25/08/2014

Notas (24 horas antes de partir de férias)

1. O Sporting ganhou ao Arouca depois de fazer um jogo fraco. As exibições não têm convencido e creio que tal sucederá porque algo está a mudar e não é fácil incutir mudanças numa equipa rotinada num tipo de futebol que, apesar das debilidades, era eficaz. Marco Silva tem um trabalho difícil pela frente, mas creio que é capaz. Mantenho que é treinador para o Sporting e faz-me um pouco de confusão ler por aí fora que é o lugar do treinador que está em causa. Desde logo, porque tem dois jogos realizados no campeonato (recordar que os últimos dois campeões já tinham perdido ao segundo jogo realizado para o campeonato...); depois, porque só agora começam a surgir jogadores que melhoram a equipa relativamente a 13/14 (e convenhamos que, na segunda volta do ano passado, o Sporting foi mais eficaz do que propriamente competente); por fim, porque nalguns casos, que topo a léguas, a conversa de responsabilização do treinador tem apenas por objetivo começar já a preparar o terreno para encontrar um bode expiatório no caso de as coisas não correrem particularmente bem.

2. Onde o Marco Silva me preocupou foi em algumas declarações no final do jogo. Quando se falou do excesso de cruzamentos, o treinador pareceu dar a entender que, sendo o Sporting forte pelos corredores, não faz sentido não explorar isso mesmo. Acrescentou que "com a dificuldade que é ganhar a linha de fundo, quando a ganhamos temos que cruzar". Marco, meu caro, três notas:
- por um lado, convém entender que essa era uma das debilidades na época passada, que acabou por levar à titularidade do Slimani, avançado eficaz mas que pouco contribui para a qualidade do jogo da equipa (e ver-te a suspirar pelo Slimani assusta-me...);
- por outro lado, o Arouca jogou com 2 laterais em cada lado, precisamente porque sabe que apostamos tudo nos corredores. Será que os restantes adversários vão conseguir anular-nos pondo 2 DD e 2 DE em campo, porque não temos alternativas ao jogo pelos corredores?
- por fim, creio que o que está em causa não é o cruzamento em si. Tive há tempos uma discussão neste blog sobre isso. O problema é que o cruzamento normalmente é um balão para a área onde se encontram os centrais e laterais contrários mais o Montero, o Martins, o Nani, o Capel, o Carrillo... Ou sai mesmo perfeitinho ou a probabilidade de golo é baixa, digo eu. Claro que até agora marcámos dois golos assim, os únicos que conseguimos até agora. Mas, se queres mesmo saber, isso dá-me mais preocupação do que descanso. Porque ainda nos vamos convencer que assim é que vamos lá.

3. O caso Nani é simples: Nani decidiu ultrapassar o Adrien na marcação (já antes, logo aos 12 minutos, "tirou" um livre ao jeito do André Martins e mesmo do Montero - sendo que não me lembro de ver o Nani marcar um golo de livre, mas a minha memória pode estar a falhar); ninguém o contestou porque é o Nani; falhou o penalty, o que pode acontecer a qualquer um (mas não é aceitável que faça a paradinha, o árbitro permita e não espere que o GR caia); o Marco Silva já disse que não volta a acontecer. Ponto final.

4. Slimani reintegrado mas creio que será transferido. Montero anda algo desinspirado mas convém perceber que o golo vai aparecer. Tanaka é uma boa opção para outra dinâmica mas a titular tenho dúvidas...

5. Face à exibição de Rosell (fraca), poderíamos sentir-nos tentados a arriscar na Luz uma alteração na estrutura da equipa. Não concordo. Em primeiro lugar porque (a menos que seja transferido ou esteja em vias de o ser) William regressa. Depois porque o Benfica é de outro calibre. Por fim, porque o Benfica pode alinhar com apenas 2 médios, o que nos daria superioridade nessa zona. Patrício, Esgaio, Jefferson, Maurício, Sarr (enfim...), William, Adrien, Martins, Carrillo, Nani, Montero. Não inventar.

6. Mas o 11 que gostaria de ver na jornada seguinte seria: Patrício, Cedric (se não estiver disponível, Esgaio), Jefferson, Maurício, Tobias, Adrien, Martins, Carrillo, Mané, Nani, Montero (com Nani atrás de Montero).

7. Continua o deboche na seleção nacional. Agora pré-convocou o Rui Fonte, do Benfica B, que se não me engano no ano passado era suplente do Funes Mori, jogador que o Benfica despachou em alta velocidade para a Turquia. Se os critérios são estes, pergunto: porque não o Tomané, do Vitória de Guimarães? porque não o Rafael Lopes, da Académica? porque não o Manuel Pinto, da AD Grijó?

Esclarecimento (e obrigado a quem alertou): "recordar que os últimos dois campeões já tinham perdido ao segundo jogo realizado para o campeonato..." refiro-me aos últimos dois treinadores do Sporting que foram campeões, o Inácio e o Bölöni. O primeiro perdeu em Alverca, o segundo no Restelo.

21/08/2014

Ressaca Nani - os pontos nos "ii"

Muito embora tenha levantado no meu último post as dúvidas relativas ao caso Nani, não escondo que a alegria da contratação do jogador levou a que não analisasse com maior detalhe alguns dos temas à volta da transferência. As principais preocupações já as manifestei no post anterior, seja no próprio post, seja em sede de resposta aos comentários do leitor António Benedito, a quem aproveito para agradecer o facto de ter levantado algumas questões relevantes.

Faço agora um desenvolvimento, avisando porém que no meu blog sou um blogger, nada mais do que isso. Não consigo, nalguns casos, "apagar" a minha faceta de jurista, mas não vou aqui desenvolver os temas em profundidade. Até porque me falta aquilo que neste tipo de tema costuma ser essencial: os detalhes, em particular dos contratos e dos contactos entre as partes.

Mas vamos por pontos:

1. Antes de contratar Nani e transferir Marcos Rojo, o Sporting terá resolvido o contrato com a Doyen. A resolução implica a restituição de tudo o que tenha sido prestado pelas partes. Tanto quanto sabemos, a Doyen avançou com 3,75M€ para a contratação de Marcos Rojo. Logo, a resolução implica a restituição desse valor. Sucede que, aparentemente, o Sporting resolveu com a Doyen, nada entregou, só depois transferiu o jogador e, aí sim, terá entregue à Doyen os 3,75M€. Não conhecemos os termos da resolução com a Doyen, por isso é impossível retirar daqui uma consequência jurídica direta. Mas a Doyen irá certamente aproveitar-se dos timings do processo para invocar que, na realidade, não há "justa causa" mas sim, e apenas, um pretexto para receber 20M€. Tanto que só após transferir o Rojo é que o Sporting paga à Doyen o que lhe era devido na sequência da resolução.

2. Quanto aos fundamentos da resolução, só o Sporting os conhece e todos esperamos, obviamente, que sejam sustentados em factos que demonstrem um incumprimento grave da Doyen. O facto de a Doyen oferecer o jogador, por si só, pode não ser suficiente - pode fundamentar uma perda de confiança, mas não ser suficiente para sensibilizar um tribunal, ainda para mais quando o Sporting afirma em comunicado que as manobras da Doyen não têm eficácia e não perturbam a possibilidade de o Sporting rejeitar propostas. Por outro lado, gostemos ou não da Doyen, é chocante para o comum dos mortais que alguém suporte 75% de um custo de uma transação e não seja devidamente remunerado/ressarcido por isso. Reparem que mesmo um mero empréstimo tem uma remuneração, os juros. Aqui, neste caso, nada - apenas a restituição do valor inicialmente entregue. Os fundamentos para dar a volta à Doyen têm que ser efetivamente fortes, têm que efetivamente colocar em causa a relação comercial das partes e, no plano "ideal", têm que ter já criado danos substanciais ao Sporting ou, no limite, ter o potencial para criar esses danos. Caso contrário, vai ser complicado...

3. A Doyen vai exigir juros de mora até integral pagamento, não o duvido. Mas se perdermos o caso duvido que se venham a pagar esses juros. Porque a via negocial aí acabará por prevalecer. Aproveito aliás para dizer que a via negocial já devia prevalecer hoje, agora. E que a dado momento tive esperança que estivesse a correr paralelamente com a negociação do Marcos Rojo.

