30/12/2014

Escrever direito por linhas tortas

Assumo claramente que estou muito desiludido com as últimas intervenções de BC e tudo o que causaram. Seja qual for a verdade dos factos, a instabilidade deste final de ano (ainda que seja apenas mediática, o que muito duvido) veio de dentro para fora. Mesmo admitindo que tudo o que se diz por aí sobre Marco Silva tem um fundo de verdade, fazer passar a mensagem (ou permitir que ela passasse) foi um erro tremendo. O blackout é absurdo por isso mesmo: não foram os OCS que criaram o problema que o Sporting vive atualmente, foi o próprio Sporting.

Isso não me impede de dizer que o que ontem se fez naquela Taça muito engraçada já devia ter sido feito há muito tempo. Como bem sabe quem me leu nos últimos anos, há muito defendo que esta competição deveria destinar-se a jogadores menos utilizados e jogadores da equipa B. Devia ser uma opção assumida pelo clube, independentemente dos dolos não intencionais da vida. Devia, aliás, ser uma opção de todos os clubes, em particular os grandes. O Benfica fê-lo no ano passado - e tinha um plantel tão forte que acabou a conquistar a competição. A meu ver, fê-lo, pela primeira e única vez, da forma como o deveria ter feito sempre: jogando (também) com os menos utilizados.

Boeck, Esgaio, Geraldes, Tobias, Sarr, Rosell, Slavchev, Gauld, Podence, Heldon, Tanaka. Podiam também jogar muitos outros, como Wallyson, Dramé e Sakho que depois entraram, ou Iuri Medeiros, ou Cissé ou Fokobo. O essencial é dar uma oportunidade competitiva a quem tem menos ritmo e a estrutura considera ter potencial.

Foi uma opção de BC. A meu ver, os motivos não foram os certos - a opção deveria ser estrutural e não conjuntural. Mas a opção é dele. E graças a essa opção, escreveu-se direito por linhas tortas.

PS: Com um golo adversário aos 5 minutos de jogo, viu-se que as coisas são bem mais difíceis, não é Rui Vitória? Mesmo contra um misto de BB e jogadores nunca antes utilizados... Jogar assim 30 jornadas em 34 não é para todos. Isto para os que defendem Rui Vitória como uma boa opção para substituir Marco Silva, o tal que "não ganha aos pequenos"...

PS2: Que não se interprete este post na lógica do "uma no cravo, outra na ferradura". Não retiro uma vírgula ao que escrevi e comentei no post anterior. O que está mal é para apontar; o que é bem feito (ainda que pelas razões erradas) é para salientar também. Parece-me normalíssimo.


29/12/2014

Especulações que fazem (?) sentido

O que me faz sentido face às ocorrências dos últimos dias (mas não deixa de ser especulação, não tenho qualquer inside info):

1. Bruno de Carvalho decidiu despedir Marco Silva. As razões, desconheço. Desconhecemos, (quase) todos nós. Resultados, declarações, divergências, aposta nos BB, temas de empresários, não sei.

2. A opinião pública reagiu mal. Os principais apoiantes de BC dividiram-se, mesmo os mais fervorosos. Os opositores aproveitaram a ocasião para assinalar que BC seria o responsável pelo que corresse mal este ano. [há uma coisa em que BC é seguramente responsável: o seu discurso fomenta a divisão entre "apoiantes de BC" e "opositores de BC" - nunca corrigiu esta "detalhe" e temo que um dia pague caro por isso]

3. BC, assim, aguardou. Guardou a decisão até à última (leia-se: não quis despedir Marco antes do Natal, o que seria "politicamente" mal interpretado). Provavelmente para manter o sigilo, manteve a decisão com um núcleo restrito de confiança (Vieira, Quintela, eventualmente Inácio).

4. A 26.12, BC terá comunicado a decisão a 2 ou 3 opinion makers de confiança (José Eduardo, Eduardo Barroso, eventualmente Paulo Andrade) e restantes membros dos órgãos sociais. A partir daí, seria necessário construir uma imagem de Marco Silva que facilitasse o despedimento.

5. Começa a preparar-se o terreno para o anúncio da decisão. José Eduardo, a 26.12, à tarde, antecipa o conteúdo do seu artigo n'A Bola no dia seguinte. Como em qualquer caso em que se pretende passar uma mensagem subliminar, BC deixa cair, "a talhe de foice", que os únicos representantes do Sporting em que se revê são Eduardo Barroso e, guess what?, José Eduardo.

6. Sucede que, na noite de 26.12, conclui-se que o despedimento não seria possível. Coloco várias hipóteses:
(i) o departamento jurídico concluiu que não existia justa causa [será possível que apenas no dia 26.12 o departamento jurídico tenha dado um parecer final a BC e que este, precipitadamente, tenha começado o processo mediático antes de conclusões jurídicas "seguras"?]
(ii) a decisão, quando comunicada a membros dos órgãos sociais, colocou em causa a estabilidade diretiva [poderia estar em causa a demissão de algum ou alguns dos membros, há muito se ouvem zunzuns sobre algumas pessoas não apreciarem o estilo "one man show" de BC]
(iii) o núcleo duro do plantel opôs-se à decisão [nem seria preciso o núcleo duro: bastaria Nani ameaçar bater com a porta em Janeiro]
(iv) [a mais remota] Marco e BC falaram e entenderam-se.

Mais um capítulo da autofagia. Nisto, BC não é diferente dos seus antecessores: cada vez mais inculca a autofagia como elemento do nosso ADN.


22/12/2014

Alguns momentos a reter

O primeiro momento a reter: Adrien Silva, o valoroso jogador nota 14 que acredita cegamente (qual Paulo Fonseca) que só não tem 18 porque os professores protegem os que têm mais estatuto, recebe uma bola de Rui Patrício à entrada da área. Louva-se a intenção de sair a jogar mas Adrien está pressionado, de costas para o jogo e sem linhas de passe, porque os adversários ocupam o espaço entre Adrien e os colegas posicionados em zonas laterais do campo. O momento pede (exige) novo atraso para Rui Patrício ou algo só ao alcance de um nota 18: (i) um passe para um dos flancos por cima do adversário ou (ii) uma rotação com a bola controlada e sair a jogar. Para nossa sorte, Adrien percebeu que para a segunda possibilidade não tem argumentos; para nosso azar, achou que conseguia fazer a primeira com um passe rasteiro (ou pior: tentou o passe por alto mas saiu-lhe rasteiro). Conclusão: o Nacional recuperou a bola perto da meia-lua da (nossa) grande área. Com qualquer Pardo, Hernâni, Hurtado, para nem falar de Brahimi ou Gaitan, o golo era uma certeza. Ali, acabou com Suk a mandar a bola para fora do estádio.

Segundo e terceiro momentos a reter: Slimani tem duas oportunidades de golo daquelas que um Rondón ou mesmo um Lucas João desejam todo o jogo. Na primeira, o cruzamento sai perfeito da direita (sacado por aquele jogador que os adeptos querem ver no banco para se experimentarem Dramés e outros do género), para as costas da defesa, onde aparece Slimani para (de primeira, OK, mais difícil) escolher o lado da baliza para onde vai rematar. Slimani escolher rematar para perto do poste esquerdo da baliza, sem hipóteses para o GR adversário. Mas para o lado de fora. Na segunda, depois de uma confusão na área a bola aparece redondinha aos pés do argelino (mais uma vez os pés, esses grandes marotos que teimam em aparecer num jogo de football - alguém recomenda um bom dicionário online?), opta por colocar a bola junto à barra, bem no ângulo. No ângulo de saída da bola por cima da baliza, claro.

O quarto momento a reter: o mesmo Adrien Silva, depois de um amarelo bem cedo na partida, e de já ter cometido algumas faltas e falhas, resolve tentar novamente a nota 18, desta feita numa disputa de bola à entrada da área. Com vários colegas próximos do lance, alguns deles de frente para o lance, e perante a improbabilidade de o jogador do Nacional fazer o que fosse rodeado de adversários, Adrien opta por derrubar o oponente, levando o segundo amarelo, oferecendo um semi-penalty ao adversário e, pior, deixando a equipa com 10. Equipa essa que tinha começado o jogo com André Martins no lugar de João Mário, admito eu para ter maior segurança defensiva. O que Marco Silva parece não ver é que a nossa insegurança defensiva tem muito a ver com aquele meio-campo onde um dos elementos parece ausente (felizmente ontem esteve lá, se estivesse ausente como tem estado nem quero imaginar) e o outro demasiado presente, ele e a sua falta de noção do seu próprio valor. William e Martins ou William e Rosell ou Rosell e Martins, não? [nem falo do suposto substituto de Adrien, o grande "reforço" Slavchev]

Quinto momento a reter: perto do minuto 90, Marco Matias isola-se e Rui Patrício salva 2 pontos ao Sporting. Mais 2.

Sexto e último momento a reter: Marco Silva comporta-se como um senhor na conferência de imprensa e dá uma lição ao presidente do Sporting. No nosso clube, felizmente, nem todos utilizam os comunicados para fazer passar mensagens.

PS: Tinha decidido cingir-me apenas ao futebol-futebol e é o que tenho tentado fazer. Mas torna-se difícil quando um treinador tenta fazer o seu trabalho e é constantemente perturbado com parvoíces. Sim, parvoíces, leram bem. Marco Silva tem muito por fazer e escolhas duvidosas, é verdade. Contudo, nunca vamos saber o que seria o seu sistema interpretado por uma defesa que estivesse minimamente ao nível do Sporting. Podia ser igual, podia ser melhor. Pior seguramente não seria. Pior só se um, sei lá, Rabia fizesse parte do plantel. O quê? Faz parte? E foi contratado? E pagou-se por ele? E nem joga na B com regularidade? E quando joga, joga mal? Ah, mas não faz mal porque foi barato... Parece que terei que perguntar a Bruno de Carvalho quanto custaram Maurício e Naby Sarr. Mas quero essas continhas bem feitas, Sr. Presidente.

16/12/2014

O melhor 11 da minha vida

Desculpem mas não quero falar do jogo de Domingo. Um regresso tristonho ao início da época que matou, de vez, as aspirações para a conquista do campeonato. O Moreirense fez pela vida e, do que me apercebi pela TV (uma gripalhada das antigas impediu-me de ir ao estádio), nem sequer abusou particularmente do anti-jogo. Não precisou.

Vou apenas destacar dois detalhes que podem ter passado despercebidos. Slimani fez uma jogada decente em todo o desafio (aliás, a melhor jogada que lhe vi fazer desde que chegou ao Sporting) e com isso criou a nossa melhor oportunidade. Carrillo fez um bom jogo, contribuindo quase sempre de forma positiva para o jogo da equipa, mas falhou a melhor oportunidade do jogo. O que fui lendo por aí? Que Carrillo é jogador para entrar na 2ª parte.

