a posição 6, é "bom de bola". Talisca não defende ou ainda não defende e Cristante foi uma nulidade. Sendo assim, estava escrita a sentença. Conheço perfeitamente a frase feita de que "os avançados ganham jogos mas as defesas ganham campeonatos". Pessoalmente tenho uma opinião diferente. Acredito que é no miolo que se ganham campeonatos e é precisamente nesta zona do campo que acho o Benfica mais frágil. Ou pelo menos mais frágil com as soluções que tem apresentado (embora reconheça a inexistência de um substituto à altura de Fejsa). Com uma equipa mal posicionada no meio campo, parecia que os alemães jogavam com 15 e era frequente ver a linha do meio campo ir para cima da defesa que não sabia para onde se virar. O segundo golo foi o espelho disto. Na mesma linha de pensamento, ao atacar, cada jogador do Benfica parecia que tinha sempre dois adversários pela frente... Daí que tenha ficado a impressão de que todos os jogadores tiveram um desempenho francamente miserável. Só se aproveitou Maxi e num nível abaixo, André Almeida.


Com a Champions quase descartada, resta focar e não falhar no campeonato. E que até ao Porto, Jesus trabalhe ou descubra uma solução melhor para o meio campo. Nem precisa ser uma das duas que já propus (André Almeida - Enzo - Gaitán para as competições internas e André Almeida - Samaris - Enzo para a Champions). Basta uma que funcione.

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