28/02/2014

Gregos despachados

Jesus continuou com a prometida rotação para a Liga Europa e podemos dizer que correu bem. Apesar de terem sido poucos os titulares do jogo com o Guimarães que também iniciaram este jogo, a consistência e segurança não foi afectada (Luisão e Garay acabaram por contribuir bastante para esta realidade). O Benfica teve um domínio tranquilo do jogo, sempre com mais perigo junto da baliza adversária e apenas apanhou um susto provocado pelos gregos (o outro foi provocado pelo próprio Artur como que a querer provar que a titularidade no campeonato está bem entregue). Após a expulsão de Katsouranis, vieram os lances de génio e a vitória folgada.


Notas para além do já referido em relação aos centrais e guarda-redes:
- continuo a não perceber como André Gomes foi valorizado a 15 M€. Tem técnica e poder físico mas é de uma lentidão e apatia que me faz confusão;
- Amorim está com vontade de jogar bastante mais e nota-se bem em campo;
- Djuricic não consegue fazer uma exibição digna de registo;
- deu para perceber que Salvio vai ser reforço e a muito breve prazo;
- Grande Gaitán!;
- Cardozo mostrou o seu pior lado. Parece que não veio em forma desta lesão como veio da anterior;
- Markovic, é pedir muito apenas mais uma época? E já agora, precisas de ideias para como festejar os golos?

Agora vêm os ingleses pelo que tenho muito receio da mistura explosiva da vantagem pontual no campeonato com o ego de Jesus ao jogar com equipas inglesas. Duvido que na próxima eliminatória faça mais do que duas ou três alterações face à equipa titular do campeonato, não dando o devido descanso à equipa e focar no nosso principal objectivo.

Falando precisamente disto, do que mais importa para nós adeptos, a entrevista de Matic à TSF por força do prémio de melhor jogador do campeonato acabou com as poucas dúvidas que tinha. Os jogadores ainda não perceberam e acredito que Jesus não esteja num comprimento de onda muito diferente. Quando perguntaram ao sérvio qual foi o seu pior momento no Benfica, ele respondeu "A final da Liga Europa". O pior momento para ele deveria coincidir com o pior momento para os adeptos e esse todos sabemos qual foi. Enquanto não existir esta convergência, não haverá uma sintonia perfeita entre equipa e adeptos...


                                                                 Parabéns Benfica!

P.S.: O que foi aquilo Jesus? Quando a equipa pouco jogava dizias que os adeptos do Benfica eram importantíssimos e que ajudavam a equipa nos piores momentos. Agora que a equipa está em altas já preferes enaltecer os adeptos adversários presentes no nosso estádio. Pareceu recado, não tenho a certeza se o foi, mas sei que não foi bonito.

25/02/2014

Tanta ansiedade...

De facto, não estamos mesmo habituados a assumir sem reservas o favoritismo e a disparar na liderança da liga. Com a oportunidade de ficar com o Porto a 7 pontos e de restabelecer a distância de 5 para o Sporting, o nervosismo imperou pelo relvado da Luz. Acho que nunca tinha visto tantos passes falhados do Benfica como neste jogo... Até entrámos decididos a resolver o jogo, com uma grande oportunidade logo nos primeiros segundos, e até o péssimo relvado roubou um lance de grande perigo a Rodrigo. Mas de resto, meu Deus, foi mesmo precipitação atrás de precipitação, passes diretamente para fora, dribles falhados, enfim, diria que a ansiedade dos jogadores conseguia superar a que existia nas bancadas.

Controlando o jogo em quase toda a primeira parte, o Benfica teve várias oportunidades com a participação quase sempre de Markovic mas ainda teve um susto provocado por Mazou. Na segunda parte, o Guimarães teve bastante mais bola e aumentou significativamente os níveis de ansiedade no terceiro anel. Felizmente o bloco defensivo continuou a fechar os caminhos para a baliza de Oblak e não houve deslizes.


