27/01/2014

Sabem o que me invade?


Não, não é a revolta, nem a frustração, nem a tristeza, nem sequer um sentimento de injustiça ou de impotência.

O que me invade é... a preguiça. Escrever sobre a Taça Lucílio, que tão honestamente desvalorizo, não me motiva particularmente.

Mas depois penso para comigo "Eh pá [sim, trato-me a mim próprio por "pá"], tu até escreves sobre o torneio do Guadiana e os amigáveis contra cozinheiros no Canadá, não vais escrever sobre a competição que, gostes ou não, é a 4ª mais importante do calendário nacional e, apesar de tudo, a 2ª competição para o Sporting este ano?"

Pois é, o tema merece umas palavras.

Mas as primeiras que lhe dedico são estas: quando marcámos o 3-1 e percebi que a vitória não nos fugiria pensei "é que não dá mesmo jeito nenhum levar com o Benfica em Fevereiro, ainda que para a Taça Lucílio... devíamos, nessa altura, estar concentrados em assegurar um lugar na Champions". Sou sincero: os efeitos de uma possível derrota caseira com o Benfica, a meio de Fevereiro, seriam, pensava eu, demasiado nefastos.

E isto não é falta de ambição ou de confiança: é apenas a constatação de que, psicologicamente, uma possível derrota com o Benfica (ou com o FCP), numa competição que não é assim tão relevante, poderia ter efeitos sobre o resto da temporada. Disse o mesmo, se bem se recordam, a propósito da Taça de Honra, no início da temporada. E como devem calcular não me preocupava muito o resultado desse jogo (como não me preocuparia particularmente este).

Isto dito, obviamente que o nosso ADN é o de querer ganhar sempre. E eu queria passar, eu gostava de ter passado (porque mesmo desvalorizando a competição infelizmente este ano não temos outra) e eu queria ganhar ao Benfica na meia-final. Ponto. Acho é que para esta equipa, sendo racional, isto pode não ter sido necessariamente mau. Ponto final.

[vamos aliás ver o que acontece ao perdedor da meia-final FCP-SLB nas semanas seguintes ao jogo]

Mais duas palavras muito rápidas:

a) para o Leonardo Jardim, que voltou a mudar a equipa para melhor com uma substituição que não compreendi de imediato (e que bom é ver que o Wilson Eduardo pode também ali dar uma mãozinha e ser mais uma alternativa - by the way, o Wilson já leva 5 golos, a caminho dos 10 para que eu ganhe a minha aposta!);

b) para a Liga - não sou dos que dramatiza excessivamente o tema do atraso dos 3 minutos, mas não custava muito articular o início da partida e/ou da segunda parte entre os dois delegados aos respectivos jogos. Já não estamos no tempo do Calabote, parece que entretanto se inventaram telemóveis (sei que o uso dos aparelhos anda reduzido desde o Apito Dourado e foi substituído por almoçaradas em Ermesinde, mas para estes efeitos dariam algum jeito). Obviamente que se os jogos fossem à mesma hora, o Sporting daria tudo por mais um golo nos últimos minutos, o que não fez porque a última info que os jogadores receberam foi, provavelmente, a de que o FCP ainda estava a perder. Mas, como se diz, e muito bem, no blog jogo directo, o problema esteve essencialmente na jornada anterior, em que o FCP, depois do 0-0 em Alvalade, sabia perfeitamente por quantos tinha que ganhar em casa ao Penafiel para poder gerir a última jornada (porque o Sporting já tinha jogado na véspera). Distraíram-se e iam apanhando um susto, mas lá conseguiram passar. E como festejaram eles essa passagem, caramba!...

Finalizo dizendo que, independentemente da minha opinião, acho que o Bruno de Carvalho fez muito bem em falar. Mas o penalty no último minuto parece mesmo penalty e por isso convém, devagarinho, ir deixando o tema cair (o da arbitragem - quanto ao da organização acho que vale a pena insistir).

