29/04/2014

Platini convocado e já a jogar!


Com 10 nos entendemos

A minha grande dificuldade a escrever este post passa pela dualidade de sentimentos que este jogo me provocou. Ainda para mais quando os sentimentos positivos (de euforia mesmo) foram substancialmente mais fortes que os negativos. E que Jesus é o culpado dos negativos mas também o grande responsável pelos positivos. Sendo assim, como me posicionar neste post? Mais uma vez, não deixando de apontar os erros que na minha perspectiva ocorreram mas sublinhando desde já que o treinador tem muito mérito como ensinou esta equipa a defender, a não baixar os braços e a enfrentar a adversidade com os dentes cerrados e confiança.

Começo pelos erros já que até à entrada de Garay aos 37 minutos devido à expulsão de Steven Vitória, só deu Porto e apenas por um misto de sorte e incompetência do adversário é que o Benfica não se viu a perder por um ou mais golos:
- com a equipa alternativa que se exigia, jogar com dois avançados no Dragão foi uma imbecilidade (à semelhança da primeira mão da Taça de Portugal e que parece que não serviu de lição);
- jogar com a equipa alternativa, com dois avançados e um deles o Cardozo ainda mais imbecil foi (não se percebe esta teimosia com um elemento que actualmente é um corpo completamente estranho na equipa). Bastava ser apenas ele o avançado e jogar com o apoio de Djuricic e já não me fazia qualquer confusão;
- assim era ver constantemente André Gomes e Amorim a subir para fechar as subidas de Fernando e dos defesas que não sofriam a pressão habitual da dupla Rodrigo e Lima e depois Herrera e Defour apareciam soltos na frente para assistir Jackson.

Com a entrada de Garay a defesa estabilizou e com Sulejmani e Cavaleiro a abdicarem de praticamente atacar, os laterais do Porto também pouco espaço tiveram para desequilibrar. Uma nota para a exibição desastrada de Steven Vitória e que lhe deverá ter valido o guia de marcha para a próxima época. A partir daqui foi um Benfica que, sem esquecer que era um Benfica B, deu gozo de ver jogar no Dragão. Com garra e "querença" (esta é à Jesus), não permitindo praticamente ocasiões de golo ao Porto e com um Oblak que não dava hipóteses pelo ar. A saída de Lima em vez de Cardozo foi uma excelente decisão de Jesus, mesmo que tivéssemos perdido.

- Grande jogo do André Almeida. Sem ligar aos espasmos do Quaresma e com grande disponibilidade física (a substituição de Quaresma é hilariante! Aquele ar de "Eu?! Com tanta merda em campo eu é que saio?!" Deve ser tão bom para o balneário...;
- Grande entrega de Cavaleiro. Poder físico e velocidade. Para mim, sempre à frente de Sulejmani como alternativa para as alas. Foi pena não ter aproveitado aquele contra-ataque conduzido pelo Enzo;
- o Jardel é excelente. Parece ser um elemento importante no balneário, responde sempre em grande nível quando é chamado e apesar da voz trémula ainda tem piada nas entrevistas;
- grande, grande Sequeira. Tirando as paragens cerebrais nas expulsões que já teve, é o defesa esquerdo que precisávamos. Espero que ainda tenha pulmão e pernas para quinta;

Os penaltys ainda ajudaram a que jogo fosse mais épico ainda, com o Benfica a falhar primeiro por duas vezes mas com o Porto a seguir a não fazer melhor. Por fim, uma festa de todo o tamanho que nem eu próprio estava à espera de fazer nesta Taça da Liga. Aos 75 minutos partilhava com amigos que já era uma vitória ver um Benfica B jogar assim com 10 contra o Porto. No final do jogo e antes dos penaltys já agradecia tamanha exibição no facebook. Depois os penaltys foram "só" a cereja no topo do bolo. Sim, agora já todos sonhamos com o triplete para minimizar a época passada. Para compensar todo o sofrimento da época passada precisávamos de um docinho mais.


Como agradecimento aos bravos que se deslocaram ao Dragão, a Direcção do Benfica deveria fazer questão de lhes oferecer os bilhetes para a final!

Vamos embora Benfica. Juventus é de dificuldade muito elevada mas é possível!
      

28/04/2014

Equipas B e golos sofridos

Uma nota comum às equipas B que atuam na II Liga: o enorme número de golos sofridos.

O Porto B sofreu 40, o Benfica B 54 e o Sporting B 49.

Posso estar enganado, mas parece-me o resultado lógico do "desinteresse" pela competição. Entre aspas porque o interesse competitivo existe sempre, quanto mais não seja porque há um título - o de campeão - em disputa (mesmo que não seja premiado com a subida, por motivos óbvios). Mas ao longo do percurso, a mensagem de que o objetivo é (muito) mais do que ganhar os jogos, poderá ter este efeito negativo.

Isto na teoria, claro... quem jogou futebol, mesmo nos torneios All Stars da vida, sabe que ninguém dá sequer 1 golito de barato. Mas a relevância do subconsciente é determinante num profissional: lá no fundo, eles "acreditam" que o resultado é o menos importante.

Reconheço que o último jogo do Sporting B, atendendo às crónicas, contraria a suposta conclusão lógica: estando o Sporting a vencer por 3-0, quis defender o resultado, recuou as linhas e fez todas as substituições que os livros dizem para não fazer. Acabou empatado mas não por desinteresse no resultado, antes por má gestão do mesmo. Será, porventura, a exceção que confirma a regra?