Notas:
- Siqueira, sem deslumbrar, fez um grande jogo. Cortou tudo o que havia para cortar e pareceu-me que foi o jogador que mais cabeceamentos ganhou, não deixando de soltar a bola sempre com classe e precisão. Apenas não teve grande fulgor nos lances ofensivos;
- Jardel fez também um grande jogo, aproveitando a sua capacidade de antecipação e velocidade. Mesmo parecendo que tinha acabado de chegar da Praça da Independência de Kiev, esteve bastante seguro;
- Suljmani e Lima, fraquinhos, fraquinhos...
- Enzo deve ter sofrido amnésia após o choque de cabeça com Jardel e esqueceu-se como fazer os habituais grandes jogos a que nos habituou. Rezamos para que seja temporária;
- Rodrigo esteve bastante solto, rápido sobre a bola e com movimentações muito interessantes. Fez ainda o grande passe para o golo de Markovic;
- o prodígio sérvio foi simplesmente fabuloso. O golo é uma obra prima digna da Playstation, ao que se juntam as impressionantes arrancadas da primeira parte. Com mais um mês de rodagem para Salvio, como eu gostaria de ver uma frente com Salvio, Gaitán, Markovic e Rodrigo. O sérvio é simplesmente de classe mundial a jogar no meio. Até faz confusão pensar que apenas tem 19 anos;
- Jesus demorou demasiado tempo a mexer na equipa. Já se exigia a entrada de Amorim muito antes dos 85 minutos. Mal entrou, acabou-se o Guimarães. E o risco que foi deixar Jardel, tanto na primeira parte como na segunda, tanto tempo a receber assistência? E se tivéssemos sofrido um golo naqueles minutos? Tem agora o papel essencial de tirar a pressão de cima dos jogadores e ajudar a que se concentrem apenas em vencer o próximo jogo. Ele que se livre de pensar que tem folga para começar a pensar em nova final europeia! Como me assusta tamanho ego...

Da forma como o Benfica entrou, ainda cheguei a pensar que era daqueles jogos que o Benfica venceria por 3 ou 4 a zero, sem margem para dúvidas, como que a dizer "Viemos buscar o que é nosso". Mas não foi assim. Longe disso. Fantasmas do passado ou qualquer outra coisa, essencial é que o Benfica ganhe os próximos dois jogos e esperar por um empate no clássico. Com o Sporting em vantagem pontual, acho que tem tudo para não perder (ficando posteriormente a depender exclusivamente de si próprio). Com a pressão de ter que ganhar acredito que beneficiará o estilo de jogo do Porto. Deixemos o Estoril de más recordações para a jornada seguinte, o que interessa agora é Belém e lá estarei para apoiar! (não é lapso, a verdade é que pouco me interessa a Liga Europa).

P.S.: os fiéis e habituais 35 mil estiveram esta noite nas bancdas da Luz. Os 20 ou 30 mil que apenas aparecem para a festa devem ter achado que a 10 jornadas do fim ainda não tinha muita piada...  

24/02/2014

Previsibilidade, Primeiras Partes, Azar, Slimani, Vontade, 11 do próximo jogo, 2º lugar


1. A primeira parte do Rio Ave-Sporting do último sábado fica essencialmente marcada pela previsibilidade do nosso futebol, em contraste com a velocidade e versatilidade que o Rio Ave impunha no jogo cada vez que saía para o ataque. Sinceramente, pensei que íamos sair para o intervalo a perder, o que só não sucedeu porque o senhor da foto (Maurício) salvou, por duas vezes, um lance inacreditavel (na segunda vez com a ajuda do Patrício). Como todos já percebemos, o atual sistema não favorece as características do André Martins (na posição em que o treinador o quer colocar e com as funções que lhe quer atribuir), mas o Leonardo Jardim vai insistindo nisto, sem perceber que está a prejudicar o jogador, que começa já a ser o novo alvo dos campeões do assobio de Alvalade. Mas quanto a isto limito-me a remeter para este post do Leão de Alvalade, que diz muito do que penso sobre o tema.

2. Na segunda parte, o Sporting entrou melhor. E sem referência a quaisquer links limito-me a referir que deve ser a quarta ou quinta vez que aqui alerto para o disparate que é dar primeiras partes de avanço. Detesto o discurso do "voltámos a entrar mal no jogo". Mas então, caramba, quantas mais vezes vamos entrar mal no jogo até que algo se faça para corrigir o problema? É que não se entende. E também não se entende que o treinador do Sporting (de quem gosto, que defendo e que entendo que deve ficar até ao fim do contrato) ainda não tenha apostado por uma só vez no sistema que já deu, de que me lembre (e sem apelar à pesquisa), pelo menos 4 vitórias: Guimarães, Marítimo, Arouca e Rio Ave. Eu, sinceramente, até prefiro, no papel, o sistema habitual. Mas no campo o que está a dar resultados é o outro...

3. Depois de entrar forte, o Sporting tem o azar de sofrer um golo inacreditável. Inacreditável a perda de bola do Jefferson, inacreditável o azar do ressalto no Maurício (mesmo reconhecendo que se a bola passasse o Hassan estava sozinho e provavelmente fazia golo), inacreditável o facto de termos aguentado aquela primeira parte e sofrermos um golo no nosso melhor momento no jogo. Mas enfim, naquele campo tudo nos acontece, já lá sofremos um golo, há muitos anos, em que o Ricardo chutou contra o avançado e a bola entrou, no ano passado perdemos 2-1 com dois auto-golos. A melhor memória de Vila do Conde é mesmo aquela vitória em 2000 por 2-1 (Acosta e Ayew) já no final do campeonato.

