08/04/2014

O negócio possível?


As ideias estão algo confusas, mas parece-me que é assim:

1. Ainda que eu tenha sido o maior crítico das prestações de Elias logo no seu primeiro ano em Alvalade, a contratação deste jogador foi daquelas que eu aceitei que provavelmente também faria. Refiro-me, como é óbvio, à contratação em si, não necessariamente aos valores envolvidos. Ou seja, em tese, contrataria um jogador com aquele estatuto e com aquele percurso, naturalmente admitindo capacidade para o contratar.

2. Aquele Elias que chegou em 2011 entrou muito bem no 11 do Sporting e fez 1/3 de época bastante aceitável. Ainda assim, para o que prometia, sempre ficou abaixo das minhas expetativas. Porquê? Porque aquilo que vi Elias fazer poderia ser feito por muitos outros jogadores, não necessariamente internacionais brasileiros, não necessariamente contratados ao Atletico de Madrid, não necessariamente contratados por aquele valor, não necessariamente com um salário tão elevado.

3. Mas este juízo sobre o rendimento do jogador, feita da forma que referi, e muito embora inevitável, é profundamente injusto. Elias não tem culpa de ter sido envolvido numa das habituais negociatas com o Atletico de Madrid; não tem culpa do valor que pediram por ele; não tem culpa do valor que aceitaram pagar por ele; e não tem culpa de ter aceite o salário que lhe ofereceram.

4. Isto dito, e tentando esquecer o que custou e o que ganhava, digo apenas que Elias, tirando esse 1/3 de 2011/2012, nunca foi um jogador que eu sentisse que estava de corpo e alma no Sporting. Nunca foi um jogador que eu visse que estava a trazer algo à equipa que a equipa não tinha. E nunca foi um elemento da equipa que efetivamente fizesse a diferença.

5. De qualquer forma, fui dizendo, quer no início de 2012/2013, quer no início desta época, que entendia que o MC do Sporting precisava de um médio tipo Elias, mas com vontade. O que significa que via em Elias qualidades que um enquadramento correto e uma motivação adequada poderiam potenciar, em favor do Sporting.

6. Uma vez que essas qualidades não eram visíveis em campo, e considerando que ganhava muito acima das possibilidades do clube, era evidente que tinha que sair. Não me vou pronunciar sobre o processo negocial porque é também evidente que o que vem a público não abrange todos os detalhes de uma negociação. Mas confesso que às tantas começou a ser penoso perceber que o Elias estava naquela situação, sem fim à vista.

7. O Elias acaba por sair por metade do valor que pagámos. Aquilo que antes era criticado, e bem criticado (anunciar a poupança salarial com um jogador), começou a ser prática corrente (e mal). Todos sabemos que não foi um bom negócio. Mas a mim, nestas situações, não me incomodam maus negócios - incomodam-me "não negócios". Elias até ao fim da temporada seria um não-negócio com graves prejuízos para o Sporting. Assim, foi o negócio possível, que acaba por minimizar prejuízos.

4 comentários:

  1. Boa tarde Koba,

    Os 4 Milhões foram pelos nossos 50% do passe, assumindo que pagámos os 8.85 pelos 100% e mais tarde vendemos 50% ao QFIL por 3,85 (uma ou duas semanas depois de chegar, uma desvalorização bem jeitosa para o tempo que decorreu) portanto não entendi onde diz que recebemos metade do valor que pagámos.

    Com isto não estou a dizer que foi um negócio soberbo, porque não foi, apelido exatamente como tem no título, um negócio possível e uma tentativa de minimização de estragos.

    Abraço

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  2. Gonçalo,

    Tem razão, não fui claro. Aliás já tive que corrigir um comentário meu noutro local... hoje não ando mesmo a acertar nos números!

    As minhas contas são as seguintes: pagámos 8M€ + 4M€ em salários (estou a fazer a conta aos tais 200k/mês X 20 meses, ou seja, excluindo o período de empréstimo), recuperámos 8M€ entre o que vendemos ao fundo e ao Corinthians (contas por alto).

    O prejuízo total é de 4M€ pelo que recebemos 2/3 do que pagámos, e não metade.

    Perguntar-se-á porque estou a considerar os salários pagos. Simplesmente porque o relevante da transação são os salários poupados, como o próprio comunicado pretende fazer crer.

    Se considerarmos apenas os valores da transferência, o prejuízo cifra-se em 200k€, mais coisa menos coisa.

    Abraço

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  3. Koba. Fazendo ess raciocinio os salários poupados tambem deviam ser considerados. Não percebo o porque de incluir apenas os salarios pagos nas contas.
    De resto e apesar de concordar que tinha que sair, acho que merece um desconto pois os salários em atraso eram de facto um problema grave que prejudica sempre os rendimentos profissionais. Mas concordo com grande parte do que aqui foi dito. Toda a restante novela foi revoltante!

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  4. Anónimo,

    A questão é pertinente e passo a explicar. Aliás, aproveito para justificar porque considero absurdas as referências às poupança salariais.

    Do ponto de vista financeiro, houve efetivamente essa poupança. E é claro que aquilo que deixamos de pagar constitui uma almofada que podemos usar com outros recursos.

    Mas no futebol esse raciocínio é muito complicado. Porque o que deixamos de gastar com o Elias, podemos usar para gastar com jogadores que também não resultem e que também venham a constituir prejuízos para o clube.

    Ou seja, essa "poupança" pode ou não vir a ser uma realidade. Se acabarmos por contratar um Elias II, com resultados equivalentes, vamos passar a vida a fazer "grandes negócios" porque depois os despachamos (abaixo do preço de compra) mas poupamos os salários (que nós próprios oferecemos, é bom lembrar).

    Por isso, um pouco ao arrepio de uma lógica puramente financeira, o que é factual é o seguinte:
    - o Sporting suportou 8.85M€ com a aquisição;
    - desses 8.85M€, 3.85M€ foram recuperados com uma transferência (50%) para um fundo;
    - o Sporting suportou o salário do jogador por um período de aproximadamente 20 meses (4M€);
    - o Sporting transferiu o jogador por 4M€.

    A poupança, veremos. O Bettencourt, se bem se recorda, também ia poupar com o salário do Liedson. Mas considerando o que gastou noutros disparates, mais valia lá ter mantido o Liedson...

    Já agora, uma nota adicional: normalmente ninguém considera os salários pagos porque obviamente esses salários têm um retorno: o rendimento do jogador. Reconheço que o raciocínio é algo perverso, mas no caso do Elias, tendo em conta o seu rendimento individual e o da equipa (o melhor que fizemos foi uma 1/2 final da Liga Europa, competição em que o Elias nem inscrito estava), considero que o valor dos salários foi praticamente a fundo perdido...

    Isto dito, como muito bem alguém resumiu num comentário noutro blog: a venda realizada anteontem foi um bom ato de gestão; todo o negócio Elias, globalmente considerado, é um mau negócio.

    SL a todos

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