4. Ao contratar Nani suportando o Naite a totalidade do vencimento, o Sporting coloca-se efetivamente em risco relativamente à valoração da transação acima dos 20M€. Digo "risco", não digo certeza, porque depende de uma prova que a Doyen terá que fazer e que não considero assim tão fácil (diga-se também que o Spartak, caso o pretenda, pode tentar invocar o mesmo argumento para receber mais 1M€). Fala-se também em relacionar o valor de Nani (para efeitos deste contrato) com o valor a partir do qual o Sporting recebe mais-valias pela transferência do Rojo (23M€). A meu ver, e do que li atá agora, parece-me tudo especulativo. Mas se o Sporting suportar uma parte dos custos, temos duas consequências:
- o negócio, afinal, não é fabuloso (diria que continua a ser positivo se não suportarmos mais do que 1M€/ano, acima disso começa a ser acima das nossas capacidades);
- o risco, afinal, é mais reduzido (porque o valor de Nani é inferior aos tais 5M€).

Mas vejamos este ponto em detalhe:

a) como ponto prévio, digo-vos que é relativamente típico em contratos que envolvam este tipo de problema (acontece também com preferências, exercício de opções, etc.) prever que conta como pagamento tudo o que seja entregue, sob qualquer forma, à parte vendedora (e isto pode entrar num nível de sofisticação bastante elevado, que envolve normalmente avaliações de terceiros, porque se o Naite enviasse um jogador isso também seria forma de pagamento e teria que ser avaliada de alguma forma). Isto é previsto precisamente para facilitar a prova de quem tem o direito, ou seja, e indo ao caso concreto, para que a Doyen apenas tenha que argumentar que o Sporting recebeu os salários de Nani, sem necessidade de provar que tem direito a uma parte desse valor (porque constaria da redação do contrato).

b) Se o contrato com a Doyen tiver uma cláusula (mais ou menos sofisticada) desta natureza, creio que pode ser mais fácil argumentar que tem direito a parte do valor. Caso não tenha, mantenho o que disse ao António Benedito: a prova não é assim tão fácil, até porque a própria Doyen, nos seus comunicados, dá a entender que o Sporting teria indicado que transferia o jogador por 20M€, valor que efetivamente o Naite acabou por pagar.

c) De qualquer modo, diz-se que a Doyen vai alegar que tem direito não a 75% de 20M€, mas sim a 75% de 25M€. Um ponto, porque já vi isto escrito algures: o facto de o Sporting não ter efetivamente "recebido" este montante não será suficiente para contradizer o argumento da Doyen, a menos que a letra do contrato seja de tal forma desfavorável para a Doyen que possa conduzir a esta conclusão. Aqui, e para além do contrato, vai valer a factualidade. Mais concretamente, e admitindo que a letra do contrato não resolve o tema, conta isto: se o Sporting exigiu o empréstimo de Nani, sem custos, para libertar Marcos Rojo, e se a Doyen o conseguir provar, será difícil que neste aspeto a Doyen não faça vencimento. Aqui pode ser essencial o papel do clube comprador - se confirmar que o Sporting exigiu Nani (sem custos para o Sporting) para fazer o negócio, estará a ajudar a Doyen.

5. Quanto ao tema pavilhão, já o tinha dito: a menos que falte aqui qualquer dado relativamente aos acordos que mantemos com os nossos credores, não vejo qualquer sentido no comunicado (apenas o aspeto do marketing relativo à Missão Pavilhão, mas que não justifica, a meu ver, que se escreva "aquilo"). Dizer que vamos passar 9M€ para o clube, através de meios ainda por definir, é algo de tão estranho que exige, a meu ver, que o presidente do Sporting esclareça o tema publicamente. E não lhe exijo grandes detalhes, pois percebo que a exposição excessiva dos acordos com os credores em nada nos beneficia (menos ainda nesta fase em que há uma campanha orquestrada pelos outros clubes para vir dizer que fomos beneficiados pela banca). Peço, apenas, que nos diga que "obviamente, isto teve o acordo dos credores" ou "obviamente, esta possibilidade está prevista nos acordos assinados" ou algo mais, que não me leve a pensar que, para além de um conflito com a Doyen, podemos ter um conflito (mais mediático ou mais reservado, neste caso tanto faz) com os credores.

6. Faltou um tema no meio de tudo isto: o mediatismo do processo. Já tinha dito no anterior post que nenhum fundo nos apoiará enquanto isto não estiver resolvido. Se ficar resolvido a favor do Sporting, ainda assim vamos ter dificuldades na relação com fundos (basta pensar que vão preferir colocar jogadores noutros clubes...) mas, enfim, poderemos sempre invocar que o nosso problema não é com os fundos mas sim com aqueles que não cumprem contratos (vale o que vale...) e de alguma forma uma vitória fará do Sporting uma espécie de "pioneiro" na "guerra contra os que andam no futebol a ganhar dinheiro à custa dos clubes". Mas se ficar resolvido a favor da Doyen, mais do que a relação com fundos, estará em causa um evidente dano financeiro mas também um dano reputacional. Porque, creio, o tema está a ser seguido por muita gente e não é só aqui no cantinho à beira-mar plantado.

Isto dito, resta-nos aguardar. Mas que efetivamente o tema é nebuloso... lá isso é.

19/08/2014

Este sim, é reforço!


BC tem o inegável mérito de conseguir sair dos buracos que ele próprio cavou ou ajudou a cavar melhor do que estava antes de cair no buraco. E isto também é importante num líder. Eu preferia, claro, que evitássemos todos os sobressaltos antes de chegar a este tipo de resultado. Mas, como diz o povo, mais vale tarde do que nunca. Veremos se é desta que aprende que para se chegar a este tipo de resultado, não é necessário por o clube em alvoroço todas as pré-temporadas. Para o ano, resolvamos estes temas mais discretamente e mais cedo, sff!

Isto dito: Nani é uma grande jogada de BC. A melhor jogada desportiva desde que chegou ao Sporting.

Do ponto de vista da equipa de futebol, é uma opção fantástica e é o tal extremo de que precisávamos. E até pode ser 10 - eu no início da carreira achei que ele ia ser 10, mas sempre se afirmou como extremo; sempre defendi neste blog que o Nani poderia ser um 10 para a seleção; e agora vejo o Carlos Pereira a dizer que pode ser 10. Ainda bem! Mas, Carlos, da próxima vez que quiseres falar em público sobre coisas que eu disse aqui antes, cita-me por favor.

Do ponto de vista político, deixo para reflexão as dúvidas que tenho sobre este negócio:
1. Como é que o Naite alinhou neste negócio, feito "à revelia" da Doyen? Ainda não consegui perceber...
2. O Sporting devolve à Doyen o valor que esta investiu, 3,75M€, se não estou em erro. Significa isto que a Doyen vai exigir judicialmente do Sporting os restantes 11,25M€. Difícil recorrer a fundos enquanto este tema não estiver resolvido (por um lado) e nem quero pensar (por outro lado) se perdemos totalmente a causa porque implicará pagar 11,25M€ assim de repente... espero que isto tenha sido muito bem ponderado e não faça parte de uma estratégia de "empurrar com a barriga".

Do ponto de vista jurídico, e aqui não posso conceder por "defeito profissional", acho aberrante que uma entidade receba um valor de 16M€ e anuncie aos quatro ventos que vai aplicar 9M€ na construção de um pavilhão... de um seu acionista. Não vou desenvolver o tema para não vos aborrecer, mas eu se fosse credor da SAD estaria neste momento a perguntar porque é que, afinal de contas, o acionista recebe antes de mim. O comunicado refere que os "termos legais" desta operação estão ainda por definir, mas este é um ponto em que teremos que estar atentos. Por muita criatividade que se ponha nesta situação, vejo demasiados obstáculos para ultrapassar (pelo menos sem o apoio/acordo dos credores).

Mas, por ora, o meu lado irracional de adepto prevalece e só me apetece gritar: ganda NANI!

Finalmente, um bom começo

Depois do bom jogo realizado contra o Rio Ave e uma vez que se continuava a contar com Enzo (e Gaitán), estava à espera de um Benfica mais forte, mais pressionante e mais ofensivo. A verdade é que a primeira parte foi uma bela porcaria, sem jogadas de envolvimento, sem ocasiões de golo, sem pressão e a permitir vários ataques ao adversário. Parecia que a equipa estava mole por força da elevada temperatura. Com o penalty que não me pareceu tão forçado assim, estava tudo a alinhar-se para manter a tradição dos inícios de campeonato com o pé esquerdo. Mas lá surgiu o São Artur dos penaltys e deu-se início ao fim da maldição. 

A segunda parte já foi bem melhor mas mesmo assim sem grandes entusiasmos. No entanto, não podemos esquecer que foi apenas o primeiro jogo da época e que há alguns jogadores que ainda estão a entrar na dinâmica da equipa. 



