30/05/2014

Contas e passivos

Tenho estado a discutir n'"O Artista do Dia" o tema do passivo consolidado do Sporting.

Desconsiderando informações na TV, em AG ou noutros locais, os números a que temos oficialmente acesso são os seguintes:

Projeto de fusão SPM/SAD (http://www.sporting.pt/incscp/pdf/investor_relations/ir_projectofusao_210513.pdf):

- passivo da SAD de 250M€;
- passivo da SPM de 170M€.

Últimas contas anuais do Sporting Clube de Portugal (http://www.sporting.pt/incscp/pdf/assembleias_gerais/relatorioecontas_scp_12_13_site.pdf):

- passivo de 210M€.

Assim, pré-fusão (e ainda estamos pré-fusão, uma vez que apenas o projeto de fusão foi depositado - em 20 de maio de 2013 - faltando o registo definitivo da fusão), o valor da soma seria uns brutais 630M€. Mas calma, as contas não se fazem assim. Num passivo consolidado há outros elementos a ter em conta, desde logo o passivo intra-grupo que deve ser desconsiderado (pese embora, com os meus parcos conhecimentos, eu apenas consiga identificar 20M€ contabilizados como tal).

Faltou referir que efetivamente as contas do Sporting (clube) contêm uma reserva no parecer emitido pela PWC que se refere ao método utilizado pelo Sporting para contabilizar as perdas nas sociedades participadas. Tivesse sido usado o método "recomendado" pela PWC, haveria um passivo adicional de 300M€. O que, somado aos 210M€, daria um total de 510M€.

Assumindo este número como próximo do valor de um passivo consolidado, o passivo global pré-fusão/pré-reestruturação é efetivamente superior ao do Benfica.

Convém que termine a reestruturação e que seja registada definitivamente a fusão para percebermos tudo isto.

Mas, até lá, se alguém quiser clarificar o tema, agradeço!

29/05/2014

Comentários dos jogadores da seleção após a chegada de Coentrão, Pepe e Ronaldo a Óbidos

André Almeida: "Fábio, acho que te vou roubar o lugar, nos treinos ninguém passa por mim! O quê? O Nani e o Vieirinha não competiram este ano? E depois?"

Neto: "Pepe, fizeste muito bem em festejar assim, eu cá vou levar comigo uma bandeira da Rússia para o caso de haver algo a festejar no Mundial"

Minorca: "Ainda bem que chegaste capitão! A propósito... o tema dos prémios de jogo está resolvido?"

Rafa: "Sr. Cristiano, pode por favor dar-me um autógrafo?"

Postiga: "Não é que esteja triste com a vossa chegada, não é isso. Simplesmente preferia que tivesse vindo um endireita...".

28/05/2014

Reforços - Eliminados pelo nome (III)

Ramy Rabia? A sério?

O Manha esfrega as mãos de contente com a possibilidade de fazer o título "Gaitán e Enzo com Ramy à Rabia"...

27/05/2014

Eliminados pelo nome (II) - quem não se lembra de João Luís II?

Começo pelo meio da história: a dada altura havia vários "João Pinto" no futebol português e havia que distingui-los.

O primeiro era colega de seleção do segundo, que tinha sido colega de seleção (sub-20) do terceiro e o primeiro, se não estou em erro, chegou a ser colega de clube do quarto (já não me recordo se colega de seleção do segundo).

Confuso? Não. A coisa resolveu-se de uma forma civilizada: o DD e mais internacional de sempre (à época), pelo respeito que a carreira merecia, ficou João Pinto; o "grande artista" (na altura, ainda em vias de ser "menino d'ouro", só passou a "grande artista" em Alvalade) ficou João Vieira Pinto; o seu colega na seleção sub-20 ficou João Oliveira Pinto; e o central, João Pinto no Belém, passou a João Manuel Pinto.

"Sim senhor" dirão vocês "assim vale a pena". "Até vou", continuam, "dar ao meu segundo filho o nome do primeiro".

Pois, mas parece que não é assim tão simples.

Desde logo porque os vossos filhos, em princípio, terão os mesmos apelidos (se não fosse eu a lembrar-vos desta...). A menos, claro, que adotem a lógica Maradona de andar por aí fora a ter/fazer filhos, obedecendo ao sempre bonito princípio de que é preciso apoiar o crescimento da população (a ser assim, mantenham a proliferação dentro das fronteiras, sff). Caso contrário, distinguir o Júlio Miguel Silva Fernandes do Júlio Miguel Silva Fernandes não será propriamente fácil...

Por outro lado, porque a história nem sempre foi assim, aquilo foi provavelmente uma influência do "racionalismo queiroziano" (inspirado no Carlos, não no Eça...). Mas no período ACQ (antes de Carlos Queiroz) a coisa era um pouquinho mais, como dizê-lo?, rudimentar.

Recordam-se de um prolífico ponta-de-lança que certa vez resolveu um jogo no Barreiro contra o Farense ou o Portimonense (julgo que o Farense, o São Luís estaria interditado)? Não?

E se eu vos disser que, além de não ser um craque, ainda teve o azar de apanhar outro jogador com o mesmo nome no plantel (um DD brasileiro já em final de carreira) e logo naquela fase em que a originalidade não era muita...

Pois, foi um grande galo: o rapaz chamava-se João Luís e ficou para a história como João Luís II. Não João Luís "Silva" ou João Luís "Santos" ou sequer "Jota Luís". Simplesmente, João Luís II. Obviamente, durou muito pouco em Alvalade. E o DD foi pelo mesmo caminho.

É que, como nenhum era rei em lado nenhum, isto era pouco mais do que ridículo. Ninguém conseguia sustentar aquela situação durante muito tempo.

A propósito, creio mesmo que o principal contributo de Queiroz para o futebol português, geração de ouro à parte, foi na distinção entre os jogadores com nome igual. Obrigado Professor! Pena é que, passados uns anos, alguns se tenham revoltado contra o racionalismo queiroziano e se tenham atrevido a designar de Beto II o 3º GR do Sporting em 2001/2002. Se soubessem que o rapaz iria, uns anos mais tarde, roubar uma Liga Europa ao Benfica, certamente não lhe teriam feito tamanha patifaria...

"E vem isto a propósito de quê?" perguntam vocês (e bem). Eu respondo - a propósito disto:

"Bruno de Carvalho desafia Jesus a ser bi ou tricampeão no Benfica"

Pois, provavelmente todos pensámos o mesmo. Mas não, desta vez não houve troca de galhardetes nem piropos sobre os adversários darem mais luta.

