16/01/2014

Várias e interessantes (ou nem por isso)

1. Noutro dia um assíduo leitor do blog disse-me que não cheguei a falar de Eusébio. Na altura desculpei-me com argumentos futebolísticos que vou abordar neste texto mas pouco relevantes para justificar nada ter dito sobre Eusébio (na realidade foi a preguiça que levou a melhor). Pois bem, digo-o agora: Eusébio é um nome que vai, indiscutivelmente, para a galeria dos imortais. É o melhor jogador português do século XX. Está em quase todos os tops que conheço (mais e menos oficiais) como um dos 10 melhores jogadores mundiais desses mesmo século XX.  Está nos dois "passeios da fama", o do Monaco e o do Rio de Janeiro(o primeiro não brasileiro a figurar neste último). Ganhou uma Bola de Ouro e ficou perto de ganhar a segunda. E é um nome conhecido em todo o mundo, com automática associação a Portugal, o que é notável.

2. O que não significa que, por tudo isto, "ganhe" a discussão sobre o melhor português de sempre. Creio que as dúvidas ficaram definitivamente dissipadas com a segunda Bola de Ouro de Ronaldo (já a merecia há mais tempo, convenhamos). Já tinha abordado neste blog o facto de a comparação com CR7 em termos de golos ter argumentos muito favoráveis a este último, ao contrário do que se dizia por aí, e o facto de, para mim, CR7 já ser o melhor português de sempre. O que não retira a Eusébio o tal lugar na galeria dos imortais. Tem-no com todo o mérito e, repito, de forma indiscutível.

3. Aliás, quanto a este ponto, convém dizer que fui "forçado" à comparação por muito do que foi escrito por aí. E que, sendo forçado a fazê-la, voto CR7. Mas creio que a revolução holandesa dos anos 70 marca a fronteira entre o futebol no estado puro (que teve o seu apogeu com o Brasil de 1970) e o futebol-ciência (que enterrou definitivamente o futebol em estado puro com o Itália-Brasil de 1982 - chamemos-lhe o canto do cisne). Não retiro um pingo de valor a quem ganhou antes disso porque quem ganhou até aos anos 70 fê-lo porque era o melhor de entre todos os que pensavam e jogavam da mesma forma (ou tinham a mesma forma de ver o jogo, se preferirem). Digo é que são dois tipos completamente diferentes de futebol. Se quiserem, no futebol em estado puro, Eusébio foi o melhor português e Pelé o melhor do mundo; no futebol-ciência, CR7 o melhor português e Maradona o melhor do mundo.

4. No meio de tudo isto, o Sporting empatou no Estoril a 0 num jogo combativo mas pouco conseguido (e onde vi Jardim, talvez pela primeira vez, mexer a partir do banco de uma forma algo estranha). Já aí vinham as aves agoirentas dizer que o Sporting tinha atingido o seu máximo e não dava para mais, eis senão quando o Sporting ganha ao Marítimo na Taça Lucílio de forma concludente (mais no resultado do que no jogo jogado, diga-se). E, melhor, parece ter ganho não necessariamente uma opção consistente (Mané) mas pelo menos a chama de ter no banco alguém que os adeptos acreditam que pode entrar e mexer com o jogo. Vamos ver como nos movemos em janeiro, seria bom que não saísse ninguém. Quanto ao Nani, não acredito. Mas se viesse, se viesse mesmo, aí começaria a mudar o meu discurso do 3º lugar. Não vem, é pena.

5. Por fim, um dos meus jogos preferidos do ano, o Benfica-Porto. Estes jogos são para mim um verdadeiro carrossel de emoções, mas todas tranquilas: são os golos do Porto que festejo porque o Benfica está a perder (sempre bom!) para no minuto seguinte ver o placard e ficar triste porque o Porto está a ganhar (sempre mau...); são as expulsões que me alegram até me aperceber que o oponente fica a jogar em vantagem; são aqueles sururus maravilhosos que acabam com amarelos a rodos ("para não estragar o jogo") depois de serem arrancados olhos e cabelos; são as invariáveis entradas a matar, de um lado e de outro (Maxi lidera no Benfica, Mangala no FCP); e, claro, a ternurenta discussão sobre quem na realidade é o mais beneficiado nestes jogos (neste jogo parece que foi o Benfica, mas reconheço que é mais comum o inverso - não atinge a categoria de "raridade", só ao alcance de um clássico contra qualquer um destes oponentes em que o Sporting saia beneficiado, mas ainda assim é de assinalar).

6. Apesar das altas expetativas, pelo resumo (como calculam, não tenho benfastv) vi que a montanha pariu um rato: o Porto sofre um golo aos 13 minutos e ninguém parte uma perna ao Rodrigo; ninguém aproveitou o estado do relvado para um carrinho mais escorregadio; o Maxi Pereira, que se saiba, nada fez para ser expulso (o Mangala até fez mas o árbitro não quis... aham... não viu); o Luisão resolveu estragar os sururus com apelos à calma (palerma, aquilo tinha tudo para provocar mais um ataque da cobra cuspideira); e só a cobra cuspideira teve uma entrada para vermelho vivo (punida com falta mas sem amarelo, claro). De resto, uma notável exibição de apito do Soares Dias, com particular enfoque para aquele lance do penalty do Mangala, o benefício escandaloso do infrator no passe de Quaresma e (last but not lest, o meu preferido) aquela maravilhosa bola ao solo disputada junto à área do Porto pelo Helton.

2 comentários:

  1. A bola ao solo, foi a meu ver, um auge no nosso futebol. Só mesmo comparável ao corte/atraso do Polga, ao expulsar um jogador do SCP por se estar a rir e agora mais recentemente ao parar um jogo para ir ajeitar a bola do livre do Cedric mais 20cm para o lado.

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  2. Mike, nada bate, a meu ver, o mítico penalty nas Antas num FCP-Farense, com Peter Rufai na baliza e um very-light a arder dentro da baliza, a 2 ou 3 metros de distância. "Saudosos" tempos...

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