A sério, percebam que Carrillo é o jogador em que mais se sente o efeito Nani. Está cada vez mais jogador. Pena que poucos se predisponham a aprender com quem sabe mais do que nós para perceber o que isso é. No meu caso, o blog linkado começou por me irritar; hoje percebo que deve ser frustrante andar na blogosfera a ler chico-espertos (como eu, por exemplo) a escrever disparates e a achar que o futebol, por ser o fenómeno que é, se discute com base na laracha. Podemos fazê-lo, até certo ponto. Mas depois chegam os Shikabalas, os Rabias, os Slavchevs e percebemos que as larachas não chegam. É preciso, por incrível que pareça, saber jogar futebol.

Aprendo mais a lê-los do que a ouvir qualquer comentador da TV. E também poderia falar deste, com quem discuto regularmente (mais por teimosia), quando na realidade  foi quem me iniciou na busca do que é verdadeiramente bom futebol. Mas, infelizmente, resolveu fechar as portas.

Adiante. Resolvi passar à frente do ponto final nas nossas aspirações e eleger o melhor 11 da minha vida. Na realidade, não é bem da minha vida, porque só comecei a ver futebol a partir de 84 ou 85. Até aí, ia à bola porque era giro. E não me lembro de ver jogar Kostov ou Oliveira. Por isso, diria que é o melhor 11 do Sporting nos últimos 30 anos. Quanto a táticas: vou para um 4x4x2 losango para poder aproveitar os que quero.

Ei-lo:

GR: Schmeichel, com menções honrosas para Damas e Patrício (até porque para além destes não houve nenhum que merecesse destaque). Damas pelo símbolo que era e é, Patrício pela determinação com que conquistou a baliza e os adeptos. Mas o melhor foi mesmo Schmeichel, não apenas pela fantástica carga mediática e o contributo que deu para o campeonato de 99/2000, mas também porque, efetivamente, era... o melhor GR, em todos os aspetos (realço que o comparo ao Damas que vi jogar, não ao Damas das décadas de 60 e 70).

DD: uma posição difícil, onde nunca fomos particularmente felizes. Poderia referir Xavier, que fez 90/91 nessa posição com grande rendimento; poderia referir César Prates, que não era particularmente apreciado mas cumpria e foi duas vezes campeão; mas o melhor que vi jogar foi Nelson. Pertenceu a grandes equipas e só conquistou uma Taça, mas era um DD de grande qualidade. Muitas vezes nos esquecemos dele, pelo seu perfil discreto. Mas, se pensarmos bem, não houve melhor. Uma última nota para uma confissão envergonhada: eu gostava do Saber. Podem enxovalhar-me.

DE: Rui Jorge. Pelo que representava em campo e também pelo que fazia com os pés. Poderia não ser um defesa soberbo, mas não me lembro de nenhum melhor do que ele. Menções honrosas creio que apenas duas e ambas com um "apesar de tudo": Insua e Tello.

DC (x2): creio que nos últimos 30 anos apenas há um indiscutível para qualquer sportinguista - André Cruz. O parceiro poderia ser Naybet (um central com um estilo que eu aprecio bastante), Marco Aurélio (grande classe, mas marcado negativamente por um lance num derby, só mesmo no Sporting se queimam jogadores por lances destes), Luisinho (bons pés, grande experiência) ou, para alguns, Stan Valckx (eu não era um particular apreciador mas merece constar da galeria). Escolho Naybet.

MC (x4): gostaria muito de poder escolher William Carvalho, tivesse ele, este ano, o rendimento da época passada. Mas não tem. Por esse motivo também não posso escolher Vidigal que verdadeiramente apenas fez uma boa época no Sporting, precisamente a de 99/2000. Peixe prometeu mas nunca atingiu um patamar de indiscutível qualidade, assim como Veloso. Douglas tinha pinta, mas jogou numa fase em que era difícil ter grande destaque. Paulo Bento veio numa fase já tardia da carreira. Delfim foi perseguido por lesões. Assim, pensando numa posição mais defensiva, inclino-me para Oceano, pela enorme carreira, pelo grande capitão que foi e por ser um jogador que, não sendo tecnicamente genial, tinha a enorme virtude de saber que o não era. Permitam-me, por isso, um pontapé nos parágrafos iniciais deste texto para incluir um grande símbolo do Sporting. Avançando no terreno, gostaria de incluir Duscher, Nani e Balakov (um box-to-box, um extremo que durante anos jogou em losango e um 10 puro - o treinador que os organizasse como quisesse!). Mas poderia referir aqui, entre muitos outros, Hugo Viana, Pedro Barbosa, novamente Xavier desta feita como meio-campista, um JVP mais recuado, um Izmailov ou um Matias se pensarmos apenas na qualidade técnica dos jogadores.

EXT: Muitos nomes poderiam constar da lista, mas não vou escolher nenhum porque "arrastei" Nani para o 4x4x2 losango. Se excluirmos os que não merecem ser aqui citados por outras razões que não as futeboleiras, viriam logo dois nomes à cabeça: Ronaldo e Quaresma. Mas convenhamos que o primeiro, no Sporting, não teve tempo para figurar neste 11; e o segundo, embora mais marcante, teve uma primeira época impressionante (que, sim, valeu vários títulos) e, a partir daí, nunca evoluiu para o patamar que todos esperávamos. Os demais não mereceriam entrar no 11. Por favor, nem me peçam para falar de Luís Figo...

PL: a posição em que sempre fomos mais fortes. Recordo-me de o FCP e o SLB disputarem campeonatos sem grandes avançados (lembrem-se de Penas, Postigas, McCarthys ou de Vatas, Aíltons e Nunos Gomes). O Sporting sempre dependeu de grandes avançados para fazer boas prestações. Lembro-me de Manuel Fernandes e Jordão, lembro-me de Gomes já em fim de carreira, lembro-me de Acosta, Jardel, JVP ou Liedson. A todos eles associamos os melhores resultados dos últimos 30 anos (o Manel e o Jordão um pouco mais do que 30 anos, mas estes têm um tratamento especial). Aqui, sou um sentimentalão: opto por uma dupla Manuel Fernandes (ídolo de sempre) e Acosta (que deu um gigante contributo para a maior alegria da minha vida desportiva). Mas reconheço que, se pensasse apenas no rendimento, teria que ir para JVP e Jardel...

E ficaria algo como isto: Schmeichel; Nelson, Rui Jorge, Naybet, André Cruz; Oceano, Duscher, Nani, Balakov; Acosta, Manuel Fernandes. Nada mau.

Próximo post: o pior 11 de sempre. Preparem-se para recordar grandes nomes e para o choque geracional entre Rodolfo Rodriguez e Costinha, Renato e Gladstone, Gimenez e Pongolle. Vai fazer faísca!

PS: Ofereço 1.000 Euros a quem acertar, precisamente, no valor que custou Maurício.

14/12/2014

Sem euforias

Já não escrevo há algum tempo. Gostava de ter mais tempo para analisar os jogos que o Benfica vem fazendo mas a realidade é que com o trabalho e miúdos, nem sempre consigo. Por isso, aqui vai um resumo bastante sintético:

Os últimos jogo vêm fortalecendo a minha convicção de que, de facto, os onzes definidos por Jesus estão longe de ser aqueles que dariam mais força e competitividade ao Benfica. O caso mais flagrante tem sido aquele que parecia mais difícil defender quando pedia a saída de Talisca do onze inicial quando marcava golos atrás de golos. O jogo da taça e a segunda parte com o Belenenses, bastaram para dissipar algumas dúvidas que até eu tinha (sei que não tenho o dom de estar sempre certo). Por outro lado, o jogo contra o Bayer mostrou que, apesar de eu criticar muito Jesus e de não gostar muito das suas opções, é mesmo um grande treinador. Só um grande treinador conseguia colocar uma equipa de reservas a jogar bastante bem contra um dos melhores plantéis da Alemanha e que só não venceu porque Lima não quis.

O jogo desta noite, foi uma vitória muito, mas mesmo muito importante. Mas não podemos entrar em euforias. Numa noite normal, o Benfica não teria ganho o jogo. Numa noite normal, Jackson tinha marcado pelo menos dois golos. Sendo assim, ainda bem que não foi uma noite normal. Prefiro ganhar e não ser a melhor equipa do que perder e ser a melhor equipa.

Foi um Benfica que jogou bastante bem na pressão alta, logo à saída para o ataque do Porto, que discutiu muito bem o jogo no meio campo, mas nunca conseguiu impor o seu jogo. De uma forma fria, podemos dar os parabéns a Jesus por ter apostado na estratégia que lhe poderia dar mais dividendo e eles aí estão.

Principais notas:
- Júlio César dá, sem sombra de dúvidas, uma tranquilidade que desde Oblak não existia;
- Almeida fez mais um grande jogo! Espero que Jesus perceba rapidamente que é a melhor solução para a posição 6 enquanto Fejsa não regressa ou não fica em forma;
- Maxi é uma carraça impressionante e Brahimi não fez mais do que alguns bailados sem grandes consequências;
- Jardel é excelente a defender, antecipar e a cortar. Pena que seja tão mau com a bola nos pés e a decidir;
- Samaris, apesar de não ser um 6, este bastante melhor;
- Talisca muito melhor a construir mas quase zero no plano defensivo (e ainda fez o remate que permitiu o segundo golo de Lima);
- Salvio demasiado escondido e pequeno para Alex Sandro;
- Gaitán é de outro campeonato.
- Ola John tira-me a razão quando entra no jogo e parece que está num filme diferente. É demasiado irritante que tanto talento e capacidade física não sejam aproveitados.



O Benfica fica numa excelente posição mas ainda não consigo achar que já seja o favorito. Deverá ter ficado ao mesmo nível do Porto, sobretudo porque Janeiro poderá levar Enzo e não se sabe como regressará Fejsa. O foco no campeonato poderá ser uma mais valia mas ainda há jogos complicados fora de portas e nos jogos complicados o Benfica só se safou esta noite mas continuou sem jogar bem num jogo de elevado grau de dificuldade.  

12/12/2014

Ida a Londres



Fui a Londres ver o Sporting. Aproveitei o fim-de-semana ligado ao feriado, arranquei no Sábado e voltei ontem.

