26/06/2014

Os alemães fizeram a parte deles

Nós também fizemos a nossa: jogámos com 1 GR, 8 jogadores de futebol que conseguiam correr, mais o Ronaldo porque tem que jogar sempre e o Eder que não é bem um jogador de futebol (e eu até pensava que era, juro).

Mas não chegou. Já dei toda a cacetada que queria dar no Paulo Bento e estou cansado. Mas, caramba, tinha custado muito por em campo, nos 3 jogos, 10 jogadores em mínimas condições mais o Ronaldo? Mesmo que esses fossem o Eder, o André Almeida, fossem eles quem fossem...

Diz que não se demite. Pois bem, eu digo: "obviamente, demitam-no".


25/06/2014

Desculpa Rui!


Tu não sabes que eu sei, mas eu sei.

Hoje sei, ontem não sabia.

Sei que não posso dizer o que sei e sei que tu não podes dizer nada.

Ambos sabemos, isso sim, que fui muito injusto nos últimos posts.

Mas nessa altura tu sabias e eu não sabia.

Um abraço, boa sorte e desculpa

(mas espero que percebas que sem saber era difícil perceber aquilo)

23/06/2014

Desabafos nacionais

Não há ordem especial, apenas o que vai vindo à cabeça:

a) há quantos anos sabemos que o nosso DE é deixado ao abandono? Eu, que estou longe de ser o Baggio ou o Maldini do Lateral Esquerdo, já o sei, pelo menos, desde o Euro 2012. Não há nenhum comentador que não fale disto. Resultado? Sempre a mesma tática, sempre o mesmo problema, sempre a mesma debilidade. Assim, é impossível. Ou melhor, é possível quando Ronaldo resolve. Quando não resolve, fica mais difícil.

b) não vale a pena insistir na convocatória, mas o tema vai inevitavelmente surgir: tantos jogadores em más condições físicas, para quê? Mesmo com esta convocatória, há jogadores (como Amorim) que seriam certamente úteis, mas não conseguem jogador porque estoiramos substituições com os lesionados.

c) se eles já sabiam das limitações que tínhamos, o discurso realista de Ronaldo devia ter aparecido mais cedo. E devia ter vindo também do selecionador nacional.

d) o Éder estragou todas as jogadas em que participou. Ele é mesmo assim ou ontem correu particularmente mal?

e) não percebo as críticas ao Nani. Tentou, como pôde. Errou, claro, como todos. Mais vezes, sim, mas porque tentou mais. Com 11 Nanis (considerando forma física, capacidade técnica, decisões tomadas) passávamos este grupo.

f) William novamente no banco só pode ser deboche. "Ah, mas sofremos os golos com ele em campo". Pois, porque o resto continuou um caos. O remendo Meireles à esquerda, em particular.

20/06/2014

A importância da herança

Normalmente, gosto de deixar os posts "respirar" algum tempo.

Mas a Costa Rica merece vir já para aqui, sem hesitações.

Porque estes,





afinal, são legítimos herdeiros destes





Os tais que partilhavam fotos da Panini e arrumaram com suecos e escoceses. Pedrada no charco no Itália 90, juntamente com os Camarões de N'Kono, Tataw, Makanaky, Oman-Biyick e Roger Milla.

Já são heróis nacionais e já entraram para a história.

Afinal há quem goste de jogar FM na vida real?

Aqui há uns tempos, neste post, sugeri alguns nomes que poderiam ser equacionados para o Sporting.

Na altura, confesso, e embora aprecie a maioria dos jogadores em causa, estava, de certa forma, a tentar "promover" um debate jogador de grande qualidade vs jogador de grande utilidade. É que creio que há hoje uma tendência para hiper-valorizar Postigas que marcam 10 golos em 3 anos e desvalorizar Liedsons que marcam dezenas de golos em cada um desses anos. Percebo que o Postiga possa ser melhor jogador em todos os aspetos do jogo; mas há um em que objetivamente não é e esse, neste desporto, faz toda a diferença.

Claro que reconheço, eu que até sou resultadista, que o resultadismo puro e duro poderia levar a conclusões absurdas - mas acho que o rendimento deve ser um elemento decisivo na avaliação da qualidade. Não fosse assim, um jogador como André Carrillo teria há muito saído de Alvalade. Não sai porque o rendimento não corresponde à sua qualidade.

Isto dito, queria apenas referir aqui que, entre delírios da silly season, referências nos jornais e contratações oficiais, o balanço da tal lista é o seguinte:

José Sá - nada, vai ficar onde está, tiro na água
Ricardo - contratado pelo FCP
Adriano - outro tiro na água
Matt Jones - associado ao Southampton
Djavan - contratado pelo SLB
Ruben Ferreira - tiro na água
Danilo - associado ao SLB
Ghazal - associado ao Parma
Bebé - associado ao SLB
Rafael Martins - associado ao SCP e ao Braga
Derley - associado ao SCP e ao SLB

Quer isto dizer que afinal são (quase todos) bons jogadores? Provavelmente não. Apenas que haverá quem lhes veja utilidade. O FCP contrata o Ricardo para fazer um de dois papéis: o de 2º GR (exatamente o papel para que eu o queria no Sporting) ou o empréstimo a clube com quem o FCP faça negócio. O Southampton certamente não quer o Matt Jones para titular. E mesmo o Djavan será provavelmente suplento do Benito.

Isto dito, obviamente que todos preferimos qualidade. Mas, em particular com limitações orçamentais, há que olhar para estes (e outros) e ver se faz sentido ir à Bulgária, ou à Suiça ou à Alemanha contratar segundas linhas. É que para 2º GR do FCP, o Ricardo chega e sobra - não é preciso andar atrás de Bolats e Kieszeks.

19/06/2014

Era preciso bater assim tanto?

Sim, ninguém percebe o tour nos EUA e chegada tardia ao Brasil;
Sim, a entrada da selecção no Mundial foi vergonhosa;
Sim, a selecção cometeu erros atrás de erros;
Sim, foi penalty;
Sim, a expulsão não me choca;
Sim, houve jogadores que estiveram bem abaixo de zero;
Sim, houve jogadores que quase nenhum português queria ver fora do onze;
Mas era preciso tanto histerismo?!

Comparando com a geração de ouro, falta bastante talento e classe a esta equipa. Culpa também da fraca aposta nos jogadores portugueses nos principais clubes. É claro que temos o melhor do mundo mas nunca o desequilíbrio de valores foi tão elevado. E mesmo assim acho que os desempenhos não têm envergonhado ninguém nas últimas competições. Porra, basta ver que as opções para avançado são o Postiga e o Hugo Almeida. O Pauleta nunca foi de classe mundial mas pelo menos era um verdadeiro ponta de lança e deixou a sua marca bem vincada em França.