Foi apenas o "outro" Bruno de Carvalho, que não sabe o que poderá dizer para chatear o Vieira. Vai daí, lembrou-se desta. Felizmente para todos nós, benfiquistas e sportinguistas, o senhor é do Benfica. Imaginem que o homem era sportinguista: seria não mais do que o BCII.

E que dizer do discurso do senhor? Maravilhoso. Qualquer dia o senhor estará a exigir o mundial de clubes em 2 anos. Sim, porque o que fez Vieira até agora, afinal? Apenas manteve contra tudo e contra todos (BC II incluído, suspeito) um treinador que perdeu tudo, apenas manteve o plantel e ainda o reforçou, e apenas ganhou quase tudo no ano seguinte. Coisa pouca. Pedir agora "a continuidade do treinador" é de uma originalidade extraordinária.

Até acho bem que não deixem o Vieira sossegado e que ponham esta pressão no Jesus. Pode ser que se fartem ambos... Mas convenhamos que os argumentos terão que ser um pouco mais originais.

Enfim... por momentos, ainda pensei que pudéssemos estar perante uma provocação. Foi um alívio quando li toda a notícia. E ainda me lembrei do João Luís II, o que vale sempre a pena.

PS: "Bruno de Carvalho desafia Jesus a ser bi". Se parasse aqui, isso sim seria uma notícia bombástica...

26/05/2014

E se eu vos disser que estou com dúvidas?



Sim, com dúvidas quanto a isto (ajuda aos preguiçosos: saída de Capel para o Monaco).

E porquê?

Porque Leonardo Jardim, sendo um ótimo treinador, trouxe à tona, principalmente na segunda fase da época, o "pior" que Capel tem para oferecer: as correrias junto à linha lateral seguidas de charuto para a área, com os olhos bem postos na relva.

Domingos, cuja carreira tem vindo a cair a pique (devo confessar que vai sendo das poucas "referências" que me faz temer que algo possar correr mal com o Marco Silva, convenhamos que o percurso de Domingos era mais "promissor" e foi o que se viu...), foi o treinador que melhor rendimento retirou do jogador. E foi com Domingos, depois Sá Pinto, que ainda alimentámos a ilusão de que teríamos um grande jogador no plantel.

Duas questões se colocam:

1ª- Esse Capel era mesmo superior a este, ou foi apenas impressão minha/nossa?

2ª- Há um Capel ainda melhor do que esse que ainda pode sair... do próprio Capel? Poderá Marco Silva potenciar "esse" Capel?

23/05/2014

Leandro Machado, Rodrigo Fabbri, Mauricio Pinilla, Simon Vukcevic... André Carrillo?

Este era bom mas não fechava bem a mala (e gostava de beber copos com o Gimenez em Albufeira)


Este só veio emprestado e só jogava quando lhe apetecia


Este tinha um potencial tremendo mas desperdiçou 5 ou 6 anos da carreira antes de perceber, no modestíssimo Grosseto, o que era ser um verdadeiro profissional de futebol


Já este era completamente desaparafusado (mas apanhou uma fase terrível que em nada o ajudou)


Diz-me, por favor, que não vais pelo mesmo caminho...


Se me deixares ficar mal novamente, nem sei o que te faço!

21/05/2014

Marco



"Marco Silva acaba de entrar no auditório Artur Gostinho do Estádio de Alvalade acompanhado de Bruno de Carvalho e prepara-se para ser apresentado como novo treinador do Sporting. 

«Estamos aqui para fazer a apresentação de Marco Silva para as próximas quatro temporadas», começou por dizer Bruno de Carvalho."

É oficial.

20/05/2014

Há dias assim...

O Leonardo saiu, é oficial. Empochámos 3 milhões, é oficial. Vem o Marco, ainda não é oficial.

O que penso disto tudo?

Penso que há dias assim, em que mesmo os males parecem vir por bem. Sendo a saída de Jardim inevitável, penso que o Sporting fez tudo bem:
- terá dificultado a saída na medida do possível, recebendo a máxima indemnização que conseguiria;
- colocou-se em campo para encontrar (e assegurar) alternativa.

No meio de tudo isto, prós e contras:
(i) sai um treinador que parecia ter estagnado há uns meses (será que estagnou mesmo? ou será que já tinha convite(s) a partir de certa altura?);
(ii) o Sporting recebe 3M€, um valor fantástico por um treinador (nem me venham com as loucuras do Abramovich, isso é outro campeonato);
(iii) o Sporting aposta no mais promissor treinador da Liga (no ano passado, eu tinha reservas - fenómenos de 1 ano há muitos, até o Mota levou o Paços à Europa... - mas dois anos consecutivos sempre com solidez, sempre com qualidade e sempre com resultados, mesmo após a perda de meia equipa, levam-me a considerar excelente a escolha de Marco Silva);
mas
(iv) perde-se a estabilidade que representaria a continuidade do mesmo treinador.

Só o futuro dirá se ficámos a perder ou a ganhar. Mas eu digo o seguinte: prefiro vir aqui dizer que errei no prognóstico, do que ficar-me pelas meias tintas e poder usar o meu clássico "eu bem dizia". E o que vaticino é que o Marco Silva vai fazer o Sporting jogar melhor futebol do que o Leonardo Jardim. Se luta pelo título, se fica em 2º ou se fica em 3º, depende de muitos fatores e desde logo dos adversários. Mas vamos jogar mais, não duvido. E quem joga mais, está mais perto de ganhar.

PS: Nada, mas mesmo nada, contra o Jardim. Agradeço, e muito, o trabalho que fez. Mas ou muito me engano, ou vem comer rabanadas à Madeira no Natal e acaba por ficar a passar mais uns dias...

Reforços (I) - Poupança para os temakis [EDITADO]


Ao ritmo a que começámos, com dois jogadores apresentados, indiscutivelmente para a equipa A, ainda antes de começar a pré-época (oficialmente, creio que ainda estamos em 13/14), vou começar a por uns cobres de lado para os temakis. Mais abaixo explico porquê.

Os nomes são Slavchev, ilustre desconhecido, e Paulo Oliveira, central que sempre gostei de ver jogar mas que eu próprio excluí, neste post, à imagem do que fiz com Ricardo Horta e André Leão, por entender que, "para as posições em causa, o Sporting precisaria de aspirantes a titular indiscutível". No caso do trinco, assumindo, claro está, a saída de William Carvalho. Não saindo William, entender-se-ia uma contratação mais modesta.