Ainda vi o jogo com o Boavista (resolvido por Carrillo, a quem agradeço ter acabado com a malapata de não ganharmos no meu dia de anos) e confesso que fiquei dividido: boa ou má a escolha de Miguel Lopes? Boa, porque se Esgaio jogasse e se lesionasse ficávamos sem lateral para Chelsea? Má, porque Esgaio foi para Stamford Bridge depois de "adquirir ritmo" em Santa Maria da Feira, Tapadinha, etc.? Esta até podia deixar passar. Mas dificilmente deixo passar o facto de o Esgaio ter sido remetido ao esquecimento depois de até ter começado bem a temporada. Foi chamado para um jogo desta responsabilidade numa altura em que, se bem percebo, nem com a equipa A estava a treinar.

Opções à parte, o Sporting até fez um jogo razoável. Convém aliás começar por dizer que a diferença de qualidade era enorme. O Chelsea está muito bem treinado. Nota-se que há ali trabalho de qualidade, Mourinho parece ter regressado ao bom futebol, depois de alguns traumatizantes anos em Madrid. Na pressão, no envolvimento ofensivo, na capacidade de criar sucessivas (e alternativas) linhas de passe, nota-se o dedo de alguém que quer uma equipa a jogar futebol de qualidade. Não tínhamos hipótese. Mas tentámos assumir o jogo e jogar o que podíamos.

Ainda assim, não deixa de ser verdade que o Sporting se apresentou em Londres com uma equipa sem nível para este tipo de jogo. Faltou Nani e faltou... Montero. O primeiro foi azar, quanto ao segundo... já lá vamos.

Vamos esquecer os esforçados defesas, que fazem o que podem e dão o que têm. Chega de bater no ceguinho: o Sporting precisa de 1 central ou mesmo de 2 centrais. Ponto. Janeiro está a chegar. Aos atuais, nesta fase, só elogios: tendo em conta aquilo que sabem fazer, até considero que se têm excedido.

Do meio-campo para a frente há um problema diferente: Marco Silva (que, repito, trepito e quadrepito, é o meu treinador para os próximos 4 anos) tem outras opções e não as aproveita.

William Carvalho há muito deveria ter perdido o lugar para Rosell.

Adrien é o contrário de um Maurício - enquanto que Maurício vale 12, sabe que vale 12 e faz "das tripas coração" para sacar um 13 no exame final, Adrien será um 14 que acha que vale 18. Moral da história: às vezes estuda pouco para a oral e acaba com 11 ou mesmo 10. Passa porque as alternativas não são fabulosas, mas André Martins parece-me nem sequer entrar nos planos para essa posição e poderia ser uma boa opção. Tal como Rosell, se quisermos manter William Carvalho.

João Mário para mim seria sempre titular, ainda que não esteja na melhor das formas. E se jogarmos com 2 PL, que seja opção no duo do meio-campo, com Rosell, por exemplo.

Carrillo, enfim: quando Nani não joga, é o jogador que todos os colegas procuram. Creio que está tudo dito.

Deixo para o fim os dois mais claros fenómenos que evidenciam a diferença entre a Liga e a Champions: Capel e Slimani. O primeiro é um jogador útil na Liga porque ganha faltas e saca um par de cruzamentos (na Champions, nada disto); o segundo marca golos porque tem algumas qualidades muito úteis mas na Champions, onde o nível é outro, não ajuda a construir uma jogada durante 90 minutos. Contei, na primeira parte, com um amigo que às tantas me ajudou a contar também, o número de intervenções felizes de um e de outro: Capel fez um passe acertado à 4ª intervenção, e foi um passe para trás; Slimani segurou uma bola decentemente à 7ª oportunidade para o efeito. Assim fica difícil. E quando há, no banco, Mané e Montero, mais difícil fica perceber tudo isto.

Enfim, vamos para a Liga Europa onde, olhando aos adversários que se perspetivam e à nossa "sorte" em sorteios, antecipo um confronto com Liverpool, Roma ou Sevilla. Ideias seriam Aalborg, Guingamp ou Young Boys (ainda assim não seria fácil). E temos ainda os meios-termos, como Ajax, PSV, Trabzonspor ou Wolfsburg, em que seria 50/50. Mas claramente um pote muito complicado.

Uma palavra final para os adeptos: o Sporting "encheu" Londres. Não havia rua, loja, restaurante onde não se vissem os mais bonitos cachecóis que há no mundo. E, já no estádio, os adeptos foram incansáveis no apoio, não parámos um segundo (não que fosse difícil: os adeptos adversários são do mais fraquinho que já vi, mesmo considerando que o jogo para eles era a feijões). Mas atenção: não contem comigo para cânticos relacionados com outros clubes que não o adversário no jogo. Cânticos dedicados ao Benfica num jogo destes revelam um complexo de inferioridade que até nem é verdadeiro. E os insultos a Mourinho, que só teve palavras elogiosas para nós, ainda menos compreendo. Mas nesses percebi rapidamente que éramos muitos a assobiar esse cântico, e que o mesmo durou apenas alguns segundos. Chegará o dia em que também cânticos com a palavra "lampião" lá para o meio serão silenciados quando o Benfica não estiver em campo.

01/12/2014

Mandem reabrir o Apito Dourado!

Um árbitro deixou marcar uma falta a meio-campo com dois toques do mesmo jogador. Isto só pode dar origem ao Apito Dourado II. Toda a gente sabe que se o jogador em causa apenas tivesse tocado uma vez na bola, o adversário faria 3 golos de rajada e o resultado seria o inverso.

Isto sim, uma vergonha a que todos temos que estar atentos. Esqueçam os Rufais e os Ronnys, estejam atentos a este tipo de escandaleira, é assim que se condicionam resultados.

10/11/2014

O que os compromissos profissionais permitem

1. Grande jogo com o Schalke, domínio total no futebol jogado, foram 4 podiam ter sido 7 ou 8 mas a defender desta maneira e com estes protagonistas podemos sofrer um golo de qualquer equipa, a qualquer altura. Admito até que o sistema funcione com outros protagonistas que "leiam" melhor o jogo. Com estes protagonistas, tudo pode acontecer a qualquer momento.

2. Primeira parte muito fraca com o Paços, segunda parte razoável a voltar aos tempos do "podíamos ficar aqui mais 2 horas e a bola não entrava".

3. Com o Schalke, Patrício salvou o 2-2, mas consentiu o 0-1, com o Paços pouco mais podia fazer . Cedric não acerta um cruzamento. A concorrência fez bem a Jefferson. Paulo Oliveira, Maurício e Sarr é um trio que pode chegar para aguentar alguns jogos mas insuficiente para disputar títulos (recordar a velha máxima, se calhar um pouco treta: ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos). William alterna entre o mau e o razoável, só fez um bom jogo este ano (no Dragão). Adrien falha 50% dos passes, mas quando recua e joga em dueto rende muito mais (os experts que expliquem). João Mário tem sido dos melhores, a par de Nani. Carrillo intermitente. Mané não merecia ter saído da equipa, fez um bom jogo com o Schalke. Slimani ontem provou a quem duvidava porque deve ser Montero, e não ele, o titular.

4. Depois de sei lá quantas contratações e 10 milhões gastos, chegamos a Novembro e não temos um único central que convença e uma alternativa a Adrien (Slavchev pelos vistos nem conta, Martins pelos vistos não é 8 aos olhos do treinador). No ataque temos 3 extremos de qualidade que podem alternar, já Tanaka pouco conta para o treinador. Uma série de supostas opções para a equipa A a jogar na equipa B; e uma série de jogadores atreinar com a equipa B que duvido seriamente que não tivessem lugar no plantel da equipa A (penso nos casos de Tobias e mesmo do Esgaio ou até do Ryan Gauld). É muito bonito por o treinador de fora dos processos de contratações para não fazer o plantel depender das ideias de uma pessoa que está de passagem; mas enquanto essa pessoa está de passagem, o resultado é o que temos. Bruno/Inácio: entre o 8 e o 80 há uma catrefada de números, escolham um e deixem-se de radicalismos que prejudicam o trabalho do treinador.

05/11/2014

Ainda é possível

Hoje vai ser mesmo tipo telegrama (embora nem saiba bem o que isso é) só para não falhar mais um jogo mas o trabalho não tem dado para mais.

- Jogamos pouco, muito pouco ou quase nada;
- o Talisca é o maior! Pronto, está feita justiça depois de tudo o que tenho dito. Mas continuo a dizer, e hoje surpreendentemente até Jesus disse o mesmo, impressionante como o homem não pára de resolver e impressionante como dá tão pouco à equipa e tem tão pouca influência no jogo (fez praticamente metade dos passes do Enzo). Mesmo assim, esta noite foi o jogo em que mais o gostei de ver. O potencial é enorme e é óbvio que vai melhorar;

- Maxi é o melhor jogador do Benfica desta primeira fase da época. Regularidade incrível;
- grande Luisão;
- Júlio César foi o guarda-redes de equipa grande que o Benfica tanto precisa;
- André Almeida a defesa esquerdo é, no mínimo, sofrível. Devia a jogar a trinco mas face às opções para o lado esquerdo da defesa, até eu percebo que jogue naquela posição;
- Enzo e Gaitán de nível Champions;
- quase que ouvi no 3º anel o Samaris a soluçar que gostava era de jogar a 8;
- onde o anda o Salvio que decidia quase sempre bem?
- Derley tem que ser o titular na frente.
- o Jesus pensava que estava a jogar contra o Rio Ave quando decidiu jogar só com o Enzo e o Talisca no meio.Teve a sorte do jogo porque o Mónaco estava a dominar o meio-campo e o jogo;
- os árbitros de baliza são uns palhaços. Como se viu no jogo do Sporting na Alemanha, como se viu no jogo do Benfica na Alemanha, como hoje num canto óbvio a dois metros de um deles e no lance de Jardel em que há falta clara sobre o brasileiro e depois, não marcando a falta, há penalty ainda mais claro dele. Marcou canto. Ridículo.

Precisamos de um super jogo para ganhar na Rússia, mas até o empate pode chegar. O Sílvio, Amorim, Fejsa e Ola John que recuperem rápido. Estão a fazer muita falta!

03/11/2014

Revisitando o passado

Este campeonato está a fazer lembrar, por algumas coincidências, mas motivos diferentes, dois outros campeonatos da nossa história:

- o de 99/2000, em que entrámos periclitantes, mas sem perder, subimos de forma (mais anímica do que outra coisa), perdemos um jogo (em Alverca) quando estávamos num bom momento, eliminámos um rival direto da Taça, no respetivo estádio (na altura Benfica, desta vez foi o FCP, mas o mesmo resultado: 3-1) depois de empatar na Luz (na altura 0-0, desta feita 1-1), vitória sobre o Marítimo por 4-2 depois de vantagem confortável (na altura de 2-0 para 2-2, agora de 3-0 para 3-2) e até a novela do central que na altura só chegou em Janeiro (André Cruz).

