19/03/2014

Navegação segura e com o vento a favor

O vento que carinhosamente teve o cuidado de levar a bola de Garay para tão bom porto, foi o mesmo vento que ajudou a bola a fugir de Gomaa num dos momentos decisivos do jogo. Num jogo que começou da pior forma, acabou por revelar um Benfica seguro do que vale. Muito mais seguro de si do que os seus próprios adeptos confiam. Era quase geral. Talvez seja o trauma da época passada (que é a hipótese que mais acredito), talvez seja também a anterior a entrar neste sentimento, talvez fosse ainda o mau início de campeonato, talvez a vitória do Sporting estivesse a atormentar um pouco, talvez seja o receio relativamente ao ego de Jesus ou talvez fosse o desgaste/brilho da Liga Europa que ofuscasse um mero jogo do campeonato. Talvez seja isto tudo junto. A verdade é que ia falando ao longo do dia com vários amigos que partilham da mesma cor e quase todos, com raras excepções, tinham a sensação que o Benfica ia escorregar na Choupana. Eu próprio também partilhava da mesma profecia. Podia ter acontecido, é verdade, mas não era merecido e o Benfica fez mais do que suficiente para assegurar a vitória.


Não comentei o jogo da Liga Europa. Disse antes deste jogo que não estava para aí virado e que o que realmente me interessava era o campeonato. No entanto, confesso que também eu fiquei doido com a exibição em Londres e já não consigo resistir a dar uma olhadela a possíveis adversários. Um orgulho que apenas se compara ao que tive dos incansáveis adeptos que marcaram presença no estádio e que se fizeram ouvir do princípio ao fim. Acabei por não comentar por deveres profissionais mas também porque se houve jogo que foi comentado até à exaustão, foi aquele. Jesus fez o mínimo que se exigia no que dizia respeito à aposta no campeonato, fazendo descansar os dois jogadores que podiam ver o seu rendimento mais afectado na Madeira por força do desgaste físico: Enzo e Gaitán. Depois foi o melhor e o pior de Jesus ao mesmo tempo. Quem não tem nada mais interessante para fazer e vai lendo estes posts, sabe bem que não tenho particular apreço por Jesus. Acho que numa tática com um só avançado, haveria vários treinadores a conseguir fazer o mesmo ou melhor sem termos que levar com o pior de Jesus, mas de facto, nesta táctica de 4-4-2, o mérito é todo dele. O posicionamento e movimentos dos jogadores é efectivamente bastante complexo pelo que os resultados que o Benfica vem conseguindo, é claramente mérito do treinador. O que se passou no banco, é dos momentos mais vergonhosos do Benfica. Se soubesse que o homem vira besta no calor do jogo mas que depois é humilde e colaborador com a estrutura (o abraço a Shéu no final do jogo com o Nacional poderá indiciar isso) podia engolir melhor o episódio, mas tenho muitas dúvidas pelo que fica mesmo atravessado...

Voltando ao Nacional, excelente resposta ao penalty madrugador (que me pareceu completamente injustificado) e aproveitando o vento a favor, foi uma pressão forte sobre o Nacional, várias jogadas de perigo e só descansaram um pouco quando viraram o resultado. Foi de quem sabe o que vale e o que quer e foi sobretudo de raiva. A forma como Garay festejou o primeiro ou segundo golo (não me recordo bem) disse tudo. Com o 3-1 ao intervalo, com o vento contra na segunda e com o desgaste de Londres, o Benfica tentou apenas controlar o jogo e conseguiu. No entanto, quando nada fazia prever, sofreu o segundo e pouco depois arriscou-se a sofrer o golo do empate. Felizmente veio o central goleador parte II e tudo se resolveu.


Notas de destaque:
- Garay obviamente pelos dois grandes golos;
- Rodrigo muito activo, a correr que nem um louco, a participar em grandes jogadas e com o melhor golo da noite;
- Super Gaitán;
- Grande Siqueira (começa a colocar grande pressão na elevada cláusula de compra).

Estamos no bom caminho. É só uma questão de não fazer asneiras a mais...

Quinta temos mais e lá estarei. Gostava de ver um dos centrais no banco, assim como Siqueira, Fejsa, Enzo, Markovic, Gaitán, Rodrigo e Lima (preferia Fejsa forte no campeonato mas face aos dois jogos seguidos de Amorim, não me chocava que fosse o inverso). 

     

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