27/10/2014

E, ao 3º golo, o Sporting dormiu (o problema é que faltavam jogar 45 minutos.)

AViso já que a organização do post está ao nível dos primeiros 20 minutos da segunda parte do Sporting...

Mas tentando organizar ideias, comecemos pelo Marítimo, porque os grandes não jogam sozinhos.

Em primeiro lugar, o Marítimo veio mesmo disputar o jogo, desde o primeiro minuto. Em segundo lugar, o treinador do Marítimo soube muito bem mexer na equipa. A forma como colocou Maazou no nosso setor mais débil revela inteligência e leitura de jogo.  Em terceiro lugar, o Marítimo nunca desistiu. Não viu o primeiro golo como o "golo de honra", foi em busca do segundo e até do terceiro. Em quarto lugar, queria dizer que vi ontem em Alvalade uma atitude muito nobre por parte do jogador Maazou. Com o Marítimo em busca do resultado, estando Adrien caído no meio-campo sem que o árbitro tivesse assinalado falta. partiu do jogador do Marítimo a iniciativa de, junto à área do Sporting, e num lance de potencial perigo, tocar a bola para fora.

Quanto ao Sporting, talvez seja tempo de (Marco Silva) perceber que, com estes centrais, vamos ter dificuldades. E quando digo "estes centrais" não quero que joguem outros, atenção - está é a dupla que eu defendo, como sabem (não há melhores - e já afirmei aqui que me assustou a reação do Tobias contra o Académico, em Viseu). Sucede que, tal como alguns já me tinham avisado, o problema não é só da qualidade dos jogadores, há ali um problema de organização. Ontem isso foi nítido, no início da segunda parte. Foi o caos a cada jogada do Marítimo. E não foi só Maurício, nem Jonathan, foi todo um setor aos papéis, William e Patrício incluídos. A vantagem destes, a meu ver, e isso mantenho, é que reduzimos exponencialmente o número de barracadas individuais, roscas, etc.

No Lateral Esquerdo fala-se de controlo da profundidade. Gostava de perceber de bola o suficiente para saber como isso se resolve. Mas não sei. O Marco deve saber, desenvolva o trabalho nesse aspeto. Porque já percebemos que se confiamos na leitura de jogo da nossa rapaziada mais recuada estamos bem tramados.

No demais, um jogo em que, convenhamos, tudo correu bem - um auto-golo na primeira jogada com pés e cabeça, 2-0 no terceiro lance de perigo, 3-0 a fechar a primeira parte (num lance que já não se usa, golo à "anos 80"). Mas não foi só sorte: este Sporting joga futebol. Chega à área do adversário e cria perigo constantemente, não se limita a um titi-caca sem qualquer objetivo. Não vai lá de vez em quando nem despeja para o barulho. É rápido e eficaz a mover a bola do setor defensivo para o ataque, mesmo em ataque continuado. Pela direita, pela esquerda e pelo centro. Com critério, com qualidade. João Mário esteve em particular destaque, a meu ver o melhor em campo.

No controlo do jogo, um desastre. Foi melhor contra o Schalke 10 contra 11 do que ontem, em casa, com uma vantagem de 3 golos. Incompreensível. Há lances no início da segunda parte que estão ao nível do golo de Maribor - sucede que, felizmente, não deram em nada.  Depois há a forma como a equipa vai para o ataque - já com 2-3, constantes calafrios porque a reação à perda da bola era deficitária.

Individualmente, ontem irritou-me a discplicência do William - mas é preciso que seja o treinador a dizer-lhe para juntar mais à linha da defesa porque os adversários estão a receber bola atrás de bola entre o nosso meio-campo e a defesa? A menos que me digam que era a linha defensiva que estava muito baixa, mas não me pareceu. Pareceu-me que em alguns momentos o Maurício andava a afundar a linha agarrado ao Maazou - mas pergunto-me se não foi o treinador que ordenou aquele absurdo hxh? Aguardo opiniões sobre isto.

Por fim, grande golo de Montero a descansar as bancadas e um Capel uns furos acima do que se costuma ver, útil a segurar a bola na parte final e evitando a habitual bola no barulho. Pena a leitura do lance do golo anulado, é daqueles em que não se compreende como está fora-de-jogo (o Nani fartou-se de temporizar, era só dar um passo atrás).