4. Depois, enfim... depois foi o sistema Slimani a resolver. Futebol flanqueado (menos qualidade mas pelos vistos maior eficácia), bola na área, Slimani golo, Slimani quase golo, Slimani falha e golo de Mané. Goste-se ou não, isto em Portugal vai resultando. Contra o Rio Ave e o Arouca, claro... E o Slimani deve ser o melhor jogador do campeonato na relação entre tempo de jogo e golos marcados.

5. Numa coisa estes jogadores têm sido inexcedíveis: dão tudo até ao último minuto, quando não dão mais é porque não dá mesmo. Foi uma vitória da vontade de ganhar, não duvido. Porque o futebol, esse, continua uns furos abaixo do exigível.

6. Gosto de ganhar apostas, gosto de temakis, mas gosto mais do Sporting. E não percebo como depois do jogo com o Olhanense o Wilson entra no 11 e o Carrillo não. Se foi pelo aspeto defensivo, a primeira parte demonstrou que não valeu de muito... Entretanto perdemos o Adrien e o Montero. Assim, o 11 ideal, neste momento, para jogar com o Braga será Patrício, Cedric (ou Piris), Jefferson, Maurício, Rojo, William, André Martins (sim, no lugar do Adrien), Vítor, Carrillo, Heldon (ou Mané), Slimani. Se quisermos começar com dois avançados, aí sim pode haver lugar para o Wilson (mas no momento de forma em que está é mais um candidato à assobiadela).

7. O jogo de ontem do FCP abriu uma auto-estrada para o Benfica, a menos que hoje aconteça uma surpresa do Estádio do Zinco Voador. Por muito que a ideia me desagrade, e apesar do mau início, reconeço que o Benfica é a melhor equipa. E não merecia, tendo em conta o futebol que jogou nos últimos anos, ficar com 1 campeonato em 5, merecia mais. Vai provavelmente receber o prémio este ano. Mérito de JJ e principalmente de Vieira, que o segurou contra tudo e contra todos. E isto que me interessa? Pouco ou nada (a 5 pontos deste Benfica tenho poucas ilusões). Mas contra este FCP creio que podemos lutar até ao fim pelo 2º lugar. Não é nem deve ser o nosso "objetivo-ADN" mas para este ano seria muito bom.

20/02/2014

JJ

E não é que o homem deu ouvidos ao Gorbyn e jogou com a segunda linha?

Se continuar assim, pode não ir longe na Liga Europa, mas fica mais próximo do campeonato.

Embora desconfie que o fez desta vez por ser o PAOK. Contra o Tottenham, acho que vai jogar a equipa principal.

17/02/2014

Apostas pessoais & Atual Momento


1. Apostas pessoais

Pessoais mesmo - as minhas!

Nas múltiplas apostas que vou fazendo com amigos, costumo adotar a tese da "vitória moral". Dou um exemplo que explica esta tese: fiz uma aposta com um amigo sobre o Rui Patrício, ainda o Rui frangava de 4 em 4 jogos. Dizia eu que o Rui seria um GR de topo e que, ao ritmo a que vinha evoluindo, acabaria por se tornar titular da seleção e sair para um grande europeu. O meu amigo dizia que o Rui não sairia da cepa torta: ser titular da seleção significava pouco, até o Ricardo foi titular durante anos (bom ponto...), quanto a sair para um grande apostava comigo uma mariscada no Ramiro que nunca aconteceria. Em 2011 fizemos a aposta: o Rui sairia até 31.08.2013 para um grande europeu (fizemos uma lista para não haver dúvidas) e/ou por um valor superior a 10M€ (valor excelente para um GR, seja ele qual for).

Como já perceberam, tenho uma mariscada no Ramiro por pagar. Mas como já disse ao meu amigo várias vezes, moralmente ganhei a aposta - porque o essencial da aposta era o facto de ele não acreditar que o Patrício fosse muito melhor do que um Ricardo ou um Quim e eu acreditar que o Rui seria (como é) um GR de topo. Mais a mais, o Sporting (foi público e nunca desmentido por ninguém) rejeitou uma proposta do Monaco por 10M€, precisamente. Ainda assim, obviamente pago a aposta - ainda que moralmente ganha, tenho que cumprir com o acordado.

Serve tudo isto para dizer que quem visse apenas os 30 minutos de Wilson Eduardo contra o Olhanense daria a vitória moral ao Império dos Temakis na aposta que tenho com ele e que por aqui fui abordando por diversas vezes. Ou seja, ainda que o Wilson marcasse 7 golos no campeonato (leva 3), um observador "independente" diria que tal facto só poderia advir da sorte, tão desastrada foi a exibição do Wilson. Confesso que aqueles 30 minutos me deixaram preocupado e a fazer contas à vida. Até porque uns minutos depois de o Wilson entrar, entrou também o Carrillo que mostrou claramente que deve ser titular, o que leva o Wilson para o 4º lugar nas opções do treinador (assumindo a aposta em Heldon e o crescimento de Mané).