O que eu vi? Uma equipa que nem entrou mal, que assumiu a bola, que nem evitou alguns toques de artista, que criou duas ocasiões e que... perdeu o norte a partir do penalty. Duvidoso o suficiente para poder passar em claro. Mas não passou. Assim como a expulsão em que Pepe estupidamente se pôs a jeito mas que também poderia ter ficado por um amarelo. Já o penalty do Eder não teve dificuldade em deixar passar sendo claramente mais penalty do que o do João Pereira mas também era chato ter que expulsar o central alemão. A partir da expulsão, com 10 jogadores, com um calor e humidade incríveis, contra a Alemanha, com um Ronaldo limitado, estavam à espera de quê? Milagres? Foi pior do que podia ter sido mas também foi daqueles dias em que o que podia correr mal, correu mesmo.

Apesar de tudo, acredito nesta selecção! Mesmo com mais o golpe do Coentrão, acredito que poderemos chegar aos oitavos, basta que Paulo Bento aceite mudar o suficiente:
- a lesão de Patrício facilitou o que já queria: a entrada de Beto (acho que nem é preciso explicar porquê);
- Amorim na direita e André Almeida na esquerda. Porque João Pereira me pareceu com pouco gás e Veloso é demasiado lento para a esquerda. André Almeida, o mal amado por quase todos, já fez grandes jogos e tem poder físico e velocidade, algo que faz bastante falta contra os EUA e Gana, mesmo que seja à custa de talento;
- Alves e Costa no meio já que este tem mais garra do que Neto e este Mundial não está para quem não deixa tudo em campo;
- William porque é demasiado evidente para todos;
- Meireles e Moutinho porque acredito na garra de um e talento de outro;
- Varela e Nani porque Varela tem qualidade e capacidade física e Nani fez um bom jogo e pode ser que consiga colocar o enorme talento que tem no relvado;
- Ronaldo porque se a lesão não o deixa explorar a sua velocidade é preferível tê-lo junto à baliza para resolver.


18/06/2014

Sporting TV [EDITADO]

Suspensão nos comentários ao mundial e ao Paulo Bento.

Apercebi-me da polémica relativa ao video promocional da Sporting TV neste post do Leão de Alvalade.

Pesquisei um pouco e encontrei a explicação aqui.

Independentemente das opiniões sobre a qualidade (concordo que está fraquinho), eu vi os dois videos e, a menos que haja alguma intenção de "associação" com o primeiro video, estamos perante um plágio DESCARADO [pode não se tratar de um plágio mas sim de utilização de imagens de que o titular é um terceiro, caso em que temos que admitir a possibilidade de ter sido obtida autorização para o efeito]. E infelizmente por esses tribunais fora não se aplicam os conceitos do Conselho de Justiça sobre intenções sem prejudicar terceiros...

Uma vez que vivemos (ou melhor: querem que vivamos) num unanimismo sem precedentes e numa lógica de endeusamento ao atual presidente, já li não sei onde que o video só passou porque BC "seguramente não viu o video" (logo ele que revê "todos os papeis e documentos"?!). Maravilhoso...

Pois eu digo para este presidente o mesmo que diria para qualquer outro: compreendo perfeitamente que não tome todas as decisões, que delegue noutros a adjudicação deste tipo de trabalho e obviamente entendo que nem ele nem ninguém da sua equipa se tenha apercebido do eventual plágio (espero que o presidente do Sporting tenha mais o que fazer do que perder tempo na blogosfera ou no youtube).

BC não é obviamente responsável por este disparate (ou melhor: politicamente até é; de acordo com os critérios dos seus apoiantes também é; mas de acordo com critérios de "normalidade" não é). A partir de agora, isso sim, é responsável pela correção desta situação, que aliás está a levantar grande indignação junto de muitos dos seus apoiantes mais radicais...

17/06/2014

Portugal-Alemanha: os experts, a lista dos 30 e os próximos jogos

Comecemos pelo óbvio: os alemães, logo à partida, mereciam ganhar, antes ainda de começar o jogo...


Sra. Khedira


Sra. Schweinsteiger


Sra. Gotze

[as fotos foram escolhidas a dedo... havia outras que ilustravam bem melhor o que quero dizer mas optei por estas para assegurar que não páram pelas fotos]

E agora vamos ao resto:

1. Os Experts

Tenho algumas implicância com as opiniões dos experts. Não, não me refiro ao Freitas Lobo ou ao António Tadeia. Refiro-me a tipos que efetivamente percebem de futebol, como o Baggio do Lateral Esquerdo.

E porquê estas implicâncias? Essencialmente por dois motivos:

Em primeiro lugar, e desde logo, porque sou um invejoso que gostava de perceber tanto disto como o Baggio, mas não percebo. E nunca vou perceber. Em compensação, tenho a certeza que o Fa3 publica mais fotos de mulheres bonitas do que o Lateral Esquerdo...

Em segundo lugar, porque às vezes tenho a sensação que os experts, precisamente porque percebem muito do jogo jogado, "ignoram" as restantes vertentes do jogo. Obviamente não as ignoram (no verdadeiro sentido do termo), será mais uma vez a inveja a falar. Mas nas suas análises focam-se nos aspetos estratégicos e parece (parece...) que deixam de lado não só a aleatoriedade própria do desporto (que leva Bolts a perderem provas por falsas partidas) como também a big picture à volta de uma equipa de futebol. Isso fazia-me particular confusão no ano passado, em que a (completamente esfrangalhda) equipa do Sporting era apreciada apenas na vertente da qualidade do seu jogo, da sua estratégia, da sua tática, quando era notório que a desorientação era total (e geral!) e que era preciso muito mais do que um bom treinador, ou bons adjuntos, ou mesmo melhores jogadores. O que foi dito do Marcos Rojo é um bom exemplo - não digo que o Rojo seja um central de eleição, porque não é; mas no ano passado aquele Rojo era muito pior do que o deste ano e o problema não era só da qualidade (ou falta dela) do jogador em causa. Basta ver que o Rojo do ano passado, entre outras coisas, era trucidado por cometer erros que ainda ontem vi no Pepe e no Alves.

Isto dito, obviamente que na esmagadora maioria das vezes as análises do Baggio estão certas e as minhas são meras larachas de adepto de bancada. Mas nunca, como ontem, me senti tão realizado a ler os posts do Lateral Esquerdo. É que os três posts abaixo linkados explicam tudo, mas mesmo tudo, o que os meus olhos viram mas os meus textos nunca conseguirão explicar. Em boa verdade, muito do que lá está escrito os meus olhos nem viram, apenas sentiram. Porque para "ver" era preciso perceber o que se estava a passar.

- lateral-esquerdo.blogspot.com/2014/06/o-que-paulo-bento-sabe.html;
- lateral-esquerdo.blogspot.com/2014/06/arrastar-marcacoes-e-aclaramento-de.html;
- lateral-esquerdo.blogspot.com/2014/06/criatividade-posicional.html.