- o de 2004/2005, em que o Sporting jogava aquilo que se usa designar como o futebol "mais atrativo" mas tinha uma consistência defensiva muito abaixo do desejável, o que em "dia sim" permitia golear o Boavista, em Alvalade (6-1) e no Bessa (4-0) (e na altura ainda era "o" Boavista), e em "dia não" conduzia a que se fizesse 1 ponto em 6 possíveis com uma equipa do Vitória de Setúbal primeiro liderada por José Couceiro e depois por José Rachão (para nem referir derrota com o Penafiel em casa em plena luta pelo título). Uma ambição futebolística quase ingénua, que também levava a derrotas na Choupana no último segundo depois de, a jogar 10 contra 11, e recuperar de 0-2 para 2-2, tentar ainda assim ganhar o jogo (e desta lembrei-me pelo jogo em Gelsenkirchen em que, sem prejuízo dos erros de arbitragem, o Sporting tem um livre aos 90+2 que podia ter aproveitado para congelar o jogo ali e, ao invés, fez subir os centrais para tentar o 4-3).

Espero que Marco Silva não seja "um" Peseiro. Espero que os próximos jogos demonstrem que estamos mais perto de 99/2000 do que de 2004/2005 (até porque, na altura, o que nos permitiu disputar o título até ao fim foi o fraco nível dos rivais diretos, o que não se repete nesta época). Espero que o central de Janeiro ajude a corrigir os problemas defensivos. Mas, para tudo isto ser verdade, convém que a distância para os lugares da frente não aumente, o que significa que o Sporting tem que aguentar a pedalada, mesmo que não jogue tão bem (e mesmo que ganhe a "Campomaiorenses" com golos marcados por "Vidigais" bem perto do fim do jogo).

O que o Sporting não pode fazer, e fez, é esperar para ver o que o jogo dá. De tudo o que vimos no Sábado, e muito de mau foi visto, o que me fez mais confusão é que o Sporting tenha entrado, contra uma equipa de miúdos que no ano passado jogavam no CNS, a deixar o adversário jogar. E chocou-me, no fim do jogo, que o Marco Silva, que continuo a achar ser um treinador competentíssimo e o homem certo no lugar certo, tenha afirmado que "se não fossem dois erros em bolas paradas, o jogo ia ser resolvido na segunda parte". Ou seja, sem eufemismos que só fazem mal à saúde: o Sporting queria deixar o jogo correr e resolvê-lo na segunda parte; levou duas batatas e nem forças teve para correr atrás do prejuízo. Assim, não há seguramente candidato ao título.

A segunda coisa que me fez mais confusão foi terem sido retirados do jogo 3 dos 4 elementos mais talentosos (só ficou Nani). A perder 2-0, sem Carrillo, sem João Mário e mais tarde sem Montero, o Sporting passou à fase do cruzamento à toa, que como é evidente não dá nada. O Sporting quis, na segunda parte, ver se o sistema Jardim resolvia os problemas. Sejamos honestos: o sistema Jardim resolvia problemas porque era um sistema seguro e que permitia sofrer poucos golos; mas o Sporting, com Jardim, raramente sofria 2 golos; e quando os sofreu, ganhou 1 jogo, e apenas 1, os restantes empatou ou perdeu. Sei que estou a ser simplista, mas é um sistema que previne que isso aconteça, não resolve problemas quando os factos estão consumados. Era indispensável no ano passado ter alguma consistência, mas seria insuficiente para este ano, como sempre se disse.

O caminho: corrigir. Mas corrigir no treino e não com puxões de orelhas em público. Eu, pelo menos, não acho que os jogadores do Sporting tenham entrado em campo a dormir só por acaso. Alguns nem entraram a dormir, entraram a dar o que têm e isso não chega (responsabilidade de quem os contratou); outros entraram a fazer o que o treinador pediu, como o próprio pareceu admitir no fim do jogo (responsabilidade dele, treinador). O presidente e o treinador do Sporting devem evitar o discurso que fica bonito nos jornais e perceber onde é que eles falharam. Sem isso, vamos continuar a acreditar que, "se aquelas duas bolas não tivessem entrado, na segunda parte é que ia ser".

No fundo, que me perdoem os que assim pensam, isto não é mais do que o discurso da avó e do camião...

PS: Admitindo que possa estar a ser influenciado pelos experts, não percebo como é que uma equipa que precisa de ganhar 1 jogo que perde por 2-0, abdica de João Mário e deixa ficar Adrien Silva; e insiste num William que fez a esmagadora maioria dos passes "à queima", deixando os colegas em maus lençóis.

27/10/2014

E, ao 3º golo, o Sporting dormiu (o problema é que faltavam jogar 45 minutos.)

AViso já que a organização do post está ao nível dos primeiros 20 minutos da segunda parte do Sporting...

Mas tentando organizar ideias, comecemos pelo Marítimo, porque os grandes não jogam sozinhos.

Em primeiro lugar, o Marítimo veio mesmo disputar o jogo, desde o primeiro minuto. Em segundo lugar, o treinador do Marítimo soube muito bem mexer na equipa. A forma como colocou Maazou no nosso setor mais débil revela inteligência e leitura de jogo.  Em terceiro lugar, o Marítimo nunca desistiu. Não viu o primeiro golo como o "golo de honra", foi em busca do segundo e até do terceiro. Em quarto lugar, queria dizer que vi ontem em Alvalade uma atitude muito nobre por parte do jogador Maazou. Com o Marítimo em busca do resultado, estando Adrien caído no meio-campo sem que o árbitro tivesse assinalado falta. partiu do jogador do Marítimo a iniciativa de, junto à área do Sporting, e num lance de potencial perigo, tocar a bola para fora.

Quanto ao Sporting, talvez seja tempo de (Marco Silva) perceber que, com estes centrais, vamos ter dificuldades. E quando digo "estes centrais" não quero que joguem outros, atenção - está é a dupla que eu defendo, como sabem (não há melhores - e já afirmei aqui que me assustou a reação do Tobias contra o Académico, em Viseu). Sucede que, tal como alguns já me tinham avisado, o problema não é só da qualidade dos jogadores, há ali um problema de organização. Ontem isso foi nítido, no início da segunda parte. Foi o caos a cada jogada do Marítimo. E não foi só Maurício, nem Jonathan, foi todo um setor aos papéis, William e Patrício incluídos. A vantagem destes, a meu ver, e isso mantenho, é que reduzimos exponencialmente o número de barracadas individuais, roscas, etc.

No Lateral Esquerdo fala-se de controlo da profundidade. Gostava de perceber de bola o suficiente para saber como isso se resolve. Mas não sei. O Marco deve saber, desenvolva o trabalho nesse aspeto. Porque já percebemos que se confiamos na leitura de jogo da nossa rapaziada mais recuada estamos bem tramados.

No demais, um jogo em que, convenhamos, tudo correu bem - um auto-golo na primeira jogada com pés e cabeça, 2-0 no terceiro lance de perigo, 3-0 a fechar a primeira parte (num lance que já não se usa, golo à "anos 80"). Mas não foi só sorte: este Sporting joga futebol. Chega à área do adversário e cria perigo constantemente, não se limita a um titi-caca sem qualquer objetivo. Não vai lá de vez em quando nem despeja para o barulho. É rápido e eficaz a mover a bola do setor defensivo para o ataque, mesmo em ataque continuado. Pela direita, pela esquerda e pelo centro. Com critério, com qualidade. João Mário esteve em particular destaque, a meu ver o melhor em campo.

No controlo do jogo, um desastre. Foi melhor contra o Schalke 10 contra 11 do que ontem, em casa, com uma vantagem de 3 golos. Incompreensível. Há lances no início da segunda parte que estão ao nível do golo de Maribor - sucede que, felizmente, não deram em nada.  Depois há a forma como a equipa vai para o ataque - já com 2-3, constantes calafrios porque a reação à perda da bola era deficitária.

Individualmente, ontem irritou-me a discplicência do William - mas é preciso que seja o treinador a dizer-lhe para juntar mais à linha da defesa porque os adversários estão a receber bola atrás de bola entre o nosso meio-campo e a defesa? A menos que me digam que era a linha defensiva que estava muito baixa, mas não me pareceu. Pareceu-me que em alguns momentos o Maurício andava a afundar a linha agarrado ao Maazou - mas pergunto-me se não foi o treinador que ordenou aquele absurdo hxh? Aguardo opiniões sobre isto.

Por fim, grande golo de Montero a descansar as bancadas e um Capel uns furos acima do que se costuma ver, útil a segurar a bola na parte final e evitando a habitual bola no barulho. Pena a leitura do lance do golo anulado, é daqueles em que não se compreende como está fora-de-jogo (o Nani fartou-se de temporizar, era só dar um passo atrás).

Gosto deste futebol, gosto mesmo. Sou suspeito, sempre disse que íamos jogar mais com o Marco do que jogávamos com o Leonardo. Mas também por isso sou insuspeito para dizer que há trabalho a ser feito, sob pena de desperdiçarmos todo o potencial desta equipa + equipa técnica. Com estes jogadores e este treinador, podemos jogar um futebol de grande qualidade, Falta consistência e solidez e... qualidade no setor defensivo, que no trabalho, quer nos protagonistas, não o escondamos.

Ainda bem que aconteceu ontem, num jogo em que estava 3-0. Deu para abrirmos os olhos mas ficando com os 3 pontos.

22/10/2014

Vamos lá, de uma vez por todas, perceber as regras do jogo


Isto, meus amigos, não é penalty. Vejam lá se percebem isto de uma vez por todas: varrer um jogador do Sporting em plena área não é penalty, em particular quando o adversário é o Chelsea.


Já isto é obviamente penalty.

Encarem a realidade e deixem-se de calimerices: aos 90+2, em Gelsenkirchen, contra a equipa cujo adepto mais célebre foi... (vá, não posso recorrer a esta demagogia barata, não é justo para o Schalke, vou voltar atrás e tentar de novo); aos 90+2, contra a equipa cujo patrocinador... (eh pá, assim também não, pareço o Octávio Machado, vou tentar outra vez); aos 90+2, em Gelsenkirchen, contra uma equipa alemã, qualquer jogador do Sporting que impeça a bola de chegar à baliza faz penalty. Ainda que jogue com os pés ou a cabeça. Digo mais: se o Patrício defendesse a bola, era penalty, onde já se viu jogar com as mãos dentro da área?...

