27/01/2014

Sabem o que me invade?


Não, não é a revolta, nem a frustração, nem a tristeza, nem sequer um sentimento de injustiça ou de impotência.

O que me invade é... a preguiça. Escrever sobre a Taça Lucílio, que tão honestamente desvalorizo, não me motiva particularmente.

Mas depois penso para comigo "Eh pá [sim, trato-me a mim próprio por "pá"], tu até escreves sobre o torneio do Guadiana e os amigáveis contra cozinheiros no Canadá, não vais escrever sobre a competição que, gostes ou não, é a 4ª mais importante do calendário nacional e, apesar de tudo, a 2ª competição para o Sporting este ano?"

Pois é, o tema merece umas palavras.

Mas as primeiras que lhe dedico são estas: quando marcámos o 3-1 e percebi que a vitória não nos fugiria pensei "é que não dá mesmo jeito nenhum levar com o Benfica em Fevereiro, ainda que para a Taça Lucílio... devíamos, nessa altura, estar concentrados em assegurar um lugar na Champions". Sou sincero: os efeitos de uma possível derrota caseira com o Benfica, a meio de Fevereiro, seriam, pensava eu, demasiado nefastos.

E isto não é falta de ambição ou de confiança: é apenas a constatação de que, psicologicamente, uma possível derrota com o Benfica (ou com o FCP), numa competição que não é assim tão relevante, poderia ter efeitos sobre o resto da temporada. Disse o mesmo, se bem se recordam, a propósito da Taça de Honra, no início da temporada. E como devem calcular não me preocupava muito o resultado desse jogo (como não me preocuparia particularmente este).

Isto dito, obviamente que o nosso ADN é o de querer ganhar sempre. E eu queria passar, eu gostava de ter passado (porque mesmo desvalorizando a competição infelizmente este ano não temos outra) e eu queria ganhar ao Benfica na meia-final. Ponto. Acho é que para esta equipa, sendo racional, isto pode não ter sido necessariamente mau. Ponto final.

[vamos aliás ver o que acontece ao perdedor da meia-final FCP-SLB nas semanas seguintes ao jogo]

Mais duas palavras muito rápidas:

a) para o Leonardo Jardim, que voltou a mudar a equipa para melhor com uma substituição que não compreendi de imediato (e que bom é ver que o Wilson Eduardo pode também ali dar uma mãozinha e ser mais uma alternativa - by the way, o Wilson já leva 5 golos, a caminho dos 10 para que eu ganhe a minha aposta!);

b) para a Liga - não sou dos que dramatiza excessivamente o tema do atraso dos 3 minutos, mas não custava muito articular o início da partida e/ou da segunda parte entre os dois delegados aos respectivos jogos. Já não estamos no tempo do Calabote, parece que entretanto se inventaram telemóveis (sei que o uso dos aparelhos anda reduzido desde o Apito Dourado e foi substituído por almoçaradas em Ermesinde, mas para estes efeitos dariam algum jeito). Obviamente que se os jogos fossem à mesma hora, o Sporting daria tudo por mais um golo nos últimos minutos, o que não fez porque a última info que os jogadores receberam foi, provavelmente, a de que o FCP ainda estava a perder. Mas, como se diz, e muito bem, no blog jogo directo, o problema esteve essencialmente na jornada anterior, em que o FCP, depois do 0-0 em Alvalade, sabia perfeitamente por quantos tinha que ganhar em casa ao Penafiel para poder gerir a última jornada (porque o Sporting já tinha jogado na véspera). Distraíram-se e iam apanhando um susto, mas lá conseguiram passar. E como festejaram eles essa passagem, caramba!...

Finalizo dizendo que, independentemente da minha opinião, acho que o Bruno de Carvalho fez muito bem em falar. Mas o penalty no último minuto parece mesmo penalty e por isso convém, devagarinho, ir deixando o tema cair (o da arbitragem - quanto ao da organização acho que vale a pena insistir).

