30/12/2013

Copo meio vazio vs. Copo meio cheio

Copo meio vazio:

a) Não ganhamos há dois jogos;
b) Estamos há dois jogos a zero;
c) Com os grandes, contas feitas, simplesmente não conseguimos ganhar;
d) Se o Montero não marca, dificilmente ganhamos;
e) Nem com o FCP conseguimos encher o estádio;
f) À frente da baliza, tremem as pernas aos Wilsons e aos Vítores;
g) O Carrillo só dá quando entra a partir do banco;
g) É uma constante sina: contra nós, os GR adversários fazem sempre grandes exibições.

Copo meio cheio:

a) Podemos não ganhar os jogos todos, mas a verdade é que até agora só perdemos um jogo, contra o crónico campeão nacional e no estádio deles (e tivemos algum azar);
b) Mesmo quandos os jogos não correm bem e não marcamos, conseguimos ser suficientemente sólidos para não sofrer golos;
c) Com os grandes, mesmo com orçamentos inferiores, conseguimos jogar sempre de igual para igual e neste último jogo demos um banho de bola na segunda parte;
d) Mesmo quando o Montero não está em forma, conseguimos jogar próximos da área adversária e aparecem outros para finalizar;
e) Tendo em conta que era dia 29 de Dezembro, estava uma noite pouco agradável e tratava-se da Taça Lucílio, o estádio até que estava bem composto;
f) Podemos desperdiçar golos, mas estamos a criar várias oportunidades por jogo;
g) O Carrillo provou que está de corpo e alma e tem que ser titular;
h) Obrigámos o Fabiano a fazer uma exibição típica de GR de clube pequeno.

24/12/2013

Não aprende línguas nem qualquer outra coisa

É por causa de jogos como o do Benfica em Setúbal que olho para o que falta jogar desta época com pouquíssima confiança. É nestes jogos que qualquer réstia de esperança em ver um Jorge Jesus que aprende com os erros acaba mesmo por desaparecer. O jogo tem pouca história: o Benfica ganhou num encontro em que foi tremendamente eficaz, em que jogou mal e em que apenas no fim controlou realmente o jogo. Assim,  deixo aqui o que prefiro destacar:



- a teimosia de Jesus não conhece limites. Já todos tinham visto e comentado que tirar Matic da posição 6, fazer dupla com o Fejsa e desviar Enzo para a direita eram péssimas opções.  Todos reconheceram que manter Matic a 6, com Enzo no miolo e o apoio de Amorim, permitiram ao Benfica dar um gigante salto qualitativo. No entanto, com a lesão de Amorim, voltou logo ao seu preferido e incompetente 4-4-2 mas num molde menos crítico com a dupla Matic-Enzo no meio e que tão bem deu conta do recado na época anterior (continuo a achar que não chega para as equipas mais competitivas). O que voltou a fazer neste jogo e que teve que corrigir ao intervalo dando 45 min de borla? Fejsa a 6 com Matic à frente e Enzo na ala. Bravo! Nota: gosto muito de Fejsa mas como alternativa a Matic para dar o necessário descanso ao sérvio;

- Maxi continua a ser um jogador que pouco ou nada acrescenta e mesmo assim é titular todos os jogos relegando André Almeida ao esquecimento;

- marcaram os golos mas não consigo dar o mínimo crédito à dupla Lima-Rodrigo. No entanto gostava muito de ver Rodrigo sozinho na frente com o trio certo no meio campo;

- os preferidos têm sempre primazia e não se premeia o esforço (Markovic a entrar e Cavaleiro a ver). Que excelente mensagem se passa ao restante plantel;

- boa entrada de Sulejmani a exigir o lugar de ala. Gaitán esteve trapalhão mas lá fez a assistência para o primeiro golo;

- finalmente o regresso de Amorim! Que diferença foi ver o Benfica a trocar a bola com  segurança e facilidade durante largos minutos. Será que não dava para fazer o mesmo com outro jogador enquanto este esteve lesionado?! André Gomes por exemplo?