PS: O Sporting de ontem foi enorme! As sucessivas imagens de pânico nas bancadas, com o resultado em 2-3 e o Sporting reduzido a 10, essas sim espelham o que se passou dentro de campo.

21/10/2014

Os grandes vencedores do clássico






1. Os adeptos, muitos e bons, a silenciar o Dragão. Um espetáculo.

2. Bruno de Carvalho, pois claro, depois de uma semana de grande desgaste a atrair os holofotes para ele, deixando o treinador e a equipa "sossegados", numa estratégia que vem sendo repetida sempre que se aproximam momentos de maior tensão. Mas que continua a resultar.

3. Nani. Para quem dizia que vinha cá passar férias e desestabilizar, está aí a resposta. Concordo a 100% com Jorge Jesus: um bom jogador é o que joga sempre bem, um grande jogador é que joga bem e faz todos os outros jogar bem. Nani é um grande jogador.

4. Patrício. Depois da pressão do "perdeu sempre na Luz e no Dragão", depois da miserável campanha que o Cantinho bem recorda no seu post, duas exibições fantásticas. Sou sincero: Patrício parecia, já no ano passado, algo desmotivado e até resignado. Este ano, talvez porque a equipa está de facto mais competitiva, deu um salto para o nível que eu contava que ele tivesse nesta altura. Precisa muitos destes jogos, onde é um grande campeão.

5. O grande vencedor de entre os grandes: Marco Silva. Sou suspeito, sempre disse que com Marco o Sporting ia ser muito melhor do que foi o ano passado. E é. Mesmo com uma defesa instável (Marco faz o que pode, mas creio que esta dupla de centrais é que menos problemas individuais nos vai gerar). Montou uma estratégia para ganhar no Dragão e ganhou com categoria, com uma exibição coletiva de grande qualidade. Sem espinhas.

PS: nem valia a pena falar dos grandes derrotados, mas são óbvios - Pinto da Costa e Lotapeg (mais uma vez cito JJ). Em particular o segundo. Continua a inventar tendo o melhor plantel em Portugal. Cheira-me que ainda vai passar a Navidad à terra-mãe...

PS2: sim, já sei - falta ali o William Carvalho! Pois bem, o que eu quero é que o William jogue assim todos os jogos, claro está. Mas mesmo admitindo que até posso ter visto mal o jogo, não me lembro de ter visto alguém a pressionar o William. Para um jogador da categoria dele, jogar assim, soltinho, é fácil (Lotapeg a dormir uma vez mais...). Difícil é fazer uma segunda época ao nível da primeira. Se o fizer, terá o merecido destaque.

15/10/2014

Com a cabeça limpa



Primeiro ponto: acho que já chega de bater no Paulo Bento. Andámos a perder tempo? Sim. Mas Paulo Bento já saiu, agora o selecionador é Fernando Santos, bola para a frente.

Com Fernando Santos, o que vejo é jogadores com a cabeça limpa. Não há nuvens negras porque estão lá, mais este menos aquele, os melhores 23 que poderiam estar. Quem não está, percebe porque não está, quem está sabe que está por mérito. Parecendo que não, isto é importante.

Não quero comparar com o passado, nem isso interessa agora. Quero apenas frisar que não há casos, condicionamentos, favoritos, receios, adaptações manhosas, cedências aos "experts" e "opinion makers". Há apenas um selecionador que monta um esquema que, na opinião dele, é o que mais favorece os jogadores que tem. E convoca aqueles que, de entre os disponíveis, melhor estão em condições de jogar nesse sistema. Tudo clichés e lugares comuns? Talvez. Mas, como tenho dito desde sempre, o maior mérito de um selecionador nacional é o de não inventar muito e aproveitar, na medida do possível, algum trabalho que esteja já feito.

Não tem medo, face às ausências de melhores e mais experientes opções, de lançar Cedric, Eliseu, William, João Mário. Se são os melhores que tem, faz todo o sentido.

Quanto ao jogo, foi aquilo que eu digo há anos e anos que deveria ser: um Portugal muito melhor do que uma Dinamarca sem um único jogador de classe. Vão longe os tempos de Michael Laudrup, Elkjaer Larsen, Soren Lerby, Molby, Morten Olsen (odeio a figurinha mas como central era fabuloso) e mesmo de Schmeichel, Jensen e Brian Laudrup. São 11 matraquilhos (bons matraquilhos, com organização, disciplina tática, concentração, etc., mas matraquilhos) a jogar aquele enervante e chatinho futebol nórdico, mas nada mais do que isso.

No final, Bendtner dizia "foi um desastre, não jogámos bem e um ponto tinha sido bom para nós (...) criámos apenas duas oportunidades (...) jogámos mal, foi terrível". Não pá, não foi nada. Tu estavas era muito mal habituado, a um Portugal medroso e sem personalidade. Tu e os teus colegas de equipa achavam que ia ser igual. Não foi.

Claro que um golo aos 90+4 é sempre um pedaço de sorte. Mas merecida. É que, mesmo considerando os dois lances perigosos dos dinamarqueses, tive sempre a sensação de jogo controlado. Mesmo que o atual esquema ainda não me convença totalmente, chegou bem para suster os dinamarqueses. Mas uma nota para o Fernando Santos: os nossos laterais deparam-se vezes demais com situações de 1x1. Estes eram matraquilhos, cuidado com a Sérvia.

Se tivesse ficado 0-0, diria provavelmente o mesmo: "Não ganhámos, mas mostrámos que a Dinamarca é chata e pouco mais do que isso". O 0-0 de ontem seria um resultado aceitável. O 1-0 foi ótimo.

O grupo é difícil mas, com estes 3 pontos, mais vitórias em casa com Arménia, Sérvia e a própria Dinamarca, acredito que o apuramento seja possível. Quanto aos jogos fora, todos difíceis. Convém não contar com muitos pontos vindos daí. Empate na Sérvia é bom resultado, mesmo na Albânia e na Arménia veremos o que fazem os adversários "diretos" - por agora, ficaram-se por empates. Se os igualarmos nesses resultados, sacarmos um empate na Sérvia e os batermos a ambos em casa (nem admito que não ganhemos à Arménia em casa, pese embora seja mais difícil do que parece), estamos apurados,

PS: não vi o jogo dos sub-21, deve ter sido uma grande joga. 5-4! Acho que hoje, se tiver tempo, vou pelo menos espreitar nas gravações automáticas.

07/10/2014

Uma estranha dependência

O jogo de Benfica contra o modesto Arouca foi, durante toda a primeira parte, no mínimo penoso. Não só o futebol do Benfica era denunciado e enfadonho como as jogadas de maior perigo acabaram por vir do Arouca. Como consequência disto, o melhor jogador do Benfica durante a primeira parte foi mesmo, imagine-se, Artur. Os motivos de interesse eram tão poucos que as conversas sobre os mais variados temas de futebol multiplicavam-se naquela zona de cativos. Só faltavam as cervejas (com álcool) e os tremoços.

Na segunda parte as coisas melhoraram um pouco mas não muito. O Benfica fez um pouco mais de perigo e Artur apenas teve um susto. E quando os níveis de preocupação começavam a chegar a valores bastante elevados, surgiu o suspeito do costume deste início de época do Benfica: Talisca. Mais um grande golo do jovem brasileiro, que deu tranquilidade ao Benfica, que desestabilizou e desagregou a estratégia defensiva do Arouca e que acabou por levar o Benfica a uma inesperada goleada,

Acho que a estratégia de Jesus dos últimos jogos continua a apresentar resultados relativamente fracos que só ainda não se tornaram mais evidentes porque os jogos do campeonato têm corrido da melhor forma possível, contando com falhanços dos adversários como neste jogo ou com expulsões como em alguns anteriores, e contra adversários mais fracos (contra a equipa mais competente, o Sporting, não fomos além do empate em casa). O que me preocupa são os jogos a doer e o próximo do campeonato já é um desses (Braga fora)... 


Pegando neste jogo, é mais uma vez óbvio que Samaris não dá para 6. Na segunda parte subiu no terreno e a sua exibição subiu muitíssimo. Depois jogar com Talisca no meio campo em que apenas tem a companhia de mais um jogador, é também uma decisão duvidosa uma vez que o brasileiro ainda não tem a capacidade de defender e recuperar bolas que a posição exige. Nem ao nível da construção de jogo tem essa capacidade pelo que, se é para jogar, que jogue no meio campo com mais dois jogadores e a jogar de trás para a frente e não perto do avançado como é hábito quando é o terceiro elemento do meio campo. É também por isto que preferia ver Gaitán a jogar no meio e perto do avançado, já que tem uma capacidade de arranque muito mais forte (Talisca gosta mais de vir embalado de trás) e é muito mais influente na construção de jogo e desmarcações de colegas no último terço do terreno. A outra razão de ter Gaitán no meio era precisamente ter o Ola John a jogar na esquerda. As suas jogadas que resultaram em dois golos são simplesmente fabulosas e impressionam pelo seu poder físico, algo que os outros extremos não têm. 

Como para trinco só vejo o André Almeida e Enzo é para mim o melhor jogador do Benfica, é estranha a conclusão de que Talisca não tem lugar no meu 11 quando é o melhor marcador do campeonato, tem Arsenal e Liverpool à perna e tem decidido alguns jogos com grandes golos. Bom, só tenho uma forma de explicar esta preferência que fará confusão à grande maioria dos benfiquistas: acredito que se jogasse com estes jogadores contra o Arouca (neste jogo específico seria Samaris no lugar do indisponível Enzo), Artur não teria sofrido tantos sustos na primeira parte e as ocasiões de golo teriam sido bem superiores e assim evitado a dependência de um rasgo de génio de Talisca para vencer o Arouca em casa. Quanto a este, aproveitaria todas as oportunidades para lhe dar minutos para que pudesse desenvolver todo o seu potencial e transformar-se num grande jogador que poderá facilmente vir a ser mas que seguramente ainda não é.

Outras notas:
- grande Artur;
- gostei da qualidade de passe de Lisandro a fazer lembrar Garay;
- Jonas promete bastante. Poderá ser mesmo "o" jogador para jogar atrás do avançado já que Derley e Lima não parece que se complementem. Tem muito critério a soltar a bola, movimentações muito interessantes e ainda por cima não tem dificuldades em chegar ao golo;
- Samaris sim, mas a 8 para dar descanso ao Enzo;
- o talento de Ola John não pode ser desperdiçado;
- interessante a capacidade de trabalho de Derley, a forma como segura e protege a bola, sem deixar o adversário entrar na sua zona de protecção. Com maior confiança, já começa a fintar e arrancar com a bola pelo meio dos adversários. Reclama claramente a titularidade.