PS: Recordo apenas o seguinte aos leitores deste texto - sou eu, e não o Sporting, quem menospreza a Taça Lucílio. Eu sempre a vi como uma competição cujo principal objetivo deveria ser o de rodar jogadores menos utilizados. Se todos (ou pelo menos os 4 principais) cumprissem com isto, aliás, teria muito mais interesse ver quem seria o vencedor. Mas o Sporting, tradicionalmente, faz poucas alterações e dá o máximo na competição. Concordo com esta última parte, só discordo da primeira...

Quantas vezes teriam mesmo que nascer?

Para um jogo que nada contava, acabou por se revelar bem agradável de seguir! Sabe bem ver os miúdos com vontade de mostrar serviço, a disputar os lances com a garra que muitas vezes falta e a dar a devida importância à camisola que vestem (basta ver os comentários de Cancelo no pós jogo). A partida não teve história já que o domínio do Benfica foi claro do primeiro ao último minuto, sendo apenas de estranhar a escassez de golos. Um misto de jogadores da segunda linha com jogadores da formação resultou bastante bem contra um Gil que apresentou a maior parte dos seus titulares apenas rodando três ou quatro jogadores (e mesmo assim suplentes utilizados no último jogo para o campeonato).

Destaques:

- a lentidão que Maxi vem apresentando torna incompreensível a ausência constante de André Almeida e o seu regresso apenas neste jogo da Taça da Liga. Ainda por cima retira várias oportunidades a Cancelo que apenas jogou os últimos dez minutos. Apesar de achar que André Almeida está melhor que Maxi, nunca será o defesa direito que precisamos pelo que interessa avaliar e potenciar as capacidades que Cancelo vem apresentando;

- Jardel é efetivamente um bom central para fazer face aos impedimentos dos habituais titulares;


- André Gomes (e sei que vou contra o que a grande maioria pensa) deixa-me sempre com a sensação que lhe falta qualquer coisa. A técnica é excelente, o posicionamento também e fisicamente é bastante forte. No entanto, alterna bons passes e leitura de jogo com más decisões. Chegou a mostrar rapidez no lance em que falha isolado (quando pensava que apenas sabia jogar a passo) mas denoto por vezes alguma displicência e desconcentração que leva a passes errados, perdas de bola e pouca pressão. A verdade é que precisa de minutos para evoluir e isso é algo que Jesus teima em dar;

- Cavaleiro jogou com toda a garra, velocidade e sobretudo uma confiança que ainda não tinha visto na equipa principal. Esteve realmente muito bem e é mais um que precisa de ser uma aposta mais consistente. Diria que é o terceiro ala da equipa (depois de Gaitán e Markovic) e bem à frente de Sulejmani;

- Grande Ruben Amorim! Como gostava de o ver a entrar no 11, deixando Lima de fora;

- Djuricic começou finalmente a mostrar sinais de que ainda pode ser útil. Vamos esperar termine rapidamente o processo de adaptação;

- Bernardo Silva é daqueles que não engana. Basta ver uma recepção e um arranque com a bola nos pés. Será que é cedo e que precisa de mais tempo na B ou o que precisa é de testes cada vez mais difíceis? Afinal, mal acabou de chegar aos seniores e já foi considerado o melhor jogador na segunda liga;

Quanto à possível venda de André Gomes por 15 milhões, só percebo se for o tal segundo negócio que complete a venda de Matic. Continuo a não acreditar que tenha sido vendido por apenas 25 milhões pelo tem que surgir algum segundo negócio com valores desajustados da realidade. Este seria um deles uma vez que o potencial do jogador não justifica tantos milhões. Até ao final de Janeiro logo se vê como ficam os planteis. Quem esperaria a saída de Lucho?

20/01/2014

Primeira parte "à antiga"

Tivemos o bom Benfica finalmente. Foram, para mim, os melhores 45 minutos que vi na Luz esta temporada. Pressão logo no meio-campo do Marítimo, boa circulação de bola, muitas combinações, vários jogadores a aparecer no espaço vazio, enfim, uma primeira parte que deu prazer ver no estádio ao contrário de várias anteriores. A segunda parte já foi completamente diferente, muito mais dada ao bocejo e apenas intercalada com duas ou três oportunidades de golo.

