31/03/2014

A caminho da Champions (mas com os pés no chão, sff)


1. Jornada positiva no que à Champions respeita, ponto final no sonho de ainda disputar o 1º lugar. Sim, disputar, apenas disputar. Chegar lá seria quase uma impossibilidade, ainda que o Benfica tropeçasse em Braga. A ideia seria, apenas, a de manter o suspense até ao final. Não vai acontecer, o Benfica vai ser campeão quando receber o Olhanense. Mas o 2º lugar está perto: o Sporting precisa de ganhar os jogos em casa e empatar 2 jogos fora de casa (mesmo que perca 1 dos jogos fora, perde 7 pontos no total). Mas o ideal mesmo é sacar uma vitória fora, já no próximo jogo e praticamente assegurar a Champions na receção ao Gil Vicente.

2. No sábado, em Alvalade, uma vitória arrancada a ferros, num jogo muito parecido com o Nacional-FCP:
- jogo emotivo e disputado, mas não muito bem jogado;
- resultado em aberto até ao final;
- enorme desperdício de lances de contra-ataque tanto do Sporting como do Nacional que podiam ter arrumado com o jogo mais cedo (no caso do Nacional, o jogo podia ter ficado decidido ainda na primeira parte);
- péssimas arbitragens.

3. Nas arbitragens, destaco o seguinte:
- na do Sporting, para além de um chorrilho de decisões erradas, temos um golo mal anulado a Montero (mais um...), uma expulsão perdoada a Slimani, outra expulsão perdoada ao Adrien e mais uma falta marcada ao Marcos Rojo (com direito a amarelo, claro!) que não era falta (e deu origem a um livre perigoso);
- na do Porto, o primeiro golo do Nacional começa com um fora-de-jogo, o penalty sobre o Quaresma devia ter sido punido com amarelo por simulação, o golo do Jackson parece-me mal anulado.

4. No que ao futebol diz respeito, o Sporting continua a sua saga de desperdício de lances ofensivos. Para uma equipa que sente tantas dificuldades para sair a jogar, começa a ser irritante esse desperdício. Porque o Sporting, quando consegue soltar-se, constrói muito bem as jogadas de ataque. Espera pelo envolvimento dos laterais, encontra o espaço entre os centrais e os laterais adversários e coloca a bola nesse espaço. Surgem os laterais ou os extremos em situações de 1x1 ou mesmo já isolados. E depois o cruzamento invariavelmente é intercetado ou vai para as mãos do GR. Contei nada menos do que 6 lances assim no último jogo.

5. Na bancada discutíamos se o problema estava no cruzamento ou na falta de opções dentro da área. Reconheço que com exceção do André Martins (que faz muito bem o movimento de aparecer à entrada da área), os restantes têm a tendência de ir para o "barulho". Por isso, creio que há que treinar os dois aspetos: por um lado, dar a quem tem a bola na lateral várias opções para colocar o passe; por outro, assegurar que quem tem a bola perceciona o movimento dos colegas e a coloca no que está em melhor posição. Parece simplista, mas quem vê os jogos do Sporting creio que percebe o que estou a dizer. Quando este aspeto melhorar, vamos resolver os jogos mais cedo.

6. Pés no chão, sff: é essencial ganhar em Paços de Ferreira e ganhar ao Gil Vicente. Estes são os dois jogos mais importantes da temporada. O título não é connosco, os problemas do FCP não são nossos. Ganhar ao Paços de Ferreira. Ganhar ao Gil Vicente. Depois, com 9 pontos para disputar e uma vantagem de 8 pontos, gerir com seriedade os últimos 3 jogos da temporada de forma a não deixar fugir algo que está perfeitamente ao nosso alcance.

PS: Escolhi a foto da primeira simulação de Slimani para fazer 3 perguntas:
- para quê as duas fintas, ao defesa e GR?
- porque não deu a Heldon, que estava sozinho, após a primeira finta?
- porquê uma simulação tão desnecessária?

28/03/2014

Humor e humoristas

Na sequência do que li aqui, queria dizer que as opiniões de Pinto da Costa, no que ao humor respeita, são profundamente redutoras.

Desde logo porque o autor das declarações é, ele próprio, um humorista de créditos firmados. Sucede que às vezes pratica aquele humor (britânico?) que nem todos apreciam. Por exemplo, muitos dos adeptos adversários não apreciam propriamente os trocadilhos com fruta e café (que seguramente muito fizeram rir PdC e o seu staff). Seguramente por falta de sentido de humor.