No caso do Sporting B, que conheço mal mas ainda assim melhor do que os restantes, poderá estar relacionado com outros fatores, uma vez que foi o setor menos estável da equipa B:
- inclusão inicial de Welder e até Turan (ainda que por pouco tempo, valha a verdade);
- inexistência de opções de raiz (com qualidade) para as laterais (diz-me quem os conhece bem);
- utilização regular de Dier (que treina com a equipa A);
- alguma aparente indecisão na dupla de centrais mesmo quando Dier estava na equipa A (pode ter sido coincidência, mas sempre que ia ver o 11, a dupla de centrais era diferente da que tinha visto anteriormente).

Mesmo considerando que no futebol moderno todos têm que defender, convenhamos que a rotina de uma linha defensiva é relevante. Não há campeões sem boas duplas de centrais, por exemplo. Por muito que toda a equipa esteja preparada para defender de uma certa forma, não é igual ter Luisão e Garay ou Jardel e Steven Vitória, como é evidente.

Ainda assim, sendo o fenómeno transversal às restantes equipas B, aposto mais na conclusão inicial. O que eventualmente significará o repensar da forma como esta mensagem está a passar. Porque parece evidente - e, repito, o fenómeno é transversal - que há algo que não está a funcionar a 100%.

PS: Curioso verificar que as equipas que se perfilam para subir/disputar a liguilha (Moreirense, já promovido, Penafiel e Aves) têm poucos golos sofridos, em comparação. Mas Portimonense e Chaves, ainda com hipóteses matemáticas, têm, respetivamente, 45 e 54 (!) golos sofridos (no caso do Chaves, tem 55 golos marcados, pelo que existe ainda a hipótese, meramente académica, de o Chaves atingir o acesso à liguilha com uma diferença negativa de golos).

27/04/2014

Na cabeleira de Jesus

Se fosse eu a escolher o 11 para o Dragão:

- Oblak
- Cancelo
- Jardel
- Vitória
- André Almeida
- André Gomes
- Amorim
- Djuricic
- Cavaleiro
- Sulejmani
- Funes Mori

25/04/2014

Não vai ser fácil...

Num jogo em que o Benfica teve o brinde/mérito de começar o jogo logo a ganhar, considero que perdeu a oportunidade de viajar para Turim com um resultado bem mais confortável. Nem que fosse o 1-0. Culpa do poderio da Juventus? Também. Esta é provavelmente a segunda melhor equipa com que o Benfica jogou esta época e também a segunda equipa com o plantel mais caro. Praticamente tri-campeão italiano e isso já diz muito. Sendo assim, uma vitória por 2-1 não deixa de ser um excelente resultado. Se eu acho que podia ter sido melhor? Na minha opinião, podia. 

Poderão dizer que estou outra vez na perseguição a Jesus mas há coisas que simplesmente não consigo entender. Amigos meus dizem que não sabemos o que se passa nos treinos e outras limitações que não vêm a público mas para o que vejo nas quatro linhas, há coisas simplesmente absurdas. Para começar, jogar apenas com 10 num jogo destes não tem explicação. Mas quem é que no seu perfeito juízo colocaria Cardozo a titular?! Estava no onze inicial mas de facto não se viu em campo. Depois, a ganhar 1-0 e com a Juventus a encostar o Benfica às cordas demorou uma eternidade a mexer na equipa. Durante a primeira parte, o Benfica ainda fez uma boa exibição. Circulou bem a bola e ainda teve uma grande oportunidade que Sulejmani desperdiçou. E aqui entra, para mim, outro equívoco de Jesus. Apostava que esta seria a aposta para render Gaitán mas apenas pelo histórico. Não percebo como se deu tantas oportunidades a um jogador como o sérvio enquanto Cavaleiro foi encostado para a B (depois de ser chamado à seleção). O Sulejmani, à imagem de Nolito de quem o treinador nada gostava, não tem capacidade física para participar num jogo deste nível. Notou-se bem a diferença nos escassos minutos em que o jovem português esteve em campo. Com a boa exibição que o Benfica ia fazendo na primeira parte, acredito que com Lima tudo tivesse sido melhor.



Como dizia, durante toda a segunda parte estava à espera do golo da Juventus a qualquer minuto. O meio campo do Benfica era um deserto. Enzo subia para tapar (e com sucesso) as ações de Pirlo enquanto André Gomes tinha que desviar para a linha para fechar as diagonais de Pogba. Resultado: ninguém no meio-campo. Como André Gomes não prima pela velocidade, o facto de chegar mais tarde à zona de Pogba fazia com que fizesse a marcação já com o francês com a bola controlada e daí as dificuldades evidentes (completamente diferente da sua zona de acção no jogo com o Porto). Quando Jesus finalmente mexeu na equipa, só ele deve ter percebido. Queria que tirasse Cardozo para colocar mais um elemento no meio campo. Percebi depois que André Almeida ia entrar mas era Sulejmani a sair. Para mim fazia algum sentido André Almeida, rotinado a lateral, ajudar a fechar Pogba. Não, foi mesmo o super rápido André Gomes que foi para a ala. Brilhante.
Depois com Lima a equipa melhorou e com Cavaleiro encontrou-se. Marcou um golo e podia ter marcado mais dois por Markovic e Cavaleiro (e um penalty por marcar?). Porém, a Juventus também continuou a criar grande perigo junto à baliza de Artur e também podia ter marcado.

Grande exibição dos defesas, com destaque para Garay e Sequeira (fiquei com a sensação que a lentidão do Maxi teve alguma culpa no lance do golo…). Para Itália, só o onze normal do Benfica, sem invenções poderá dar alguma esperança e até preferia começar com um só avançado (Lima) mas não acredito que Jesus vá nesta…

Contra o Porto, espero que não jogue um único titular. O cansaço físico do Benfica acho que foi bem evidente na segunda parte e a hipótese de chegar à final europeia é bastante mais importante que uma final da Taça da Liga.