Notas de destaque:

- a subida de forma de alguns jogadores (especialmente Gaitán) está a transportar o Benfica para o nível exibicional da época passada. Tarde é certo, mas ainda bem a tempo. Os cruzamentos/passes a desmarcar de Gaitán são do outro mundo;


- a saída de Matic não se fez notar e também acredito que não se notará na maior parte dos jogos se o Benfica continuar assim. Com o Porto, Sporting, Braga e jogos mais a doer da Liga Europa, já será outra conversa. Afinal, estamos apenas a falar do melhor jogador do campeonato passado;

- Rodrigo está de pé quente e vamos esperar que não tenha mais um episódio tipo Bruno Alves que o adormeça por mais duas épocas;

- Este 4-4-2 sem Cardozo dá uma mobilidade sem precedentes. Gaitán, Markovic, Rodrigo e Lima estão em constante movimentação, estando os extremos muitas vezes no meio, com os laterais a ocupar as suas posições. Continuo a preferir o meio-campo com Ruben Amorim mas esta táctica, tenho que reconhecer, parece estar a funcionar. Mesmo assim, não a repetia para o jogo com o Sporting;

- Lima continua completamente fora dela e Maxi está com a raça incólume mas mete dó sempre que tem que fazer um sprint com um adversário. Já é claramente um jogador abaixo da média para este Benfica;

- Oblak está simplesmente enorme! Incluindo a defender até quando o adversário está em fora de jogo. Os lançamentos com a mão são de uma precisão assinalável;

- É possível Enzo estar a jogar bem praticamente em todos os jogos desde o início da temporada e decidir bem em 99% dos lances de jogo?! De longe o meu jogador preferido e não vejo a hora de o ver com a braçadeira no braço;

- Para contrapor o lance do segundo golo, mais um penalty que ficou por marcar a favor do Benfica;

Agora é continuar a manter o nível da primeira parte e concentração no máximo!



  

Arouca, Deslizes & Lesões, Relvados e Arbitragem


Grande vitória em Arouca.

"Grande vitória", perguntam vocês? "Mas este tipo enlouqueceu? Ganhámos em Arouca pela margem  mínima..."

Mas foi mesmo uma grande vitória, por todas as circunstâncias que rodearam o jogo:

1. Equipa do Arouca.

Seria injusto começar pelo relvado ou pelo tempo e não pela excelente prestação do Arouca. Jardim disse, no final, que tinha avisado os jogadores que não seria possível jogar o nosso futebol habitual. Mas Pedro Emanuel, que conhece melhor o campo do que nós, sabia que nos primeiros 20-30 minutos o relvado ainda aguentaria. Por isso, pressão forte na equipa do Sporting, futebol pelo chão nesses primeiros minutos de jogo e o Sporting completamente dominado por uma equipa do meio da tabela para baixo, de uma forma que ainda não tinha visto esta época. Assinale-se, ainda, que o Arouca tem bons jogadores: David Simão, André Claro e mesmo Bruno Amaro (este mais na lógica do "para o que é, bacalhau basta") são jogadores que merecem a I Liga, claramente. E Emanuel aproveita-os para fazerem o que sabem e não para o anti-jogo ou o anti-futebol. Mesmo na segunda parte, o jogo nunca esteve ganho porque o Arouca também o queria ganhar. Parabéns ao Arouca, mostrou que merece ficar na I Liga, claramente. E André Claro, em particular, é jogador para muito mais do que o Arouca.

