04/11/2013

Hombre, que pasa???


Apesar da excelente vitória de Sábado, conquistada em condições particularmente complicadas, vou começar o texto por justificar o título, focando o terma no André Carrillo. Isto porque começa a ser exasperante ver tanto desperdício de talento (ou, em alternativa, ver tanta falta de jeito a avaliar talento, a começar por mim). Poder-se-ia pensar que está mal aproveitado, que está a ser limitado no seu futebol pelo papel em campo, que o treinador não tira o melhor dele, etc. Mas se assim for é o único porque todos os outros, ou a grande maioria, por ora, parecem dar-se bem com este treinador. A 2ª parte contra o Marítimo foi muito boa por parte de quase todos os intervenientes, com o mesmo treinador e já sem Carrillo.

Ter talento não chega, todos o sabemos, escusamos de passar a vida a repetir o dichote. Mas há casos que ultrapassam os limites do razoável e Carrillo é um deles (como numa escala diferente foi/é Quaresma). Claro que não estamos a falar da destruição de carreiras (como sucedeu com Fábio Paim, por exemplo) mas estamos a falar de jogadores que podiam, não digo ficar na história, mas pelo menos deixar saudades. Infelizmente, não é o primeiro caso destes no Sporting em não muitos anos... Recordo Matias Fernandez ou mesmo Pinilla, que tinha tudo para ser um jogador de topo e só não chegou lá porque começou a encarar seriamente a carreira lá para os 25 ou 26, desperdiçando 5 anos de evolução e crescimento. Em contrapartida, basta ver como ainda hoje um razoável jogador como De Franceschi (que se limitava a dar o litro) é recordado em Alvalade para se perceber que nem sequer é particularmente complicado conquistar-nos.

Carrillo pode estar a ir pelo caminho do desperdício, sem que se perceba bem porquê. O que me irrita por dois motivos: porque, a continuar assim, o Sporting acabará por perder um jogador com um potencial tremendo; e, sim, porque contradiz tudo o que aqui disse dele (basta seguir o tag "Eu bem dizia" e perceber onde pretendo chegar com esta ironia). E nem se diga "ah, o que ele precisava era de um Mourinho" porque, por exemplo, para Quaresma nem Mourinho chegou. Espero que Carrillo perceba que quando o jogador não quer, dificilmente o treinador pode fazer algo por ele.

Passando ao jogo em si, gostei muito de ver que a equipa nunca deixou de ter paciência apesar de estar a perder em circunstâncias muito complicadas: (i) em casa, (ii) depois de ter estado a ganhar, (iii) sofrendo o segundo golo à beira do intervalo, (iv) sofrendo golos em dois lances muito contestados pelo público, (v) num jogo em que era essencial ganhar depois de um mau resultado no desafio que foi vendido como sendo "o" teste às reais capacidades da equipa e (vi) num momento em que se o Sporting voltasse a escorregar seria normal que todos dissessem "afinal, não dá mesmo para mais". Tendo em conta tudo isto, considero notável a 2ª parte do Sporting - em termos de atitude competitiva, futebol e confiança.

Destaco, pela positiva, a dinâmica dos laterais Cedric e Jefferson; a solidez de William Carvalho; a resistência e entrega ao jogo de Adrien ("este" é o que merece ir à seleção); a entrada em jogo de Slimani (mas aquele falhanço no que seria o 4-2 é incrível...); a "sensatez" trazida ao jogo coletivo pelo Wilson Eduardo; e, claro, a alma de Diego Capel (embora por vezes insista no cruzamento a despropósito, já se viu um Capel muito mais incisivo).

Pela negativa a insegurança de Dier (Cantinho, creio que desta feita é difícil negar que o Rojo andou a apagar os fogos que o Dier criou); a ineficácia de Montero (3 oportunidades claríssimas de golo desperdiçadas); e a pouca profundidade do futebol de Vítor Silva (embora aqui possa conceder uma aos críticos do Jardim, porque estive atento depois de me chamarem a atenção para isto: o elemento mais avançado do triângulo está, regra geral, muitos metros distante quer do ataque quer do portador da bola). Uma nota ainda para a forma como foi construída a barreira no lance do golo do empate do Marítimo: no mínimo, a rapaziada, em especial o Patrício, ficou baralhada.