Depois, porque os Gato Fedorento têm momentos com muita piada. Também têm momentos não tão engraçados, como aquele em que o RAP e o ZDQ basicamente se viram sem margem de manobra para continuar a escrever n'A Bola porque ofendiam o calimero-mor MST, que tanto gosta de acusar os outros de serem... calimeros, mas chantageou os responsáveis do jornal (ameaçando deixar de aí escrever) apenas porque não aguentava que dois humoristas (RAP em particular) fossem assinalando, por exemplo, o facto de esse grande moralista não ver nada de anormal nas escutas do processo Apito Dourado.

Por fim, creio recordar a grande indignação de Pinto da Costa com... Herman José, numa altura em que este último fez um sketch (ainda no programa "Parabéns", se não estou em erro) em que o humor andava à volta de Jesus Cristo. Aí, recordo-me de um Pinto da Costa indignado contra o facto de a RTP pagar ("com o dinheiro de todos nós") a um senhor que se dedicava a "gozar com todos os portugueses" (não andou longe disto). Nessa altura, quem o fazia rir era o Calheiros, o Guímaro, o Mesquita e todos esses grandes brincalhões.

Enfim, espero que Pinto da Costa continue sem achar piada às declarações de Bruno de Carvalho. No dia em que PdC achar tanta piada a BC como achava a Soares Franco e Bettencourt, aí fico um pouco mais preocupado.

27/03/2014

Uma mão de avanço

Já aqui tinha dito depois do jogo com o Sporting que tinha perdido todas as esperanças de ver o Benfica a jogar num 4-4-3. Isto porque de facto, o 4-4-2 de Jesus estava a resultar e acredito que continua a resultar e que vai continuar a resultar. Neste ponto específico tiro o chapéu a Jesus porque, repito, as movimentações a que este esquema táctico obriga são bastante complexos e o mérito é inteiramente do treinador. Agora, isto não significa que um 4-3-3 não pudesse resultar tão bem ou mesmo melhor que a solução actual (uma das melhores exibições da época foi assim na Grécia). Preferia Amorim com Fejsa e Enzo mas também dava para uma versão mais ofensiva com Markovic a jogar onde rende mais. E não podemos esquecer que o 4-4-2 resulta com dois avançados de grande mobilidade e com grande capacidade de defender e recuperar bolas assim como de um Enzo de grande abrangência.

Isto tudo para quê? Para dizer que concordo inteiramente com o risco assumido de fazer descansar os principais elementos, que concordo inteiramente com a titularidade de Cardozo apesar da má forma atual mas que não percebo, quando se joga fora, contra um adversário forte, numa eliminatória a duas mãos, com muitos titulares de fora e a apostar mais numa estratégia defensiva, a razão de não jogar com três elementos no meio campo. Reparem que o Porto até preferiu prescindir de um 10 e jogar com 3 elementos no meio campo mais defensivos (Fernando,  Defour e Herrera). Não podia ter jogado com André Gomes no apoio a Fejsa e Amorim?

Resumidamente,  o Porto foi mais forte em todo o jogo e a vitória foi escassa para os vários lances de golo que teve. Oferecemos claramente a primeira mão ao Porto (adoro a forma como os adeptos, jogadores e Pinto da Costa vibraram com esta vitória contra um Benfica de segunda linha, evidenciando o nível a que estão esta época) mas a reviravolta na eliminatória está perfeitamente ao nosso alcance caso o campeonato esteja bem mais seguro aquando da segunda mão e seja assim possível apresentar o melhor Benfica. Ainda para mais, o Porto joga praticamente com o mesmo onze em todos os jogos e o desgaste físico será cada vez mais evidente. A quebra de rendimento que tiveram a partir dos 60 minutos foi notória e já um indício desta tendência.

Notas adicionais:
- as bolas paradas contra o Porto e a defesa à zona continuam a ser um problema grave;
- os centrais estão em grande momento de forma;
- tenho saudades do André Almeida e isso diz muito do rendimento  de Maxi (adaptar Urreta a lateral direito ou promover Cancelo não dá mesmo?);
- começo a ter dúvidas que Salvio seja reforço ainda esta época;
- porquê a aposta em Sulejmani (que não é diferente de um Nolito, suficiente para jogar com as equipas pequenas mas sem dimensão física para os jogos a doer) quando temos Cavaleiro da formação com mais potencial, mais capacidade física, a ser chamado à selecção e a precisar de minutos e jogos para continuar a sua evolução?