- os sadinos estavam a gostar das faltas, entradas agressivas e picardias. Até parecia que conheciam bem o calendário do Benfica.


Bom, ganhámos e já temos o Amorim pelo que agora é rezar que volte o 4-3-3. Nunca pensei que este jogador pudesse ser tão determinante para o sucesso do Benfica mas neste momento tenho poucas dúvidas que, de facto, é importantíssimo. Chegamos ao final de 2013 com tudo igual na frente pelo que agora é essencial arrancar bem no novo ano, concentrados na competição que realmente interessa.

17/12/2013

Em 5/7 minutos

Porque não tenho tempo para muito mais:

1. Vitória justíssima e inquestionável no Sábado perante um Belenenses algo frágil e que efetivamente sentiu muito o primeiro golo.

2. Golo esse que resulta de um lance ocorrido fora da área em que, para mim, nem falta existe (parece-me aliás que o Cedric não ia pedir a falta sequer). Recordo, porém, que o jogo acabou 3-0 e que 10 minutos depois há um penalty evidente não assinalado. De qualquer forma, não justifica o erro anterior.

3. Não me parece sinceramente que o lance seja fora do campo. O alegado empurrão começa dentro de campo. De qualquer forma, reproduzo o que já comentei no Cantinho do Morais e também aqui, no anterior post do Gorbyn:

Acabo de ver um teste feito pela FPF a árbitros em 14 de Fevereiro de 2013.

Uma das perguntas é a seguinte: "um jogador, de posse da bola junto à linha lateral e perto da linha de meio-campo, faz uma finta a um adversário, adiantando a bola e tentando ultrapassá-lo por fora do terreno de jogo e aí é empurrado pelo adversário, o suficiente para ser ultrapassado na corrida para a bola. O árbitro assistente, em excelente posição, assinalou a infração. O que deve fazer o árbitro?"

Trata-se de um caso análogo ao do Cedric, admitindo que a falta sobre o Cedric foi fora do campo (não concordo sequer que tenha sido falta, mas vamos admitir que foi e que foi feita fora do campo).

Nesse mesmo teste da FPF, a resposta indicada como correta é a seguinte:

"O árbitro deve interromper o jogo, advertir o jogador infrator por sair do terreno de jogo para empurrar o adversário e punir a sua equipa com um pontapé livre indireto no local em que a bola se encontrava no momento da interrupção".

Ou seja, nada do que diz o Pedro Henriques ou o Leirós: seria livre indireto.

4. O Sporting jogou qb, não foi brilhante, mas esteve coletivamente bem e manteve sempre a cabeça fria e a organização. Não me lembro de muitas bolas despejadas, nem sequer quando estava 0-0.

5. O que o André Carrillo fez ao longo do jogo, em diversos lances, os restantes extremos do plantel só conseguem fazer na play-station (alguns nem na play-station). Bem sei que o rapaz é irregular mas agora que até anda mais cumpridor nas funções defensivas, que tal (i) dar um pouco mais de rédea para o cavalo andar à solta e (ii) pararem com as assobiadelas (ainda que continuem a aplaudir as arrancadas enérgicas e não raras vezes despropositadas do Capel)?

6. Jogo fraco de Fredy Montero, desperdiçou inúmeros lances e desperdiçou um golo fácil, o pior que lhe vi fazer desde que chegou ao Sporting. Mas tudo bem, com 13 golos no bornal pode fazer o que lhe apetece (em Alvalade só pude comentar isto com o meu pai e bem baixinho para ninguém me ouvir). Ainda bem que caiu em graça, é menos um para assobiar nos dias menos bons. Já o Carrillo e o Rojo não beneficiam dessa sorte...