Vamos ver como nos safamos no teste a sério de Braga. Este tem mesmo que ser para ganhar! Jogando mal, sem oportunidades ou com a Artur como melhor jogador em campo, o importante é trazer os 3 pontos!
  

06/10/2014

Um esforço recompensado


A imagem diz tudo: foi em esforço que Fredy Montero regressou aos golos. Em posição duvidosa, o que "serve" dois propósitos, um para o passado e outro para o futuro: (i) o do passado, compensando golos anulados ao jogador que tinham sido obtidos em posição legal; (ii) o do futuro, condicionando as próximas arbitragens na análise dos lances do jogador (folhetim já iniciado no ano passado e recuperado este ano).

Sei que é um pormenor um pouco lamechas, mas gostei de ver que o primeiro a felicitar Montero, com genuína felicidade, foi Slimani. Demonstra que toda a equipa sentia este stress, incluindo o próprio concorrente direto.

De resto, Montero já com o Chelsea tinha entrado muito bem. Desconfia-se sempre dos jogadores que parece que andam a engonhar e jogam bem quando chegam à Champions. Montero em Penafiel demonstrou que não era nada disso - a verdade é que, sabe-se lá porquê (mas ainda bem!), recuperou a confiança. Não tarda, recupera a titularidade. Seja no lugar de Slimani ou ao lado deste.

Parece injusto colocar em causa a titularidade de Slimani, que resolveu o jogo com dois golos. Mas isto é lógica pura. Na primeira parte, Slimani deu seguimento (com qualidade, de primeira, bola jogável, etc.) a uma jogada de combinação, que resultou na melhor oportunidade do Sporting. No demais, os colegas não o procuram dessa forma, ou não o procuram tanto como procurariam Montero. Como Slimani se posiciona onde o seu jogo mais rende (como aliás é natural), os colegas acabam por ter a tentação de o procurar na área. Essa forma de atacar não é a melhor para a equipa e arruína inúmeras jogadas, mas lá acabou por resultar - essencialmente porque o cruzamento saiu perfeito, a defesa estava desequilibrada (lá está a relevância de mais gente na área), o defesa que disputa o lance atacou mal a bola e, last but not least, Slimani antecipou-se muito bem. Mas esta solução não vai funcionar sempre. Já as do terceiro e quarto golos, é mais provável que funcionem. Reformulo: a do terceiro sim, a do quarto, convém mesmo que seja o Nani a finalizar,..

Do mesmo modo, parece injusto apontar o dedo a Marco Silva, que mudou o jogo ao minuto 56, pela equipa que apresentou (ou melhor, pela forma como essa equipa estava montada). Mas a verdade é que o meio-campo na primeira parte não esteve no seu melhor. Creio que Marco Silva pôs João Mário no lugar de Adrien quando o que os adeptos vêm pedindo é André Martins no lugar de Adrien (que, por sinal, até entrou muito bem). A rever.

Notas ainda para Patrício (mais uma vez espetador sem pagar bilhete), Paulo Oliveira (que esteve bem e mostrou que já podia ser titular há mais tempo, apesar de tudo) e Naby Sarr (mais uma galga inacreditável na primeira parte...).

Não quero terminar sem dizer que Nani está mesmo muitos furos acima daquilo que os adeptos do futebol português merecem.

03/10/2014

1ª convocatória

Só um comentário muito breve.

Dizia-se na universidade que, em tempos, um professor de direito teria apresentado a sua tese de doutoramento e que teria sido brindado com o seguinte comentário: "a sua tese tem coisas boas e coisas más, assim como tem coisas inovadoras e outras nada originais; o problema é que as boas não são originais e as inovadoras são más".

Assim era Paulo Bento - ou fazia o de sempre ou, quando inventava, fazia disparate.

Fernando Santos fez uma convocatória perfeitamente aceitável: convocou os que todos já esperávamos, onde teve que inovar todos percebemos por que razão o fez.

Claro que podemos discutir o Ivo Pinto, o Ricardo Carvalho e até o Quaresma. Mas estamos no plano da discussão normal, não no plano absurdo de meia convocatória ser formada por jogadores que não jogam há meses (zero nesta convocatória), ou estão meio-lesionados (só Coentrão, situação já precavida com a convocatória de Antunes e Eliseu) ou claramente acabaram o ciclo na seleção (eventualmente Ricardo Carvalho, Bruno Alves ou Tiago, e ainda assim cá estaremos para ver).

Voltámos a ter um selecionador nacional.

02/10/2014

Um banho de realidade

Não posso dizer que tenha ficado surpreendido. Nos meus dois últimos posts já tinha afirmado que os sinais de alerta eram mais do que muitos e que as vitórias conseguidas tinham o perigosa vantagem de os esconder. Mais uma vez, jogar contra uma equipa bastante competitiva acabou por colocar em evidência as fragilidades que iam sendo disfarçadas. 

Se no jogo com o Zenit ainda foi possível encobrir com a expulsão e pela excelente reacção (quando os russos também tiraram o pé do acelerador), esta noite, com um pouco de boa vontade, também podemos falar do frango de Júlio César ou do penalty mal assinalado imediatamente depois do golo de Salvio. A verdade é que tudo o resto, o futebol ineficaz, o massacre do Bayer, a ausência de jogadas de perigo, os desempenhos individuais, enfim, tudo o resto foi absolutamente vergonhoso.

Explicações? Podemos começar pela rotatividade imposta por Jesus. Confesso que me surpreendeu que tenha de facto assumido que o campeonato é a prioridade. Se partilho do mesmo objectivo devia gostar desta decisão mas algumas opções foram, no mínimo, discutíveis. Derley por Lima gostei. Ola John não ter entrado no onze não gostei, já que era um ala fresco e com um poder físico mais ao nível dos alemães. Cristante lançado ao onze logo na Champions e a jogar fora, não gostei. André Almeida gostei mas não a lateral. E é aqui que penso que está a questão essencial.

Já tinha aqui pedido André Almeida a trinco uma vez que Samaris (e pelos vistos Cristante) não tem perfil de trinco rápido, focado na recuperação de bola e na eliminação das linhas de passe. Depois à frente pedia-se um meio-campo mais de combate com Samaris e Enzo pois acredito que o grego, apesar de não servir para a posição 6, é "bom de bola". Talisca não defende ou ainda não defende e Cristante foi uma nulidade. Sendo assim, estava escrita a sentença. Conheço perfeitamente a frase feita de que "os avançados ganham jogos mas as defesas ganham campeonatos". Pessoalmente tenho uma opinião diferente. Acredito que é no miolo que se ganham campeonatos e é precisamente nesta zona do campo que acho o Benfica mais frágil. Ou pelo menos mais frágil com as soluções que tem apresentado (embora reconheça a inexistência de um substituto à altura de Fejsa). Com uma equipa mal posicionada no meio campo, parecia que os alemães jogavam com 15 e era frequente ver a linha do meio campo ir para cima da defesa que não sabia para onde se virar. O segundo golo foi o espelho disto. Na mesma linha de pensamento, ao atacar, cada jogador do Benfica parecia que tinha sempre dois adversários pela frente... Daí que tenha ficado a impressão de que todos os jogadores tiveram um desempenho francamente miserável. Só se aproveitou Maxi e num nível abaixo, André Almeida.


Com a Champions quase descartada, resta focar e não falhar no campeonato. E que até ao Porto, Jesus trabalhe ou descubra uma solução melhor para o meio campo. Nem precisa ser uma das duas que já propus (André Almeida - Enzo - Gaitán para as competições internas e André Almeida - Samaris - Enzo para a Champions). Basta uma que funcione.

01/10/2014

Uma descrição (quase) perfeita [COM ADITAMENTO]

Os que já me vão lendo há algum tempo sabem que, de há vários anos para cá, entendo que José Mourinho se acomodou. No discurso e no futebol.

Creio que o fez, essencialmente, porque às tantas não tinha argumentos contra um Super-Barça, nem no discurso nem no campo. E se quanto ao futebol ficou claro que, sem prejuízo de algumas vitórias do Real, o Barça tinha muito mais futebol, quanto ao discurso a sua fama de grande vencedor dos "mind games" acabou no dia em que Guardiola lhe deu um banho, dizendo basicamente que "Mourinho na conferência de imprensa ganha sempre, mas os jogos resolvem-se no campo" (isto para depois derrotar Mourinho na maioria das vezes em que se defrontavam).

Ontem e anteontem vi o regresso do grande José Mourinho. Não pelos elogios ao Sporting ou pela simpatia de desejar o nosso apuramento, mas pela postura. Fez-lhe bem o regresso ao Chelsea e a um campeonato onde a competição é, digamos, mais saudável. É certo que o Sporting não era adversário para suscitar grandes emoções, mas só o facto de Mourinho ter feito, antes e depois do jogo, análises lúcidas e desapaixonadas (como lúcida foi também a abordagem à famosa história da camisola, onde ao fim de 10 anos acaba finalmente por reconhecer o que fez), leva-me a pensar que está, ele próprio, mais sereno e mais "em paz" consigo mesmo.

Eis o que disse Mourinho:

Foi um jogo perigoso para nós. Tivemos tanto controlo e oportunidades, que o um a zero não espelha o que aconteceu ao intervalo ou a meio do jogo. O Sporting foi feliz, teve um guarda-redes que parou tudo, arriscou, criou perigo e tentou a sorte. O público ajudou e o resultado esteve em aberto até ao final.

[a vitória] É claramente merecida, mas acho que o Sporting ficou numa posição em que o jogo esteve em aberto até ao final e souberam manter a sensação que poderiam ter a sorte de empatar o jogo. 

É o que acho, com uma salvaguarda: na segunda frase, faltou a palavra "mérito". A abordagem de Marco Silva à segunda parte foi excelente. E o Sporting saiu aplaudido por isso. Merecidamente.

O grupo está aberto e todos podem passar. Já sei que me vão dizer que afinal o Maribor não é assim tão mau. Pois, e eu vou recordar os milhares de comentários no dia do jogo na Eslovénia, assim como no dia seguinte, em que todos defendiam que o Sporting tinha obrigação de ganhar ao Maribor. Como tinha o Schalke, aliás.

Nos próximos jogos, se conseguirmos suster o Schalke (ainda que seja com dois empates), deixamos tudo em aberto. Se ganharmos um dos jogos, temos reais hipóteses de apuramento. Mas, realisticamente, e considerando também o calendário (o Chelsea resolve o apuramente nos dois próximos jogos e provavelmente vai a Gelsenkirchen rodar a equipa), aponto apenas para fazer o melhor possível com o Schalke e assegurar a vitória em casa contra o Maribor.