Algumas notas muito rápidas:

- a primeira, para Slavchev: normalmente isto quer dizer pouco, mas os OCS búlgaros tratam-no como o "Lampard da Bulgária" e ele próprio se define como box-to-box. O que quererá isto dizer?
(i) que na realidade contratámos um box-to-box e não um "cabeça-dji-ária"?
(ii) que os OCS da Bulgária não perceberam bem onde joga o Lampard?
(iii) que achamos que este jogador cabe, ainda assim, no lugar de William?
(iv) que poderá sair um dos "médios de transição", como eles agora se designam? Adrien?
(v) que poderá vir outro jogador mais "talhado" (se não escrevesse isto num post não aguentava... Joaquim Rita, rói-te de inveja!) para a posição "6"?

- a segunda, para a estrutura: Paulo Oliveira, ok, todos conhecemos; mas Slavchev foi "aprovado" por Jardim, por Marco Silva, por ambos ou por nenhum deles? O treinador tem voz ativa nas contratações? O treinador conhece os jogadores que se contratam? O treinador sabe que isto me vai custar mais um almoço?

- a terceira, para Paulo Oliveira: sendo um jogador que me agrada, só compreendo se for contratado outro central. Porque vejamos: temos 3 no plantel principal (Rojo, Dier e Maurício) + 1 de reserva (Semedo). Num ano em que dificilmente deixaremos de vender o Marcos Rojo, e numa época em que teremos Champions, vamos encarar com Maurício, Dier e Paulo Oliveira + Semedo (ou outro)? Difícil. Ou melhor, muito arriscado.

- a quarta para dizer que, seja lá como for, convencemos um jogador que é melhor ser possível titular no Sporting A do que possível suplente no Benfica B. Parecendo que não, nos dias de hoje, não duvido que alguns B do Benfica ganhem mais do que alguns A do Sporting...

Volto ao início: vou pagar temakis, ah se vou! Se o Slavchev não vier para 6, significa que está para ser contratado quem seja 6; e, a confiar que sai o Marcos Rojo (e deve mesmo sair, a oportunidade é única) o Paulo Oliveira não será o único central contratado. Só aqui, mais 2 do que eu esperava.

No que interessa: de Slavchev, obviamente, espero que seja uma espécie de Lechkov (era este o trinco da Bulgária 94? Ou este era mesmo box-to-box?), mas com cabelo e sem celebrações de cariz duvidoso após desempates por penalties; de Paulo Oliveira, espero que se afirme e me comprove que, afinal, já é menino para pegar ali de estaca.

PS: Estou a preencher a ficha de inscrição do Congresso. Entre os direitos e deveres (!) dos sócios, a sustentatibilidade das modalidades (espero que saiam ideias muito inovadoras, mas não vejo muito bem como), o papel dos núcleos no universo Sporting e as plataformas de comunicação, acabei por escolher o último. Mas pergunto-me se estes são mesmo os temas estruturais que há a discutir neste momento da vida do clube...

PS2: só vi depois de acabar o post - http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=478840. Boas notícias, a meu ver.

19/05/2014

Os 7 que o Bento não leva

Anthony Lopes
Antunes
Rolando
André Gomes
João Mário
Cavaleiro
Quaresma

Surpreendido essencialmente com Rolando e Quaresma.

Honra seja feita a Paulo Bento: dos 30, estes são os 23 que fazem sentido. Eu não teria escolhido aqueles 30, como sempre disse. Mas se me apresentassem estes 30 para escolher 23, provavelmente faria as escolhas de Bento. Com as tais dúvidas: Rolando ou R Costa? Vieirinha ou Quaresma? Bento foi pela polivalência (no 1º caso) e pela solidez (no 2º). Compreendo.

17/05/2014

Mais do mesmo...

Pois, parece que não está fácil acabar com esta sequência inacreditável de finais perdidas. Mesmo quando apanhamos uma equipa perfeitamente ao nosso alcance e em que até a superioridade do Benfica seria evidente à partida, a vantagem teórica acaba por ser anulada devido a um Benfica fortemente desfalcado e sem alguns dos seus melhores elementos, quer seja por lesão ou por castigo. Daí que considere que a melhor frase que resume esta final seja mesmo "O Benfica perdeu esta final a jogar a meia final". Acredito que bastaria um ou dois dos quatro ausentes (Fejsa, Enzo, Salvio e Markovic) para o desfecho ser bem diferente. Os muitos espaços que o Sevilha deu na segunda parte e prolongamento pediam claramente a velocidade e arrancadas de Enzo, Salvio e Markovic. O meio campo do Sevilha estava claramente em défice físico e foi angustiante ver um Benfica sem armas para o aproveitar. Falta um, entra o Manel, é certo. Mas o mesmo não é verdade quando têm que entrar vários "Manéis" ao mesmo tempo.

Mesmo assim podia e devia ter dado. O Benfica teve oportunidades mais do que suficientes para ganhar a final mas mais uma vez não teve capacidade de o fazer. E isto simplesmente não pode acontecer numa final. Já tinha sido assim a época passada e foi ainda mais evidente neste jogo. É difícil não recorrer ao velho desabafo do "Não temos sorte nenhuma!" (embora talvez devesse acrescentar "nas finais"). É uma desilusão e tristeza tremendas. É verdade que agora existe a sensação de que o Benfica chega facilmente às meias finais e finais da Liga Europa mas a probabilidade de voltar a ocorrer deverá ser mais reduzida. Se tudo corresse normalmente, nas épocas em que o Benfica tem uma grande equipa (como são exemplos esta e a última época) deveria passar a fase de grupos da Champions e não cair para a Liga Europa, ainda para mais porque deverá ficar no pote 1. Por outro lado, quando tiver uma equipa um pouco mais fraca e cair para a Liga Europa, será mais complicado passar as várias eliminatórias. Esta era uma oportunidade de ouro que quis o destino que fosse dificultada por um número incrível de obstáculos, incluindo uma lesão logo no início do jogo.