Algumas notas:
- Jardel alimenta grandes discussões entre os meus amigos benfiquistas relativamente à sua qualidade ou falta dela. Se é apenas um bom suplente ou se pode ser um bom titular. Nesta questão assumo uma posição tipo Suiça. Gosto do Jardel pela sua raça, capacidade física, jogo de cabeça e sobretudo pela sua velocidade e capacidade de recuperação. Acho que serve perfeitamente para o campeonato. Todavia, sei que é perfeitamente normal que Jardel faça um grande corte, depois de um enorme sprint e que depois de recuperada a bola erre o passe e coloque a bola nos pés do avançado adversário. Os passes errados são mais do que muitos e estamos sempre à espera do erro por um domínio mal conseguido ou corte mal executado. Ou seja, é um bom jogador e acho que não é a posição mais urgente ao nível de reforços até porque ainda falta ver o que vale Lisandro, mas é óbvio que o nível desceu relativamente ao ano passado;
- Eliseu esteve bastante apagado;
- Luisão é cada vez mais o patrão e o treinador dentro de campo;
- acho que me despedi do Enzo;
- estou farto de ver o Talisca no onze inicial. Tem qualidade mas ainda tem que pedalar muito para poder ouvir o hino dentro das quatro linhas;
- voltou o Lima do muito trabalho, boas decisões, boas movimentações e dos golos falhados;
- grande, grande jogo de Amorim. A inteligência e boas decisões sempre ao serviço da equipa. Grandes passes, quase sempre certeiros e uma preocupação constante em dar linha de passe aos colegas e em equilibrar a equipa. Só a destruir e a fechar é que mostra que para 6, é curto;
- os melhores: Maxi, Gaitán e Salvio. É quase injusto eleger um. Maxi sempre a correr, um pulmão que não acaba, bons lances ofensivos e ainda marcou o primeiro golo. Gaitán jogou apenas a espaços mas quando joga, meu Deus, é de uma dimensão muito superior aos restantes (com excepção de Salvio que fica ali mais perto). Dois passes para golo oferecidos numa bandeja de prata. Com passes assim fica muito mais fácil finalizar e decidir jogos. Não quis marcar o seu golo quando podia encher o pé e acabou por preferir mais um adorno. Salvio foi o jogador que esteve sempre em evidência no jogo mesmo quando a equipa estava mais em baixo. Enorme jogo, muitos desequilíbrios e um golo. Acho que Markovic vai chegar a um nível que Salvio nunca chegou nem chegará, mas comparando somente com o que o sérvio fez na época passada, acho que vamos ficar a ganhar (mesmo sem alguns lances de absoluto génio).
- Jara até pareceu, pela primeira vez, um jogador de futebol. Alguém que sabia quando devia passar, virar o jogo, segurar a bola ou arrancar para cima do adversário. Confesso que fiquei surpreendido pois a minha avaliação do argentino é mesmo muito baixa;
- Jesus, espero que já tenhas percebido que Talisca não dá. A ganhar por um zero e a segurar mal o meio campo como estávamos, não era preferível o André Almeida em relação ao Jara aquando da saída do Enzo? De certeza que não te parece bem, Amorim, Enzo e Gaitán ao meio? Ou um mais realista, André Almeida, Amorim e Gaitán?   

Continuem assim rapazes que este início de campeonato vai ser duro!

PS: podemos acordar que os cânticos de "Nós somos campeões" e "O campeão voltou" ficam guardados, a partir de agora, para quando nova conquista for matematicamente uma realidade? Isto é uma nova época, pelo que já não é altura para mais festejos...

17/08/2014

Fui a Coimbra levar um balde de água fria (mas ainda assim apetece-me escrever um post a quente)

Não me estou a queixar. Há quem faça todas as semanas os 400 kms que fiz desta vez e eu só faço de vez em quando. Mas fi-los e ainda paguei 40€ por um bilhete porque, dizia quem estava comigo, na superior norte não se vê nada. Se estivesse no início do blog, em que só era lido por amigos, dizia-vos como estou. Por respeito aos que me acompanham, digo que estou, hum, bastante aborrecido.

Da central viu-se bem todo o jogo e viram-se problemas no Sporting, vários. E não falo de sofrer ao minuto 90, porque o problema não foi esse. Isso foi a consequência do(s) problema(s). E de alguns azares, claro que sim. A começar pelo facto de o Marco ter excluído da convocatória o Esgaio e ter-se lesionado precisamente o Cedric. Passando pela expulsão de William poucos minutos após a segunda substituição. A acabar no alívio falhado do Carrillo que não teria acontecido se o peruano, esgotado, pudesse ter sido substituído (não foi porque 2 das 3 substituições foram forçadas). Mas os azares não explicam tudo. Não explicam todos os problemas.

Um deles, a meu ver, resolver-se-ia com uma consulta do dicionário.

Reforçar:
1. Tornar mais forte ou resistente.
2. Tornar mais intenso.
3. Tornar mais numeroso.
4. [Figurado]  Reanimar.
5. Dar força a.
verbo intransitivo e pronominal
6. Tornar-se mais fortemais robusto.
7. Enrijecer.

Já o tinha dito aqui por outras palavras, vou aproveitar o momento a quente para dizer com todas as letras o que todos pensamos e não queremos dizer: o Sporting não se reforçou, no verdadeiro sentido da palavra. Patrício, Cedric, Jefferson, Maurício, Sarr, William, Adrien, Martins, Carrillo, Heldon e Montero. Posso estar enganado mas este 11 é pior do que o da época passada, após 10M€ gastos. A menos que me convençam que o Sarr é melhor do que o Rojo (e não, não é impossível encontrar um central melhor do que o Rojo, simplesmente este não parece sê-lo).

Creio que não estamos nem mais fortes, nem mais resistentes, nem mais intensos, nem mais robustos, nem mais rijos. Estaremos mais numerosos. Só se for por aí. Mas se me disserem que gastámos 10M€ para ficarmos mais numerosos, permitam-me que faça a pergunta que já fiz neste blog por diversas vezes: onde estão as prometidas "contratações cirúrgicas" e "aposta na formação"? Geraldes é melhor do que o Esgaio (e eu, repito pela centésima vez, nem deposito particulares esperanças no Esgaio)? Sarr é melhor do que o Tobias (já nem falo do Dier)? Oliveira é melhor do que o Ruben Semedo? Slavchev é melhor do que o Vítor? Gauld é melhor do que o Chaby? Não vou falar do Jonathan nem do Rabia, chegaram agora. Enfim, salvam-se o Rosell (suplente e, pelos vistos, pau para toda a obra) e o Tanaka (terceira opção já que, do que disse o Marco Silva, depreendo que ia jogar o Slimani).

Não estou com cabeça para muito mais, o jogo irritou-me muito. Fico-me pelo seguinte:
Patrício - várias hesitações, uma grande defesa
Cedric - azarado com a lesão
Jefferson - bem a atacar, a dar sempre espaço na defesa
Maurício - sim, agora é mesmo o nosso melhor central... e tanto haveria para dizer sobre isso!
Sarr - não quero comentar a quente
William - tanta qualidade nos pés, pena a expulsão, teríamos ganho o jogo com ele em campo
Adrien - muitas bolas jogáveis, às vezes bem, às vezes complicou
Martins - pouca bola mas quando a teve, ao contrário de Adrien, descomplicou sempre
Heldon - melhor do que o costume, ainda assim perdeu o timing num passe simples para Montero
Carrillo - o melhor jogador do Sporting (não me refiro a hoje, refiro-me em absoluto) não merecia aquele lance ao minuto 90
Montero - lutou que se fartou, anda sem ponta de sorte
Rosell - cumpriu a lateral, a dupla com Adrien no meio não resultou (sempre espaço entre os dois e a nossa defesa...)
Capel - desta vez até agradecia que corresse para a bandeirola de canto e lá guardasse a bola, mas nunca o conseguiu
Paulo Oliveira - missão ingrata, fez o que pôde

PS: não conhecia o Luís Villar (está a fazer o rescaldo do jogo na Sporting TV). Mas agrada-me a imparcialidade, a independência e a honestidade. Nada de desculpas esfarrapadas, disse a verdade sobre o jogo. Afastou a possibilidade de queixas da arbitragem com toda a serenidade (Adrien disse que lutaram "contra tudo e contra todos" e também não percebi - referia-se aos colegas indisciplinados? ao presidente? a quem? à arbitragem não foi seguramente), apontou o que esteve menos bem, tanto a jogadores como ao treinador. Assim, a Sporting TV vale a pena.