Quanto à arbitragem, concordo com o Jardim: foi errando e acertando para os dois lados. Sei que os sportinguistas se têm queixado, mas eu insisto em tentar fazer um exercício de busca de parcialidade e neste caso não a encontrei, ou não a encontrei de forma evidente, desculpem lá. Ainda não consegui ver o Jefferson tocar no Sami em nenhum ângulo na TV; mas também não consegui ver o João Diogo a empurrar o Montero (acho é que a sucessão de faltas do João Diogo não foi devidamente punida); acho que o lance do Rojo é mão e o do jogador do Marítimo na área não é (são lances completamente diferentes); e obviamente acho que o Ruben Ferreira devia ter sido expulso após agressão ao Capel (o que a juntar ao João Diogo na 2ª parte punha o Marítimo com 9 e sem os dois laterais de raiz). Mas tudo bem, estou como diz o Presidente do Sporting: quando não for um disparate o jogo todo e sempre para o mesmo lado, adiante!

Só um comentário final: cheguei a casa e fui rever alguns momentos do jogo; após o 3º falhanço do Montero, alguém perguntava se estávamos a assistir ao "ocaso de Montero". De facto é gravíssimo, não marcou em 2 jogos, um deles no Dragão. Leva a pensar "volta Bojinov, estás perdoado". Quem anda em excelente forma é o Jackson que já marca há vários jogos consecutivos. O quê? Não marcou contra o Sporting? Não marca há mais jogos do que o Montero? E falhou um golo escandaloso no Restelo de cabeça, onde o FCP perdeu pontos??? Não posso crer... E ninguém fala do ocaso do Jackson?

Eh pá, tenho a certeza que não é por mal. É distração.

PS: Venha o derby. Não somos favoritos mas já provámos que damos luta. Com o Benfica em dia não, é possível.

PS2: Para quem tinha dúvidas sobre a arbitragem do Dragão, aconselho a leitura do Jornal do Sporting. Fonte mais suspeita não há. E nessa sede a arbitragem foi vista como normal.

PS3: Ia-me esquecendo de uma palavra para o Marítimo, que a merece. Boa equipa (a melhor em Alvalade este ano), pagou caro o excessivo recuo na 2ª parte e a falta de apoio ao (excelente) Derley.

9 comentários:

  1. Yannick Djaló, a sequela - Carrillo. Já em exibição em Alvalade ou numa televisão perto de si.

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  2. Miguel, nem comparemos. O Djaló tinha algumas evidentes dificuldades técnicas mas, goste-se ou não, dava o litro. O problema do Carrillo começa por ser o inverso demasiadas vezes.

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  3. É impressão minha ou o Carrillo ficou assim desde que foi treinado(?) pelo Sá Pinto?

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  4. Koba,

    Bom post. Muitos pontos em comum.
    Começo pela referência a mim. Concordo. Como disse no meu post, na 1ª parte Dier insistiu em não querer ser titular. E aí valeu Rojo.

    No 1º golo do Marítimo fizémos tudo mal, tudo. Duas péssimas saídas de bola, falta com mão que quase era penalty e uma barreira feita por gente baixa e que, no início, tinha só 3 homens!! Depois foi para lá outro, mas de pouco valeu. Só podia dar golo. Geralmente, contra o Sporting é assim. Veremos quantos é que o Ruben marca iguais aquele no resto da época (é um excelente golo).

    O tema Carrillo começa a dar pena. Aposto que quando tiver no limite da renovação irá surgir a dúvida, "arrisca-se ou não se arrisca?". Infelizmente para nós, dos 3 extremos ele é o melhor. E infelizmente porque é o que dos 3, jogo após jogo, merece menos estar em campo e ser titular. É um grande jogador, inteligente, mas aquela atitude vai-nos custar muito caro. E o pior é que a qualidade estará sempre lá e ele terá sempre um bom clube para ir.

    Quanto ao derby, é assumir o natural favoritismo do Benfica (joga em casa, melhores jogadores, equipa com 5 anos de treino e jogos juntos, mais experiência, maior orçamento), trabalhar bem o jogo todo, muita concentração e não dar razões para o Benfica se motivar (como fizemos na semana que antecedeu o jogo no Dragão).

    Relativamente ao teu PS3, acho que se o jogo tivesse sido com o Estoril ou com o Rio Ave não tinhamos ganho.

    Grande abraço!

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  5. Francisco, todos os jogadores do Sporting que vinham de 2011/2012 regrediram em 2012/2013, sem exceção (os que evoluíram foram os que começaram a jogar em Janeiro). Não sei se o único culpado é o Sá Pinto mas diria que efetivamente o Carrillo regrediu no ano passado ou pelo menos estagnou. Parecia estar a dar um abanão na estagnação neste início de época mas infelizmente falta ali qualquer coisa.