Quanto ao jogo não vou fazer grandes comentários pois os nervos, ansiedade e um lugar atrás da baliza e junto ao relvado não me permitiram ler o jogo de forma minimamente satisfatória. Principais pontos que retive:
- esperava bem mais do corredor esquerdo (Siqueira e Gaitán);
- Oblak vai ser um guarda-redes de top europeu, sem grande margem para dúvidas;
- a substituição de Sulejmani por André Almeida e a subida de Maxi foi uma opção perfeitamente razoável de Jesus. Não o faria mas não me chocou. Sabia que assim pelo menos o trabalho defensivo estaria assegurado e a inexperiência de Cavaleiro deixavam algumas dúvidas relativamente à sua capacidade de entrar tão cedo no jogo;
- a dupla de centrais é de sonho;
- a forte marcação sobre Gaitán e a sua reduzida frescura física, bloquearam muito do seu talento e a capacidadepara resolver;
- que tremideira ridícula da dupla da frente na hora de resolver! Aquele domínio de peito de Lima sem ninguém por perto na hora de encarar Beto, ainda hoje não me sai da cabeça.
- super Maxi. Esteve tão bem que preferia que tivesse arriscado o remate em vez das assistências;
- Jesus, o Cardozo?! Estavas mesmo a falar a sério? Depois de tantos jogos seguidos em que não fez a ponta de uma coisa qualquer, era naquela noite que a maré ia mudar?! Ainda por cima quando Rodrigo se estava a começar a soltar cada vez mais da marcação e a aparecer muito no jogo. E o Cavaleiro a 3 minutos do final?! Quando os jogadores já se arrastavam todos em campo e este era o único com capacidade de explosão no banco?! É por golpes de génio destes que não consigo te apoiar da mesma forma que a maioria dos benfiquistas que conheço.
- e ainda nos podemos queixar da arbitragem e de um penalty e expulsão por assinalar? As mensagens que ia recebendo de Lisboa indicam que sim. No estádio não deu para perceber...

E é isto. Parecia que o pessoal no estádio já estava a ver o filme assim que começaram as oportunidades perdidas pois era perceptível os semblantes carregados mesmo quando estávamos claramente por cima do jogo durante quase toda a segunda parte e prolongamento (a primeira parte foi mais equilibrada). Agora é tentar que a partir de sábado seja possível mudar o chip e seguir para a final do Jamor com um sorriso nos lábios e vontade de apoiar a equipa do princípio ao fim. Afinal de contas, é o mesmo que esperamos dos jogadores... Talvez seja melhor seguir o conselho da Vueling que me levou e trouxe de Itália:


15/05/2014

Quatro fatores decisivos no desempate por penalties

Este é longo e já estava na forja há algum tempo. Vou aproveitar o facto de o Gorbyn estar de regresso de Turim para o postar porque o tema foi discutido à exaustão após o jogo de ontem.

Reza assim:

Penalties e desempates por penalties são duas realidades completamente distintas. A carga emocional do penalty durante um jogo até pode ser equivalente à do desempate por penalties (de qualquer forma, apenas em casos extremos). Mas vejo pelo menos quatro fatores de diferenciação que podem efetivamente ser decisivos num desempate. Ontem, a meu ver, foram-no.

1º - O papel psicológico do GR

Compreende-se que num só penalty, durante um jogo, um GR tente adivinhar o lado para onde vai a bola. Quem marca, em regra, é o melhor marcador de penalties do adversário. Que sabe que tem que contar com o facto de o GR adversário o conhecer. E idealmente deve bater de forma a que o GR não chegue à bola, mesmo que espere (não foi durante o jogo, mas o penalty de ontem de Bacca é um bom exemplo).

Veja-se o exemplo de Adrien, no Restelo e em casa com o Estoril. No primeiro caso, Adrien enganou Matt Jones batendo para o lado que usa menos (ter-se-á apercebido que alguém foi dizer a Jones como ele andava a bater os penalties); ainda com essa referência na memória, Adrien hesitou em usar o mesmo truque contra o Estoril. Jones arriscou o lado habitual e Adrien enganou-o; já Vagner adivinhou o lado.

De todo o modo, Adrien não é um grande marcador de penalties, como o não era Matias Fernandez, que em 90% das ocasiões arriscava o mesmo lado. Um grande marcador de penalties, reconheço-o, era aquele pequenote formado no Sporting e que depois jogou no Benfica. Decidia onde colocar a bola no último momento, depois de o GR denunciar a queda. E colocava a bola bem junto ao poste, o que impedia o GR de lá chegar mesmo que só se lançasse depois de o remate sair (o que ocorre poucas vezes durante o jogo). De que me lembre, terá falhado um penalty em toda a carreira.

Num desempate por penalties, o GR não deve arriscar o lado, deve esperar até ao último momento para cair. Alguém, em 5, poderá bater não tão colocado ou denunciar o remate. Adivinhar o lado é lotaria, de facto. Esperar até ao último momento é um jogo psicológico com o qual o marcador do penalty lida mal. Porque naquele momento, com as pernas a tremer, depois daquele terrível percurso desde o meio-campo, depois de 120 minutos, com todos os olhos postos nele, a única coisa que lhe pode dar consolo é ver o GR a cair para um lado, oferecendo o lado contrário para o remate.

Repare-se que um GR que defende 2 penalties em 5 fez muito bem o seu trabalho. Se esses 2 forem marcados pelos jogadores que são a 4ª e 5ª opção para marcar durante um jogo, ninguém se vai lembrar. Tal como ninguém se vai lembrar, nem interessa, que esses jogadores, durante o jogo, nem se aproximariam da marca de penalty.

2º - A ratice do GR

Não, não me refiro ao condicionamento psicológico de chatear o árbitro e o adversário porque a bola não está na marca. Com isso lidam bem eles, que já têm todos os motivos e mais alguns para ter as pernas a tremer. Refiro-me ao encurtar do ângulo (com 1 ou 2 passos à frente no momento do remate), de legalidade muito duvidosa, mas que nenhum árbitro assinala porque, sub-conscientemente, tende a proteger o elo mais desfavorecido da equação (supostamente o GR, o que é mentira...) e, já conscientemente, não tem coragem de anular o lance após a defesa.

Isto não é bem assim num penalty durante o jogo. Já vi dezenas de penalties repetidos durante o jogo, só vi um penalty repetido num desempate (um dos que Ricardo acabou por defender em 2006 e, ainda assim, não foi propriamente uma repetição porque o árbitro nem tinha apitado). Verdade seja dita que, normalmente, são repetidos por invasão da área, algo que não é aplicável ao desempate por penalties. Mas, psicologicamente, na cabeça do árbitro está o seguinte: no penalty durante o jogo, tem que controlar a legalidade do lance; no desempate por penalties, só tem que apitar e ver no que dá. Porque também o árbitro está esgotado, é bom não esquecer.

O jovem GR Oblak é o melhor que vejo no Benfica desde Robert Enke e provavelmente é superior a este último. É frio, calmo, seguro e comete poucos erros na decisão (ontem cometeu um, mas não interessa agora) e no posicionamento (um erro também, no mesmo lance), os dois fatores mais relevantes num GR. Mas a sua inexperiência (terá sido o primeiro desempate por penalties?) levou-o a ficar preso à linha, numa interpretação literal das leis do jogo. Resultado: no lance do penalty de Coke, em que esperou até ao último segundo, ainda toca na bola mas não consegue defendê-la. Um passinho à frente e a bola era defendida... Faltou alguma "ratice". Creio que Artur, pior GR mas mais experiente, ontem teria sido mais útil ao minuto 118 do que Ivan Cavaleiro (esta é só deboche, não liguem...).