PS2: escrevi o texto sem ler nada sobre o jogo mas entretanto fui espreitar outros blogs. E parece unânime a crítica ao facto de Esgaio não estar na convocatória final. Recuso-me, respeitosamente, a alinhar nesta crítica: não vou apontar a um treinador, no seu primeiro jogo oficial, uma falha na convocatória. Se me falarem das substituições (Heldon pior do que Carrillo mas parecia melhor fisicamente, eu teria preferido João Mário na última substituição, por Carrillo que entretanto ficara em campo), podemos discutir. Mesmo assim, prefiro olhar para o "big picture": onde tínhamos debilidades, elas continuam lá.

16/08/2014

O exemplo Defour

Os pontos essenciais são estes:
- a esmagadora maioria dos factos (ou notícias não desmentidas) que vou referir abaixo só agora chegaram ao conhecimento público, após a saída de Defour do FCP;
- não há uma declaração pública/oficial do FCP (apenas o facto relevante relativo à transferência), o que permite que a narrativa para dentro de casa seja a que o FCP quiser.

Pois bem:
- Defour queria sair quando percebeu que não seria titular;
- o FCP estabeleceu um valor de 11M€;
- surgiu uma proposta bem abaixo disso, do PSV (facto de que se falou, sem qualquer confirmação);
- o FCP rejeitou;
- Defour começou a molengar e o FCP ameaçou agir disciplinarmente;
- Defour avisou que face à recusa da proposta do PSV, se iria recusar a treinar;
- o Anderlecht apresentou uma proposta de 6M€, aproximadamente metade do que o FCP queria;
- o FCP aceitou a proposta.

By the way: Defour custou ao FCP exatamente 6M€, sendo que o FCP ainda lhe pagou os salários durante 11/12, 12/13 e 13/14.

Perdeu dinheiro? Seguramente. Mas resolveu um problema, fechou-se em copas sobre o tema e eliminou quaisquer focos de conflito no balneário antes do início do campeonato.

Sejamos claros: sou anti-FCP primário e sei muito bem como é que o FCP conquistou o domínio do futebol português. Mas há coisas que eles gerem muito bem. E nós devíamos seguir os bons exemplos, naquilo que interessa.

Para os que me perguntam: "mas o que se pode fazer?". Está aí a resposta, dada não por quem chegou ontem ao futebol mas por quem, em 30 anos, ganhou 20 campeonatos, 2 Taças UEFA/Liga Europa e 2 Taças dos Campeões/Champions. Sim, também "ganhou" quinhentinhos, viagens ao Brasil, Apitos Dourados e trinta por uma linha. Mas não confundam as coisas: para além de tudo isto, há uma gestão muito cuidadosa destes temas. Ali não se descuram pormenores. Destes e dos "outros". E se não me revejo minimamente nesta segunda vertente (bem pelo contrário!), a primeira, repito, deveria ser um exemplo a seguir.

PS: Acho que me precipitei ao vaticinar a queda do FCP. Além de imaginar o Lopetegui com 11 Rubens em campo (afinal o Ruben é só 1), antecipava que os problemas internos do FCP minassem a sua organização. Pelos vistos, nem uma, nem outra.

PS2: Já depois de concluir o post, vi duas notícias muito curiosas:

- uma sobre a eventual chegada de Nani ao Sporting. Seria uma jogada fantástica, como é evidente, e tirarei o chapéu a BC se se concretizar. Mas não invalida o que disse acima: a exposição pública do caso Rojo foi o pior dos erros cometidos pelo efeito perverso sobre o balneário.

- outra sobre Bebé, aka Tiago - acredito que muitos se congratulem com o facto de JJ ter confirmado que Bebé não sabe o que são momentos de jogo e que para ele só existe ele e a bola; eu congratulo-me com o facto de um treinador como JJ, de méritos acima de qualquer suspeita, acreditar, como eu sempre defendi, que a evolução é sempre possível. Obviamente, como o rapaz alinha pelas forças do mal, desejo que o faça no próximo ano, no campeonato de Chipre ou coisa que o valha.

14/08/2014

Só para relaxar um pouquinho, desculpem lá...


Com um ex-leão na batuta (Romagnoli) e contando com o apoio divino, o San Lorenzo conquistou a Libertadores.

Deve estar feliz o grande Beto Acosta.



13/08/2014

Entrevista de Bruno de Carvalho


Muito embora as gravações automáticas sejam relativamente recentes, já me habituei a elas. Nada me irrita mais na SportingTV do que  não ter gravações automáticas. Como não pude ver a entrevista de BC à hora programada (e apesar de anunciada a repetição do Sporting Direto para a 1h a verdade é que passou uma entrevista do Fernando Correia), tive que ver no youtube, tendo apanhado uma edição algo estranha. Mas acho que apanhei o essencial da entrevista.

Começo por dizer que BC é um animal televisivo. Acho que nem ele sabia que o era quando se candidatou pela primeira vez. O efeito surpresa do 1º debate para as eleições de 2011 deve tê-lo sido também para o próprio. A verdade é que BC, na TV, é um craque.

Mas por vezes não chega e ontem, a meu ver, não chegou para todas as encomendas. Reforço o "a meu ver" porque, pelo que já percebi por essa blogosfera fora, está toda a gente fascinada com o lado "craque da TV" e muito poucos atentos à substância do que disse o presidente.

E o que disse o presidente?

Dier

1. BC disse que não lhe falou porque, nesse dia, se recusou a treinar. Ora bem, Dier na entrevista diz que foi à Academia buscar as suas coisas e despedir-se, encontrou BC e este limitou-se a cumprimentá-lo. Se foi despedir-se, já tinha a transferência acordada. E BC quer convencer-nos que é normal exigir a um jogador com transferência já acordada (e nos termos em que foi) que treine no dia em que se vai despedir? "Eric, vai lá para o Tottenham então, mas amanhã já sabes, apresentas-te para treinar na Academia, é muito importante que um jogador que nunca mais vai cá por os pés treine amanhã". Esta, desculpem lá, só aprecia quem está de tal forma fascinado com o craque da TV que nem ouviu bem o que disse o presidente do Sporting. E mais: acho que BC tinha esta mal preparada (e isto é um elogio: normalmente, as desculpas não são assim tão esfarrapadas). 

2. Nota positiva para o facto de não ter forçado a nota da responsabilidade das anteriores direções (tema que, aliás, o entrevistador puxou a despropósito), tendo saído da situação com a elegância que deveria ter sempre que surgem estas  situações. Algo como "agora não interessa se vem de outras direções ou não, a verdade é que a cláusula existe" é efetivamente a postura certa, e a que esperava de BC de há uns tempos a esta parte. Ficou, todavia, por explicar se o Sporting, quando iniciou negociações para a renovação, sabia da cláusula dos 5M€. BC focou-se no seguinte: "se a cláusula existia e a vontade era sair com base nela, andámos todos a perder tempo com a renovação". Não convence: se a nossa proposta fosse suficientemente boa e equilibrada no que concerne à cláusula de rescisão (ainda que possamos obviamente discutir o que é "bom" e "equilibrado" para Dier), nem se colocava o problema da cláusula dos 5M€, porque ficaria obviamente fora do caminho, em caso de acordo total.

3. No demais, acho que esteve bem (muito embora um ou outro remoque fosse dispensável, nunca ultrapassou os limites): desejou felicidades ao Dier, disse que sempre lhe deu todo o apoio, não mandou bocas despropositadas ao pai/agente e manteve sempre um tom sereno. 

Rojo & Slimani

1. BC não deu grandes detalhes sobre os motivos que levam a que Marcos Rojo e Slimani estejam sob alçada disciplinar. A dado momento, pareceu dar a entender que Slimani estaria a ser punido por falar demais, mas não desenvolveu o tema. Aí, e bem, o entrevistador tentou puxar mais mas BC não falou. Também bem. Limitou-se a salientar que os jogadores não estão na equipa B (e ainda bem). O erro, aqui, foi trazer (ou deixar trazer) isto para a praça pública e deixar os rumores correr. Se acabarmos por resolver estes problemas, é inevitável o dano na imagem dos jogadores. 

2. BC esclareceu também que, afinal, não tínhamos a opção de comprar 25% do passe de Rojo, fosse por que valor fosse, em 2013. Para mim, não é muito relevante, uma vez que desvalorizei esta possibilidade desde o início. Mas parece algo confuso o contrato, bem como o valor a que o Spartak terá direito se vendermos Rojo. Se for como está descrito aqui, estamos perante um negócio incompreensível.

3. BC falou também para dentro, dizendo que não cede a agentes, fundos, etc. É um discurso que se compreende mas vale o que vale. Compreender-se-ia melhor se proferido antes de viram a público os problemas com Slimani e Rojo.