24/04/2014

Champions

Uma vez que agora já se pode dizer que o Mourinho, nos últimos anos, passou de Sacchi a Materazzi (pai, já se vê...), queria apenas fazer alguns comentários sobre a jornada da Champions:

- o Real-Bayern foi um jogo de meias-finais da Champions; o Atletico-Chelsea, em comparação, parecia um derby siciliano disputado numa liguilha para não descer de divisão ;

- o Atletico de Simeone faz o que pode e acho um milagre estarem onde estão (em Espanha e na Europa) com aquela equipa; quando vemos o crescimento do Atletico, é impressionante concluir que, no percurso, serviram-se da contratação de grandes craques, por valores exorbitantes (basta pensar em Falcão) mas hoje têm uma equipa que, sendo muito boa, não tem um só nome que, há 1 ano, fosse considerado um jogador de top;

- o Real do Ancelotti até pode não jogar mais do que o do Mourinho; mas, em compensação, o Coentrão joga mais, o Benzema joga mais e o Modric joga muito mais;

- posso não perceber nada de bola, mas percebo ainda menos como é que, depois de uma derrota por 1-0 no Bernabéu, toda a equipa do Bayern fica em cheque... eu seria mais prudente nas análises porque há uma segunda mão para jogar e vamos ver se não dão a volta (espero que não: este ano, não sei bem porquê, e pela primeira vez na vida, gostaria que o Real ganhasse a Champions).

23/04/2014

Manel e Francisca, isto é o Benfica!


Achei por bem começar este post pelo motivo que me levou a desaparecer do Fa3 por umas boas semanas. A chegada da menina à família, juntando-se assim ao irmão de 2 anos e meio, levaram a que todo o meu tempo disponível lhes fosse dedicado (na medida do possível e das minhas limitações) assim como para dar algum suporte a um desempenho de verdadeira heroína da mãe. Digamos que eu me sinto o Cardozo que toca esporadicamente na bola e mesmo assim parece que anda sempre cansado enquanto a mãe parece o Enzo com um pulmão incrível e que não sabe jogar mal. Desta forma, já me dei por satisfeito por, pelo menos ter sido possível ver sempre os jogos do Benfica. O resto, com muita pena minha mas sem arrependimento, teve mesmo que ir ficando para trás. Peço desculpa a todos os meus dois leitores: ao meu colega de escrita sportinguista Koba que foi mantendo a loja aberta (o gajo do Porto deu de fuga há alguns meses antecipando talvez o desfecho desta época) e a minha mãe. Olhando para os jogos do Benfica que passaram entretanto, parece que foram largos meses. É o que dá ter o Benfica em todas as frentes e com dois jogos por semana.

Resumo muito mas mesmo muito sintético deste interregno:

Benfica-Tottenham
Equipa alternativa a ser suficiente para os ingleses e no final, quando nada o fazia prever, ainda teve tempo para apanhar dois valentes sustos.


Benfica – Académica
Vitória segura e sem sobressaltos de quem sabia o que tinha que fazer. As trocas de bola e as jogadas desde a defesa e a passar por vários jogadores foram uma constante e um regalo para quem gosta de bom futebol.


Porto – Benfica
No grande mérito que Jesus tem esta temporada, neste jogo viu-se o pior de Jesus. O 4-4-2 está a funcionar mas não funciona com qualquer onze. Numa primeira mão, em que não precisava de ganhar e com rotação de jogadores, impunha-se uma estratégia mais defensiva com Cardozo sozinho na frente. Foi um resultado muito simpático para o Benfica e que permitiu alimentar esperanças para a segunda mão.

Braga – Benfica
Jesus disse que era uma final e os jogadores assimilaram a mensagem… em demasia. Contra um fraco Braga, o Benfica jogou muito pouco e desistiu praticamente de jogar depois de se colocar em vantagem. Preferia ter empatado e jogado bem?! Claro que prefiro ganhar mas não foi um jogo de campeão.


Az – Benfica
Holandeses fraquitos e o bom Benfica da Liga Europa a continuar, mesmo com rotação de jogadores.



Benfica – Rio Ave
Umas das melhores exibições do Benfica desta época. Futebol espectacular, sem dar a mínima hipótese a uma equipa que vinha apresentando bons resultados fora de portas. Esta foi a exibição que convenceu os adeptos, mesmo com todos os traumas da época passada, que o 33º não fugiria desta vez.



Benfica – Az
Holandeses fraquitos e o bom Benfica da Liga Europa a continuar, mesmo com rotação de jogadores parte II


Arouca – Benfica
No mini Estádio da Luz, mais uma exibição para não deixar dúvidas quanto ao próximo campeão nacional.


Benfica – Porto
O jogo da época até ao momento e só ultrapassável por uma eventual final europeia. Este jogo terá que receber umas linhas adicionais mais à frente.