3º - A marcação do penalty

Em regra, o jogador, durante o jogo, deve esperar pelo GR. Se o GR cai, bola no outro lado. Um clássico.

No desempate creio que isto não faz sentido. Até porque, se do outro lado o GR souber o que está a fazer, aplica os princípios acima: espera e encurta o ângulo. Os jogadores mais rotinados a bater penalties escolhem um lado, colocam a bola, rematam em força e nem olham para o GR, porque sabem que naquelas circunstâncias há muitos GR que esperam até ao limite. Não hesitam. O jogador menos rotinado dá ao GR o papel que ele quer ter de elemento decisivo. Espera, hesita, olha para o GR e fá-lo perceber que espera o seu movimento. O GR espera e só cai quando vê a bola partir. O penalty mal colocado ou com pouca força (ou ambos no mesmo) é defendido.

De todos os penalties ontem marcados pelos jogadores do Sevilla, só o de Coke era defensável (mesmo assim, dependeria do tal passinho em frente e seria uma grande defesa). Os restantes não tinham defesa possível. E em dois deles Oblak até adivinhou o lado. Os jogadores do Sevilla, tal como Luisão, não hesitaram. Escolheram um lado e partiram decididos. Nessa circunstância, o GR é tentado a abandonar a sua postura de espera (não deveria, mas aquilo é para seres humanos e não para máquinas): vê que o jogador não vai esperar por ele e vai ter mesmo que arriscar um lado. Resultado: Beto, um GR que sabe esperar, foi "enganado" duas vezes. Este tipo de marcador até pode arriscar o meio da baliza porque em 99% dos casos o GR cai.

4º - O estatuto do marcador de penalties

Quem marca durante o jogo é o jogador que reúna a melhor "média" na avaliação das seguintes características (por ordem de importância na minha modesta opinião): frieza, confiança, colocação do remate, noção do tempo de queda do GR, estatuto do jogador, potência do remate.

A frieza mantém-se como a principal característica seja no jogo ou no desempate e a confiança também é relevante. Mas no desempate o estatuto ultrapassa os demais fatores (e a noção do tempo de queda do GR desaparece da equação - porque o jogador deve marcar o penalty sem contar com ela).

Como dizia o grande fluminense Nelson Rodrigues, "penalty é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube". Metaforicamente, concordo!

A relevância do estatuto do jogador percebe-se bem com um exemplo simples: Messi pode ser o primeiro marcador de uma série de 5, no Barcelona, e até pode falhar; não o pode fazer pela seleção argentina (aos que dizem que ultrapassou o estatuto de Maradona: este último podia falhar penalties no desempate onde quisesse - e falhou mesmo). O estatuto é algo que permite ao jogador ir um nadinha mais descansado naquele percurso do meio-campo até à marca de penalty.

O jogador que já deu tudo, um Luisão, um Garay, um Enzo sabe que, apesar de tudo, pode falhar; um Montero, um William, um Jefferson podem falhar. Um Carrillo, um André Martins, um Rojo não podem falhar. E os jogadores sabem-no e sentem-no. O William até pode marcar "pior" do que o Carrillo; mas de acordo com a lógica descrita acima, confiaria 100 vezes no William para um desempate antes de dar a decisão ao Carrillo. Porque até os espíritos à volta do estádio ficariam mais descansados...

JJ sabe isto e ontem, manifestamente, tinha as suas opções muito limitadas. JJ nunca arriscaria André Gomes, André Almeida ou Cavaleiro para os primeiros 5. Não tinha Enzo, teve que tirar Siqueira e ficou com a tarefa muito dificultada.

Ainda assim, creio que Cardozo não se devia ter aproximado da marca de penalty. Pelas mesmas razões que disse, há 2 anos, que Moutinho nunca deveria ter sido o primeiro marcador no desempate com a Espanha. Um jogador que falha insistentemente penalties no jogo "jogado" (em que faz muito mais sentido esperar pela queda do GR) dificilmente tem estaleca para um momento daqueles, em que o GR vai jogar até ao último segundo com a tensão do jogador. Se fosse o Cardozo de 2008 ou 2009 que batia em força e colocado (muito embora também falhasse alguns) fazia sentido incluir. Este, que até mudou a forma de marcar para ser mais eficaz nos penalties... do jogo jogado, parece-me que não.

Sei que Garay falhou no Dragão recentemente, mas Garay é Garay (JJ pode ter sido confrontado com a recusa do jogador...). Lima deveria ter sido o primeiro, como foi; Luisão tanto poderia ter batido mais cedo como sido deixado para último; a seguir Rodrigo, percebo (muito embora o histórico nos diga que falhou recentemente um penalty, é um jogador que "pode" falhar); depois Garay; Ruben Amorim também podia bater. Mas reconheço que era complicado, até nesse aspeto as ausências e vicissitudes do jogo foram desfavoráveis ao Benfica.

No Sevilla, só Coke saiu das previsões, porque não conheço suficientemente o seu perfil, o seu estatuto no plantel e o seu histórico com penalties. Os outros, estando em condições (admiti que Bacca não batesse porque estava a dar as últimas), percebi. E o último, obviamente, seria Rakitic.

Tudo isto dito: sim, também é uma questão de sorte. Em 2004, no Portugal-Inglaterra, foi uma questão de sorte. Em 2006, noutro Portugal-Inglaterra, não teve nada a ver com sorte. Ora revejam esses penalties, releiam se tiverem paciência e digam lá que não tenho razão...

14/05/2014

Parece que já está mesmo (a caminho do Monaco, leia-se)

Obrigado Leonardo por me teres feito sonhar novamente.

Eu e, arrisco, todos os sportinguistas. Não houve um só de nós que não tenha alimentado o sonho de ser campeão, considerando a classificação ao fim da primeira volta. Era difícil, mas essa esperança estava presente, lá no fundo de cada um de nós.

Só por isso, vou sempre recordar-te como uma referência positiva na minha vida de sportinguista. Depois das cabeçadas contra a parede da época passada, andámos de cabeça levantada toda a temporada. Muito graças a ti, o que nunca vamos esquecer.

Boa sorte!

Apenas três notas:

1. Fiquei muito satisfeito, desde a primeira hora, com a contratação de Leonardo Jardim. E face ao início do campeonato, fiquei muito agradado com a sua performance enquanto treinador, chegando inclusivamente a dizer (e mantenho) que foi a principal e melhor contratação do Sporting. A primeira volta foi bastante positiva, o Sporting estava organizado e confiante e desde cedo se percebeu que íamos ter uma época muito acima da anterior.