Gosto deste futebol, gosto mesmo. Sou suspeito, sempre disse que íamos jogar mais com o Marco do que jogávamos com o Leonardo. Mas também por isso sou insuspeito para dizer que há trabalho a ser feito, sob pena de desperdiçarmos todo o potencial desta equipa + equipa técnica. Com estes jogadores e este treinador, podemos jogar um futebol de grande qualidade, Falta consistência e solidez e... qualidade no setor defensivo, que no trabalho, quer nos protagonistas, não o escondamos.

Ainda bem que aconteceu ontem, num jogo em que estava 3-0. Deu para abrirmos os olhos mas ficando com os 3 pontos.

22/10/2014

Vamos lá, de uma vez por todas, perceber as regras do jogo


Isto, meus amigos, não é penalty. Vejam lá se percebem isto de uma vez por todas: varrer um jogador do Sporting em plena área não é penalty, em particular quando o adversário é o Chelsea.


Já isto é obviamente penalty.

Encarem a realidade e deixem-se de calimerices: aos 90+2, em Gelsenkirchen, contra a equipa cujo adepto mais célebre foi... (vá, não posso recorrer a esta demagogia barata, não é justo para o Schalke, vou voltar atrás e tentar de novo); aos 90+2, contra a equipa cujo patrocinador... (eh pá, assim também não, pareço o Octávio Machado, vou tentar outra vez); aos 90+2, em Gelsenkirchen, contra uma equipa alemã, qualquer jogador do Sporting que impeça a bola de chegar à baliza faz penalty. Ainda que jogue com os pés ou a cabeça. Digo mais: se o Patrício defendesse a bola, era penalty, onde já se viu jogar com as mãos dentro da área?...

PS: O Sporting de ontem foi enorme! As sucessivas imagens de pânico nas bancadas, com o resultado em 2-3 e o Sporting reduzido a 10, essas sim espelham o que se passou dentro de campo.

21/10/2014

Os grandes vencedores do clássico






1. Os adeptos, muitos e bons, a silenciar o Dragão. Um espetáculo.

2. Bruno de Carvalho, pois claro, depois de uma semana de grande desgaste a atrair os holofotes para ele, deixando o treinador e a equipa "sossegados", numa estratégia que vem sendo repetida sempre que se aproximam momentos de maior tensão. Mas que continua a resultar.

3. Nani. Para quem dizia que vinha cá passar férias e desestabilizar, está aí a resposta. Concordo a 100% com Jorge Jesus: um bom jogador é o que joga sempre bem, um grande jogador é que joga bem e faz todos os outros jogar bem. Nani é um grande jogador.

4. Patrício. Depois da pressão do "perdeu sempre na Luz e no Dragão", depois da miserável campanha que o Cantinho bem recorda no seu post, duas exibições fantásticas. Sou sincero: Patrício parecia, já no ano passado, algo desmotivado e até resignado. Este ano, talvez porque a equipa está de facto mais competitiva, deu um salto para o nível que eu contava que ele tivesse nesta altura. Precisa muitos destes jogos, onde é um grande campeão.

5. O grande vencedor de entre os grandes: Marco Silva. Sou suspeito, sempre disse que com Marco o Sporting ia ser muito melhor do que foi o ano passado. E é. Mesmo com uma defesa instável (Marco faz o que pode, mas creio que esta dupla de centrais é que menos problemas individuais nos vai gerar). Montou uma estratégia para ganhar no Dragão e ganhou com categoria, com uma exibição coletiva de grande qualidade. Sem espinhas.

PS: nem valia a pena falar dos grandes derrotados, mas são óbvios - Pinto da Costa e Lotapeg (mais uma vez cito JJ). Em particular o segundo. Continua a inventar tendo o melhor plantel em Portugal. Cheira-me que ainda vai passar a Navidad à terra-mãe...

PS2: sim, já sei - falta ali o William Carvalho! Pois bem, o que eu quero é que o William jogue assim todos os jogos, claro está. Mas mesmo admitindo que até posso ter visto mal o jogo, não me lembro de ter visto alguém a pressionar o William. Para um jogador da categoria dele, jogar assim, soltinho, é fácil (Lotapeg a dormir uma vez mais...). Difícil é fazer uma segunda época ao nível da primeira. Se o fizer, terá o merecido destaque.