2. Atual Momento

Parece-me que o futebol do Sporting precisa urgentemente de um simplificador de processos. Estamos a fazer algumas coisas bem feitas mas a complicá-las a partir de um determinado "momento". "Momento" em dois sentidos: "momento futebolístico", i.e., a construção do futebol ofensivo da equipa e "momento/tempo de jogo" porque a dada altura parece que alguns jogadores perdem lucidez e começam a fazer o mais fácil (despejar). Mais do que falhar golos, o Sporting desperdiça lances. Muitos.

Para os mais céticos, o complicador está sentado no banco e chama-se Leonardo Jardim. Mais do que ser um complicador, os céticos olham para o Mister como o não-simplificador, leia-se, um treinador cujo modelo de jogo e de futebol não é o mais adequado para o Sporting e para os jogadores que temos. Com base nesse modelo, o Sporting vai, aos olhos de quem o diz, jogar sempre um futebol previsível e que os adversários vão aprendendo a anular. Para estes, Leonardo Jardim não é mais do que um Paulo Bento com upgrade.

Os otimistas, por outro lado, acham que Leonardo está a trabalhar muito bem com o que tem. E que não só a equipa (esta equipa) vai evoluir e jogar melhor, como o próprio Leonardo conseguirá tirar dela melhor rendimento quando apetrechado com outras armas. Para estes, o simplificador de processos seria um 10 de qualidade, por exemplo. Este tipo de sportinguista começa a fartar-se do André Martins, acha que o Vítor não é solução e reza para que o Chico "lesionei-me aos 28 minutos" Bala não seja o novo Jeffren.

Eu estou a meio caminho: acho que o Leonardo está a fazer um bom trabalho, mas não acho que esse trabalho seja perfeito. E há dois defeitos já relativamente visíveis neste Sporting:

a) acho que o Leonardo Jardim, efetivamente, está a dar ao André Martins (e ao Vítor, quando joga) uma missão muito ingrata, o que se nota particularmente quando já estamos em vantagem (porque com 0-0 ou em desvantagem a equipa acaba por subir, toda ela, e o Martins fica necessariamente mais próximo do Montero). Sou dos que entende que o André Martins, neste modelo, é uma boa alternativa a 8 mas, efetivamente, a 10 (ou "8 e meio", digamos assim) não está a render tudo o que pode render (embora tenha gostado do jogo que fez com o Olhanense). O que me preocupa mais nisto é que no dia em que lançarem o Chico Bala provavelmente será ainda pior, porque não estou a ver o egípcio a sacrificar-se pela equipa como o André o faz. Ah, e já agora, Leonardo, atenção ao seguinte: o André Martins começa a ser assobiado em Alvalade... a memória é curta e ninguém se lembra que os "nossos" são sempre os primeiros a ser assobiados (recordar Djaló, Nani, Patrício, etc);

b) começa a ser aflitivo verificar que os nossos laterais chegam perto da área, até ganham espaço mas... cruzam. E sempre (ou quase sempre) para o barulho. Tive essa discussão aqui, na caixa de comentários, a propósito de um jogo da seleção. E se as coisas continuarem como estão, serei forçado a dar o braço a torcer e reconhecer que há ali algo de estratégico (de que não gosto mesmo nada). As jogadas em que o lateral tabela com o extremo ou o médio ou cruza atrasado para a entrada do 10 ("8 e meio") começam a rarear. Quer quando estamos em desvantagem, quer quando estamos em vantagem. A rever.

Isto dito, a primeira parte até foi razoável e podíamos ter marcado mais 1 golito. Montero jogou bem, Adrien também e, desculpem lá os críticos, mas gostei de ver o André Martins. Mas na segunda foi tudo fraquinho, mesmo Montero, e o jogo só foi agitado com a entrada do Carrillo. De qualquer forma, este adversário não dá para testar nada. É a desorganização total, eu nem consegui perceber como estavam a jogar. Por isso, para vermos como estamos atualmente, temos mesmo que esperar pelo jogo de Vila do Conde. Onde espero,sinceramente, que o Cedric volte a jogar ao seu nível, porque aquilo que fez contra o Olhanense (subir 100 vezes e em 99 delas charutar para a área) claramente está a prejudicar o jogo ofensivo da equipa.

Quanto ao "simplificador de processos": pode efetivamente ser o Leonardo. Basta que reveja o jogo contra o Olhanense e, entre outros temas, instrua os nossos laterais para tentarem jogar simples ao invés de charutar sempre que ganham espaço. Para isso, é essencial que Adrien e Martins apareçam, que Montero não se esconda entre os centrais e que o extremo dê linhas de passe. Pode ser que assim não desperdicemos inúmeros lances por jogo e que a ideia do 10 salvador desapareça das nossas mentes. Porque o Chico Bala, esse, cheira-me a mais um 7 amaldiçoado...

