13/02/2014

O derby de sentido único

Apesar de Jardim ter perdido o efeito surpresa, apesar de não jogar William, apesar de duvidar da táctica de dois avançados do adversário, apesar de tudo, não esperava. Simplesmente não esperava um derby tão desequilibrado, em que o domínio fosse tão claro e em que as oportunidades de golo se multiplicassem para um só lado e em que aos dois minutos já tivéssemos duas jogadas de grande perigo. Mas é basicamente este o resumo da partida. Só deu Benfica.

Ao intervalo estava preocupado com tanto desperdício pois estava à espera que Jardim corrigisse a táctica durante o descanso, tirando um dos dois avançados e que conseguisse assim equilibrar o jogo e ficar mais próximo do empate. Felizmente o treinador do Sporting não entendeu assim (mesmo se o fizesse, tenho muitas dúvidas que conseguisse chegar ao nível a que o Benfica estava). Sendo assim, a segunda parte foi mais do mesmo, com muito desperdício dos avançados do Benfica e com Enzo, por fim e de forma magistral, a acabar com as dúvidas.


Do Benfica destaco as boas iniciativas de Gaitán, o posicionamento de Luisão especialmente na primeira parte, o monstro Fejsa (velocidade, força, capacidade de antecipação e segurança a trocar a bola na defesa) e o fenomenal Enzo (já não consigo encontrar mais formas para o elogiar e só espero pelo jogo em que todo o estádio lhe faça as vénias devidas). Do Sporting, Patrício que evitou um resultado mais dilatado, Adrien que está mesmo um senhor jogador, Montero que é bom de bola mas que estava longe, longe da baliza e Héldon que era o único que ainda me fazia ficar preocupado.

Com estas duas vitórias bem conseguidas e pelo mesmo resultado frente a Porto e Sporting, praticamente perdi a esperança de ver o meu Benfica a jogar em 4x3x3, com um meio campo com Fejsa, Enzo e Amorim ou André Gomes ou mesmo uma versão mais ofensiva com Fejsa, Enzo e Markovic (e com o Salvio de regresso ao lado direito!).



Gostei de, nas entrevistas pós jogo, todos os jogadores e treinador falarem da necessidade de manterem os pés bem assentes no chão e de sobretudo não ter existido uma única referência à época passada. É indispensável que todos os fantasmas desapareçam de vez e este foi um bom jogo para ajudar. Agora o importante é continuar a vencer e não desperdiçar pontos e, por outro lado, ver a importância que daremos à Liga Europa. Apenas a utilização de jogadores como André Gomes, Ruben Amorim, André Almeida, Sílvio, Cavaleiro e Sulejmani me fará acreditar que esta prova não será uma causa de desgaste para o campeonato que tanto queremos.

6 comentários:

  1. Gorbyn, duas notas sobre o JJ

    1. O JJ preparou muito bem o jogo e duvido que o tenha feito apenas entre Domingo e Terça Feira. A verdade é que, com Slimani ou sem Slimani, o principal problema do Sporting tem sido a incapacidade de construir o jogo. E já tinha assinalado no meu último texto, dando razão ao meu amigo (e feroz crítico) Império dos Temakis, que o Sporting efetivamente revela imensas dificuldades no jogo interior (as quais efetivamente parecem mais resultar do modelo de jogo do que da (in)capacidade dos jogadores do meio-campo). O que o Benfica fez foi bloquear a saída da bola nos "caminhos" que o Sporting usa habitualmente para o efeito. E sem William o Sporting viu-se sem alternativas: não conseguia sair pelas alas, pelo meio estava um pressionado Dier sem capacidade para resolver os problemas que lhe foram criados (alguns por ele próprio) e a até a solução do atraso ao GR ficou condicionada por aquele lance do Patrício. Foi disparate atrás de disparate e perda de bola a cada posse. Aí esteve a chave dos primeiros minutos que, a meu ver, marcam o resto do jogo.

    2. Acho que o JJ não vai fazer nada do que dizes na Liga Europa. Pode rodar um ou outro mas vai manter o 11 base. Com todas as qualidades que o JJ tem e que lhe reconheço, tem também um defeito com o qual os adversários normalmente contam: é garganeiro. Vai querer ganhar todas as competições e vai usar a melhor equipa por regra. Recordo aquela meia-final da Taça da Liga com o Sporting há 3 ou 4 anos em que o Benfica, com uma enorme sobrecarga de jogos e nas vésperas de receber o FCP, jogou com o 11 base. O ano passado acabou por sair tudo mal, este ano bastaria que o campeonato saísse bem (os adeptos esquecem rápido) mas ele não pensa assim. Para o bem e para o mal, ele é assim...