15/10/2014

Com a cabeça limpa



Primeiro ponto: acho que já chega de bater no Paulo Bento. Andámos a perder tempo? Sim. Mas Paulo Bento já saiu, agora o selecionador é Fernando Santos, bola para a frente.

Com Fernando Santos, o que vejo é jogadores com a cabeça limpa. Não há nuvens negras porque estão lá, mais este menos aquele, os melhores 23 que poderiam estar. Quem não está, percebe porque não está, quem está sabe que está por mérito. Parecendo que não, isto é importante.

Não quero comparar com o passado, nem isso interessa agora. Quero apenas frisar que não há casos, condicionamentos, favoritos, receios, adaptações manhosas, cedências aos "experts" e "opinion makers". Há apenas um selecionador que monta um esquema que, na opinião dele, é o que mais favorece os jogadores que tem. E convoca aqueles que, de entre os disponíveis, melhor estão em condições de jogar nesse sistema. Tudo clichés e lugares comuns? Talvez. Mas, como tenho dito desde sempre, o maior mérito de um selecionador nacional é o de não inventar muito e aproveitar, na medida do possível, algum trabalho que esteja já feito.

Não tem medo, face às ausências de melhores e mais experientes opções, de lançar Cedric, Eliseu, William, João Mário. Se são os melhores que tem, faz todo o sentido.

Quanto ao jogo, foi aquilo que eu digo há anos e anos que deveria ser: um Portugal muito melhor do que uma Dinamarca sem um único jogador de classe. Vão longe os tempos de Michael Laudrup, Elkjaer Larsen, Soren Lerby, Molby, Morten Olsen (odeio a figurinha mas como central era fabuloso) e mesmo de Schmeichel, Jensen e Brian Laudrup. São 11 matraquilhos (bons matraquilhos, com organização, disciplina tática, concentração, etc., mas matraquilhos) a jogar aquele enervante e chatinho futebol nórdico, mas nada mais do que isso.

No final, Bendtner dizia "foi um desastre, não jogámos bem e um ponto tinha sido bom para nós (...) criámos apenas duas oportunidades (...) jogámos mal, foi terrível". Não pá, não foi nada. Tu estavas era muito mal habituado, a um Portugal medroso e sem personalidade. Tu e os teus colegas de equipa achavam que ia ser igual. Não foi.

Claro que um golo aos 90+4 é sempre um pedaço de sorte. Mas merecida. É que, mesmo considerando os dois lances perigosos dos dinamarqueses, tive sempre a sensação de jogo controlado. Mesmo que o atual esquema ainda não me convença totalmente, chegou bem para suster os dinamarqueses. Mas uma nota para o Fernando Santos: os nossos laterais deparam-se vezes demais com situações de 1x1. Estes eram matraquilhos, cuidado com a Sérvia.

Se tivesse ficado 0-0, diria provavelmente o mesmo: "Não ganhámos, mas mostrámos que a Dinamarca é chata e pouco mais do que isso". O 0-0 de ontem seria um resultado aceitável. O 1-0 foi ótimo.

O grupo é difícil mas, com estes 3 pontos, mais vitórias em casa com Arménia, Sérvia e a própria Dinamarca, acredito que o apuramento seja possível. Quanto aos jogos fora, todos difíceis. Convém não contar com muitos pontos vindos daí. Empate na Sérvia é bom resultado, mesmo na Albânia e na Arménia veremos o que fazem os adversários "diretos" - por agora, ficaram-se por empates. Se os igualarmos nesses resultados, sacarmos um empate na Sérvia e os batermos a ambos em casa (nem admito que não ganhemos à Arménia em casa, pese embora seja mais difícil do que parece), estamos apurados,

PS: não vi o jogo dos sub-21, deve ter sido uma grande joga. 5-4! Acho que hoje, se tiver tempo, vou pelo menos espreitar nas gravações automáticas.

07/10/2014

Uma estranha dependência

O jogo de Benfica contra o modesto Arouca foi, durante toda a primeira parte, no mínimo penoso. Não só o futebol do Benfica era denunciado e enfadonho como as jogadas de maior perigo acabaram por vir do Arouca. Como consequência disto, o melhor jogador do Benfica durante a primeira parte foi mesmo, imagine-se, Artur. Os motivos de interesse eram tão poucos que as conversas sobre os mais variados temas de futebol multiplicavam-se naquela zona de cativos. Só faltavam as cervejas (com álcool) e os tremoços.