13/02/2014

Esquecimento?

Ver aqui.

«Acreditamos em Wilson Eduardo, Mané e Capel. Todos já tiveram a oportunidade de jogar em prole (sic) do Sporting. Quando mais competitivo for o coletivo o clube só terá a ganhar»

Faltou ali o nome de Carrillo. Não vi as declarações, pelo que pode ser mero lapso do jornal. Ou foi mesmo assim e Leonardo Jardim simplesmente esqueceu-se de Carrillo. Ou foi um recado interno dando a entender que é a última opção de entre os extremos.

No meio de tudo, o que acaba por chocar mais é o facto de Carrillo ainda não ser titular indiscutível deste Sporting. Muito por culpa própria, claro está. Ou afinal não percebemos mesmo nada disto...

O derby de sentido único

Apesar de Jardim ter perdido o efeito surpresa, apesar de não jogar William, apesar de duvidar da táctica de dois avançados do adversário, apesar de tudo, não esperava. Simplesmente não esperava um derby tão desequilibrado, em que o domínio fosse tão claro e em que as oportunidades de golo se multiplicassem para um só lado e em que aos dois minutos já tivéssemos duas jogadas de grande perigo. Mas é basicamente este o resumo da partida. Só deu Benfica.

Ao intervalo estava preocupado com tanto desperdício pois estava à espera que Jardim corrigisse a táctica durante o descanso, tirando um dos dois avançados e que conseguisse assim equilibrar o jogo e ficar mais próximo do empate. Felizmente o treinador do Sporting não entendeu assim (mesmo se o fizesse, tenho muitas dúvidas que conseguisse chegar ao nível a que o Benfica estava). Sendo assim, a segunda parte foi mais do mesmo, com muito desperdício dos avançados do Benfica e com Enzo, por fim e de forma magistral, a acabar com as dúvidas.


Do Benfica destaco as boas iniciativas de Gaitán, o posicionamento de Luisão especialmente na primeira parte, o monstro Fejsa (velocidade, força, capacidade de antecipação e segurança a trocar a bola na defesa) e o fenomenal Enzo (já não consigo encontrar mais formas para o elogiar e só espero pelo jogo em que todo o estádio lhe faça as vénias devidas). Do Sporting, Patrício que evitou um resultado mais dilatado, Adrien que está mesmo um senhor jogador, Montero que é bom de bola mas que estava longe, longe da baliza e Héldon que era o único que ainda me fazia ficar preocupado.

Com estas duas vitórias bem conseguidas e pelo mesmo resultado frente a Porto e Sporting, praticamente perdi a esperança de ver o meu Benfica a jogar em 4x3x3, com um meio campo com Fejsa, Enzo e Amorim ou André Gomes ou mesmo uma versão mais ofensiva com Fejsa, Enzo e Markovic (e com o Salvio de regresso ao lado direito!).



Gostei de, nas entrevistas pós jogo, todos os jogadores e treinador falarem da necessidade de manterem os pés bem assentes no chão e de sobretudo não ter existido uma única referência à época passada. É indispensável que todos os fantasmas desapareçam de vez e este foi um bom jogo para ajudar. Agora o importante é continuar a vencer e não desperdiçar pontos e, por outro lado, ver a importância que daremos à Liga Europa. Apenas a utilização de jogadores como André Gomes, Ruben Amorim, André Almeida, Sílvio, Cavaleiro e Sulejmani me fará acreditar que esta prova não será uma causa de desgaste para o campeonato que tanto queremos.

12/02/2014

Paixão vs Realismo

Este não é propriamente curto mas é escrito numa lógica sintética porque os holofotes devem merecidamente ser apontados ao post que o Gorbyn (seguramente) vai escrever. O Benfica jogou muito bem e mereceu claramente ganhar, foi dos mais inquestionáveis derbies de que há memória. Cedo se percebeu que o Sporting não teria qualquer hipótese.

Ainda assim, vou sumariamente analisar o jogo e o momento que atravessamos sob duas perspetivas:

1. A visão do adepto apaixonado

(i) Não jogámos nada, fomos totalmente incapazes de ultrapassar a linha de meio-campo em posse e mais uma vez demonstrámos que o que temos ainda não chega para ganhar aos outros grandes;

(ii) Os jogadores entraram a medo, com mais medo ficaram depois do início fortíssimo do Benfica e estavam a quilómetros uns dos outros;

(iii) Alguém contou com quantos o Benfica entrou em campo? É que pareciam sempre ser mais do que os nossos...

(iv) Ficámos com a sensação (justa? injusta?) de que esta equipa não dá mesmo para muito mais;

(v) As apostas em Eric e Slimani foram completamente falhadas. Desinspiração ou trabalho de casa de JJ?