2. A segunda volta foi algo deprimente, não tanto quanto aos resultados, mais quanto ao futebol. Os pontos iam pingando e no curto prazo isso era o mais importante. Assegurámos o segundo lugar, mesmo jogando pouco, e isso era, a dado ponto, o essencial (e o possível, já agora). Mas todos sabíamos que com aquele futebol não iríamos repetir a época que fizemos este ano. A esperança era que o próprio Jardim também o soubesse e tivesse noção da necessidade de dotar a equipa de outra dinâmica e outra qualidade de jogo.

3. Não havendo Jardim, a meu ver impõe-se:
a) uma decisão rápida, mas segura, quanto ao substituto (agrada-me o Marco Silva);
b) a identificação do que há a melhorar, não só no plantel mas também no aproveitamento dos jogadores que já temos (e recordo que (i) com os mesmos jogadores o futebol da primeira volta era diferente, para melhor e (ii) temos uma equipa B) e dispensa dos que não queremos (não acredito que o novo treinador queira Magrões, por exemplo);
c) uma reponderação da afirmação clara de uma candidatura ao título, agora que tivemos este revés (que pode não ser um revés, porque até é possível melhorar, mas condiciona seguramente a estabilização de um modelo de jogo, mesmo que não tenhamos que começar do 0).

Bola nos pés de BC e Inácio.

13/05/2014

E nem todos o Bento levou...


Guarda-redes: Anthony Lopes (Lyon), Beto (Sevilha), Eduardo (SC Braga) e Rui Patrício (Sporting)

Defesas: André Almeida (Benfica), Antunes (Málaga), Bruno Alves (Fenerbahçe), Fábio Coentrão (Real Madrid), João Pereira (Valência), Neto (Zenit), Pepe (Real Madrid), Ricardo Costa (Valência) e Rolando (Inter).

Médios: André Gomes (Benfica), João Mário (Vitória FC), João Moutinho (Mónaco), Miguel Veloso (D. Kiev), Raul Meireles (Fenerbahçe), Rúben Amorim (Benfica) e William Carvalho (Sporting).

Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Éder (SC Braga), Hélder Postiga (Lazio), Hugo Almeida (Besiktas), Ivan Cavaleiro (Benfica), Nani (Manchester United), Rafa (SC Braga), Ricardo Quaresma (FC Porto), Varela (FC Porto) e Vieirinha (Wolfsburgo).

Clubites à parte:

- nos guarda-redes, OK, normal que Eduardo dê a vaga a Lopes e Beto seja o número 2;

- nos defesas, tento perceber a preferência pelo André Almeida pela polivalência (o ano passado até a DE jogou) e creio que o Antunes acabará sacrificado (há também a hipótese, menos provável, de apostar no Antunes e deixar o Amorim como plano B na lateral direita);

- nos médios, não entendo, mas não entendo mesmo, que o Adrien não esteja sequer no lote dos 30. Se depois não fosse ao mundial, OK, na boa, até poderiam ir apenas 5 médios. Mas ter o João Mário nos 30 e não ter o Adrien é uma brincadeira ou uma provocação;

- nos avançados, sinceramente, não entendo o Ivan Cavaleiro, que jogou tão pouco, nem o Vieirinha que esteve meio ano no estaleiro. Mas parece que, em Portugal, há certos jogadores que têm que ir à seleção, sim ou sim;

- em geral, só há 4 clubes em Portugal, como todos sabemos... e dois deles têm que lá ter jogadores, sim ou sim. 

Só dois pormenores de clubite: 

Chatice aquilo do Fernando, não foi? Era um argumento tão bom para não levar o William...

- Que descansem bem os que não têm mundial. Pelo que vejo, apenas 2 (eventualmente 3 - Rojo - ou 4 - Slimani) chegarão mais tarde (e mesmo esses poderão nem chegar, com exceção do Slimani).

Não seriam os "meus" 23, mas deverão ser estes os escolhidos: 
Patrício, Beto, A Lopes
J Pereira, F Coentrão, A Almeida, B Alves, Neto, Pepe, Rolando
M Veloso, William, R Meireles, Minorca, R Amorim, A Gomes
C Ronaldo, Nani, R Quaresma, Varela, Eder, Postiga, H Almeida

Eu apostaria seguramente no Rafa, mas enfim...

Porto -Benfica

O jogo do título para os homens de azul e que, ao que parece, conseguiram mesmo conquistar. A foto do titulo tirada ainda no balneário portista confirma as comemorações. Os festejos dos meus amigos do Porto no Facebook e Whatsapp reforçam esta convicção. Felizmente não houve festejos no Marquês. Não faço ideia como foi nos Aliados...

Quanto ao jogo... não faço a mínima ideia. Estava tão interessado neste título que nem me dei ao trabalho de ver o jogo. Derrota por 2-1, o que com tantos suplentes e B's, não foi mau. O que interessava era proteger os titulares de quarta-feira e isso foi conseguido. Apenas os Andrés jogaram. Nem o Markovic que pouco acredito que venha a ser despenalizado jogou de início. Era tão bom um bluff com o Fejsa mas ttambém acho pouco credível que tão longa ausência...

Bom, o que interessa é que já estou a fazer as malas para Turim! O sonho é bem maior que a desilusão da época passada. Que seja desta!

12/05/2014

"Mas é que estava-se mesmo a ver"...

A minha mãe percebe 0 de futebol. Quando estou em casa dos meus pais, só o facto de ver que estamos na sala a ver futebol empurra-a para o escritório, onde fecha a porta para não ter que nos ouvir, sequer, a comentar uma jogada ou festejar um golo. Fá-los nos jogos do Sporting e mesmo nos da seleção. Não tanto pelo jogo em si, que já seria suficiente para a irritar, mas essencialmente - diz a minha mãe - para não ter que nos ouvir.

Uma vez ou outra lá nos ouve. E diz a minha mãe, que não é sportinguista, que o Sporting é um "clube de agoirentos". "Vocês puxam tanto o azar, que ele lá acaba por vir", diz a minha mãe. "Estão sempre a dizer «estava-se mesmo a ver», tantos milhões a desejar que acaba por acontecer".

De certa forma concordo com a minha mãe. Estamos todos tão traumatizados com derrotas inesperadas, golos nos últimos minutos e campanhas europeias desastrosas, que acabamos por ser pessimistas. Duvido é que estejamos a atrair o azar: estamos, na realidade, a ver o que aí vem, porque já o vimos vezes demais. Não consigo explicar isto à minha mãe. Mas desta vez a minha mãe vai perceber.