    Cantinho, assisti incrédulo da bancada a toda essa rábula da barreira. Não escrevi porque pensei que estava a ser paranóico mas vejo que, afinal, não fui o único a ver o filme...

    Só uma nota quanto ao PS3: o Marítimo tentou sempre sair a jogar com critério enquanto teve 11 jogadores e teve vários lances de ataque muito bem construídos (recordo um que o Sami desperdiça logo aos 10 minutos e que é fotocópia do que origina o penalty). Tentou jogar futebol, não se limitando a conter e destruir. Na minha tentativa de ser breve acabei por dizer algo que não corresponde inteiramente à verdade: o que queria dizer é que o Marítimo foi a equipa que melhor futebol apresentou em Alvalade.

    Entretanto tenho a dizer que ontem vi finalmente uma imagem que mostra claramente o João Diogo a empurrar o Montero. Nem no estádio nem em qualquer dos resumos vistos por mim até ontem era visível o empurrão mas as imagens que vi ontem foram esclarecedoras.

    Um abraço

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  6. Koba,
    vejo a situação do Carrillo como um abaixamento de forma e consequente falta de confiança. Não me parece que se justifiquem maiores preocupações, mesmo considerando o quanto irrita vê-lo em campo. Não vejo falta de interesse ou de empenho. Por exemplo no Dragão, depois de uma primeira parte horrenda (no que foi acompanhado por vários colegas) até subiu de rendimento na 2ª apesar de não ser o mesmo que nos habituou.

    Não concordo com a análise a Dier, sobretudo no ponto em que afirma que teve que ser socorrido por Rojo, quando me pareceu ser o oposto. Se tiver oportunidade de rever o lance da 1ª oportunidade de perigo do Maritimo é Rojo que vai disputar uma bola que não competia, Jefferson está a regressar, Derlei(?) ganha o lance e deixa a bola a Sami que só não faz golo porque é aselha. Foi uma constante, apesar de concordar que Dier já não é o jogador confiante que vimos na época passada e ter tido falhas que não esperava ver. Mas atendendo ao que tem sido o seu percurso recente (lesão, banco) e o que certamente imaginou para a época não será de todo inesperado que se apresente desta forma.

    Quanto ao Vitor, mesmo com alguns apontamentos interessantes, fica demonstrado que o problema - bem descrito aqui - é outro e não o André Martins.

    No restante estou de acordo com a análise, pelo que não vou repisar os mesmos pontos.

    Abraço

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  7. Koba,

    Só uma pequena nota engraçada:
    parece que combinámos os comentários nos respectivos sitios.Se houvesse um protocolo dificilmente se conseguiria tamanho sincronismo.

    Abraço renovado.

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  8. LdA, obrigado pelos comentários. Quanto ao Dier, a receção foi quase sempre pobre, jogou de primeira quando devia parar a bola, passes com força excessiva (quase todos). Acho que o Rojo tem algumas limitações, claro que sim, e até concordo consigo no lance do golo do Danilo (é um erro clássico do Rojo, sentar-se no chão mesmo antes de o adversário fazer a finta, recordar o Ghilas em Alvalade no ano passado) mas no Sábado não fez um mau jogo e, mantenho, creio que andou a apagar alguns fogos que o Dier ateou ou ajudou a atear. Isto dito, é neste ano, não no próximo nem nos seguintes, que o Dier tem que ser lançado a titular. E tem que aprender com estes jogos, numa fase em que estamos relativamente bem, ao invés de aprender nos jogos que correm menos bem e em fases menos boas.

    Só uma nota: quem me alertou para o problema André Martins/Vítor foi um craque da análise futebolística, no caso o PLF. Depois de ele mo referir, passei a estar mais atento. Mas não tenho uma capacidade de análise suficientemente apurada para chegar à conclusão a que ele chegou sem uma dica...

    Abraço

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  9. Koba:
    Fiquei sempre com a sensação de que o Sá lhe deve ter massacrado a cabeça com a ideia de ter que defender.Este é o tipo de jogador que só se realiza a fintar e ter a baliza como destino,não aceitando amarras tácticas. De resto estou completamente de acordo com o que afirma em relação à regressão de quase todos os jogadores durante e após a era Sá Pinto.

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