(vi) Estamos a 1 ponto do Porto e o Nacional a 7 pontos, será que dá para disputar o 2º lugar ou devemos concentrar-nos no 3º?

2. A visão do adepto realista

(i) Jogámos o que o Benfica deixou e a verdade é que este ano só temos derrotas com equipas com orçamentos claramente superiores, estamos dentro do normal e esperado nesta fase;

(ii) Os jogadores entraram na expetativa porque jogar na Luz não é fácil e mesmo com uma tática arrojada seria sempre preciso dar a iniciativa do jogo ao adversário;

(iii) O Benfica treina o mesmo esquema de jogo há vários anos, os jogadores estão claramente mais rotinados do que os nossos e isso nota-se claramente nestes jogos;

(iv) A equipa não foi montada para discutir estes jogos taco a taco, perdemos na Luz e no Dragão, empatámos em casa com Benfica e Porto (Taça Lucílio) precisamente porque eles ainda vão sendo mais fortes do que nós, como é normal;

(v) Perdemos o efeito surpresa de Domingo. Além disso, quando Jardim mudou Dier para DC e Marcos Rojo para DE, foi precisamente uma falha de Rojo e uma precipitação de Dier a causar o 2º golo. Quanto a Slimani, a verdade é que quando saiu não melhorámos;

(vi) Deixemos o Porto e o Benfica disputar o título e concentremo-nos em ganhar os nossos jogos. Claro que é difícil desligar dos jogos dos rivais históricos mas temos que nos concentrar, sem pressão, em assegurar os objetivos desta época. Vamos passo a passo e com passos seguros.

No plano individual: o melhor nem sei dizer quem foi (não desgostei do Heldon, mas se calhar fiquei mais impressionado com aquele slalom na 2ª parte do que com qualquer outra coisa), mas as exibições de Cedric, Rojo, Piris, Dier, Martins e Montero foram francamente fracas. Quando no quarteto defensivo 3 jogadores rendem abaixo do que é esperado, é difícil fazer melhor.

Mas o essencial é que a exibição coletiva, como o próprio Jardim reconheceu, foi má.

Notas finais:
a) gosto muito da seriedade do Jardim no final dos jogos;
b) a arbitragem foi excelente;
c) fiquei muito surpreendido (pela positiva) com a transmissão e comentários da BenficaTV (um ou outro "dezlize" não apagam uma ideia geral de aparente imparcialidade - na medida do possível, claro está).

11/02/2014

Só uma coisa me surpreende...


Como é que o Vieira, campeão do marketing (sem ironias, recordar o kit sócio que conduziu o Benfica ao Guinness), ainda não pôs à venda capacetes Benfica...

Já imagino o anúncio na TV: aparece o Cardozo a subir a escadaria para o relvado, de repente cai uma placa de zinco, e logo atrás o Luisão diz "ei cára, vocês isqueceu seu capacetji Benfica". O Cardozo sorri, agradecido, e a câmara filma as bancadas, onde, a assistir ao treino, estão o Barbas e o Jorge Máximo com capacetes Benfica a aplaudir a entrada dos jogadores.

Termina o anúncio com o slogan: "Capacetes Benfica, nem o Tózé é tão Seguro".

PS: Mais a sério - ainda que seja verdade o que diz o Benfica, conforme relatado no Jornal de Negócios, o derby deve, obviamente, ser novamente adiado. Faltam poucas horas para o início do jogo e estamos a substituir placas? Estamos a começar a brincar com o fogo. Percebo que novo adiamento conduza a que a UEFA pare de olhar para isto como "pequenos incidentes", com todos os danos financeiros e de prestígio daí decorrentes. Mas os eventuais danos que podem hoje ser causados estão num patamar incomparavelmente superior. Adiem lá isto até que alguém que não o responsável da obra possa verificar se há condições (concordo com o BC, concordo mesmo!). E by the way: eu não levaria um filho meu a este jogo, seguramente.

03/02/2014

O fecho do mercado, o 0-0 com a Académica e a antecipação do derby

Vai sem foto - porque empatámos (e porque é longo).

1. Fecho do mercado

O Sporting contratou 2 jogadores para a equipa A e 3 para a equipa B. Pelo meio, colocou Labyad, rescindiu com Jeffren e manteve Elias, ao mesmo tempo que cedeu Nuno Reis, Tobias Figueiredo, João Mário, Betinho, Cissé e Alexandre Guedes.

Ao invés de fazer uma análise a cada uma destas situações, prefiro tentar responder à seguinte pergunta: a intervenção do Sporting no mercado de Janeiro significa uma inversão da (suposta) estratégia de aposta na formação? A minha resposta é: a meu ver, não. E passo a explicar porquê.