O importante é o campeonato mas se queremos a hegemonia de volta não podemos facilitar nestes jogos. É por jogos como este que nunca conseguirei ser um fã de Jesus. Cá os esperamos na segunda mão, preferencialmente com o campeonato assegurado ou quase assegurado e com um estádio cheio para carimbar o passe para a final.

25/03/2014

Uma conversa curiosa

Hoje após o almoço apeteceu-me comprar aquilo a que chamo um "analgésico mental", leia-se, um jornal desportivo. Algo com que me entretenho durante 20 a 30 minutos e que me faz esquecer, por esse breve período, alguns problemas do dia-a-dia.

Comprei "A Bola". Um amigo, benfiquista (moderado e dos que só vê mesmo os jogos e pouco mais), que me acompanhava, cedendo ao habitual mito urbano de que os sportinguistas lêem o Record, estranhou a minha decisão.

Expliquei-lhe sumariamente que o Record se virou claramente para o Benfica, devido (essencialmente) a 3 fatores (há outros, mas estes são os principais):

- a designação de João Querido Manha para diretor do Record;
- o facto de A Bola ter servido de meio oficial dos anti-JJ no final da época passada;
- o facto de Vieira ter virado costas a A Bola por esse mesmo motivo, fazendo A Bola virar-se para BC e consequentemente para o Sporting.

Acabo de dizer isto e diz o meu amigo "mas esse Querido Manha não representava o Benfica naqueles painéis de comentadores na TV?"

Reparem, um benfiquista menos atento via o João Querido Manha nas suas supostamente imparciais intervenções e achava, genuinamente, que ele estava ali a representar o Benfica, qual Rui Gomes da Silva.

Não é preciso dizer mais nada, pois não?...

24/03/2014

Sensações e ilusões


O futebol é um fenómeno muito curioso.

Vi o jogo do Sporting na Madeira acompanhado de 2 sportinguistas e 1 benfiquista (moderado). Na 2ª parte todos concordámos: "o Sporting está a por-se a jeito para empatar o jogo". O benfiquista acrescentava "a continuar assim, o árbitro vai arranjar alguma para dar o empate ao Marítimo". Os lances sucediam-se, inevitavelmente com o contributo do excelente Derley (não dura muito no Marítimo, seguramente), e o Marítimo desperdiça 2 ou 3 ocasiões de perigo. "Nós não conseguimos fazer um contra-ataque", diziam os sportinguistas, "temos que matar o jogo". Slimani já tinha desperdiçado, Heldon desperdiça também, isto sem contar com os lances que nem chegaram à área porque o último passe não saía. Maurício muito faltoso (mesmo quando nem era necessário) ia ajudando à festa. Ao minuto 84 Jefferson fez o 3-1 e acabou com o jogo. Sensação: acabámos por ter sorte, o Marítimo não marcou quando podia.

Oiço, bem mais tarde, Pedro Martins reconhecer a justiça da vitória do Sporting, dizendo apenas que 1 golo de diferença seria mais justo. Fico a pensar para comigo que, de facto, a emoção nos tolda o raciocínio. É que a primeira parte foi toda nossa, com exceção do golo do Marítimo. E na segunda parte criámos tantas ocasiões como o Marítimo, ou mais. A sorte a que me refiro acima, teve-a também o Marítimo por não sofrer o 3º mais cedo. Mas naquele momento parecia mesmo que estávamos a "pedir" o empate...

Já no domingo, com o rádio ligado, oiço o primeiro do Benfica, por Lima. E penso para comigo "pode ser que a Académica empate isto". Pura ilusão. O Benfica controlou o jogo como quis. E, realisticamente, só perde pontos até ao fim do campeonato no Dragão. O resto será um passeio. Pelo que, mesmo que o Sporting ganhe todos os jogos até lá, não acredito que o Benfica não seja campeão quando bater o Olhanense em casa, na 28ª jornada. O mais provável, aliás, é que seja campeão antes disso. Mas alimento sempre a ilusão: Cardozo noutro dia, em Londres, não esteve longe de se levantar perante JJ (sonho com uma berlaitada bem mandada em direto para as câmaras, desculpem lá)... será que algo pode ainda desestablizar este Benfica? E os jogos da Taça e Taça da Liga? Será que eventuais resultados negativos podem fazer abanar o Benfica? A sensação é a de que o Benfica é invencível (olhando ao lote de equipas na Liga Europa, parece que só a Juve pode fazer cair este Benfica). Mas a ilusão permanece.

