03/02/2014

O fecho do mercado, o 0-0 com a Académica e a antecipação do derby

Vai sem foto - porque empatámos (e porque é longo).

1. Fecho do mercado

O Sporting contratou 2 jogadores para a equipa A e 3 para a equipa B. Pelo meio, colocou Labyad, rescindiu com Jeffren e manteve Elias, ao mesmo tempo que cedeu Nuno Reis, Tobias Figueiredo, João Mário, Betinho, Cissé e Alexandre Guedes.

Ao invés de fazer uma análise a cada uma destas situações, prefiro tentar responder à seguinte pergunta: a intervenção do Sporting no mercado de Janeiro significa uma inversão da (suposta) estratégia de aposta na formação? A minha resposta é: a meu ver, não. E passo a explicar porquê.

O que significa apostar na formação? A resposta é muito complexa e tem diversas variantes. Mas em termos muito simplistas, creio que significa, basicamente, o seguinte: dar preferência aos jogadores da formação na construção da equipa principal. Sucede que essa preferência tem que se basear num princípio minimamente sério de avaliação de qualidade - diria que a aposta é feita desde que os mesmos tenham pelo menos o potencial (não necessariamente já a qualidade) para atuar na equipa principal.

Isto dito, apostar na formação não significa deixar de olhar à volta e ver as oportunidades do mercado, nomeadamente quando na formação/equipa B não encontramos as opções que procuramos.

Assim, se as entradas e saídas da equipa B geram algumas dúvidas (essencialmente porque as saídas é que motivaram as entradas e não conhecemos as razões das saídas), já na equipa A creio que o raciocínio para as contratações da equipa A não significa necessariamente que a aposta na formação tenha ido pelo cano.

No caso de Heldon, creio que esse raciocínio foi o seguinte:
1. O rendimento dos nossos extremos tem sido inconstante, sendo que um deles (Capel) até ganha demais para aquilo que é a nossa situação atual e temos o objetivo de o transferir.
2. Lançámos um jovem da equipa B (Mané) que ainda precisa de crescer um pouco mais até se constituir como opção sólida e não há (aos olhos dos responsáveis, claro está) nenhum outro jogador na equipa B que possa afirmar-se nesta fase na equipa principal nessa posição.
3. Por um valor acessível (quer quanto à contratação em si, quer quanto ao salário) temos a possibilidade de contratar um jogador que consideramos ter qualidade, está adaptado ao campeonato nacional e é neste momento o terceiro melhor marcador da competição.
4. Esse jogador seria uma boa solução caso consigamos transferir Capel mas convém que o asseguremos já porque pode sair para fora do país ao abrigo da Lei Webster e quanto mais tempo passe mais barato se torna ao abrigo dessa mesma lei.

Quanto ao Chico Bala (será assim carinhosamente tratado por aqui, mas no tag estará o nome verdadeiro), creio que a lógica é semelhante, mas com a seguinte constatação adicional: os jogadores que temos utilizado a 10 (ou como elemento mais adiantado no MC, se preferirem) são, na realidade, mais 8 do que 10 e não estão a trazer ao jogo interior da equipa a criatividade que esperávamos. Há na equipa B quem possa ser o 10 que faça a diferença? [eu não sei a resposta, assumo que não conheço assim tão bem a equipa B]

Claro que, depois de já ter assumido no A Norte de Alvalade que me enganei com Magrão (esperava que fosse ele esse tal jogador e já deu para ver que não é) e noutro fórum ter assumido que apenas aceitei a contratação de Cissé antes da vinda de Slimani (porque depois percebeu-se que não fazia sentido - lá está, quem aposta na formação não pode/não deve contratar fora jogadores que serão 3ª opção), não seria estranho que viesse aqui mais tarde dizer que afinal me enganei com o Heldon e o Chico Bala.

Mas se o fizer, será porque o Heldon não demonstrou categoria; nunca virei dizer que não precisávamos dele para nada.

Em suma, achei a intervenção do Sporting em Janeiro positiva, partindo do pressuposto que as entradas na B foram motivadas pelas saídas e não o inverso. O inverso sim, seria preocupante e uma inversão dos princípios que deve adotar quem aposta na formação (porque o raciocínio de subida dos BB para os AA deve ser, digo eu, equivalente ao da subida dos juniores para os BB).