O que significa apostar na formação? A resposta é muito complexa e tem diversas variantes. Mas em termos muito simplistas, creio que significa, basicamente, o seguinte: dar preferência aos jogadores da formação na construção da equipa principal. Sucede que essa preferência tem que se basear num princípio minimamente sério de avaliação de qualidade - diria que a aposta é feita desde que os mesmos tenham pelo menos o potencial (não necessariamente já a qualidade) para atuar na equipa principal.

Isto dito, apostar na formação não significa deixar de olhar à volta e ver as oportunidades do mercado, nomeadamente quando na formação/equipa B não encontramos as opções que procuramos.

Assim, se as entradas e saídas da equipa B geram algumas dúvidas (essencialmente porque as saídas é que motivaram as entradas e não conhecemos as razões das saídas), já na equipa A creio que o raciocínio para as contratações da equipa A não significa necessariamente que a aposta na formação tenha ido pelo cano.

No caso de Heldon, creio que esse raciocínio foi o seguinte:
1. O rendimento dos nossos extremos tem sido inconstante, sendo que um deles (Capel) até ganha demais para aquilo que é a nossa situação atual e temos o objetivo de o transferir.
2. Lançámos um jovem da equipa B (Mané) que ainda precisa de crescer um pouco mais até se constituir como opção sólida e não há (aos olhos dos responsáveis, claro está) nenhum outro jogador na equipa B que possa afirmar-se nesta fase na equipa principal nessa posição.
3. Por um valor acessível (quer quanto à contratação em si, quer quanto ao salário) temos a possibilidade de contratar um jogador que consideramos ter qualidade, está adaptado ao campeonato nacional e é neste momento o terceiro melhor marcador da competição.
4. Esse jogador seria uma boa solução caso consigamos transferir Capel mas convém que o asseguremos já porque pode sair para fora do país ao abrigo da Lei Webster e quanto mais tempo passe mais barato se torna ao abrigo dessa mesma lei.

Quanto ao Chico Bala (será assim carinhosamente tratado por aqui, mas no tag estará o nome verdadeiro), creio que a lógica é semelhante, mas com a seguinte constatação adicional: os jogadores que temos utilizado a 10 (ou como elemento mais adiantado no MC, se preferirem) são, na realidade, mais 8 do que 10 e não estão a trazer ao jogo interior da equipa a criatividade que esperávamos. Há na equipa B quem possa ser o 10 que faça a diferença? [eu não sei a resposta, assumo que não conheço assim tão bem a equipa B]

Claro que, depois de já ter assumido no A Norte de Alvalade que me enganei com Magrão (esperava que fosse ele esse tal jogador e já deu para ver que não é) e noutro fórum ter assumido que apenas aceitei a contratação de Cissé antes da vinda de Slimani (porque depois percebeu-se que não fazia sentido - lá está, quem aposta na formação não pode/não deve contratar fora jogadores que serão 3ª opção), não seria estranho que viesse aqui mais tarde dizer que afinal me enganei com o Heldon e o Chico Bala.

Mas se o fizer, será porque o Heldon não demonstrou categoria; nunca virei dizer que não precisávamos dele para nada.

Em suma, achei a intervenção do Sporting em Janeiro positiva, partindo do pressuposto que as entradas na B foram motivadas pelas saídas e não o inverso. O inverso sim, seria preocupante e uma inversão dos princípios que deve adotar quem aposta na formação (porque o raciocínio de subida dos BB para os AA deve ser, digo eu, equivalente ao da subida dos juniores para os BB).

Contas feitas, fica por resolver um enorme problema: Elias. Creio que foi inscrito, mas já percebi que não vai jogar. Que se encontre uma solução rapidamente, porque custa bem caro.

2. 0-0 com a Académica

Começa a preocupar-me a tendência de dar a primeira parte de avanço. Há quem defenda que joguemos de início com 2 PL; eu limito-me a defender que entremos na 1ª parte com a agressividade com que temos encarado a 2ª parte. E, já agora, que o Fredy Montero descanse um pouco. E esta não digo para chatear o rapaz - acho mesmo que precisa de tirar dos ombros a pressão de ter que resolver os jogos.

Na 2ª parte, aconteceu aquilo que tantas vezes acontece aos grandes, mesmo em casa: aqueles jogos em que podíamos estar ali mais uma hora e a bola não entrava. Não me lembro de ter visto num jogo tantos remates direcionados à baliza intercetados por defesas (concordo com o Conceição, o GR da Briosa nem fez um jogo por aí além). Inúmeros lances de perigo, poucas oportunidades propriamente ditas porque havia sempre um pé, ou uma cabeça, ou umas costas, ou mesmo um braço (num caso não intencional, noutro ...aham... adiante) no caminho da bola. Ah, e duas concessões ao meu amigo Império dos Temakis:
- o jogo interior quase não se viu, tudo pela ala e cruzamento, quase sempre;
- a jogar assim, o Wilson Eduardo não faz um poker nem na playstation, quanto mais na Luz...