Aconteça o que acontecer, esta época terá que ser vista como positiva, face ao que foi a anterior. E se estivéssemos nós no lugar em que está o FCP, creio que diria o mesmo. Mas fico com a sensação, fico mesmo, de que "bastava" termos sido um nadinha mais competentes com o Nacional, a Académica e o Rio Ave (todos em casa) e o Benfica estaria, neste momento, a tremer. Porque 1 ponto, com deslocação ao Dragão na última jornada, criaria nos benfiquistas a sensação de que podiam voltar a perder na reta final; e em nós a ilusão de sermos campeões depois da pior época de sempre.

PS: Uma desilusão a lista de temas a debater no Congresso. Vou desenvolver o tema mais à frente porque ainda há tempo para algo mudar mas por ora vai valendo a interpretação literalista e não-atualista de que o Congresso se deve dedicar ao "estudo dos problemas fundamentais da educação física, dos desportos e das actividades culturais e recreativas e, bem assim, afirmar o espírito de solidariedade entre os desportistas portugueses em geral e os sportinguistas em particular". A meu ver, é mais uma oportunidade desperdiçada. Mas vamos aguardar.

21/03/2014

Ricardo Quaresma


Tenho uma confissão a fazer: na altura em que Quaresma e Ronaldo coincidiam no plantel do Sporting, eu era daqueles que dizia que Quaresma era melhor: o seu talento era superior; a sua afirmação (no Sporting) foi mais rápida; o contexto em que foi lançado (numa grande equipa) era bem mais difícil do que o de Ronaldo (lançado numa equipa medíocre). Mas acima de tudo Quaresma teve a lata de fazer, ao primeiro jogo oficial com a camisola do Sporting em Alvalade, as maiores patifarias aos adversários do FCP (nosso adversário no primeiro jogo do campeonato 2001/2002) que lhe iam surgindo pelo caminho. Sem medo, sem pressão e com muito, muito talento.

Hoje mantenho a opinião de que Ricardo Quaresma foi o mais talentoso jogador que vi lançar no Sporting Clube de Portugal. Não vi Futre (era muito novo) mas Quaresma, quando chegou ao plantel principal, tinha um talento inigualável. Superior a Figo, muito superior ao baixote que joga num clube de bairro de Barcelona, a meu ver superior a Ronaldo, superior a Nani, muito superior a Bruma.

Faz-me por isso muita pena que atue, novamente, pelo FCP, clube que consegue tirar dele um rendimento elevado. E custa-me muito vê-lo insultado em Alvalade, custa mesmo. Porque quando vejo golos como o de ontem, em Nápoles, sinto uma saudade imensa de ver aquele menino a dar cabo de um Mário Silva e a marcar golos como os que nessa época apontou ao Salgueiros, em Vidal Pinheiro, ou ao Leiria, em Alvalade. Obras de arte de talento puro.

Por isso continuo e continuarei a gostar de Quaresma: o mais talentoso que vi em Alvalade. O talento não chega para uma grande carreira; mas chega para ficar na memória. E o seu primeiro título de campeão foi em Alvalade, o que ele certamente não esquece.

19/03/2014

Navegação segura e com o vento a favor

O vento que carinhosamente teve o cuidado de levar a bola de Garay para tão bom porto, foi o mesmo vento que ajudou a bola a fugir de Gomaa num dos momentos decisivos do jogo. Num jogo que começou da pior forma, acabou por revelar um Benfica seguro do que vale. Muito mais seguro de si do que os seus próprios adeptos confiam. Era quase geral. Talvez seja o trauma da época passada (que é a hipótese que mais acredito), talvez seja também a anterior a entrar neste sentimento, talvez fosse ainda o mau início de campeonato, talvez a vitória do Sporting estivesse a atormentar um pouco, talvez seja o receio relativamente ao ego de Jesus ou talvez fosse o desgaste/brilho da Liga Europa que ofuscasse um mero jogo do campeonato. Talvez seja isto tudo junto. A verdade é que ia falando ao longo do dia com vários amigos que partilham da mesma cor e quase todos, com raras excepções, tinham a sensação que o Benfica ia escorregar na Choupana. Eu próprio também partilhava da mesma profecia. Podia ter acontecido, é verdade, mas não era merecido e o Benfica fez mais do que suficiente para assegurar a vitória.