Contas feitas, fica por resolver um enorme problema: Elias. Creio que foi inscrito, mas já percebi que não vai jogar. Que se encontre uma solução rapidamente, porque custa bem caro.

2. 0-0 com a Académica

Começa a preocupar-me a tendência de dar a primeira parte de avanço. Há quem defenda que joguemos de início com 2 PL; eu limito-me a defender que entremos na 1ª parte com a agressividade com que temos encarado a 2ª parte. E, já agora, que o Fredy Montero descanse um pouco. E esta não digo para chatear o rapaz - acho mesmo que precisa de tirar dos ombros a pressão de ter que resolver os jogos.

Na 2ª parte, aconteceu aquilo que tantas vezes acontece aos grandes, mesmo em casa: aqueles jogos em que podíamos estar ali mais uma hora e a bola não entrava. Não me lembro de ter visto num jogo tantos remates direcionados à baliza intercetados por defesas (concordo com o Conceição, o GR da Briosa nem fez um jogo por aí além). Inúmeros lances de perigo, poucas oportunidades propriamente ditas porque havia sempre um pé, ou uma cabeça, ou umas costas, ou mesmo um braço (num caso não intencional, noutro ...aham... adiante) no caminho da bola. Ah, e duas concessões ao meu amigo Império dos Temakis:
- o jogo interior quase não se viu, tudo pela ala e cruzamento, quase sempre;
- a jogar assim, o Wilson Eduardo não faz um poker nem na playstation, quanto mais na Luz...

Note-se que a Académica esteve sempre organizada e, a partir da entrada do Salvador Agra, perigosa. O jogo não foi fácil e os adversários não estão lá para nos facilitar a vida, percebamos isto. Com o aumento do "prestígio", aumenta a responsabilidade e aumenta pressão. Que os jogadores tenham que aprender a viver com isso e os adeptos tenham que ter a paciência de não por mais pressão onde ela já existe, aceito (neste ano!); que o speaker, à entrada para a segunda parte, grite a plenos pulmões "vamos Sporting, a caminho do 1º lugar" acho sinceramente inacreditável.

Quanto à arbitragem... irritante, como sempre, mas reconheçamos o seguinte: ninguém se apercebeu, no estádio, do lance do penalty; o amarelo ao William (que tanto me irrritou, ao ponto de gritar "foi isto que vieste cá fazer, seu filho de uma grande profissional do sexo") é aceitável (e, se perdoado, daria azo à discussão contrária àquela que estamos a ter).

Uma palavra ainda para o Maurício: de que me lembre, não perdeu um só lance no ar. Grande joga, melhor em campo.

3. Derby

O que eu faria não jogando Jefferson e confirmando-se a lesão de Adrien?

Patrício, Cedric, Maurício, Rojo, Piris, Dier, Martins, Vítor, Carrillo, Mané, Slimani

Com Adrien, Rojo vai para DE, Dier para DC e Adrien para trinco.

MC com bons pés, tentar batê-los pela relva e pela superioridade numérica no MC (o JJ não vai abdicar dos dois PL).

Acima de tudo, encarar o jogo sem pressão. A pressão tem-na o Benfica, que é candidato ao título e se perder fica com o FCP a apenas 1 ponto. Nós temos que fazer um bom jogo e jogar para ganhar, como sempre. Se perdermos, ficamos a 1 ponto do 2º lugar, que não anda a jogar nada e ainda vamos receber em casa. Abrimos, é verdade, a via verde ao Benfica para ser campeão este ano, mas isso é algo que pouco me importa. Quero ganhar porque... quero ganhar sempre.

6 comentários:

  1. Bom post como diz o outro subscrevo na totalidade!

    Obvio que o penalty nao é escandaloso mas é mais 1 que fica por marcar e a verdade é que nos 4 jogos que não vencemos em Alvalade em 2 ficaram penaltys por marcar a nosso favor e contra o nacional foi anulado 1 golo injustamente como é obvio houve jogos em que fomos beneficiados mas entre o deve e o haver acho que temos motivos de queixa, no entanto a minha critica vai mais para a complacência para o anti jogo da acadêmica.