Benfica – Olhanense
A festa do título! Sim, ainda nos lembrámos do jogo com o Estoril várias vezes durante os primeiros 45 minutos. Traumas são traumas. Mas é uma tal diferença qualitativa que, por mais falhanços que acontecessem, só um descalabro evitaria o levantar da Taça. Salvio conseguiu roubar a Sílvio o título de jogador mais azarado do plantel…


 Poderiam pensar que o Benfica que fiz questão de apresentar aos meus filhos, era o Benfica da festa, a gritar “Nós somos campeões”, “O Campeão voltou” e a vestir literalmente o Marquês de vermelho e branco já que nenhum deles tinha ainda visto o Benfica campeão (bom, para a pequenina não é de estranhar agora para o Manel é que já não estava a ser muito simpático…). Mas não é disto que estou a falar. Quando disse “Isto é o Benfica” estava a pensar no jogo da segunda mão da Taça. Fez-me recordar aos tempos em que Mozer saltava à bola no ar com uma dupla patada imperial frente a um Fernando Couto sedento de aviar. O tempo em que se encarava o Porto de frente e sem hesitações. Não é que goste de violência no futebol, prefiro mil vezes o espetáculo da bola a rolar mas detesto muito mais a moleza que muitas vezes se apoderava dos jogadores do Benfica quando jogavam com o Porto, sendo que do outro lado cerravam os dentes e espumavam da boca para vencer o Benfica ou não deixar o Benfica ser campeão no Dragão ou para festejar o título na Luz. Neste jogo era claramente um Benfica que queria esmagar o Porto e demonstrar quem mandava na Luz. E isso viu-se logo no arranque quando o Gaitán sprintou na saída de bola do Porto para cima do adversário e nem sequer travou. E o que se continuou a ver depois com um futebol, vontade e garra que não davam a mínima hipótese ao Porto. Não tenho grandes dúvidas que, com onze, era jogo para um fácil 3-0. No entanto, surgiu a expulsão ridícula de Siqueira que apesar de ter um primeiro amarelo mal mostrado, nunca podia ter visto o segundo daquela forma (nem vale a pena atirarem areia para os olhos a dizer que ele não sabia que tinha visto o primeiro). Aqui, muito sinceramente, pensei que a eliminatória estava perdida. O que veio a seguir foi simplesmente épico e um jogo que nunca mais irei esquecer. Obrigado Benfica por esta demonstração de força. Poderá virar muito mais do que uma eliminatória. Espero que seja mesmo um momento de viragem… 3-1 com 10 é simplesmente do outro mundo, ainda por cima depois do empate. Muitos fizeram a comparação com o Sevilha. Esquecem-se que é completamente diferente ter um contra-ataque perigoso a jogar com 10 quando a outra equipa está desesperada à procura do golo em comparação a estar com 10 e com o adversário em vantagem na eliminatória. E em que um golo não chegava!! Quem não foi ao estádio, bem que se pode arrepender!

Tenho já o desafio fazer o balanço, face às várias críticas que sempre fiz de Jesus mas também de Vieira, deste sucesso no campeonato. Vou aguardar pelo final da época. Não porque esteja à espera de algum deslize uma vez que quero, com todas as minhas forças, que o Benfica vença a Taça de Portugal e a Liga Europa (a Taça da Liga é para ir com a equipa B e esperar uma surpresa) mas porque é no final que se fazem os balanços.

Vamos com tudo contra a sobranceria dos italianos!!!

21/04/2014

Futebol a zero

Sim, o Benfica foi campeão ontem, merecidamente. Creio que já tudo se disse sobre isso. Da minha parte, queria apenas salientar que o grande obreiro da vitória é o presidente Vieira que segurou JJ quando todos achavam que o ciclo estava esgotado. Vamos ver se JJ se mantém, espero que não!

Mas falemos de futebol. Que antes era a 3, depois a 2, depois a 1 e agora com a exibição do Sporting  no Sábado diria que ficou reduzido a 0.

O jogo do Restelo foi indubitavelmente o mais enervante jogo desta época. O pouco que jogámos chegou a ser desconcertante. Tudo lento e previsível, coletiva e individualmente.

No plano individual, ninguém esteve particularmente inspirado. Mesmo Carrillo, quando entrou, parecia estar em slow motion. Mas enfim, não devemos depender da inspiração individual e esta equipa também não nos criou essa expetativa.

O problema é que, coletivamente, não conseguimos contornar o sistema montado pelo adversário e que consistia em deixar os nossos centrais soltos, usar os alas para pressionar a saída de bola nos nossos laterais e usar o Fredy para pressionar a saída de bola no William. E se ficou mais uma vez demonstrado que os nossos centrais têm algumas dificuldades em conduzir eles próprios o jogo, ficou também patente a inércia de toda a equipa, que optava (?) por ficar parada.

Toda? Não! Uma aldeia povoada por um irredutível gaulês (André Martins) ainda resiste ao invasor (mau futebol).

André Martins bem tentou mas sozinho era difícil. Adrien deu uma ajudinha aqui e ali mas foi essencialmente André Martins quem tentou agitar o jogo. Claro que, como sempre digo, os que tentam agitar perdem mais vezes a bola e ficam sujeitos aos reparos e às críticas. Os que passam para o lado e para trás vão disfarçando as insuficiências. E os Capeis vão ganhando faltas "perigosas" com as suas iniciativas inconsequentes.

Foi tudo tão mau que me irritei mais neste jogo do que provavelmente em toda a época. Em cada passe, em cada receção, em cada jogada, estava lá tudo o que de menos bom tem o futebol do Sporting: lentidão, previsibilidade, dificuldades em sair a jogar contra equipas fechadas, falta de criatividade.

Pode ter sido um jogo menos bom, apenas isso. Mas estamos no final da temporada e a verdade é que, olhando para trás, vimos 3 ou 4 jogos muito bons deste Sporting (um deles recentemente, a 1ª parte na Mata Real). No resto, convenço-me que este futebol do Sporting tem solidez, é suficiente para a Liga, assegurará certamente que estamos nos lugares de topo, mas vai precisar de um abanão se quisermos dar um salto de qualidade. O Leonardo Jardim que eu sempre defendi, e que tanto elogiei, tem que dotar a equipa de um plano de jogo mais versátil, mais criativo e mais dinâmico.