Não comentei o jogo da Liga Europa. Disse antes deste jogo que não estava para aí virado e que o que realmente me interessava era o campeonato. No entanto, confesso que também eu fiquei doido com a exibição em Londres e já não consigo resistir a dar uma olhadela a possíveis adversários. Um orgulho que apenas se compara ao que tive dos incansáveis adeptos que marcaram presença no estádio e que se fizeram ouvir do princípio ao fim. Acabei por não comentar por deveres profissionais mas também porque se houve jogo que foi comentado até à exaustão, foi aquele. Jesus fez o mínimo que se exigia no que dizia respeito à aposta no campeonato, fazendo descansar os dois jogadores que podiam ver o seu rendimento mais afectado na Madeira por força do desgaste físico: Enzo e Gaitán. Depois foi o melhor e o pior de Jesus ao mesmo tempo. Quem não tem nada mais interessante para fazer e vai lendo estes posts, sabe bem que não tenho particular apreço por Jesus. Acho que numa tática com um só avançado, haveria vários treinadores a conseguir fazer o mesmo ou melhor sem termos que levar com o pior de Jesus, mas de facto, nesta táctica de 4-4-2, o mérito é todo dele. O posicionamento e movimentos dos jogadores é efectivamente bastante complexo pelo que os resultados que o Benfica vem conseguindo, é claramente mérito do treinador. O que se passou no banco, é dos momentos mais vergonhosos do Benfica. Se soubesse que o homem vira besta no calor do jogo mas que depois é humilde e colaborador com a estrutura (o abraço a Shéu no final do jogo com o Nacional poderá indiciar isso) podia engolir melhor o episódio, mas tenho muitas dúvidas pelo que fica mesmo atravessado...

Voltando ao Nacional, excelente resposta ao penalty madrugador (que me pareceu completamente injustificado) e aproveitando o vento a favor, foi uma pressão forte sobre o Nacional, várias jogadas de perigo e só descansaram um pouco quando viraram o resultado. Foi de quem sabe o que vale e o que quer e foi sobretudo de raiva. A forma como Garay festejou o primeiro ou segundo golo (não me recordo bem) disse tudo. Com o 3-1 ao intervalo, com o vento contra na segunda e com o desgaste de Londres, o Benfica tentou apenas controlar o jogo e conseguiu. No entanto, quando nada fazia prever, sofreu o segundo e pouco depois arriscou-se a sofrer o golo do empate. Felizmente veio o central goleador parte II e tudo se resolveu.


Notas de destaque:
- Garay obviamente pelos dois grandes golos;
- Rodrigo muito activo, a correr que nem um louco, a participar em grandes jogadas e com o melhor golo da noite;
- Super Gaitán;
- Grande Siqueira (começa a colocar grande pressão na elevada cláusula de compra).

Estamos no bom caminho. É só uma questão de não fazer asneiras a mais...

Quinta temos mais e lá estarei. Gostava de ver um dos centrais no banco, assim como Siqueira, Fejsa, Enzo, Markovic, Gaitán, Rodrigo e Lima (preferia Fejsa forte no campeonato mas face aos dois jogos seguidos de Amorim, não me chocava que fosse o inverso). 

     

18/03/2014

Sete dias em São Tomé


Sete dias em São Tomé, em cenários idílicos como o da foto, chegaram para recuperar as forças mas não fizeram esquecer o futebol. Por três motivos essencialmente:
- porque o futebol português está bem vivo em São Tomé, em cada rádio, em cada tv, em cada adepto;
- porque hoje em dia as tecnologias, mesmo nos confins da linha do Equador, permitem saber ao minuto o que se passa em Portugal (e não só);
- porque o facto de andarmos lá por cima na tabela leva a que procuremos saber o que anda a fazer o Sporting, mesmo depois de um dia passado entre a Praia Piscina e a Roça de São João de Angolares.

