18/11/2013

Paulo, vais insistir nos cruzamentos?

Ganhámos por 1-0 à Suécia e vamos amanhã discutir o acesso ao mundial.

A vitória de sexta-feira, mesmo que apenas por 1-0, é um bom resultado. Mas, por outro lado, causa-me alguma preocupação (quer no aspeto psicológico, quer no aspeto futebolístico).

Por partes: é um bom resultado porque (i) ganhámos, (ii) não sofremos golos, (iii) ditamos nós, caso o queiramos, o ritmo da eliminatória e (iv) apesar de este argumento parecer estúpido, o resultado e o jogo em si conferem-me a convicção de que os níveis de concentração (nomeadamente defensivos) serão mantidos. A preocupação está relacionada com o rapaz que temos no banco a comandar as operações. E isto porque se sofremos um golo cedo, não é com o futebol que jogámos na Luz que vamos dar a volta ao texto.

Esta seleção consegue o mais difícil: trabalhar a bola até encontrar espaço nas alas para progredir. Encontrado o espaço, acontece uma coisa fenomenal, em regra: Postiga corre para a área, um dos médios aproxima-se da cabeça da área, o extremo da outra ala junta-se ao PL e entre o lateral ou o extremo do lado da bola, um dos dois produz um daqueles cruzamentos que os toscos centrais da Suécia aliviam facilmente, para uma zona em que estão os dois médios-centro suecos a ocupar o espaço que o nosso médio que subiu queria aproveitar para remate de ressaca ou reinício da jogada.

Quantas vezes isto aconteceu na sexta-feira? Dezenas de vezes. E o selecionador, tão satisfeito com os resultados que estávamos a produzir até então, até teve este rasgo de brilhantismo: colar CR7 à linha do lado direito no primeiro quarto de hora da segunda parte. E era vê-lo, qual Capel de pé direito, a cavalgar linha fora até cruzar para a área onde os suecos, invariavelmente, aliviavam facilmente.

"Ah mas o golo foi assim". Pois, por acaso não foi bem assim. Foi dos poucos momentos ao longo do jogo em que o portador da bola conseguiu fazer o cruzamento para as costas da defesa, facilitando o trabalho a quem aparecesse vindo de trás (mérito do cruzamento, claro, mas a oportunidade de o fazer daquela forma raramente surgiu).

Única exceção: Nani. Criticado por todos, claro, porque "perde muitas bolas" e "é pouco objetivo". Pois bem - foi o ÚNICO que tentou aproveitar os espaços concedidos a João Pereira para tentar algo diferente que não o cruzamento tirado da linha; o ÚNICO que tentou combinar com Miguel Veloso uma jogada nas costas dos suecos; o ÚNICO que percebeu que, ao contrário do que parecia na sexta-feira, a baliza é no meio da linha final e não nas pontas; o ÚNICO, enfim, que tentou algo que não estivesse no Manual "Som Räknaren Lag Paulo Bento?", ensinado aos jogadores suecos a partir dos 12 anos e totalmente aprendido aos 15. E uma vez que era o ÚNICO, obviamente acabava a perder bolas e a perder-se em dribles, porque ninguém o acompanhava. Mas, recorde-se, foi o ÚNICO que conseguiu obrigar Isaksson a uma defesa um pouco mais difícil do que as que se fazem no aquecimento para o jogo.

E já agora, agradeço à alminha que convenceu o Paulo Bento a mandar o Varela sentar-se no banco quando já estava pronto para entrar. É que ter outro robot dentro de campo não ia ajudar mesmo nada.

Na Suécia, convém que os jogadores se lembrem de jogar o futebol que Portugal jogou com a geração de ouro e mesmo com Scolari. Com este futebol, não vamos lá. E se sair o Nani, temo mesmo o pior.

9 comentários:

  1. Koba,

    Bom post. É estranho ver a selecção nacional a jogar desta forma. É tão estranho que acho que até os suecos devem ter confundido e chegado à terra-natal a pensar que tinham jogado com alguma equipa inglesa, tantos foram os cruzamentos.

    Abraço

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  2. A selecção está a jogar à Sporting (aquele que conhecemos desde o fim da era peseiro até ao início da era leonardo jardim): a bola muito trabalhada atrás, laterais e extremos lá se arranjam para conseguir desequilíbrios por forma a que um chegue à linha e cruze, muitas vezes toscamente, e depois rezam para que a defesa adversária não corte e surja alguém para pôr a bola lá dentro. A diferença entre esse Sporting e a selecção? A qualidade dos jogadores. Apenas isso...ah, e a tal carta na manga que se chama Ronaldo

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  3. Mas não é uma boa táctica para não perder a bola em zonas perigosas?

