29/09/2014

Um bom clássico


1. Novidade neste blog: foto tirada por mim em Alvalade. Grande ambiente no início do jogo e durante toda a primeira parte.

2. Grande entrada do Sporting, com uma bela jogada para o 1º golo da noite e uma primeira parte toda ela de grande qualidade. Dizer que a 1ª parte foi do Sporting e a 2ª do Porto não é bem verdade: a 1ª parte foi mesmo do Sporting, a 2ª foi do Porto durante 15 minutos, depois disso o jogo foi repartido.

3. Mas que o intervalo mudou o jogo, isso mudou. Mais do que saída do desinspirado Quaresma e do nervoso Ruben Neves, e das entradas de Tello e Oliver (jogadores de outra qualidade) foi essencialmente o posicionamento de Oliver que mudou o jogo. Por um lado, o Sporting deixou de sair a jogar porque com Oliver e Herrera ficou bloqueada a saída por Adrien ou William. Por outro lado, a bola batida direta por Patrício (solução já recorrentemente experimentada na primeira parte) deixou de ser nossa porque o Porto com o novo posicionamento dos seus médios começou a ganhar segundas bolas.

4. Um por um:
- Patrício: soberbo, recordo que já tinha estado em grande no derby.
- Cedric: prestação positiva. Deixou passar Tello uma vez, logo a abrir a 2ª parte, mas de resto esteve bem. Não esqueço um lance, ainda na primeira parte em que mostrou a todos os laterais do país o que deve fazer um lateral, ao tirar uma bola de golo a Jackson Martinez.
- Jonathan: relativamente a Cedric, mais permeável a defender (ou menos ajudado?), mas mais objetivo a atacar. Marcou o 1º golo, tirou um par de cruzamentos interessantes, mas na 2ª parte retraiu-se um pouco (normal).
- Maurício/Sarr: não dá para falar de um sem falar do outro. A verdade é que a sensação em todo o estádio é de insegurança, não há como escondê-lo. Não obstante, Maurício fez uma ponta final de jogo bastante positiva, foi ele que foi safando aqui e ali alguns lances mais perigosos. Quanto a Sarr, ouvi algures que está mal posicionado no lance do golo (deveria estar na linha da bola e está um passo à frente), mas convenhamos que tem algum azar. E pegar num auto-golo destes para criticar o jogador é algo injusto. A sair a jogar, até tem mais "ideias" do que Maurício, mas as roscas por jogo são incontáveis. Continuo a dizer que, apesar de tudo, Maurício deveria ser o resistente do sector.
- William: um cheirinho do William do ano passado, o melhor jogo desta época.
- Adrien: primeira parte positiva, segunda parte em queda, a perder inúmeras bolas e a chegar invariavelmente atrasado aos lances.
- João Mário: grande dinâmica na 1ª parte, foi dos mais prejudicados com as mudanças do Porto ao intervalo (desapareceu do jogo até recuar para o lugar de Adrien quando este saiu).
- Nani/Carrillo: grande 1ª parte dos extremos do Sporting, Nani tem de facto outra qualidade, Carrillo fez um jogão, na 2ª parte Nani começou a querer resolver sozinho (perdeu várias bolas assim) e Carrillo saiu para dar lugar a Capel (e verdade seja dita que já na 1ª parte parecia cansado...).
- Slimani: continua a precisar de 3 toques na bola para a dominar, mas a verdade é que neste jogo deu seguimento a vários lances de ataque. Prestação positiva.
- Capel: entrou por Carrillo, como habitualmente pouco ou nada fez mas a verdade é que poderia ter resolvido o jogo com um golo fabuloso. A bola bateu na trave, infelizmente...
- Montero: desanimado, desinspirado, desmotivado, e todas as demais palavras começadas por "d" e acabadas em "ado". "Este" Slimani tem mai lugar do que "este" Montero? Digamos que se ninguém se esforçar por motivar o Montero, sim. Mas o Montero tem que fazer a parte dele. No Domingo não fez.
- Mané: pouco se viu.

5. O histórico deste blog fala por si no que respeita aos comentários à arbitragem: as lentes, sejam verdes ou vermelhas, costumam ficar em casa. Por isso, creio ser insuspeito para dizer que aquele lance do Maurício não é penalty em lado nenhum do mundo. O Olegário, para minha surpresa, até nem esteve mal. Já o Lopetegui aprendeu depressa o desporto nacional, o queixismo. Sim, esse mesmo de que só o Sporting é acusado mas que todos praticam, mesmo em jogos como o de Sábado em que não há um só lance o jogo todo em que os jogadores tenham reclamado com o árbitro para além do normal e natural. Ninguém rodeou Olegário uma só vez e o único amarelo por protestos foi para o Nani (que vem de uma cultura em que se pode falar com árbitros à vontade - e quem tem que perceber isso é o próprio Nani, é ele que está noutra cultura).