7. O André Martins vem subindo de produção. Um leitor menos atento poderia dizer que este facto prova que eu não percebo mesmo nada de bola, uma vez que andava a defender mais oportunidades para o Vítor. Errado. O que acontece é que o André lê o fa3 regularmente e ficou picado com as minhas chamadas de atenção. De qualquer forma, gostei que tenham sido dados alguns minutos ao Vítor. Em boa verdade, com o jogo em 2-0, preferia que o Vítor tivesse tido mais minutos.

8. O William tem vários lances que o público adora, com reviengas ali no meio. Em 10, 9 saem-lhe bem. O que lhe saiu mal no Sábado originou um contra-ataque que não foi perigoso porque o Belém neste jogo foi inofensivo.

9. A minha aposta sobre o Wilson Eduardo (7 golos no campeonato ou 10 em todas as competições) vai ficando mais apertada. Até porque em Alvalade, agora, só se desejam golos do Slimani. Acabados de festejar o golo, o meu próprio pai, a quem devo a grande alegria de ser sportinguista, vira-se para mim e diz "podia ter dado ao Slimani". E é por causa destas e de outras que vou acabar a pagar uma almoçarada...

10. Pés no chão: enquanto estivermos em 1º, estamos mais próximos de assegurar um lugar na Champions. Os rivais históricos começam a conseguir ganhar mesmo quando jogam mal e sofrem golos, o que é um sintoma de que começam a ficar alinhados com os astros. Pés no chão!

16/12/2013

Que triste Benfica

Que triste Benfica que apresenta um futebol miserável e que apenas me prende à televisão porque é a minha equipa. Fosse qualquer outro jogo e não resistia mais do que 15 minutos. A relva pode explicar um pouco mas está muito longe de ser a principal culpada;

Que triste Benfica que sofre golos em todos os jogos e que permite a equipas como o Arouca e Olhanense colocar duas bolas na baliza de Artur;

Que triste Benfica que só por lesão vê sair do onze, jogadores que há muito já deviam estar a aquecer o banco. Markovic na jornada anterior e Artur neste jogo. Os dois golos sofridos mostram um guarda-redes que não evita um golo que seja e que, em qualquer um deles, poderia ter feito bastante mais;

Que triste Benfica que depois de dar a volta ao marcador logo no início da segunda parte, não conseguiu dilatar a vantagem. Os contra-ataques não saíram e os pontapés para a frente foram mais do que muitos. Ainda para mais, vai dar origem a uma série de comentários relacionando o primeiro golo obtido em fora-de-jogo com os 3 pontos (mesmo que tenham existido também vários foras-de-jogo mal assinalados contra o Benfica);


Que triste Benfica que tem um treinador que não larga o 4-4-2 apesar de todos já terem percebido que a equipa é bastante mais competitiva com apenas um avançado, ainda por cima com um Lima e Rodrigo que raramente funcionam bem como dupla da frente. Só Matic e Gaitán conseguiram escapar a exibições miseráveis;

Que triste Benfica que, para além de já não conseguir compor as bancadas do Estádio da Luz, também já não consegue boas assistências nos jogos fora. Não se pode exigir tudo pelo amor ao clube, pelo que as exibições e a distância entra a ambição e vontade dos adeptos e as da equipa, acabam por pesar mais. 

12/12/2013

Vitória sem sabor

Novidade do jogo com o PSG: pela primeira vez esta época, vi no Estádio da Luz uma equipa com menos vontade de jogar do que o Benfica. De resto não há muito a dizer sobre o jogo. Um PSG obviamente mais fraco do que o habitual depois de já ter garantido o primeiro lugar mas mesmo assim a apresentar jogadores baratinhos como Cavani, Lucas e Pastore. Quanto ao jogo, não há muito a dizer, com as duas equipas a dividir as oportunidades na primeira parte, assim como os golos, e o Benfica a chegar à vitória na segunda parte quando teve muito mais vontade de vencer o jogo, quando foi mais pressionante e quando o PSG decidiu entrar em modo descanso. Só Lavezzi não percebeu que era para correr pouco.