2. Deslizes & Lesões (do Sporting)

Depois, há que referir que o golo do Arouca, sem tirar qualquer mérito ao André Claro (muito boa visão no passe), ao Roberto (boa assistência, a aproveitar por qualquer dos colegas), ao Serginho (a simulação deixou a defesa e o Patrício às aranhas) e ao Bruno Amaro (muita calma na finalização), começa com duas ofertas do Sporting, uma do Piris (jogo assim-assim) e outra do Maurício (jogo de grande coragem, mas com este lapso que deu num golo) e termina com um William perdido (onde estava? E a pergunta é mesmo sincera, não meramente retórica) e um Adrien que chega atrasado. Outros "deslizes": o erro de casting com Capel naquele relvado e a exibição fraquinha de Montero (mais uma...). Atenção ao colombiano, precisa urgentemente de marcar para recuperar a confiança mas, mais importante do que isso, ultimamente tem sido (regularmente) o jogador da equipa com exibições menos conseguidas...

Acresce que as dificuldades físicas de Jefferson e Maurício foram notórias ao longo do jogo, sendo que Slimani, conforme Jardim confirmou no final, só estava disponível para 30 minutos. E o campo não estava propriamente ideal para jogadores com dificuldades físicas.

Ainda, e também relevante, o disparate do Marcos Rojo ao fazer-se expulsar 5/10 minutos depois de termos ficado em superioridade numérica. Mais um fator a dificultar a nossa vida.

3. Relvados

São vários os relvados que ficam impraticáveis nesta altura do ano e o nosso não é exceção (segundo li por aí, mesmo o da Luz não é exceção). O do Arouca estava terrível, na segunda parte era confrangedor pensar que qualquer remate frontal podia dar golo se a bola ressaltasse naquela zona de terra em frente às balizas. Eu só vejo isto noutros campeonatos europeus quando há verdadeiros dilúvios (à imagem do que sucedeu há dias no Dragão, que ainda vai sendo o melhor relvado em Portugal). Em Portugal, uma chuvada dá cabo de um jogo de futebol. Não seria possível fiscalizar isto e impor regras mínimas para participar na I Liga (já nem digo na II)? Contra mim falo, se o nosso relvado não cumprir os critérios, que seja outro relvado.

4. Arbitragem

Não, não vou criticar a arbitragem. Sinceramente, acho que o Cosme Machado fez o mais importante, para mim, num árbitro de futebol: manteve o critério sempre igual e dentro de limites aceitáveis (excessivamente rigorosos, mas nada de escandaloso). Por isso critiquei acima o Marcos Rojo: ainda que se diga que a falta do Rojo não é para amarelo, um jogador profissional tem obrigação de perceber que vai levar o amarelo em função do que foi o critério do árbitro 5/10 minutos antes (o segundo amarelo do Tinoco foi forçado, claro que foi!).

Face às condições do terreno, o Cosme Machado fez, a meu ver, a arbitragem possível, dentro de um critério que ele entendeu como o mais adequado ao jogo. De que me lembre, não cometeu um só erro grave, nem um. O critério foi sendo equilibrado, o relvado nunca inclinou. Cometeu diversos erros mas, lá está, com um critério sempre idêntico.

Então porque me refiro à arbitragem como tendo dificultado a nossa vida? Simplesmente porque o critério escolhido, que até aceito, foi o de parar o jogo por tudo e por nada - o que até deu jeito, na maioria das ocasiões, na parte final do jogo, mas foi irritando, e muito, até chegarmos à vantagem.

***

Isto dito, grandes jogadores e grande Jardim a contrariar tudo isto. Destaco a resistência de Maurício, o coração de Adrien, a alma de André Martins (impressionante demonstração de força num jogo em que comecei a pedir a sua saída ao minuto 50 e percebi que estava errado!), o sacrifício defensivo de Wilson e a eficácia de Slimani. Quanto a Jardim, corrigiu o erro de casting Capel e quando tirou William ganhou o jogo, contra tudo e contra todos (eu incluído - fiquei em casa a perguntar aos gritos "mas o Martins vai continuar neste relvado?!").

Uma nota final, porque a merecemos sempre: grandes, mas muito grandes, todos os adeptos do Sporting que foram a Arouca. Não me canso de dizer isto: os outros podem ter os títulos, o dinheiro, as vendas milionárias, a reputação internacional, o que quiserem. Ninguém tem adeptos como nós.