6. Prestei especial atenção ao comentário do grande Manel no Sábado, no play-off, isto depois da polémica com o presidente do Sporting. Revi-me em quase tudo o que disse o Manel na sua análise e defendeu o Sporting (com fair-play e boa disposição) das teorias aziadas do Rodolfo Reis. O que querem mais do homem?

15 comentários:

  1. Acho que o Sporting na segunda parte pagou a factura da enorme pressão feita na primeira parte. Só faltou mais um golinho e o jogo estava ganho.
    - Grande grande jogo do Carrilho!
    - Pouco a pouco lá vão surgindo os tais reforços no 11.
    - Ter no banco o Capel, este Montero (ele próprio terá que fazer pela vida senão...) e o Mané (precisa continuar a crescer) é diferente de ter aqueles dois espanhóis.

    Não resisto a perguntar-lhe se também viu as declarações do Diogo Matos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. FCS,

      É verdade sim senhor - o Jonathan também é reforço. Mesmo que não se assuma titular indiscutível, é uma opção com uma qualidade que não tínhamos. Mas (não querendo puxar a brasa à minha sardinha) a posição de LE sempre foi aquela em que sabíamos que teríamos que ir ao mercado, certo? O problema com alguns dos contratados é que tínhamos opções em casa. No LE não.

      Acho que o Marco Silva anda a fazer as substituições um pouco tarde (se bem que neste jogo se percebe) e a dar poucos minutos, nomeadamente ao Mané. Mas o Mané tem um tremendo potencial, na minha opinião.

      Não vi as declarações do Diogo Matos, o que disse ele?

      Eliminar
    2. Deixo-lhe o link. Que tenha problemas com a actual direcção ainda consigo aceitar, agora atirar-se aos jogadores e ao próprio treinador parece-me muito infeliz. Parece-me também muito distraído em relação aos treinadores que passaram pelo Sporting nos últimos 20 anos.

      https://www.youtube.com/watch?v=jBtdvClsAOE

      Eliminar
    3. Ehpá! Só 20 anos?

      Eu ainda me lembro do Queiroz, do Morais, do Dominguez, do Raul Águas, do Manuel José, do Burkinshaw ou do Pedro Rocha... e como o Diogo Matos é mais velho do que eu, não duvido que também se lembre.

      Talvez estivesse mesmo distraído.

      Eliminar
    4. Memória/FCS,

      Pelo que me pareceu (vi o video agora mesmo, mas posso ter eu percebido mal), nessa parte dos "20 anos", o Diogo Matos estava apenas a dizer que (ele) jogou futebol 20 anos e (ele) nunca viu um treinador pedir que a bola seja batida para a frente, isso só acontece por incapacidade de sair a jogar. Não se referia ao Sporting em particular, muito embora tenha jogado no Sporting durante esse período.

      O tom é obviamente de, vá lá, descontentamento (para ser simpático). As vítimas são as do costume - os centrais. Mas parece-me de facto uma abordagem algo ostensiva, ao ponto de abordar o lance do auto-golo como se o Sarr tivesse feito um disparate do tamanho do mundo. Como digo no texto, ouvi algures (não me lembro onde, mas não tinha sido o Diogo Matos porque esse não ouvi) que o Sarr (i) está a dar demasiado espaço entre ele e a baliza e (ii) não está sequer na linha da bola. Admito que sim, mas os meus conhecimentos futebolísticos só chegam a isto: recriminar um puto de 20 anos por estar 1 metro fora do sítio parece-me violento.

      Dizer que não tem escola, enfim... ele foi formado no Lyon, acredito que no Lyon não sejam propriamente brincalhões (como o poderão comprovar, e atiro apenas aqueles de que me recordo agora, Ben Arfa, Benzema, Govou, Giuly, Kanouté, Malbranque - sim, joguei FM muitos anos! :). Eu acho que o problema do Sarr não é falta de escola, é ainda não estar formado e ter vindo fazer essa última fase de aprendizagem para a equipa principal do Sporting, esse sim é o problema.

      Mas discordo que se atire ao treinador, precisamente pelo que disse acima - pelo contrário, está a dizer que não foi certamente o treinador que pediu a bola batida na frente.

      Isto dito, percebo o FCS. Enquanto sportinguista, e numa reação quase intuitiva, não gostei do tom e da forma (como também não gostou o David Borges, que de imediato reagiu). Quanto ao conteúdo, caro FCS, é a opinião dele, que aliás muitos partilhamos. Mas que podia ter algum cuidado na forma como a expressa, isso podia.