Atenção!, pode ser que isso esteja nos planos do próprio LJ - dotar a equipa de rotinas que lhe confiram solidez e com outros recursos avançar para uma segunda etapa. Dizem-me os experts que isto é um disparate (i.e., preparar uma equipa num ano, fazê-la evoluir no seguinte), espero que estejam enganados!

Mas disso falarei mais tarde, quando fizer o balanço da temporada. Por ora, o sabor agridoce de termos conquistado o acesso à Champions com o pior jogo da temporada, a fazer lembrar o Sporting do ano passado. Mas se me perguntarem o que prefiro... claro que prefiro ganhar assim do que perder a jogar bem.

17/04/2014

Benfica-Porto

Não sei se o Gorbyn vai ou não escrever sobre o jogo de ontem, mas como tem andado desaparecido aqui vão algumas linhas:

1. Já o disse aqui várias vezes: este Porto está descaracterizado. Sem tirar qualquer mérito ao Benfica - bem pelo contrário, virar o jogo 10 x 11 não é para qualquer um - nenhum FCP de que me lembre era eliminado no jogo de ontem. Um FCP com João Pinto, com André, com Bandeirinha, com Gomes, com Aloísio, com Jorge Costa, com Paulinho Santos, e por aí fora não era eliminado ontem. Este, em que nem sei quem foi o capitão de equipa, foi de vela.

2. O Benfica está numa dinâmica tremenda: vai ser campeão no Domingo, vai provavelmente ganhar a Taça e tem hipóteses de se apurar com a Juventus. Jogador a jogador, a Juventus até pode ser superior (e tenho dúvidas se o é em todas as posições). Mas do que vi no Juventus-Lyon, o Benfica joga mais e tem mais equipa. Pode perfeitamente eliminar a Juventus. Acredito que vá praticamente renunciar à Taça da Liga (este ano, finalmente, os benfiquistas vão pô-la no devido lugar).

3. Resta saber se é um fogacho ou se o Benfica se prepara para substituir o FCP como crónico campeão nacional. Crónico que, como é evidente, não significa único. Há sempre anos que correm menos bem, ou há anos que correm particularmente bem aos adversários. E pode haver também o aparecimento de um terceiro - assim o espero!! - que acabe com esta bipolarização. Mas o estatuto de super-favorito vai estar no lado do Benfica nos próximos anos. Veremos se correspondem.

4. Que arbitragem miserável a de Pedro Proença. Assinalou todas as faltinhas que pôde assinalar, deu cartões a despropósito, adotou critérios incompreensíveis, expulsou os dois treinadores por coisas de nada, expulsou o Quaresma por quase nada e no final permitiu que não houvesse jogo durante quase 20 minutos. Não digo que o FCP marcasse um golo, mas nem houve jogo que o permitisse: a partir de uma escaramuça lá para o minuto 82, o jogo acabou.

5. O Rio Ave também afastou um Braga descaracterizado, a fazer lembrar o Sporting do ano passado. Sem futebol, sem rasgo, um rotundo zero. E desta vez o miracle man Salvador enganou-se: não me parece que Paixão seja truta para aquelas águas. O Braga se tiver juizinho recupera o Domingos e faz-se à vida. Quanto ao Rio Ave, acaba de fornecer mais um nome para a lista dos possíveis treinadores do FCP no próximo ano. A menos que Pinto da Costa tenha levado a mal o facto de Ukra (formado no FCP) e Nuno Espírito Santo (ex-FCP) terem festejado efusivamente quando lhes chegou a notícia de que o Benfica tinha eliminado o FCP, o que assegura a Europa e a disputa da Supertaça ao Rio Ave em qualquer cenário...

14/04/2014

Os deuses da bola


Este é longo e fala pouco de bola e do jogo de Sábado. Recomendo que leiam aqui caso queiram saber o que penso sobre o jogo com o Gil, porque concordo a 100%. Caso contrário, simplesmente passem à frente. Porque é mais um desabafo do que uma opinião.

E por falar em opiniões, começo por aqui: apesar de discordar com a esmagadora maioria das suas opiniões, gosto de ler o Miguel Sousa Tavares. Quer n'A Bola, quer no Expresso. Gosto de o ler porque me faz pensar e normalmente interessa-me ler uma opinião que me faça refletir, muito mais do que uma que reproduza o óbvio, ainda esteja em linha com o que penso. Posso concordar, posso discordar, mas gosto de ler algo que ultrapasse o lugar comum. O MST pode ter muitos defeitos, mas não se limita a dizer o óbvio. E por isso "perco" tempo a lê-lo.

Mas, repito, discordo de quase tudo o que escreve, em particular sobre futebol. Nalguns casos, inclusivamente, discordo de opiniões que profere sobre o FCP (e como era bom que os responsáveis do FCP lhe dessem ouvidos...). Há uma, todavia, com a qual concordo a 100%: as principais estrelas dos clubes são os adeptos e isso, muitas vezes, é esquecido pelos próprios adeptos.

Muito embora seja um fanático sportinguista, eu nem tenho um percurso enquanto adepto que possa ser particularmente destacado (outros há que mereciam estátuas!). Jogos fora, por exemplo, não foram muitos ao longo dos anos, exceção feita ao Estádio da Luz, que já visitei por diversas vezes. Fora de Lisboa fui 2 ou 3 vezes, apenas. Ainda assim, vou regularmente a Alvalade desde 1985 (campeonato, taça, competições europeias). Na altura não era preciso ser sócio para acompanhar o meu pai, mas a partir de 1990 tornei-me sócio. Fizemos um interregno em 1994, altura em que o meu pai se cansou e disse que só voltaria a ser sócio quando fôssemos campeões. Mas eu, em 1997, com algumas poupanças, voltei a fazer-me sócio, o que sou até hoje, tendo aliás pago já as quotas do período em que deixei de o ser. Pelo que sou sócio desde 1990, com o número 19.120-1.