Notas individuais:

- Patrício: esteve fantástico, world class...
- William: perdeu inúmeras bolas, está inseguro e a transmitir insegurança, ainda não voltou a 100% o craque de 13/14
- Sarr: (mais) uma noite que confirma que tem muita papa para comer antes de ser titular do Sporting
- Maurício: (mais) uma noite que confirma que, apesar do disparate na Eslovénia, tem uma consistência que Sarr não tem - tecnicamente é até mais limitado do que Sarr, mas em termos de posicionamento tem, pelo menos, alguma experiência e algum sangue frio (Sarr saiu sempre ao adversário que trazia a bola e levou com ela invariavelmente nas costas)
- Paulo Oliveira: entrou tranquilo, com confiança, a sair a jogar, se Maurício recuperar deveria entrar para o lugar de Sarr
- Montero: um cheirinho do Montero de 2013, gostei de ver.

Arbitragem: não me lembro de ver, nem sequer nos piores momentos da Liga Portuguesa, um penalty tão escandaloso não assinalado; e não me lembro de ver um fiscal-de-linha como o que acompanhou o ataque do Chelsea na segunda parte, sempre 1 metro atrasado em todos os lances. Nem sei se eram fora-de-jogo ou não, nem ele sabe, porque estava sempre mal posicionado, sempre. Não perdemos por isto, claro que não. Mas foi demasiado óbvio o proteccionismo ao mais forte.

Nota final para o público: em Alvalade, quando há atitude e futebol, as pessoas apluadem. Grande ambiente uma vez mais.

ADITAMENTO: Umas horas depois de publicar li este excelente post no Sporting Visto Por Nós (svpn.blogspot.com/2014/10/um-leao-na-baliza-cordeirinhos-na.html) em que são dados vários exemplos de posicionamentos incorretos do Maurício. Creio que se poderiam dar outros tantos exemplos com o Sarr, como o próprio post diz. Mas efetivamente olhando para estes exemplos acaba por ficar desmentido o que afirmo no meu próprio post quanto ao posicionamento defensivo do Maurício. Na verdade, eu referia-me apenas ao sangue-frio de manter a posição ao invés de ceder à tentação de sair para intercetar, como o Sarr faz (quase) sempre. Mas nos casos em que o adversário arrasta o Maurício para as zonas laterais... Enfim, as fotos do post são esclarecedoras.

29/09/2014

Sinais de alerta parte II

Este jogo veio mostrar, mais uma vez, que apesar da liderança isolada nem tudo vai bem na futebol do Benfica. Foi uma entrada a toda a velocidade e com um golo fabuloso de Talisca. Depois, estando a vencer por 2 golos, é difícil perceber como não se consegue congelar o jogo, garantir a posse de bola e deixar o tempo correr. É que sensivelmente a partir da meia hora, era mais do que evidente que o Estoril ia marcar. Só faltava saber quando.


Continuo a achar que Enzo sente tanto apoio a jogar com Samaris e Talisca no meio campo como o Seguro nas Primárias do PS. Nem Samaris tem a capacidade dos seus antecessores para a posição 6 nem Talisca ajuda nas movimentações defensivas. Assim, não surpreende que o Estoril tenha assumido a capacidade de voltar a entrar no jogo e de provocar tantas ocasiões de golo. É aqui que me interrogo se é possível exigir mais de um jogador que marca mais dois golos para o Benfica. Se não está a ser apenas uma embirração minha. Acho que esta segunda hipótese é perfeitamente possível, afinal anda toda a imprensa, Jesus e a grande maioria dos benfiquistas apaixonados pelo jovem brasileiro. No entanto, eu considero que desequilibra a equipa profundamente. É certo que foi um golo do outro mundo e que depois ainda estava lá para encostar para o segundo, mas depois não me recordo de o ver o jogo, nem a atacar e a participar nas movimentações ofensivas nem tão pouco a defender. Entrar a ganhar 0-2 foi excelente e Talisca foi fundamental, mas pessoalmente prefiro ganhar por 0-1 de forma clara e sem sombra para dúvidas, com várias ocasiões de golo e sem praticamente permitir o mesmo ao adversário. Fico mais uma vez a pensar o que teria sido o resultado final se não fosse a expulsão (e não venham dizer que foi tudo manha do Enzo já que foi principalmente uma imprudência do jogador do Estoril).

Gaitán no meio é absolutamente sublime! Estou quase disposto a pagar para ver um meio-campo com um jogador mais rotativo como André Almeida a trinco, depois Enzo e para espalhar magia, Gaitán.

Bom, o que interessa é saber aproveitar esta vantagem madrugadora e que venha agora qualquer coisa menos uma derrota contra os farmacêuticos!

Um bom clássico


1. Novidade neste blog: foto tirada por mim em Alvalade. Grande ambiente no início do jogo e durante toda a primeira parte.

2. Grande entrada do Sporting, com uma bela jogada para o 1º golo da noite e uma primeira parte toda ela de grande qualidade. Dizer que a 1ª parte foi do Sporting e a 2ª do Porto não é bem verdade: a 1ª parte foi mesmo do Sporting, a 2ª foi do Porto durante 15 minutos, depois disso o jogo foi repartido.

3. Mas que o intervalo mudou o jogo, isso mudou. Mais do que saída do desinspirado Quaresma e do nervoso Ruben Neves, e das entradas de Tello e Oliver (jogadores de outra qualidade) foi essencialmente o posicionamento de Oliver que mudou o jogo. Por um lado, o Sporting deixou de sair a jogar porque com Oliver e Herrera ficou bloqueada a saída por Adrien ou William. Por outro lado, a bola batida direta por Patrício (solução já recorrentemente experimentada na primeira parte) deixou de ser nossa porque o Porto com o novo posicionamento dos seus médios começou a ganhar segundas bolas.

4. Um por um:
- Patrício: soberbo, recordo que já tinha estado em grande no derby.
- Cedric: prestação positiva. Deixou passar Tello uma vez, logo a abrir a 2ª parte, mas de resto esteve bem. Não esqueço um lance, ainda na primeira parte em que mostrou a todos os laterais do país o que deve fazer um lateral, ao tirar uma bola de golo a Jackson Martinez.
- Jonathan: relativamente a Cedric, mais permeável a defender (ou menos ajudado?), mas mais objetivo a atacar. Marcou o 1º golo, tirou um par de cruzamentos interessantes, mas na 2ª parte retraiu-se um pouco (normal).
- Maurício/Sarr: não dá para falar de um sem falar do outro. A verdade é que a sensação em todo o estádio é de insegurança, não há como escondê-lo. Não obstante, Maurício fez uma ponta final de jogo bastante positiva, foi ele que foi safando aqui e ali alguns lances mais perigosos. Quanto a Sarr, ouvi algures que está mal posicionado no lance do golo (deveria estar na linha da bola e está um passo à frente), mas convenhamos que tem algum azar. E pegar num auto-golo destes para criticar o jogador é algo injusto. A sair a jogar, até tem mais "ideias" do que Maurício, mas as roscas por jogo são incontáveis. Continuo a dizer que, apesar de tudo, Maurício deveria ser o resistente do sector.
- William: um cheirinho do William do ano passado, o melhor jogo desta época.
- Adrien: primeira parte positiva, segunda parte em queda, a perder inúmeras bolas e a chegar invariavelmente atrasado aos lances.
- João Mário: grande dinâmica na 1ª parte, foi dos mais prejudicados com as mudanças do Porto ao intervalo (desapareceu do jogo até recuar para o lugar de Adrien quando este saiu).
- Nani/Carrillo: grande 1ª parte dos extremos do Sporting, Nani tem de facto outra qualidade, Carrillo fez um jogão, na 2ª parte Nani começou a querer resolver sozinho (perdeu várias bolas assim) e Carrillo saiu para dar lugar a Capel (e verdade seja dita que já na 1ª parte parecia cansado...).
- Slimani: continua a precisar de 3 toques na bola para a dominar, mas a verdade é que neste jogo deu seguimento a vários lances de ataque. Prestação positiva.
- Capel: entrou por Carrillo, como habitualmente pouco ou nada fez mas a verdade é que poderia ter resolvido o jogo com um golo fabuloso. A bola bateu na trave, infelizmente...
- Montero: desanimado, desinspirado, desmotivado, e todas as demais palavras começadas por "d" e acabadas em "ado". "Este" Slimani tem mai lugar do que "este" Montero? Digamos que se ninguém se esforçar por motivar o Montero, sim. Mas o Montero tem que fazer a parte dele. No Domingo não fez.
- Mané: pouco se viu.

5. O histórico deste blog fala por si no que respeita aos comentários à arbitragem: as lentes, sejam verdes ou vermelhas, costumam ficar em casa. Por isso, creio ser insuspeito para dizer que aquele lance do Maurício não é penalty em lado nenhum do mundo. O Olegário, para minha surpresa, até nem esteve mal. Já o Lopetegui aprendeu depressa o desporto nacional, o queixismo. Sim, esse mesmo de que só o Sporting é acusado mas que todos praticam, mesmo em jogos como o de Sábado em que não há um só lance o jogo todo em que os jogadores tenham reclamado com o árbitro para além do normal e natural. Ninguém rodeou Olegário uma só vez e o único amarelo por protestos foi para o Nani (que vem de uma cultura em que se pode falar com árbitros à vontade - e quem tem que perceber isso é o próprio Nani, é ele que está noutra cultura).

6. Prestei especial atenção ao comentário do grande Manel no Sábado, no play-off, isto depois da polémica com o presidente do Sporting. Revi-me em quase tudo o que disse o Manel na sua análise e defendeu o Sporting (com fair-play e boa disposição) das teorias aziadas do Rodolfo Reis. O que querem mais do homem?

25/09/2014

Soltas

1. Fernando Santos é o novo selecionador nacional. Sou só eu a achar estranho contratar um treinador que não pode ir para o banco, numa altura em que a seleção precisa, nem mais, de um treinador (também de um selecionador, mas o treinador é fundamental nesta fase em que a equipa não joga absolutamente nada)? Bem sei que 90% do trabalho de um treinador é no treino propriamente dito, mas o seu papel no jogo pode ser essencial.  Isto sem prejuízo de considerar Fernando Santos uma escolha relativamente natural. E vá lá que há alguém que é contratado para selecionador nacional e se mostra genuinamente contente por estar ali (isto para além da conferência de imprensa, que foi ótima, com uma linguagem desempoeirada, descontraída e evitando as balelas do costume - espero que assim continue).

2. Eu ainda entendo que se noticie o facto de o Franco Jara ter destruído um Mustang; agora, ser notícia que o Nani e um desconhecido cidadão assinaram uma declaração amigável após um toque no trânsito, francamente escapa ao meu entendimento...