Leiam e releiam se quiserem perceber um pouquinho mais de futebol do que percebiam até hoje. E se quiserem perceber porque é que tudo correu tão mal em Salvador (dentro do campo - depois poderemos pensar porque é que os alemães foram treinando à hora do jogo e nós não, mas fica para outro dia).

2. A lista dos 30

Defendi desde o início que o problema da convocatória não esteve na lista dos 23 mas na lista dos 30. Dos 30 para os 23, enfim, compreenderam-se as decisões. O que foi incompreensível foi a lista dos 30. E até sou dos que compreendia (não concordava, mas compreendia) a exclusão de elementos como Cedric ou Antunes. Já compreendia menos a exclusão do Adrien e a inclusão de elementos que sabemos que nunca iriam ao Brasil, desse lá por onde desse.

Inicialmente, fiquei com a ideia que Paulo Bento tinha escolhido os 23 e acrescentado 7 para fazer número, levar com as críticas na lista dos 30 e aparecer como sensato na escolha dos 23 finais.

Face à total desorientação que o jogo de ontem demonstrou, mudei de opinião. Hoje parece-me claramente que Paulo Bento escolheu há vários meses o 11 inicial (ainda que contando com eventuais impossibilidades de um ou outro, como Postiga) e depois escolheu mais 12 que fariam um bom ambiente no balneário (sem almejar à titularidade) e dariam para desenrascar 20 ou 30 minutos numa segunda parte. No fundo, o costume (já o digo de há muito): usar 14 ou 15 jogadores.

O que Paulo Bento continua sem perceber é que ao privilegiar o "grupo", prejudica a qualidade das suas opções. Se com Tiago percebo perfeitamente o selecionador, com Danny há histórias mal contadas. Com Adrien nem histórias há, apenas uma implicância que eu até posso ter mas o selecionador não. Nunca arriscou durante a qualificação, pouco arriscou em amigáveis e está aqui o resultado: 2 lesões, 1 castigo e não temos um 11 de qualidade para uma campanha minimamente ambiciosa. Vamos passar aos 1/8, mas e depois, como será? Mas, lá está, temos um grupo porreiro, grandes camaradas e parceiros da sueca que arrasariam qualquer dupla de alemães que se prestasse ao papel de ser trucidado num jogo de cartas. Infelizmente, no campo, é preciso algo mais.

Tivemos azar? Sim. Mas isto é relativamente previsível; o que não é normal é fazer uma campanha no Euro 2012 com apenas 15 jogadores, isso sim é pouco comum.

3. Os próximos jogos

Com o que temos, e sem prejuízo do trabalho de campo (será que dá para o Baggio enviar os posts dele para a FPF?...), creio que deveríamos jogar nos próximos jogos com o seguinte 11:

  • GR Beto ou Eduardo (sim, Beto ou Eduardo - Patrício esteve mal demais e transmitiu uma total intranquilidade à equipa, principalmente a jogar com os pés)
  • DD João Pereira (péssimo jogo mas ainda vai sendo melhor do que o André Almeida - e precisamos do Amorim no meio-campo)
  • DE Miguel Veloso (mais lento do que o André Almeida, sim senhor, mas com outra qualidade com bola nos pés; será preciso trabalhar para fechar melhor este lado)
  • DCs Bruno Alves e Neto
  • MD enfim, nem percebo como não foi desde logo: William Carvalho
  • MCs Minorca e Amorim - poderia também jogar o Adrien uma vez que o Minorca não anda a jogar nada... ah, não foi convocado?! ok, então joga mesmo o Minorca
  • And now for something completely different: Nani jogaria na esquerda, como um médio-ala, na frente jogaria Éder com o apoio de Ronaldo (ou Ronaldo com o apoio de Rafa).
Um 4x4x2 algo assimétrico (e desgastante para Moutinho/Amorim) mas face às soluções que temos não vejo melhor...

Mas jogue quem jogar, é para ganhar aos USA. Sem desculpas.

Costinha na RTP (no próximo falarei sobre o desastre de Salvador)

Mais ou menos isto:

"Fui à seleção pela primeira vez com 23 anos e não tinha a qualidade do William Carvalho naquela altura, ele tem muito mais qualidade do que eu naquela idade"

Como ouvi, durante anos, de um "afilhado" meu (de casamento): "se calhar, um bocadinho melhor que Miguel Veloso".

Quantos mais terão que se lesionar ou ser castigados para William ser titular?

16/06/2014

Mundial!


O Mundial começou!

Devo dizer que, desde puto, sou um fanático destas competições. Adoro um Japão-Costa do Marfim tanto quanto um Uruguai-Costa Rica ou um Inglaterra-Itália. Vejo os jogos todos que conseguir, os que não conseguir vejo mais tarde (abençoadas repetições e gravações automáticas).

A minha primeira memória é de 1986, para mim o melhor mundial de sempre, por ter sido o primeiro que vivi com intensidade (se fôssemos à qualidade dos jogos, provavelmente teria que escolher o USA94). Aquela Dinamarca endiabrada (aquela, friso bem!) depois esmagada pela Espanha, o golo de Negrete, o banho que Portugal levou de Marrocos, uma Bélgica excecional (aquele Bélgica-URSS dos 1/8, que jogo!), a Alemanha do costume (e a ganhar à França naquele habitual registo do "joguem lá vocês e já vão ver como elas mordem") e, claro, a Argentina de Maradona. Na altura, confesso, eu estava pela Alemanha. Sempre estive, em 1986, em 1990, em 1994 (grande Klinsmann, grande mundial). Em 1998 não torci por ninguém mas gostei que a Croácia tivesse uma boa prestação. Em 2002 não vi grande coisa, os jogos eram quase todos a horas impróprias. Em 2006 felizmente pude estar por Portugal até ao fim da competição. E em 2010 estava pelo Uruguai (após sermos eliminados, claro).

Desta vez, admitindo que tudo nos corre bem (a começar já hoje), estou obviamente pela seleção nacional, nem se discute. E nem quero colocar a hipótese de irmos cedo para casa e ter que escolher outra seleção.

Por ora, já saltei por diversas vezes da cadeira, para supresa dos que estavam ao meu lado:

- no Espanha-Holanda, com a obra-prima que foi o primeiro golo de van Persie;
- no Uruguai-Costa Rica, com os dois primeiros golos dos Ticos;
- no Inglaterra-Itália, a cada minuto durante os primeiros 70.

São três jogos que vão ficar para a história, o primeiro pelo resultado (esmagadora Holanda, mas sem uma exibição coletiva de encher o olho, na minha opinião - mas ainda não li os "experts"); o segundo pela surpresa (a recuperar os tempos de Cayasso, Roger Flores e Medford); o terceiro porque foi uma joga impressionante (70 minutos àquele ritmo depois de uma época inteira, incrível).

PS: fui ler os experts antes de publicar, parece que desta vez acertei - concordam que a Holanda marcou 5 golos mas não fez uma grande exibição (nem tem uma grande equipa).