Levei muita chuvada pelo Sporting (não esqueço aquela molha no Estádio da Luz em 2000, felizmente ganhámos 3-1) mas mais do que isso apanhei com muitos desgostos, principalmente no novo estádio (aquele 0-3 com os turcos do Geçleraksjfhaksfasdhfgsjohdfg ainda me está atravessado). Vi muitos maus jogos (o ano passado, então...), mas estava lá (quase) sempre, no fds seguinte, ou na 4ª seguinte, ou na 5ª seguinte.

Em 2003 recebi um presente envenenado: um novo estádio, que parecia lindo no projeto mas era, na realidade, uma desilusão. Senti-a desde logo na primeira vez em que lá entrei, mas nunca a confessei, até há poucos anos. Os outros gozavam connosco e eu defendia aquele estádio como se o amasse. Era a minha casa, tinha que a defender. Mas, na realidade, era quase tudo mau:
(i) cadeiras às cores para disfarçar a ausência de adeptos (mas... não era suposto ter um projeto desportivo que os atraísse, mais do que disfarçar a sua ausência?);
(ii) um fosso que afastava os adeptos do campo e que supostamente era uma medida de segurança para... concertos (mas... o principal objetivo do estádio é fazer concertos? E quantos se fizeram desde então? Quantos se fizeram no Dragão, em comparação? É que o Dragão não tem fosso...);
(iii) um relvado abaixo da crítica (que, by the way, às tantas impediu que se realizassem ali mais... concertos. Porque alguém percebeu, a meio do caminho, que afinal o principal objetivo era mesmo acolher jogos de futebol);
(iv) um espaço comercial pensado com os pés e que não atraía ninguém, nem sportinguistas, em dia de jogo (isto sem referir que deixou de existir um espaço para convívio dos sócios, numa altura em que, por sinal, o Sporting passou a treinar em Alcochete);
(v) uma imagem externa com azulejos e uns vidros a fazer lembrar sabe-se lá o quê (os adversários dizem que faz lembrar um WC, mesmo detestando o nosso estádio recuso-me a dizer isto);
(vi) predominância de uma cor - o amarelo - que pouco ou nada tem a ver com a tradição do clube.

E eu defendi isto durante anos! E porque o fiz? Porque o Sporting, o clube, a instituição, merece que eu minta até ao limite da desonestidade. Não me passa pela cabeça ter uma discussão com um benfiquista, surgir o tema do WC e eu não atirar que o estádio deles é miserável e não está acabado - quando, por fora, está efetivamente por pintar, mas é algo que resolvem quando quiserem; e, por dentro, é muito superior ao nosso.

Só ganhamos aos outros numa coisa - ambiente. O ambiente em Alvalade é fantástico, quando o estádio está cheio e o público está entusiasmado. Aquela arquitetura (no further comments...) não deixa entrar o sol mas tem o condão de também não "deixar" sair o som. O que torna o espétaculo das nossas claques e adeptos ensurdecedor. Infelizmente, não aconteceu muitas vezes (recordo aquela remontada com o Newcastle em 2005...) mas isso já não é culpa do estádio.

Tudo isto para dizer que nós, adeptos, nem uma casa temos de que nos possamos orgulhar. Mas vamos lá, estamos presentes e asseguramos médias de assistência próximas ou superiores às do crónico campeão nacional. E fora-de-casa, estatística para a qual não contribuo, tenho visto noutros blogs referência ao facto de termos movido mais adeptos do que o Benfica durante esta temporada, isto se excluirmos este recente jogo em Arouca, desculpem, Aveiro.

Nós deveríamos ser os deuses da bola. Cada um de nós deveria ser endeusado pelos demais adeptos e responsáveis dos clubes. Mas não. O que fazemos é endeusar aqueles que ainda têm tanto para dar e tanto para aprender. Com prejuízo para nós e para o próprio.

O William Carvalho, esse enorme jogador, tem muito que crescer, muito que aprender, muito para dar. Não pode ser endeusado como se de um símbolo se tratasse, porque não o é. Símbolos são o Manuel Fernandes e o Oceano, tratados (por diferentes responsáveis) como se sabe. Esses considero-os ao meu nível. Os outros ainda têm muito que pedalar até chegar o dia em que lhes faço vénias mesmo quando fazem jogos displicentes e desconcentrados.

William, abre os olhos pá: para seres um craque, tens que dar 100% em todos os jogos. Mas mais importante do que seres craque, é seres um símbolo do Sporting. E para isso recomendo-te vivamente que, além de 100% em todos os jogos, fiques por cá mais 2 anos, a aprender tudo o que ainda tens para aprender e a pedalar o que tens para pedalar. Quando estiveres no ponto, sais (com elevação). E vais muito a tempo de fazer uma grande carreira.

08/04/2014

O negócio possível?


As ideias estão algo confusas, mas parece-me que é assim:

1. Ainda que eu tenha sido o maior crítico das prestações de Elias logo no seu primeiro ano em Alvalade, a contratação deste jogador foi daquelas que eu aceitei que provavelmente também faria. Refiro-me, como é óbvio, à contratação em si, não necessariamente aos valores envolvidos. Ou seja, em tese, contrataria um jogador com aquele estatuto e com aquele percurso, naturalmente admitindo capacidade para o contratar.

