28/04/2014

Equipas B e golos sofridos

Uma nota comum às equipas B que atuam na II Liga: o enorme número de golos sofridos.

O Porto B sofreu 40, o Benfica B 54 e o Sporting B 49.

Posso estar enganado, mas parece-me o resultado lógico do "desinteresse" pela competição. Entre aspas porque o interesse competitivo existe sempre, quanto mais não seja porque há um título - o de campeão - em disputa (mesmo que não seja premiado com a subida, por motivos óbvios). Mas ao longo do percurso, a mensagem de que o objetivo é (muito) mais do que ganhar os jogos, poderá ter este efeito negativo.

Isto na teoria, claro... quem jogou futebol, mesmo nos torneios All Stars da vida, sabe que ninguém dá sequer 1 golito de barato. Mas a relevância do subconsciente é determinante num profissional: lá no fundo, eles "acreditam" que o resultado é o menos importante.

Reconheço que o último jogo do Sporting B, atendendo às crónicas, contraria a suposta conclusão lógica: estando o Sporting a vencer por 3-0, quis defender o resultado, recuou as linhas e fez todas as substituições que os livros dizem para não fazer. Acabou empatado mas não por desinteresse no resultado, antes por má gestão do mesmo. Será, porventura, a exceção que confirma a regra?

No caso do Sporting B, que conheço mal mas ainda assim melhor do que os restantes, poderá estar relacionado com outros fatores, uma vez que foi o setor menos estável da equipa B:
- inclusão inicial de Welder e até Turan (ainda que por pouco tempo, valha a verdade);
- inexistência de opções de raiz (com qualidade) para as laterais (diz-me quem os conhece bem);
- utilização regular de Dier (que treina com a equipa A);
- alguma aparente indecisão na dupla de centrais mesmo quando Dier estava na equipa A (pode ter sido coincidência, mas sempre que ia ver o 11, a dupla de centrais era diferente da que tinha visto anteriormente).

Mesmo considerando que no futebol moderno todos têm que defender, convenhamos que a rotina de uma linha defensiva é relevante. Não há campeões sem boas duplas de centrais, por exemplo. Por muito que toda a equipa esteja preparada para defender de uma certa forma, não é igual ter Luisão e Garay ou Jardel e Steven Vitória, como é evidente.

Ainda assim, sendo o fenómeno transversal às restantes equipas B, aposto mais na conclusão inicial. O que eventualmente significará o repensar da forma como esta mensagem está a passar. Porque parece evidente - e, repito, o fenómeno é transversal - que há algo que não está a funcionar a 100%.

PS: Curioso verificar que as equipas que se perfilam para subir/disputar a liguilha (Moreirense, já promovido, Penafiel e Aves) têm poucos golos sofridos, em comparação. Mas Portimonense e Chaves, ainda com hipóteses matemáticas, têm, respetivamente, 45 e 54 (!) golos sofridos (no caso do Chaves, tem 55 golos marcados, pelo que existe ainda a hipótese, meramente académica, de o Chaves atingir o acesso à liguilha com uma diferença negativa de golos).

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