12/06/2014

IX Congresso Leonino & O discurso de Bruno de Carvalho - Parte III: alguns dos temas discutidos


Inicialmente tinha pensado fazer um terceiro e último post dedicado ao congresso, focado nos principais temas discutidos e recomendações aprovadas. Mas creio que o Sporting o fará seguramente, pelo que me dispenso de fazer o resumo.

Gostaria apenas de comentar quatro ideias que passaram pelo debate:

1. A primeira que gostaria de destacar, incluída numa das recomendações aprovadas, passava por, de certa forma, "inibir" o aparecimento de figuras ligadas ao Sporting nos OCS que denegrissem a imagem do clube. A este respeito, confesso que fiquei com pena de não ter tido uma intervenção na secção alertando apenas para o seguinte: o Sporting, durante anos, foi representado nos OCS (jornais, rádios, TVs) por figuras que, de uma ou outra forma, estavam ligadas ao "regime". Isso era muito criticado pelos sportinguistas, que não se reviam nesses comentadores/cronistas/paineleiros, na medida em que os mesmos se limitavam a defender o "regime". Eram opinion makers mas só faziam opinion num sentido (o próprio Eduardo Barroso fê-lo durante anos a fio). Agora, não podemos cair no mesmo erro (de que nos viríamos a arrepender mais tarde). Se pensarmos na TV, temos o ROC (ligado ao "antigo regime"), o Barroso (ligado ao "atual regime") e o Jorge Gabriel (que não está ligado a nenhum dos dois). Podemos gostar ou não gostar (eu, pela minha parte, não aprecio nenhum dos 3 em particular) mas parece haver alguma representatividade do que é o "pulsar sportinguista". Pode haver quem não goste do Jorge Gabriel, mas ele diz o que pensa. E isso é mais útil, a meu ver, do que um brilhante comentador ou paineleiro mas claramente afeto ao "regime".

2. A segunda diz respeito a uma intervenção em que solicitei a um sócio que dividisse em duas a sua proposta de recomendação. A proposta era bastante original e passava essencialmente pelo seguinte: (i) criar uma marca Sporting ao invés de nos equiparmos com a Macron, ou a Puma, ou a Nike; (ii) realizar um concurso entre os sócios para a escolha de um dos equipamentos alternativos do Sporting. Ambas as ideias são interessantes, mas como o próprio proponente reconhecia na (bem elaborada) proposta de recomendação, a primeira implicaria um grande investimento (e diminuto retorno, acrescento eu) numa fase inicial. E parece-me que não fazia sentido, numa fase de desinvestimento, que fossem os sócios a fazer uma recomendação em congresso que implicasse... investimento. O sócio contrapôs que mesmo que a recomendação fosse aprovada, o CD poderia não dar execução à mesma. É verdade. Mas é verdade para todas as recomendações - e por algum motivo todas são votadas, umas aprovadas e outras não. No final, a ideia (que me parece excelente) de propor um concurso entre os sócios para o design de um equipamento alternativo, foi aprovada quer na secção quer no plenário. Espero que o CD a implemente (sem prejuízo, claro está, do necessário acordo com a Macron para o efeito).

3. A terceira, ainda relacionada com a vertente comercial, dizia respeito à criação de linhas de produtos para crianças com margem 0, numa lógica de investimento para o futuro. A ideia parece efetivamente boa, mas é das tais em que tem que ser analisado o impacto imediato da mesma para que a respetiva viabilidade seja ponderada. A ideia vinha acompanhada do franchising da Loja Verde para núcleos e delegações, a que se juntou, ainda, a ideia de colocar vendedores no estádio, durante os jogos, com um catálogo, a vender produtos aos adeptos, produtos esses que seriam imediatamente pagos por MB e entregues ou levantados em balcões da Loja Verde criados para o efeito no final dos jogos. Todas ideias interessantes e que, diga-se, estão implementadas (de acordo com os proponentes) em clubes como o Chelsea.

4. Por fim, a ideia, já referida na AG de 30 de junho, do escalão de quota superior aos 12€. Seria para os sócios que, querendo ajudar as modalidades (uma vez que as quotas revertem integralmente para as modalidades), estivessem dispostos a pagar mais sem ter qualquer retorno ou benefício adicional. Mantinham antiguidade, número de votos, etc. limitavam-se a contribuir de uma forma simples para um acréscimo de tesouraria nas modalidades.

Fico a aguardar que o Sporting publique, no jornal, no site ou nos dois locais, as recomendações aprovadas em plenário.

11/06/2014

IX Congresso Leonino & O discurso de Bruno de Carvalho - Parte II: o discurso


Avanço para o discurso de BC e deixo para um terceiro post o decurso dos trabalhos e algumas das ideias discutidas no Congresso.

Mais uma vez, com notas prévias:

- a primeira, em nada relacionada com o tema, diz respeito ao Portugal-Irlanda, que agora decorre. Ronaldo começou claramente a medo e vai ganhando confiança (espero que no Mundial os árbitros mantenham este critério de apitar falta quando alguém sopra perto de Ronaldo). Hugo Almeida ainda não percebeu que ninguém ganha nada com bigode desde o Panenka (mesmo marcando dois golos na primeira parte). O William Carvalho, à 4ª internacionalização, é já dos melhores jogadores da equipa (e insisto que tem muito para evoluir), apesar dos comentadores entenderem que está "tímido" por oposição ao André Almeida (esse mesmo). O Coentrão é uma máquina nesta seleção. E o Neto, não sendo um génio a sair com a bola, tem feito uma boa exibição (gostava que me explicassem porque tantos criticam este jogador - e a dúvida é genuína...).

- a segunda, como pano de fundo do que vou escrever, remete para um comentário que fiz na "casa" do Leão de Alvalade e que se reconduz ao seguinte, resumidamente: (i) as críticas que faço não colocam em causa que BC é o "meu" presidente enquanto for presidente do Sporting, (ii) entendo que tem feito um bom trabalho, (iii) aprecio o seu estilo bélico em oposição ao estilo pató dos antecessores e (iv) não acho que as nádegas e a trampa (embora as dispensasse) merecessem toda a histeria das Anas Lourenços deste país. E porquê esta nota prévia? Não, não é para agradar a gregos e troianos. É para que todos percebam que quando aponto críticas a Bruno de Carvalho o faço, apenas, no exercício de um (legítimo) direito de sócio, no caso um sócio que gostaria que nenhum presidente do Sporting alienasse, com o seu discurso, uma parte dos adeptos do clube.