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  2. A minha visão sobre as consequências deste péssimo resultado está suspensa/adiada até ao final do próximo domingo.
    No entanto, algumas considerações ao post (justamente longo):
    - não fomos monstruosos mas fizémos quase tudo para ganhar; Slimani tem 2 ocasiões, dentro da pequena área, Montero tem 2 remates desviados que iam para a baliza (fruto do seu grande trabalho, a qualidade está lá), já próximo da pequena área e ainda há o cabeceamento de Slimani aos 94 que o Ricardo bem podia ter ficado parado (foi mau!!). No entanto, tudo isto foi na 2ª parte. E a 1ª? Remate de Montero e Jefferson? Pouco, muito pouco... Cédric, Maurício e Carvalho foram os melhores, de longe.
    - arbitragem: anti-jogo; amarelo a William demonstra a má preparação deste árbitro (não se tira ninguém do jogo mais importante da época daquela maneira, aos 92 minutos, numa falta(?) a um jogador que se encaminhava para fora do campo; claramente má vontade); penalty que o fiscal de linha tem de ver e a agressão violenta a Jefferson que o deixará de fora por algum tempo;
    - mercado: contratações foram para atacar o Campeonato, sem dúvidas. Não sei se os jogadores são os certos mas alegra-me ver que se tentou colmatar as maiores lacunas deste Sporting, a posição 10 e as alas atacantes.

    Derby (não digo o meu prognóstico porque sou sempre péssimista):
    - sem as ausências, eu apostava assim:
    Patrício
    Cedric, Maurício, Rojo, Jefferson
    William
    Martins, Adrien, Vítor (ou Magrão)
    Heldon (Wilson ou Carrilo); Montero

    Com as ausências (e com o Adrien):
    Patrício
    Cedric, Maurício, Rojo, Píris
    Dier
    Martins, Adrien, Vítor (ou Magrão)
    Heldon (Wilson ou Carrilo); Montero

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  3. Ace/Cantinho, no dia em que os árbitros deixarem de ter complacência com o anti-jogo dos pequenos nos estádios dos grandes, os jogos acabam todos com 9 e 10 minutos de descontos. Temos que saber viver com isso, ao invés de dar primeiras partes de avanço. E, enquanto as coisas não mudarem, saber viver com o facto de que no Dragão são 6 minutos, na Luz são 5 e em Alvalade são 4...

    Cantinho, está aí uma boa ideia para ganhar o MC mas será que a equipa está minimamente rotinada para jogar com 4 no MC? Caso esteja, é sem dúvida uma boa solução.

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  4. Cantinho, vi agora que ontem, pela equipa B, alinharam Piris e Magrão como titulares. Parece-me que é um forte indício sobre as soluções para a Luz...

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  5. Koba,

    se os jogos tiverem de acabar na segunda-feira devido às perdas de tempo que assim seja. E amarelos para queimar tempo também podem e devem ser dados na 1ª parte. Uma vez (a única) vi o Rui Patrício levar um amarelo na Figueira da Foz, na 1ª parte, com o resultado 0-0. Também temos de aprender a viver com isso?
    Por isso é que para mim era 30 minutos para cada lado, com o relógio a parar, tal como o Futsal, Basket, etc.

    Quanto à equipa, é óbvio que não estará rotinada pois são muitas mudanças mas podemos surpreender, pelo menos enquanto o resultado estiver a nosso favor. Se começamos a perder...
    Parece-me bem a inclusão de Magrão e Píris na B e também pensei logo nisso quando vi que tinham jogado. Mas o certo é que também não há muito mais soluções. Adrien, pelo menos, está sem lesões. Mas hoje ainda é só terça-feria...

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  6. Cantinho, infelizmente, temos mesmo que viver com isso. Porque as coisas, atualmente, são assim. Fora do relvado, barafustemos tudo o que haja a barafustar, claro que sim. Dentro do relvado, o que digo é que quando damos primeiras partes de avanço, não "podemos" ficar revoltados quando acontece, na atribuição do tempo de descontos, aquilo que já sabemos que vai acontecer.

    Isto não significa, note-se, que tenhamos que manter um sorriso nos lábios ou ficar calados (pelo contrário). Mas infelizmente queixas na Liga e protestos nos jornais normalmente dão poucos pontos...

    Um abraço

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