04/06/2014

Ainda não percebi... e continuo sem perceber! [EDITADO]

Nota Prévia: por consideração ao Gorbyn, não vou fazer um novo post sobre as declarações do Bruno de Carvalho. Edito este, para que o destaque neste blog continue a ser falar sobre futebol. E o post do Gorbyn pretende isso mesmo. Merece, pois, ser o post de abertura neste dia, ainda que ninguém leia o meu. Mais logo, caro Gorbyn, aí sim terei que te roubar espaço: é que li por aí que hoje faz anos o Manel Fernandes, meu ídolo de infância. E esse merece tudo.

***

Não percebi o que ganhamos com as despropositadas declarações de Bruno de Carvalho sobre a trampa e o ânus. E este é o ponto que está a passar despercebido a muitos dos que abordam o tema (com honrosas exceções).

É que há declarações e atitudes, por muito infelizes que sejam, que têm um propósito claro. A título de exemplo, as declarações de BC sobre os empresários, que aqui tanto critiquei, tinham um objetivo. Aliás, dois: um imediato e um de longo prazo. O imediato, o de passar uma mensagem a alguns empresários, em particular o de Bruma; o de longo prazo, o de passar essa mesma mensagem para futuras negociações com o Sporting. Podemos discutir se resultou ou não, podemos discordar, quer do conteúdo quer da forma, mas, enfim, havia ali um objetivo.

As declarações de ontem não percebo que objetivo servem. E isso é o que mais me preocupa. Porque "alertar para a bipolarização" é muito bonito mas não vejo que resultados possa trazer. O Sporting pode diariamente falar dessa bipolarização mas tem é que fazer algo para a combater. Porque essa luta não se trava nos jornais, trava-se no "sistema". E o Sporting, querendo ou não, gostando ou não, tem que estar dentro desta luta. O papel de quem se põe de fora porque é tudo muito feio e muito sujo não serve.

Depois das declarações de ontem, o Sporting isolou-se. Pergunto-me quem quer o apoio do Sporting depois disto. Pergunto-me quem quer estar associado ao Sporting e a BC. Pergunto-me quem quer estar do lado daqueles que gritam (com modos menos próprios, ainda para mais) "o rei vai nu" quando existe a possibilidade de entrar para a corte pela porta do cavalo e ver o que lá se passa. Os princípios são todos muito bons, mas na prática isto dá em quê? Sinceramente, não percebo.

Quanto à forma, foi a mais infeliz possível. Se não contam comigo para aplaudir o conteúdo, ainda menos contam para aplaudir a forma. Mas atenção: também não contem comigo para campanhas pseudo-indignadas do estilo Ana "sou histérica e púdica mas só com alguns" Lourenço, que perguntou se "há espaço para Bruno de Carvalho no futebol português?". Espera lá, oh Ana... não há espaço para o Bruno de Carvalho porque diz "trampa" mas há espaço para o Bruno Paixão? Para o Apito Dourado? Para marcar o Estoril-Benfica no Algarve? Para apedrejamentos de autocarros do Benfica e do Porto? Para incendiar o estádio da Luz?

O estilo foi infeliz e hoje só se fala disso. Mas Bruno de Carvalho, que eu saiba, não anda há anos a prejudicar as mesmas equipas, não corrompeu ninguém, não violou regulamentos para obter vantagens num jogo e não foi conivente com apedrejamentos e incêndios. Teve um momento em que se esqueceu que era presidente de um grande clube (logo ele que, no livro do Bruno Roseiro, às tantas refere que anda agora sempre de gravata porque a dignidade do cargo o exige...). Errou. E vai voltar a errar (espero que não desta forma).

Temo que fique marcado por este momento. Mas espero que isto se ultrapasse rapidamente e que daqui a uns meses BC seja lembrado por outros motivos, bem melhores e muito menos escatológicos.

3 comentários:

  1. sim, higiene é que não foi.
    Mas força ! não deixem cair o vosso Latrina Man. É importante.

    ResponderEliminar
  2. Bem, sobre a Ana Lourenço, não sei o que é que a reacção da excelente jornalista e apresentadora à trampa do Latrina tem que ver com apitos e jogos em que ela (e calhar) ainda não era jornalista.

    É um bocado como a fábula do La Fontaine do "lobo e do cordeiro": «sujaste-me a água.», gritou o lobo. «não posso porque a água corre para baixo que é onde eu estou.», respondeu o cordeiro.
    «Se não foste tu, foi o teu pai.»
    «Mas sou órfão, sr. lobo.»
    «então foi o teu irmão.»
    «Não tenho irmãos.»
    «Então, foi o teu Avô.»
    etc, etc,etc.

    Obviamente que a reacção dela foi a reacção à latrinada. E esteve bem. Estou farto do jornalismo asséptico e, só aparentemente, descomprometido.
    Ela assumiu uma posição. Não tem que responder pelo que aconteceu antes dela.

    ResponderEliminar
  3. Se achas que pelo facto de o BC usar a palavra trampa e a analogia das nádegas se justifica que uma jornalista pergunte se "há lugar para ele no futebol português", estamos muito distantes nas nossas opiniões e não nos vamos convencer

    Mas estarei atento, daqui em diante, à grande provedora da moral e dos bons costumes Ana Lourenço

    ResponderEliminar