16/01/2014

Várias e interessantes (ou nem por isso)

1. Noutro dia um assíduo leitor do blog disse-me que não cheguei a falar de Eusébio. Na altura desculpei-me com argumentos futebolísticos que vou abordar neste texto mas pouco relevantes para justificar nada ter dito sobre Eusébio (na realidade foi a preguiça que levou a melhor). Pois bem, digo-o agora: Eusébio é um nome que vai, indiscutivelmente, para a galeria dos imortais. É o melhor jogador português do século XX. Está em quase todos os tops que conheço (mais e menos oficiais) como um dos 10 melhores jogadores mundiais desses mesmo século XX.  Está nos dois "passeios da fama", o do Monaco e o do Rio de Janeiro(o primeiro não brasileiro a figurar neste último). Ganhou uma Bola de Ouro e ficou perto de ganhar a segunda. E é um nome conhecido em todo o mundo, com automática associação a Portugal, o que é notável.

2. O que não significa que, por tudo isto, "ganhe" a discussão sobre o melhor português de sempre. Creio que as dúvidas ficaram definitivamente dissipadas com a segunda Bola de Ouro de Ronaldo (já a merecia há mais tempo, convenhamos). Já tinha abordado neste blog o facto de a comparação com CR7 em termos de golos ter argumentos muito favoráveis a este último, ao contrário do que se dizia por aí, e o facto de, para mim, CR7 já ser o melhor português de sempre. O que não retira a Eusébio o tal lugar na galeria dos imortais. Tem-no com todo o mérito e, repito, de forma indiscutível.

3. Aliás, quanto a este ponto, convém dizer que fui "forçado" à comparação por muito do que foi escrito por aí. E que, sendo forçado a fazê-la, voto CR7. Mas creio que a revolução holandesa dos anos 70 marca a fronteira entre o futebol no estado puro (que teve o seu apogeu com o Brasil de 1970) e o futebol-ciência (que enterrou definitivamente o futebol em estado puro com o Itália-Brasil de 1982 - chamemos-lhe o canto do cisne). Não retiro um pingo de valor a quem ganhou antes disso porque quem ganhou até aos anos 70 fê-lo porque era o melhor de entre todos os que pensavam e jogavam da mesma forma (ou tinham a mesma forma de ver o jogo, se preferirem). Digo é que são dois tipos completamente diferentes de futebol. Se quiserem, no futebol em estado puro, Eusébio foi o melhor português e Pelé o melhor do mundo; no futebol-ciência, CR7 o melhor português e Maradona o melhor do mundo.

4. No meio de tudo isto, o Sporting empatou no Estoril a 0 num jogo combativo mas pouco conseguido (e onde vi Jardim, talvez pela primeira vez, mexer a partir do banco de uma forma algo estranha). Já aí vinham as aves agoirentas dizer que o Sporting tinha atingido o seu máximo e não dava para mais, eis senão quando o Sporting ganha ao Marítimo na Taça Lucílio de forma concludente (mais no resultado do que no jogo jogado, diga-se). E, melhor, parece ter ganho não necessariamente uma opção consistente (Mané) mas pelo menos a chama de ter no banco alguém que os adeptos acreditam que pode entrar e mexer com o jogo. Vamos ver como nos movemos em janeiro, seria bom que não saísse ninguém. Quanto ao Nani, não acredito. Mas se viesse, se viesse mesmo, aí começaria a mudar o meu discurso do 3º lugar. Não vem, é pena.

5. Por fim, um dos meus jogos preferidos do ano, o Benfica-Porto. Estes jogos são para mim um verdadeiro carrossel de emoções, mas todas tranquilas: são os golos do Porto que festejo porque o Benfica está a perder (sempre bom!) para no minuto seguinte ver o placard e ficar triste porque o Porto está a ganhar (sempre mau...); são as expulsões que me alegram até me aperceber que o oponente fica a jogar em vantagem; são aqueles sururus maravilhosos que acabam com amarelos a rodos ("para não estragar o jogo") depois de serem arrancados olhos e cabelos; são as invariáveis entradas a matar, de um lado e de outro (Maxi lidera no Benfica, Mangala no FCP); e, claro, a ternurenta discussão sobre quem na realidade é o mais beneficiado nestes jogos (neste jogo parece que foi o Benfica, mas reconheço que é mais comum o inverso - não atinge a categoria de "raridade", só ao alcance de um clássico contra qualquer um destes oponentes em que o Sporting saia beneficiado, mas ainda assim é de assinalar).