Assim, soube de imediato por um fiel ouvinte da rádio o resultado do Sporting em Setúbal. 2-2. Um insuspeito sportinguista (no sentido em que normalmente vê tudo a verde e branco) deu-me conta do seguinte:
- foi-nos mal anulado um golo, mas marcámos o primeiro golo em fora-de-jogo;
- o nosso penalty que deu o 2-1 foi forçado;
- o penalty que deu o 2-2 ao Setúbal foi ainda mais forçado.

Até agora, acreditem, não vi uma só imagem do jogo. Mas confiando no relato de um sportinguista com lentes verde e brancas, tenho que vos dizer que não percebo o motivo de tanta polémica. Caso ainda entendam pertinente, digam de V. justiça na caixa de comentários.

O que vi, isso sim, foi um clássico muito bem conseguido frente ao FCP. No conjunto dos 90 minutos, fomos efetivamente melhores. E não concordo absolutamente nada com a análise dos portistas de que a primeira parte foi deles e a segunda foi nossa. Nada disso. A primeira parte foi dividida e a segunda também equilibrada, embora com mais domínio nosso (até porque marcámos relativamente cedo).

Na primeira parte, o Sporting e o FCP foram essencialmente separados por dois fatores: (i) Quaresma deixado permanentemente no 1x1 com Cedric (se repararem, na segunda parte Cedric tinha sempre alguém no apoio) e (ii) incapacidade nossa de fazer o último passe em 3 ou 4 lances de desequilíbrio pelas alas do FCP (Danilo, em especial, resolveu explicar porque é que nunca será DD da seleção brasileira). Ou seja, se contabilizarmos as oportunidades reais de golo, efetivamente temos 3 para o FCP e nenhuma para o Sporting. Mas das 3 do FCP, 2 são geradas por lances individuais de Quaresma; e os tais 3 ou 4 lances que tivemos (com extremos ou laterais completamente isolados nos flancos) foram sendo concluídos com passes de má qualidade. Isso, a meu ver, não determina que o FCP foi melhor - apenas que, como todos já sabemos, tem executantes de melhor qualidade. Aliás, se considerarmos a capacidade das duas equipas de construir jogo, vemos que o FCP não conseguia sair a jogar (perdeu inúmeras bolas ainda na defesa) e que a sua pressão na defesa do Sporting (que sente grandes dificuldades para sair a jogar quando é pressionada) foi quase inofensiva.

Na segunda parte, entrámos muito bem e fizemos o golo, depois controlámos mas comprovámos uma vez mais que somos talvez a pior equipa da Liga a jogar em contra-ataque. O Benfica, contra o FCP de Domingo, teria provavelmente goleado, tantos foram os lances de vantagem numérica desperdiçados (alguns deles pelo enorme William, que tem ainda que melhorar a saída de bola nestas situações).

O que mais supreendeu foi a total descaracterização deste FCP: qualquer FCP da década de 90, daqueles que tinham Bandeirinhas, Semedos e Vlks, tinha forçado o Sporting a meia-hora de sofrimento; este FCP, com jogadores de grande categoria como Alex Sandro, Fernando, Jackson, mesmo Quaresma, assustou apenas num momento, numa enorme fífia do Rui Patrício (jogo muito inseguro...). Pinto da Costa foi permitindo a descaracterização do FCP e os últimos dois títulos, caídos do céu, disfarçaram os seus erros. Houve aquele momento-chave da contratação de Lucho (que na altura considerei um disparate do ponto de vista de gestão desportiva, mas hoje reconheço que foi efetivamente uma jogada essencial) mas agora nem Lucho há. E é hoje nítido que faltam referências a este FCP, faltam líderes "à Porto", faltam aqueles jogadores que nós (adversários) detestamos (os Rodolfos, os Andrés, os Paulinhos Santos, os Jorges Costas) mas que são essenciais para a tal mística portista que fez do FCP o que ele é hoje

Quanto à arbitragem, o FCP tem tanto ainda para ser prejudicado para compensar os últimos 30 anos que nem me apetece falar. Mas queria dizer o seguinte:
- para mim, o lance do Cedric sobre o Jackson é de facto penalty;
- no lance do golo do André Martins, percebo que BC tenha assumido o erro a nosso favor para não ficar mal na fotografia, porque efetivamente parece haver fora-de-jogo. Mas eu, por acaso, entendo que é daqueles lances em que o fiscal-de-linha se limitou a aplicar o princípio de que, na dúvida, se beneficia quem ataca. Ainda não ouvi ninguém dizer isto e acho que sei porquê: é que no momento em que a SportTV pára o lance, já a bola saiu do pé do William! Se o lance for parado uns milésimos de segundo antes, com a bola no pé do William, o André está, se tanto, 1 cm fora-de-jogo.
- a expulsão do Fernando é um perfeito disparate, é claramente amarelo.