4. Depois, vieram os calhaus para os telhados de vidro, criticando (e ameaçando denunciar) os clubes que aliciam jogadores antes de chegar a acordo com os clubes que detêm os passes. Bom, mas alguém acredita que o Sporting não faz o mesmo? Alguém acredita que o Slimani (sim, esse mesmo) quando pressionou o seu clube na Argélia para sair não tinha já tudo acordado com o Sporting? Alguém acredita que o Ramy Rabia, quando fez o mesmo com o Al-Ahly, não tinha já tudo acordado com o Sporting? Francamente, esta não percebi.

Chico Bala

Para mim foi a pior parte da entrevista porque neste caso parece-me mais do que evidente ser desnecessário expor o jogador. Para quê a conversa do "vamos apurar responsabilidades"? Claro que vamos, mas isso fica dentro de casa. Para fora, a mensagem só poderia ser uma: "foi um problema administrativo, está resolvido, a forma como tudo se processou está a ser analisada mas é um assunto interno do clube e acho que não faz sentido perder mais tempo sobre o tema". Permitir um filme mediático por causa de um carimbo, francamente, não lembra a ninguém.

12/08/2014

Marcos Rojo & Slimani [ADITAMENTO]

O Aditamento entra já no início: isto é inacreditável. Slimani relegado para a equipa B. Mas continuamos convencidos de que mandar os jogadores para trás das balizas resolve problemas? E quando lá estiver meio plantel, como vai ser?

***

Marcos Rojo vai sair, é uma inevitabilidade e é também inevitável que o negócio não seja grande coisa, uma vez que apenas temos 25% do passe. É a vida. E todos o sabíamos de há muito. No primeiro plantel que idealizei para esta época, já não contava com Rojo.

Poder-se-á dizer que era possível resgatar uma percentagem adicional do passe (creio que no ano passado), mas admito que o orçamento da época não contemplasse essa eventualidade (e estava fora de questão recorrer a endividamento para esse efeito). Por isso nem discuto esse tema. Seria fácil acusar BC de não ter gasto 1M€ que hoje gerariam um retorno de 5M€ adicionais (aceitando que a proposta do Naite é de 20M€). Mas havia muitas limitações e outras prioridades. Estas decisões aceitam-se, em momentos difíceis.

Discuto, sim, o que se vai passar nos próximos 10/15 dias. Com alguns receios.

Tudo começou n'O Jogo, dizia-se que Marcos Rojo se tinha recusado a jogar com o Nacional de Montevideo. Hoje, o Record noticia que Rojo se recusou a treinar devido ao facto de o Sporting ter rejeitado uma proposta do Naite.

Agora é A Bola, mais levezinha (porque mantém boas relações com o Sporting)... Diz que Rojo não treinou, não tem problemas físicos e a ausência do treino se explica por "motivos relacionados com a proposta apresentada pelo clube inglês".

Convenhamos que estamos perante um eufemismo. O Record quer sangue verde a correr pelas ruas, evidentemente. Mas (com mais prazer do que seria suposto) está a dizer com todas as letras o que agora também diz A Bola de uma forma, enfim, infantil.

Ou seja, parece que há um problema com Marcos Rojo. E como é evidente isto não se resolve com o clássico "vai treinar para o pinhal" de que tantos gostam. Também não se resolve cedendo à primeira birra, porque essa atitude gera a consciência coletiva de que uma birra ajuda qualquer jogador a sair.

Como resolver, então?

Reconhecendo que (a ser tudo verdade, como parece) BC tem um berbicacho nas mãos de resolução muito complicada, convém começar por dizer que ele ajudou a criar este problema. Não o problema "Marcos Rojo" mas o problema à volta dos Marcos Rojos da vida. Este problema, mais estrutural, já tinha surgido no caso Dier. E não é tanto a situação em si (jogador força saída), que pode acontecer a todos, mas o facto de, por um lado, se ter criado a ideia de que "isto só acontecia com os croquetes, comigo vão piar fininho", algo que, depois, por outro lado, obriga à criação de narrativas, inevitavelmente dirigidas ao caráter dos jogadores, para justificar aquilo que acontece a todos (podia lembrar milhares de casos, como Bale ou van Persie, que forçaram saídas de clubes com capacidade financeira incomparavelmente superior à nossa).

Ou seja, independentemente de como venha BC a resolver o problema, eu posso apostar que os próximos dias vão ter uma de duas campanhas:
- ou começa a campanha para descredibilizar os OCS, esses malandros, que se juntaram todos para dar a mesma notícia "mentirosa";
- ou começa a campanha dos vitupérios a Marcos Rojo, esse bandido, esse ingrato, esse sei lá que mais.

Esta parte só descredibiliza mais BC. Mesmo os radicais vão começar a achar que são desculpas a mais. Ou então temos muito azar com os jogadres, algo em que BC não acredita, como se viu nas declarações públicas em que se manifestou sobre o excesso de azar no Sporting.

Por isso, volto à pergunta: como resolver? Agora é tarde para resolver bem. Mas há ainda uma forma de resolver evitando grandes danos à imagem do Sporting e ao balneário. E essa forma é relativamente "simples". Mas atenção: é simples para mim porque considero a proposta do Naite efetivamente boa - recordo que são 20M€ pelo MARCOS ROJO!! Sim, o dos charutos do meio-campo!! Alguém dá mais do que isto depois de ver uma época inteira do Rojo no campeonato nacional? É que já ninguém compra a ver mundiais, desculpem lá...

E a forma, para mim, seria esta (já digo o eventual "dano" que teríamos): negociar a proposta dando a entender total abertura para um acordo próximo dos valores agora em causa. Sim, isso mesmo: ceder. Às vezes ceder é o melhor caminho, nomeadamente quando falamos de jogadores que não valem o que se oferece por eles.

Esta cedência seria eventualmente acompanhada de uma ou mais das seguintes atuações:
- dispensar de imediato o Marcos Rojo dos trabalhos da equipa, mas sem criar grandes ondas, informando-o de que a proposta estava a ser negociada;
- oficializada a venda, informar o plantel e o mercado que se estavam apenas a ultimar alguns detalhes mas perante a iminência do acordo se aceitou que o Marcos Rojo não treinasse;
- assinar um acordo de confidencialidade com o Rojo e o Naite sobre todo o processo (com uma cláusula penal equivalente à diferença entre o que recebemos e o que queríamos receber).

Admito, claro, que isto não evite que os colegas de Rojo percebam que, na realidade, cedemos a uma chantagem. Mas essa nunca seria a versão oficial. Quanto ao rumor, que ficaria sempre, é o preço a pagar por nos termos colocado numa situação em que permitimos que a chantagem acontecesse.

Assim já brinco

Há jogadores que não só mostram que são grandes jogadores cada vez que fazem um passe, desmarcação, remate ou corte mas sobretudo porque à volta deles tudo fica melhor e mais fácil para os restantes. Ou seja, não só têm um impacto directo no futebol da equipa como ainda têm um impacto no futebol dos colegas. Isto está na linha de um dos últimos posts em que dizia que até eu era capaz de fazer alguma coisa de jeito (contra equipas pequenas) se jogasse no meio campo com o Matic e Enzo. Na supertaça foi o que se viu. "Bastou" entrar o enorme Enzo e, não só colocou toda a sua qualidade em campo, como tudo à sua volta melhorou. Até o Talisca parecia jogador de futebol (de repente sai de 6 e passa para 10?).


Com aquele onze, onde apenas substituía Talisca por Ola John, o Benfica é claramente candidato a ganhar o campeonato. Sobretudo num meio campo a 3, com Gaitán vagabundo. Por isso, as dúvidas apenas se colocam quando se coloca na equação a saída de Enzo e/ou Gaitán.

Foi um massacre. Um número impressionante de remates logo na primeira hora e domínio completo. Se nos velhos tempos do FM, tivesse um jogo com mais de 30 remates e posse de bola a rondar os 70%, fosse a penaltys e perdesse, sentia-me legitimado para desligar o computador sem gravar. Só podia ser bug do jogo. O jogo de ontem veio provar que não era bug. Pode mesmo acontecer...


Destaques:
- Artur assinou mais uma petição para a sua saída, oferecendo as duas únicas oportunidades do Rio Ave. Depois fez o que, no Benfica, apenas tinha visto Quim fazer: defender estes penaltys um passo à frente da linha. Como diz o meu amigo Koba, os árbitros raramente mandam repetir e isso beneficia sempre os guarda-redes que arriscam não cumprir as regras. Foi ele que ganhou os penaltys e a felicidade era evidente;
- Luisão e Jardel estão vários patamares acima de Sidney e César. Mas como disse no início, até qualquer um destes deve parecer bem melhor ao lado de Luisão;
- Maxi apesar de menos rápido, tem um pulmão que até cansa de ver;
- Eliseu é boa aquisição. Sempre bastante bem, a apoiar bem o ataque durante a primeira parte e mesmo com mais de 30 anos deu uma ratada no Ukra num sprint durante a segunda parte;
- Super Enzo, super Salvio e grande Gaitán;
- Talisca ainda não me convence. Vai mostrando uns pormenores mas ainda está longe de ser jogador a sério;
- pela primeira vez vi Derley a mostrar futebol ao nível do que se exige para o Benfica;
- Ola John é o melhor carteiro do plantel. Aquele cruzamento para o Lima merecia melhor finalização;   

Mais um título para a grande época do Benfica e de Jesus. Notável mas o desafio de elevado nível de dificuldade, bem superior ao da época passada, poderá se iniciar agora caso a janela de transferências ainda seja mais madrasta (desportivamente) para o Benfica. 