É que andámos todos, neste final de época, a "fingir" que nada estava a acontecer. Digo "fingir" não por termos tapado o sol com a peneira (aqui e noutros blogs já se diz, de há muito, que jogamos pouco), mas apenas porque não entrámos na onda masoquista que, reconheço, habitualmente nos acompanha (basta ver que a meio da época passada muitos de nós acreditavam que era possível descer de divisão - eu incluído). Ninguém escreveu a verdade toda, ninguém disse tudo o que pensava, ninguém quis "atrair o azar".

Mas, lá está, estava-se mesmo a ver que ia dar nisto, mais tarde ou mais cedo. A descompressão não explica tudo porque como diz, e bem, Leonardo Jardim, aqueles jogadores representam o Sporting. E apesar de tudo estava em causa um objetivo importante: terminar sem derrotas em casa.

Claro que teria que acontecer, um dia, o Jardim tirar o Carrillo antes do intervalo; teria que acontecer, um dia, o Adrien falhar um penalty; teria que acontecer, um dia, perder em casa. E aconteceu, tudo no mesmo dia. Aquilo que agora sabem os adeptos, os jogadores, os treinadores e os dirigentes é que com derrotas, mesmo a feijões, vem tudo o resto. Desde prestações tristes nas conferências de imprensa, a desencontros de posições em que todos passam a reparar. É fácil ir lá depois de ganhar, mesmo jogando mal. Difícil é lá ir quando se perde, mesmo jogando bem (e nem foi o caso).

No demais, digo apenas duas coisas:

- o Sporting tem que jogar muito mais do que jogou ontem... e nos últimos 3/4 meses, não foi só ontem. Preferia que o fizesse com Jardim, pelas razões referidas no post que abaixo linko;

- leiam AQUI tudo o que penso sobre tudo isto e tinha vontade de escrever. Não escrevo porque alguém teve forças para o fazer, e muito bem, antes de mim. À imagem dos que ontem se apresentaram em campo, também eu por vezes cedo à preguiça.

PS: O Marco Silva é um excelente treinador, sem dúvida o melhor em Portugal abaixo dos 3 grandes.

08/05/2014

Manter a confiança lá em cima

Este post vai ser muito resumido porque todos nós benfiquistas já só pensamos numa coisa: na final de Turim! E se este jogo já era suficientemente importante pelo troféu em si, era ainda mais pela necessidade de manter a confiança da equipa em alta. E com a vitória por dois zero, foi claramente conseguido.

Entrada muito forte e surpreendente do Rio Ave que se podia ter mesmo adiantado no marcador,  não fosse a enorme defesa de Oblak que valeu tanto como um golo. Pensava que a titularidade nas taças seria para Artur mas ao contrário do que diz, Jesus também acha que as finais são para ganhar. E nesta fase, Oblak faz mesmo toda a diferença. Depois o Benfica equilibrou o jogo, teve mais posse de bola, também podia ter marcado mas as arrancadas de Markovic teimavam em falhar. O golo de canto, antes do intervalo, derrubou o Rio Ave e a segunda parte foi toda nossa. Grandes oportunidades, domínio total e depois mais um golo de bola parada e mais oportunidades falhadas. Sem margem para dúvidas.

Não houve um jogador claramente em destaque. Ganhou o colectivo.  E continuou a ganhar o colectivo quando Luisão ofereceu a honra de levantar a taça a Sílvio. Grande gesto!

Foi bom mas esta nem dá para comemorar muito. Só penso em Turim. Os bilhetes já estão comprados depois de uma maratona de oito horas, por turnos, encurralados como gado debaixo de um sol fortíssimo. Não é assim que se tratam os sócios que depois se pretendem captar com campanhas massivas para chegar aos 300 mil. A escassez de bilhetes era conhecida. O procedimento com os nomes, BI e data de nascimento também. Deviam ter percebido que o tempo de atendimento por "cliente" (hesitei se colocava as aspas ou não) seria elevado e assim reforçado o número de bilheteiras ou o procedimento (listagem,senhas ou algo do género que evitasse as horas em pé, numa fila e ao sol).

Mas isso agora já passou! Depois de uma época de desilusão extrema podemos ser compensados através de uma época épica! Eesse desfecho passa exclusivamente por Turim. Contamos com Eusébio e Coluna para barrarem e derrubarem a maldição!


07/05/2014

Porque há mais uma aposta a correr!


Sim, eu perco apostas mas insisto nelas. A silly season está a chegar e tem muito mais graça com alguma adrenalina à mistura. E as apostas sempre são um pretexto para almoçar com amigos e falar de bola.

Além de que todos gostamos do exercício especulativo abaixo reproduzido.

Então é assim:

Mesmo assumindo as vendas de Patrício, Rojo,William e Capel (e a descida de divisão do Catania), apostei que não seriam contratados mais do que 6 jogadores para a equipa A. Basta a entrada de um sétimo e lá estou eu a arcar com a almoçarada.

Uma nota quanto à equipa B: para além dos que são óbvios (incluídos abaixo), poderá haver outros que entretanto tenham condições para subir à equipa A. Reconheço que não conheço suficientemente os jogadores para dizer se estão ou não preparados. Mas não me chocaria que algumas das vagas fossem ocupadas por jogadores da equipa B (Wallyson e Dramé têm estado em destaque, Iuri Medeiros é um jogador a quem se antevê grande futuro).

Mas eu aposto num máximo de 6 contratações, não em 6 contratações. E esquecendo agora a aposta, a subida de alguns deles seria não só aceitável como lógica se pensarmos que foram renovados mais de 20 contratos, precisamente a pensar numa aposta mais vincada na formação.

Isto dito, eu acho que não andará longe disto:

GR: Boeck + 1

DD: Cedric + Esgaio (pelos vistos está claro que será DD)

DE: Jefferson + 1

DC: Dier, Maurício, Semedo + 1

MD: Rinaudo + 1

MC: Adrien + João Mário

MO: André Martins + Vítor + Chico Bala

EXT: Carrillo + Heldon + Mané + 1

AV: Montero + Slimani + 1

24 jogadores, 6 contratações para a equipa A.

Daqui decorrem as dispensas de Welder, Magrão e Wilson Eduardo (que até poderia ficar numa lógica de ter mais uma opção que servisse tanto para os flancos como para o centro do ataque, a jogar com 2 AV - mas teria que aceitar este papel de última opção e provavelmente jogar na equipa B, o que creio não fazer sentido porque tem "mercado" nos clubes abaixo dos grandes).

E decorre também a "desconsideração" de jogadores como Cissé, manifestamente ainda com muito caminho para pedalar.