Notas:
- Sílvio fez um grande, grande jogo e é de longe o melhor lateral do Benfica nesta fase. E a jogar do lado esquerdo é bem melhor do que no lado direito. Bons lances e ainda arrancou um penalty com classe;
- Maxi está lento que dói e a defender é um problema bastante sério. Esteve bem a atacar mas preferia ter jogado com André Almeida;
- Fejsa foi o melhor jogador em campo e varreu o meio campo todo, impressionando pela sua velocidade e poder de choque;
- Jesus teima em colocar um Markovic que não rende e que não parece ficar muito preocupado com isso. Repito que prefiro Cavaleiro e não percebo porque Urreta continua esquecido na B a fazer bons jogos;
- Lima esteve esforçado mas está um desastre. Não sei se Rodrigo não teria sido melhor opção mas dou esta de borla a Jesus porque de facto Lima ajudou a desgastar a defesa do PSG e duvido que Rodrigo conseguisse ser um jogador de combate tão disponível;

Como destaque, o silêncio da claque apenas interrompido aos 30 min para o hino do Benfica, "Benfica é nosso" e depois para um "Nós só queremos Benfica campeão". Foi absolutamente desolador o silêncio num estádio que já tinha as bancadas bastante despidas. No entanto, têm toda a legitimidade para optar por este gesto de protesto já que nem quando a equipa joga mal, a deixam de apoiar. Acredito que tenha sido pelo miserável jogo contra o Arouca e pelo facto da equipa simplesmente não perceber o quanto o título nacional é importante para os adeptos. Espero que tenham percebido a mensagem uma vez que as fracas assistências que se têm registado mostram que o divórcio entre os adeptos e a equipa é cada vez mais evidente, o que não deixa de ser mais preocupante quando a equipa está empatada com o Porto e a apenas dois pontos da liderança. Só que a sensação da equipa não partilhar da mesma vontade de vencer dos adeptos, é muito mais forte.

Vencemos, não valeu de nada e agora vem a desgastante Liga Europa. Espero que ninguém coloque o objectivo da final ao mesmo nível do campeonato...
   

10/12/2013

O que vi em Barcelos e Salvador

1. Barcelos


Começo pelo que não vi: em Barcelos não vi a primeira parte (só depois o resumo); nem vi os primeiros 5 minutos da segunda parte; nem vi um grande Sporting até ao 0-2.

Vi um Gil Vicente que, com 11, e mesmo nalguns momentos com 10, conseguiu quase sempre progredir no campo em jogadas coletivas, construir alguns lances interessantes e causar sempre a ideia de poder gerar perigo. Depois, vi uma entrada para vermelho ser corretamente punida e o Sporting a controlar o jogo um pouco melhor.

Vi também que mesmo nos momentos de maior aperto, a equipa do Sporting estava focada e determinada. A atitude estava lá, só me assustou alguma permissividade (e falta de objetividade) que podia ter permitido o empate do Gil Vicente (grande Rui Patrício...). Após a expulsão do Peks, vi o Sporting desenvolver e desperdiçar vários lances para o 0-2. Mas vi finalmente o 0-2, que matou o jogo, e a partir daí vi um Sporting tranquilo.

Vi um bom jogo de André Martins, a habitual eficácia de Montero, a persistência de Capel e uma boa entrada de Carrillo. Defensivamente, e como já disse, vi a equipa a tremer até ao 0-2, mesmo após o Gil Vicente ser reduzido a 10. Vi erros que o Marcos Rojo insiste em não corrigir (incrível como insiste em atacar os lances 1 segundo antes de o adversário decidir o que fazer, dando assim margem para que qualquer perneta o drible facilmente).

Vi também um estádio adequado à dimensão do clube que ali joga (haja alguém com realismo neste país) todo ele pintado de verde e branco. Somos um clube fantástico: mesmo sem uma luzinha de esperança, estamos lá; havendo uma luzinha de esperança, começa a criar-se uma onda verde por todo o país. Inigualável.