6. Apesar das altas expetativas, pelo resumo (como calculam, não tenho benfastv) vi que a montanha pariu um rato: o Porto sofre um golo aos 13 minutos e ninguém parte uma perna ao Rodrigo; ninguém aproveitou o estado do relvado para um carrinho mais escorregadio; o Maxi Pereira, que se saiba, nada fez para ser expulso (o Mangala até fez mas o árbitro não quis... aham... não viu); o Luisão resolveu estragar os sururus com apelos à calma (palerma, aquilo tinha tudo para provocar mais um ataque da cobra cuspideira); e só a cobra cuspideira teve uma entrada para vermelho vivo (punida com falta mas sem amarelo, claro). De resto, uma notável exibição de apito do Soares Dias, com particular enfoque para aquele lance do penalty do Mangala, o benefício escandaloso do infrator no passe de Quaresma e (last but not lest, o meu preferido) aquela maravilhosa bola ao solo disputada junto à área do Porto pelo Helton.

13/01/2014

Com os dentes cerrados

O clássico exigia um Benfica com a concentração no máximo e a correr tanto ou mais do que o adversário e, felizmente, correspondeu às expectativas dos seus adeptos. Não foi um bom jogo de futebol no que diz respeito a aspectos técnicos. Foram raras as boas jogadas, o relvado estava pesadíssimo e o jogo estava constantemente a ser interrompido com as muitas faltas. Mas ao nível de intensidade, entrega e tensão foi efetivamente um bom jogo.

Esperava que Jesus apostasse em Artur mas também pensava que ia abdicar de um avançado. Trocou-me as voltas e acedeu ao pedido do 3º anel mantendo o jovem guardião. Está em idade de ainda cometer erros mas a verdade é que está a dar uma segurança incrível e só lhe falta fazer uma ou duas grandes defesas em jogos importantes para consolidar a sua titularidade. Quanto à táctica, o Benfica, até para contrariar as declarações de Vitor Pereira, manteve a sua identidade. Não é a que eu gosto mais, mas lá continuou com os dois avançados. Só que desta vez defendeu como não costuma defender. Rodrigo e Lima correram bastante para ajudar o meio-campo e Markovic fechou o corredor como nunca o tinha feito. Por outro lado, um Carlos Eduardo não tem nada a ver com um Moutinho e, parecendo que não, ajuda muito ao facto de Matic e Enzo terem estancado o meio-campo azul e branco, sobretudo com o argentino a secar por completo o compatriota do Porto (já Fernando só podia estar dopado, tanto que correu). Os jogadores do Benfica cerraram os dentes, fizeram um jogo de combate e isso faz toda a diferença. Alguns lances de Siqueira ilustraram perfeitamente esta entrega. Não sei se ainda há jogadores do Benfica que não percebem como isto funciona mas é bastante simples: desde que deixem tudo em campo, podem até jogar mal que o apoio está sempre presente e não há lugar a assobios.


As melhores mas raras oportunidades foram do Benfica, sendo que apenas me recordo de um lance do Jackson a terminar a primeira parte (mas que estava em fora-de-jogo) e do lance (mal) interrompido que o mesmo teve na segunda parte. O Benfica chegou à vantagem cedo, num fuzilamento de Rodrigo depois de receber um passe magistral de Markovic (continuo a dizer que é um crime este miúdo não jogar no meio e este passe foi apenas mais uma prova) e depois teve o mérito de saber gerir e controlar o jogo. No entanto, Jesus demorou demasiado tempo a colocar Amorim em jogo mas lá surgiu a expulsão de Danilo. A partir daí esperava um Benfica mais forte do que conseguiu ser.

