09/06/2014

IX Congresso Leonino & O discurso de Bruno de Carvalho - Parte I: Organização



Notas prévias:
- como habitualmente, identifico-me quando se tratam de temas relacionados com o exercício do meu associativismo e não meras larachas futeboleiras. Chamo-me Miguel Menezes da Silva, sou o sócio n.º 19.120-1 do Sporting Clube de Portugal e fui o delegado n.º 81 ao Congresso Leonino;
- falei duas vezes na vida com Bruno de Carvalho, ambas tendo o Congresso como pano de fundo. Não o digo para que saibam que "conheço" o presidente do Sporting - pelo contrário, desconfio que Bruno de Carvalho não me reconheceria na rua se passasse por mim. A nota é apenas para vos dizer que este tema me é particularmente caro. E também, perdoem-me a imodéstia, para afirmar que sei do que falo, no que respeita ao que faz e não faz sentido discutir em congresso. Foi um tema em que pensei muito, juntamente com outros sócios, e que discuti com dezenas e dezenas de sportinguistas;
- apesar de algumas críticas contidas neste post inicial, que pretendem apenas assinalar que o Congresso poderia ter tido, pelo menos, o dobro da adesão, a secção em que participei correu muito bem, não só graças aos sócios que tomaram a iniciativa de apresentar propostas para discussão mas também à forma serena e interessada como foram conduzidos os trabalhos (estiveram muito bem Paquete de Oliveira e o Tiago Abade). E em geral a organização e a logística correu muito bem.

Organização do Congresso - temas, delegados e adesão

Os temas deste congresso não eram atrativos. Eram relevantes (não os "mais relevantes", mas eram relevantes) mas não eram atrativos. Não foi por isso surpresa verificar que na sessão de abertura, estavam cerca de 120/130 pessoas na sala, 1/3 das quais dos órgãos sociais ou da comissão de honra. E na sessão de encerramento pudemos todos confirmar, pelos resultados das votações, que estavam presentes menos de 90 delegados com direito de voto.

Creio aliás que foi o número de delegados inscritos que acabou por conduzir (i) à alteração do local (do Freeport de Alcochete para o Estádio de Alvalade - e ainda bem!) e (ii) à "fusão" de duas das secções: plataformas de comunicação (onde me inscrevi) e direitos e deveres dos sócios.

O que poderia ter sido feito para gerar maior atratividade? A meu ver, o seguinte (e isto foi em devido tempo discutido com todos os candidatos e com diversos sócios do Sporting):

a) desde logo, os 20 votos por delegado são excessivos. Poderia considerar-se a possibilidade não só de estabelecer um número menor de votos necessários (20 votos é muito voto - e obtê-los implica, em regra, andar atrás de 3 ou 4 sócios a pedir pdf do cartão de sócio e do cartão de cidadão...) mas também de abrir os trabalhos a todos os sócios, ainda que sem direito a voto (participariam, podiam até apresentar propostas, apenas não poderiam votar). De assinalar também que os estatutos se referem ao congresso como uma congregação de "sócios e adeptos". A ideia chegou a passar-me pela cabeça quando discuti o tema, abrir o congresso a não sócios. Mas percebo que seja difícil provar a condição de adepto (e ninguém quer arriscar-se a ter o Rui Gomes da Silva num congresso do Sporting...).

b) por outro lado, a sessão de abertura, ao invés de uma introdução pelos membros do CD, poderia passar por uma interlocução de experts nos temas, ligados ao Sporting. Penso em Tomás Aires para os temas relacionados com o estádio, por exemplo (v. abaixo). E isso seria promovido com o devido enfoque.

c) baralhar e voltar a dar a lista dos temas a discutir, introduzindo, entre outros, os seguintes (os experts em marketing certamente conseguiriam encontrar melhores palavras para a promoção):
- A posição do Sporting enquanto acionista da SAD poderia ser colocada sob diversas formas:
(i) promoção do futebol profissional;
(ii) aposta na formação;
(iii) relacionamento com FPF e Liga.
São apenas alguns exemplos
- Gestão e aproveitamento do património, muito em particular do Estádio de Alvalade;
- Internacionalização da marca "Sporting".