Também vi o futuro: se mantiverem os atuais níveis futebolísticos, Benfica e Porto não ganham em Barcelos. Podem escrever o que digo. Mas é um problema deles, porque mantenho que não temos as mesmas armas e que ficar em 1º, nesta fase, não é mais do que um excelente sinal de que estamos fortes na luta por um lugar na Champions.

2. Salvador



Vi um sorteio favorável essencialmente à França: evitou o pote 2 à última da hora e ainda teve a sorte de calhar no grupo mais acessível de todos, com a seleção europeia mais fraca (Suiça), a seleção sul-americana mais fraca (Equador) e a seleção centro-americana mais fraca (Honduras).

E vi um tremendo azar para a Itália: além de ir parar ao pote 2, calhou no grupo mais forte, com Uruguai e Inglaterra (também a Costa Rica, mas vai lá só fazer figura de corpo presente).

Quanto a nós, essencialmente, vi uma histeria incompreensível só pelo facto de termos evitado Itália e Uruguai. Explico-me: percebo a alegria por termos evitado esse grupo, não percebo a afirmação "já nos livrámos dos grupos difíceis" quando passou o sorteio do grupo D. É que o G, precisamente o G, era de evitar. No E creio que nos apuraríamos sem dificuldades, o mesmo se diga do F (tínhamos a Argentina, mas os restantes eram acessíveis). Mesmo o H, se encarássemos a Coreia com seriedade e sem a sobranceria de 2002, seria um grupo ao alcance.

O Grupo G era o mais complicado dos disponíveis:
- a Alemanha é um adversário com que tradicionalmente nos damos mal. Mas em princípio ganha o grupo facilmente, pelo que discutimos o apuramento com Gana e EUA;
- o Gana, não sendo a seleção africana mais brilhante, será porventura a mais sólida e equlibrada (e taticamente mais evoluída). Recordo que não chegou à 1/2 final em 2010 porque Asamoah Gyan falhou um penalty contra o Uruguai no último minuto do prolongamento. Mas foi duas vezes ao Mundial e em ambas conseguiu passar a fase de grupos.
- os EUA são uma seleção de qualidade que consecutivamente tem conseguido apurar-se facilmente para os Mundiais e em que em 2002 passou aos 1/8 (às nossas custas), em 2006 ficou-se pela fase de grupos (num grupo muito difícil) por ter perdido com... o Gana e em 2010 voltou a apurar-se para os 1/8 (em 1º no seu grupo, onde também estava a Inglaterra) caindo, novamente, aos pés do Gana.

É o típico grupo que faz lembrar 86 e 2002. Só peço atenção a isto e concentração em todos os jogos.

Já agora os meus palpites para os grupos, incluindo já algumas surpresas. Gorbyn, devíamos montar uma banquinha para isto!

A- passam Brasil e México;
B- passam Espanha e Chile;
C- passam Colômbia e Costa do Marfim;
D- passam Itália e Inglaterra;
E- passam França e Equador;
F- passam Argentina e Nigéria;
G- passam Alemanha e Portugal;
H- passam Bélgica e Rússia.

08/12/2013

E ser homem para colocar o lugar à disposição?

Que o tropeção estava prestes a acontecer, já era algo que me passava pela cabeça. Que fosse em casa contra o Arouca? Isso meus caros, nem com as invenções de Jesus acreditava que acontecesse. Estamos simplesmente a falar de um dos piores plantéis da liga assim como de um dos piores treinadores (agora que não há Costinha é candidato a pior treinador do campeonato). Assim, sempre pensei que por muito baixa que fosse a motivação, por muitos que fossem os erros tácticos, onze inicial, substituições e falhas defensivas e ofensivas, daria sempre para garantir a vantagem mínima. A verdade é que não deu e saí do Estádio da Luz, numa fria sexta-feira à noite, com os nervos em máximos e sem a mínima vontade de voltar ao mesmo local na terça. Ainda se admiram porque éramos apenas 29 mil nas bancadas…