A arbitragem foi obviamente má, tendo tanto o Benfica como o Porto motivos de queixa.

O Benfica chega ao final da primeira volta no primeiro lugar mas falta saber o que acontecerá aos plantéis até ao final de Janeiro e o consequente impacto no resto da competição. Só consigo entender os negócios de que se fala (Rodrigo para o Zenit por 35M€ e Matic para o Chelsea por 25M€) se imaginar o Abramovic a ligar para o seu amigo russo e a dizer “Não queres comprar o Rodrigo por 20M€? Eu compro o Matic por 40M€ mas como me fica um pouco mal dar tanto dinheiro por um jogador que valorizei por 5M€ quando comprei o David Luiz, digo que compro por 25M€ e o resto vai pelo teu clube.”



Bonita homenagem a Eusébio sendo igualmente de valorizar o comportamento dos adeptos portistas.

Vamos embora Benfica, agora interessa é não desperdiçar esta vantagem! E se puderem, juntem um pouco de bom futebol mas se não der, o essencial é mesmo ganhar!  

09/01/2014

Diz que é outra janela de transferências - Update

Ora bem, eis que chegamos a nova janela de transferências e o Sporting tem várias situações a fazer correr tinta por aí fora.


Ei-las:

Jeffrén - dúvidas quanto ao seu destino, sendo que parece certo que não integra o plantel (BC dixit em recente entrevista na RTP Informação). Fala-se do Rayo Vallecano e de outros clubes espanhóis, mas adivinha-se um caso complicado (provavelmente a condição física do jogador não permite grandes apostas por parte dos interessados).

Labyad - parece certo no Vitesse; se não conta e nos livramos efetivamente dos salários por 18 meses, é uma boa solução. O facto de não recebermos nada pelo empréstimo, neste caso, é aceitável. [CONFIRMADO, o SPORTING AFIRMA QUE IRÁ POUPAR 4,5M€ COM ESTA CEDÊNCIA]

Elias - outro caso complicado, este pela vertente financeira. O mundo sabe que o Sporting se quer livrar dele, o Sporting ainda assim exige (e bem) valores que façam minorar o desastre que acabou por ser esta contratação (refiro-me essencialmente à vertente financeira, embora na vertente desportiva também não tenha corrido bem - nunca me impressionou como jogador, muito sinceramente).

Rinaudo - parece certo no Catania, por empréstimo. Insisto que o Sporting tem uma (má) tradição de se desfazer dos capitães de equipa, muito embora 500k por um suplente acrescido da poupança de salários seja um bom negócio. A braçadeira vai para Patrício que porventura sai após o Mundial se alguém bater os tais 15M€. Novo capitão em 2014/2015, já começo a perder a conta aos que saíram nos últimos anos (Beto, Custódio, Minorca, Polga, João Pereira, Carriço...). Desportivamente, a mim, não deixa saudades. [CONFIRMADO NO CATANIA, RENOVOU ATÉ 2016]

João Mário - emprestado ao Vitória de Setúbal, o que me parece muito bem.

Nuno Reis e Esgaio - fala-se de um empréstimo ao Cercle Brugges. Se no caso do Esgaio se aceita (talvez fosse preferível um empréstimo nacional, mas tudo bem) no caso do Nuno Reis não se percebe, a não ser por vontade do próprio. Já deu para ver que o Nuno Reis nunca será aposta, mas talvez a ideia seja a de preservar um jogador para futuros negócios com outros clubes nacionais...

Quanto a entradas, nada de especial, apenas jogadores à experiência e/ou para a equipa B (isto para quem, como eu, não dá um pingo de credibilidade à notícia sobre o Fucile). Gostava que entrasse um central e um extremo, mas teriam que ser jogadores que fizessem a diferença, o que é complicado. Nas atuais circunstâncias, se não tivermos capacidade (ou criatividade) para novos Monteros, mais vale fazer apostar em quem já temos.

Uma nota, ainda, para a situação do Montero, que convirá esclarecer: afinal, qual o valor da opção? Foi ou não exercida? Se não foi, qual o prazo de exercício da mesma?