3. O FCP não quer que os seus jogadores entrem em campo de mãos dadas com crianças vestidas à Sporting. Estamos a levar as rivalidades para níveis absurdos. Qualquer dia, o FCP vai impedir o seu capitão de cumprimentar o Patrício no início dos clássicos...

4. Chico Bala não quer voltar para o Sporting. Eu, sinceramente, desconhecia o historial disciplinar do jogador quando ele foi contratado. Pelos vistos era relativamente conhecido, mesmo por quem não anda pelo "mundo do futebol"(tinha que usar esta expressão um dia). Até agora, o balanço desta contratação é francamente negativo. "Mas ah e tal, foi barato" - se já se sabia que o jogador era problemático, para quê contratá-lo (eu, por exemplo, não quereria o Cassano no Sporting nem oferecido).

23/09/2014

Uma semana à Sporting?


1. Quinta-feira acordámos todos com a sensação de uma ressaca difícil, daquelas que se seguem a uma noite de "bebidas marteladas". Parecia unânime que algo precisava de mudar, desde os centrais ao ponta-de-lança passando pela estrutura do meio-campo. Marco Silva foi dando a entender que não ia por esse caminho, eu acabei por comentar no meu post anterior que embora não fosse a minha opção, percebia Marco Silva: não queria "matar" a confiança de jogadores de que irá certamente precisar.

2. Todos, nesse dia, comentámos o que nos apeteceu. O grande Manel fê-lo também, realçando ainda que o Maribor é a pior equipa da Champions League. Discutir se é a pior ou se na realidade há outras piores é mesmo querer discutir a árvore e não a floresta, desde logo porque li em inúmeros comentários nesse mesmo dia que o Maribor dificilmente teria lugar na I Liga; e por outro lado porque o essencial da mensagem obviamente não era esse ponto, mas sim a fraca prestação do Sporting nesse jogo, algo que foi unânime entre todos os sportinguistas.

3. Mas enfim, deu jeito o argumento de que "não é nada a pior, pá" para descredibilizar o Manuel Fernandes e credibilizar a lamentável argumentação do presidente do Sporting, que disse, na Sporting TV, "afirmar que o Maribor é a pior equipa da Champions é o mesmo que eu dizer que o Manuel Fernandes foi o pior funcionário do Sporting". Querer daqui interpretar que o presidente queria dizer que tanto a primeira como a segunda afirmações são ridículas sem querer atingir o Manuel Fernandes, só mesmo com muito boa vontade.

4. Aliás, a este propósito, queria dizer que eu pensava que a Sporting TV era o canal do Sporting. É que num canal do Sporting, eu não aceito que as grandes figuras do clube sejam denegridas e insultadas, seja por quem for. Se o canal servir para isto, deixo de ver.

5. Quanto ao papel do Manuel Fernandes enquanto comentador, creio não ser muito diferente do que era o do Pedro Gomes enquanto comentador na TSF ou o do José Eduardo de cada vez que falava. Repito o que disse há uns meseso Sporting, durante anos, foi representado nos OCS (jornais, rádios, TVs) por figuras que, de uma ou outra forma, estavam ligadas ao "regime" e isso era muito criticado pelos sportinguistas, que não se reviam nesses comentadores/cronistas/paineleiros, na medida em que os mesmos se limitavam a defender o "regime". Hoje, quando alguém diz o que pensa, é criticado porque isso afeta os jogadores, o balneário, os treinadores. Entendamo-nos: ainda que alguns consigam ver intenções vingativas do Manuel Fernandes nos comentários que faz, é bom que haja quem tenha uma voz que não se limite a defender o status quo. É a nossa garantia de que alguém com palco e audiências um dia dirá que o rei vai nu, caso tal suceda.

6. No Sábado, o Sporting foi a Barcelos e Marco Silva fez apenas três mudanças: Jefferson por Jonathan, alteração forçada; André Martins por João Mário, uma que muitos já vinham pedindo (não era o meu caso); Carrillo por Capel, uma que ninguém conseguiu compreender.

7. Quanto à primeira, creio que o Jonathan se saiu bem, pese embora algum ímpeto na segunda parte que conduziu a um amarelo desnecessário (isto sem prejuízo de nova análise porque o adversário era efetivamente frágil); a segunda correu muito bem, João Mário fez um grande jogo (pergunto-me se era necessário mandar o André Martins para a bancada, mas enfim); a terceira obviamente não deu em nada, o Capel (felizmente) não funciona neste futebol do Marco Silva (eventualmente do lado direito, onde é obrigado a combinar com os colegas que aparecem por dentro).

8. Já os mal-amados do início de época tiveram prestações díspares: Cedric mais certinho, mas a manter a tendência dos cruzamentos para a molhada (menos, ainda assim); Sarr um pouco melhor, mas ainda sem (me) convencer; Maurício inseguro, ainda afetado pelo lance do Maribor, e a deixar passar infantilmente algumas bolas na segunda parte; William ainda com a cabeça noutro sítio; Adrien mais solto e mais confiante (o golo aos 7 minutos ajudou); Slimani a falhar um golo feito e a fazer outro igualmente simples (com a boa novidade de o Sporting ter aparecido várias vezes de frente para o golo neste jogo, em claro contraste com a segunda volta de Jardim).

9. Já Nani é mesmo um caso à parte, está fora deste filme e muito acima dos restantes. Para quem tinha dúvidas, creio que ficaram dissipadas.

10. Carrillo é o melhor marcador da equipa, com 3 golos. Só para que conste.

PS: Creio que ficou claro, mas não queria deixar de dizê-lo com todas as letras - considero que BC ultrapassou claramente os limites com Manuel Fernandes. Não necessariamente pelo que disse, mas acima de tudo por ter a desfaçatez e o à-vontade para o fazer daquela forma e naquele local. O presidente do Sporting, que nem 2 anos de mandato cumpriu, considera-se com autoridade moral para um puxão de orelhas em público, no canal do clube (será que Manuel Fernandes foi convidado para se defender?), a um símbolo da história do Sporting, acrescentando insinuações que denigrem a imagem desse mesmo símbolo. A margem de manobra do presidente do Sporting é muito grande porque os seus apoiantes radicais, marcados por um traumatizante final de mandato de Godinho Lopes, consideram que tudo o que esteja acima da desgraça é positivo (caso contrário não argumentariam com "eh pá, bom, bom seria ter o Godinho de volta" de cada vez que se critica BC). Mas eu, para além de memória (que me faz exigir vitórias e amargar com segundos lugares), tenho aquilo que chamo de "consciência de clube". Sei o que é ser campeão, ao contrário de muitos os que povoam histericamente a blogosfera, mas mais do que isso sei o que é o Sporting, enquanto clube, independentemente de vitórias e derrotas. E mesmo que nos últimos anos o Sporting não tenha tratado muito bem os seus (basta lembrar o vergonhoso filme do jogo de homenagem a Iordanov), tenho a certeza que um Sporting que hoje renega, humilha ou destrói a imagem dos seus símbolos, seja por que motivo for, é um clube mais pequeno do que era ontem. Seguir este trilho é menorizar o Sporting. Quem não entende isto, não sabe o que é o Sporting.

22/09/2014

Sinais de alerta

Tenho algum receio que o golaço fenomenal de Eliseu, a exibição alucinante de Ola John, os três golos e sobretudo o empate do Porto, acabem por disfarçar, ou mesmo esconder, os sinais de alerta que são cada vez mais evidentes. O Benfica fez 45 minutos horríveis mais 15 minutos muito sofríveis. E não parece que seja por acaso. Basta recordar a primeira parte contra o Zenit e percebe-se que a máquina não está a funcionar como devia. Ou seja, discordo completamente que a segunda parte tenha sido à campeão como já foi dito.


É claro que jogar grande parte do jogo europeu com 10 esgotou fisicamente a equipa e isso tinha que se notar contra o Moreirense. No entanto, é muito estranho que tal tenha acontecido na primeira parte. Contra uma equipa muito bem organizada a nível defensivo, o Benfica apresentou um futebol demasiado lento, muito denunciado e que acabou por ser facilmente neutralizado. Para agravar, na sequência de mais um passe errado na zona defensiva, desta vez de Samaris, ainda ficou em desvantagem. Explicações? Reforço o que já venho dizendo há algum tempo: na minha opinião, o meio campo apenas com Samaris e Enzo simplesmente não funciona. Talisca está ali entre Lima e o meio campo, mas não é capaz de fazer a cobertura defensiva como Rodrigo fazia nem aparecer nos espaços nos movimentos atacantes. Esta crítica é particularmente injusta quando Talisca foi o responsável pela melhor desmarcação na primeira parte (que Lima mais uma vez falhou) e pela expulsão que foi decisiva. Acredito que sem a expulsão, o Benfica teria muitas dificuldades em até empatar o jogo, quanto mais vencê-lo. Isto porque a saída de Samaris por Derley só veio acentuar a incapacidade do Benfica em mandar no jogo de forma estruturada.


Destaques:
- Que golão de Eliseu!!;
- A sensacional entrada de Ola John que veio transformar completamente o jogo do Benfica. Jogou e fez jogar. Já pedi várias vezes um onze inicial com o holandês incluído mas parece que está complicado. As boas indicações da pré-época não tiveram seguimento pois as oportunidades que lhe foram concedidas foram bastante raras. Hoje mostrou uma potência física que Salvio e Gaitán não têm, deu velocidade ao jogo, rematou, desmarcou e foi, de longe, o principal desequilibrador;
- O super Maxi. Incrível este início de época do uruguaio;
- Não percebo as críticas sucessivas a Enzo. Acho que o patamar a que tem estado se deve mais ao que se passa à sua volta do que a si mesmo. Mesmo assim e não esquecendo os vários erros que também teve na primeira parte, teve recuperações e cortes incríveis, assume sempre a bola e várias vezes foi para cima do adversário;
- Boa entrada de Derley. Com garra, vontade e a segurar bastante bem a bola. Face ao mau momento de Lima, gostaria de o ver a titular.

Sei que Jesus está perdido de amores por Talisca pelo que não deverei ver tão cedo um meio campo com André Almeida, Enzo e Gaitán, com Ola John e Salvio e Lima ou Derley na frente. Ainda para mais, Samaris parece cada vez mais evidente que não tem capacidade para fazer a pressão forte de Fejsa. Sendo assim, confesso que estou com bastante receio da competitividade deste Benfica. Jesus poderá melhorar significativamente a dinâmica dos jogadores que acabaram de chegar mas a Champions está aí e há jogos muito complicados para o campeonato que estão a chegar. Rapidamente.