***

O discurso de encerramento do congresso pertenceu a Jaime Marta Soares e não tenho absolutamente nada a apontar. Um discurso de união, de vitalidade e de agradecimento aos participantes. Antes desse discurso, Bruno de Carvalho tinha chamado a si os holofotes com um discurso que eu apelidaria, no mínimo, de dispensável. Por vários motivos:

1. Por uma referência aos participantes no congresso, que abdicaram de um fim-de-semana para discutir o Sporting, que não foi citada pelos OCS. A quem se dirigia BC quando disse que sabia que naquele congresso "alguns" lá estavam para servir de "relatores" do que lá se passara? Quem eram esses relatores? O que pretendiam? Ao serviço de quem? Francamente, achei isto muito infeliz.

2. Pela justificação forçada do tema das nádegas. Disse BC que forçou as palavras porque não tinha antes conseguido introduzir o tema da bipolarização. Referiu-se "aos dois lados da mesma moeda" e ao facto de "sermos puxados para cima e para baixo". Bom... para além de nem me recordar destas referências, creio que não haveria ninguém que entendesse ao que BC se queria referir se efetivamente usou tais figuras de estilo (para alertar para algo em que até o Manuel Serrão, confesso portista, conseguiu ser mais claro). A meu ver, BC percebeu que tinha ido longe demais e tentou justificar-se. Mas não colou.

3. Houve até uma parte em que concordo com BC, mas que acabou também "estragada". BC disse, ironicamente, que há "sportinguistas (que) preferem calar-se porque devemos ser diferentes, politicamente corretos, ficamos chocados com tudo". Não podia concordar mais: esta treta de o Sporting ser o clube "diferente", o clube dos meninos bem comportados e de boas famílias, além de uma grande tanga, criou a tal ideia que foi permitindo o perpetuar de incompetentes no poder. O que eu não sabia é que BC ia usar isto para mais uma vez (a 90ª? a 100ª?) se referir aos insucessos do passado. Até quando?

4. Depois as críticas aos sportinguistas que aceitaram integrar listas para a Liga. Aqui BC usou a lógica "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". Não entendo. Então não é melhor que essas listas tenham sportinguistas? É preferível que estejam carregadas de adeptos de outros clubes? Não compreendo o raciocínio, nem a necessidade de criticar adeptos e ex-dirigentes no encerramento de um evento em que sócios anónimos "perderam" o seu tempo a discutir o clube.

5. Finalmente, o tema do "combate ao sistema". A mensagem foi clara: não contem comigo para combater o sistema "por dentro". Isto mereceria todo um post mas, resumidamente, temos que separar aquilo que não é propriamente bonito daquilo que é, a meu ver, uma perspetiva errada do tema:

a) o que fica mal a BC, e considero uma tremenda falta de bom senso, é dizer que "não admite" ou "não aceita" que outros sportinguistas achem que sabem melhor como combater o sistema do que estes órgãos sociais;

b) os erros na abordagem ao problema são dois:

(i) o primeiro está na comparação entre a tomada de poder no Sporting e a tomada de poder na Liga. É que há uma diferença evidente entre o Sporting e a Liga: quem vota para escolher o poder no Sporting (os sócios), quer o melhor para o Sporting (pode ser enganado ou manipulado, mas vota com a convicção de que está a decidir "pelo Sporting"); na Liga, ninguém vota pelos "interesses do futebol português", cada um vota consoante o que é melhor para o seu clube. E neste sentido, achar que vamos convencer todos de que o melhor para o futebol português é o que nós defendemos... leva muito tempo, para dizer o mínimo;

(ii) o segundo, no entender que quem defende (como eu) que o sistema se combate "por dentro" quer que BC ceda a isto ou aquilo, negoceie listas, faça concessões, no fundo, entre no jogo que ele próprio tanto critica. Não é nada disso: combater o sistema por dentro não é mais do que tudo fazer para que o poder não seja entregue de mão beijada aos mesmos de sempre (que depois o usam para se perpetuarem); é tentar colocar sportinguistas nas estruturas de poder (do pequeno poder ao grande poder) de forma a evitar que esse poder se vire contra nós enquanto as coisas não mudam; e é não adotar a postura de distanciamento (adotada pelos antecessores que tanto critica) que conduz a que o Sporting não seja tido nem achado nas grandes decisões.

Mas se, relativamente a este último tema, apenas me preocupa uma estratégia errada, nos restantes preocupa-me que BC não se aperceba que o seu discurso é divisionista e aliena alguns sportinguistas. Poucos, por enquanto, não sabemos quantos, no futuro. E esses poucos... porque a bola foi entrando, caro BC. Quando a bola não entrar, eu vou cá estar, como sempre, a aplaudir o Marco Silva, ainda que o poste possa conduzir o clube a um empate infeliz, e a criticar o Leo Jardim, mesmo que o Sporting ganhe como ganhou no Restelo. Veremos, nessa altura, onde estão os que hoje aplaudem histericamente todas as palavras do presidente do Sporting, sejam elas quais forem...

PS: ainda quanto ao tema do sistema, subscrevo cada palavra desta passagem do texto do Leão de Alvalade acima linkado, que resume na perfeição o que entendo sobre o tema: se Bruno de Caravalho quiser deixar um futebol melhor do que encontrou e sobretudo um Sporting melhor preparado para se defender terá que deixar a sua zona de conforto, a dos discursos mais ou menos inflamados para jornalistas e adeptos e delinear uma estratégia que lhe permita atingir resultados práticos. Para isso precisa de massa critica indispensável para alterar regulamentos, ou simplesmente colocar pessoas idóneas no lugar dos comprometidos, o que não se consegue falando sozinho. Terá seguramente de escolher parceiros entre "os bons" e os "menos maus" que também não se revêem ou apenas estão descontentes com o estado de coisas. Terá que ter paciência e alguma astúcia. Coleccionará derrotas antes de conhecer o sucesso.

PS2: não imaginam a vontade que tinha de estar aqui apenas e só a comentar a contratação do André Geraldes... ainda que prefira a aposta no Geraldes à aposta no Petkovic, continuo a achar 1M€ uma barbaridade para um DD suplente. A menos, claro, que a ideia seja transferir o Cedric. Mas aí, espero que a recompensa seja muito boa.

09/06/2014

IX Congresso Leonino & O discurso de Bruno de Carvalho - Parte I: Organização



Notas prévias:
- como habitualmente, identifico-me quando se tratam de temas relacionados com o exercício do meu associativismo e não meras larachas futeboleiras. Chamo-me Miguel Menezes da Silva, sou o sócio n.º 19.120-1 do Sporting Clube de Portugal e fui o delegado n.º 81 ao Congresso Leonino;
- falei duas vezes na vida com Bruno de Carvalho, ambas tendo o Congresso como pano de fundo. Não o digo para que saibam que "conheço" o presidente do Sporting - pelo contrário, desconfio que Bruno de Carvalho não me reconheceria na rua se passasse por mim. A nota é apenas para vos dizer que este tema me é particularmente caro. E também, perdoem-me a imodéstia, para afirmar que sei do que falo, no que respeita ao que faz e não faz sentido discutir em congresso. Foi um tema em que pensei muito, juntamente com outros sócios, e que discuti com dezenas e dezenas de sportinguistas;
- apesar de algumas críticas contidas neste post inicial, que pretendem apenas assinalar que o Congresso poderia ter tido, pelo menos, o dobro da adesão, a secção em que participei correu muito bem, não só graças aos sócios que tomaram a iniciativa de apresentar propostas para discussão mas também à forma serena e interessada como foram conduzidos os trabalhos (estiveram muito bem Paquete de Oliveira e o Tiago Abade). E em geral a organização e a logística correu muito bem.