    Estranho este último comentário... o Sporting já fez algum ataque pelo meio desde que o Jardim se instalou na equipa? E se a crítica ínsita no post vale para o Bento, por que não vale para o Jardim?

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  4. Anónimo, não é tanto por onde se conduz o ataque, é mais o que se faz quando se conquista o espaço. No Sporting já vamos vendo um Capel a tentar entrar na área para cruzar atrasado e o MC a desmarcar direto no PL nas costas da defesa (contra o Marítimo, por exemplo, o Montero desperdiçou dois golos, um de cada uma das formas descritas). E contra o Benfica, por exemplo, o golo do Capel não é um cruzamento para o barulho mas tirado para as costas da defesa. Na seleção não vemos nada disto, na minha opinião.

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  5. oh Koba... contei algumas dezenas de cruzamentos "para as costas do último defesa" (muitos por estratégia, alguns por inépcia)... só o Coentrão deve ter sido solicitado assim algumas 5 vezes. Quanto ao "ir à linha para cruzar atrasado" também me está a parecer haver um toque de selectividade na afirmação... houve pelo menos os mesmos cruzamentos atrás da linha de defesa que o Sporting costuma efectuar, o sucesso dos mesmos pode diferir, o que já pode ser função da estratégia do adversário (preparado para isso), da qualidade do adversário (superior ao Marítimo) ou da qualidade dos executantes...

    Há uma efetiva diferença entre o Bento da Selecção e o o Jardim: o Bento da Selecção, curiosamente ao contrário do que se sugere neste post, pelo menos coloca jogadores na zona central (que sejam Ronaldo + Postiga/Almeida), coisa que o Jardim nunca faz.

    Não me leve a mal! Acho muito bem que saliente que o "chuveirinho pó sueco" é um futebol fraquito. Mas isto, das duas, uma, ou bem que se considera que um tipo de futebol é melhor para as características dos jogadores , ou bem que se considera que os fins justificam sempre os meios (nestes particulares). Já isto do sol na eira e chuva no nabal...

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  6. Anónimo quatro notas:

    1. Não levo nada a mal, esteja à vontade.

    2. Eu sugiro que o Bento não coloca jogadores na zona central?!? Releia lá o post, sff.

    3. Não vale contar, na seleção, os que foram para trás da baliza (vários, infelizmente). Se revir o jogo e não contar com esses verá que, intencionalmente, foi aquele do Veloso que deu o golo e um na primeira parte em que o Postiga se envolveu com o Isaksson no chão. De resto, chuveirinho puro. Cruzamentos atrasados lembro-me de um, de facto: mas foi o jogador sueco a rematar e o Patrício a defender! Refere que o Coentrão foi solicitado assim 5 vezes, mas eu falo do que o Coentrão fez depois disso, esse é o ponto.

    4. Já vi jogos do Sporting este ano em que as coisas foram como diz, é verdade. Com o Rio Ave, por exemplo. Com o Olhanense fora, também (apesar de termos ganho). A 1ª parte com o Marítimo. Mas tanto na 2ª parte do jogo com o Marítimo, como no jogo da Luz, creio que houve uma efetiva preocupação (e muita paciência) no sentido de evitar o chuveirinho. Inclusivamente as melhores oportunidades nesses jogos foram com PL isolado após jogada na zona central (quantos lances tem tido a seleção com PL isolado com GR adversário?). O Sporting tem é alguns jogadores que não lhe resistem (ao chuveirinho, não ao anónimo...), como Capel ou Cedric (contra mim falo porque gosto do Cedric), o que muito me enerva mas não atribuo a (estratégia do) Jardim.

    Abcs

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  7. A crítica não é válida para o Jardim porque até agora os resultados atestam o sucesso do mesmo. Também não acho que no Sporting não exista jogo pelo centro. Embora mais raro, ele existe. Além de que nesta época o Sporting parece-me que tem sido uma equipa cujas jogadas tem princípio, meio e fim e não se recorre tanto a bola para a frente e seja o que deus quiser...já na selecção todos os processos são lentos, há um objectivo: chegar à linha e cruzar. Contudo, por vezes demora-se tanto tempo a chegar à linha que a defesa adversária já está reposicionada, já não há qualquer desequilíbrio e essas situações ou não se resolvem,ou resolvem-se recorrendo à técnica superior dos jogadores portugueses, às individualidades. É um futebol gasto, sem cor.

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  8. Isto que fez o Nani aos 42'... Mais ninguém na selecção tem inteligência para fazer
    Koba

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  9. "e a tal carta na manga que se chama Ronaldo". Selecção em modo Ronaldo-dependente

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