20/11/2013

Super-Homem


Já tudo foi dito sobre a vitória de ontem e a épica exibição de Cristiano Ronaldo. Mas queria acrescentar alguns pontos:

1. Em primeiro lugar: não me interessa puto quem é o melhor do mundo em termos absolutos; mas neste momento não há ninguém melhor do que Cristiano Ronaldo. E sei uma coisa, mas não digam a ninguém: CR7 é o super-homem. É ele, tenho a certeza: aposto que usa óculos e trabalha no Daily Planet. Vá, no El Mundo, porque sabe-se que vive em Madrid. Os três golos, qual deles o melhor, são impressionantes cavalgadas iniciadas bem longe da baliza, no segundo golo iniciada antes ainda da linha de meio-campo. Fazer o que Ronaldo fez, depois de um jogo em que deu o litro em cada jogada, àquele ritmo, com aquela velocidade e com aquela precisão, não está mesmo ao alcance de todos. Só o podiam parar com kryptonite no bolso, algo que os suecos não tinham. E convém lembrar que marca dois golos com o pé esquerdo (o seu "pior"), um deles, o segundo, absolutamente brutal, depois de um grande domínio de bola e uma condução sublime, com aquele toque de coxa a ajeitar para o remate final. Sublime, mítico, único, um campeão, o Super-Homem.

2. Ainda hoje tive esta discussão de manhã e queria dizer que gostei da exibição de Portugal. Nada a ver com o que se passou em Lisboa, mesmo nada. Aproveitamento muito mais inteligente do espaço, a gerar um quarto de hora final da 1ª parte em que foram criadas mais situações de golo do que em todo o jogo de Lisboa. Tiro o chapéu ao Paulo Bento (mas sim, custa-me um bocadinho porque implico com o homem) pela estratégia. Não podemos culpar o Paulo Bento pelo recuo a seguir ao 1º golo, como vi por aí escrito. "O William devia ter entrado mais cedo". Pois claro, mas o Paulo Bento não podia adivinhar que as perninhas iam começar a tremer. E os golos suecos foram de rajada (68', 72'). Acho que o Paulo Bento esteve bem, acho mesmo.

3. Não é por ser do Sporting, mas que grande entrada em jogo de William Carvalho. A por ordem no meio-campo, a recuperar e a sair a jogar. Na estreia, num jogo complicadíssimo, num momento terrível em que todos temíamos o pior e com os titulares indiscutíveis todos a tremer das pernas, foi ele, o puto, o estreante, a por calma e, aliás, a começar, com uma entrega fria, lúcida e de veterano, a jogada do terceiro golo. Grande William.

4. O Patrício é mal batido no segundo golo, obviamente. Mas, por favor, não tentem recriminar o Patrício e esquecer a imbecilidade da falta cometida pelo Miguel Veloso. Quem é que faz uma falta daquelas, num lance daqueles, a 1 metro da área? Quem? Ontem foi um elemento a mais, perdeu quase sempre para Ibrahimovic e até Junho, se não se põe a pau, perde o lugar para o William.

5. Prova de que nada do que acima digo tem a ver com sportinguismo: que exibição brutal do Minorca. A levar a equipa para a frente, a dar linhas de passe e a fazer duas assistências de top. Grande jogo. Pena desta vez Meireles não ter acompanhado (mas na Luz foi Meireles quem esteve lá em cima). Aquele meio-campo com William, Minorca e um 10 um nadinha mais expedito (que reconheço que podemos não ter), ainda pode ir a tempo de fazer umas coisas engraçadas.

6. Sei que alguns quereriam deixar cair esta discussão mas eu não deixo: dos 47 golos marcados por Ronaldo, recordo os seguintes dados (não há qualquer tipo de precisão científica, estou apenas a apelar à memória):
(i) 3 contra a Holanda (1 no Euro 04, 2 no Euro 12);
(ii) 2 contra a República Checa (1 no Euro 08, 1 no Euro 12);
(iii) 2 contra a Rússia no apuramento para o Mundial 06;
(iv) 2 contra a Bélgica no apuramento para o Euro 08;
(v) 1 contra a Dinamarca no apuramento para o Euro 12;
(vi) 2 contra a Bósnia no jogo que decidiu o apuramento para o Euro 12;
(vii) hattrick na Irlanda do Norte no apuramento para o Mundial 14;
(viii) 4 golos contra a Suécia nos jogos que decidiram o apuramento para o Mundial 14.

Estamos a falar de um extremo, não um PL, que faz nada menos do que 20 (!) dos seus 47 golos em jogos nada fáceis, muitos deles em momentos decisivos, alguns em fases finais, contra seleções respeitáveis, nada de Liechtensteins ou Cazaquistões. E não estou a incluir o golo marcado à Grécia na estreia no Euro 04 ou à Dinamarca no último jogo de apuramento para o Euro 12 (porque perdemos os dois jogos), ou o golo marcado ao Irão no Mundial 06 (foi um penalty e era o Irão), ou o golo à Coreia do Norte no Mundial 10 (mas há quem considere muito válidos golos à Coreia do Norte, aí já contam). Também não estou a incluir amigáveis, nem sequer o golo marcado à Argentina (parece-me uma seleção respeitável, não sei se o Eusébio concorda).

Vamos, por isso, tirar este tipo de golo a certas contabilidades e ver onde vão parar as estatísticas. Façamos todos o exercício.

E por falar nisso, porque será que, quando se desvalorizou Ronaldo, não foi dado o exemplo do Luxemburgo? Ah, o Luxemburgo já existia na década de 60? E até nos deu uma cabazada na estreia de certos jogadores na seleção? Ah ok, assim já percebo...

Que não me levem a mal os fãs do Eusébio. Mas há dias em que acordo mesmo farto das hipocrisias deste país...

4 comentários:

  1. Relaxa Koba.
    O Ronaldo já ultrapassou o Eusébio há muito como o melhor jogador Português de sempre.
    E ainda tem muitos anos pela frente.

    ResponderEliminar
  2. Ah, só mais um detalhe.
    O Rui é um bocado mal batido no golo, sim, mas o minorca não tinha nada que abrir a barreira para a bola passar.

    ResponderEliminar
  3. Mas o tema do melhor ou pior aceito discutir, aceito mesmo. Eu posso achar que é o Ronaldo, mas percebo quem considere melhor o Eusébio. E aceito ainda melhor os que me dizem que é impossível comparar.

    Agora, desvalorizar os golos porque foram marcados contra o Liechtenstein e o Cazaquistão... santa paciência! O primeiro do Eusébio é contra o Luxemburgo num jogo em que levámos 4 batatas, e para aí uns 15 são marcados em amigáveis. O Eusébio levou a seleção às costas a uma competição (e durante a competição), é verdade, mas e depois disso, como foi? O Ronaldo anda com a seleção às costas pelo menos desde 2010. E sempre a conseguir apuramentos e fases finais, no mínimo, respeitáveis.

    Quanto ao golo, o problema, a meu ver, começar por ser feita ali uma falta totalmente desncessessária.

    ResponderEliminar
  4. desnecessária, obviamente, e não a barbaridade que escrevi...

    ResponderEliminar