PS: Recordo apenas o seguinte aos leitores deste texto - sou eu, e não o Sporting, quem menospreza a Taça Lucílio. Eu sempre a vi como uma competição cujo principal objetivo deveria ser o de rodar jogadores menos utilizados. Se todos (ou pelo menos os 4 principais) cumprissem com isto, aliás, teria muito mais interesse ver quem seria o vencedor. Mas o Sporting, tradicionalmente, faz poucas alterações e dá o máximo na competição. Concordo com esta última parte, só discordo da primeira...

10 comentários:

  1. Concordo em completo com este post por isso acho completamente desnecessário o comunicado feito hoje pelo SCP, não quero saber desta competição para nada e até defendo que devia ser extinta.

    Percebo que o BDC queira abrir mais uma frente na guerra contra o FCP mas para mim esta a gastar munições que ainda nos vão fazer falta...

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  2. Eu concordo em parte. A questão de rodar jogadores menos utilizados só se coloca se houver competição a meio da semana. Neste caso a jornada da taça era com 1 semana de diferença entre os jogos do campeonato, pelo que não faz sentido rodar (muitos) jogadores, pois os que costumam jogar não devem parar de competir para não perder indíces físicos.

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  3. Koba,

    Muito rápido (o post está muito bom):

    - quando vejo o Wilson a marcar um golo lembro-me de temakis; vais conseguir...
    - estou com o Mike relativamente à rotação de jogadores nesta competição. Ou ela não serve para nada e mostra-se isso de forma clara ou, não havendo mais competições, há que continuar a treinar com a base e modelo pretendido;
    - concordo com as "consequências" que um derby ou clássico podem ter a quem perder. Lembro-me de debatermos isso relativamente à má opção (que correu bem, por respeito de Jesus) na Taça de Honra. No entanto, eu queria jogar este derby (o da Taça da Liga), não sei porquê... E neste sentido, continuo a achar que não foi inocente o facto de se ter jogado, tão cedo na competição, com o Benfica para a Taça de Portugal. Só que nós reagimos bem à derrota. Como seria (ou será) com o Benfica?

    grande abraço

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  4. Ace, é precisamente isso, muito embora eu não defenda a extinção da competição, pelo contrário.

    E atenção a dois pontos muito relevantes:

    a) o penalty, gostemos ou não, é penalty (forçado, talvez, mas é falta);
    b) não é o Manuel Mota (independentemente do que aconteceu no jogo com o Nacional) que tem que pagar a fava pelo tema do atraso (parece que o talho do homem foi vandalizado, francamente acho lamentável).

    Estamos a hostilizar os árbitros para quê? Eu sempre aplaudi as intervenções do BC a este respeito mas esta, sinceramente, parece-me pólvora seca.

    Mais: o tom do comunicado não é condizente com a dimensão de um clube como o Sporting ("ou nos dão a meia-final ou então vamos com juvenis"). Já para não falar da pergunta que todos se fazem se jogarmos com os juniores: so what?...

    Mike/Cantinho,

    Percebo o ponto e embora conceda que a distância para a próxima jornada poderia dar azo à utilização de jogadores habitualmente titulares (o tal tema do ritmo), há que não esquecer os castigos, as lesões, a desmotivação dos que nunca jogam ou jogam pouco e o equilíbrio dentro do plantel entre aqueles que são, digamos, opções de valor muito próximo dos titulares (repare-se como o Boeck é sempre titular, mas o Piris não, por exemplo). Tudo em nome de uma competição que, no que nos diz respeito, não aponta para o nosso principal objetivo da temporada - competições europeias (se desse acesso à UEFA a conversa era outra). A verdade é que, considerando a forma como a competição nasceu e os percalços por que passou, nem sequer a vitória final seria suficiente para nos alimentar o ego. E não defendo que mude ou seja extinta, atenção (nisto discordo do Ace). Acho-a ideal, precisamente, para os Boecks, os Piris, os Diers, eventualmente os Semedos e os Esgaios. E se a ganharmos assim, ficarei muito contente. Tal como fiquei (moderadamente) feliz quando vi os nossos miúdos conquistarem a Taça de Honra da AFL, naquelas circunstâncias.