Organização do Congresso - temas, delegados e adesão

Os temas deste congresso não eram atrativos. Eram relevantes (não os "mais relevantes", mas eram relevantes) mas não eram atrativos. Não foi por isso surpresa verificar que na sessão de abertura, estavam cerca de 120/130 pessoas na sala, 1/3 das quais dos órgãos sociais ou da comissão de honra. E na sessão de encerramento pudemos todos confirmar, pelos resultados das votações, que estavam presentes menos de 90 delegados com direito de voto.

Creio aliás que foi o número de delegados inscritos que acabou por conduzir (i) à alteração do local (do Freeport de Alcochete para o Estádio de Alvalade - e ainda bem!) e (ii) à "fusão" de duas das secções: plataformas de comunicação (onde me inscrevi) e direitos e deveres dos sócios.

O que poderia ter sido feito para gerar maior atratividade? A meu ver, o seguinte (e isto foi em devido tempo discutido com todos os candidatos e com diversos sócios do Sporting):

a) desde logo, os 20 votos por delegado são excessivos. Poderia considerar-se a possibilidade não só de estabelecer um número menor de votos necessários (20 votos é muito voto - e obtê-los implica, em regra, andar atrás de 3 ou 4 sócios a pedir pdf do cartão de sócio e do cartão de cidadão...) mas também de abrir os trabalhos a todos os sócios, ainda que sem direito a voto (participariam, podiam até apresentar propostas, apenas não poderiam votar). De assinalar também que os estatutos se referem ao congresso como uma congregação de "sócios e adeptos". A ideia chegou a passar-me pela cabeça quando discuti o tema, abrir o congresso a não sócios. Mas percebo que seja difícil provar a condição de adepto (e ninguém quer arriscar-se a ter o Rui Gomes da Silva num congresso do Sporting...).

b) por outro lado, a sessão de abertura, ao invés de uma introdução pelos membros do CD, poderia passar por uma interlocução de experts nos temas, ligados ao Sporting. Penso em Tomás Aires para os temas relacionados com o estádio, por exemplo (v. abaixo). E isso seria promovido com o devido enfoque.

c) baralhar e voltar a dar a lista dos temas a discutir, introduzindo, entre outros, os seguintes (os experts em marketing certamente conseguiriam encontrar melhores palavras para a promoção):
- A posição do Sporting enquanto acionista da SAD poderia ser colocada sob diversas formas:
(i) promoção do futebol profissional;
(ii) aposta na formação;
(iii) relacionamento com FPF e Liga.
São apenas alguns exemplos
- Gestão e aproveitamento do património, muito em particular do Estádio de Alvalade;
- Internacionalização da marca "Sporting".

Pode-se dizer que o futebol está na SAD. Certo, mas o Sporting ainda vai sendo o maior acionista da SAD. Pode-se dizer que há temas que são da competência do CD. O argumento não colhe: todos os que foram discutidos também o são. Pode-se dizer que tudo no estádio tem custos. Mas podem sair boas ideias destas discussões que tenham menos custos.

E creio que bastaria uma volta nos temas, mesmo sem alargar o número de secções (repare-se que a secção em que participei acabou por acolher dois temas) para a adesão ser maior. Mas não só: era também essencial que participar num Congresso fosse mais simples do que é. Quantos queriam participar, fizeram contas aos votos de que precisavam e acabaram por desistir? Claro que ter um congresso com 1000 pessoas é um sonho difícil de materializar. Mas bastaria o dobro das pessoas para termos o dobro das ideias.

Deixo para um segundo post algumas das ideias discutidas bem como o discurso final do presidente. Mas não posso deixar de referir, quanto a este último ponto, que a ideia, que aqui referi, de que o sistema se combate por dentro e não por fora (criticada por Bruno de Carvalho - naturalmente não a "minha" ideia mas a ideia em si) tem muito mais que se lhe diga e afastá-la usando o exemplo do próprio Bruno de Carvalho (que conquistou o poder "por fora" e não "por dentro") é demasiado simplista, para não dizer ingénuo; e que começam a cansar os discursos em que mais de metade do tempo é destinado a criticar sportinguistas, sejam eles quais forem, ainda para mais em termos como "não admito que..:", "não posso aceitar..." e outros do género. Se o Sporting é dos sócios, como tanto enfatiza o presidente, é de todos eles e não apenas dos que dizem "amén" a tudo o que vem do atual poder. Mas voltarei a estes temas com maior detalhe.

Miguel Menezes da Silva
Sócio 19.120-1

06/06/2014

O maior!


Eu percebia 0 de bola e já desconfiava que o meu pai também não era propriamente um expert.

Como era possível que aos aos 6, aos 7, aos 8, eu discutisse com o meu pai e lhe dissesse que o maior era o Manel e não o Jordão? Mas era assim. Talvez porque o meu primeiro jogo em Alvalade foi um Sporting-Benfica que ganhámos por 1-0, com um golo do grande Manel logo a abrir o jogo.

Mas antes disso (creio que foi antes disso), já apontava para o teu cromo e dizia que eras o maior. Na caderneta de 83/84, essa mesmo, que não sei onde guardei, mas tinha Katzirz na baliza, tinha Zezinho, tinha Venâncio, tinha Kostov, tinha Lito, tinha Jordão. Tinha Carvalhal no Braga, tinha Jesus no Farense e o outro Jesus, o guarda-redes, no Vitória de Guimarães. Tinha Damas no Portimonense, assim como Vítor Oliveira (esse mesmo!) e o grande Cadorin (o jogador de que mais gostava nos clubes ditos pequenos). No Porto havia Jacques e Walsh, no Benfica Maniche (o verdadeiro). Tinha um Sporting de Espinho ainda na década de 70 (todos ou quase todos com bigode e cabelo "à Pietra"). Tinha o Recreio de Águeda com fotos tiradas num pelado! (e será que se jogou nesse pelado nesse ano? Provavelmente). Ah, e as páginas finais eram dedicadas à seleção de futebol feminino. Todas de cabelo curtinho, coitadas, parecia o exército israelita.