Nos jogos com o Braga, Anderlecht e Rio Ave o Benfica conseguiu o que normalmente não consegue: não jogar grande coisa (ou mesmo mal) e mesmo assim sair vitorioso. Como se manteve o nível contra o Arouca, desta vez não deu mesmo para garantir os 3 pontos. Foi-se o primeiro lugar e agora já ninguém falará em crise portista. Excelente timing! Tivemos dois bons jogos contra Olympiacos e Sporting mas a nossa queda para lesões lá tratou de arrumar com Amorim e acabar com o sistema táctico em que acredito sermos mais competitivos (embora também considere que era possível mantê-lo recorrendo a outros jogadores como André Gomes). Os outros rivais quase não têm lesões enquanto o Benfica tem sistematicamente jogadores lesionados: Salvio, Markovic, Fejsa, Siqueira, Silvio, Cardozo, Amorim…



Quanto ao jogo:

- obrigado Jesus pela nova versão do Émerson. Cortez é uma bela merda e pior do que decidir contratá-lo (felizmente por empréstimo!) é perceber a sua incompetência e coloca-lo sistematicamente a jogar. Quem o coloca no 11 é que é o principal culpado! Quem vê o jogo no estádio percebe, para além disto, como a equipa só lhe passa em último caso e como desespera com ele. Depois do empate era ver Rodrigo a tentar explicar-lhe que tinha que subir, dar linha de passe e avançar com a bola;

- parece-me que o bom velho Maxi já não vai regressar. A vontade está lá mas as pernas já não deixam. Para um jogador que depende bastante da capacidade física pois tecnicamente nunca foi muito forte, se está mais lento, é um grande problema. Jesus, posso apresentar-te o Cancelo?

- por muito que não goste dos dois avançados, não havia como não colocar Rodrigo e Lima, Por força dos golos marcados, Jesus tinha mesmo que puxar pela motivação e confiança destes dois jogadores e esperar que o velho Lima estivesse mesmo de regresso. Até gostei de Rodrigo mas Lima foi novamente desesperante e fartou-se de falhar. Contribuiu decisivamente para o empate. Estou convencido de que com Cardozo, teríamos ganho o jogo;

- chegou a altura de dar um tiro no escuro e apostar em Oblak. Chega de Artur! Mais um golo em que poderia ter feito mais e, sem fazer qualquer defesa, podia perfeitamente ter levado mais um golo quando decidiu ficar a meio caminho e só não levou com o chapéu porque o avançado do Arouca não sabia mais;

- Enzo é dos poucos jogadores que não me canso de elogiar, e sem ter a companhia de Matic e Cardozo, foi o único jogador que aplaudi. Também me pareceu que era o único que partilhava da nossa desilusão pela forma como reagiu ao segundo golo dos visitantes a tapar a cara com as mãos e mais que lixado nos minutos finais da partida e após o apito;

- se Markovic não pode jogar no meio, prefiro um jogador com menos talento mas 10x mais vontade como Cavaleiro a jogar na direita;

- as substituições rebentaram com a equipa e retiraram qualquer réstia de organização ao futebol do Benfica, ficando os jogadores fora das posições em que são mais fortes. Primeiro, Gaitán a defesa esquerdo. Percebe-se a ideia de ficar com um defesa esquerdo mais ofensivo mas perde-se a sua capacidade de passe e de desequilibrar na frente. Depois tirou Markovic e colocou Fuenes Mori (começo a perceber os cânticos de felicidade na Argentina aquando da despedida) desviando Rodrigo para a linha e fora da sua posição. Cavaleiro só entrou perto do fim e quase que deu para ganhar, não fosse o remate ao poste e o falhanço imbecil de Luisão.