    Abraço

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  2. Já que o Império dos Temakis é para aqui chamado...

    Sobre o post: considerar o jogo de "sentido único" por causa de oportunidades falhadas é falacioso. O jogo não foi de sentido único, principalmente no princípio da 2ª parte em que houve - o que já vem sendo tradicional no Benfica desta temporada - um recuar de linhas para um bloco médio/baixo, por opção do Jesus seguramente. O Sporting não aproveitou que lhe tivesse sido concedida a iniciativa do jogo, mas essa opção, principalmente em função do tipo de avançados que o Sporting tinha em campo, foi tudo menos inteligente: o Slimani não vale um caracol fora da área mas pode ser perigoso se a bola lá chegar... se o Benfica continuasse a defender no bloco médio/alto da 1ª parte, a bola nunca teria chegado à área. Assim pôs-se a jeito. E como os jogos têm "humores" muito diferentes consoante os golos, que podem cair do céu aos trambolhões, pôr-se a jeito para sofrer um golo - quando não havia qualquer necessidade - foi um erro crasso. Trocar a bola pelo espaço, ainda que se tenha tirado partido para criar algumas situações de 3x3 e 4x4, poderia ter custado bem caro ao Benfica.

    Sobre o comentário do Koba, na sequência de um post a roçar o inenarrável, há que dizer o seguinte: "Quando coloco um jogador como Montero nas costas de Slimani quero mais jogo aéreo, maior presença na área, quando jogam outros, dou prioridade à construção. É uma opção, se não for inicialmente, pode ser durante o jogo".

    O JJ não bloqueou as saídas. O Sporting pura e simplesmente não quis "sair". Pelas palavras do seu treinador, não deu "prioridade à construção". Ouvir um treinador do Sporting dizer isto é chocante, mas como tem 38pts pode dizer o que lhe aprouver.

    No mais, foi uma semana excelente! Excelente! É só contar o número de pessoas que se referia ao Sporting como jogando num 4-3-3, ou à contratação de um médio ofensivo (quando o Sporting joga sem um jogador nessa posição) - ou então contar o número de pessoas que dizia que o Sporting na realidade jogava em 4-4-2 e sem médio ofensivo... -, comparar com as declarações do Jardim de ontem, e fazer a distinção entre quem percebe um mínimo dos mínimos e os outros.

    O que é mais engraçado são as implicações - não ao nível do conhecimento de massas, mas ao nível do modelo de jogo e da sua implementação na equipa B e nos restantes escalões de formação - que este modelo tem. Mas lá está. "O futebol é o momento...".

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  3. Império, meu caro, estás a precisar de uns temakis para desanuviar

    Se o futebol não fosse o momento, não tinha tudo caído em cima do Leonardo na 4ª feira!

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  4. Koba, enquanto o futebol for "o momento" a formação do Sporting andará ao sabor dos modelos do treinador principal (caso este tenha sucesso). É pouco. É curto. E é uma inversão do que se poderia depreender pela "aposta na formação".

    Para mim é uma batalha perdida até ser ganha. Até lá vou assinalando quem achava que o Sporting jogava em 4-3-3 (Freitas Lobo incluído).

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  5. Eh pá, não confundas as coisas:

    - o futebol enquanto fenómeno mediático É o momento, goste-se ou não, porque é consumido por milhões de pessoas, transmitido por dezenas de OCS e é pago por empresas que vivem precisamente do momento (a título de exemplo, um contrato de patrocínio paga menos se não fores à UEFA)

    - tema completamente diferente é o de uma estratégia desportiva dever ou não ser condicionada ao momento. Eu aí concordo que, em tese, o momento não deveria condicionar uma estratégia desportiva. O problema é que uma estratégia desportiva, para sobreviver, precisa do momento!! Porque sem momento, e pelos fatores que referi no anterior parágrafo, não há estratégia que valha.

    Já agora, o facto de se contratar "um médio ofensivo (quando o Sporting joga sem um jogador nessa posição)" pode significar que o treinador quer jogar de outra forma e ter outras alternativas, ou não?

    E by the way, reconhecendo humildemente que sabes mais de futebol a dormir do que eu acordado, eu sempre vi a equipa do Sporting a atacar em 4x3x3, muito embora sem bola o Martins se chegasse ao Montero para fazer uma primeira linha de pressão (o que conduzirá a que digas que nos posicionamos sem bola em 4x4x2, é isso?)

    PS: pergunto-te quantos treinadores do Sporting aplicaram o "modelo Sporting" ao futebol sénior desde que a formação é considerada mais do que uma brincadeira (diria nos últimos 10/15 anos).

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  6. Ainda está para vir o dia em que confundo as coisas...

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