Os cromos não eram autocolantes, eram mesmo cromos. Era preciso usar cola o que o meu pai fazia com todo o cuidado. Já com a caderneta cheia, eu apontava para ti, o meu pai dizia que não, o Jordão é que era. 83/84 terminou com aquele Euro em que o Jordão deu cabo da seleção de França (será que foste sequer convocado para o Euro?) mas ainda assim fomos de vela. Noutro dia diziam na TV que foi o Álvaro (sim, também lá estava na de 83/84) que se armou em extremo e deixou o corredor todo aberto. Nunca me enganou, nunca fui com a cara dele. Mas adiante.

Vi-te marcar dezenas de golos em Alvalade. Vi-te ficar fora do México para irem Ribeiros do Boavista. Não vi ao vivo os 7-1, algo que ainda hoje não percebo porque aconteceu. O meu pai não se lembra porque não fomos (deve lembrar-se mas não me quer dizer que foi porque chovia muito e a minha mãe não deve ter deixado... sabes bem, Manel, que a última palavra acaba sempre por ser delas!). E vi-te terminar a carreira em Setúbal, com enorme tristeza. Voltaste como adjunto, foste corrido num dos maiores erros (já assumidos) da história do Sporting. Voltaste novamente como principal e em 6 meses conquistaste um título. OK, uma Supertaça, mas contra o FCP que dominava o futebol na altura. Face aos últimos 30 anos, deves ser o que tem a melhor média tempo/títulos... Depois como dirigente numa fase em que tudo foi mau.

E agora dizem por aí que és isto e aquilo e que falas assim e assado do Sporting. O que eles não sabem é que tu podes. Porque goste-se ou não (e eu gosto muito) és o maior símbolo vivo do Sporting. Podes dizer o que quiseres porque nada do que digas vai alguma vez abater o crédito que temos para contigo.

És o maior. E, para mim, serás sempre o maior. "Ah e tal quem foi o melhor de sempre? Maradona? Pelé? Eusébio?". Nada disso: Manuel Fernandes.

05/06/2014

Vamos a um FM?

Volto aos posts para garantir que isto não passe a propriedade exclusiva do Koba por usucapião! A verdade é que quem me alertou para o facto de que ter o segundo filho significava bem mais do que simplesmente o dobro do trabalho que já tinha com um, sabia bem do que falava! Assim, ainda bem que os temas de Alvalade vão acrescentando novidades ao Fa3.

Depois do último jogo da época, já entrámos na típica fase telenoveleira com as possíveis saídas, entradas, empréstimos, referenciados, abordados, negociados e listados, mais as entrevistas em que se procuram indícios de vontade em sair ou ficar. A verdade é que esta época deverá ser ainda mais fértil do que o habitual pois os 3 grandes estão com uma pressão esmagadora para vender e fazer dinheiro. Sendo assim, parece-me que ainda mais importante do que fazer poucas e boas vendas (já que serão mesmo necessárias e inevitáveis) será a capacidade em colmatar com qualidade e a preços reduzidos as vagas destas vendas (sendo os preços reduzidos do Sporting provavelmente bem mais baixos do que os de Benfica e Porto). Não existindo Tó Madeiras para contratar, a tarefa não parece fácil...


No que ao Benfica diz respeito e olhando para um onze principal, achava que deveria passar por Oblak, Maxi, Luisão, Enzo, Salvio, Markovic, Lima e +4 (não coloquei o Fejsa porque não se pode contar com ele numa época inteira nem Amorim porque acho que não atinge o nível necessário para uma táctica com apenas dois homens no miolo). Com os últimos ecos de Valência, entrevistas de Enzo mas sobretudo por uma análise fria e racional dos factos, é bem provável que Enzo saia e que obrigue a um +5. Com 28 anos e a participar num Mundial, poderá ser uma oportunidade única para fazer uma grande venda. No entanto, será um golpe profundo na equipa campeã nacional que apenas poderia ser amenizado pela permanência de Gaitán. Resumindo, estou à espera que a lista de vendas seja qualquer coisa como:
- Rodrigo (confirmada);
- André Gomes (confirmada);
- Garay (quase certa);
- Siqueira ("não contratação");
- Enzo (provável);
- Gaitán (provável).

É de facto muita qualidade para se conseguir repor numa só época. No mínimo que no Porto saia Jackson e Mangala (e se quiserem o Alex Sandro também, por mim perfeito) e que no Sporting William e Slimani também não resistam,

Esperemos pelos próximos episódios... 

  
 

04/06/2014

Ainda não percebi... e continuo sem perceber! [EDITADO]

Nota Prévia: por consideração ao Gorbyn, não vou fazer um novo post sobre as declarações do Bruno de Carvalho. Edito este, para que o destaque neste blog continue a ser falar sobre futebol. E o post do Gorbyn pretende isso mesmo. Merece, pois, ser o post de abertura neste dia, ainda que ninguém leia o meu. Mais logo, caro Gorbyn, aí sim terei que te roubar espaço: é que li por aí que hoje faz anos o Manel Fernandes, meu ídolo de infância. E esse merece tudo.

***

Não percebi o que ganhamos com as despropositadas declarações de Bruno de Carvalho sobre a trampa e o ânus. E este é o ponto que está a passar despercebido a muitos dos que abordam o tema (com honrosas exceções).

É que há declarações e atitudes, por muito infelizes que sejam, que têm um propósito claro. A título de exemplo, as declarações de BC sobre os empresários, que aqui tanto critiquei, tinham um objetivo. Aliás, dois: um imediato e um de longo prazo. O imediato, o de passar uma mensagem a alguns empresários, em particular o de Bruma; o de longo prazo, o de passar essa mesma mensagem para futuras negociações com o Sporting. Podemos discutir se resultou ou não, podemos discordar, quer do conteúdo quer da forma, mas, enfim, havia ali um objetivo.

As declarações de ontem não percebo que objetivo servem. E isso é o que mais me preocupa. Porque "alertar para a bipolarização" é muito bonito mas não vejo que resultados possa trazer. O Sporting pode diariamente falar dessa bipolarização mas tem é que fazer algo para a combater. Porque essa luta não se trava nos jornais, trava-se no "sistema". E o Sporting, querendo ou não, gostando ou não, tem que estar dentro desta luta. O papel de quem se põe de fora porque é tudo muito feio e muito sujo não serve.

Depois das declarações de ontem, o Sporting isolou-se. Pergunto-me quem quer o apoio do Sporting depois disto. Pergunto-me quem quer estar associado ao Sporting e a BC. Pergunto-me quem quer estar do lado daqueles que gritam (com modos menos próprios, ainda para mais) "o rei vai nu" quando existe a possibilidade de entrar para a corte pela porta do cavalo e ver o que lá se passa. Os princípios são todos muito bons, mas na prática isto dá em quê? Sinceramente, não percebo.

