13/01/2014

Com os dentes cerrados

O clássico exigia um Benfica com a concentração no máximo e a correr tanto ou mais do que o adversário e, felizmente, correspondeu às expectativas dos seus adeptos. Não foi um bom jogo de futebol no que diz respeito a aspectos técnicos. Foram raras as boas jogadas, o relvado estava pesadíssimo e o jogo estava constantemente a ser interrompido com as muitas faltas. Mas ao nível de intensidade, entrega e tensão foi efetivamente um bom jogo.

Esperava que Jesus apostasse em Artur mas também pensava que ia abdicar de um avançado. Trocou-me as voltas e acedeu ao pedido do 3º anel mantendo o jovem guardião. Está em idade de ainda cometer erros mas a verdade é que está a dar uma segurança incrível e só lhe falta fazer uma ou duas grandes defesas em jogos importantes para consolidar a sua titularidade. Quanto à táctica, o Benfica, até para contrariar as declarações de Vitor Pereira, manteve a sua identidade. Não é a que eu gosto mais, mas lá continuou com os dois avançados. Só que desta vez defendeu como não costuma defender. Rodrigo e Lima correram bastante para ajudar o meio-campo e Markovic fechou o corredor como nunca o tinha feito. Por outro lado, um Carlos Eduardo não tem nada a ver com um Moutinho e, parecendo que não, ajuda muito ao facto de Matic e Enzo terem estancado o meio-campo azul e branco, sobretudo com o argentino a secar por completo o compatriota do Porto (já Fernando só podia estar dopado, tanto que correu). Os jogadores do Benfica cerraram os dentes, fizeram um jogo de combate e isso faz toda a diferença. Alguns lances de Siqueira ilustraram perfeitamente esta entrega. Não sei se ainda há jogadores do Benfica que não percebem como isto funciona mas é bastante simples: desde que deixem tudo em campo, podem até jogar mal que o apoio está sempre presente e não há lugar a assobios.


As melhores mas raras oportunidades foram do Benfica, sendo que apenas me recordo de um lance do Jackson a terminar a primeira parte (mas que estava em fora-de-jogo) e do lance (mal) interrompido que o mesmo teve na segunda parte. O Benfica chegou à vantagem cedo, num fuzilamento de Rodrigo depois de receber um passe magistral de Markovic (continuo a dizer que é um crime este miúdo não jogar no meio e este passe foi apenas mais uma prova) e depois teve o mérito de saber gerir e controlar o jogo. No entanto, Jesus demorou demasiado tempo a colocar Amorim em jogo mas lá surgiu a expulsão de Danilo. A partir daí esperava um Benfica mais forte do que conseguiu ser.

A arbitragem foi obviamente má, tendo tanto o Benfica como o Porto motivos de queixa.

O Benfica chega ao final da primeira volta no primeiro lugar mas falta saber o que acontecerá aos plantéis até ao final de Janeiro e o consequente impacto no resto da competição. Só consigo entender os negócios de que se fala (Rodrigo para o Zenit por 35M€ e Matic para o Chelsea por 25M€) se imaginar o Abramovic a ligar para o seu amigo russo e a dizer “Não queres comprar o Rodrigo por 20M€? Eu compro o Matic por 40M€ mas como me fica um pouco mal dar tanto dinheiro por um jogador que valorizei por 5M€ quando comprei o David Luiz, digo que compro por 25M€ e o resto vai pelo teu clube.”



Bonita homenagem a Eusébio sendo igualmente de valorizar o comportamento dos adeptos portistas.

Vamos embora Benfica, agora interessa é não desperdiçar esta vantagem! E se puderem, juntem um pouco de bom futebol mas se não der, o essencial é mesmo ganhar!  

1 comentário:

  1. Oblak - Numa lógica de grupo e para que os que não jogam com regularidade e estão à espreita, é crucial que se lhe dêem oportunidades quando os titulares falham. Só assim se conseguirá manter os jogadores que ambicionam pela titularidade, empenhados e a trabalhar para o conseguirem.

    Fernando - Não é só pelo que correu, mas à velocidade que o fez. Na 2ª parte fez dois sprints com dois dos jogadores mais rápidos do Benfica e levou a melhor. Estranho. Grande exibição

    Markovic – Discordo do teu ponto de vista. O Benfica, em 90% dos jogos não tem o espaço entre linhas, defesa e meio- campo adversário, que permitam as correrias e mudanças de velocidade do Markovic. O caminho é o flanco direito (enquanto não houver Salvio) e depois derivar para a esquerda para ficar com o pé direito para as diagonais. Quem deveria jogar no meio é o Gaitán porque nos tais 90% dos jogos é também preciso saber pausar o jogo e ter posse de bola, coisa que o Markovic ainda não faz bem. Gostei da atitude defensiva e trabalhadora que apresentou que faz dele um jogador mais competitivo e não apenas de rasgos de quando em vez.

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