Esperamos para ver (com a ansiedade em níveis elevados). 

11/08/2014

A importância da experiência

1. Experiência, no sentido de ensaio, teste, verificação. Foi o que o Sporting fez no Sábado, com maus resultados. Não vale a pena esconder que a primeira parte, menos experimentalista, também não correu bem. E era talvez o mais importante jogo desta pré-época, porque o adversário em causa (Gijón) é, de todos os que defrontámos, o mais semelhante aos que vamos defrontar, em casa e fora, em mais de metade dos jogos que vamos realizar esta época. Não contando com adversários da Champions (sejam eles quem forem), Porto e Benfica, eventualmente Braga, eventualmente Nacional, veremos se o Estoril, os adversários vão jogar como jogou o Gijón. Serviu para ver que para ultrapassar este tipo de adversário, há ainda muito por fazer. No Domingo muito melhor, mas adversários de outra cultura futebolística não permitem tirar conclusões muito seguras. Isto dito: continuo a acreditar em Marco Silva, a equipa insiste em evitar o charuto, mas pelas alas continuo a ver demasiados cruzamentos para o barulho. Algo que há que trabalhar.

2. Experiência, no sentido de conhecimento, prática, maturidade. Lembram-se deste post? Eu dizia, em jeito de deboche, que a melhor substituição que JJ poderia ter feito no prolongamento da final da Liga Europa, era a troca de Oblak por Artur. Porque a experiência deste último poderia ser determinante no desempate por penalties. O jogo de ontem vem demonstrar que, afinal, poderia ter mesmo sido uma grande jogada de JJ. Oblak, grande GR mas ainda verdinho, ficou preso à linha a vê-las entrar. Artur deu o passinho da ordem em todas as que defendeu ontem. Nenhum árbitro manda repetir aquilo, como se sabe. Aliás, como Artur sabe e Oblak um dia saberá. Claro que isto não descansa os benfiquistas e eu percebo-os: afinal, os jogos do campeonato não vão decidir-se por penalties. E Artur ontem voltou a revelar grande insegurança. Veremos se a moral ganha na noite de ontem é suficiente para afastar este mau momento. Não me levem a mal, mas espero obviamente que não!

PS: Temos alternativa para DE, um lugar em que todos diziam que ninguém da equipa B seria opção a ter em conta. Parece-me bem, portanto. Quanto ao Rabia, vem para o lugar do Rojo. Acho que BC tem estado bem nas suas declarações públicas (admitir que estamos interessados em vender não faz sentido) mas parece-me inevitável que Marcos Rojo saia antes de 31.08.

09/08/2014

Um de nós

Já todos nós, que seguimos bem de perto o futebol e os nossos clubes, nos imaginámos a jogar pelo emblema do nosso coração, com o estádio cheio de adeptos fervorosos, num jogo importantíssimo, a marcar o golo da vitória numa jogada de génio e a levar as bancadas à loucura. Num momento que não deixaríamos, com toda a certeza, de festejar com o estádio inteiro. Eu não sou excepção. Enquanto miúdo, era uma sequência fabulosa que me passava muitas vezes pela cabeça. Era a ideia de ser o responsável por proporcionar a milhares de adeptos como eu uma alegria sublime. Não era por dinheiro, reputação ou por vaidade. Não era interesseiro. Era genuíno. Era de coração.

O romantismo de criança já lá vai e hoje não tenho dúvidas que o futebol e os futebolistas têm tanto de romântico como uma auditoria às contas do BES. Mas há excepções. Não deixam de olhar pela sua carteira e a sua estabilidade financeira após o final da carreira mas não deixam de chegar bastante perto ou mesmo igualar o sentimento de um qualquer adepto. E isso reflecte-se na forma como sabem ler as bancadas, na forma como reagem para as bancadas e na forma como nunca, mas mesmo nunca, esquecem que o principal do clube que defendem, está nas bancadas. A minha grande excepção e ídolo de criança é Rui Costa. Não deixou de fazer grandes contratos e a apenas voltar ao Benfica no final da carreira mas acho que ninguém duvida que o sentimento em relação ao clube está acima de qualquer suspeita. Depois há os estrangeiros que chegam e encarnam completamente a mística. Podia começar por Mozer, passar por Javi Garcia ou David Luiz e terminar no Salvio. Tenho a certeza que eles partilham dos sentimentos dos adeptos e de que as vitórias e derrotas não são apenas estatísticas nos seus curriculums.

Agora imaginem que tinham um jogador que tinha feito a sua formação no clube, que estava em vias de chegar à equipa principal e que era a principal promessa da formação do clube, talvez dos últimos 15 anos. E que ainda por cima era um adepto fiel desse clube. Que quando já jogava na equipa B e era a estrela da equipa, não deixava de fazer longas viagens para ir para a bancada dar o seu apoio como qualquer um de nós. Que o seu sonho era tão simplesmente jogar pela equipa principal no seu estádio. No fundo não deixava de ser como qualquer um de nós como disse no início, mas que provavelmente imaginava a tal sequência nos seus sonhos mil vezes mais do que nós, já que estava bastante mais perto da realidade e assim não ia perdendo força ao longo dos anos até por fim desaparecer como aconteceu comigo. Pois bem, o clube simplesmente acabou com o sonho desse jogador. 

Como tinha referido no último post e que parece confirmar-se na imprensa deste fim de semana, os três miúdos não foram emprestados mas simplesmente vendidos a um fundo e agora colocados por Jorge Mendes. Afinal, nenhum jogador que vai apenas rodar para outro clube diz como Cavaleiro "Se Deus quiser, um até já" (afinal bastaria que um Jesus quisesse) ou como diz Bernardo "Espero muito sinceramente que não seja uma despedida para sempre"

Mas para mim, o que mais me revolta é ler a seguinte frase: "um dia espero ainda poder concretizar um dos meus sonhos de criança: jogar no ESTADIO DA LUZ com a camisola do BENFICA". Desculpa Bernardo. Como adepto, tenho vergonha que o meu clube te roube o sonho assim, sem o mínimo de vergonha e de forma dissimulada. E muita pena de não ter a oportunidade de te aplaudir desde o Terceiro Anel quando cumprisses o teu sonho. Mas o futebol dá muitas voltas e acho que os adeptos não se vão esquecer. Ainda vais ter a oportunidade de ser aplaudido pelo Estádio da Luz. Se não for com a águia ao peito, será com outro qualquer emblema, mas serás com toda a certeza aplaudido. Agora faz-nos um favor a todos e transforma-te no grande jogador que todos queríamos e que continuamos a querer.   

Estou ansioso pela entrevista de quinta-feira.




08/08/2014

Liquidação Total

As notícias que saíram hoje sobre os empréstimos dos 3 jovens jogadores da formação doBenfica,  foram a gota de água que fez transbordar o copo de todos os que vinham alertando para a péssima gestão desportiva que o Benfica vinha fazendo nesta época. Mesmo para aqueles que apoiam incondicionalmente Vieira e Jesus, depois das derrotas em Londres e destes empréstimos, também já não conseguem fazer mais do que simplesmente encolher os ombros.

Uma vez que estes empréstimos são,  do ponto de vista desportivo, uma imbecilidade absoluta,  só nos resta concluir que isto não é mais do que uma venda encapotada para não chocar ainda mais os adeptos depois de tantas saídas. O escândalo que é o facto de saírem os três para clubes depósito de Jorge Mendes diz quase tudo assim como o facto de irem para clubes onde dificilmente acumularão minutos (pelo pouco que percebo de futebol, este é normalmemte o objectivo dos empréstimos). Fico especialmente triste por não ter a oportunidade de ver Bernardo Silva evoluir pois era aquele que tinha mais curiosidade em ver jogar na equipa principal e que, depois de ver duas ou três jogadas, acredito que tem aquele toque de bola que distingue os grandes jogadores do resto.