      SL

      Eliminar
    5. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
  2. "2. Grande entrada do Sporting, com uma bela jogada para o 1º golo da noite e uma primeira parte toda ela de grande qualidade. Dizer que a 1ª parte foi do Sporting e a 2ª do Porto não é bem verdade: a 1ª parte foi mesmo do Sporting, a 2ª foi do Porto durante 15 minutos, depois disso o jogo foi repartido.
    "

    Finalmente uma opinião parecida com a minha... Vejo escrito por todo o lado que foi 1ª parte do Sporting e 2ª Parte do Porto. Não foi o que vi....

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António, se não estou em erro o próprio Manuel Fernandes disse-o no Sábado.

      É verdade que o FCP tem dois lances de perigo nos últimos 10 minutos, mas nós antes disso tínhamos tido o lance do Capel. E quem foi ao estádio viu o FCP a segurar o empate nos últimos 15 minutos. Tanto o lance do Herrera como o do Tello são contra-ataques (não sei se ainda posso dizer isto ou se serei obrigado a dizer "transição rápida").

      SL

      Eliminar
  3. Koba,

    a minha opinião é diferente. Achei a 2ª parte do jogo controladissima pelo Porto. Assim como a 1ª parte do Sporting foi avassaladora por parte do Sporting, o que leva a dizer que o Porto não "dominou" tanto na 2ª. Não conseguimos por uma vez na 2ª parte fazer uma jogada que envolvesse mais de 3 jogadores no ataque. O Porto não nos deixou jogar e conseguia chegar sempre com relativo à vontade perto da nossa área com muitos jogadores. Vi a equipa "estoirar" fisicamente aos 55 minutos, em que o primeiro foi o Carrillo após a preesão sobre Fabiano. O próprio Marco Silva disse que pagámos o esforço da 1ª parte, algo que não vi ser referido em lado algum.
    Aqueles 45 minutos foram de magia entre a equipa e os adeptos, dá gosto ver o futebol assim no estádio. A rivalidade entre os adeptos é um espéctaculo extra, desde que fique dentro do estádio.
    Nota para o festejo do golo anulado ao Porto por parte dos adeptos portistas, em que o jogo já estava parado e que os sportinguistas da Norte festejaram com eles por saber que estava anulado. É tbem por estas "picardias" que gosto destes jogos...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Metralha, por algum azar do FCP (lesão do Casemiro), o FCP passou os 15 minutos finais com posse de bola e a segurar o empate. Os 2 lances de perigo que cria fá-lo através de contra-ataques. Nesse período, o Sporting não jogou, é verdade, mas o FCP também não. Claro que podemos dizer que a postura de contra-ataque é estratégica, mas todos ficámos com a sensação de que o FCP estava a segurar o empate. Mais: todos também com a sensação de que um FCP à antiga teria forçado para ganhar o jogo e provavelmente ganhava. Mas Lopetegui não o fez. Teve azar ao gastar a última substituição daquela forma, mas a verdade é que podia perfeitamente ter assumido o jogo nesse período e, a meu ver, não o fez.

      SL

      Eliminar
    2. Metralha,

      Não esquecer os lances aos 69 e 73 minutos de jogos que poderiam dar outra "cara" ao jogo. No 1º o Slimani é impedido de continuar para a baliza (era livre direto mesmo antes da linha da grande area e amarelo para o central do FCP) e no 2º já vi penalties marcados por bem menos.

      Eliminar
  4. Koba, não forçar para ganhar não significa que o jogo não estivesse controlado, até o reyes fez melhor que o Casemiro no tempo que jogou. Acho o brasileiro fraquinho e com pouca noção de espaço.

    Mike, esses lances são jogadas fortuitas do Sporting, não que não oferecessem perigo mas foram pouco construídas. E digo já aqui que se marcassem contra o Sporting um penalty desses chamava ladrão ao árbitro. Há que saber pôr-nos do outro lado tbem. Em relação ao Maurício eu não vejo a bola tocar no braço no estádio, e estava atrás da baliza, assim como nas repetições não me parece que haja toque na mão, parece anca e se calhar braço depois da anca.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. OK nesse ponto estamos de acordo (e nos penalties também, já agora)

      Eliminar
    2. (o comentário saiu truncado, devo ter apagado o segundo parágrafo sem

      Sucede que o controlo do jogo por parte do FCP, em particular nos últimos 15 minutos, não se traduziu num "apagamento" do Sporting. O FCP teve o jogo como quis, é verdade, mas talvez por não ter tido oportunidade de fazer uma última substituição para ganhar o jogo, abdicou de o fazer. No período que se seguiu ao golo, o FCP pode não ter tido as oportunidades que teve nos últimos 10 minutos, mas tentou ganhar o jogo. Depois recuou as linhas. O Sporting não fez grande coisa, é verdade, mas o jogo esteve repartido. E o FCP pôs-se a jeito para, num dos tais lances fortuitos, perder o jogo...

      Eliminar