    Cantinho, ajudaria se esta solução do Wilson a apoiar o PL surgisse mais vezes. Quanto ao Benfica, é bom lembrar que os jogos seriam seguidos (9.2 e 13.2, se não me engano). Duas vitórias seriam um boost fabuloso para o resto da temporada mas... o que seriam duas derrotas para este plantel, estes jogadores, esta direção e este atual estado de otimismo? Isto significa que devemos ter medo de jogar com o Benfica ou o FCP ou evitar os confrontos como estes? Claro que não! Significa apenas que face aos juízos de probabilidade que é razoável fazer nesta temporada (nas próximas já estaremos mais sólidos, certamente), e atendendo ao que são os nossos objetivos, acaba por não ser necessariamente mau ficarmos de fora. Apenas isso.

    Uma nota final em jeito de meu próprio comentário ao post: não o referi mas o Montero, de quem tanto tenho exigido, fez um bom jogo. Nem tudo lhe saiu bem, mas fez pela vida como não o fazia já há 4 ou 5 jogos. Não foi por ele que só ganhámos 3-1.

    Abraços a todos

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  5. Cantinho,

    Recordo os termos da aposta relativa ao Coxilson de Eduardo: 7 golos no campeonato ou 10 em todas as competições. Neste momento conta com 3 golos marcados no campeonato (faltam 14 jogos), 1 na Taça de Portugal (esta já foi à viola) e 1 na Taça da Liga (em princípio foi à viola, está pendente de recurso).

    Um recurso de Sucesso sempre daria ao Koba mais 1 ou 2 jogos para atingir um valor > a 3 nos golos marcados fora do campeonato, o que - apesar de tudo - se revela bastante improvável face aos adversários em causa.

    Fica o campeonato. E aí, atenção aos jogos caseiros com Académica e Olhanense. A "solução" de Arouca e Penafiel deu um sopro de vida ao Koba, que a coqueluche Mané parecia querer roubar. Ainda assim estou confiante...

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  6. Império, basta um poker na Luz, a imitar o grande Lourenço, e começo uma rigorosa dieta já a pensar nesse grande dia...

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  7. Eu sempre defendi que esta taça não devia existir e que devíamos ter 1 campeonato com 12 equipas e 4 voltas, acho que seria a melhor solução para a nossa liga qual é a vossa opinião?

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  8. Império,

    Wilson marca já no domingo, em Setúbal, com o Gil e com o Estoril (em casa). E acho que terá mais 1 reservado para Vila do Conde ou com o Guimarães.

    Koba,

    Esse poker na Luz dá direito a temakis até ao fim da época!!

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  9. Ace, já pensei nisso várias vezes, mas tenho dúvidas, Se por um lado parece fazer sentido, por outro o único modelo que conheço nesses moldes é o escocês e não há atualmente campeonato (minimamente respeitável) mais desequilibrado do que esse (mesmo quando havia Rangers eram 2 contra todos - a Liga Portuguesa foi assim no ano passado, é verdade, mas regra geral é um pouco mais equilibrada).

    Império, alinhas? Poker na Luz = 4 almoços de temaki, independentemente da outra aposta. Face à reduzidíssima probabilidade de eu ganhar a aposta, se perder pago um almoço naquele japoca achinesado do costume...

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  10. Koba, ainda que a fé num poker do Coxilson de Eduardo na Luz seja inabalável, aconselharia a fazer um hedging através de uma aposta num qualquer sítio de apostas desportivas. Nem precisaria de ser do Coxilson, bastaria apostar que o Sporting marcaria 4 golos, coisa que - pelo que pesquisei - não acontece há 50 anos (desde 17/10/1965).

    Só hesito em aceitar esta aposta porque já me sinto mal com a 1ª... para mais quando aí vem o Faraó, parte 2 (neste momento está alguém a dizer "a mim ninguém me dá crédito por ter contratado o Sabry!").

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