Pode-se dizer que o futebol está na SAD. Certo, mas o Sporting ainda vai sendo o maior acionista da SAD. Pode-se dizer que há temas que são da competência do CD. O argumento não colhe: todos os que foram discutidos também o são. Pode-se dizer que tudo no estádio tem custos. Mas podem sair boas ideias destas discussões que tenham menos custos.

E creio que bastaria uma volta nos temas, mesmo sem alargar o número de secções (repare-se que a secção em que participei acabou por acolher dois temas) para a adesão ser maior. Mas não só: era também essencial que participar num Congresso fosse mais simples do que é. Quantos queriam participar, fizeram contas aos votos de que precisavam e acabaram por desistir? Claro que ter um congresso com 1000 pessoas é um sonho difícil de materializar. Mas bastaria o dobro das pessoas para termos o dobro das ideias.

Deixo para um segundo post algumas das ideias discutidas bem como o discurso final do presidente. Mas não posso deixar de referir, quanto a este último ponto, que a ideia, que aqui referi, de que o sistema se combate por dentro e não por fora (criticada por Bruno de Carvalho - naturalmente não a "minha" ideia mas a ideia em si) tem muito mais que se lhe diga e afastá-la usando o exemplo do próprio Bruno de Carvalho (que conquistou o poder "por fora" e não "por dentro") é demasiado simplista, para não dizer ingénuo; e que começam a cansar os discursos em que mais de metade do tempo é destinado a criticar sportinguistas, sejam eles quais forem, ainda para mais em termos como "não admito que..:", "não posso aceitar..." e outros do género. Se o Sporting é dos sócios, como tanto enfatiza o presidente, é de todos eles e não apenas dos que dizem "amén" a tudo o que vem do atual poder. Mas voltarei a estes temas com maior detalhe.

Miguel Menezes da Silva
Sócio 19.120-1

2 comentários:

  1. Caro Koba,

    O Congresso realizou-se, cumpriram-se os estatutos, mas creio que a realização do evento não passou por mais do que isso, um "pro forma" não me parecendo que se tivesse almejado a muito mais. Uma pena porque o Congresso pode valer muito mais do que isso.

    Uma forma de dinamizar o Congresso e colocá-lo na agenda dos Sportinguistas era consultá-los, perguntando que temas gostariam de ver debatidos, podendo a MAG sugerir os que bem entendesse, como lhe compete. Podia fazê-lo mediante um inquérito como outros já usados anteriormente, assim como podia até discutir a matéria em AG, embora esse modelo não me pareça muito virtuoso face ao que é o funcionamento habitual das AG's.

    Temas, além dos abordados no post, como formação, estratégia para os órgãos de poder, estrutura societária, e um tema que há muito me é caro: como gerar sinergias em favor do clube aproveitando o conhecimento e experiência de Sportinguistas, uns mais conhecidos que outros, com implantação nos diversos âmbitos do conhecimento, actividade económica, artística, etc. Especialmente num momento de dificuldade como o que vivemos seria determinante para o ressurgimento do clube a mobilização de um leque o mais alargado possível de sectores da sociedade onde os Sportinguistas têm implantação. Essa seria também uma forma de afirmar o clube para o exterior.

    Quanto ao discurso do presidente, creio que disse tudo.

    PS: já me chamaram várias coisas na blogosfera, mas nunca tinham chamado Cantinho. :-)
    Para mim é uma honra.

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  2. Leão,
    Reflexões muito interessantes, quer a da consulta para os temas do congresso, quer a relativa à mobilização dos sportinguistas.
    O empenhamento de muitos (e a presença dos membros dos órgãos sociais) durante o congresso fez parecer que foi mais do que o mero pro forma (imagem que tinha antes do fim-de-semana). Mas parece-me certeira a afirmação de que não se almejou a muito mais. Admito que a forma como decorreu leve a que se repense o modelo.

    Quanto ao discurso ainda vou desenvolver porque tem muito que se lhe diga. Há partes que os OCS não reproduziram e que faço questão de publicitar.

    Um abraço

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