Na segunda parte as coisas melhoraram um pouco mas não muito. O Benfica fez um pouco mais de perigo e Artur apenas teve um susto. E quando os níveis de preocupação começavam a chegar a valores bastante elevados, surgiu o suspeito do costume deste início de época do Benfica: Talisca. Mais um grande golo do jovem brasileiro, que deu tranquilidade ao Benfica, que desestabilizou e desagregou a estratégia defensiva do Arouca e que acabou por levar o Benfica a uma inesperada goleada,

Acho que a estratégia de Jesus dos últimos jogos continua a apresentar resultados relativamente fracos que só ainda não se tornaram mais evidentes porque os jogos do campeonato têm corrido da melhor forma possível, contando com falhanços dos adversários como neste jogo ou com expulsões como em alguns anteriores, e contra adversários mais fracos (contra a equipa mais competente, o Sporting, não fomos além do empate em casa). O que me preocupa são os jogos a doer e o próximo do campeonato já é um desses (Braga fora)... 


Pegando neste jogo, é mais uma vez óbvio que Samaris não dá para 6. Na segunda parte subiu no terreno e a sua exibição subiu muitíssimo. Depois jogar com Talisca no meio campo em que apenas tem a companhia de mais um jogador, é também uma decisão duvidosa uma vez que o brasileiro ainda não tem a capacidade de defender e recuperar bolas que a posição exige. Nem ao nível da construção de jogo tem essa capacidade pelo que, se é para jogar, que jogue no meio campo com mais dois jogadores e a jogar de trás para a frente e não perto do avançado como é hábito quando é o terceiro elemento do meio campo. É também por isto que preferia ver Gaitán a jogar no meio e perto do avançado, já que tem uma capacidade de arranque muito mais forte (Talisca gosta mais de vir embalado de trás) e é muito mais influente na construção de jogo e desmarcações de colegas no último terço do terreno. A outra razão de ter Gaitán no meio era precisamente ter o Ola John a jogar na esquerda. As suas jogadas que resultaram em dois golos são simplesmente fabulosas e impressionam pelo seu poder físico, algo que os outros extremos não têm. 

Como para trinco só vejo o André Almeida e Enzo é para mim o melhor jogador do Benfica, é estranha a conclusão de que Talisca não tem lugar no meu 11 quando é o melhor marcador do campeonato, tem Arsenal e Liverpool à perna e tem decidido alguns jogos com grandes golos. Bom, só tenho uma forma de explicar esta preferência que fará confusão à grande maioria dos benfiquistas: acredito que se jogasse com estes jogadores contra o Arouca (neste jogo específico seria Samaris no lugar do indisponível Enzo), Artur não teria sofrido tantos sustos na primeira parte e as ocasiões de golo teriam sido bem superiores e assim evitado a dependência de um rasgo de génio de Talisca para vencer o Arouca em casa. Quanto a este, aproveitaria todas as oportunidades para lhe dar minutos para que pudesse desenvolver todo o seu potencial e transformar-se num grande jogador que poderá facilmente vir a ser mas que seguramente ainda não é.

Outras notas:
- grande Artur;
- gostei da qualidade de passe de Lisandro a fazer lembrar Garay;
- Jonas promete bastante. Poderá ser mesmo "o" jogador para jogar atrás do avançado já que Derley e Lima não parece que se complementem. Tem muito critério a soltar a bola, movimentações muito interessantes e ainda por cima não tem dificuldades em chegar ao golo;
- Samaris sim, mas a 8 para dar descanso ao Enzo;
- o talento de Ola John não pode ser desperdiçado;
- interessante a capacidade de trabalho de Derley, a forma como segura e protege a bola, sem deixar o adversário entrar na sua zona de protecção. Com maior confiança, já começa a fintar e arrancar com a bola pelo meio dos adversários. Reclama claramente a titularidade.

Vamos ver como nos safamos no teste a sério de Braga. Este tem mesmo que ser para ganhar! Jogando mal, sem oportunidades ou com a Artur como melhor jogador em campo, o importante é trazer os 3 pontos!
  

