06/06/2014

O maior!


Eu percebia 0 de bola e já desconfiava que o meu pai também não era propriamente um expert.

Como era possível que aos aos 6, aos 7, aos 8, eu discutisse com o meu pai e lhe dissesse que o maior era o Manel e não o Jordão? Mas era assim. Talvez porque o meu primeiro jogo em Alvalade foi um Sporting-Benfica que ganhámos por 1-0, com um golo do grande Manel logo a abrir o jogo.

Mas antes disso (creio que foi antes disso), já apontava para o teu cromo e dizia que eras o maior. Na caderneta de 83/84, essa mesmo, que não sei onde guardei, mas tinha Katzirz na baliza, tinha Zezinho, tinha Venâncio, tinha Kostov, tinha Lito, tinha Jordão. Tinha Carvalhal no Braga, tinha Jesus no Farense e o outro Jesus, o guarda-redes, no Vitória de Guimarães. Tinha Damas no Portimonense, assim como Vítor Oliveira (esse mesmo!) e o grande Cadorin (o jogador de que mais gostava nos clubes ditos pequenos). No Porto havia Jacques e Walsh, no Benfica Maniche (o verdadeiro). Tinha um Sporting de Espinho ainda na década de 70 (todos ou quase todos com bigode e cabelo "à Pietra"). Tinha o Recreio de Águeda com fotos tiradas num pelado! (e será que se jogou nesse pelado nesse ano? Provavelmente). Ah, e as páginas finais eram dedicadas à seleção de futebol feminino. Todas de cabelo curtinho, coitadas, parecia o exército israelita.

Os cromos não eram autocolantes, eram mesmo cromos. Era preciso usar cola o que o meu pai fazia com todo o cuidado. Já com a caderneta cheia, eu apontava para ti, o meu pai dizia que não, o Jordão é que era. 83/84 terminou com aquele Euro em que o Jordão deu cabo da seleção de França (será que foste sequer convocado para o Euro?) mas ainda assim fomos de vela. Noutro dia diziam na TV que foi o Álvaro (sim, também lá estava na de 83/84) que se armou em extremo e deixou o corredor todo aberto. Nunca me enganou, nunca fui com a cara dele. Mas adiante.

Vi-te marcar dezenas de golos em Alvalade. Vi-te ficar fora do México para irem Ribeiros do Boavista. Não vi ao vivo os 7-1, algo que ainda hoje não percebo porque aconteceu. O meu pai não se lembra porque não fomos (deve lembrar-se mas não me quer dizer que foi porque chovia muito e a minha mãe não deve ter deixado... sabes bem, Manel, que a última palavra acaba sempre por ser delas!). E vi-te terminar a carreira em Setúbal, com enorme tristeza. Voltaste como adjunto, foste corrido num dos maiores erros (já assumidos) da história do Sporting. Voltaste novamente como principal e em 6 meses conquistaste um título. OK, uma Supertaça, mas contra o FCP que dominava o futebol na altura. Face aos últimos 30 anos, deves ser o que tem a melhor média tempo/títulos... Depois como dirigente numa fase em que tudo foi mau.

E agora dizem por aí que és isto e aquilo e que falas assim e assado do Sporting. O que eles não sabem é que tu podes. Porque goste-se ou não (e eu gosto muito) és o maior símbolo vivo do Sporting. Podes dizer o que quiseres porque nada do que digas vai alguma vez abater o crédito que temos para contigo.

És o maior. E, para mim, serás sempre o maior. "Ah e tal quem foi o melhor de sempre? Maradona? Pelé? Eusébio?". Nada disso: Manuel Fernandes.

3 comentários:

  1. Somoso dois a pensar assim, tinha eu pouca idade, já nem me lembro bem qual era e houve um vizinho que pintava pedras da praia e fazia bonecos, ele sabendo que eu adorava o Sporting já nessa altura, perguntou-me qual o número a fazer no boneco em pedra da praia com o equipamento do Sporting, resposta rápida do miúdo na altura, número 9 claro e com braçadeira de capitão. Ainda tenho esse boneco fantástico na minha casa.
    Abraço,
    ER

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  2. ER, muito bom. Não imagina o que já corri em minha casa e em casa dos meus pais em busca da caderneta 83/84... Primeira recordação do grande Manel e não a encontro. E tinha o cromo dele colado não só na caderneta como também na porta da varanda (que era de vidro). Um clássico anos 80.
    Abraço

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  3. Manel Fernandes Respect

    Mesmo quando Bento lhe partiu a cara !

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