2. Aquele Elias que chegou em 2011 entrou muito bem no 11 do Sporting e fez 1/3 de época bastante aceitável. Ainda assim, para o que prometia, sempre ficou abaixo das minhas expetativas. Porquê? Porque aquilo que vi Elias fazer poderia ser feito por muitos outros jogadores, não necessariamente internacionais brasileiros, não necessariamente contratados ao Atletico de Madrid, não necessariamente contratados por aquele valor, não necessariamente com um salário tão elevado.

3. Mas este juízo sobre o rendimento do jogador, feita da forma que referi, e muito embora inevitável, é profundamente injusto. Elias não tem culpa de ter sido envolvido numa das habituais negociatas com o Atletico de Madrid; não tem culpa do valor que pediram por ele; não tem culpa do valor que aceitaram pagar por ele; e não tem culpa de ter aceite o salário que lhe ofereceram.

4. Isto dito, e tentando esquecer o que custou e o que ganhava, digo apenas que Elias, tirando esse 1/3 de 2011/2012, nunca foi um jogador que eu sentisse que estava de corpo e alma no Sporting. Nunca foi um jogador que eu visse que estava a trazer algo à equipa que a equipa não tinha. E nunca foi um elemento da equipa que efetivamente fizesse a diferença.

5. De qualquer forma, fui dizendo, quer no início de 2012/2013, quer no início desta época, que entendia que o MC do Sporting precisava de um médio tipo Elias, mas com vontade. O que significa que via em Elias qualidades que um enquadramento correto e uma motivação adequada poderiam potenciar, em favor do Sporting.

6. Uma vez que essas qualidades não eram visíveis em campo, e considerando que ganhava muito acima das possibilidades do clube, era evidente que tinha que sair. Não me vou pronunciar sobre o processo negocial porque é também evidente que o que vem a público não abrange todos os detalhes de uma negociação. Mas confesso que às tantas começou a ser penoso perceber que o Elias estava naquela situação, sem fim à vista.

7. O Elias acaba por sair por metade do valor que pagámos. Aquilo que antes era criticado, e bem criticado (anunciar a poupança salarial com um jogador), começou a ser prática corrente (e mal). Todos sabemos que não foi um bom negócio. Mas a mim, nestas situações, não me incomodam maus negócios - incomodam-me "não negócios". Elias até ao fim da temporada seria um não-negócio com graves prejuízos para o Sporting. Assim, foi o negócio possível, que acaba por minimizar prejuízos.

07/04/2014

Olheiro amador, exigências e "ses", bom jogo


1. Olheiro amador, uma carreira com altos e baixos

Tenho como "coroa de glória" da minha "carreira" de olheiro amador Jimmy Floyd Hasselbaink. Ao fim de 3 ou 4 jogos no Campomaiorense, disse para os meus colegas e amigos que teria que vir para o Sporting. Fui ridicularizado e gozado por todos. Nesse ano o Sporting contratou para PL esse craque que dava pelo nome de... Missé-Missé. Jimmy assinou pelo Boavista, depois Leeds, depois Chelsea, seleção da Holanda, etc. Todos vinham ter comigo e diziam "eh pá, mas como é que viste que este gajo era uma máquina?". Eu respondia: "estava lá tudo, toque de bola, potência, remate com os dois pés, velocidade". Fiquei visto como uma autoridade na matéria.

Mas na realidade foi um golpe de sorte. Hoje vejo-o claramente. E porquê? Porque nunca, mas nunca, antecipei que o William Carvalho poderia ser metade do jogador que é. Nunca me enganei tanto na avaliação do potencial de um jogador como com William Carvalho. Achei que poderia ser uma razoável opção mas no início da época até questionei o porquê de André Santos não ter lugar no plantel se William o tinha (como penitência por tal heresia já prometi que não saio de Lisboa quando o Benfica for campeão).

William é muito mais do que prometia ser. O potencial, afinal, estava lá; e evoluiu imenso. O que é sinal de que os jogadores não têm o destino traçado aos 18, 19, 20 ou 21 anos. Uns podem evoluir, outros não, pior ou melhor, o que só torna mais grave a minha apreciação - é que eu sempre acreditei que um jogador pode evoluir mesmo depois disso, mas nem esse benefício da dúvida dei ao rapaz.

William, meu caro, ainda não arrumaste com a minha "carreira" de olheiro amador. Mas que me fizeste repensar muita coisa, isso fizeste.

2. Exigências e "ses"

Esta época tem sido positiva e aconteça o que acontecer até final da temporada será sempre considerada como positiva. Parece-me indiscutível.

Por isso mesmo, creio que posso dizer esta frase: seria injusto exigir mais do Sporting este ano. Depois do que foi a época passada, depois da turbulência que o clube viveu no início de 2013, depois de ter tomado posse um novo presidente, depois de se ter alterado a equipa técnica, depois de se ter alterado metade da equipa principal (Maurício, Jefferson, William, Montero são completas novidades, Martins não era titular indiscutível), depois de se ter reduzido o orçamento de 40M€ para 25M€, exigir mais seria, reitero, injusto.

O que não significa que eu não diga o seguinte: se o Sporting tivesse jogado sempre como jogou na 1ª parte em Paços de Ferreira, estaria mais próximo do Benfica. É certo que este Sporting funciona melhor fora do que em casa. E é também certo que o Paços está em antepenúltimo. Mas um coletivo a funcionar daquela forma teria permitido ao Sporting fazer mais pontos do que os que tem. Gostei mesmo de ver a 1ª parte (e gostei também de ver a reação ao golo do Paços).