Nota final para Slimani, que fez a vida negra aos centrais do FCP. Já merecia ser titular há mais tempo. Por muito que Montero seja importante no jogo da equipa, estava a eternizar-se no lugar, como aqui fui dizendo (um bocadinho contra a corrente...).

Temos 5 pontos para gerir e um calendário mais complicado do que o do FCP, o segundo lugar está longe de estar assegurado. Quanto ao título, está entregue e bem entregue - o Benfica tem o melhor plantel, acabou por conseguir formar a melhor equipa e neste momento da época joga indiscutivelmente o melhor futebol. É justo.

PS: Ainda sobre São Tomé - incrível verificar como o Sporting não existe. 90% Benfica, 10% FCP, não conheci uma só alminha que me dissesse que era do Sporting ou sequer que conhecia alguém que fosse. Não acreditava neste tipo de relato de quem vive em São Tomé, mas vi com os meus próprios olhos. O Sporting tem muito trabalho a fazer para estar presente nestes mercados...

10/03/2014

No mínimo, convincente

Antes deste jogo, dizia a amigos que estava muito confiante para este jogo. Porquê? Porque sabia que o Benfica ia encarar este jogo como um dos mais importantes da época e isso faria toda a diferença um vez que a nível de qualidade individual não há qualquer dúvida. E assim foi. O Benfica encarou este jogo como se do outro lado estivesse Porto ou Sporting. Por coincidência (e por outros motivos), repetiu o resultado conseguido contra essas mesmas equipas. Na mesma linha desses jogos, a vitória foi clara e sem margem para dúvidas.

O Benfica entrou fortíssimo e ficou em vantagem logo aos 6 minutos (folgo em saber que Marco Silva também gosta da estratégia de Jesus de defender os cantos com a filinha pirilau na linha da pequena área, o Luisão agradece) mas antes disso já tinha perdido duas ocasiões de golo. E também não foi surpresa quando aos 19 minutos já vencia por duas bolas. Depois disso foi o novo Benfica. O novo Benfica que sabe chegar à vantagem mas que depois também sabe gerir o jogo, descer as suas linhas, fechar o caminho para a baliza com toda a equipa a defender e a funcionar como bloco  (sim, o facto de não existir Cardozo facilita este trabalho), a não se importar que o adversário tenha a bola, a não permitir uma única ocasião de golo e a tentar aproveitar qualquer deslize do adversário para contra-ataques rápidos. É claro que se não fosse o trauma da época passada, era muito mais fácil assistir a esta estratégia. Com aquela sucessão de Maio, estamos sempre à espera de mandar duas bolas ao ferro, falhar ocasiões de golo e depois sofrer um golo de canto aos 85 e outro de livre nos descontos. Está demasiado fresco ainda. Ainda dá para recordar aquela sucessão incrível de alegrias e o futebol espectacular para depois... E é por isto que festejamos um golo em Setúbal quase como se fosse um golo do Benfica e que esperamos ansiosamente por um Sporting-Porto para ver se dá um empate e assim encurtar ainda mais o caminho para o título. Com tanto trauma, com tanta vantagem pontual desperdiçada nas últimas épocas, estamos assim a pedir uma almofada cada vez maior para sonharmos com o título mais descansados.