Sendo uma venda encapotada, podemos ver de três formas (apesar de serem todas péssimas,  uma consegue ser pior do que a outras):
- o Benfica teve que vender as suas promessas, que não conseguiriam ser já solução para o onze inicial, para contratar jogadores que dessem garantias imediatas;
- a forma de evitar a venda de Enzo e/ou Gaitán,  passava pela venda dos 3 putos;
- o buraco financeiro é de tal ordem, por força da não renovação dos empréstimos junto da banca e especialmente BES, que é necessário vender tudo o que valha alguns milhões.

Não deixa de ser triste ver a formação ser despachada sem sequer render desportivamente mas seria suportável se fosse a forma de continuar a ganhar. Não festejaríamos menos no Marquês e apenas teríamos muita pena de não ver um grande jogador que sofre pelo Benfica como qualquer um de nós (marcou presença em vários estádios do país como um mero adepto na última época) a espalhar magia no Estádio da Luz mas sim noutro clube do Mendes qualquer. No entanto tudo me leva a crer que estamos longe de estar a seguir o caminho do sucesso.

Em dias como este, sinto-me especialmente ludibriado e desconsiderado por quem comanda os destinos do meu clube. Mesmo numa situação financeira que todos dizem mais aflitiva,  vejo o Bruno de Carvalho recusar propostas de 12 M por Rojo e outra proposta por Slimani. No Benfica é a tristeza que se vê...

07/08/2014

Memórias (I)


Há jogadores que são justamente lembrados como grandes figuras. Outros serão sempre justamente lembrados como grandes cepos.

Depois, há fenómenos difíceis de explicar.

Há jogadores que deram razão ao ditado "mais vale cair em graça do que ser engraçado". Não que fossem maus, mas a memória coletiva preservou-os por razões nem sempre justas.

Pense-se em Ricardo Sá Pinto, idolatrado em Alvalade, por oposição a Pedro Barbosa, por exemplo, sem que as carreiras de um e outro como jogador justifiquem a diferença de tratamento (bem pelo contrário). Pense-se no esforçado Toñito, ou até no holandês Stan Valckx (um excelente jogador mas que a memória coletiva preservou esquecendo que ajudou a "matar" o campeonato 93/94 nas Antas). Não incluo aqui Rodrigo Tiuí (vénia) porque esse, meus amigos, resolveu uma final de Taça contra o FCP, marcando o segundo golo... de bicicleta. Isto vale todo o dinheiro que se pagou por ele e mais uns trocos!

E depois há jogadores que não eram assim tão maus mas ficam na memória coletiva, por uma ou outra razão, como sendo pernas de pau ou pouco mais do que isso.

De certa forma, foi o que se passou com Rodrigo Tello, que levou o carimbo "o mais caro de sempre" (e não o foi, mas isso fica para outro dia) e todos esperavam, por isso mesmo, que resolvesse os problemas coletivos do Sporting. Mas quem me vem à memória quando me lembro desta espécie de artista é Careca, o homem da foto. Mais um jogador marcado pelo que se disse dele quando chegou. No caso, Sousa Cintra, que terá dito que era "um jogador moderno, tipo Eusébio e Pelé" (sim, este clássico foi com Careca).

As memórias são algo nebulosas, eu era muito novo e por isso não posso assegurar que não fosse um terrível jogador. Se calhar era mesmo. Mas esquecendo agora a memória coletiva, eu guardo dois momentos do Careca, ambos felizes, que nunca esquecerei.

Estamos em 90/91. Não consultei sites, mas tenho ideia de ter sido o melhor começo de sempre do Sporting (pelo menos o melhor que eu vi). 10 jogos, 10 vitórias, terá sido assim? Ao 11º, empate em Chaves, depois de estar a ganhar por 2-0. E pelo final da primeira volta, derrotas com o FCP nas Antas (o tal jogo do "golpe de vista" de Ivkovic - já me disseram que não era bem assim, mas também isso fica para outro dia) e com o Benfica em casa.

No campeonato, a equipa veio por ali abaixo. E às tantas, no balneário, conta Oceano que "alguém" (ele diz que levará para a campa quem foi, mas todos sabemos que só pode ter sido uma pessoa - e vamos na terceira boca à Octávio Machado, "vocês sabem do que estou a falar"), perante a excelente campanha na Taça UEFA, terá dito "vamos concentrar-nos só na Taça UEFA, o campeonato digo-vos já que não nos vão deixar ganhar". A segunda volta foi "à Sporting anos 80", ou seja, a partir do Natal já não houve candidato ao título. Nessa época, assisti a todos os jogos em Alvalade.

Num deles, contra o Belenenses, ainda dentro do streak de 10 vitórias, tive o meu primeiro momento de vitória nos últimos minutos. Careca, claro, foi o autor do golo. Nunca, até esse dia, tinha festejado tão efusivamente um golo. Para mim, o Estádio veio abaixo. Até pode não ter sido a primeira vez que vi o Sporting marcar no último minuto; mas foi, seguramente, a primeira vez que pensei que isso contava mesmo para alguma coisa (depois até acabou por não contar, mas enfim...).

Noutro, também dentro desse streak, fomos ao Estádio do Bessa matar o chamado "borrego". Já não ganhávamos no Bessa ao Boavista há 30 anos, entre jogos do campeonato e da Taça de Portugal! Era o estádio mais difícil de Portugal para o Sporting. Nem Antas, nem Luz seriam (arrisco: "serão!") capazes de um record daquele género. O Sporting começa o jogo a ganhar, golo de cabeça de... Careca.

Careca terá marcado mais alguns golos até desaparecer de Alvalade e do imaginário leonino. Hoje é lembrado pela comparação de Sousa Cintra e por ter sido um grande cepo. Pois bem: refuto a acusação. Careca deu-me dois momentos de grande alegria, daqueles momentos que hoje, relativizando, interessam pouco ou quase nada. Mas que na altura reforçaram, e muito, a minha paixão pelo Sporting.

Essa dívida de gratidão para com Careca, e para com tantos outros, nunca a poderei pagar. Mas posso, dentro das minhas humildes e pouco mediáticas possibilidades, contribuir para que não se apague da memória que, um dia, ou dois, ou mais, o Sporting foi grande, foi Sporting, porque Careca estava lá.

05/08/2014

Obrigado Emirates!

Não pelo patrocínio às camadas jovens mas tão simplesmente por ter organizado o torneio em que o Benfica foi humilhado. Pois, já estávamos muito bem habituados com um Benfica forte na Europa (ok, na Liga Europa) e jogos destes fizeram-nos recordar um Benfica europeu vergonhoso e não muito longínquo. Mas obrigado porquê? Porque foi o melhor que nos podia ter acontecido nesta fase da época. Fizeram soar bem alto os sinais de alarme que só alguns estavam a ouvir! Parece que agora já todos perceberam que os reforços que têm que responder pela maior parte do trabalho (meio campo) e pela defesa estão muito longe do que se exige e que o guarda-redes não dá mesmo. Se na defesa as ausências temporárias de Luisão e Jardel (e até de Lisandro?) não me deixavam preocupado, para as restantes posições já tinha escrito que nenhum convencia para arrancar o campeonato. Uma coisa é ganharem rodagem e ir entrando aos poucos, outra é assumirem a titularidade e jogarem na Champions.

Quem também já percebeu que afinal não tem o toque de Midas que muitos e ele próprio acreditava que tinha, é Jesus! Jogar o Manel é muito bonito mas apenas quando tem à volta 10 excelentes jogadores. Assim realmente fica fácil entrar na equipa. Até eu, quando não coloco restrições ao meu ego, imagino que era capaz de fazer qualquer coisa de jeito no meio campo contra equipas pequenas se jogasse ao lado do Matic e Enzo. E aqui aplaudo de pé! A conferência de Jesus em Londres foi a melhor que já fez desde que entrou no Benfica. "Se sair Enzo, também saio" a rir mas a mostrar que não podem exigir mais dele se simplesmente lhe tiram o tapete debaixo dos pés e encomendam um novo da segunda divisão brasileira. Um treinador não o deve fazer? Jesus nunca se queixou da saída de jogadores mas se a Direcção não é capaz de estancar a debandada, é a Direcção que tem que receber as críticas e não ele. Os jogadores querem, as cláusulas, etc, mas quem define as cláusulas é o Benfica e sempre me lembro do Porto ter jogadores contrariados e não era por isso que deixava de ganhar. Deco também não saiu depois de ganhar a Liga Europa, nem Fernando ou Hulk quando se ouviu falar dos primeiros rumores de transferência.

Quem também já deve ter percebido que o filme ia correr mal, acaba por ser a Direcção. Não me parece que consiga travar nesta fase as vendas, mas pelo menos ainda pode tentar acertar o passo com as compras. Vai ser uma tarefa difícil mas parece ser a única solução que resta.