E se tivesse sido sempre assim... Mas enfim, não foi. Resta a esperança (muito, muito ténue) de que o Benfica empate com o Rio Ave e perca em Arouca (vá, parem lá de rir...). Impossível. O Benfica ganhando hoje é campeão nacional e fim da história. Com mérito. Porque quando esteve mal, aguentou-se (tal como o Sporting). Mas quando esteve bem andou uns furos acima do Sporting. Na apreciação global não só é melhor como foi melhor (são coisas diferentes: o Porto também é melhor mas não foi melhor).

3. Bom jogo

O Paços fez um excelente jogo no Sábado. Em condições normais, aquele Paços chegaria para tirar pontos ao Sporting versão LJ 2014 (à versão LJ 2013 seria mais complicado). Mas o Sporting fez um jogo ao nível do que fez em Coimbra na 2ª jornada. Creio mesmo que o Sporting não jogava assim desde aí (fez outros bons jogos, mas o melhor que retive foi mesmo esse).

Em Paços, para além da muito boa performance coletiva, Patrício fez duas ou três defesas de sonho (muito embora seja mal batido no golo); Rojo voltou a marcar; William fez um jogo e um golo de grande categoria; Adrien fez mais um jogo a caminho da seleção (assim o espero) e marcou um golão; André Martins fez o melhor jogo pelo Sporting desde Barcelos (já lá vão 14 jogos!); e Slimani fez duas assistências (se fosse eu o treinador não teria feito a segunda porque pedi a sua substituição por Montero antes disso).

Agora, ganhar ao Gil Vicente em casa. Fazer o nosso papel porque não acredito que este Braga tire pontos ao FCP. Manter os 8 pontos de vantagem até ao limite. Porque os jogos mais complicados vão mesmo ser os últimos.

***

PS: A minha aposta sobre o Wilson Eduardo está perdida, a menos que contabilizássemos os golos na equipa B (infelizmente não contam). Aliás, creio que Wilson será hoje um nome relativamente indiscutível na lista de dispensas da próxima temporada, a menos que saiam Capel e Carrillo (caso em que, ainda assim, estou seguro que o Sporting contrataria um extremo para acompanhar Heldon, Mané e Wilson - tripla claramente insuficiente para uma época com Champions - e Wilson não seria mais do que a quarta opção). Significa isto que há jogadores que evoluem e outros que não evoluem? Ou que na realidade o William tinha por onde evoluir e o Wilson não? Fica a dúvida. De qualquer forma, entendo o seguinte: pelo que vi nesta temporada, o Wilson, neste sistema de jogo, e como extremo, não aporta o suficiente para ser titular do Sporting ou sequer um suplente sólido (como creio que será o Heldon). Se jogássemos com 2 AV poderia ser uma razoável opção (ainda para mais com orçamentos limitados também na próxima temporada), mas como extremo creio que não terá lugar. Império 1 - Koba 0, marca os temakis quando quiseres.

02/04/2014

Justiça desportiva

Ponto prévio: sou dos que desde o início percebeu que o Sporting não iria ganhar o recurso no Conselho de Justiça. Por dois motivos: (i) porque efetivamente a prova do dolo é sempre complicada (e não pode, em boa verdade, ser feita por presunção); (ii) porque o Sporting está longe de ter boas relações com o "sistema" (ainda para mais num caso de prova difícil).

Percebo o argumentário de Bruno de Carvalho, mas infelizmente, e pelo que percebi, a redação do regulamento não o ajudava. Ou seja, tudo o que BC disse fazia todo o sentido, mas face à letra do regulamento, qualquer órgão de justiça desportiva, ainda para mais estes que mantêm ligações ao "sistema", tinha excelentes escapatórias para livrar o FCP.

Isto dito, acho isto um autêntico deboche:

"O Conselho de Justiça, na reunião de hoje, apreciou os recursos interpostos de uma deliberação do Conselho de Disciplina, que havia punido a FC Porto SAD com uma multa de cinco Unidades de Conta. O Conselho de Justiça deu provimento parcial aos recursos, por entender que essa infração, cometida pelo FC Porto, consistente no atraso no início do jogo FC Porto-Marítimo, foi intencional mas não com a intenção de causar danos a terceiros. Por isso o puniu com um pena pecuniária de multa de 40 Unidades de Conta, muito acima da média. Não se provou que havia a intenção de causar danos a terceiros"

Ou seja, é intencional (consideraram provado que o FCP teve a intenção de atrasar o jogo) mas não ficou provado que fosse com a intenção de causar danos a terceiros.

Pergunto: com que objetivo, então, se atrasa intencionalmente um jogo? Só vejo um motivo: obter um qualquer benefício. E se é para ter um benefício, seja ele qual for, automaticamente há um terceiro prejudicado.

A título de exemplo: se o FCP quis atrasar o jogo para poder contar com o atleta Fernando (reitero que é um exemplo, não li a decisão), ainda que não tenha agido tendo como principal motivação poder controlar os timings do fim dos jogos, causou um dano ao Marítimo e ao Sporting porque atuou com um jogador que à hora marcada não poderia alinhar.

O que diz o CJ? Sim, atrasaram, sim, foi intencional, mas não consigo provar que o objetivo foi tramar outros. Isto é o mesmo que dizer que um tipo assaltou outro na rua com o objetivo de ficar com o dinheiro mas não com o objetivo de que o outro ficasse mais pobre.

Não consigo compreender, mas obviamente terei que ler a decisão.

PS: Os juristas que me acompanham (e que sabem que sou jurista) que me perdoem o pouco rigor deste texto. Se a decisão for clara, retiro tudo o que escrevi. Mas não retiro que a explicação acima não tem pés nem cabeça...