Já agora, e numa lógica FM, no mercado nacional podem ser considerados os seguintes nomes (todos considerados como opções e não titulares indiscutíveis): José Sá, Ricardo, Adriano, Matt Jones, Djavan, Ruben Ferreira, Danilo, Ghazal (estes até poderiam ser titulares mas o Rinaudo que vi noutro dia com a Roma fez-me lembrar o Rinaudo que chegou em 2011 e espero que seja esse o de 14/15), Bebé (sim, sei que é meio abrutalhado mental, mas tem imenso potencial), Rafael Martins, Derley.

Não me refiro a jogadores (de qualidade, nem discuto) como Paulo Oliveira, André Leão ou Ricardo Horta porque me parece que para as posições em causa o Sporting precisaria de aspirantes a titular indiscutível, o que não seria o caso destes jogadores.

E não me refiro a Rafa ou Eder porque o Sporting não tem capacidade para comprar ao Braga, considerando os valores que o Braga tem praticado nas suas vendas nos últimos anos. Agora, não deixo de me perguntar se o Alan ainda viria a tempo de dar uma perninha...

Está lançada a aposta mesmo antes de acabar o campeonato. Depois atualizo. O essencial é que o BC perceba que as suas opções, para além de determinantes para a época 14/15, são também determinantes para um sócio, acionista, titular de Lugar de Leão, subscritor do jornal e regular cliente da Loja Verde. Agradeço antecipadamente a consideração pelo meu orçamento mensal.

05/05/2014

Parece que jogámos com o Nacional

E jogámos mesmo!

Empatámos 1-1 e foi um jogão de parte a parte.

Futebol ofensivo e envolvente, golos de primorosa execução técnica, um espetáculo a que deu prazer assistir.

A quem perdeu o jogo, recomendo vivamente as gravações automáticas porque valeu mesmo a pena.

Nota de destaque: Gerson Magrão. Um craque de méritos indiscutíveis. Sim, pode perfeitamente fazer o lugar do Enzo Pérez e nem pedimos muito em retorno: troca por troca com o Urreta e está feito o negócio.

03/05/2014

Com o Sven a sofrer

Parece que já começa a ser um hábito. Jogos épicos (nas várias competições), com muito sofrimento, a jogar muitos minutos com um jogador a menos (neste caso chegaram mesmo a ser dois) mas no fim, um enorme sorriso e imensa euforia. Alguns dizem que assim até sabe melhor. Pessoalmente dispenso a parte do sofrimento, não sou muito dado a masoquismos e prefiro passar um jogo inteiro em clima de festa. No entanto, nesta segunda mão com a Juventus, teve mesmo que se sofrer, depois sofrer mais um bocado e antes do final, sofrer ainda mais.

O jogo começou bastante bem para o Benfica. Foi um prazer ver aquela entrada com personalidade bem vincada,  sem se intimidar com o estádio (grande frase de Jesus na antevisão do jogo quando questionado se temia o ambiente em Turim "Ambiente? Estamos habituados a jogar no Estádio da Luz!"). Foi a melhor fase do Benfica e depois nunca mais se aproximou deste nível. Boas trocas de bola, velocidade, a desequilibrar nas alas e a levar perigo à baliza de Buffon. Foram apenas 10 ou 15 minutos e depois apenas dois lances esporádicos de Rodrigo. Nada mais. A partir daqui só deu Juventus, com o Benfica a tentar fechar os caminhos para a baliza e a não conseguir sair em contra-ataques rápidos e com perigo (com excepção de um dos dois lances de Rodrigo que já referi). O meu destaque positivo vai mesmo para a excelente organização defensiva onde Luisão esteve irrepreensível,  acompanhado por Garay, Siqueira (este homem está com uma pedalada brutal!!!) e Amorim e um Oblak, mais frio que um iceberg, que dá uma segurança impressionante nas bolas pelo ar e em que a bola molhada não é uma dificuldade acrescida (excelente decisão de Jesus). Mais uma vez reforço, há um grande mérito na forma como Jesus trabalhou esta equipa no plano defensivo e que foi decisiva para a forma como esta época está a terminar. Destaco, no plano negativo, a incapacidade ofensiva que o Benfica apresentou durante quase todo o jogo. Tenho a impressão que não vi o Lima durante largos períodos do encontro e os restantes elementos da frente também acrescentaram muito pouco a nível ofensivo (a defender tenho a certeza que trabalharam e muito!). 

Do que vi na primeira mão e depois neste jogo, e sei que isto vai chocar muitos dos que sofreram como eu, acho que a melhor equipa ficou pelo caminho. E não estou a confundir plantel com equipa. Acho que foi melhor equipa em jogo jogado (adoro esta expressão). Mais forte defensivamente e mais forte ofensivamente. Marcou menos um golo porque o Benfica teve imenso mérito mas causaram sempre mais perigo e com um pouco mais de sorte teriam mesmo marcado em Turim e também na Luz. Acho que o Benfica tem equipa para fazer mais mesmo contra uma grande equipa como a Juventus. E acho que não me estou a pôr a jeito para levar com a habitual "Mas ó anti-Jorge Jesus, preferias jogar bem e perder o jogo?!".(a resistência a ideias contrárias ao clima de festa pode ser tramada...). Até considero que o Benfica deveria ter jogado com um só avançado pelo que concordo claramente com a ideia de primeiro fechar a baliza e só depois perceber se conseguimos chegar às redes contrárias. Teríamos evitado tantas bolas junto à nossa grande área se tivéssemos mais um homem no miolo talvez conseguíssemos mais espaços para os extremos. Só isso. No entanto, reforço que o Benfica tem todo o mérito em passar à final, pelo que lutou mas também pelos bons golos e mesmo por um penalty roubado na primeira mão.

Agora que venha a final e o fim da maldição de uma vez por todas! Ao contrário da final do ano passado e mesmo desta meia final, não vamos encontrar nenhum tubarão pelo que é jogar com toda a concentração do mundo, como numa final (ao contrário de Jesus não acho que uma final seja igual a qualquer outro jogo) e que o talento e qualidade dos jogadores do Benfica venha ao de cima. A viagem está comprada, o hotel marcado e o carro reservado. Só faltam 8 dos 6.850 bilhetes para mim e para alguns dos que normalmente partilham comigo esta devoção que não se explica. Será certamente bastante diferente de ver este jogo em Londres, num bar sueco, em que o resto do pessoal está mais preocupado com as pints e conversa e sem som na televisão. Pelo menos estava na mesa do Erickson com a foto e assinatura dele e foi assim mais um a sofrer.



Vamos a eles Benfica, atacar este sonho do outro mundo que parecia tudo menos possível há praticamente 12 meses atrás!!


"Não há nada comparável ao Benfica" (Marcelo Rebelo de Sousa)