- a venda de Cardozo deverão ser mais alguns milhões a entrar e que já não acredito que fossem rentabilizados. Para mim, é um alívio a sua saída mas não deixo de agradecer o grande avançado que foi no Benfica e as inúmeras alegrias que me deu. Inclusivamente nesta época em que marcou os golos que a equipa precisava no momento em que a equipa mais se sentiu perdida;
- a saída de Artur. Acho que agora já ninguém duvida que é inevitável;
- parece que já temos novo guarda-redes. Uma promessa como faz sentido. Vamos ver;
- o defesa direito ex-Palmeiras demora muito a ser emprestado?
- ainda gostava de perceber o que ganhámos com o negócio Djavan;
- falta muito para o trinco e para o 8? (sim, continuo a achar que Enzo não fica)
- abdico alegremente do avançado se passarmos a jogar só com um na frente, ok?
- Luisão, Jardel e Enzo já treinam. Na supertaça têm que jogar, nem que seja de muletas e mesmo que não façam um único treino com bola.

Vai e não voltes!!


Que fiques muitos e bons anos no Transaspor (como diria JJ) é o que te desejo.

Fui dos poucos que sempre disse que eras craque. Já outros, idolatrados pelos adeptos do seu clube, queriam, em tempos idos, por-te num avião para Newcastle porque já tinhas substituto (com upgrade, diziam eles): Makukula. Esta é mesmo verdade, pá...

Lembra-te desta história se algum dia voltares. E espero que, nesse caso, te juntes às forças do Bem.

02/08/2014

Contrastes


Mau: cheguei ao estádio pelas 20h. Pouca gente para entrar, apresso-me para o meu lugar. Quando chego, penso que estão a montar um palco. Errado. Estão a desmontá-lo. A apresentação já aconteceu. Com o estádio às moscas, como se vê pela foto. Diz-me o meu pai que as portas se abriram já bem depois das 19h (atraso imputável à empresa de segurança, segundo constou) e 5/10 minutos depois de as portas se abrirem, começou a apresentação. Enfim, poderiam tê-la feito como o estádio um pouquinho mais composto, não? Surpresa apenas a apresentação de Naby Sarr. No demais, o esperado.

Bom: 31.000 adeptos numa sexta-feira de agosto parece-me muito bom mesmo. Recordo que o Benfica-Ajax, disputado num sábado de julho, teve 25.000 espetadores. E não me falem do momento das equipas. A pré-época é o que é e, tanto quanto sei, o Benfica ainda é o campeão em título. E depois de escrever esta frase vou fazer uma pausa e tomar um Alka-Seltzer...

(voltei, já me sinto melhor)

Mau: o jogo de Maurício. Um desastre. Intervenções trapalhonas logo a abrir, a bola a queimar nos pés, as habituais faltas desnecessárias. Por coincidência, no dia seguinte a sair o Dier. Mas OK, foi mesmo coincidência, sei que com o Maurício podemos contar. E sei que teve que levar com um Rojo acabadinho de chegar de férias (incrível como jogou a titular...) ainda fora do ritmo da equipa. Rojo que, por sinal, passou o jogo a charutar. Só faltou mesmo aquela cavalgada com tiraço para a bancada que o Cantinho tanto aprecia. Ainda não tinha visto nesta pré-temporada o Sporting a charutar. Alguém fale com o senhor e lhe explique que já não funciona assim, por favor.

Bom: todo o meio-campo, até às substituições. André Martins parece motivadíssimo, Adrien apresenta-se com muita confiança e este meio-William que temos por agora já é um ótimo jogador. Quando estiver em forma e for o verdadeiro William, vai ser ainda melhor do que no ano passado. Incrível como vê sempre primeiro as opções de passe à sua frente e normalmente a bola sai redondinha para o colega melhor posicionado. Depois começou a disparatar como que a dizer ao Marco que queria sair ao intervalo. Não saiu, mas pouco mais durou.

Mau: duvido que o William fique...

Bom: Carrillo empenhado e a jogar o mesmo jogo que o resto da equipa, Montero essencial no jogo ofensivo e (vamos ver se alguém concorda comigo) o melhor Capel que vi nos últimos tempos. Curiosamente, um Capel que inicia a jogada do primeiro golo com um passe que o velho Capel não faria, dada a sua obsessão com a bandeirola de canto (para onde corre desvairado sempre que tem a bola nos pés). Um jogo com a equipa, sem correrias parvas, sem grande destaque, é verdade, mas com um contributo que gostei de ver. Este Capel pode ficar. Bem orientado, pode ser um jogador útil à equipa.

Mau: sofrer golos depois da hora, logo 2, um na primeira parte, outro na segunda. E se o segundo resulta de um erro individual do Jefferson (precisa urgentemente de concorrência), o primeiro faz lembrar os "bons" velhos tempos do Sporting em que evitávamos cantos contra nós a todo o custo, inclusivamente preferíamos que o adversário beneficiasse de um penalty, podia ser que o Patrício defendesse.

Bom: Rosell não é William mas gostei uma vez mais. E nunca pensei dizer isto mas gostei mesmo de ver o Tanaka. E o público adora o japonês. Quando marcar um golo em Alvalade, o estádio vem abaixo.

Mau: Mané muito displicente, a desperdiçar por infantilidade um lance claro de golo; Paulo Oliveira algo preso e inseguro (pareceu-me); o grande Marcelo não ter entrado; e alguém ter dito ao Chico Bala que podia ficar com a bola do jogo mas sem lhe explicar que isso apenas sucederia quando o jogo terminasse. Da próxima peçam ao Slimani para lhe explicar em árabe.

PS: quem fez também um jogo desastrado foi Pereirinha, pela Lazio. Mas gostei de ver como foi bem tratado em Alvalade, ele que saiu a custo 0 porque, lembrem-se disto, o Sporting não conseguia renovar o contrato com ele. A este, e ainda bem, ninguém insulta nem chama nomes à mãe, ao pai, ao empresário, etc.

01/08/2014

Dúvidas


Começo por dizer que escrevi um longo post que depois apaguei. Nesse texto dizia que simpatizo com BC, porque de certa forma vejo nele um sportinguista "como eu" e que isso contribuiria, eventualmente, para continuar a aceitar (ainda não acreditar, mas aceitar a possibilidade) que possa ser o presidente que o Sporting precisa para muitos e bons anos. Mas quero cingir-me ao essencial. Por dois motivos, essencialmente:

(i) tinha prometido a mim mesmo dedicar-me, neste blog, ao "futebol-relvado" e abandonar o "futebol-gabinete";
(ii) o texto ia longo e na verdade quero cingir-me ao essencial, em poucas linhas.

E quanto ao essencial, sinto que a história da cláusula no contrato de Dier que previa que, perante uma oferta de 5M€ vinda de Inglaterra, o Sporting teria que igualar a oferta salarial, soa a desculpa esfarrapada.

E a meu ver  é preciso ser muito fanático para acreditar na história das "contratações cirúrgicas". Só centrais, conto 3. Tendo em conta que podem sair 2... E só isto seria suficiente para também duvidar  da "aposta na formação". Porque podendo sair 2, nada justifica que se contratem 3 quando temos sob contrato Nuno Reis, Ruben Semedo, Tobias Figueiredo.

Já quanto ao futebol-relvado: mais logo lá estarei, a apoiar, como sempre, e a acreditar naquele treinador e naqueles jogadores. Porque o apoio a esses, gostemos ou não gostemos do presidente, é o apoio que podemos e devemos dar. E se o fiz com José Roquette (que contratou Waseige, Octávio, Cantatore, Carlão), com Dias da Cunha (que rejeitou Mourinho), com Soares Franco (que continuou a apostar em Paulo Bento mesmo após a estagnação do nosso futebol e a humilhação com o Bayern), com Bettencourt (que abdicou de JJ para ficar com Paulo Bento e mais tarde contratou Paulo Sérgio), e com Godinho Lopes (que despediu Domingos ao fim de poucos meses, para depois contratar Sá Pinto e Vercauteren), não vou deixar de fazê-lo com BC, que contratou um treinador em que acredito mesmo muito (e já tinha contratado Leonardo Jardim, aposta que também me agradou).

Isto não significa que não considere essencial o papel, a postura, o comportamento, o discurso e (essencialmente) a atuação de uma direção e, em particular, de um presidente. Significa apenas que, por ora, não quero tirar conclusões que seriam, a meu ver, precipitadas. Mesmo que esteja, como estou, francamente desiludido com o que tenho vindo a ver, quero acreditar nos 25 que hoje subirão ao palanque. E, desculpem lá, vou deixar os balanços para depois.