Note-se que a Académica esteve sempre organizada e, a partir da entrada do Salvador Agra, perigosa. O jogo não foi fácil e os adversários não estão lá para nos facilitar a vida, percebamos isto. Com o aumento do "prestígio", aumenta a responsabilidade e aumenta pressão. Que os jogadores tenham que aprender a viver com isso e os adeptos tenham que ter a paciência de não por mais pressão onde ela já existe, aceito (neste ano!); que o speaker, à entrada para a segunda parte, grite a plenos pulmões "vamos Sporting, a caminho do 1º lugar" acho sinceramente inacreditável.

Quanto à arbitragem... irritante, como sempre, mas reconheçamos o seguinte: ninguém se apercebeu, no estádio, do lance do penalty; o amarelo ao William (que tanto me irrritou, ao ponto de gritar "foi isto que vieste cá fazer, seu filho de uma grande profissional do sexo") é aceitável (e, se perdoado, daria azo à discussão contrária àquela que estamos a ter).

Uma palavra ainda para o Maurício: de que me lembre, não perdeu um só lance no ar. Grande joga, melhor em campo.

3. Derby

O que eu faria não jogando Jefferson e confirmando-se a lesão de Adrien?

Patrício, Cedric, Maurício, Rojo, Piris, Dier, Martins, Vítor, Carrillo, Mané, Slimani

Com Adrien, Rojo vai para DE, Dier para DC e Adrien para trinco.

MC com bons pés, tentar batê-los pela relva e pela superioridade numérica no MC (o JJ não vai abdicar dos dois PL).

Acima de tudo, encarar o jogo sem pressão. A pressão tem-na o Benfica, que é candidato ao título e se perder fica com o FCP a apenas 1 ponto. Nós temos que fazer um bom jogo e jogar para ganhar, como sempre. Se perdermos, ficamos a 1 ponto do 2º lugar, que não anda a jogar nada e ainda vamos receber em casa. Abrimos, é verdade, a via verde ao Benfica para ser campeão este ano, mas isso é algo que pouco me importa. Quero ganhar porque... quero ganhar sempre.

Que desperdício...

Nem estou a falar do penalty já nos descontos. Estou mesmo a pensar na habitual incapacidade que o Benfica demonstra em aproveitar da melhor forma os deslizes do Porto. O jogo em Barcelos foi apenas mais um exemplo. 

É claro que há vários motivos para explicar este empate:

- um lamaçal disfarçado de relvado que tornava praticamente impossível jogar futebol. É verdade que estava assim para as duas equipas mas é óbvio que a maior qualidade técnica dos homens da Luz e a natural maior posse de bola fazem com que o Benfica seja muito mais prejudicado. O lance do Rodrigo é o melhor exemplo mas uma série de cruzamentos e passes mostraram exatamente o mesmo;



- um estúpido Siqueira que depois de levar com um amarelo por simulação, não deixou de fazer uma falta óbvia para o segundo;

- um grande frango de Oblak;

- alguns falhanços escandalosos de Cardozo e Rodrigo (mesmo considerando que este último estava a ser agarrado);

- um penalty falhado nos descontos. Depois da 6ª mini num café no Alentejo e com os nervos à flor da pele, logo acheidemasiado forçado. Depois de ver o lance com mais calma, mantenho a opinião mas não acho um escândalo. O Luís Martins corre paralelamente à linha de fundo, não toca na bola e vai contra o Djuricic (sem ser ombro com ombro) que tinha sido o último jogador a tocar na bola e que ia na direção da baliza . Se visse a mesma jogada, isoladamente e apenas com estes dois jogadores, noutro local do campo, marcava-se facilmente.


http://www.youtube.com/watch?v=vtgRNOpYvXI

Mesmo com este empate, o que me deixa com mais confiança acaba por ser a qualidade de jogo que mesmo com aquele relvado a equipa conseguiu apresentar, juntamente com uma entrega que começa finalmente a estar ao nível do que os adeptos exigem. Markovic demonstra isso mesmo nos processos defensivos, Gaitán está em grande forma, com grandes passes e arrancadas mas também com espírito de sacrifício e Rodrigo a jogar muito bem e cheio de confiança. Por outro lado, a teimosia em Maxi e Lima já irrita. Há Sílvio e André Almeida, há Cavaleiro para desviar Markovic para o meio e sobretudo, há Ruben Amorim ou mesmo André Gomes para jogar com um só avançado.

Olhando para o lado positivo, ganhámos um ponto ao Porto e mantivemos a distância para o Sporting. Acredito que o derby deverá ter mesmo grande importância para o que resta deste campeonato.