Depois coloquem o hino do Benfica no máximo para que não se percebam os assobios! Lá em cima preferem fazer tudo para que a equipa sinta a raiva dos adeptos quando falham em toda a linha (não quero acreditar que aqueles 5 ou 10 polícias que nem se mexiam, estavam lá para de facto evitar que os adeptos não chegassem perto do autocarro do Porto enquanto na Luz até barreiras de segurança colocam a mais de 100m do local de passagem do autocarro). E não considero que tenha sido essencialmente uma questão de falta de vontade dos jogadores. Como dizia um amigo meu "Não merecem estar no primeiro lugar!".


04/12/2013

Bom resultado, bom jogo, bom futebol


Resultado: justíssimo, podiam ter sido mais mas 4-0 ajusta-se. A vitória era essencial para não passar um sinal de tremideira num momento em que o Sporting podia passar para 1º. Cá para nós que ninguém nos ouve: ainda bem que o Benfica também ganhou para que esta equipa não tenha desde já o peso de ser líder isolado do campeonato.

Jogo: correu bem porque o Sporting marcou cedo, claro, mas também porque a equipa entrou a jogar bem e depois disso, tirando 10 minutos na primeira parte, a equipa foi gerindo bem o resultado que criou. O Paços também não era equipa para reagir com força ao 1º golo do Sporting, mas isso nos últimos anos não tem sido argumento para desvalorizar as exibições do Sporting.

Futebol: o Sporting apresentou um futebol de qualidade e com consistência ao longo do jogo. Este era o adversário ideal para isso, sim senhor, mas a verdade é que a equipa jogou bem, corrigindo o mau jogo de Guimarães e apresentando uma atitude competitiva muito melhor. Não se limitou a ser eficaz ou a aproveitar os erros do adversário; apresentou uma dinâmica interessante, jogando com diversidade e com a participação de todos os jogadores. Ao primeiro minuto criou a primeira oportunidade e a partir daí construiu diversos lances coletivos, bem trabalhados, onde só foi falhando o último passe (André Martins, meu caro: a menos que acuse no anti-doping, sugiro um viagra antes dos jogos para ver se esses últimos passes saem com mais... determinação, digamos assim!). O Sporting não deslumbrou mas agradou. Nada a ver com Guimarães, nada a ver com futebol direto. Grande Jardim, percebeu que aquilo em Guimarães não foi nada.

Não deveria fazer destaques individuais porque a exibição foi coletivamente boa e porque não houve ninguém a jogar abaixo do mínimo exigido. Mas William Carvalho esteve mesmo muito bem e começa a desmentir aqueles, como eu, que muito embora dando o benefício da dúvida à ocupação do lugar (até porque todos sabem o que penso de Rinaudo), desconfiavam da capacidade de William para outras tarefas, nomeadamente para sair a jogar. O rapaz tem bons pés e tem velocidade de raciocínio, tem que ser um pouquinho mais rápido a executar mas isso melhora-se.

Agora encaremos com tranquilidade, mas de forma séria, a pressão inerente à posição em que estamos (que apesar de inesperada é a que tradicionalmente deveríamos sempre ocupar). Ganhar os próximos jogos e tentar ficar por ali por cima, esse é agora o objetivo. Se formos primeiros, melhor: estamos mais próximos de assegurar o 3º lugar. Logo que o 3º lugar esteja assegurado, caso tal venha a suceder mais cedo do que esperamos, olhemos para a classificação e vejamos se dá para mais. Até lá, pés no chão.

PS: Sabem porque é que Paulo Fonseca não é um treinador "à Porto"? Um treinador "à Porto" sabe que Capela tem uma dívida a pagar desde o Benfica-Sporting da época passada. Logo, nunca tira o habitual marcador de penalties porque sabe que vai cair um penaltyzito a 5 minutos do fim, dê lá por onde der. Se Fonseca não o sabe e é daqueles que acredita que o Porto perde 2 jogos em 120 porque tem uma grande equipa... está ali a mais.