17/09/2014

Final invulgar


Há fenómenos que acontecem no futebol que não são muito fáceis de explicar. Sempre vi, com bastante inveja, aqueles cânticos nos últimos minutos dos jogos do Celtic ou Liverpool em que, mesmo apesar da derrota iminente, os adeptos cantavam de forma entusiasta e sentida o "You'll never walk alone". Lembro-me de pensar várias vezes que valia de certeza a pena, para todos aqueles adeptos estar, mesmo apesar da derrota, naquele estádio só para poder participar em tamanha manifestação de apoio. Esta noite tive a oportunidade de sentir algo semelhante. Incentivados pelos No Name, não demorou que as restantes bancadas aplaudissem ininterruptamente a equipa durante os últimos minutos. Nos últimos dois ou três, estávamos todos de pé e já se ouvia o grito de "Benfica" em todo o estádio no momento mais forte do cântico. Foi a melhor forma de reconhecer todo o esforço que a equipa colocou em campo e que merecia pelo menos um golo. Sem dúvida, uma nova mentalidade que importa manter. Afinal estavam no estádio os 30 mil que nunca falham e que estão sempre prontos para apoiar a equipa (o resto só aparece para a festa). Excelente o reconhecimento dos jogadores, treinador e presidente.


Quanto ao jogo, apareceram os tais erros de Jardel que já tinha alertado nos últimos posts, e neste jogo pagaram-se bem caros. É assim a Champions. Não dá muita margem de erro quando se joga contra os melhores. E já agora, que saída é aquela de Artur na expulsão?! A partir da expulsão, aconteceu a boa gestão do jogo do Zenit e oportunidades de parte a parte (o que para um Benfica com 10 jogadores é de assinalar!).

Notas:
- em jogos a doer, apostava claramente num trio no meio campo com André Almeida, Samaris e Enzo (enquanto não se percebe o que vale Cristante). Se não temos um Rodrigo que apoia bastante a defender ou um Ramires a fazer o corredor e o meio-campo, têm que ser três jogadores no meio neste tipo de jogos. Nos outros e especialmente em casa, até pode jogar o Talisca;
- Enorme alma e jogo de Luisão;
- Fabulosos Enzo e Gaitán, com Salvio num patamar ligeiramente inferior;
- Continuei a gostar de Samaris com a bola no pé e continuei a não gostar muito sem bola (Jesus parece que não gostou mesmo nada...).

Ainda há várias jornadas para compensar este mau início mas as perspectivas não são boas. Domingo temos de ganhar e manter o Benfica na frente do campeonato! 

6 comentários:

  1. Foi impressionante e já com a chuva a começar. Mais um momento de futebol cultura que o Benfica incansavelmente nos garante todos os anos.

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  2. Muito bem! Grande momento que tb trouxeste o registo até aqui. Eu entendo as críticas do JJ (n as ouvi de viva voz mas já me disseram que as fez). De facto o Samaris não é um trinco e tb ainda não tem as rotinas de jogo da equipa para saber onde deve estar (sobretudo nos movimentos atacantes) para que seja o primeiro obstáculo qd a equipa adversária ganha a posse da bola. De resto, os erros a este nível pagam-se caro. Espero contudo que não se crucifique um jogador que considero muito bom: Jardel. Nem todos os jogadores são frios com a bola nos pés e ele já deu mostras que é um deles. Há que treinar e dar-lhe confiança que pode e deve melhorar nesse capitulo. Continuo a acreditar na qualificação. Sim, o preenchimento do meio campo com mais uma unidade é a chave em jogos com equipas fortes. Eu penso que o que o JJ quer com o Talisca é dar o 3º elemento ao meio campo em determinados momentos do jogo e depois, que tb apareça na área a tentar finalizar e dar apio ao Lima, tal como tb fazia o Rodrigo. O que mudou? Rodrigo e Talisca são jogadores de características diferentes. O Rodrigo é mais avançado e mais explosivo. Teve tb o seu período de aprendizagem e de evolução. O Talisca é muito mais médio mas por outro lado tem para já défice em garra e genica. Não esqueçamos que chegou de uma realidade muitos diferente e que temos que ter alguma paciência para que ele evolua e chega a patamares elevados, como eu acredito que irá acontecer.

    AS

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  3. Nunca pensei que o Monaco ganhasse ao Leverkusen. Parecem más notícias (afinal o Monaco é mais sólido do que parecia) mas ao mesmo tempo parece significar que neste grupo todos podem ganhar a todos. E para quem perde o primeiro jogo o ideal mesmo é uma luta "todos contra todos". Veremos se o Zenit está mesmo forte ou se ontem os 20 minutos iniciais foram mesmo só "tudo a correr bem para uns e mal para outros".

    Quanto ao jogo, impressionante como o Benfica com 10 continuou a criar jogadas de perigo (há de facto ali muito trabalho); impressionante, também, como o Zenit desaproveitou os espaços deixados cá atrás pelo Benfica.

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  4. "parecem más notícias" para o Benfica, bem entendido :)

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  5. AS, concordo com o tempo de aprendizagem necessário para o Talisca mas isso não deve ser feito na Champions. Quanto ao Jardel, que mais confiança pode pedir depois de tantos jogos a titular e sem se ouvir falar de outros centrais? É preferível encarar o óbvio e interiorizar o assinalável decréscimo de qualidade que tivemos face à época passada.

    Koba, vi o resumo alargado e parte do jogo do Mónaco e aquilo só deu praticamente Bayer. Podia estar a ganhar facilmente por três ao intervalo. Vai ser complicado mas diria que o Benfica tem que compensar esta derrota com uma vitória no Mónaco e um empate fora e vitoria em casa com os alemães. Sendo assim, a derrota dos alemaes poderá não ser assim tão má. Ontem também tive muita pena de ver um menino a partir tudo e a fazer desmarcações fabulosas com a camisola do Mónaco. Afinal, aquele não precisa de nascer mais vez nenhuma e gostaria que ele entrasse apenas nos descontos no Estádio da Luz, com o Benfica a ganhar já por 2 ou 3 para um aplauso que ele sempre sonhou mesmo não sendo da forma que sempre sonhou.

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  6. Os momentos finais foram incríveis... é mesmo de uma grande equipa e estes jogadores mereceram pelo esforço em campo :)

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