Destaques do jogo:
- finalmente uma casa decente para apoiar a equipa com 56 mil nas bancadas;
- Gaitán está numa forma fenomenal e incluiu a assistência para Luisão, o grande passe para Siqueira que depois ofereceu o golo a Rodrigo e a assistência para Lima que viu o golo mal anulado;
- Fejsa fez mais um jogão, mesmo com um amarelo logo aos 8. Durou o jogo todo, segurou o meio campo, corte atrás de corte, recuperação atrás de recuperação e também bons passes. O fantasma de Matic não existe no Estádio da Luz e espero que o de Fejsa não apareça na Choupana;
- Defesa de betão;
- Salvio está com muita vontade mas tão fora de forma...;
- Ruben, mais uma vez, deveria ter entrado mais cedo;
- Jesus tem que receber os elogios. Não permitiu que a época passada entrasse no balneário e foi um Benfica confiante e que sabia o que queria que hoje entrou em campo. Recebe os elogios porque depois de uma defesa que no início da época não parava de sofrer golos, hoje praticamente não os sofre.E sobretudo porque, ao contrário do que esperava, parece que aprendeu mesmo alguma coisa com a época passada. Vamos ver se isto se confirma com a gestão que fará contra os londrinos.

O Sporting empatou (não entro aqui na discussão do que levou ao empate, deixo isso para o meu amigo Koba) e obviamente que isso beneficia o Benfica e daí os festejos. No entanto, para mim, não deixou de ter um sabor agri-doce. Festejei porque respeito o Sporting e os 5 pontos ainda não eram uma diferença significativa mas preferia que o Sporting mantivesse 4 pontos para o Porto. Obviamente que quero um Porto que ganhe menos do que tem acontecido nas últimas décadas pelo que se não for à Champions, será mais complicado contratar como fez na época seguinte à do Benfica ser campeão em que, só em dois laterais, gastou mais de 30 milhões de euros.

Já só consigo pensar na próxima jornada. Para já, a Liga Europa passa-me completamente ao lado...

05/03/2014

"E nem uma palavra sobre o jogo com o Braga?"

Perguntam vocês...

Respondo eu: não tenho muito tempo.

Gostei de ganhar, gostei da atitude da entrada no jogo e na segunda parte, gostei do Mané, gostei (muito) do William, acho que o Rojo fez um ganda jogo (como diria JJ) e penso que a arbitragem foi muito boa. Gostei de alguns momentos do Braga e gostei muito do Rafa.

Não gostei do Magrão, da pouca versatilidade ofensiva, do azar e nabice no golo sofrido, do sufoco final e dos poucos minutos dados ao Vítor.

Ganhar em Setúbal e ganhar ao FCP em casa é uma carimbadela forte no segundo lugar. E acho que tudo isto é possível. Quem diria?...

03/03/2014

Aquele golo não merecia

O Benfica começou da melhor forma este jogo e logo aos 7 minutos tive a oportunidade de festejar nas bancadas do Restelo. E que melhor razão para festejar do que um golo de génio (mais um) de Gaitán? Depois disso, o jogo ficou igual ao tempo, cinzento e triste. O Benfica, numa tendência que é cada vez mais notória esta época, deixou de correr atrás do golo e preferiu seguir uma toada mais calma e segura. Se na primeira parte o conseguiu com distinção, na segunda já não foi bem assim com o adversário a conseguir alguns cruzamentos perigosos e sobretudo com o golo que acabou por ser anulado mas muito mal anulado.



De resto não há muito mais a dizer. O Belenenses parou inúmeras jogadas do Benfica recorrendo à falta, um pouco à semelhança do que Fejsa também fez neste jogo. Nico foi de longe o melhor em campo e num segundo plano acho que apenas consigo dar algum destaque a Siqueira. De resto foi tudo muito fraquinho. Gostei de ver Jesus a ensaiar Salvio à direita, Markovic a acompanhar o avançado e Gaitán na esquerda. Não deu nada neste jogo mas é a solução que mais gostava de ver nesta equipa. E por falar em gostar, também gostei do discurso de Jesus (sim, é verdade, parecia impossível mas gostei mesmo): o excesso de confiança é efetivamente uma grande ameaça para o Benfica e esta tarde podia perfeitamente ter causado um dissabor.

Com tudo o que o Estoril já fez na época passada (incluindo o resultado na Luz) e o que está a fazer nesta, acredito que o próximo jogo com o Estoril não será encarado como apenas mais um jogo em casa. E se assim for, fará toda a diferença.

P.S.: As entradas para o estádio são uma vergonha. Filas infindáveis e quase 45 minutos à chuva para conseguir entrar. E as bancadas nem sequer estavam cheias! Se se preocupassem com a organização dos jogos em vez de se preocuparem com os cachecóis do Benfica na bancada, faziam bem melhor. E por fim para rir, acreditam que o speaker do Belenenses incentiva mesmo um "E quem não salta é pastel"?!