06/10/2014

Um esforço recompensado


A imagem diz tudo: foi em esforço que Fredy Montero regressou aos golos. Em posição duvidosa, o que "serve" dois propósitos, um para o passado e outro para o futuro: (i) o do passado, compensando golos anulados ao jogador que tinham sido obtidos em posição legal; (ii) o do futuro, condicionando as próximas arbitragens na análise dos lances do jogador (folhetim já iniciado no ano passado e recuperado este ano).

Sei que é um pormenor um pouco lamechas, mas gostei de ver que o primeiro a felicitar Montero, com genuína felicidade, foi Slimani. Demonstra que toda a equipa sentia este stress, incluindo o próprio concorrente direto.

De resto, Montero já com o Chelsea tinha entrado muito bem. Desconfia-se sempre dos jogadores que parece que andam a engonhar e jogam bem quando chegam à Champions. Montero em Penafiel demonstrou que não era nada disso - a verdade é que, sabe-se lá porquê (mas ainda bem!), recuperou a confiança. Não tarda, recupera a titularidade. Seja no lugar de Slimani ou ao lado deste.

Parece injusto colocar em causa a titularidade de Slimani, que resolveu o jogo com dois golos. Mas isto é lógica pura. Na primeira parte, Slimani deu seguimento (com qualidade, de primeira, bola jogável, etc.) a uma jogada de combinação, que resultou na melhor oportunidade do Sporting. No demais, os colegas não o procuram dessa forma, ou não o procuram tanto como procurariam Montero. Como Slimani se posiciona onde o seu jogo mais rende (como aliás é natural), os colegas acabam por ter a tentação de o procurar na área. Essa forma de atacar não é a melhor para a equipa e arruína inúmeras jogadas, mas lá acabou por resultar - essencialmente porque o cruzamento saiu perfeito, a defesa estava desequilibrada (lá está a relevância de mais gente na área), o defesa que disputa o lance atacou mal a bola e, last but not least, Slimani antecipou-se muito bem. Mas esta solução não vai funcionar sempre. Já as do terceiro e quarto golos, é mais provável que funcionem. Reformulo: a do terceiro sim, a do quarto, convém mesmo que seja o Nani a finalizar,..

Do mesmo modo, parece injusto apontar o dedo a Marco Silva, que mudou o jogo ao minuto 56, pela equipa que apresentou (ou melhor, pela forma como essa equipa estava montada). Mas a verdade é que o meio-campo na primeira parte não esteve no seu melhor. Creio que Marco Silva pôs João Mário no lugar de Adrien quando o que os adeptos vêm pedindo é André Martins no lugar de Adrien (que, por sinal, até entrou muito bem). A rever.

Notas ainda para Patrício (mais uma vez espetador sem pagar bilhete), Paulo Oliveira (que esteve bem e mostrou que já podia ser titular há mais tempo, apesar de tudo) e Naby Sarr (mais uma galga inacreditável na primeira parte...).

Não quero terminar sem dizer que Nani está mesmo muitos furos acima daquilo que os adeptos do futebol português merecem.

03/10/2014

1ª convocatória

Só um comentário muito breve.

Dizia-se na universidade que, em tempos, um professor de direito teria apresentado a sua tese de doutoramento e que teria sido brindado com o seguinte comentário: "a sua tese tem coisas boas e coisas más, assim como tem coisas inovadoras e outras nada originais; o problema é que as boas não são originais e as inovadoras são más".

Assim era Paulo Bento - ou fazia o de sempre ou, quando inventava, fazia disparate.

Fernando Santos fez uma convocatória perfeitamente aceitável: convocou os que todos já esperávamos, onde teve que inovar todos percebemos por que razão o fez.

Claro que podemos discutir o Ivo Pinto, o Ricardo Carvalho e até o Quaresma. Mas estamos no plano da discussão normal, não no plano absurdo de meia convocatória ser formada por jogadores que não jogam há meses (zero nesta convocatória), ou estão meio-lesionados (só Coentrão, situação já precavida com a convocatória de Antunes e Eliseu) ou claramente acabaram o ciclo na seleção (eventualmente Ricardo Carvalho, Bruno Alves ou Tiago, e ainda assim cá estaremos para ver).

Voltámos a ter um selecionador nacional.