Quanto à forma, foi a mais infeliz possível. Se não contam comigo para aplaudir o conteúdo, ainda menos contam para aplaudir a forma. Mas atenção: também não contem comigo para campanhas pseudo-indignadas do estilo Ana "sou histérica e púdica mas só com alguns" Lourenço, que perguntou se "há espaço para Bruno de Carvalho no futebol português?". Espera lá, oh Ana... não há espaço para o Bruno de Carvalho porque diz "trampa" mas há espaço para o Bruno Paixão? Para o Apito Dourado? Para marcar o Estoril-Benfica no Algarve? Para apedrejamentos de autocarros do Benfica e do Porto? Para incendiar o estádio da Luz?

O estilo foi infeliz e hoje só se fala disso. Mas Bruno de Carvalho, que eu saiba, não anda há anos a prejudicar as mesmas equipas, não corrompeu ninguém, não violou regulamentos para obter vantagens num jogo e não foi conivente com apedrejamentos e incêndios. Teve um momento em que se esqueceu que era presidente de um grande clube (logo ele que, no livro do Bruno Roseiro, às tantas refere que anda agora sempre de gravata porque a dignidade do cargo o exige...). Errou. E vai voltar a errar (espero que não desta forma).

Temo que fique marcado por este momento. Mas espero que isto se ultrapasse rapidamente e que daqui a uns meses BC seja lembrado por outros motivos, bem melhores e muito menos escatológicos.

03/06/2014

Reforços - os nomes de que se fala (I)

Os que estão certos, de acordo com a imprensa:

Petkovic - DD proveniente do Crvena Zvezda Beograd (não gosto de traduzir nomes de clubes...), já foi dado como certíssimo e assegurado; depois como tendo rejeitado proposta; depois novamente como certo; e agora foi esquecido e ninguém sabe o que se passa. Não é segredo para quem lê este blog que a época do Cedric ficou abaixo das (minhas) expetativas, mas também não é segredo que considero que o Cedric tem muito mais valor do que o demonstrado este ano (e como foi dito pelo Cantinho do Morais num dos muitos debates que fomos tendo, aquela tendência cruzadora pode ser resultado de uma instrução do - anterior - treinador). Tendo em conta as nossas limitações e o facto de termos um jogador na equipa B - Ricardo Esgaio - que faz a posição satisfatoriamente (muito embora eu entenda que como DD nunca será mais do que uma alternativa), eu não contrataria um DD, antes daria o lugar de segunda opção ao Esgaio. A menos que o Cedric esteja de saída ou, simplesmente, se considere, em Alvalade, que depois de 2 anos não tão bons como titular, Cedric será, ele próprio, a alternativa ao DD titular... É que sinceramente não percebo que se gaste 1M€ para contratar um suplente, nas nossas atuais condições.

Oriol Rosell - MD proveniente do Kansas City, já está em Lisboa para testes médicos. Não surpreende a contratação de um MD - disse aqui que se o Slavchev é um box-to-box, não era ele o substituto/alternativa ao William e que iríamos contratar um (outro?) MD, saia William ou não. É, portanto, uma das contratações esperadas. Não conheço o jogador, espero que tenha o impacto do Montero e a resistência (que este último não teve) para aguentar todo um campeonato com um ritmo mais forte do que o americano (ainda para mais quando o jogador é contratado em plena competição).

Os quase certos, de acordo com a mesma imprensa:

Fidel Martinez - extremo que atua no Tijuana do México. Normal que se procure um extremo (reforço: 1 extremo), só espero é que não se esqueçam que há uma equipa B. Se Capel sair (como espero) e Carrillo ficar (como espero), eu contaria com Carrillo, Mané, Heldon, o tal reforço e puxaria um extremo da equipa B para fazer o papel que fez Carlos Mané na época passada.

Charles Monsalvo - avançado do Tolima da Colômbia, viria preencher a vaga de 3º PL. Não dá para perceber se seria jogador para a equipa A ou para a equipa B mas tendo 24 anos (segundo vi) calculo que se destine à equipa A. Nesta lógica, não se percebem os rumores que irei referir abaixo.

Josef Martínez - joga na posição 10 nos suíços do Young Boys (porque traduzem Crvena Zvezda e não traduzem o nome deste clube para "Jovens Rapazes"?). Tenho dúvidas quanto à necessidade deste jogador: ou Shikabala está envolvido num negócio inexplicável ou será ele a opção para esta posição, não? Sendo que as alternativas, reforço, devem ser encontradas dentro de casa. E muito embora Vítor e André Martins sejam mais 8 do que 10, poderiam ser opções nesta posição.

Os rumores (são muitos, apenas dois destaques)

Derley - seria uma boa opção, só não percebo então o Monsalvo... admitindo que o Marco joga na mesmo esquema que utilizou no Estoril no ano passado, dificilmente atuaremos com 2 PL. E estando apenas 1 em campo, creio que com 3 jogadores na posição (mais uma equipa B, nunca esquecer) estaríamos tranquilos.

Rafael Martins - também uma boa opção (já sei que me vão cair em cima por causa deste) mas mesmo com a sua versatilidade (é uma espécie de Derlei) fica pouco compreensível a necessidade de contratar o Monsalvo e o Martinez. Alternativa porque falhou Derley? Ou será que há um PL de saída (Slimani...)?

Uma preocupação: nunca mais ouvimos falar de 1 central. Espero que seja devido à discrição com que estão a ser feitos contatos para a contratação de um jogador para esta posição. E ainda falta uma alternativa ao Jefferson para DE (estou a assumir que o Marcos Rojo vai mesmo sair - era ele, mesmo atuando a DC, a alternativa no plantel 13/14).

PS: Sábado lá estarei no Congresso Leonino. Depois darei conta por aqui do que por lá se discutiu.

02/06/2014

Tenho mesmo que gostar deste gajo...

... mas enquanto for treinador nas forças do mal, não lhe publico a foto!

Ainda assim, detalhe maravilhoso na SIC Notícias, do meu consócio JJ:

"Custa-me eu ver pessoas, que são médicos, advogados... a falar sobre futebol?! Eu não sei falar sobre medicina! Como é que eles sabem falar sobre futebol?! Faz-me uma ganda confusão... Uma ganda confusão, ganda, não digo grande, mas sei o que é grande... Isto é cultura aqui de Lisboa"

(é assim mesmo Jorge, és um ganda lisboeta e isso bastaria para que eu gostasse de ti; estás no lado negro da força mas um dia vais esquecer o teu papel de Darth Vader e voltarás a ser apenas Anakin Skywalker)

Reforça o grande Manel (vénia, dupla vénia, tripla vénia, ídolo de infância e obviamente direito a foto):

"é assim mesmo, lá em Sarilhos também é assim".

E bonito o respeito de JJ pelo grande Manel quando falaram dos tempos de Sporting. Dizia o Manel "tinha lá este pardalinho... era um puto reguila, mas com pinta". Jesus confirmou "é verdade, era um puto..."

Grande momento.

PS: Foi mesmo pena aquele "limpinho, limpinho", pá. Essa custou. Mas um dia vais dizer que aí estiveste mal. E eu, lisboeta e sportinguista, vou perdoar...