27/05/2014

Eliminados pelo nome (II) - quem não se lembra de João Luís II?

Começo pelo meio da história: a dada altura havia vários "João Pinto" no futebol português e havia que distingui-los.

O primeiro era colega de seleção do segundo, que tinha sido colega de seleção (sub-20) do terceiro e o primeiro, se não estou em erro, chegou a ser colega de clube do quarto (já não me recordo se colega de seleção do segundo).

Confuso? Não. A coisa resolveu-se de uma forma civilizada: o DD e mais internacional de sempre (à época), pelo respeito que a carreira merecia, ficou João Pinto; o "grande artista" (na altura, ainda em vias de ser "menino d'ouro", só passou a "grande artista" em Alvalade) ficou João Vieira Pinto; o seu colega na seleção sub-20 ficou João Oliveira Pinto; e o central, João Pinto no Belém, passou a João Manuel Pinto.

"Sim senhor" dirão vocês "assim vale a pena". "Até vou", continuam, "dar ao meu segundo filho o nome do primeiro".

Pois, mas parece que não é assim tão simples.

Desde logo porque os vossos filhos, em princípio, terão os mesmos apelidos (se não fosse eu a lembrar-vos desta...). A menos, claro, que adotem a lógica Maradona de andar por aí fora a ter/fazer filhos, obedecendo ao sempre bonito princípio de que é preciso apoiar o crescimento da população (a ser assim, mantenham a proliferação dentro das fronteiras, sff). Caso contrário, distinguir o Júlio Miguel Silva Fernandes do Júlio Miguel Silva Fernandes não será propriamente fácil...

Por outro lado, porque a história nem sempre foi assim, aquilo foi provavelmente uma influência do "racionalismo queiroziano" (inspirado no Carlos, não no Eça...). Mas no período ACQ (antes de Carlos Queiroz) a coisa era um pouquinho mais, como dizê-lo?, rudimentar.

Recordam-se de um prolífico ponta-de-lança que certa vez resolveu um jogo no Barreiro contra o Farense ou o Portimonense (julgo que o Farense, o São Luís estaria interditado)? Não?

E se eu vos disser que, além de não ser um craque, ainda teve o azar de apanhar outro jogador com o mesmo nome no plantel (um DD brasileiro já em final de carreira) e logo naquela fase em que a originalidade não era muita...

Pois, foi um grande galo: o rapaz chamava-se João Luís e ficou para a história como João Luís II. Não João Luís "Silva" ou João Luís "Santos" ou sequer "Jota Luís". Simplesmente, João Luís II. Obviamente, durou muito pouco em Alvalade. E o DD foi pelo mesmo caminho.

É que, como nenhum era rei em lado nenhum, isto era pouco mais do que ridículo. Ninguém conseguia sustentar aquela situação durante muito tempo.

A propósito, creio mesmo que o principal contributo de Queiroz para o futebol português, geração de ouro à parte, foi na distinção entre os jogadores com nome igual. Obrigado Professor! Pena é que, passados uns anos, alguns se tenham revoltado contra o racionalismo queiroziano e se tenham atrevido a designar de Beto II o 3º GR do Sporting em 2001/2002. Se soubessem que o rapaz iria, uns anos mais tarde, roubar uma Liga Europa ao Benfica, certamente não lhe teriam feito tamanha patifaria...

"E vem isto a propósito de quê?" perguntam vocês (e bem). Eu respondo - a propósito disto:

"Bruno de Carvalho desafia Jesus a ser bi ou tricampeão no Benfica"

Pois, provavelmente todos pensámos o mesmo. Mas não, desta vez não houve troca de galhardetes nem piropos sobre os adversários darem mais luta.

Foi apenas o "outro" Bruno de Carvalho, que não sabe o que poderá dizer para chatear o Vieira. Vai daí, lembrou-se desta. Felizmente para todos nós, benfiquistas e sportinguistas, o senhor é do Benfica. Imaginem que o homem era sportinguista: seria não mais do que o BCII.

E que dizer do discurso do senhor? Maravilhoso. Qualquer dia o senhor estará a exigir o mundial de clubes em 2 anos. Sim, porque o que fez Vieira até agora, afinal? Apenas manteve contra tudo e contra todos (BC II incluído, suspeito) um treinador que perdeu tudo, apenas manteve o plantel e ainda o reforçou, e apenas ganhou quase tudo no ano seguinte. Coisa pouca. Pedir agora "a continuidade do treinador" é de uma originalidade extraordinária.

Até acho bem que não deixem o Vieira sossegado e que ponham esta pressão no Jesus. Pode ser que se fartem ambos... Mas convenhamos que os argumentos terão que ser um pouco mais originais.

Enfim... por momentos, ainda pensei que pudéssemos estar perante uma provocação. Foi um alívio quando li toda a notícia. E ainda me lembrei do João Luís II, o que vale sempre a pena.

PS: "Bruno de Carvalho desafia Jesus a ser bi". Se parasse aqui, isso sim seria uma notícia bombástica...

7 comentários:

  1. O "PS" (não o partido) é brutal.

    Lembro-me bem de todos os artistas mencionados. O 4º João Pinto foi o que mais enojou. Nem me lembro que tenha ido à selecção, mas é possível. Fazia grandes duplas com o Argel (saudade), mas destacou-se como avançado de recurso do clube do 1º (no período de António Oliveira como treinador). Mas acho que o 1º e o 4º nunca coabitaram.
    Já o 3º é da nossa formação. Mas rapidamente foi enviado para o Atlético, Marítimo, etc.

    Já os "Joãos Luises" eram ambos fracos, muito fracos.
    Quanto ao II, aí está ele:

    http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Sporting/interior_premium.aspx?content_id=849814

    http://armazemleonino.blogspot.pt/2009/05/joao-luis-ii.html

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  2. Há uma diferença,

    O vermelho chama-se Bruno Carvalho.

    O "Nosso" chama-se Bruno DE Carvalho

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    1. Complementando:
      https://www.facebook.com/pages/Bruno-Carvalho-Sport-Lisboa-e-Benfica/86545458557

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  3. Foi mesmo ao Farense, de acordo com o Armazém Leonino.

    O 1º eu na altura detestava (até porque impedia o Nelson, que na altura jogava que se fartava, de ser titular na seleção), mas hoje recordo-o com bonomia.

    Muitas saudades dessas grandes duplas de centrais. Infelizmente os outros terão saudades de Contreras, Hugo, etc.

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  4. António, a influência do BC I é tal que os OCS já tratam o BC II com o "de" também...

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  5. Vi esse jogo no Barreiro, tinha 12 anos. Estadio à pinha. Lembro-me que havia uma pequena arvore em plena bancada. Surreal.
    Lembrava-me que tinha sido a estreia de um miudo promissor. Pensava que tinha sido o Figo, fui investigar e afinal foi o Peixe.
    Joao Luis, lateral direito, nao era mau de todo. Subia bem no terreno.

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