02/10/2014

Um banho de realidade

Não posso dizer que tenha ficado surpreendido. Nos meus dois últimos posts já tinha afirmado que os sinais de alerta eram mais do que muitos e que as vitórias conseguidas tinham o perigosa vantagem de os esconder. Mais uma vez, jogar contra uma equipa bastante competitiva acabou por colocar em evidência as fragilidades que iam sendo disfarçadas. 

Se no jogo com o Zenit ainda foi possível encobrir com a expulsão e pela excelente reacção (quando os russos também tiraram o pé do acelerador), esta noite, com um pouco de boa vontade, também podemos falar do frango de Júlio César ou do penalty mal assinalado imediatamente depois do golo de Salvio. A verdade é que tudo o resto, o futebol ineficaz, o massacre do Bayer, a ausência de jogadas de perigo, os desempenhos individuais, enfim, tudo o resto foi absolutamente vergonhoso.

Explicações? Podemos começar pela rotatividade imposta por Jesus. Confesso que me surpreendeu que tenha de facto assumido que o campeonato é a prioridade. Se partilho do mesmo objectivo devia gostar desta decisão mas algumas opções foram, no mínimo, discutíveis. Derley por Lima gostei. Ola John não ter entrado no onze não gostei, já que era um ala fresco e com um poder físico mais ao nível dos alemães. Cristante lançado ao onze logo na Champions e a jogar fora, não gostei. André Almeida gostei mas não a lateral. E é aqui que penso que está a questão essencial.

Já tinha aqui pedido André Almeida a trinco uma vez que Samaris (e pelos vistos Cristante) não tem perfil de trinco rápido, focado na recuperação de bola e na eliminação das linhas de passe. Depois à frente pedia-se um meio-campo mais de combate com Samaris e Enzo pois acredito que o grego, apesar de não servir para a posição 6, é "bom de bola". Talisca não defende ou ainda não defende e Cristante foi uma nulidade. Sendo assim, estava escrita a sentença. Conheço perfeitamente a frase feita de que "os avançados ganham jogos mas as defesas ganham campeonatos". Pessoalmente tenho uma opinião diferente. Acredito que é no miolo que se ganham campeonatos e é precisamente nesta zona do campo que acho o Benfica mais frágil. Ou pelo menos mais frágil com as soluções que tem apresentado (embora reconheça a inexistência de um substituto à altura de Fejsa). Com uma equipa mal posicionada no meio campo, parecia que os alemães jogavam com 15 e era frequente ver a linha do meio campo ir para cima da defesa que não sabia para onde se virar. O segundo golo foi o espelho disto. Na mesma linha de pensamento, ao atacar, cada jogador do Benfica parecia que tinha sempre dois adversários pela frente... Daí que tenha ficado a impressão de que todos os jogadores tiveram um desempenho francamente miserável. Só se aproveitou Maxi e num nível abaixo, André Almeida.


Com a Champions quase descartada, resta focar e não falhar no campeonato. E que até ao Porto, Jesus trabalhe ou descubra uma solução melhor para o meio campo. Nem precisa ser uma das duas que já propus (André Almeida - Enzo - Gaitán para as competições internas e André Almeida - Samaris - Enzo para a Champions). Basta uma que funcione.

01/10/2014

Uma descrição (quase) perfeita [COM ADITAMENTO]

Os que já me vão lendo há algum tempo sabem que, de há vários anos para cá, entendo que José Mourinho se acomodou. No discurso e no futebol.

Creio que o fez, essencialmente, porque às tantas não tinha argumentos contra um Super-Barça, nem no discurso nem no campo. E se quanto ao futebol ficou claro que, sem prejuízo de algumas vitórias do Real, o Barça tinha muito mais futebol, quanto ao discurso a sua fama de grande vencedor dos "mind games" acabou no dia em que Guardiola lhe deu um banho, dizendo basicamente que "Mourinho na conferência de imprensa ganha sempre, mas os jogos resolvem-se no campo" (isto para depois derrotar Mourinho na maioria das vezes em que se defrontavam).

Ontem e anteontem vi o regresso do grande José Mourinho. Não pelos elogios ao Sporting ou pela simpatia de desejar o nosso apuramento, mas pela postura. Fez-lhe bem o regresso ao Chelsea e a um campeonato onde a competição é, digamos, mais saudável. É certo que o Sporting não era adversário para suscitar grandes emoções, mas só o facto de Mourinho ter feito, antes e depois do jogo, análises lúcidas e desapaixonadas (como lúcida foi também a abordagem à famosa história da camisola, onde ao fim de 10 anos acaba finalmente por reconhecer o que fez), leva-me a pensar que está, ele próprio, mais sereno e mais "em paz" consigo mesmo.

