16/08/2014

O exemplo Defour

Os pontos essenciais são estes:
- a esmagadora maioria dos factos (ou notícias não desmentidas) que vou referir abaixo só agora chegaram ao conhecimento público, após a saída de Defour do FCP;
- não há uma declaração pública/oficial do FCP (apenas o facto relevante relativo à transferência), o que permite que a narrativa para dentro de casa seja a que o FCP quiser.

Pois bem:
- Defour queria sair quando percebeu que não seria titular;
- o FCP estabeleceu um valor de 11M€;
- surgiu uma proposta bem abaixo disso, do PSV (facto de que se falou, sem qualquer confirmação);
- o FCP rejeitou;
- Defour começou a molengar e o FCP ameaçou agir disciplinarmente;
- Defour avisou que face à recusa da proposta do PSV, se iria recusar a treinar;
- o Anderlecht apresentou uma proposta de 6M€, aproximadamente metade do que o FCP queria;
- o FCP aceitou a proposta.

By the way: Defour custou ao FCP exatamente 6M€, sendo que o FCP ainda lhe pagou os salários durante 11/12, 12/13 e 13/14.

Perdeu dinheiro? Seguramente. Mas resolveu um problema, fechou-se em copas sobre o tema e eliminou quaisquer focos de conflito no balneário antes do início do campeonato.

Sejamos claros: sou anti-FCP primário e sei muito bem como é que o FCP conquistou o domínio do futebol português. Mas há coisas que eles gerem muito bem. E nós devíamos seguir os bons exemplos, naquilo que interessa.

Para os que me perguntam: "mas o que se pode fazer?". Está aí a resposta, dada não por quem chegou ontem ao futebol mas por quem, em 30 anos, ganhou 20 campeonatos, 2 Taças UEFA/Liga Europa e 2 Taças dos Campeões/Champions. Sim, também "ganhou" quinhentinhos, viagens ao Brasil, Apitos Dourados e trinta por uma linha. Mas não confundam as coisas: para além de tudo isto, há uma gestão muito cuidadosa destes temas. Ali não se descuram pormenores. Destes e dos "outros". E se não me revejo minimamente nesta segunda vertente (bem pelo contrário!), a primeira, repito, deveria ser um exemplo a seguir.

PS: Acho que me precipitei ao vaticinar a queda do FCP. Além de imaginar o Lopetegui com 11 Rubens em campo (afinal o Ruben é só 1), antecipava que os problemas internos do FCP minassem a sua organização. Pelos vistos, nem uma, nem outra.

PS2: Já depois de concluir o post, vi duas notícias muito curiosas:

- uma sobre a eventual chegada de Nani ao Sporting. Seria uma jogada fantástica, como é evidente, e tirarei o chapéu a BC se se concretizar. Mas não invalida o que disse acima: a exposição pública do caso Rojo foi o pior dos erros cometidos pelo efeito perverso sobre o balneário.

- outra sobre Bebé, aka Tiago - acredito que muitos se congratulem com o facto de JJ ter confirmado que Bebé não sabe o que são momentos de jogo e que para ele só existe ele e a bola; eu congratulo-me com o facto de um treinador como JJ, de méritos acima de qualquer suspeita, acreditar, como eu sempre defendi, que a evolução é sempre possível. Obviamente, como o rapaz alinha pelas forças do mal, desejo que o faça no próximo ano, no campeonato de Chipre ou coisa que o valha.

1 comentário:

  1. Procuro observar de forma atenta e crítica estes dias difíceis e complexos que o Sporting atravessa. Leio o que se passa à nossa volta, a nível nacional, e mais restrito, as nossas coisas. Afinal de contas, inspirando-me em Sophia de Mello Breyner pretendo ver, ouvir e ler. E organizo em duas linhas de força a minha análise pretendendo uma melhor compreensão do que se passa:
    1ª - A Direcção, no essencial, tem dificuldade em controlar o processo de reorganizativo da equipa profissional e proceder de acordo com o timing adequado à realidade galopante e efémera e aos interesses do Sporting;
    2ª - Marco Silva tem desenvolvido um trabalho adequado às circunstâncias e à especificidade do quadro desportivo que vigora no Clube.
    O Sporting confronta-se com determinados interesses que se alimentam do “status quo”. Coisas antigas e em que o Sporting já foi cúmplice noutras alturas. Mas é um conflito em que não podemos ser derrotados sob pena de nefastas consequências para o futuro do nosso Clube. Neste caminho enxameado de pedras a margem de manobra da Direcção é mínima e a condução deve ser, simultaneamente, pragmática e arrojada, ousada e calculista. O importante é o engrandecimento do Sporting e a sua afirmação no contexto desportivo nacional e internacional.
    Todos os dias, sempre que reflicto sobre a problemática em que o Sporting participa e está envolvido, ocorre-me o receio de que a actual Direcção do Sporting não esteja à altura dos acontecimentos.

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