Eis o que disse Mourinho:

Foi um jogo perigoso para nós. Tivemos tanto controlo e oportunidades, que o um a zero não espelha o que aconteceu ao intervalo ou a meio do jogo. O Sporting foi feliz, teve um guarda-redes que parou tudo, arriscou, criou perigo e tentou a sorte. O público ajudou e o resultado esteve em aberto até ao final.

[a vitória] É claramente merecida, mas acho que o Sporting ficou numa posição em que o jogo esteve em aberto até ao final e souberam manter a sensação que poderiam ter a sorte de empatar o jogo. 

É o que acho, com uma salvaguarda: na segunda frase, faltou a palavra "mérito". A abordagem de Marco Silva à segunda parte foi excelente. E o Sporting saiu aplaudido por isso. Merecidamente.

O grupo está aberto e todos podem passar. Já sei que me vão dizer que afinal o Maribor não é assim tão mau. Pois, e eu vou recordar os milhares de comentários no dia do jogo na Eslovénia, assim como no dia seguinte, em que todos defendiam que o Sporting tinha obrigação de ganhar ao Maribor. Como tinha o Schalke, aliás.

Nos próximos jogos, se conseguirmos suster o Schalke (ainda que seja com dois empates), deixamos tudo em aberto. Se ganharmos um dos jogos, temos reais hipóteses de apuramento. Mas, realisticamente, e considerando também o calendário (o Chelsea resolve o apuramente nos dois próximos jogos e provavelmente vai a Gelsenkirchen rodar a equipa), aponto apenas para fazer o melhor possível com o Schalke e assegurar a vitória em casa contra o Maribor.

Notas individuais:

- Patrício: esteve fantástico, world class...
- William: perdeu inúmeras bolas, está inseguro e a transmitir insegurança, ainda não voltou a 100% o craque de 13/14
- Sarr: (mais) uma noite que confirma que tem muita papa para comer antes de ser titular do Sporting
- Maurício: (mais) uma noite que confirma que, apesar do disparate na Eslovénia, tem uma consistência que Sarr não tem - tecnicamente é até mais limitado do que Sarr, mas em termos de posicionamento tem, pelo menos, alguma experiência e algum sangue frio (Sarr saiu sempre ao adversário que trazia a bola e levou com ela invariavelmente nas costas)
- Paulo Oliveira: entrou tranquilo, com confiança, a sair a jogar, se Maurício recuperar deveria entrar para o lugar de Sarr
- Montero: um cheirinho do Montero de 2013, gostei de ver.

Arbitragem: não me lembro de ver, nem sequer nos piores momentos da Liga Portuguesa, um penalty tão escandaloso não assinalado; e não me lembro de ver um fiscal-de-linha como o que acompanhou o ataque do Chelsea na segunda parte, sempre 1 metro atrasado em todos os lances. Nem sei se eram fora-de-jogo ou não, nem ele sabe, porque estava sempre mal posicionado, sempre. Não perdemos por isto, claro que não. Mas foi demasiado óbvio o proteccionismo ao mais forte.

Nota final para o público: em Alvalade, quando há atitude e futebol, as pessoas apluadem. Grande ambiente uma vez mais.

ADITAMENTO: Umas horas depois de publicar li este excelente post no Sporting Visto Por Nós (svpn.blogspot.com/2014/10/um-leao-na-baliza-cordeirinhos-na.html) em que são dados vários exemplos de posicionamentos incorretos do Maurício. Creio que se poderiam dar outros tantos exemplos com o Sarr, como o próprio post diz. Mas efetivamente olhando para estes exemplos acaba por ficar desmentido o que afirmo no meu próprio post quanto ao posicionamento defensivo do Maurício. Na verdade, eu referia-me apenas ao sangue-frio de manter a posição ao invés de ceder à tentação de sair para intercetar, como o Sarr faz (quase) sempre. Mas nos casos em que o adversário arrasta o Maurício para as zonas laterais... Enfim, as fotos do post são esclarecedoras.